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História Love is an open door - Capítulo 3


Escrita por: e arctcmono


Notas do Autor


esse é meu capítulo favorito e tô bem ansiosa pelas reações aaaa boa leitura!!

Capítulo 3 - Origens, aniversários e dentes de vampiro


06 de outubro, o primeiro autoconvite de Jimin

Dizer que Jimin estava preocupado era eufemismo. Fazia mais de uma semana que ele não via e nem tinha notícias de Yoongi; a noite do desenho de Edward foi a última vez em que se falaram. Nos primeiros dias, o acastanhado tentou se convencer que seu hyung provavelmente estava ocupado com a produção da capa de algum livro novo e precisava se concentrar. Depois, quando suas plantinhas começaram a adoecer porque não recebiam mais água e atenção, ele começou a se perguntar se havia feito algo de errado para magoar o vampiro. Talvez o Min tivesse ficado doente por conta de toda a comida humana que o mais novo o fazia comer, ou incomodado sobre alguma atitude desse que havia o ferido de alguma forma. Não era possível dizer.

Durante todos aqueles meses, não ocorreu a nenhum dos dois trocar números de celular porque eles basicamente se viam todos os dias, tinham um contato pessoal e contínuo. Por isso, não tinha como Jimin mandar mensagem ou ligar para o mais velho. Ele chegou a bater na porta do vizinho algumas vezes, quando chegava do trabalho, mas não obteve nenhuma resposta. Yoongi provavelmente tinha viajado, certo? Mas ele teria avisado ao mais novo, não teria? Jimin não tinha certeza se o nível de intimidade dos dois chegava a esse ponto. Ele achava que sim. Tinha assumido errado?

Suas respostas sobre o sumiço do amigo vampiro vieram em uma quarta-feira à noite, quando estava saindo do seu apartamento para ir ao mercado e encontrou um rapaz alto, usando preto da cabeça aos pés, cabelo grande e bagunçado, batendo na porta do loiro incessantemente.

— Hyung, se você não abrir isso agora, eu vou arrombar a porta, juro — o garoto dizia, impaciente. — Ya, para de fingir que você não 'tá em casa! Abre logo isso!

— Hum, boa noite. — Jimin se aproximou, chamando a atenção do rapaz. — Você está atrás do Yoongi hyung? Eu acho que ele não está em casa.

— Ah, você deve ser o Jimin-ssi. O Yoon hyung falou de você — o outro respondeu o olhar inquisitivo do Park diante o fato que o estranho sabia seu nome. — E o hyung está em casa, sim. Ele só tá se escondendo porque alguma coisa aconteceu, e ele vai abrir essa porta e me contar o que foi antes que eu a arrombe, não vai, Yoongi-ssi? — A última frase veio em um timbre mais alto, direcionado para a entrada do apartamento do Min.

— Jeongguk-ah, vai embora. — A voz de Yoongi, enfim, foi ouvida. Estava abafada por conta do obstáculo entre eles, mas o seu tom cabisbaixo ainda era perceptível. — Eu já disse que depois falo com você.

— Hyung, sou eu — o professor falou, alto, para que pudesse ser escutado pelo rapaz no interior do apartamento. — Lembra quando você me deu a senha da sua entrada porque estava se sentindo mal por ter descoberto a minha sem querer? Não me faça usá-la agora.

— Ya! Como assim ele tem a sua senha e eu não? — o garoto protestou ao mesmo tempo que o som da porta sendo destrancada foi ouvido.

O vampiro espiou os convidados indesejados por uma pequena brecha que abriu, a qual não foi sustentada nem por cinco segundos. Antes que Jimin conseguisse analisar o vizinho com calma, Jeongguk empurrou a porta para que ela fosse aberta totalmente e avançou no espaço do loiro, segurando-o pelo pescoço e tombando sua cabeça para o lado com as mãos. O gesto revelou uma mancha fortemente avermelhada na clavícula direita de Yoongi, à mostra por conta da camisa grande e folgada que ele usava.

— O que aconteceu? Quem fez isso? — Jeongguk disparou, nervoso.

— Ninguém, Jeonggukie. Eu me descuidei, só isso. — Yoongi suspirou sem conseguir olhar o amigo nos olhos.

— Deixa de ser mentiroso, hyung!

