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História Love, Death and Pirates - Capítulo 15


Escrita por: e sunwish


Notas do Autor


OI AMORES ME DESCULPEM O ATRASO PELO AMOR. Eu devia ter atualizado ontem à noite mas acabei dormindo demais e acordando um pouco antes da meia-noite, fora que a Sun teve alguns compromissos e quando chegou em casa, ela só dormiu. Eu e ela vamos tentar manter esse horário com frequência, mas ele pode se alterar daqui pra frente devido a alguns acontecimentos pessoais recentes, isso inclue uma pausa temporária no fim da segunda parte (que não será agora), mas logo estaremos fe volta.

Enfim, espero que façam uma boa leitura❤

Capítulo 15 - A Barganha


Chan olhou para o céu do amanhecer com o coração pesado. Seu corpo ainda sentia ele ali, ainda que o rapaz nem sequer emitisse calor de uma alma viva. Mal havia se passado um dia e já queria tê-lo de volta em seus braços, tocá-lo e beijá-lo… deixar que a cama incediassem junto do navio todo. Chan já o desejava. Pior que um canto de sereia era estar apaixonado por Kim Woojin de novo.

— Quando nos veremos de novo? — Perguntou o capitão do Ceifador para o do Vingança enquanto este dava passos para fora da cabine dele sem nem olhar para trás.

— Em breve. — “Em breve, quando?” se questionou ao ouvir a resposta do mais velho, sentindo-se impaciente por aquele jeito que tinha de nunca dar soluções estáveis.

— E se eu precisar de você? Nem sequer posso sentir você...

Chan se referia às almas. Ele não conseguia sentir Woojin daquela forma, da qual tanto apreciava sentir alguém. Era assim que sabia que alguém estava vivo ou morto, se estava por perto ou distante, se era uma alma infeliz ou alegre, amável ou impiedosa… Mesmo com Woojin bem em sua frente, ele não saberia que ele estava ali, exceto porque era capaz de o ver. Graças à bênção mágica que o Kim recebeu para se esconder do Bang, agora se lamentavam pelo rumo que aquela decisão havia tomado. Porém ao contrário de Chan, Woojin estava mais conformado.

— Você tem um navegador que me achou muito bem da primeira vez. Vou me assegurar para que consiga fazer isso mais vezes e sem quase matá-lo. — Respondeu e olhou para o Choi, quem estava de pé atrás de seu capitão parecendo agredecido pela decisão do outro. — Sua tripulação acolheu bem a minha, então estou em dívida com eles.

— Eles só ofereceram rum. — Chan franziu o cenho.

— E você não me deu uma gota. — Woojin resmunga e cruza os braços.

— A gente fodeu. Não bastou como presente de boas-vindas? — O ceifador olhou incrédulo para o homem, dando um suspiro forte para demonstrar que não aceitaria ser diminuido gratuitamente por ele.

— Na próxima, eu quem vou meter ou você me oferece rum então. — Woojin da uma piscadela ao mais novo enquanto tentava não rir da expressão dele de surpreso. Ele se virou de costas para Chan, assim como seus dois membros da tripulação, executor e imediato, prontos para se tornarem a névoa. — Mas não se preocupe, amor. Eu estarei por aqui quando precisar de mim. Aliás, Chanhee é muito mais do que alguém capaz de achar as pessoas no mapa. Deixe que ele aprenda a falar com elas também.

— Como é que é? — O Choi piscou os olhos várias vezes, tentando entender o que o outro capitão havia acabado de dizer. Então quer dizer que ele podia conversar com as pessoas pela mente? Se era o que estava pensando, seu mundo certamente havia acabado de se expandir.

— O que quer dizer com isso? — Chan pergunta, mas o Kim já estava se tornando a névoa que aos poucos transpassava pelo barco.

— Ele vai saber quando precisar. — Foi como um sopro nos ouvidos dos três que ficaram para trás.

