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História Love Game - Capítulo 1


Escrita por: Kashi_

Notas do Autor


Essa one é dedicada para a KillerQueen (Loris), que está fazendo aniversário hoje e é uma das pessoas mais incríveis que tive o prazer de conhecer!
Feliz aniversário!
Boa leitura!

Capítulo 1 - Capítulo único


Come Out!

Harry POV

— Eu inventei um novo jogo — A voz de Ron soou, me trazendo de volta ao momento, afinal estava perdido em pensamentos há bons minutos.

Eu era esse tipo de pessoa que se perdia muito fácil em um mundo de sonhos, principalmente quando estava irritado.

O que era o caso, afinal aquele lindo insuportável, Draco Malfoy, havia acabado de fazer algum tipo de piada idiota sobre meu cabelo.

De tantos lugares no salão de estudos, ele havia ocupado logo a mesa que ficava ao lado da minha!

— Que jogo? — Hermione questionou com toda aquela curiosidade exagerada sobre qualquer porcaria que Ron fosse dizer.

Desde que haviam começado a namorar, estava ficando cada vez mais difícil ficar próximo deles!

— Se chama... ‘Flerte ou Ofensa.’

— Que tipo de nome é esse? — Me vi vencido ao questionar, olhando para ele, que expandiu o sorriso em um nível quase bizarro.

— É um jogo onde colocamos duas certezas, equilibradas por um evento.

— Eu não faço ideia do que está falando — Resmunguei, porque era uma das coisas que me irritava naquele relacionamento. Ron estava cada dia mais parecido com Hermione, principalmente no modo de falar!

Assim como ela parecia muito mais inclinada ao humor, e o fato deles serem esse tipo de casal perfeito me deixava extremamente mal humorado.

— Dê um exemplo — Hermione sugeriu, ele sorriu para ela.

— Aqui — Ele pegou um pedaço de papel amassado ao meu lado, ajeitando-o como estava inicialmente — Malfoy fez um papel voar até aqui, depois de dobrar ele em forma de pássaro. Ele desenhou Harry. Vimos ele ficar uns quarenta minutos de boca fechada, então deveria estar fazendo isso. É um desenho cheio de detalhes, ele lembrou de colocar os óculos em Harry, fazer a cicatriz...

— Entendo o que quer dizer — Mione disse sorrindo — Aqui, na cabeça, parece que o papel foi apagado. Ele deve ter feito e refeito o cabelo várias vezes.

— Exatamente. E ele também parece ter refeito o seu nariz até ficar bonitinho, Harry. Ainda pintou a gravata com as cores da grifinória, e os olhos de verde.

— Onde estão tentando chegar? — Resmunguei ao ver que eles estavam trocando olhares demais, e Ron soltou um risinho.

— Isso foi uma brincadeira de mau gosto ou uma cantada?

— O que?! — Bradei exaltando, encarando ele de olhos arregalados, me encolhendo quando uma garota na mesa atrás de nós se virou enfezada, fazendo um ‘shhhh’ para mim, e eu abaixei o tom de voz — O que? Do que estão falando?

— Harry, ele perdeu tempo demais para quem estava só tentando tirar com a sua cara!

— Ron, não seja idiota! O desenho sou eu caindo da vassoura em um jogo!

— E ele se desenhou pegando você antes que atinja o chão!

— E ele me explode pelos ares!

— Mas não te deixa cair no chão — Insistiu, e eu olhei para Hermione, que continha o riso como se estivesse ouvindo a coisa mais engraçada do mundo.

— Isso não faz o menor sentido — Acusei irritado, e Ronald suspirou, se inclinado na minha direção para apontar o papel.

Tocou com a ponta do dedo no Harry, fazendo ele cair da vassoura, e pousou o polegar sobre ele, congelando o movimento da imagem.

— Olha aqui — Apontou com a outra mão para o pé do desenho — Está vendo? Ele desenhou sua meia estranha, até pintou de amarelo. Deu para ver a meia quando você caiu na aula de herbologia.

Estreitei os olhos, me inclinando para ver esse detalhe, e realmente havia uma meia amarela no boneco, que ficava visível quando ele caia.