— Ei, calma — Jimin resolveu intervir ao perceber que o garoto estava ficando muito exaltado. Sem hesitar, colocou a mão no braço do maior do trio e, usando o tom didático e firme que usava com seus alunos, pediu: — Solta ele, Jeongguk-ssi. Vamos conversar como os adultos civilizados que nós somos, 'tá bom?

Jeongguk o obedeceu com um revirar de olhos, mas não perdeu tempo em continuar suas inquisições:

— Eu te conheço, hyung. Nem vem com o papinho de que você se descuidou. Como essa queimadura foi parar aí? Se você não disser a verdade, eu ligo para o Jin hyung.

— Não! — o Min exclamou, assustado. — Não coloca o hyung nisso, Jeonggukie, por favor.

Jimin encarou seu vizinho, confuso. Queimadura? Lembrou-se dos protestos de Yoongi sobre o fato de Edward Cullen brilhar, enquanto os vampiros de verdade se machucavam se fossem expostos ao sol, e tudo fez sentido. No entanto, o amigo do seu hyung tinha razão. Ele era cuidadoso demais consigo mesmo para ter conseguido o ferimento sem querer. O acastanhado recordava-se de todas as vezes que o encontrou empacotado da cabeça aos pés com roupas grandes, usando chapéus ou carregando um guarda-chuva para todos os cantos.

— Hyung, quem fez isso? — perguntou o Park, mais baixo e controlado.

O tom atencioso pareceu desarmar Yoongi, que suspirou e seguiu caminho até a sala, onde sentou-se no sofá. Havia um ninho de cobertores e almofadas no móvel e a televisão transmitia o episódio de uma série que Jimin tinha indicado para ele vários dias atrás. Os dois mais novos, por sua vez, contentaram-se em permanecer em pé próximo ao vampiro.

— Foi no dia depois de termos jantado jajangmyeon — o Min começou, falando diretamente com o professor, antes de focar a atenção no outro amigo: — Eu estava indo para o seu apartamento, Jeonggukie, para devolver aquele suéter que o Jin hyung me emprestou. Estava meio abafado e nem fazia tanto sol assim, então eu só saí com minha sombrinha. — O loiro encolheu os ombros e grudou os olhos em suas mãos, largadas inquietas no colo, continuando em um tom mais fraco: — Uns caras me abordaram quando eu desci do ônibus. E-eles perceberam o que eu sou e falaram umas coisas ruins… E, ahn, também quebraram minha sombrinha. Eu fiquei com medo e voltei para casa.

— Hyung! Eles te machucaram em algum outro lugar? Você lembra o rosto deles? Nós temos que denunciar! — Jimin se desesperou, o coração disparando doloroso no peito ao imaginar a situação que o mais velho tinha passado.

— N-não! Já passou, e também não é como se fosse a primeira vez que acontece — Yoongi o interrompeu.

O Park encarou Jeongguk, esperando que o outro explodisse e dissesse para o vampiro parar de ser idiota porque eles iriam, sim, denunciar o atentado e resolver aquela situação. Contudo, esse apenas suspirou, passou a mão pelo cabelo grande e, claramente contrariado, informou:

— Vou à farmácia comprar alguma coisa para você passar nas queimaduras.

— Jeonggukie, não preci…

— Me deixa fazer pelo menos isso, por favor. — O tom do rapaz era tão suplicante que o loiro não conseguiu contrariá-lo e eles o observaram deixar o apartamento, batendo o pé indignado.

Quando a porta foi fechada, Yoongi retornou sua atenção a Jimin e, envergonhado, disse:

— Desculpa por sumir, Jiminie. Eu não queria que você se preocupasse. Também não queria que o Jeonggukie descobrisse, porque ele iria envolver o Jin hyung e o hyung iria envolver meus pais… Seria uma confusão.

— Você não tem nada com que se desculpar! — o mais novo protestou. — Nem começa. Você não…

Interrompeu a si mesmo ao notar a expressão desolada do mais velho e a forma como ele abaixava a cabeça e tentava se fazer menor do que já era. O Park suspirou, ainda sentindo aquele aperto incômodo no peito, e sentou-se ao lado do loiro. Com cuidado, puxou um dos braços dele para si e levantou a manga longa da camisa até seu cotovelo, deixando amostra outras queimaduras espalhadas por sua epiderme alva. A visão fez o estômago do professor embrulhar e os olhos arderem com lágrimas que ele não compreendia. Ainda.