Eles assistiram os outros, assim como o Vingança, se tornarem nevoeiro no mar para logo a visão de todos ser apenas aquela fumaça acinzentada ao redor deles. E de repente, silêncio, frio, supense… Aos poucos, aquela névoa toda já havia se dissipado no ar como se nada antes tivesse acontecido. O céu se tornou azul de novo e Chan havia ficado ali, parado, encarando… esperando.

“Nem mesmo um beijo, ou um adeus”, pensou. Foi como da primeira vez que Woojin o deixou. Sem mais nem menos, sem o benefício da dúvida de que ele ia voltar. Da última vez, o Kim prometeu também que voltaria, mas o que agora? Desde quando paixão prendeu piratas? O capitão do Vingança era a prova viva de que sua ambição era maior que seu amor. Chan estava em segundo plano. Aquilo não abalou tanto ao ceifador, já que, para alguém que esperou cinco anos, mais cinco não eram nada.

Hyunjin era como uma leve brisa numa tarde ensolarada, no meio de uma praia de água azul e céu claro. Ele era tudo que havia de mais belo na natureza, fazendo Changbin suspirar apaixonado por imaginar ele enquanto estava deitado em sua rede do segundo andar. O tritão tem sido apenas uma brisa desde o dia em que o viu pela última vez. Agora lhe restava apenas sonhos infinitos os quais sempre acabavam juntos. Aquilo fazia o Seo acreditar que o veria de novo, fazia ele querer viver por mais um dia apenas para tocar na bochecha macia e beijar os lábios rosados. E ainda que Hyunjin não voltasse nunca mais, Changbin esperaria. Aquele era o poder do canto de uma sereia a um humano quando não era destinado a matar ou usá-lo. Quando era feito com amor, deixava a vítima em êxtase. Não era platônico como quando se cantava para usar alguém, era real como quem esperava o amor bater na porta a qualquer momento. Era um desejo que não o deixava louco por mais, porque o fazia ser paciente, compreensivo e calmo. O tritão havia sido esperto em cantar para ele uma última vez, porque senão teria deixado o executor louco para encontrá-lo, desejando mais do que deveria… teria o deixado obssessivo, para então morrer por isso. Hyunjin não queria ver o rapaz assim, queria dar esperança de que um dia se veriam de novo.

Mas no fim das contas, nenhum dos dois sabiam se veriam um ao outro. E ainda assim, Changbin estava tranquilo.

Quando amanheceu, Minho ainda estava acordado, sóbrio, cansado, sonolento. Ele não havia conseguido sequer pregar o olho noite passada, ainda mais com Jisung deitado em seu peito, abraçado a ele, tornando sua presença quentinha algo que o Lee requisitaria o tempo todo, quase como uma necessidade.

Era cruel demais, mas era necessário.

Era doloroso, mas precisava.

Era…

Enquanto Minho tentava conter seus pensamentos, ele sentiu o Han se mover em seu peito e então desviou o olhar para ele. Jisung havia acabado de despertar, e a cara de sono feita por ele deixou o Lee com um sorriso divertido no rosto, principalmente por achar fofo como o rosto dele inchado deixava suas bochechas grandes e os olhos pequenos, que quase pareciam fechados, chamavam sua atenção.

— Que horas são? — Ele se sentou devagar na cama e passou as mãos no rosto para ajudar a acordar.

— Não tenho ideia. — Minho sorriu fraco, admirando ao moreno desde o rosto até o abdômen, impressionado pelo físico daquele príncipe.

Obviamente não era o primeiro príncipe que deseja, mas era o primeiro com quem havia se deitado — porque tinha problemas com a realeza —, ainda que sem saber, e havia desejado mais e mais noites com ele. Jisung era único e diferente. Ele claramente podia perceber porque aquele cara havia fugido de seu lugar na coroa. Sem ambição, sem arrogância... talvez um pouco de ousadia apenas… Jisung era alguém que parecia não precisar de muito. E também, alguém que gostava do sabor da liberdade.

Tão único e ainda assim Minho deixaria e ele escapar por suas mãos.

