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História Love Is Easy - Capítulo 1


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Notas do Autor


Eu não acredito que eu tô fazendo isso... Mas ao mesmo tempo, como eu queria fazer isso.

Capítulo 1 - O Começo


Era estranho… Como Wooyoung não conseguia tirar seus olhos de Choi San. 

De certa forma, nem tanto, pois o garoto se sentava duas filas na frente dele, encostado na parede verde água da sala 8-Z, um lugar onde Jung Wooyoung sempre teve o costume de voltar seu olhar quando distraído da aula, ou seja, quase sempre. 

Mas ainda assim… Era um pouco estranho…

Wooyoung pessoalmente gostava de culpar San por isso. O fato do garoto ser o único calado no momento – numa sala com garotos adolescentes excitados com o atraso do professor, a esperança de uma manhã sem aula de álgebra lhes enchendo o peito – meio que o destacava dos outros alunos. Ele simplesmente não conversava com seus colegas.

Por quê?! Gritava a mente cheia de curiosidade de Wooyoung. Três meses de estadia no colégio interno para garotos onde estudavam era mais que o suficiente para estabelecer laços de amizade, Wooyoung pensava. Ele mesmo, quando tinha menos de um mês de matriculado, já se encontrava introduzido em um exótico círculo social. Mas com San era diferente.

Era sempre do mesmo jeito quando tentavam abordar San: respostas taciturnas, monossilábicas e aparentemente desinteressadas em construir um diálogo maior. Com o tempo, as pessoas simplesmente pararam de tentar.

Mas não era só isso que chamava sua atenção, também havia algo a mais, mas Wooyoung não conseguia identificar o quê. Olhando mais uma vez para a carteira ocupada por San, Wooyoung contemplou as feições calmas, mas focadas do rosto do Choi. 

Sim, também tinha a ver com o rosto do garoto. Wooyoung meio que gostava de se perder nele…

– Wooyoung! – ouvindo seu nome sendo chamado (quase gritado) por Yeosang. – Você vem ou não? – só agora Wooyoung percebeu seu grupo de amigos em pé.

Quanto tempo havia se passado?

– Onde? – perguntou, ganhando um revirar de olhos e uma resposta de Jongho.

– Pra fora da sala, hyung.

– E o professor?

– Bom, se ele não chegou até agora, não é nossa culpa. – Yunho levantou ambas as mãos em um sinal de redenção, colocando sua expressão mais inocente para funcionar. 

Wooyoung desviou seu olhar para o canto superior da sala, onde um San quase imobilizado sentava-se, mas voltou os olhos para seus amigos, que começavam a ficar impacientes, rapidamente para não ser pego. Encarou Hongjoong com sua cara mais inquisitora, ao que o mais velho deu de ombros.

– Tecnicamente, Yunho está certo. Já esperamos o suficiente e podemos alegar que pensamos que não haveria mais aula, se o professor realmente aparecer.

– Hyung! – exclamou dramaticamente Wooyoung, completamente chocado com a falta de moral e ética que seu amigo mais certinho apresentava. 

Hongjoong, que se encontrava mais perto da porta de saída, como se liderasse o bando para uma jornada inesperada, voltou em seus passos até alcançar Wooyoung e segurá-lo pelo colarinho de sua camisa social padrão de uniforme, sacudindo-o com força, mas ainda assim com cuidado para não machucar. 

– Jung Wooyoung, eu preciso dormir! Não ouse me julgar! – olhos vermelhos e arregalados completava o quadro quase neurótico que Hongjoong formava. 

– Ele perdeu feio na rankeada ontem. – a voz distinta de Mingi soou num sussurro, fazendo Yunho ao seu lado ter que abafar um riso, mas Wooyoung não conseguiu abafar riso nenhum, fazendo o olho esquerdo de Hongjoong tremer num tique de nervosismo que só acentuava seu desespero.

Enquanto isso, as pessoas presentes na sala de aula seguiam suas vidas normalmente, já acostumadas com o comportamento “extravagante” do grupo.

– Okay. Já chega. Vamos! – Yunho tomou a dianteira do grupo e tirou Hongjoon de perto de Wooyoung, prosseguindo em arrastá-lo para fora da sala, sendo seguido por Mingi – excitado em fazer algo tecnicamente ilegal –, Jongho – parecendo mais interessado no pequeno jogo eletrônico em suas mãos – e, por fim, Yeosang – que lançou um olhar desconfiado e preocupado para seu amigo de longa data. 

Wooyoung, no entanto, respondeu a preocupação estampada no rosto de Yeosang com um sorriso de lado e um dar de ombros, voltando seu olhar para o livro aberto em sua mesa como se soubesse do conteúdo em suas páginas.

Yeosang era um bom amigo, mas não um muito insistente, o que na verdade Wooyoung apreciava bastante. Portanto, em não muitas passadas, a sala 8-Z se encontrava livre de todos os amigos do garoto, e Wooyoung encontrava-se finalmente sozinho – em um senso muito distorcido da palavra – com o garoto de seu interesse.