— P-por… — Limpou a garganta, tentando firmar a voz. —  Por que vocês não querem denunciar, hyung? O Jeongguk-ssi parecia tão determinado, mas…

— É porque ele sabe — Yoongi murmurou, tristonho. — Se eu fizesse um estardalhaço sobre isso, meus pais ficariam sabendo.

— E daí? — Jimin expressou sua confusão, ainda mantendo o braço do Min em seu colo, os dedos acariciando levemente onde a pele não estava ferida. O vampiro não se afastou.

— Meus pais são… hum, muito antiquados, acho que é esse o termo. Principalmente o meu pai, porque ele é um vampiro transformado e eles são mais tradicionais.

Novamente, o acastanhado precisou revisitar suas memórias da escola para entender o que o vizinho estava falando. Não precisou de muito para se lembrar da explicação, na aula de Biologia, sobre a diferença entre os dois tipos de vampiros. Havia os transformados, que formavam a majoritária população dos vampiros dos tempos antigos, e foram mordidos por outros da espécie, através de um pacto muito recorrente naquela época, para que pudessem ser modificados.

Com o passar dos séculos, à medida que a espécie evoluiu, surgiram os vampiros nascidos. Pessoas que já nasciam dessa forma, sem precisarem ser transformadas. Esses não eram imortais, como os antigos e modificados, mas ainda tinham a capacidade de viver por centenas de anos porque sua aparência e saúde deterioravam muito lentamente. Eles também possuíam mais características mundanas: um coração batendo, sangue correndo nas veias, capacidade de se alimentar com comida humana.

Jimin sentiu-se um tantinho idiota por não perceber antes que Yoongi era um vampiro nascido.

— Vampiros transformados têm mais coisas contra os humanos porque eles são o maior alvo do preconceito já que… bem, eles são a personificação do estereótipo que vocês têm — o Min continuou, ainda sem olhar o mais novo nos olhos. — Por isso, meu pai tentou me trancar o máximo que ele pôde. Eu estudei em casa minha vida toda e só consegui sair no último ano de faculdade. Quando eu disse que iria me mudar para Seul, meus pais foram supercontra e tentaram de tudo para me fazer mudar de ideia. Eles tinham muito medo que coisas assim... — Yoongi apontou para as queimaduras do braço exposto. — Acontecessem. Nem todo mundo gosta de ter um vampiro por perto, Jiminie.

— E se você denunciar e criar um rebuliço, eles vão descobrir o que aconteceu e te fazer voltar para casa — o Park concluiu o raciocínio, depois de engolir o nó incômodo que havia se feito em sua garganta ao ouvir o relato do amigo.

O loiro assentiu.

— Eu conheci o Jeonggukie na faculdade. Ele era meu hoobae e foi o primeiro amigo que tive na vida. Meus pais sempre gostaram muito dele e ficaram mais tranquilos sobre minha mudança quando descobriram que o irmão do Gukie, o Seokjin hyung, já morava aqui em Seul. O hyung praticamente virou minha babá antes do Gukie vir para Seul também. — Yoongi riu um pouquinho, tentando aliviar o clima. — Se o hyung ficasse sabendo, contaria aos meus pais e… hum, você deduziu o que aconteceria. Eu não quero ir embora e nem o Jeongguk quer que eu vá, por isso ele desistiu e não vai falar nada.

— Entendi. — Jimin assentiu, ainda contrariado.

Incomodava-o que o Min tivesse que passar por aquilo em silêncio, que ainda havia tantas pessoas ruins e insensatas no mundo, que ele próprio fora uma delas. Queria punir os agressores do seu hyung, queria que eles pagassem por fazê-lo sofrer daquela forma, entretanto, sabia que era algo que estava fora do seu alcance. Além disso, também não queria perder o mais velho. Podia ser egoísmo, mas ele não queria.

— Essas coisas são muito raras de acontecer, Jiminie. Sério. Ainda tem muita gente idiota por aí, mas boa parte é inofensiva. Eu prometo que vai ficar tudo bem. — Yoongi aproveitou que estava com o braço descansando no colo do mais novo para segurar uma das suas mãos, atraindo seu olhar. — Eu amo muito meus pais, muito mesmo, mas não quero voltar a viver isolado. Não quero ficar sozinho de novo.

