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História Love in the Arcade - Capítulo 2


Escrita por:


Notas do Autor


oi oi

aqui estamos com o segundo capítulo!! espero que gostem ♡

*as músicas da discoteca seguem a ordem da playlist, começando com "stayin' alive" e terminando com "take on me".

Capítulo 2 - II; It's no better to be safe than sorry.


CAPÍTULO DOIS

 

So needless to say

I’m odds and ends

But I’ll be stumbling away

Slowly learning that life is ok

Say after me

It’s no better to be safe than sorry.

Take On Me, a-ha

 


A orla de South Beach, caso vista de cima, se assemelharia a um mosaico de cores, com os incontáveis guarda-sóis coloridos pincelando a areia clara que, por sua vez, criava um perfeito contraste com o azul vívido do mar. O calor do verão contribuía para o surgimento de diversos pontinhos naquela aquarela, estando um deles, em particular, despreocupadamente deitado sobre uma espreguiçadeira naquela manhã quente de domingo, aproveitando os raios de sol e o som que saía do rádio de um dos carros estacionado ali por perto. “Jump”, do Van Halen, tocava audivelmente quando Baekhyun se virou de bruços para equilibrar seu bronzeado. Como a grande maioria dos moradores de Miami, o dançarino era um árduo frequentador das lindas praias e um amante fiel dos dias de verão.

 

Elevou o tronco após alguns bons minutos naquela posição para dar uma golada em sua orangina*, observando as pessoas se divertindo jogando frisbee na areia, outras passeando com seus cachorros ou apenas tomando um sol. Alguns corajosos se atreviam a dar uma mergulhada no mar e crianças corriam com picolés na mão. Foi assistindo uma dessas crianças que Baekhyun decidiu se levantar para comprar um sorvete. Estava sozinho naquele dia, e — por mais que apreciasse a companhia de seus amigos —, estava ali por um motivo específico. Portanto, ao invés de parar em um dos quiosques próximos de onde estava, continuou seguindo praia acima até chegar a uma barbearia que ficava do lado oposto a orla — um dos vários estabelecimentos que compunham a avenida movimentada. 

 

Vestiu sua camiseta antes de entrar no local cujo interior era visível do lado de fora por conta das grandes janelas de vidro. Procurou seu alvo por entre os donos da loja e os poucos clientes — homens de meia idade e um ou outro idoso —, encontrando-o não muito depois ocupando o caixa, contando dinheiro. Se aproximou em passos largos, testando seu tom mais amigável quando disse:

 

E aí, Minseok. Tudo certo, cara? — trocaram um cumprimento rápido com as mãos assim que ele o reconheceu e guardou as notas no compartimento da caixa registradora.

 

— Fala, Byun! — abriu um sorriso gengival. Seus cabelos eram pretos e bem cortados nas laterais, porém volumosos no meio, com um pequeno rabo de cavalo na parte de trás e uma fina trança comprida descendo por um dos ombros — como um padawan do filme Star Wars, a saga favorita de Minseok. Ele vestia uma camiseta verde escuro com os dizeres “Capitalism will eat your brain out” em letras garrafais e aparentava ser bem mais jovem que seus dezenove anos indicavam. — Eu tô bem, e você? Aproveitando as férias?

 

— Com certeza — riu de leve, indicando a toalha que levava nos ombros e o chinelo que calçava nos pés. — Faz tempo que não te vejo lá no fliperama. Cansou de Donkey Kong? — brincou.

 

— Jamais — ele riu também. — Só estou dando um tempo. Fica muito lotado com o Park lá, quase não sobra arcade livre quando as pessoas cansam de babar nele e resolvem fazer o que se tem pra fazer em um fliperama — balançou a cabeça em negativa. Pelo seu tom, era possível notar sua indignação. Baekhyun sorriu contido. Pelo visto, não era o único a achar ridícula toda aquela fixação pelo garoto alto com cara de poucos amigos. — Mas então, o que veio fazer aqui, Dancing King? — mudou de assunto, sem perder a gentileza. 

 

Minseok era um rival bem melhor que aquele poste abusado.