Bom, não desse jeito, mas…

Você entendeu!

Então, seria agora, certo?! O momento esperado por todos – por Wooyoung somente. Porque no fundo de sua alma, Wooyoung sentia como se esse fosse um daqueles momentos que, se não fosse agora, provavelmente nunca aconteceria. E era nessas horas que o garoto loiro gostava de simplesmente parar de pensar e agir por impulso. Era mais fácil se preocupar com o presente do que com o futuro.

E, com isso, Wooyoung já se encontrava erguido, o livro de álgebra em suas mãos,  e seus pés caminhavam rápido para o destino almejado, mas seu olhar se encontrava pregado na carteira na frente de San, numa tentativa de preservar uma expressão indiferente. Sentou-se na cadeira de madeira como se seu lugar sempre tivesse sido ali, virou seu torso de lado e apoiou seu braço nas costas da cadeira, tudo num movimento fluido e rápido, e sorriu rumo ao garoto que… Ainda estava de cabeça abaixada, parecendo não ter sido nem um pouco perturbado pela agitação em sua frente. Sinceramente, Wooyoung não sabia se sentia aliviado ou não.

Recuperando-se do choque inicial, um pigarreio vindo do Jung foi o suficiente para fazer a cabeça de San se levantar e Wooyoung ter pela primeira vez aquele par de olhos diretamente direcionados a si. 

Okay.

– Oi. – iniciou a conversação.

Um breve silêncio se seguiu, onde Wooyoung teve tempo o suficiente para se arrepender de todas as suas decisões desde o seu nascimento até o presente momento, mas, ainda assim, não deixou o sorriso amigável cair de seus lábios. Choi San o encarava como se estivesse analisando a situação a sua frente, como se Wooyoung tivesse falado em outra língua com ele, ou pior, como se o garoto loiro tivesse três cabeças, mas ninguém tivesse tido tato o suficiente para lhe avisar sobre tal fato antes, mas San parecia prester a lhe abrir os olhos.

– Oi. – era uma resposta muito simples para um silêncio tão grande, Wooyoung achou. 

– Meu nome é Jung Wooyoung. – uma respiração depois, conseguiu se apresentar. 

– Eu sei. – respondeu indiferente e, sem dar a chance de Wooyoung processar o que aquela resposta poderia significar, prosseguiu: – Meu nome é Choi San.

Nesse momento, Wooyoung se encontrava perdido e com todas as suas expectativas sobre como seria sua primeira conversa com o outro garoto completamente frustradas.

– Eu sei. – resolveu devolver. Percebeu que já havia ido longe demais para se abalar. Entrando no jogo de San, Wooyoung virou-se ainda mais em seu assento, apoiando seu queixo sobre a palma de sua mão e devolvendo o olhar direto do outro. – Você não é muito de falar com os outros.

– Sim.

– Por quê?

– Eu não sei.

– Eu quero te conhecer mais.

– Okay.

– Okay?

– Sim.

Wooyoung semicerrou seus olhos. O que era aquela interação? Por que San não desviava o olhar? Mas principalmente, por que ele estava gostando tanto daquilo?

– Então, me diz um segredo.

– Hm? – pela primeira vez, San não parecia seguro sobre o que dizer, ou era o que a sobrancelha preta arqueada sugeria.

– Um segredo. – repetiu. – E aí eu te conto um também. Não podemos contar pra ninguém, óbvio. E vamos ser obrigados a manter contato um com o outro, pra checar se a outra pessoa espelhou o segredo ou não. – parecia o plano perfeito.

De repente, algo aconteceu. E o mundo de Wooyoung deu uma volta, pequena, mas ainda significativa. O canto direito dos lábios finos e bonitos de Choi San se levantou e aquilo era um sorriso, só podia ser um sorriso, por mais contido que tenha sido. E aquele lábios formaram uma palavra, e se toda a atenção de Wooyoung não estivesse focada neles, provavelmente teria passado em branco. 

"Fofo", Wooyoung pensou ter ouvido. Mas talvez era melhor não pensar muito nisso.

– Okay. – com movimentos calmos e leves, Choi San se colocou em sua melhor pose de pensador: olhos semicerrados, mão esquerdo no queixo pontudo, testa franzida, lábios num biquinho. – Todas as noites eu durmo com o meu bichinho de pelúcia, o nome dele é Shiber. – revelou, por fim.

Três segundos foi o exato tempo em que Wooyoung conseguiu se segurar antes de começar a rir. A risada não era a mais alta que já dera em sua vida, mas como seus amigos mesmo costumavam dizer que Wooyoung não sabia a definição de "baixo", o som ainda fora o suficiente para virar algumas cabeças em sua direção. Mas logo a graça morreu em seu peito quando percebeu que sua euforia poderia ser mal interpretada por San.