— Você não vai — o Park retrucou, sem pensar duas vezes, apertando a mão do Min contra a sua. — Você me tem agora também. Eu vou cuidar de você e garantir que ninguém te faça mal de novo, hyung. É sério. Se outro idiota tentar te machucar, vai se ver comigo. Eu fiz taekwondo minha vida toda.

O jovem de cabelo escuro poderia jurar que a risada espontânea que ganhou do rapaz sentado à sua frente naquele momento era o som mais bonito que já tinha ouvido na vida.

— Sou seu hyung e tenho superforça. Eu quem deveria te proteger — o vampiro pontuou, olhinhos brilhando e um sorriso fofo estampado em seu rosto.

— Nós podemos proteger um ao outro, que tal? — Jimin propôs e ergueu seu mindinho para o mais velho, que franziu as sobrancelhas, confuso. — Quê? Vai me dizer que o Jeongguk-ssi e o Seokjin-ssi nunca te ensinaram a fazer uma promessa de dedinho? Ya, que tipo de amigos ruins eles são? Vem, me dá seu mindinho. — O loiro ofereceu sua mão livre, a que não segurava a do mais novo, e esse entrelaçou seus dedos menores e juntou os polegares. — Viu? Nossa promessa está selada assim. Promessas de mindinho são muito importantes, hyung, e não podem ser quebradas sob nenhuma circunstância.

Yoongi abriu o sorriso gengival e, sem desfazer o entrelaço de suas mãos, respondeu em um tom feliz:

— Tudo bem, Jiminie. Não vou quebrar minha promessa.

Jimin também não estava disposto a quebrar a sua.

(x)

13 de outubro, o centésimo autoconvite

— Desculpa, Tae — Jimin falava ao celular enquanto se apressava pelas escadas do prédio, uma vez que o elevador estava interditado. — O hyung disse que queria me fazer uma surpresa, então prometi a ele que viria para casa.

Ya, mas é seu aniversário! — Taehyung protestou do outro lado da linha, a voz soando tão emburrada que o Park conseguia visualizar o biquinho do amigo claramente.

— Exatamente, e todo ano nós fazemos algo juntos. Me deixa inovar uma vez, vai lá. — O professor tinha chegado ao seu andar e avançou os passos, querendo chegar logo ao seu apartamento. Havia ficado o dia inteiro ansioso sobre a surpresa de Yoongi.

Não acredito que você está me trocando pelo seu namoradinho novo — o Kim resmungou, e Jimin precisou morder a língua para não retrucar o amigo com algo como “O sujo falando do mal lavado”. Mas tudo bem, vai lá conseguir o seu beijo na boca. Amanhã você é meu, mocinho! Nem tenta fugir!

— 'Tá bom, Taetae. Diz ao Hobi hyung que eu amei o sapato que ele me deu. — Taehyung o respondeu com um “Foi eu quem escolheu!” e uma voz, distante e muito parecida com a de Hoseok, protestou com um “Mentiroso!”. Jimin riu dos amigos, antes de se despedir: — Até amanhã. Amo você.

Também te amo, Minnie. Feliz aniversário.

Estava, enfim, parado em frente ao seu apartamento. Sabia que Yoongi estava no interior da sua residência porque conseguia ouvir o barulho abafado da existência do vampiro e, também, obviamente, porque o Min sempre estava o esperando, desde o seu convite não proposital.

Abriu a porta e foi cumprimentado pelo delicioso e acolhedor cheiro de comida caseira e por um rapaz loirinho usando uma calça de tecido quadriculado, um moletom rosa grande demais para o seu corpo pequeno e um chapéu de aniversário colorido na cabeça. O vampiro tinha um embrulho retangular do tamanho de um livro em mãos e um sorriso ansioso, cheio de expectativa, no rosto delicado. O Park não conseguiu evitar retribuí-lo, assim como não foi capaz de silenciar as batidas agitadas do seu coração com a visão que o esperava.

— Isso é meu presente? — deduziu, caminhando na direção do mais velho.

— Parte dele, sim. — Yoongi o entregou o embrulho, retirou o chapéu da sua cabeça e a colocou na do mais novo, concluindo: — Feliz aniversário, Jiminie.