— É, você precisa mesmo parar de usar essa meia. Aproveitando o assunto — Hermione comentou e eu revirei os olhos.

— Bob Esponja é um clássico muggle, como pode não gostar?

— Mione me disse que é um desenho sobre uma esponja de louças com vida que vive no fundo do mar, mora em um abacaxi e é cozinheiro. Não soa muito como um clássico — Ronald interveio, e eu revirei os olhos.

— Ainda assim, ele pode só gostar de desenhar. Por isso foi tão detalhista — Insisti, e ele suspirou, apontando para a parte de baixo do desenho.

— Aqui, esperando você cair. Está vendo essa ameba com cabelos ruivos? Sou eu. E só por causa do cabelo laranja que ele pintou de forma grotesca, sabemos que a outra ameba é Mione. Ele se quer fez o cabelo dela.

Olhei para os dois contornos na parte de baixo do desenho, porque era verdade.

Draco havia feito poucos rabiscos para contextualizar o desenho e mostrar que era um jogo de quadribol, mas havia dedicado uma atenção muito especial para mim.

— Não podemos negar, ele desenha bem — Hermione disse, sorrindo ao levar o dedo até o cabelo do Harry do desenho, fazendo carinho nele — Eu gosto desses feitiços que ele faz nos desenhos que te manda. Nunca descobri quais são — Explicou, sorrindo quando o Harry da folha sorriu pelo carinho.

Eu apenas pude revirar os olhos.

— É sério — Ron insistiu — Ele fica te irritando o tempo inteiro, mas isso não faz o menor sentido. Ele manda mensagens opostas — Contou enquanto guardávamos os materiais para sairmos da biblioteca.

— Não acho que sejam opostas. Ele me odeia — Choraminguei, vendo Ron me olhar com um sorriso, indicando a frente do corredor por onde caminhávamos.

— O que?

— Lá vem ele — Hermione resmungou baixinho, enquanto assistíamos Draco caminhando, sendo seguido pelos amigos.

Empurrava algumas pessoas ao andar, agindo como se fosse o dono da escola, e eu notei como seus olhos subiram e desceram por mim ao passar ao nosso lado, já me preparando para alguma idiotice.

— Abram espaço para Harry Potter e seus adoráveis óculos — Ele disse, a voz debochada fazendo todos ao redor rirem quase escandalosos, e eu fechei a expressão para ele, sem vontade de retrucar apenas assistindo ele fazer uma mesura, se inclinando e indicando o caminho com um dos braços.

Esbarrei contra ele, irritado ao continuar andando e fingir que não vi, ignorando as risadas das pessoas ao redor.

— Cantada ou ofensa?

A voz de Ron veio de perto, e eu me virei assustado, vendo que ele havia se inclinado na minha direção para falar.

— Ron, não seja idiota!

— Pelas calças de Merlin! Ronald está certo! — Hermione disse, tampando a boca com uma das mãos, e o ruivo passou os braços ao nosso redor, nos fazendo caminhar até poder nos empurrar para um corredor mais vazio.

— Hermione, do que está falando?

— Harry, ele está certo! Draco nunca usa palavras para te ofender! Ele age como um idiota, mas não... diz coisas ruins.

— Ele estava claramente zoando meus óculos.

— Harry, ele disse ‘seus óculos adoráveis’. E se ele tem problemas com quem usa óculos, poderia ter zoado qualquer um. Ele atravessou um corredor com pelo menos cinco outros estudantes de óculos, mas parou por causa do seu.

— Isso não faz o menor sentido — Insisti, sentindo raiva do momento idiota onde aceitei experimentar fire wiskey com Ron.

Os irmãos dele haviam conseguido contrabandear um pouco para a escola, e eu jamais pensei que aquilo fosse me deixar tão falante e tagarela. Obviamente os três ruivos se aproveitaram daquilo para me fazerem todo tipo de pergunta constrangedora, uma vez que havia admitido há pouco tempo ser gay.

E é claro que o Harry bêbado não se preservou a ponto de não contar que achava Draco Malfoy o cara mais atraente da escola, e que tinha uma paixonite ridícula por ele.