 

Baekhyun hesitou antes de fazer o convite. Precisaria utilizar todos seus artifícios para conseguir convencê-lo a lhe ajudar a derrotar o Park. Abriu seu sorriso mais convincente:

 

— O que acha irmos à sorveteria? Te explico tudo lá.             

                                                                                                                    [...]

 

Sentados na calçada do lado de fora do estabelecimento, os dois garotos se deliciavam com seus picolés, Baekhyun com um cornetto de chocolate escorrendo e lambuzando sua mão e Minseok com seu twister de melancia com limão. O sol ardia alto no céu, o que indicava que deveria ser próximo do meio-dia. Se não fossem as férias de verão, a senhora Byun certamente daria um belo de um coça em seu filho por estar tomando sorvete antes do horário do almoço.

 

— Quer dizer, então, que você precisa que eu te ensine a jogar Donkey Kong e, ainda por cima, fazer com que você fique melhor do que o Chanyeol? — Minseok concluiu com incredulidade. — Você sabe que nem eu consegui bater o recorde dele, né?

 

— Eu só preciso que me ensine os comandos básicos e alguns macetes. O resto eu dou um jeito — tentou soar mais confiante do que se sentia realmente. Sabia que superar o Park seria algo próximo a uma missão impossível, mas não era como se pudesse simplesmente ficar parado sem fazer nada sobre isso, certo? A ideia da aposta havia sido dele, afinal, seria humilhado em dobro caso morresse logo nos primeiros minutos de partida.

 

— Bom, isso eu posso fazer — acabou cedendo após pensar um pouco. — Quando começamos? Estou livre amanhã.

 

— Perfeito — Baekhyun concordou, satisfeito.

 

— Mas o Chanyeol não vai estar lá também? — o mais velho raciocinou, desviando o foco de seu picolé para encará-lo. — Seria meio que em vão se ele escutasse os truques que eu te ensinar. Isso se ele já não souber todos — acrescentou com um revirar de olhos.

 

O dançarino refletiu por um tempo. Não havia pensado naquela possibilidade óbvia.

 

— A gente arruma um jeito — deu de ombros, abocanhando sua casquinha.

 

Baekhyun era o tipo de pessoa que costumava agir antes de pensar, o que certamente já lhe rendera uma série de problemas que poderiam ter sido evitados caso ele simplesmente deixasse sua impulsividade de lado nessas ocasiões. Não negaria que gostava da adrenalina do desconhecido, todavia. O friozinho na barriga que sentia ao pensar em todos os rumos que suas ações inconsequentes poderiam tomar. Ainda chegaria o dia em que Baekhyun se arrependeria das escolhas imprudentes que fizera ao longo de sua vida.

 

Todavia, aquele dia não era hoje.


                                                                                                                         °°°


De fato, os dois garotos não precisaram se preocupar com a presença do Donkey King no fliperama, pois ele não havia aparecido naquela segunda-feira. 

 

Nem no dia seguinte. 

 

Baekhyun cogitou a ideia do mais alto estar fugindo da aposta, mas não tinha como confirmar nada antes que sexta-feira chegasse. Talvez ele estivesse ocupado tentando aprender como mover as pernas sem tropeçar nelas ou mexer os braços sem parecer um boneco de posto. O dançarino tentou não pensar muito sobre o paradeiro de seu rival, até porque ele nada tinha a ver com que o Park fazia ou deixava de fazer. Na verdade, ele sequer sabia porque sentia tanta vontade de vê-lo novamente, nem que fosse para apenas trocar farpas, como o de costume. 

 

Normalmente, quando as aulas voltavam e os dois garotos pararavam de se ver com tanta frequência no fliperama, o Byun ficava inexplicavelmente mal humorado e ansioso, mesmo que não houvesse razões para que ele se sentisse assim. Tinha uma boa relação com sua família, notas medianas na escola e muitos amigos ao seu redor. Era bem resolvido com sua autoestima e crenças pessoais, que iam de sua sexualidade à forma como ele enxergava o mundo.