Animado, o professor não perdeu tempo em rasgar o papel de presente e deparou-se com uma moldura. Ela guardava um desenho. Um desenho dele. Jimin reconheceu como sendo, através dos traços delicados e harmônicos de Yoongi, a retratação de uma das fotos que ele havia postado em seu Instagram meses atrás. A imagem era do dia em que visitara um cat café com Taehyung e o amigo a tirara quando ele estava brincando com um dos felinos. O Min também tinha desenhado o gatinho em seu colo com os olhinhos observando-o encantado, assim como estavam na foto.

— Hyung… — começou, baixinho, ainda sem saber o que dizer.

— V-você disse que queria que eu te desenhasse, e eu gosto muito dessa sua foto. — As palavras de Yoongi tropeçaram para fora da sua boca, tímidas. — Você também sabe que eu gosto muito de gatos, então pensei que…

— Eu amei — o mais novo o interrompeu e abriu um sorriso grande, feliz. — De verdade, hyung. Ficou tão lindo.

E lá estava. As bochechas rosadas do loiro, vermelhidão subindo do seu pescoço até a pontinha das orelhas, enquanto ele tentava escapar, embaraçado, da atenção de Jimin. O professor era muito grato pelo mais velho ser um vampiro nascido, porque ter o prazer de fazê-lo ruborizar daquela forma era algo que esperava nunca ter que abrir mão.

— Não é só isso. — O Min sacudiu os ombros, como se tentasse espantar a timidez, e agarrou a mão livre do aniversariante, arrastando-o até a sala do apartamento. — Tcharãn! Eu fiz seu jantar!

Um sentimento ainda sem nome esquentou dentro de si, aquecendo seus braços, suas pernas, seu coração, quando os olhos encontraram o pequeno conjunto de comidas que seu hyung havia preparado e arrumado sobre a mesa de centro do cômodo. Entre as cumbucas branquinhas, havia um pequeno bolo confeitado com um vinte e seis cheio de glitter enfiado em meio aos montinhos de glacê e círculos de M&M.

O sorriso do Park aumentou, se fosse possível, transformando os olhinhos cintilantes em meias-luas ao imaginar o vampiro com o rosto próximo da vitrine de uma confeitaria, escolhendo um bolo para seu dongsaeng, ele empurrando um carrinho pelo supermercado, checando ingredientes na internet, para preparar o jantar e saltitando pelo apartamento do mais jovem, animado, enquanto preparava sua surpresa.

Era o melhor presente de aniversário de todos.

— Não acredito que você fez tudo isso, hyung. Não precisava — Jimin dizia, após guardar seu presente e vir ocupar sua almofada próxima a mesa.

— Claro que precisava! É seu aniversário! — o mais velho protestou de onde estava sentado, à frente do outro.

O aniversariante soltou uma risadinha.

— Para alguém que nunca foi à escola e não conviveu com muitas pessoas, você é um amigo muito bom — o Park elogiou, seus olhos focados no serviço de colocar comida em seu prato, porque não queria que o hyung notasse o rubor em seu rosto. — Jeongguk-ssi e Seokjin-ssi são ótimos professores.

Nah, eles são péssimos. Uma vez o Jeongguk esqueceu o aniversário do hyung e me fez sair de madrugada para comprar um presente para ele! E eles são irmãos! — Yoongi comentou e o biquinho emburrado em seus lábios era visível até mesmo em seu tom de voz. — Eu ser um ótimo amigo é mérito todinho meu.

— Tudo bem, senhor convencido. — O acastanhado riu da sua birra e enfiou um pedaço da carne na boca, fazendo uma careta inconsciente quando o gosto incomum tomou seu paladar.

— O quê? Você não gostou? — Decepção estava presente no timbre do mais velho e, quando ergueu os olhos para ele, Jimin o encontrou encarando-o com as íris amendoadas refletindo aquela mesma tristeza que refletiram quando o mais jovem o expulsou do seu apartamento, meses atrás.

Diferente daquela vez, o professor não fingiu que não a enxergava. Ela estava ali, estava machucando-o e ele queria que fosse embora.

— Não, hyung! Não é isso! — Apressou-se em consolar o vampiro, sacudindo as mãos e tudo, querendo desesperadamente que sua expressão tristonha sumisse. — Só está meio… hum, meio sem gosto. Você não temperou?

