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História Love In France - Capítulo 19


Escrita por:


Notas do Autor


Oi gente!

Sei que demorei para atualizar a fic essa semana mas eu não estava muito bem nos últimos dias, então peço desculpas pelo atraso.

Muito obrigada por não desistirem de acompanhar a fanfic e por todos os comentários, favoritas e divulgação que vocês fazem. Tudo isso é muito importante pra mim. Um beijo e até a próxima.

Capítulo 19 - PARTE UM - Capitulo 18: São mais de cem.


A manhã estava gelada e os fracos raios de sol não eram suficientes para aquecer mas, por sorte, não havia vento. Nenhuma folha se mexia do chão, o que era ótimo porque iríamos precisar fazer uma fogueira que alcançasse chamas bem altas.

Assim que o fogo atingisse o pico da pilha de madeiras, iria explodir um conjunto de granadas que chamaria mais atenção dos nazistas e a ideia era que eles viessem na nossa direção o mais rápido possível.

Eu já estava no meu posto no prédio principal. Ficava bem no meio da vila e tinha uma ótima visão de tudo que poderia vir a acontecer, mas eu não estava autorizada a ver. As ordens, que depois de Harry, foram repassadas a mim pelo Capitão, foram bem claras: “não sair do prédio em nenhuma hipótese”. Os soldados que ficassem feridos iriam conseguir chegar até mim com facilidade devido a localização mas os que não chegassem, significava que não haveria nada que eu pudesse fazer para ajudar.

A porta principal ficaria trancada, como estava, por diversos pedaços de madeiras enormes e os soldados que precisassem iriam entrar pela lateral, através de uma pequena porta de acesso.

Quando adentro no ambiente, pude perceber que aquele local não se tratava só de um prédio, mas sim, de uma igreja. Seu teto era extremamente alto e tinha muita umidade escorrendo pelas paredes de pedras. Estava tudo muito escuro e os bancos estavam todos empilhados. Não havia velas acessas e as pinturas nas paredes podiam me dar um pouco de medo.

Escuto passos atrás de mim e me deparo com Harry. Assim que o vejo, meu corpo de forma inconsciente o abraça fortemente e ele retribui.

- Vou ficar uns metros atrás da fogueira num galpão na estrada. E você fica aqui. – Ele diz enquanto me abraça.

- Não acha muito perigoso ficar logo na entrada da vila?

- Não se preocupa comigo. Eu sei me virar. – Sorrio forçadamente. – Olha pra mim.

Harry passa sua mão gentilmente pelos meus cabelos indo de encontro com as minhas bochechas. Apesar do frio, sua mão estava quente e o toque dele era muito acolhedor.

- Se algum nazista entrar por aquela porta, você atira. Entendeu?

- Sim.

- E nem pense em sair daqui ou colocar a cabeça pra fora daquela porta. Certo?

- Certo.

- Eu volto pra te buscar quando tudo acabar e até lá você não...

- Eu sei. Não movo um músculo daqui de dentro.

- Isso.

Nós ficamos nos encarando por alguns minutos sem saber, de fato, o que fazer. Eu não queria parecer uma desesperada e me grudar em seus lábios (apesar de ser isso que eu gostaria de fazer), também não queria demonstrar que havia um relacionamento entre nós porque não havia. Tinha sido só um beijo na noite passada, não podia ter significado muito mais que aquilo. 

Além disso, se eu ficasse beijando Harry a cada momento, seria muito mais fácil eu me apaixonar e isso estava fora de questão em um ambiente como aquele. Me apaixonar para depois um de nós acabar morto e ficar sofrendo o resto da vida por isso? Sinceramente, isso era algo que eu dispensava pra mim naquele momento.

Deixo um beijo demorado na bochecha de Harry, próximo a seus lábios, e quando ele tenta tocar meus lábios eu me afasto rapidamente.

- Boa sorte. – digo a Harry que tem uma expressão indecifrável em seu rosto. Não sabia ao certo se aquilo tinha sido um bom sinal ou não. Então ele assente e sai pela pequena porta na lateral me deixando totalmente sozinha.

...

HARRY’S POV:

Sem entender o que significava aquele beijo na bochecha que Heather havia dado em mim, caminho em direção ao galpão que havia na entrada da vila.

Quando chego, percebo que o enorme amontoado de madeira já estava queimando e me escondo no lugar junto com Henry, Nate e Niall. Acendo um cigarro e começo a ajeitar as fitas de munições ao redor de mim para poder recarregar o rifle. Nate se aproxima de mim:

- Sabe... ainda não entendi.

- Entendeu o quê? – Pergunto a Nate sem olhar em sua direção porque era mais importante eu me concentrar no que eu estava fazendo.

- No que ela viu em você. – Me viro para Nate.

- Como?

- No que a Heather viu em você. – Termino de ajeitar o rifle deixando o gatilho liberado.

- Eu não tenho nada com ela.