— Ron, eu sei o que está tentando fazer — Insisti, a voz baixinha para ele — Não é porque eu... acho ele bonito, que as coisas que ele faz significam algo ok?

— Harry, estou falando sério — Ele disse, movendo os dedos por meu cabelo em um carinho de conforto — Mione, cantada ou ofensa?

— Cantada — Ela disse por fim, e eu revirei os olhos ao começar a andar para longe deles, os ouvindo rir e caminhar para perto de mim, muito divertidos.

O grande problema foi que a partir daquele instante, o jogo idiota se tornou algo que os dois faziam com muita frequência, e eu desconfiava que tinha o simples propósito de me irritar.

Tudo o que Draco fazia, desse momento em diante, na cabeça dos dois era cantada, e havia até um placar oficial.

38x0, em dois dias.

Então eu já me sentia um pouco sem paciência com meus amigos naquela tarde ao seguirmos para aula de Trato das criaturas, com Hagrid, na orla da floresta negra.

Draco Malfoy vinha andando todo esnobe, segurando uma maça entre os dedos, a capa do uniforme ondulando atrás dele, e a cor verde da sonserina lhe caindo perfeitamente bem.

— Essa aula é um horror. Não sei como podem deixar esse cara dar aula — Ele dizia, e isso me fez sentir raiva.

Hagrid sempre foi um amigo próximo.

O fato de ser criado por meus padrinhos, após a morte dos meus pais, me fazia ser um aluno que tinha certa amizade com os professores, afinal Remus era responsável por DCAT há quase seis anos, assim como Sirius dava aulas de transfigurações.

Então era usual vir nas férias para escola, ficar brincando enquanto eles tinham alguma reunião sobre o ano letivo, desde que era um bebê.

— Cala a boca, Malfoy — Reclamei, fechando a expressão, e ele se aproximou de mim, os olhos cinzentos muito desafiadores, enquanto subia e descia os olhos por meu corpo.

— Ora ora, Potter...

— Hagrid é um amigo, chateia o Harry você ofender ele assim! — Ronald disse de uma só vez, e eu me virei para o ruivo sem entender.

Mas ele estava encarando Draco, com a sobrancelha erguida.

Malfoy olhou para ele, e depois para mim. Pareceu levar um instante para pensar, enquanto seus amigos nos encaravam, também confusos.

Por fim, ele deu de ombros e mordeu a maça, voltando a caminhar até seu grupinho, e eu pisquei muito confuso, girando nos calcanhares para encarar Ron e Mione.

— O que foi isso?

— Eu sabia! Sabia! Você viu isso?! — Ele disse para Hermione em um cochicho, e por algum motivo os dois pareciam muito agitados.

— O que foi isso?! — Repeti, e eles se viraram para mim, com um sorriso.

— Harry, ele recuou. Recuou porque Ron disse que isso iria te chatear.

— Ele só não...

— Pare de inventar desculpas idiotas — Hermione me interrompeu — Você tem que falar com ele!

— Falar com ele? Falar o que com ele?!

— Sobre isso! Ele ficar te perseguindo e cantando desse jeito confuso! — Ron bradou, e eu arregalei os olhos, constrangido ao girar o corpo para ver se ninguém estava ouvindo.

— Não diga besteiras — Reclamei, puxando meu livro e apoiei contra uma das pedras grandes para poder acompanhar a aula.

Como não gostava quando os alunos riam de Hagrid ou agiam como se fosse difícil entendê-lo, a matéria dele era a única que eu estudava um dia antes da aula, para impressioná-lo.

Então gostava de ficar perto e estava distraído procurando as anotações que deixei no meio do livro para dizer coisas legais e inteligentes hoje.

E foi quando ouvi um som.

Muito próximo.

Um som de algo crocante.

Como o som de alguém mordendo uma maça.

Eu pulei de susto, com olhos arregalados ao ver Draco bem ao meu lado, se escorando na pedra com os olhos fixos em mim. Seus amigos não estavam ao seu lado, mas haviam vários alunos ao redor.