Yoongi encolheu os ombros e distraiu-se alisando as bordas da mesa, sem coragem para encarar o mais novo quando se explicou:

— Mais ou menos. Não coloquei alho nas comidas que precisavam porque sou alérgico. Não consigo nem chegar perto. Geralmente, essa parte fica com o Jin hyung quando estamos cozinhando. Achei que não fosse fazer muita falta.

Jimin ficou em silêncio por vários minutos, observando-o completamente maravilhado. Seu coração, que várias vezes era comprimido no tamanho de uma bolinha de tênis, expandiu-se tanto que o professor ficou com medo que fosse explodir dentro de si. Não era possível que alguém tão adorável quanto o Min existisse.

Você é alérgico a alho? — Não conseguiu disfarçar o tom risonho na sua voz. A risada veio quando o vampiro o encarou, ofendido.

— Ya, para de rir!

— Desculpa, hyung, mas você é tão fofo! Está arruinando completamente a imagem de vampiro malvado que eu costumava ter na cabeça. — O mais novo enfiou mais alguns pedaços de carne na boca, mais acostumado com a leve falta de sabor, e isso pareceu tranquilizar o mais velho.

— E isso é uma coisa boa? — perguntou, acanhado.

O Park, com as bochechas cheinhas de comida e os olhos brilhando cheios de animação, assentiu diversas vezes em resposta, ganhando outro dos sorrisos encantadores do Min em resposta.

— A única coisa que ainda me deixa um pouquinho incomodado é comer sozinho — Jimin pontuou timidamente. — É meio estranho comer com você só me olhando.

— Ah, hoje eu trouxe isso! — Yoongi pegou um copo de canudinho que descansava entre os pratos de comida e voltou a se encolher diante o olhar inquisitivo do professor. — Ahn, você quer saber o que tem dentro? Certeza? — respondeu à pergunta silenciosa do Park, que assentiu, curioso. — Hum, é... é sangue.

Ah — foi a reação do mais novo.

Não estava surpreso com o fato, obviamente. Ele sabia que a alimentação apropriada do seu hyung era diferente da mundana, mas, durante todos aqueles meses, esteve acostumado a assistir Yoongi comendo junto consigo. Claro, o mais velho fazia isso apenas porque não queria que o amigo se sentisse incomodado por jantar sozinho e não porque gostava, contudo, era fácil fingir que o vampiro não era tão diferente de si nesses momentos.

Ser relembrado que não era bem assim fazia com que um incômodo esquisito se instalasse no consciente do jovem educador. Ele não queria se sentir tão distante do seu hyung, não queria que o vampiro se sentisse desconfortável por ser quem era perto dele. Queria entendê-lo. Fazer parte da sua vida.

— Como funciona, hyung? — perguntou, casualmente, como se estivessem falando sobre o noticiário de mais cedo. — Como você consegue o sangue? Quer dizer, acho que não deve ser tão fácil, né? Nunca vi vendendo em supermercado, nem nada do tipo.

Hesitante, Yoongi engoliu um gole do líquido, testando o terreno, e relaxou um pouco ao perceber que o Park continuava o seu jantar normalmente, esperando por sua resposta.

— Bem, depende. A maioria de nós se alimenta pelo que chamamos de sangue industrializado. Nós podemos consegui-lo em vários lugares. Tem pessoas específicas que vendem, mercado ilegal, essas coisas… — Yoongi explicou, sentindo-se um pouco mais confiante a cada palavra devido a atenção genuína que recebia do mais novo. — O lugar mais seguro para se conseguir são hospitais. Tem uma rede de doação que é específica para isso. Sabe, o governo tentando nos incluir na sociedade e essas coisas. Só que os números de doação são bem baixos, então esse sangue é muito mais caro.

— E o seu? De onde é? — Jimin apontou para o copo nas mãos do mais velho.

— Hospital. — A resposta foi tímida.

— Hyung! Não acredito que você esteve escondendo de mim que é um milionário durante todo esse tempo! — o mais novo implicou, divertindo-se com jeitinho todo embaraçado que o vampiro se mexeu no lugar.

— Claro que não, besta. O Jin hyung trabalha como enfermeiro-chefe em um hospital e consegue para mim — o loiro se defendeu.

— Então você é um contrabandista — retrucou o Park, inabalado.

— Jimin-ah!

O acastanhado riu tanto que seu corpo tombou para trás, sendo sustentado pelo sofá, e o som preencheu todo o apartamento como se estivesse dando vida ao imóvel, despertando cada ser inanimado daquele lugar para que pudessem comemorar aquela noite especial consigo.