- Qual é, todo mundo sabe que tem. Só ninguém ainda entendeu muito bem o motivo. – Meu sangue sobe com as palavras de Nate.

- Não acho que precise ter um. Aqui nunca rola nada de mais, você sabe.

- Parece que tem algo a mais entre vocês dois...

- Vocês por acaso ficam falando de mim pelas costas? – A essa altura eu já estava a centímetros de Nate e eu podia sentir meu peito subindo e descendo rapidamente com minha respiração pesada.

- De você não. Agora, da Heather... – Levanto Nate pelo colarinho da camiseta e o coloco contra a parede.

- Repete. – Nate está com cara de debochado.

- O quê? Que todos os soldados ficam falando que a Heather é gostosa?

Eu não pensei quando agi, só me lembro da minha mão fechando contra o rosto de Nate e Niall e Henry vindo me segurar enquanto Nate mal conseguia levantar do chão. O desgraçado estava rindo e eu tentava a todo custo me desvencilhar dos dois que me seguravam pra acabar com a raça daquele merda. Mas ele continuou falando:

- É sério. Acho que os peitos são os mais lindo que já vi. Ficam perfeitos com aquela cintura dela...

Chuto Nate na barriga já que meus braços estavam presos e ele não parece se importar. O que só fazia a minha raiva subir mais ainda:

- Harry, para! – Niall grita. – Ele está chapado! Para!

Ao ouvir aquilo tento me acalmar no momento em que me solto e acabo socando uma parede e um corte se abre na minha mão.

- Porra.

Nate abre a boca para falar mais alguma coisa mas é interrompido por Niall que o manda calar a boca. O sangue escorria pela minha mão. Maldita hora. Pego um pano e enrolo ao redor do corte até que pare de sangrar. Me aproximo de Nate que estava sentado no chão tentando levantar:

- Onde conseguiu?

Nate fica dando risadas debochadas pelo canto da boca e então me olha com a boca sangrando. 

- Por quê? Quer?

- Fala logo, porra.

- Consegui com o Ryan. Ele trouxe um monte na mochila.

- Passa.

Nate tira do bolso um punhado em um pequeno saco e me entrega. Vou para o outro lado do galpão e inalo um pouco da droga que eu havia sentido tanta falta. Tentei não usar muito pra conseguir me manter de pé, mas o suficiente pra me manter acordado o tempo que fosse necessário. Havia esquecido o quanto aquilo podia causar efeito na gente a ponto de achar que somos invencíveis. Era a coragem que eu precisava agora.

- Sobrou? – Niall me perguntou e entrego o resto do saco para ele.

Desde que havia chegado a Dunkirk foram poucas as vezes que tive acesso a metanfetamina, parece que os soldados franceses ainda não estavam totalmente familiarizados com esse tipo de droga, mas na Alemanha passava a maior parte dos meus dias sobre efeito disso.

As vezes, era comum a gente conseguir com os próprios capitães e generais que traziam as drogas da capital pra ajudar a manter os soldados acordados por dias e com energia suficiente para ficarem em campos de batalha por muito tempo.

Era difícil achar um soldado que não acabasse se rendendo ao uso de algum tipo de droga durante a guerra e se algum não aguentasse mais a pressão de estar aqui, usavam elas para ter overdoses durante a noite.

Consigo sentir a droga fazendo efeito sobre o meu organismo e logo me sinto mais relaxado como a tempos eu não me sentia. Me sento ao lado de Niall e Henry que parecem ter usado bem mais do que eu, e Nate esta a nossa frente parecendo estar em outra dimensão.

- Agora é só esperar. – digo mais a mim mesmo do que para os outros.

...

Foi impossível dormir nas horas que se seguiram mas a tranquilidade de eu não ter pensado em nada durante aquele tempo, foi fantástica.

Escutamos a hora que as granadas fizeram um barulho estrondoso do lado de fora do galpão e rimos como crianças quando isso aconteceu nos pondo de pé com os rifles mirados em buracos feitos na madeira do lugar.

Quando se está chapado você perde totalmente a noção do tempo então não posso dizer quantas horas esperamos, mas eles chegaram.

Começamos a ouvir barulhos do que pareciam ser marchas na direção em que estávamos.

- São eles? – Pergunto a Niall que tinha uma visão melhor do que estava acontecendo.

- São.

- Quantos?

- Uns 20. É, poder ser.

Aquilo me traz uma sensação de alivio, afinal, não eram tantos. A gente podia dar conta e finalmente conseguir dominar a área.

- Espera. – diz Niall – Vem vindo mais alguns atrás... não consigo ver muito bem.

- Vai mais perto – diz Henry logo atrás de mim enquanto Niall se desloca mais em direção a porta.

- Puta que pariu.

- O que foi?

- Deve ter uns 100 agora. Eles estão marchando pra cá.

- 100? – Por essa nenhum de nós esperava. Mas ao mesmo tempo só confirmava que realmente haviamos caído em uma armadilha.