 

Naquele momento, no interior da discoteca que considerava quase como sua segunda casa, ele sentia tudo isso e mais mil outros sentimentos que não saberia nomear, dançando intensamente para ver se conseguia se desprender das confusões em sua mente. O globo espelhado acima das cabeças reluzia as luzes coloridas que se disperssavam em todas as direções. Pessoas dançavam alegres, fosse em grupos ou sozinhas, com suas roupas extravagantes — cheias de brilho, estampas policromáticas e calças boca de sino.   

 

Sehun estava do seu lado, curtindo “Stayin Alive”, do Bee Gees, junto da multidão de pessoas dançantes e improvisando uma coreografia — tão bem feita que poderia se passar pela original. Baekhyun também tentava acompanhar a canção com seus movimentos, mas não conseguia se concentrar devidamente quando sua mente fervilhava com ideias intrusas e absurdas sobre seu rival do fliperama. Por que imagens do mais novo lhe encarando com indiferença não deixavam sua cabeça mesmo no meio daquela baderna organizada da qual tanto gostava? A recusa fria diante sua proposta sincera, embora a reação de Chanyeol tenha sido apenas a esperada da relação entre eles. Não eram amigos, tampouco colegas. Por que ele aceitaria um convite seu após tantas interações hostis desde o primeiro dia em que haviam se conhecido?

 

Quando aquela aposta acabasse, ficaria o mais distante possível do Park, fora essa a conclusão a qual chegara quando “You Spin Me Round (Like a Record)” chegava ao fim. 

 

Nos primeiros acordes da próxima música, Baekhyun resolveu fazer uma pausa. Estava cansado, o suor em seu rosto lhe dando uma aparência brilhosa tal como o glitter dourado sobre seus olhos. Baekhyun era um cara vaidoso, que vestia suas melhores roupas mesmo sabendo que ninguém as veria sob a iluminação precária e os ânimos à soltas dentro da discoteca; que passava o seu melhor perfume mesmo sabendo que ele iria embora junto com a transpiração de seu corpo. Daquela vez, estava usando sua calça lamê também em um tom dourado e uma camisa estampada de modelagem larga, deixando parte do seu peitoral exposto, e seu cabelo estava firmado em um topete charmoso. 

 

Atravessou a pista de dança, desviando-se dos corpos, e se sentou em um dos bancos altos da lanchonete que ficava aos fundos. Apoiou os cotovelos sobre a bancada, levando as mãos aos olhos para esfregá-los em uma tentativa de apagar a imagem que jurava estar colada sob suas pálpebras.

 

Mas, talvez, ele tenha os esfregado forte demais, pois quando os abriu novamente, a mesma imagem estava a sua frente.

 

— Vai pedir alguma coisa? — a imagem lhe perguntou, entediada.

 

Baekhyun piscou os olhos diversas vezes, tentando assimilar o fato de que realmente estava vendo Chanyeol ali e que aquilo não era sua mente (inusitadamente e inexplicavelmente carente) lhe pregando peças.

 

— Chanyeol? O que você tá fazendo aqui? — ignorou sua pergunta. O choque era tamanho que sequer percebera que era a primeira vez que o chamava pelo primeiro nome. — Eu achei que não viria.

 

Ele bufou.

 

— Eu não vim por você. Estou aqui a trabalho — gesticulou para o próprio corpo, e só então Baekhyun notou que ele usava um avental na cintura e um crachá com seu nome no lado direito da blusa.

 

— Mas eu nunca te vi trabalhando aqui antes — juntou as sobrancelhas, sentindo uma estranha mistura de nervosismo e euforia tomar conta de seu corpo. — E acredite, eu veria. Eu venho aqui quase todos os dias — acrescentou.

 

— Estou substituindo meu irmão, ele tinha um compromisso hoje — deu de ombros, apoiando os braços na bancada, aparentemente desistindo de atendê-lo.

 

— Você é irmão do Yixing? — perguntou perplexo, recebendo um acenar de cabeça como resposta. — Hm. Deve ser algo bem importante, então. Nunca vi alguém substituir ele antes — o Byun comentou, se recordando do chinês gentil que sempre colocava um pedaço de chocolate extra nos milkshakes que pedia para repor as energias gastadas na pista de dança.