— Espera. — O professor ajeitou-se e encontrou seu hyung o observando, encantado. Pelo bem da sua sanidade, resolveu ignorá-lo e focar em sua dúvida: — E quando um vampiro não tem acesso a esse sangue industrializado? O que ele faz?

— Bebe sangue fresco. Hum, direto de alguém. — As bochechas do mais velho estavam mais uma vez vermelho-escarlate e os dedos de Jimin coçaram para apanhar seu celular e bater uma foto. — Sangue fresco é bem mais saudável para nossa espécie e consegue nos manter por mais tempo que o industrializado, que só nos mantém por uns três ou quatro dias. Hoje em dia, nós somos proibidos de caçar, mas têm humanos que… se oferecem? Eles são chamados de fornecedores. Existem fóruns na internet para essas coisas, é onde a maioria de nós os encontra.

Jimin ficou em silêncio por minutos, aproveitando seu jantar e pensando um pouco sobre o assunto. Agora que tinha aberto a porta da honestidade com Yoongi, inúmeras dúvidas sobre a espécie do mais velho enchiam a sua mente. Muita coisa era diferente do que tinha aprendido quando criança e ele estava determinado a entender os vampiros melhor, entender o Min melhor. Não queria mais ser a pessoa errada.

— Faz quanto tempo que você não bebe sangue fresco? — perguntou, minutos mais tarde.

— Humm, nem lembro. Eu tomei algumas vezes quando era criança porque meu pai trazia fornecedores para nossa casa de vez em quando, mas nunca mais depois disso. — O loiro deu de ombros, enfiando o canudinho do seu copo na boca após a fala.

— Você quer beber do meu? — Jimin ofereceu, sem hesitação.

Yoongi engasgou com o gole que tinha acabado de beber, as tosses fortes arrancando seu ar repentinamente e o fazendo bater na mesa, atordoado. O Park levantou-se de onde estava sentado e correu para o lado do seu hyung, posicionando-se atrás dele e erguendo os seus braços para tentar acalmá-lo. Minutos mais tarde, o vampiro conseguiu recuperar a respiração e encarou o professor com os olhos lacrimejados, perguntando em uma voz rouca e estupefata:

Como é?

— Eu perguntei se você quer beber do meu sangue — Jimin repetiu, ainda confiante. — Quer dizer, se não doer e eu não virar um vampiro também, coisa do tipo.

O Min piscou, confuso.

— Ahn, não dói. E você só viraria um vampiro se nós fizéssemos o pacto antes. Isso é só alimentação — explicou, devagar. A situação era tão subitamente absurda que ele sequer sabia como questioná-la.

— Ah, perfeito! Você quer? — O jovem lhe lançou um olhar de Gato de Botas.

— Por que você está me oferecendo seu sangue? — Yoongi, enfim, reuniu coragem para questionar.

O professor pensou em todos os dias que o loiro estava no seu apartamento, esperando-o, fazendo-o companhia. Pensou em todos os jantares que ele lhe comprou, nas vezes que ele se submeteu a comer comida humana, mesmo que essa pudesse lhe fazer mal, porque queria que o amigo ficasse feliz, nos dias que ele o ouvia reclamar sem parar sobre seu emprego, sem uma pausa sequer para perguntar como o hyung estava, naquele jantar de aniversário e desenho que ele havia feito para fazer com que ele tivesse uma comemoração boa. Pensou em tudo isso e a resposta era óbvia:

— Eu confio em você. Quero fazer algo para retribuir tudo o que você já fez por mim.

— Jiminie, você não precisa… — o loiro tentou mais uma vez e foi interrompido:

— Hyung, eu quero.

Yoongi o olhou por mais alguns minutos, esperando que ele mudasse de ideia. No fim, percebeu que o mais jovem estava sendo completamente sincero e o fato fez um sorriso feliz nascer em seu rosto. Nem mesmo Jeongguk ou Seokjin já haviam feito algo daquilo por ele.

Assentiu em concordância e sorriu ainda maior quando o mais novo comemorou com palminhas.

— E aí? Como a gente faz isso? — Jimin perguntou, animado.

— Você quer fazer agora? — O mais velho assustou-se um pouquinho com a afobação do outro.