- E tem um tanque.

- Quanto tempo? Até chegarem aqui, quanto tempo? – pergunto.

- Não sei... uns dez minutos?

- Certo. – Me levanto e jogo longe o rifle que estava comigo. – Esqueçam os rifles. A gente vai usar os fuzil.

Eram muito mais pesados e não dava pra correr longas distâncias segurando um no pescoço mas eles garantiam que mais balas fossem disparadas e era isso que precisávamos.

- Harry...

- O que foi, Niall? Pega a droga do fuzil.

- Acho que são mais de 100.

- Foda-se o número Niall. Escutem aqui.

Henry e Niall olham para mim enquanto eu nem penso mais na possibilidade de contar com Nate. Ele ia estar morto em menos de dez minutos já que não conseguia nem levantar do chão devido a quantidade de metanfetamina que ele havia cheirado.

- A gente vai atirar essas granadas assim que eles chegarem na fogueira. Joga uma por vez. Depois que jogar começa a atirar e só para quando acabar as balas. – sinto um suor escorrer pelo meu rosto. – Quando acabar as balas pega o rifler e vai pra vila. Entenderam?

- E quanto ao tanque? – Henry pergunta.

- A ideia é fugir daqui antes que ele chegue.

- Certo.

Eu podia sentir o suor crescendo escorrendo pelo meu rosto. Não sabia se era o efeito da droga ou se eu estava com medo, mas os passos da marcha foram ficando mais altos a medida que minha respiração também.

Aquele barulho ecoava na minha cabeça assim como havia ecoado durante tempos na Alemanha. Eu podia sentir a raiva crescendo dentro de mim e uma fúria surreal domava cada centímetro de mim.

Os passos mais perto. 

Mais altos. 

Mais perto. 

Mais altos.

Mais perto. 

Meu coração ia pular pela boca quando eu grito:

- LANÇAR!

Cada um de nós lança as granadas que explodem jogando alguns soldados para os ares. Corremos e pegamos os fuzis que começam a alvejar o maior numero de nazistas que conseguimos, tendo como consequência a nossa posição revelada.

Alguns alemães invadem o galpão e começam a disparar em nossa direção, fazendo com que tenhamos que nos esconder e pegar os rifles.

Com Nate sendo o babaca que é, conseguimos distrair os nazistas que estavam ocupados demais achando que ele era uma ameaça. Não preciso dizer o que aconteceu com ele depois disso.

Conseguimos sair do galpão e nos jogamos entre os arbustos nos arrastando pelo chão para que não nos vissem. Quando eles acabam, e precisamos atravessar a primeira ponte, disparo com o rifle no muro que passa a centímetros da cabeça de Michael que se vira mostrando o dedo do meio para mim mas entendendo o sinal de acender o fósforo.

Ainda escondidos na moita enquanto centenas de nazistas iam em direção a ponte, foi certeiro quando o punhado de dinamites explodiu e dezenas ficaram pelo chão. Inclusive Michael.

O tanque se aproximava da entrada principal.

- Temos que chegar antes do tanque.

- Não! A gente encheu de dinamite de goma na entrada. Vai explodir assim que grudar no tanque.

Foi muito rápido. O instinto soava muito mais alto nessas horas e a gente mal sabia o que estava fazendo.

O tanque atingiu as dinamites de goma e explodiu todas as correias fazendo com que parasse de andar. Assim que isso aconteceu, foram disparados 3 tiros do tanque atingidos prédios que eu sabia que haviam nossos soldados dentro.

Henry, Niall e eu nos aproximamos do tanque e esperamos com os rifles mirados na saída do tanque. Assim que a tampa se abriu revelando cinco nazistas dentro, não tivemos dó e nem piedade ao descarregar dezenas de tiros em cada um.

Corremos em direção a vila enquanto nos escondíamos de disparos que viam de todas as direções. Henry e Niall sumiram do meu campo de visão e eu continuava a atirar em cada alemão que cruzasse o meu caminho. Eles pareciam baratas que surgiam dos bueiros em ninhos e que não paravam mais de aparecer.

Quando me escondo atrás de uma grande construção que dava de frente para a igreja onde eu sabia que Heather estava, um tiro de raspão atinge meu braço direito me causando uma tontura que me leva ao chão.

Meu braço queimava por causa do tiro e sabia que aquilo havia vindo de um fuzil. Decido sair cambaleando de onde eu estava para um local mais protegido. Minha visão estava turva, e acredito que estava suando muito mais agora devido a dor que exalava. 

Foi quando eu vi.

Havia alguém entrando pela pequena porta que dava acesso a igreja. Meu coração disparou, minha cabeça parecia que ia explodir se eu ousasse dar mais algum passo. Eu forço minha visão na tentativa de ver quem era e então eu vejo, muito rapidamente, a suástica no braço do alemão antes de eu gritar pelo nome dela e apagar totalmente a metros de distância. 

 



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