História Love Cry - Capítulo 13


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Categorias A Rainha Vermelha
Personagens Elara Merandus, Evangeline Samos, Julian Jacos, Lucas Samos, Personagens Originais, Príncipe Maven Calore, Sara Skonos, Tiberias Calore "Cal" VII, Tiberias Calore VI
Tags A Rainha Vermela, Fantasia, Ficção, Maven Calore, Romance
Visualizações 23
Palavras 1.400
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Fantasia, Ficção, Luta, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Spoilers, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Oiiie! Como vcs estão? Espero que bem!
Eu sei que demorei, é que tive imprevistos no cursinho e não tive tempo de fazer o capítulo no último final de semana
Mas to aqui de novo!
Espero que gostem desse cap fresquinho.. beijinhos !!

Capítulo 13 - Capítulo 13


— Já que você está aqui e tem tantas coisas passando pela sua cabeça, por que não fica para a aula de sociologia de Cal? 

Hesitei. 

— Isso é permitido? – perguntei. 

— Se você não contar eu não conto. – ele disse. 

— E o príncipe? 

Julian sorriu para mim. 

— Não se preocupe com ele. Cal não diria nada. – ele falou, convicto. 

Sua expressão era um tanto enigmática, mas resolvi não ir a fundo e me sentei numa poltrona, esperando por Cal para a aula. 

— Você disse para eu te encontrar aqui a essa hora. – Cal disse a Julian. — É uma hora ruim? 

O homem de olhos suaves sorriu para o sobrinho, que parecia acanhado com a minha presença. 

— Pode se sentar, Cal. – ele falou. — Acho que você já conhece Mareena, certo? 

Cal de sentou ao meu lado e me encarou surpreso. Sorri timidamente e desviei meu olhar do dele. Ainda assim, sentia seu olhar sobre mim durante mais alguns instantes. 

— Sim, já nos encontramos outras vezes. – ele falou. — Mestiça. 

Cal me chamou do apelido bobo que havia inventado anos antes, o que me fez olhar para ele com certa repreensão, mas ele, ao piscar, parecia não se importar com a indiscrição. Ele abriu um sorriso sarcástico quando corei. 

— Vamos começar com a história de como o mundo era antes de existirem dois sangues. – Julian começou. 

Por longos minutos suas palavras eram absorvidas pelo meu cérebro e eu havia esquecido da presença de Cal bem ali. Meu sangue era único até determinadas modificações evolutivas transformarem um sangue em outro. Por algum motivo desconhecido a cor era prata. Porém, quando chegamos às divisões entre as casas e o funcionamento da monarquia atual eu simplesmente me perdi entre os livros da biblioteca. 

Comecei a ler cada título conforme as palavras de Julian iam simplesmente desmanchando e sumindo antes mesmo de serem processadas. Não era meu dever saber as divisões das casas da corte, muito menos suas funções e árvores genealógicas. 

Havia livros sobre as guerras civis da Antiga Era, sobre a revolução dos sangues, sobre a instituição da ditadura prateada, sobre a monarquia e livros sobre as divisões das casas pelo continente. Meu olhar caiu sobre um livreto marrom, aparentemente encapado a mão e bem disfarçado com algumas folhas, aparentemente, Julian tentava esconde-lo. 

Apertei os olhos para tentar ler o título: “lista de sangues de matriz não identificada”. O que seria um sangue de matriz não identificada? Ou se é prateado ou vermelho. Algo dentro de mim estalou, de repente. Rubros são vermelhos com poderes e absolutamente nenhuma ligação direta com prateados. Era estranho que houvesse uma lista sobre isso. Afinal, achei que a matriz sanguínea não fosse afetada pelo fato de uma pessoa ter poder ou não, mas, de fato, havia muita diferença. Talvez fosse aquela coisa abstrata que Maven insistia em me ensinar, um tal de DNA. Isso afetava a matriz sanguínea? E se eu estivesse lá? Aqui, tão perto das mãos da rainha. Imagine se isso fosse descoberto, se chegasse nas mãos erradas. Seríamos todos mortos. Ou pior. 

Suspirei. 

— Tudo bem, Mestiça? – perguntou Cal, me tirando dos meus devaneios. 

— Anh? – murmurei. 

Cal segurou minha mão e sorriu. 

— Você parece assustada. Foi algo que meu tio disse? — ele perguntou. 

A mão dele apertava a minha deixando-a terrivelmente quente. Era estranho sentir algo assim, afinal, as únicas pessoas que me tocavam tinham mãos frias. Kai e Maven eram bem parecidos no quesito temperatura corporal e ambos insistiam em estar sempre próximos o suficiente para que eu sentisse isso. 

— Eu estou bem. – falei. – Só me lembrei de algumas coisas que ficaram pendentes lá em casa. 

Eles se entreolharam. Julian deu de ombros, e assim fez Cal, desconfiado e com certeza não vencido. Ele não comentou mais nada, mas também não soltou minha mão. 

A sensação estranha me tomou de novo e comecei a sentir a temperatura do ambiente subir cada vez mais, praticamente me sufocando. Até que finalmente eu soltei minha mão da sua delicadamente, fingindo anotar algo num pedaço de papel. 