No instante que “acordou”, Jisung olhou sorrindo para seu capitão e este retribuiu, porém ao perceber que estavam perto de seu destino, ele desapareceu com o sorriso até ter um olhar mais sério.

— O quê? — Perguntou o Han ao perceber a mudança no olhar dele.

— Nada... só estava pensando demais. — Minho diz sem mais nem menos e se levanta. — Vamos… temos que botar ordem nesse barco antes de ancorarmos. Preciso que chame o Changbin para minha cabine assim que puder.

Ordenou agora com sua personalidade de “capitão” posta enquanto estava de pé vestindo as mesmas roupas. Minho acrescentou por um último um sobretudo vermelho escuro, que se destacava aos olhos observadores de Jisung. A postura dele agora era a de um perfeito capitão, que botaria medo em qualquer um que ele quisesse, ainda que parte daquela fantasia fosse mentira, porque Minho afinal não era tão ruim assim.

— Quando terei um desses? — Ousou perguntar enquanto sorria, agora sentado no canto da cama, calçando suas pequenas botas.

Minho o fuzilou com os olhos.

— Só por cima do meu cadáver.

— E se eu tiver meu próprio navio e própria tripulação?

— E eu lá ia deixar meu melhor homem ir assim?

“Ele ia.”

Jisung olhou para Minho sorrindo por saber que era requisitado, por saber que era importante pelo menos para ele. E não do jeito ambicioso, como era com seu pai. Jisung sabia muito bem que ele era fruto da necessidade de sucessores, e não da necessidade de amar um filho. E por mais que sua infância tivesse sido boa, tudo que ele conhecia na adolescência à vida adulta era a linha de sucessão da família Han.

Minho queria ter ficado preso naquele momento de admiração de Jisung, que ia além de um simples sorriso, mas ainda havia muito a ser feito.

— Então..! — Chamou a atenção do Han enquanto ia para a porta da cabine na frente dele. — Ao trabalho, marujo!

Jisung deu um mínimo sorriso e assentiu, saindo por aquela porta assim que ela foi aberta.

Minho observou ele desaparecer por entre os piratas já posicionados no convés, enquanto ele subia para o leme, tomar o lugar de seu timoneiro dali.

Jisung dava lentos passos por entre a tripulação nova do navio, imitando tudo o que viu da primeira vez quando estava naquela posição das pessoas que limpavam o convés. Ele achava irônico estar ali depois de um tempo. E até mesmo estava esperando alguém se revoltar para desafiá-lo. Seria engraçado, pois acreditava que não haveria ninguém páreo para si. Entretanto nada demais aconteceu além de Ji Changmin se aproximar dele, fingindo que estava limpando o chão por ali.

— Ouvi dizer que você é o tal príncipe Han. É verdade??? — Ele cochichou para o executor e este arregalou os olhos. Desde quando Changmin sabia??? Quem havia lhe contado?? Quem mais sabia?? Eram tantas perguntas que Jisung queria fazer, mas não ali, não no meio do convés.

O Han rapidamente abaixou-se para tapar a boca do amigo, assustando-o pelo movimento, mas que também foi suficiente para confirmar suas suspeitas.

Jisung puxou Changmin dali rapidamente para debaixo do convés quase vazio. Ele o arrastou para um canto quiero e o colocou contra a parede. Não era seguro ninguém além de Minho e Changbin saberem, a não ser que o Ji não se importasse com aquele fato.

— Então é verdade. — Falou baixo, olhando o rapaz de cima a baixo.

— Quem te disse isso?

— Você estava meio sumido esses dias… Eu soube que estava na cabine do capitão cuidando dele e então fui fingir um chamado de ajuda… daí ouvi a conversa. — Os dois se encaram e Jisung se sente frustrado. — Por que não me contou?

— Não é óbvio?

— É mas… Por quê? Achei que confiava em mim. — Changmin cruza os braços, aparentando decepcionado com a decisão do suposto amigo.

