História Love is On The Radio 2 - Edição Shawn Mendes - Capítulo 6


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Categorias The Flash
Personagens Barry Allen (Flash), Dra. Caitlin Snow (Nevasca / Killer Frost)
Tags Barry Allen, Caitlin Snow, Snowbarry
Visualizações 229
Palavras 5.283
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção Científica, Musical (Songfic), Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Me perdoem pela quantidade de palavras. tentei ser o mais curta possível hahaha

Capítulo 6 - "Never be alone"- por AndyLouiseAllen


 

Barry sorriu ao ouvir a voz dela totalmente direcionada a ele, fazia tempo que aquilo não acontecia. Se lembrava dela e de seus muitos argumentos a respeito de todas coisas, das mais banais as mais relevantes. Ela sempre tinha uma opinião, sobre absolutamente tudo.

 

­- Você é um idiota, Barry Allen! ­ Disse Caitlin quase diplomática, jogando o guardanapo sobre a mesa e se retirando, dessa vez chamando totalmente a atenção dos adultos que pararam a sua conversa, os encarando assustados.

 

Caitlin seguiu em direção ao grande mirante que ficava pouco depois da sala de estar da suntuosa mansão recém construída de sua família.

Não tinha a mínima vontade de voltar para aquela mesa, muito menos de continuar a ouvir a voz de Barry, ou de ver aquele sorriso idiota novamente. Mas não foi exatamente o que ela conseguiu.

 

Quando Barry se aproximou meio sem jeito, com a mão direita coçando a nuca e um sorriso tímido na face, ela poderia jurar que sabia exatamente o que diria a seguir.

 

­ - Aqui é lindo! -­ Disse Barry,  se aproximando e ficando ao lado dela, que a essa altura já estava sentada sobre o guarda corpo de mogno. Totalmente exposta a uma queda do segundo andar, mais ainda assim, aparentemente nada preocupada.

­ - Eu preferia a antiga - ­ Desabafou, com o olhar e mente totalmente preenchidos pelo lindo céu de estrelas brilhantes que reluziam sobre o largo lago, lhe dando um brilho ainda mais especial. -  ­ Ficava mais perto de você ­ - Concluiu agora ignorando tudo ao seu redor e se focando apenas nele e em seus olhos surpresos.

­ - Caitlin, pensei que você já tivesse entendido que eu não...

­ - Eu amo você, Barry. ­ - O interrompeu despejando todos os seus sentimentos em cima do pobre garoto que a cada segundo parecia mais pálido e assustado

 

Barry não sabia o que dizer. Apesar de Caitlin por vezes fantasiar durante a infância que havia um relacionamento maior entre os dois, ele jamais tivera a intenção de sequer pensar nela daquela forma.

Era apenas, Caitlin, a garota louquinha, dona uma sutil dupla personalidade, antes bastante frequente, nada mais.

 

­-  E você não me ama. Eu vejo como você olha pra Iris - ­ Continuou desviando o olhar do dele e voltando a sua atenção para o lago.

­ - O que? – Disse se perguntando se naquela luz Caitlin podia perceber o quanto ele estava corando com a simples menção do nome de Iris.

­ - Você me acha louca que eu sei. Eu ouvi quando você disse

 

Barry abaixou a cabeça e se lembrou do dia que mais se arrependia. Do último dia ao qual Caitlin havia lhe dirigido a palavra até aquela noite. Da briga que tiveram no vestiário masculino, e das palavras que a finalizaram

 

“ Você é louca e eu não aguento mais você na minha vida”

 

Barry sempre soube que Caitlin não era como as outras garotas. Sempre soube que ela era diferente, singular.

Alguns chamavam de hiperatividade, outros de autismo e havia simplesmente os que dissessem que ela era louca.

Mas Barry não a rotulava. Aos sete anos, tudo o que ele sabia em relação a Caitlin, era que ela era a sua melhor amiga, a pessoa que lhe fazia rir até as bochechas doerem e que lhe metia nas mais inusitadas confusões. Era a sua pessoa favorita até em seus piores dias, quando em meio a uma crise, a única coisa que resolvia era assistir ao filme da pequena sereia. Barry sabia todas as falas e todas as músicas, mas nunca soube ao certo quantas vezes assistiu aquele filme, havia perdido as contas muito antes de aprende a contar.

 

Aos oito anos, durante uma foto que sua mãe tirava dos dois, Caitlin fechou os olhos e o beijou. O momento eternizado em foto, a qual Caitlin amava e Barry se envergonhava. Naquele tempo ainda achava nojento o fato de adultos se beijarem, quanto mais ele e sua melhor amiga.

 

Juntos, tiveram o melhor que a infância podia os proporcionar, moravam perto, estudavam na mesma escola, ambos não tinham amigos. Havia apenas um ao outro e por muito tempo isso bastou.

Mas então, o monstro da adolescência apareceu, apenas para ele, talvez, que aos poucos foi deixando de achar incrível as coisas que ela fazia, que com mais tempo foi desejando ter outros amigos além dela, foi se envergonhando de seus atos exagerados e simplesmente da forma um tanto diferente de ser de Caitlin.

Sutilmente passou a evita-la, principalmente quando ela falava em público o seu apelido que apenas ela o usava “gatinho” detestava aquilo e quando enfim teve coragem de lhe falar, ela ficou furiosa, lhe empurrou em uma poça de lama e pôs formigas em seu almoço por quase uma semana, e então, um dia, antes da aula, as fatídicas palavras haviam saído de sua boca.