 

— É sim — o Park respondeu, sem especificar. Baekhyun não precisava saber que, na verdade, seu irmão estava despreocupadamente deitado no sofá de casa assistindo a algum programa de televisão, depois de Chanyeol ter o subornado com figurinhas especiais de sua coleção para convencê-lo a deixar que trabalhasse no seu lugar. 

 

Poderia conseguir novas figurinhas depois ou tentar pegá-las de volta. Agora, descobrir se seu rival havia falado sério sobre o convite era uma oportunidade única que ele não poderia (e nem queria) perder. Caso quebrasse a cara no final, poderia manter sua mentira sem problema algum. Era o plano perfeito para saciar sua curiosidade e ainda sair por cima de toda a situação.

 

— Bom trabalho, então — Baekhyun falou após um intervalo de silêncio, se amaldiçoando em seguida por ter soado tão… legal. Que tipo de rival estava sendo? O mais novo certamente estranharia seu comportamento, isso se já não tivesse o feito até então.

 

Levantou-se para voltar para a pista — embora sua garganta implorasse por uma bebida gelada — torcendo secretamente para que Chanyeol falasse qualquer besteira para prolongar aquela interação: o máximo que tivera de sua presença desde sábado. Mas ele não o fez. Por isso, o Byun continuou seguindo de queixo erguido até estar novamente perto de Sehun, mergulhando naquela atmosfera festiva quase que imediatamente. 

 

Quase. Pois ainda sentia o olhar de Chanyeol pairando sobre si. 

                                                                                                                     [...]


A música agitada junto das coreografia deliberadamente loucas de Sehun — com passos ainda mais engraçados sendo incorporados pelas pessoas que compunham a pequena roda que haviam formado no meio da pista de dança —, foram mais efetivos em lhe distrair do que Baekhyun imaginara. Não se sentia tão angustiado quanto antes, apesar de um tantinho chateado, e se negava a pensar, naquele momento, quantas parcelas de culpa recaíam no breve encontro que tivera com o Park nisso tudo. Na verdade, se negava a pensar em qualquer coisa relacionada ao seu rival enquanto “I Will Survive” rompia das caixas de som, a batida envolvente e as notas afinadas da cantora o afundando naquele mar de calor que preenchia o espaço curto entre os corpos dançando sem parar, vibrantes… vivos.

 

Dançar era como um remédio para a tristeza, não havia como não sorrir abertamente quando estava se sentindo tão bem, tão livre. A vida nos restringia em tantos sentidos, mesmo inconscientemente, mas quando estava ali, podia ser quem quiser. Sem medo de ser julgado, sem medo de ser rejeitado. Era pura aceitação, em todas as formas possíveis. Baekhyun estava tão imerso nas sensações que não sentira quando lhe cutucaram o ombro, nem quando chamaram por seu nome. Apenas se deu conta de que Chanyeol estava ao seu lado quando ele o segurou pelos braços, colocando-o de frente para ele. Piscou os olhos, meio atordoado, tentando entender o que ele fazia ali e porque lhe encarava tão intensamente. Seus lábios se moviam, mas o dançarino não conseguia entender o que diziam.

 

Eu disse que aceito sua ajuda — ele repetiu pela terceira vez, assistindo sua expressão confusa ficar ainda mais perdida.

 

— Você quer que eu te ensine a dançar? — perguntou por cima da música em um misto de surpresa e descrença, se tornando subitamente consciente que suas mãos grandes ainda apertavam sua pele. Engoliu em seco, passando os olhos discretamente pelo corpo do garoto alto a sua frente. Ele não usava mais o avental; estava com um jeans azul cintura alta, suspensórios sobre uma camiseta do The Smiths e calçava um all star vermelho de cano alto. Também tinha uma bandana discreta na testa e algumas pulseiras em um dos braços. Ele estava tão diferente de como Baekhyun costumava o ver. Tão bonito.