— Eu confio, mas não podia adivinhar como reagiria se soubesse disso. — Insistiu, quase aumentando o tom de voz. — O próprio Capitão quase me matou quando soube que meu pai havia matado o pai dele. E logo depois o Changbin também... Eu não posso arriscar que outras pessoas saibam disso. O “príncipe” não sou eu. Eu renunciei isso no dia em que fugi daquele castelo.

Changmin ficou em silêncio. Ele descruzou seus braços para olhar o amigo em busca de entender o lado dele da história. De fato, ele não se importava quem Jisung era ou quem havia deixado de ser.

— Você tá certo.

— Sobre???

— Sobre não arriscar que outras pessoas saibam quem você é. Eu faria o mesmo.

— Você não se importa? Meu pai tá oferecendo muitas moedas pela minha cabeça. Não vai nem tentar…

— Sabe quem eu era no passado? — O de cabelos alaranjados pergunta com um sorriso de deboche no rosto. Ele encosta o corpo no canto que estava e abaixa a cabeça.

— M…morador de rua??? — Jisung franziu o cenho ao chutar sua resposta, afinal não era aquele tipo de pessoa que Minho trazia ao barco?

— Ji Changmin, filho de Ji Minjae da central em Junhang. Meu pai era um dos mais ricos na cidade, praticamente era ele quem sustentava aquele inferno. O rei de lá estava insatisfeito com a ascensão dos mercadores locais, que estavam se tornando mais poderosos que ele e aquele governo nojento dele. Sabe… os reis não gostam quando o povo é melhor, eles não gostam de se sentirem fracos perante o reino. Então ele tinha que fazer algo. — Contou agora com os olhos perdidos, deixando-se levar pela própria história ao imaginá-la. — Uma noite, fomos acordados por gritos de dor e desespero. Quando eu olhei pela janela de casa, a cidade estava totalmente em chamas enquanto os soldados do rei montados em cavalos atiravam nos que ainda corriam pelas estradinhas da vila. Meu pai entrou no meu quarto e mandou todo mundo fugir dali o mais rápido que pudéssemos. Nós saímos a cavalo, mas os guardas nos viram e reconheceram meu pai. Fomos perseguidos e eu só conseguia ouvir ele mandando eu ir em frente sem olhar para trás. De repente, não tinha mais som nenhum: nem dos cavalos, dos guardas ou do meu pai. Foi quando eu percebi que ele havia se sacrificado para que eu pudesse fugir. Eu quis parar e voltar, mas aí me mataria e a morte dele teria sido em vão. Então eu cavalguei para onde não conhecia, apenas seguindo o sol que começava a nascer. Eu levei cinco dias. Quando cheguei na praia, eu tava quase morrendo. Sede, fome, frio… eu nem sentia mais nada. Já estava pronto para ir quando a luz foi coberta por um enorme navio. Eu apenas ouvi alguém me mandar para dentro. Tive que ser carregado. Foram mercadores ao sul do nosso país quem me encontraram. Eles me deram comida por um tempo e depois eu parti. Até que acabei parando aqui, fingindo ser morador de rua. Quis começar de novo.

Changmin sorriu ao final como se fosse um final feliz, mas na verdade ele estava apenas aliviado por ter sobrevivido e por ter tido sua segunda chance.

— Se tem uma coisa que eu aprendi com o dinheiro, é que o poder dele é maldito. E quando tentam usá-lo para o bem, as pessoas sofrem com o mau dentro de outras. Não quero o dinheiro que ganharia te entregando.

Jisung franziu o cenho de novo, dessa vez confuso pela conclusão dele.

— Mas se não quer dinheiro, porque se juntou a piratas, já que dizem ser tão ambiciosos quanto a realeza? — Pergunta e mais uma vez Changmin ri.

— Eu não estou com eles por isso ainda que estejamos aqui pelas recompensas. Estou aqui porque é tudo que eu preciso pra viver. Tenho um pouco de comida, água, sexo com um homem maravilhoso... aventura… Não acho que sejamos muito diferentes, amigo.