Ele havia mesmo se metido no meio do grupo de grifinórios, e arqueou o cenho para mim, enquanto terminava de mastigar a maldita maça.

— Seu cabelo está uma desordem hoje Harry, precisa que alguém arrume para você? — Disse sorrindo, e eu fiquei ali de olhos arregalados encarando ele.

— Isso foi uma ofensa ou uma oferta? — Ouvi a voz sussurrada de Ronald, e chutei ele com indignação.

— Não pude deixar de notar que você tem um botton com as cores da bandeira gay na sua mochila — Ele continuou, e obviamente isso só me fez arregalar os olhos.

Hermione havia me dado de presente quando me assumi para ela e Ron, e como não era um símbolo usado no mundo bruxo, eu coloquei na mochila porque achava que muitas poucas pessoas teriam contato com isso. Passaria desapercebido.

— Sábado é dia de visita para Hogsmeade — Draco continuou, me olhando de forma fixa, com o corpo recostado naquela pedra idiota — Estive pensando se você e eu...

— Eu tenho uma dúvida! Professor eu tenho uma dúvida! — Me vi gritando totalmente apavorado enquanto erguia a mão e dava um pulinho, com os olhos arregalados enquanto tropeçava para o lado.

Foi uma reação que eu mesmo não esperei ter, apavorado com qualquer coisa que Draco Malfoy estivesse pensando que envolvia nós dois em Hogsmeade.

Ele pareceu surpreso, piscando atordoado, enquanto todos os alunos se viravam para mim, inclusive Hagrid, que congelou.

— Oh... Harry, não comecei a aula ainda — Ele disse, parecendo confuso, e eu ignorei a risadinha de Ronald ao meu lado.

— Essa era minha dúvida — Murmurei, sentindo meu corpo inteiro tremendo — Minha dúvida, é quando a aula vai começar. Estou muito ansioso — Voltei a dizer, me movendo sutilmente para o lado, para ficar entre Ron e Hermione, longe de Draco.

Hagrid pareceu confuso por um instante, mas logo em seguida começou a aula, e embora eu soubesse o conteúdo e houvesse estudado, não consegui abrir a boca ou dizer qualquer coisa.

Apenas continuei espremido entre meus amigos, com medo de olhar ao redor e encontrar Draco, mas em um momento de coragem eu deitei a cabeça contra o ombro de Ron, virando o rosto muito sutilmente para procurar o loiro.

E ele não estava em nenhum lugar que eu pudesse vê-lo, o que me aliviou.

Só sabia que ele estava ali porque ouvia sua voz, todas as vezes que fazia uma piadinha sem graça na aula, e seus amigos riam.

Quando a aula terminou, eu nem consegui perder tempo guardando as coisas dentro da mochila, apenas abracei tudo contra o corpo e sai apressado dali, com Ron e Mione me seguindo.

— Harry, o que foi aquilo? — Ron questionou, enquanto eu andava e empurrava as coisas para dentro da mochila.

— Eu não sei! Entrei em pânico — Reclamei, vendo Hermione nos alcançar na pequena corrida.

— Ele ia te chamar pra sair, não ia?

— Com certeza ia — Ron disse, com ar de confusão — Achei que você gostasse dele!

— Eu gosto! — Concordei, suspirando.

— Então... o que foi aquilo?

— Eu não sei, Ron! Só... escapou! Não sei!

Meu coração ainda batia muito depressa, enquanto eu finalmente deixava-me admitir o que parecia ser óbvio.

Sempre pensava que Draco ficava me perseguindo para implicar comigo, e me encher a paciência.

Mas havia acabado de notar que absolutamente tudo o que ele dizia parecia ser ironia, mesmo quando falava sério.

Ele tinha aquele tom de voz, aquele jeito e forma de agir que soava sempre esnobe, mesmo quando estava sendo sincero.

E por causa disso, eu sempre achei que quando ele se aproximava para dizer qualquer coisa, como ‘bela camiseta, Potter’, eu achava que ele estava caçoando de mim.

Assombrado, lembrei de dois dias atrás quando eu caí no corredor, e ele disse ‘quer ajuda para levantar, Potter?’ e eu o mandei para o inferno porque achei que ele estava falando aquilo para me humilhar.