 

O mais velho suspirou contido, involuntariamente. Sua respiração estava descompassada por conta da dança e seu topete havia desmanchado, restando apenas os fios castanhos rebeldes e desgrenhados sobre a cabeça. Estava bastante suado, mas aquilo não impediu que suas mãos começassem a suar por motivos diferentes.

 

— Tudo bem — disse apressado quando viu que Chanyeol estava esperando por sua resposta. 

 

Aquele, sem sombra de dúvidas, fora o seu ato mais impensado da noite. 

 

Sequer foi capaz de raciocinar coerentemente antes de soltar aquelas palavras, hipnotizado pelos olhos grandes que pareciam brilhar mais do que o globo espelhado no centro da discoteca. Mal reparou que o outro abandonara seu orgulho para lhe dizer que queria, sim, que ele o ensinasse a dançar. Não quis pensar em como soava absurda a ideia de ajudar seu rival a ir bem em uma aposta contra ele mesmo. Nem conseguiria formular alguma desculpa convincente caso lhe perguntassem o que diabos ele estava fazendo quando arrastou Chanyeol para dentro da roda.

 

Como se houvesse sido calculado, “Apache (Jump On It)”, do The Sugarhill Gang, começou a tocar naquele instante, causando uma risada divertida no Byun que fez com que um arrepio percorresse a espinha do garoto alto que começava a se arrepender das escolhas da noite. O jogador permaneceu estagnado no centro do círculo, incapaz de fazer algo além de sentir o sangue subir as bochechas e as mãos suarem de nervoso, sendo inutilmente incentivado pelas pessoas ao redor que batiam palmas no ritmo da música e remexiam seus corpos sem parar. Baekhyun dançava habilmente a sua frente, sem um pingo de vergonha, rindo de sua expressão apavorada. 

 

A ideia de que tudo aquilo não passava de um armadilha do Byun para humilhá-lo na frente de todos aqueles desconhecidos ganhava cada vez mais espaço em sua mente. Era óbvio que Baekhyun não resolveria ser bonzinho consigo de uma hora para outra, ainda mais no meio da aposta que haviam feito. Talvez ele planejasse desestimulá-lo pelo constrangimento, dando-o uma breve amostra do que aconteceria naquela decisiva sexta-feira caso ele insistisse em tentar superá-lo na Dance Dance Revolution.

 

Chanyeol estava prestes a dar meia-volta e se esconder atrás do balcão até que seu turno na lanchonete acabasse quando sentiu Baekhyun pegar em suas mãos, passando a guiá-lo nos movimentos.

 

— O primeiro passo é relaxar o corpo. Você não vai conseguir dançar se continuar fazendo cosplay de um bloco de concreto — ele se aproximou para que sua voz fosse ouvida e Chanyeol imediatamente prendeu a respiração. Seus músculos ficaram ainda mais tensos ao se dar conta de que estavam de mãos dadas e mais próximos que nunca, conseguindo uma visão privilegiada do rosto suado do Byun sob a iluminação colorida, não conseguindo deixar de notar como o brilho dourado sobre seus olhos o deixavam ridiculamente bonito.

 

— Relaxa, Park! — mandou, irritando-se ao ver que os pés do mais novo pareciam estar colados no chão.

 

Chanyeol obedeceu, engolindo em seco. Soltou a respiração que ao menos notara que prendia e seguiu os passos do dançarino, atento aos pés que gingavam com facilidade para esquerda e direita, repetidamente, e tentando não ligar para o fato de que todos os olhares da roda estavam voltados para eles.

 

— Melhorou um pouco. Agora tenta copiar meus movimentos — afastou as mãos para rodopiar uma delas sobre a cabeça ao passo em que rebolava os quadris de um modo gracioso, girando o corpo no mesmo lugar.

 

Chanyeol riu de nervoso.

 

— Sem chance — negou veemente com a cabeça. Por Deus, como ele conseguiria mover os braços e as pernas ao mesmo tempo em que rodopiava sem prontamente dar de cara no chão?

 

— Vai desistir antes mesmo de tentar? Achei que o Donkey King fosse mais persistente que isso —  Baekhyun provocou, abrindo um sorriso de canto. 