Eles sorriram um para o outro. Jisung pôde perceber que eram tão iguais quanto imaginava. Ambos fugindo de um passado em busca de coisas menores como aventuras, amor — ainda que não fosse tão "pequeno” para ele — e um cantinho para viver.

— Bem-vindo ao clube dos desertores. — Jisung riu e então estendeu a mão para o amigo, quem a pegou e o abraçou. — Mas me promete que nunca vai contar de mim para ninguém.

— Contar sobre o quê? — Changmin se afasta e olha o Han de modo confuso.

— Você sabe… Príncipe Han…

— Que príncipe? Você "príncipe"?? Palhaçada. — Fingiu-se cínico e fez Jisung rir pela bela encenação. — Eu nunca vi um na minha vida. Devo ter confundido, só pode…

Em meio a toda aquela encenação, o Ji foi se retirando devagar daquele andar para voltar ao convés, onde limparia o chão e continuaria com aquela vida que parecia tão inesperada mas que também nunca havia reclamado. Jisung riu ao ver ele desaparecer assim que subiu as escadas, contente por no fim das contas ter dado tudo bem.

Com o canto do olho, ele percebeu uma figura pequena e robusta sentada em uma rede com algo afiado em mãos. Era Changbin. Ele tinha uma mínima adaga de ponta curvada que passeava pelo comprimento de sua coxa como se fosse um brinquedo de criança. Jisung olhou para ele e o observou por um tempo. Ele parecia tão pacífico, como quem não queria nada além de deitar naquela rede e tomar uma bela garrafa de rum até o fim dos tempos que nem lembrava o mesmo cara que conheceu da primeira vez.

Quando estava prestes a ir embora, o Seo o olhou como se já soubesse que estava sendo observado, fuzilando Jisung até a alma, deixando meio nervoso.

— O que quer aqui?

A pergunta rígida o fez acordar e lembrar que Minho havia requerido a presença do amigo, mas Jisung estava tão distraído que nem percebeu.

— A-aah… — Ele andou até próximo do rapaz e continou a falar. — Minho queria falar com você. Eu não sei sobre o que é.

— Diga que irei assim que puder.

Respondeu curto e grosso, continuando a passear a ponta afiada da adaga em sua coxa como se fosse um hobby ou algo do tipo. Ao invés de Jisung ir embora dar a resposta ao seu capitão, ele apenas continuou de pé do lado da rede de Changbin, encarando ele fazer o que quer que estivesse fazendo. E claro, ele percebeu e se incomodou com a mirada.

— Mais alguma coisa?? — Changbin olha direto a Jisung e ele apenas fica parado, encarando ele de volta.

— É que… achei que você estaria morto já que libertou aquele trit-

— Hyunjin.

— Já que libertou o Hyunjin. — Engoliu em seco pelo jeito que havia sido cortado.

Changbin deu um suspiro, mas não estava irritado. Ele estava pacífico como antes de Jisung falar com ele. Era como se o nome do tritão fosse uma espécie de botão para si.

— Eu estaria… — Falou baixo e voltou a olhar para a coxa, quando na verdade apenas se deixava levar pela voz doce do garoto de novo, circulando sua mente como aquela brisa calma vinda do mar.

— Então você gosta dele não porque está encantado?

— Hum. — Responde simples.

— Então isso é bom. Pelo menos você não está agindo feito o babaca que costuma ser.

— Agora estou cansado, mas espera só eu levantar daqui. — Changbin ameaçava, mas então acaba por soltar uma risada, fazendo com que Jisung se sentisse livre para fazer o mesmo. — A postura de babaca é para botar moral nesses filhos da puta. Ser temido é essencial nesse lugar. Só o Minho conhece quem eu realmente sou. - Falava manso, despreocupado, como se pudesse contar todos os segredos do mundo a Jisung. — Você nunca fez isso antes? Nunca botou uma máscara no rosto e fingiu ser alguém que não era, Vossa Alteza?

Ponto fraco. Pegou bem no ponto fraco.

“Você está certo”, Jisung pensou. Atire a primeira pedra quem nunca fingiu ser alguém que não era.