– Eu não 'tô rindo de você! Eu juro! É só que isso me pegou um pouco desprevenido. Eu pensei que você ia falar algo menos importante, mas… Na verdade, eu achei uma gracinha. – concluiu com seu sorriso mais galanteador. 

San, que ainda mantinha sua expressão mais neutra possível, apenas concordou com a cabeça.

– Tudo bem. Mas agora você tem que me contar um segredo tão embaraçoso quanto o meu. – sentenciou sem piedade.

Os olhos de Wooyoung se arregalaram, seu rosto mostrando preocupação. Tudo bem que tinha sido ele a sugerir essa troca de segredos, mas agora, justamente na sua vez de compartilhar parte da sua vida com San, Wooyoung se encontrava sem saber o que falar – o que não era algo de seu feitio. Para piorar a situação, o garoto ainda havia elevado muito o nível do jogo.

– Hm… – respondeu incerto, ainda pensando sobre o quê falar. De repente, uma lâmpada se acendeu sobre sua cabeça, mas sentiu suas bochechas esquentarem em contrapartida. Deveria contar ou não? Antes que pudesse pensar muito sobre, revelou: 

– Ano passado, a escola da minha irmã mais nova resolveu encenar O mágico de Oz, e ela conseguiu o papel de Dorothy. Mas no dia da apresentação, a criança que deveria ser a bruxa Glinda pegou sarampo. Não tinha ninguém pra substituir ela, começaram a falar em cancelar a peça e minha irmã começou a chorar sem parar. Até que o idiota do meu irmão mais velho sugeriu que eu fosse a Glinda. – pausou para respirar, mas não teve coragem  o suficiente para checar qual emoção preenchia o rosto de Choi San. – "Ele sabe todas as falas!", meu irmão basicamente gritou e acontece que eu realmente sabia porque a Hani me fez praticar com ela todos os dias. De repente, minha mãe, minha irmã e a professora que dirigiu a peça começaram a me olhar e eu sou fraco, portanto, cedi. Um vestido de debutante velho e algumas camadas de maquiagem depois, eu fui a Glinda. E acredite ou não, a peça foi um sucesso. – faltava apenas um pedaço de informação, para que terminasse de cavar sua própria sepultura. – Minha mãe tem tudo gravado.

Quando finalmente decidiu parar de encarar o chão, os olhos de Wooyoung encontraram o sorriso mais bonito que havia visto em muito tempo, provavelmente de todos os tempos. Os olhos, que normalmente já não eram tão redondos, se tornam quase felinos, em ambas as suas bochechas pequenas covinhas se revelam – o que Wooyoung não fazia ideia da existência, mas ao mesmo tempo talvez seu mundo não seria o mesmo sem aquela visão. Seus lábios, tão rosados e perfeitos faziam a respiração de Jung automaticamente cessar e voltar com muito mais força. 

Tudo bem. Talvez ele estivesse exagerando um pouco.

Ou talvez não…

– Pode rir da minha completa ruína, sem problemas. – decidiu se fazer de magoado, numa tentativa desesperada de esconder seu rosto corado.

– Desculpa, mas essa é a história mais fofa que já ouvi. Eu quase consigo imaginar… – San falava enquanto aquele sorriso brilhante ainda brincava em suas feições.

– Não imagine!

– Então, eu posso ver?

– O quê?

– O vídeo! – e Wooyoung nunca se sentiu mais arrependido, mas também sentia um sorriso incontrolável crescendo em seus lábios.

– De jeito nenhum. Aquele vídeo nunca vai ser visto por ninguém dessa escola! – assim que terminou de falar, sua voz foi sobrepujada pelo coro de alunos restantes na sala de aula, cumprimentando o professor que havia acabado de ultrapassar o arco da porta.

Como um acordar abrupto no meio da noite, os dois garotos parecerem retornar a realidade com aquela interrupção. O sorriso de San já não estava mais presente, substituído pela expressão séria que normalmente exibida, parecendo desinteressado em qualquer interação.

Wooyoung, então, se virou em sua carteira, ainda atordoado, mas definitivamente satisfeito com os resultados de sua investida não planejada. Abriu descuidadamente o livro a sua frente, fingindo prestar atenção em qualquer coisa que o professor atrasado falava enquanto sua mente rodava.

Repentinamente, uma certeza se instalou em seu peito. Apenas observar Choi San de longe nunca mais seria o suficiente para Wooyoung, que agora possuía uma nova fascinação: fazer San sorrir. 


Notas Finais


Caramba. Eu postei.
Bom, eu diria que essa história é algo bem pra mim mesmo. Um capricho pessoal. Provavelmente vai ter tudo aquilo que eu sempre busco em fanfics woosan, por exemplo, WOOSAN SENDO FOFINHO UM COM O OUTRO, entre outras coisas.
Se uma pessoa já ler eu vou ficar shocked, então, valeu única pessoa que leu isso daqui.
Se acharem erros, no futuro concertarei.
É isso, boa noite, obrigada por ler (gente, eu não sei o que dizer)


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