 

O Park revirou os olhos, praguejando-se internamente por ter deliberadamente se colocado em uma situação daquelas. Não negaria que gostaria de dominar um ou outro passo de dança, apenas para não ficar de fora nas festas que sequer chegava a frequentar. Contudo, sua vontade não era tanta a ponto de fazê-lo pedir ajuda ao carinha arrogante do fliperama que infernizava seus dias. A prerrogativa de vencê-lo na aposta ao menos passara em sua cabeça ao aceitar seu convite, pois a verdade era que não dava a mínima para sua suposta reputação como "rei do fliperama". Tudo o que queria era calar a boca daquele moleque irritante para que pudesse ter sua paz de volta, e aquela aposta surgira em boa hora. Quem sabe até acabasse sendo melhor caso perdesse, pois aí se livraria de toda aquela atenção demasiada e desnecessária sobre sua pessoa.

 

Cruzou os braços em frente ao corpo, sentindo-se vulnerável como fosse um produto exótico sendo exibido em uma vitrine. Não combinava com a vibe daquele lugar, nem suas roupas, tampouco sua personalidade. Sequer curtia disco music, poderia contar nos dedos de uma mão quantas vezes havia ido a uma discoteca desde que se mudara para Miami — a maior parte dessas vezes sendo arrastado pelo irmão mais velho.

 

Céus, o que diabos estava fazendo ali?

 

Mordeu os lábios, observando Baekhyun de soslaio.

 

Ele dançava como se houvesse nascido para aquilo, tão confiante sobre os próprios pés e ciente de cada mínima ação que seu corpo era capaz de executar. Enquanto assistia o outro no embalo, dominando a pista com seus gestos impecáveis e magnetizando todos os olhares com sua aura inebriante, Chanyeol finalmente entendeu o porquê de irem ao fliperama apenas para vê-lo dançar: Byun Baekhyun era, além de um pé no saco, alguém incontestavelmente encantador.

 

Suspirou, percebendo que a música já estava quase no fim e continuava na mesma posição. Tentou reproduzir os movimentos do dançarino mais uma vez, empenhando-se para afrouxar os quadris e girar com o corpo no mesmo eixo, desenhando um arco invisível com umas das mãos elevadas. Não foi tão difícil quanto pensara, apesar de ter se atrapalhado bastante. Repetiu com o incentivo do Byun, os pés finalmente parecendo ter encontrado uma dinâmica própria após algumas tentativas e não mais sentindo as juntas do corpo tão emperradas como antes.

 

— Nada mal para um poste — ele comentou com um sorriso largo. Jamais perderia uma oportunidade de provocá-lo, mesmo que os dois estivessem naquela controversa espécie de trégua. Todavia, não podia negar para si mesmo que o mais novo estava uma graça se remexendo todo destrambelhado daquele jeito.

 

Chanyeol sequer se abalou pela afronta, pelo contrário, acabara deixando uma risada alta e espontânea escapar. Detestava admitir, mas até que estava se divertindo. 

 

Baekhyun se perdeu por poucos segundos, quase esbarrando na mulher que dançava atrás de si. Era a primeira vez que o via sorrir de verdade. Concluiu que talvez não estivesse batendo muito bem da cabeça quando considerou que gostaria de ver aquele sorriso bonito mais vezes e voltou o foco para a coreografia, que se manteve agitada pelas próximas músicas que seguiram. O Park parecia mais desinibido e eufórico a cada minuto, contagiado pela energia frenética que tomava conta do ambiente — embora ainda calculasse seus passos para não tropeçar mais uma vez, permanecendo o tempo inteiro com a cabeça abaixada monitorando os próprios pés.

 

Fora pensando nisso que Baekhyun, em algum momento que se sucedera, o arrastou para fora da roda, levando-os para um canto mais espaçoso, porém ainda tumultuado de gente. Chanyeol o encarou confuso, sem entender, no exato segundo em que “Take on Me”, do a-ha, começou a soar ao fundo.

 

— Estou indo muito mal? — perguntou, se desvencilhando do toque que Baekhyun ao menos percebera que ainda fazia em seu antebraço.