— Se fôssemos julgar os outros pelo que eles nos deixam ver deles, então este mundo estaria um caos.

— Você está certo.

— Eu sei. Nunca disse que não estava. — Gabou-se e Jisung riu junto dele.

O Han pela segunda vez, talvez pôde se sentir confortável ao lado do cara que achou que odiaria desde seu primeiro dia ali. Talvez porque ele cada vez mais fazia parte daquele navio ou porque realmemte gostava de quem Changbin demonstrava ser.

— Mesmo você sendo esse idiota que finge ser, você é legal assim mesmo. — Sorriu fraco, mostrando sua empatia ao Seo, quem o olhou surpreso. ㅡ Não imaginária esse navio funcionando sem você nele.

— Mesmo?

— Mesmo. Mas bom… vou avisar ao Minho que você virá depois.

Changbin deixou o sorriso que antes tinha desaparecer à medida que Jisung se afastava. Seu coração estava ficando cada vez mais mole conforme o tempo se passava e isso era ruim para alguém que estava prestes a fazer um negócio. O Seo já estava se arrependendo, mas era um pouco tarde para dizer não.

As horas iam se passando em mar aberto e à medida que as terras da Bahia de Busan eram vistas por seu legítimo dono, ele se arrependia de ter se permitido voltar. Era tão estranho quanto assustador estar de volta. “É só um dia”, pensou enquanto parava no centro do convés, olhando aquelas silhuetas formarem sombras por frente do sol de fim da tarde. O porto parecia vazio, exceto pelos demais navios e canoas anconrados no fundo, mas era novidade para o príncipe ver que parecia não ter ninguém ali.

Minho surgiu logo de trás dele, com as mãos nas costas, segurando algo. Ele se colocou ao lado de Jisung e sorriu fraco para então olhar ao destino de novo.

— Está com medo de estar de volta?

— Apreensivo. Eu não devia estar aqui. — Respondeu e engoliu em seco.

Enquanto olhava, Jisung percebeu figuras fardadas formarem uma barreira ao redor da praia, exatamente onde o navio de Minho pretendia ancorar. O Han arregalou os olhos ao perceber que aqueles eram os soldados do castelo. Eles sabiam que ele estava ali? Como sabiam?

O rapaz olhou para Minho quase como se estivesse entrando em desespero. Ele segurou nos ombos dele e passou a língua nos lábios secos antes de falar.

— Minho. Temos que dar a volta agora. Eles sabem que estamos aqui.

Jisung alertou e olhou para trás, agora podendo ver perfeitamente seu pai surgir de trás dos homens, com uma expressão vitoriosa. Ao olhar de volta para Minho, percebeu que ele estava cabisbaixo, quieto e imóvel.

— Minho?

— Eu sinto muito, Jisung.

— O quê?

Jisung não entendeu muito bem na hora, mas no momento em que Minho tirou as mãos das costas, ele reparou que o moreno segurava uma corda. O pirata pegou as mãos do príncipe de seus ombros o virou para que pudesse amarrar nas costas dele. Jisung nem sequer revidou. Ele não moveu um músculo contra, não olhou o Lee e muito menos conseguia dizer algo a ele.

— Espero que possa me perdoar algum dia. — O mais velho diz como um suspiro.

— Vai se foder. — Murmura e então olha na direção da ponte, onde seu pai e mais dos guardas caminhavam na direção deles.

“O que você fez, Minho?” Perguntava-se enquanto os olhos enchiam de lágrimas. Logo agora que tudo parecia que ia bem. Logo quando Jisung achou que podia confiar no Lee e que poderia finalmente viver a vida em mar aberto sem nenhuma preocupação, vivendo uma aventura de cada vez… Era tudo mentira desde o começo.