Milhares de momentos onde isso acontecia passaram por minha cabeça, me fazendo corar com força enquanto caminhava com meus amigos, subindo as escadas.

Nem lembrava para qual aula estava indo, apenas seguia Ron, que seguia Hermione, porque obviamente ele também nunca sabia qual era nossa aula.

Sempre que acontecia de termos alguma que não fosse junto com Mione, ela nos lembrava, porque era do tipo que decorava os horários de todo mundo.

E o problema aconteceu quando ouvimos meu nome ser chamado, pouco atrás de nós.

Eu não precisei virar, porque conhecia aquela voz arrastada, com sotaque forte e cheia de tons.

— Harry, ele quer falar com você. Vocês precisam conversar!

Ergui os olhos para Ron, assentindo e me sentindo perdido ali no meio de tantos alunos, com o coração acelerando e as mãos começando a suar.

— Apenas veja o que ele quer, conversem sobre isso. Vai dar tudo certo, ok?

— Tudo bem — Concordei em um fio de voz, e agora me sentia tremendo e o estômago todo revirando.

E quando meus olhos se cruzaram com os de Draco, eu me senti virar uma completa bagunça.

E obviamente não me orgulhava muito do que fiz em seguida.

Apenas comecei a fugir para o outro lado, desviando de todos os alunos, ouvindo Draco, Ronald e Hermione me gritando, e virei para trás a tempo de enxergar o loiro determinado ao empurrar pessoas e vir até mim.

Humilhação.

Era o que eu sentia.

Tentando correr, todo minúsculo entre aqueles milhares de alunos, fugindo de Draco que era todo alto e com poucas passadas conseguia me alcançar.

Mas pela primeira vez eu me senti tendo uma vantagem.

Eu era ótimo em passar desapercebido, e notei que continuar correndo não ia adiantar, então eu abaixei.

Já havia me humilhado bastante, mas não existia limites pra isso, óbvio.

Então e engatinhei entre as pernas das pessoas, tentando fugir, sentindo alguns pisões nos dedos e esbarrões, mas não ligava, porque estava conseguindo achar uma saída.

Eu me ergui o suficiente para esticar o braço e puxar o trinco da porta, e desabei para dentro daquela sala, chutando a porta atrás de mim após puxar minha mochila pra dentro, sentindo meu coração batendo muito depressa, respirando entre arfadas.

Quando me virei, encolhido e desesperado no chão, notei as duas figuras me encarando com curiosidade.

Havia entrado ali justamente porque era a sala de um dos professores e ninguém iria invadir daquela forma.

Remus estava sentado em sua mesa, com uma pilha de pergaminhos para corrigir, provavelmente as provas da semana, e Sirius estava sentado em cima da mesa, parecendo tagarelar sobre várias coisas.

— Quando eu disse que você tinha que ser charmoso como eu na escola, não estava falando para agir como quando eu estou na forma canina, filhote — Sirius disse, e eu percebi que ainda estava ali no chão, apoiado nos joelhos e na palma das mãos.

Revirei os olhos, e me ergui para ir até eles, suspirando ao me jogar na cadeira diante da mesa.

— O que foi, Harry?

— Eu estou me escondendo — Expliquei, um tanto sem jeito — Tem... um garoto...

— Precisa que a gente bata em alguém, filhote? — Sirius questionou, torcendo o nariz quando Remus largou a pena e esticou o braço para dar um beliscão na bunda dele.

— O que aconteceu, Harry? — Remus pediu com paciência, erguendo os olhos para mim e eu suspirei.

— Eu acho que tem um garoto que pode estar tendo... intenções. Comigo. Intenções do tipo...

— É aquele pirralho dos Malfoys, não é? — Sirius disse por fim, com um suspiro e eu assenti, vendo ele se virar para o marido.

— Eu te disse. Avisei que aquele garoto estava encarando demais ao Harry!

— Ah! — Bradei, surpreso — Foi por isso que criou a regra de que ele é proibido de falar na sua aula?

— Sirius! — Remus disse horrorizado — Você não pode fazer isso!