— Você quer? — o Park devolveu, baixinho.

Assistiu o vampiro assentir mais uma vez, colocar seu copo sobre a mesa e oferecer sua mão para ele. O professor a aceitou e foi guiado até o sofá, onde sentaram lado a lado e Yoongi perguntou em que lugar ele preferia ser mordido. Sentindo as bochechas quentes como nunca e o coração batendo por absolutamente todo o seu corpo, respondeu-lhe que podia ser onde o mais velho quisesse. Seus membros estavam tensos, as costas bem retas, mas não era devido à situação desconhecida. Na verdade, era porque Yoongi estava tão perto que o jovem conseguia sentir o seu cheirinho cítrico perfeitamente como se tivesse mergulhado em uma piscina de tangerinas.

No entanto, o Min não se aproximou mais. Encarou-o por longos segundos, esperando por uma confirmação, e só quando os músculos do mais novo começaram a relaxar diante o olhar carinhoso e cuidadoso que tomou alguma iniciativa. Primeiro, ele fechou os olhos.

— Você tem que ficar quietinho — Yoongi sussurrou, e Jimin assentiu inconscientemente, sabendo que não tinha como o mais velho vê-lo.

Quando o Min voltou a erguer suas pálpebras, após se inclinar um pouco mais no espaço do Park, as íris não possuíam mais o tom castanho de sempre. Era um amarelo dourado, muito parecido com o tom que o mais jovem já tinha reparado que eles ganhavam quando o vampiro estava animado demais. Esse tom, contudo, era mais forte. Era hipnotizante. Mesmo que não estivesse sendo segurado, Jimin não conseguiria fugir nem se quisesse desesperadamente. A forma como seu hyung o encarava com suas íris cor de ouro parecia sugá-lo, arrancar de si todos os seus sentidos e comandos do corpo.

Yoongi segurou seu rosto e o inclinou para um lado, deixando uma parte do seu pescoço completamente vulnerável. O gesto fez o coração do acastanhado bater tão rápido e forte que parecia a um passo de abrir caminho para fora do seu peito e ganhar vida própria.

Antes de fechar os olhos instintivamente, Jimin conseguiu ver as presas do hyung brotando entre seus lábios entreabertos e abriu um sorriso pequeno, porque elas eram fofas como todo o resto do loiro. Esse, por sua vez, suspirou contra a pele do Park — que sentiu todos os pelos do seu corpo se arrepiarem — antes de pressionar os dentes pontiagudos contra a tez macia.

Assim como Yoongi tinha dito, a sensação não era dor. Na verdade, era um formigamento engraçado, que começava no local mordido e descia por todo o corpo de Jimin, fazendo-o sentir como se estivesse em uma montanha russa, nos assentos frontais, sendo engolido por toda a adrenalina e excitação súbitas. Em resposta, seu corpo se encolheu e tremeu, obrigando o Min a segurá-lo pela cintura para mantê-lo quieto no lugar. Jimin agarrou os seus braços com força, procurando alguma coisa onde se firmar. Quando o vampiro sugou o seu sangue, o jovem fechou os olhos e mordeu o lábio inferior, tentando conter qualquer reação diante os inúmeros sentimentos dispersos que o ato injetou em todos os seus vasos vasculares.

A sensação se foi tão rápida quanto chegara. Yoongi se afastou do seu pescoço repentinamente, sem soltar sua cintura, e o encarou com olhos culpados. O mais novo, ainda preso no estupor do momento, demorou alguns minutos para se recompor e conseguir retribuir o olhar do mais velho. Nessa altura do campeonato, esse já havia o soltado e levantou-se do sofá aos tropeços.

— Hyung? — chamou, confuso.

— Desculpa, Jiminie. Eu lembrei que prometi resolver um assunto urgente com o Jeonggukie hoje — Yoongi dizia, enquanto apanhava suas coisas rápido, ainda sem encarar o mais novo. — A gente se vê depois. Feliz aniversário.

Assim, repentino como uma chuva de verão, o vampiro deixou o apartamento, abandonando um Jimin muito atordoado, com um coração alucinado batendo no peito e uma sensação esquisita de abstinência em seu corpo para trás.


Notas Finais


[insira aqui suas teorias do porquê o yoongi fugiu do sangue do jimin]

aguardem cenas do próximo capítulo para checar se as teorias estão certas rsrs


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