De canto de olho pude notar a coloração diferente nas bochechas dele, mas nenhum dos dois se olhou diretamente e ambos continuaram a tentar prestar atenção na aula. 

                            ***

— Achei que não vinha mais. – Kai ralhou. 

— Desculpa o atraso. – falei. 

— Eu já cortei as flores, agora só falta arrumar nos vasos. 

Balancei a cabeça. 

— Eu decidi. – falei a ele, baixinho. 

Kai colocou um dos vasos de cerâmica sobre a mesa de centro e me ajudou a subir nas bancadas para organizarmos os arranjos de flores. 

— Decidiu o que? – ele perguntou-me. 

— Eu quero fazer parte dessa Esquadrão Rubi. – terminei. 

As mãos de Kai eram ágeis em limpar os caules das plantas de folhas e espinhos. Ainda que eu continuasse falando ele de mantinha concentrado nos movimentos. 

— Ah. – ele suspirou. – Eu imaginei que faria isso depois de visitar a aldeia. 

O silêncio tomou conta do espaço e eu apenas o observei confusa. Kai não parecia animado nem curioso para saber como havia chegado à conclusão, o que havia me feito mudar de ideia ou sequer saber como eu me sentia. Ele estava frio. 

— Sério? – perguntei. – Você não vai me perguntar nada? Não vai falar nada? 

Ele bufou. 

— Pense bem nas suas decisões, Mareena. – ele sussurrou. – Uma vez dentro você não vai poder sair. Se eu fosse você, eu esperaria mais um pouco para pensar sobre isso. 

— Há pessoas morrendo de fome, Kai. De doenças. – falei. Juntei diversos caules de flores diferentes, formando uma combinação de cores para a sala. – Há uma guerra que não tem fim e nem motivo de existir que destrói famílias. Nós podíamos estar lá, Kai.

— Você não entende, não é? – ele murmurou. 

Meus olhos tentavam conter as lágrimas que apenas a lembrança das imagens me causavam. Respirei fundo, mas não consegui me conter. 

— Você que não entende! – gritei.

Minhas mãos se fecharam num emaranhado de plantas e senti minha carne ser perfurada por alguns espinhos. 

Me encolhi no chão observando as gotas de sangue mancharem o chão cristalino de vermelho. A cada segundo eu meu sentia mais vermelha, de sangue, de dor, de raiva. Suspirei e chorei até desmaiar. 

                            ***

— Por que meus curandeiros perderiam tempo curando uma vermelhinha?! – escutei a rainha brigar. 

Não pude abrir os olhos, mas, infelizmente, também não conseguia tampar os ouvidos para não escuta-la. 

— Ela é só uma criança, Elara. – o rei replicou. — Ao menos deixe que ela fique na ala hospitalar até se sentir melhor. 

— Mãe, ela está bem machucada. – Maven falou. — Está até sendo acompanhada por máquinas. 

A rainha bufou, mas não reclamou mais. Não era a vontade dela, porém ela também não teria nada a perder comigo. Nem dinheiro, nem tempo. Só orgulho. Apesar disso, ela permitiu minha estadia depois de longos períodos de silêncio. 

— Você vai ficar bem, minha princesa. – Maven sussurrava para mim. 

Eu mal conseguia vê-lo, entretanto podia sentir seu toque sobre mim. O frio do quarto indicava que ele estava ali. Mas não ficava muito, afinal, ninguém poderia ver o príncipe no quarto de uma criada. Ele ia embora toda vez. 

Kai falava algumas coisas que me faziam sentir culpada por não poder responder. Ele sempre me pedia perdão por não poder me entender e as vezes me sufocar. E, apesar de ser verdade, ele não tinha culpa das coisas que aconteciam comigo. 

Nas poucas vezes que ouvi a voz da minha mãe, foi em conversas com Tio Sam. Eles discutiam sobre como me treinar adequadamente depois que eu me recuperasse e sobre como os planos estavam demorando para se concretizar. Fiquei imaginando se eles tinham noção de que eu poderia escuta-los. 

— Por que ela não acorda? 

Escutar aquela voz era novidade. Por algum motivo ela me causava estranho conforto. Mas não era Maven. 

— Ela foi envenenada pelas flores que cortaram as mãos dela, Cal. – respondeu a outra voz. 

Julian e Cal. 

— O corpo teve um colapso. – outra voz complementou. – Um colapso emocional combinado com o veneno. 

Cal suspirou. 

— Que tipo de coisa poderia causar um colapso emocional numa menina de doze anos? – ele se perguntou. 

Se ao menos eles soubessem. 

— Traumas não trabalhados. Abusos. Choques de realidade. Ansiedade. – Julian listou. — Ela provavelmente tem tudo isso. 

Senti uma mão gelada tocar minha pele no rosto. Um carinho doce. 

— Que tipo de coisa acontece com você? – Cal me sussurrou. 

Quis chorar, mas meu corpo não me obedecia. E, de novo, quando escutei o burburinho ao meu redor, senti a inconsciência me tomar.



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