— Moony, ele parece tirar a roupa de Harry mentalmente. Eu não poderia impedir ele de assistir aula, porque Dumbledore iria ficar com raiva!

— Você não pode impedir qualquer aluno de falar! Harry, o menino está te deixando desconfortável? O que está acontecendo?

— Eu não sei! Eu só... eu acho que ele ia falar comigo. Então eu... corri — Balancei os ombros, vendo os dois sorrirem.

— Harry...

— Eu não consigo ser como você, Sirius. Não consigo falar com alguém do seu jeito. No máximo tenho o jeito de Moony.

— Pff — Sirius desdenhou, revirando os olhos — Moony era o maior conquistador da escola na nossa época.

— Moony?! — Questionei surpreso, vendo ele assentir, enquanto Remus revirava os olhos.

— É, Moony! Ele é todo sabichão! Um dia ele vai ajudar no dever de transfigurações, vai falando coisa inteligente perto de você, palavras difíceis no seu ouvido, te mandando prestar atenção, ensinando coisas... e quando você menos esperar, vai acordar pelado na cama dele em um domingo de manhã, cheio de...

— SIRIUS! — Bradamos juntos, vendo ele se interromper dando de ombros.

— Fatos verídicos — Disse apenas, e Remus revirou os olhos.

— Querido, apenas respire fundo e converse com o garoto. Deixe ele dizer o que precisa dizer, e siga seu coração. Não precisa se apavorar assim!

— Eu sou meio bobo — Resmunguei, e Sirius se ergueu para vir até mim, pousando a mão no meu ombro.

— Não é culpa sua. Você tem os genes de um Potter. Um dia sua mãe foi falar com seu pai, muito antes de namorarem, e James ficou tão nervoso por Lily estar indo na direção dele, que pulou no Lago Negro.

— Isso... é sério?

— No meio de dezembro — Sirius completou, e eu arregalei os olhos.

— Mas...

— Sim, estava congelado — Disse rindo — Ele quebrou o nariz.

— O que estamos querendo dizer é... apenas fique calmo, ok? Converse com ele. Escute. Se precisar, peça um tempo para pensar.

— Tudo bem — Concordei com um suspiro, sorrindo quando Remus puxou algo da gaveta e me estendeu.

Era uma barrinha de chocolate, e eu aceitei ao guardar no bolso e seguir para a porta.

— Já corrigiu minha avaliação?

— Sim, querido. Vou anunciar as notas na aula de amanhã — Ofertou, e eu assenti, me virando para Sirius.

— E você, Pad? Terminou de corrigir?

— Sim. Você foi bem, afilhado. Tirou um E! Ia te dar uns pontos de presente por ser um Potter, mas alguém me proibiu — Revirou os olhos e eu ri.

— Não pode dizer a nota dele antes, Sirius. Já falamos sobre isso.

— Blablablabla — Resmungou, e eu sorri ao ver que iam começar mais uma das discussões sem sentido deles.

— Você precisa parar de ser tão...

— Blablablabla — Continuou, e Remus bufou.

— Sirius, cale a boca!

— Ah, cale a boca você! — Reclamou de volta, e eu apenas sai de mansinho da sala, aliviado ao ver o corredor vazio.

Eu tentei respirar fundo e não surtar.

Nem sabia o que Draco queria, não poderia supor que ele tinha algo a dizer sobre as maluquices que Ronald inventava, e foi por estar tão distraído que me assustei ao ser puxado com força do nada para uma porta no corredor, e tropecei naquela direção.

— O que...?

— Eu sabia que você tinha entrado lá — Draco resmungou, fechando a porta e eu me encostei contra a mesma, de susto e assombro.

Ele havia me puxado para dentro de um dos armários de vassouras no corredor, minúsculo, apertado contra a porta, iluminados apenas pela fraca luz da varinha dele.

— Malfoy, o que você...

— Porque saiu correndo?! — Exclamou, com certa confusão — Eu só queria falar com você! Não ia fazer nada bizarro!

— Nada bizarro do tipo me trancar dentro de um armário?