 

— Não, não é isso. Você está indo bem — foi sincero, recebendo um franzir de testa em resposta.

 

Ambos reconheciam o comportamento atípico um do outro, que estava para lá de inaceitável em termos de inimizade. No entanto, era como se houvessem feito um acordo silencioso para que agissem como pessoas normais naquela noite, pelo menos enquanto dividissem a pista de dança e as risadas acabassem por escapar antes mesmo que fossem capazes de formular alguma ofensa.

 

— Por que me trouxe pra cá, então? — inquiriu, um tanto aéreo. Era como se acabasse de ter sido puxado de uma bolha de êxtase e agora voltasse a realidade, sentindo a adrenalina que ainda percorreria suas veias diminuir aos poucos e o suor escorrer pelo corpo.

 

— Eu quero te mostrar uma coisa — engoliu em seco, obrigando-se a controlar suas reações. Queria mostrá-lo que dançar ia além do que somente seguir os passos de uma coreografia à risca. Era muito mais sobre sentir do que qualquer outra coisa. Queria que ele fosse capaz de sentir tudo o que arrebatava sua alma quando estava em meio a uma pista de dança. — Sem perguntas, Park, só faça o que eu digo, ok? — acrescentou depressa antes que ele o interrompesse.

 

O mais novo assentiu com a cabeça lentamente, desconfiado.  Poderia ser apenas o calor do momento, mas estava começando a achar que talvez o dançarino não fosse tão insuportavelmente desagradável quanto tinha como certo desde quando o conhecera.

 

— Feche os olhos e deixe seu corpo ser guiado — Baekhyun o instruiu, segurando suas mãos com mais calma dessa vez. — Não pense nos passos, só… sinta a música.

 

Chanyeol o obedeceu sem relutar, mantendo pensamentos sobre como havia oferecido de bandeja inúmeras oportunidades do Byun humilhá-lo em um futuro próximo no fundo de sua mente. Passou a balançar os quadris em sintonia com os braços, em movimentos soltos e leves. As batidas da bateria e o grave do baixo retumbavam em seus ossos, enquanto as notas do teclado sintetizador se encarregavam de embarcá-lo em uma viagem sinfônica, trazendo as sensações à flor da pele. Seu corpo passou a se mover involuntariamente, conduzido apenas pelo toque suave em suas mãos e o que a música despertava em seu interior.

 

Perguntou-se se era assim que Baekhyun se sentia toda vez que dançava. Era simplesmente… incrível. Sua cabeça estava leve enquanto enchia seus pulmões com todo o ar que conseguia, sentindo-se livre como nunca antes; como se aquela pequena discoteca localizada na South Beach fosse o centro do mundo e ele estivesse sobre seu pico, desimpedido para ser e fazer o que bem entendesse.

 

Abriu os olhos de súbito e sentiu o estômago afundar ao constatar que o Byun o encarava, oscilando o corpo no ritmo da música ao mesmo tempo em que tinha as íris castanhas fixas as suas. Ele acompanhava os versos com os lábios, aumentando a intensidade do olhar quando o refrão chegou e fazendo com que todos os pelos do seu corpo se arrepiassem.

 

Take on me

(Me dê uma chance)

 

Take me on

(Aceite-me)


Chanyeol certamente se condenaria mais tarde por ter ido atrás do Byun naquela noite, mas naquele momento — enquanto seu coração batia descontroladamente no peito e o dançarino a sua frente lhe parecia a imagem mais linda em que já havia posto os olhos —, só conseguia pensar que, às vezes, certos arrependimentos valiam a pena.


Notas Finais


*orangina é um refrigerante de laranja comum da época

e então, o que acharam desse capítulo?

vcs também são iguais ao Chanyeol que nasceu com dois pés esquerdos ou são habilidosos que nem o Baek?? pq eu tropeço até sentada KAJSHKAKD

se alguém quiser ver a dancinha do apache, é a mesma que a cena incônica de "um maluco no pedaço" aksjkadhjadh
https://youtu.be/obQbV6Egc2Y

nos vemos na próxima sexta~


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