E tudo havia sido plano de Minho. Ele podia não ter a vingança que prometeu ao pai, mas poderia salvar outros piratas de morrer nas mãos do cruel rei Han. Quando viu Yang Jeongin aquele dia em Sakata, foi a oportunidade perfeita para enviar uma mensagem através dele ao rei. “Estou com seu filho. Entregarei ele a você com uma condição: deixe minha tripulação e os outros piratas circularem por sua região livremente, em troca dou ao seu tão desejado herdeiro.” Foi assim que Minho ganhou o duelo com Jeongin e conseguiu o que queria. Ele estava com o pé atrás em abandonar o rapaz ali depois de tudo, mas o necessário sempre ia na frente do que se queria.

— O que está acontecendo?! — De repente, Changmin surge do primeiro andar, às pressas ao perceber que Jisung estava amarrado como se fosse uma barganha, pronto para ser entregue ao devido “dono.”

— Mais um passo à frente e eu estouro seus miolos. — Alguém de voz rígida disse de trás de Changmin. Ali estava o Seo, executando seu verdadeiro papel naquele navio. Jisung duvidava de que ele estivesse apenas seguindo as ordens de Minho, afinal ele sempre quis se livrar dele.

Changmin levantou os braços em rendição, assustado. Ele olhava para o rosto abaixado de Jisung, como quem estava pronto para ser levado embora, sem hesitação.

— Fez um bom trabalho, Capitão. — O rei diz orgulhoso ao encarar o pirata.

Minho engoliu em seco. Era a primeira vez depois de um tempo que via o rosto daquele homem. Ele ainda fritava em ódio só de lembrar que aquele rei foi a causa da morte de seu pai, ainda que tivesse sido apenas uma troca, porque o Lee também tinha matado a rainha. Seus dentes se trincavam, mas ele precisava se manter firme agora.

— Vai cumprir nosso acordo?

— Desde que não inflijam nenhuma lei de roubo, sequestro ou qualquer outra coisa, poderão circular livremente. — Afirmou e então assim que viu Minho assentir, ele acenou para seus homens fardados e eles andaram até o navio, pegaram nos braços de Jisung, quem mais parecia um boneco que um ser humano enquanto era levado por eles.

O príncipe nem sequer fez questão de andar, já que era praticamente arrastado na ponte pelos guardas de seu pai.

O rei apenas deu meia volta com um sorriso de canto no rosto.

— Foi bom negociar com você, senhor Lee. — Indagou e então continuou o passo para fora daquela ponte.

Minho abaixou a cabeça e respirou fundo para então erguê-la novamente e ver Jisung partir. O príncipe olhou para trás uma última vez, assistindo o pirata a quem depositou sua confiança e até seu amor, ir sumindo aos poucos.

Maldito seja Lee Minho.


Notas Finais


Barganha: transferência mútua de coisas, geralmente de pouco valor, entre seus respectivos donos; troca.

Que capítulo heins meus amigos! Temos uma possível nova habilidade do Chanhee, temos mais um pouco de Woochan e de como o Chan se sente sobre ele, tivemos um pouco de Minsung, e um fato que eu queria destacar: Os efeitos do Hyunjin no Changbin.
Lembram quando foi dito que as sereias cantavam por três motivos? Então, se elas cantam por amor, ou para alguém que amam, o efeito é diferente. Changbin antes estava obssecado pelo Hyunjin, agora além de apaixonado ele também é paciente. Eu queria descrever de forma nítida como ele se sentia quando pensava no Hyunjin e porque ele estava tão calmo, justamente por ser um amor incondicional e paciente. Achei importante ressaltar em caso de perguntar.
E cá temos o mistério resolvido do por que do Minho ter feito o que fez e principalmente as intenções dele. Agora só nos próximos capítulos para vermos o tombo da poc. Podem massacrar ele, mas desde que chegaram na Ilha de Sakata ele já tinha esse plano em mente. E claro, sei que perceberam que ele estava hesitante em fazer isso, então por que ele fez? Era mesmo o que ele queria fazer? Fica pra próxima as repostas viu.

Enfim espero que tenham gostado, galerinha, amo vocês demais, obrigada por tudo. Eu e a Sun amamos ver os comentários de vocês e os favoritos. Nosso bebê crescendo nos faz feliz demais. ❤


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