— Porque iria te trancar no armário se estou tentando te tirar dele? — Rebateu, e levou um segundo para entender a ironia, porque riu — Você fugiu de mim!

— O que você quer? — Reclamei, sentindo meu coração batendo muito depressa, enquanto tateava a porta atrás de mim em busca da maçaneta.

— Estou só te convidando casualmente para ir em Hogsmeade comigo.

— Casualmente? Trancados dentro de um armário de vassouras? E... todo mundo sempre vai para Hogsmeade, então...

— Você poderia facilitar minha parte, não é? Qual o problema? Não quer sair comigo? Se for isso, você pode só dizer.

— Eu não disse isso — Resmunguei, desviando os olhos, me sentindo totalmente ansioso e nervoso, e ouvi ele suspirar.

— Você não disse não, mas também não disse sim. Então...?

— Porque você fala dos meus óculos? O tempo todo? — Rebati, me virando para ele, que piscou, parecendo não entender.

— O que tem seus óculos?

— E o meu cabelo. E tudo. Você fala dessas coisas, quando fica rindo de mim.

— Você é do tipo que não sabe receber elogio?

— Malfoy, as coisas que diz não são elogios! Você só fala que meu cabelo está bagunçado, ou que minhas roupas são ‘tão Potter’ ou que meus óculos estão tortos!

— Você não sabe o quanto me incomoda quando seus óculos estão tortos — Ele rebateu, e eu gesticulei confuso, vendo ele me encarar.

— Fala sério!

— Suas roupas serem ‘tão Potter’... não é algo ruim. E seu cabelo bagunçado também não. Seus óculos tortos são meu único problema. A última vez que tentei arrumar, você me deu um soco!

— Porque você arrancou meus óculos do meu rosto!

— Vê? Não consigo te entender!

— É você que não tem como entender! — Rebati furioso e ele suspirou, erguendo os braços em rendição.

— Você transforma qualquer coisa em uma discussão, Harry. Qualquer uma — Apontou, e eu tentei me acalmar, nervoso por tudo o que ele dizia, nervoso porque estávamos perto demais, naquele pequeno espaço confinado.

— É você que...

— Vê? Não vamos falar de culpados. Posso te levar para Hogsmeade? No sábado vai ter música ao vivo em um dos bares, nós podemos ir juntos — Sugeriu, e eu ergui os olhos para ele, em busca de qualquer coisa.

Do tom debochado, da risada, das piadinhas.

Mas era só Draco, sendo sincero ao me encarar com os olhos azuis.

— Por quê?

— Você não pode simplesmente dizer sim?

— Não — Rebati, cruzando os braços e ele revirou os olhos.

— Nada é fácil com você, né Harry? — Observou, e sorriu ao fim, balançando os ombros — Você é gay, não é? Aquele bottom que colocou na sua mochila... Significa que é gay?

— Porque isso te interessa?

— Porque estou te chamando para sair, Harry! — Disse exasperado — Como você pode ser tão....?! Ok, ok — Disse quando fiz menção de me virar para a porta.

Me encolhi contra a porta, sem saber porque a vontade de correr e a de ficar ali eram tão grandes dentro de mim.

— Você sempre foge de mim, e sempre briga comigo, não importa o que eu diga ou faça — Contou lentamente — Isso não importava enquanto eu achava que não tinha chance, mas alguns dias atrás você colocou aquilo lá, e... Equilibra as coisas. Então... o que acha de sair comigo?

Isso me fez congelar, com os olhos arregalados, encarando Draco em pânico, sem saber ao certo como reagir.

Não conseguia dizer nada, nem me mover, nem fugir ou esboçar qualquer reação.

— Harry? Harry? — Ele chamava, balançando a mão diante dos meus olhos, mas eu estava distante demais para conseguir prestar atenção nele.

— Você está tentando...me chamar para sair?

— Não estou tentando! — Ralhou, revirando os olhos — Isso não está óbvio?

— Sair... eu e você?

— Sim, sair eu e você, um encontro. Sábado. Em Hogsmeade.

— Isso não parece certo — Murmurei automaticamente, vendo ele revirar os olhos.

— Nada nunca parece certo na sua cabeça — Reclamou, revirando os olhos — Tudo bem, Potter. Não vejo você dizendo sim. Vamos fazer algo prático.

— Algo prático? — Me vi repetindo de um jeito muito patético.

— Eu vou te buscar na torre da grifinória, uma hora da tarde. Nós vamos para Hogsmeade juntos — Disse sério, e eu arqueei o cenho pelo tom de certeza na voz dele.

— Eu não aceitei!

— Você teve sua chance de dizer sim ou não quando isso era um convite, minutos atrás. Agora isso é um aviso. Esteja pronto, uma da tarde. Vou te buscar — Entoou, a pouca luminosidade ali dentro me fazendo sentir ansioso quando os olhos azuis me encararam de cima, muito sérios.

Eu não consegui dizer nada.

Apenas encarar ele, sentindo muita ansiedade e nervosismo, até por fim ele soltar a respiração devagar.

— Uma hora está bom por você? — Perguntou por fim, dando um passo adiante, ainda me olhando nos olhos, e eu nem precisei pensar.

Apenas assenti automaticamente, enfeitiçado pelo olhar dele.

— E podemos passar a tarde juntos?

Novamente, apenas assenti, vendo ele abrir um sorriso muito verdadeiro.

— Sem nossos amigos — Continuou.

Confirmei com a cabeça, mal tendo noção do meu próprio nome, totalmente confuso e arrepiado.

— Posso te beijar?

Assenti de novo, mas no instante seguinte pisquei surpreso ao processar a frase, porque estava apenas concordando automaticamente com qualquer coisa que ele dissesse.

Mas ele não riu, ou ficou me olhando.

Para ser sincero, quando ele perguntou, já havia se inclinado e atravessado metade do caminho, mal me dando tempo de reação, e então seus lábios se pressionaram nos meus.

Eu senti meu corpo inteiro travar, minhas mãos agitadas indo parar sobre os ombros dele, enquanto uma confusão absurda me tomava com força.

Não soube dizer qual parte da minha mente estava tomando o controle agora.

Provavelmente, nenhuma.

Começou com um beijo tão suave e gentil, que eu não tive tempo para ter medo ou ficar desconfortável.

Aquela nuvem difusa de pensamentos incoerentes me tomaram, e eu me vi entregando tudo de mim naquele contato singelo e sincero, porque Draco sorria contra meus lábios, e inexplicavelmente isso me fez sentir calma e certa alegria.

Mas isso foi só o começo.

Porque em poucos instantes eu sentia nossas salivas se misturando demais, meus dedos haviam se enroscado no cabelo dele rente a nuca, e Draco nos fez andar para trás, me pressionando contra a porta em um estrondo oco.

Isso apenas me fez arfar pelo susto, sem conseguir soltar meus lábios dos dele, tentando não pisar naqueles baldes velhos que estavam ao nosso lado, puxando Draco cada vez mais para perto, um tanto trêmulo.

Qualquer briga, qualquer sentimento negativo, qualquer desentendimento ou raiva parecia não existir dentro daquele armário pequeno.

Então foi um grande susto quando a porta cedeu, talvez por ele estar me prensando com força demais contra ela.

Eu apertei os olhos, agarrando os ombros de Draco, e soltei um gritinho de susto, assim como ele, quando desabamos para o chão.

Eu bati as costas, com Draco caindo em cima de mim, os dois para fora do armário e foi terrível perceber que estava acontecendo outra troca de aula, porque os corredores estavam cheios.

Todos se silenciaram, nos assistindo caídos no chão, com claros sinais de que estávamos nos pegando dentro do armário vazio.

A primeira gargalhada veio muito fácil de reconhecer, e eu movi a cabeça para o lado, vendo Ronald começando a rir, contagiando Hermione, e em um segundo, todo mundo ali estava rindo.

E por mais constrangedor que fosse, eu apenas me deixei gargalhar junto com Draco, caídos no chão diante de toda a escola.

Finalmente estávamos fora do armário.

 


Notas Finais


Espero que tenham gostado de mais uma fic bobinha e engraçadinha para a minha coleção de Ones!
Nos vemos na próxima!
K.


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