 

Ainda lembrava da feição de tristeza com a qual a viu deixar aquele lugar. Sabia que havia machucado os sentimentos de sua melhor amiga e que talvez, aquilo nunca cicatrizaria, em nenhum dos dois.

 

 

­-  Eu realmente sinto muito pelo o que disse. Você pode me desculpar? ­ Pediu quase implorando, precisava que ela o perdoasse, dois anos haviam sido tempo suficiente para ele perceber o quão impossível e maçante era viver sem doses diárias dela em sua vida.

­ - Eu gosto da Iris. - ­ Disse Caitlin como se a pergunta de Barry jamais houvesse sido pronunciada. Como se aquele dia jamais houvesse existido.

Barry a conhecia bem, sabia o quanto ela se sentia desconfortável falando de coisas que a deixavam triste. Sempre fugia para o assunto mais distante possível. Sorriu ao constatar que ela continuava igual.

­-  Mas, sabe, minha mãe me disse que todo mundo é louco. Só que as loucuras de cada um são diferentes. Talvez a Iris seja tão louca quanto eu, e você só goste mais do tipo de loucura dela que do meu e por mim tudo bem.

­ - Você, você, como?...

 

E lá estava ele novamente, o mesmo de sempre, tonto com o excesso de palavras que ela dizia. Confuso com o como era possível ela notar o que ele mal entendia.

 

­- Eu topo ser a sua melhor amiga novamente, Barry Allen! ­ - Ela disse se aproximando e sorrindo tão largo que seus olhos se reduziram a meros risquinhos.

 

Sem que Caitlin precisasse falar, Barry soube naquele momento que ela havia o perdoado, que as coisas enfim voltariam a ser como antes.

 

Ser amigo da versão adolescente de Caitlin Snow era ainda mais divertido, empolgante e perigoso que de sua versão criança. Todos os dias Barry se perguntava como conseguiu passar tanto tempo longe daquele sorriso e olhos encantadores.

 

Caitlin era como um raio de sol, onde chegava era amada, era como se toda a escuridão do mundo fosse reduzida a pó pelo simples fato dela viver sorrindo. Sorria para estranhos, ajudava quem precisava. Se oferecia para os mais aleatórios trabalhos voluntários, doava parte de sua mesada para um estranho que dizia querer voltar para o seu planeta, criava teorias sobre tudo e todos, embarcava em aventuras que por vezes Barry tinha que lhe resgatar.

 

Dançar sem medo, cantar alto as músicas que gosta, mesmo não tendo talento para isso.

Ela não se importava. Todos eram loucos, só não como ela, cada um a sua maneira.

Barry se sentia envergonhado por vezes, mas também extremamente honrado por tê-la por perto. Sabia que por de baixo daquela loucura toda ela era a pessoa mais doce e incrível do mundo.

Juntos viviam aventuras que qualquer um poderia julgar não existir. Mas Caitlin sempre dizia

 

“Não quer dizer que não seja real só porque está em sua mente. Existe um universo de possibilidades que a maioria se recusa a vê “

 

Demorou alguns meses para Caitlin decidir que apenas ela e Barry era pouco, que precisavam de mais amigos. E então, foi quando Cisco apareceu, e assim sem mais nem menos em uma fila para assistir a um fã filme de Star Wars , que por insistência dos dois seria exibido em uma única seção no cinema da cidade, Caitlin chamou Cisco para a festa de aniversário de dezesseis anos de Barry, que obvio a julgou ainda mais maluca por ter convidado um completo desconhecido para ir a sua casa em uma festa onde os únicos convidados eram ela e seus pais.

Cisco, é claro, sorriu e topou na hora.

Naquele momento Barry até se perguntou se de repente a “loucura” de Cisco era como a de Caitlin. E por aquele motivo, talvez, acabou demorando um pouco mais de tempo para gostar do latino que era quase tão divertido quanto sua melhor amiga.

 

Duas semanas depois, Caitlin durante uma aula de defesa pessoal, acabou acidentalmente quebrando o braço de Eddie. Para se desculpar ela foi todos os dias até a sua casa depois da aula para lhe levar a matéria e alguma felicidade, como ela mesma costumava dizer quando a questionavam sobre as longas tardes que posava por lá. Na verdade, ela passava mais tempo conversando com a avó de Eddie que como ele, mas mesmo assim, assim que Eddie voltou para a escola ele, Caitlin, Cisco e Barry, definitivamente eram os melhores amigos.

 

No final do segundo ano um novo aluno chegou no Colégio tirando totalmente a paz de todos. Em especial Caitlin, que todos os dias tinha de ouvir piadas maldosas sobre absolutamente tudo nela.

Barry por vezes precisou se segurar para não brigar com Oliver, ou simplesmente pedir que Caitlin mudasse, para que aquilo parasse de acontecer. E era só então que percebia, que pedir algo assim era errado. Caitlin era como era e ele amava cada detalhe nela, até as coisas que lhe irritavam eram encantadoras, e então, não demorou muito para que Oliver percebesse isso também

 

Logo eram: “Caitlin e os seus quatro escudeiros. ’

 

Caitlin era como um imã, uma liga, ou uma religião da qual todos participavam, a qual mantinha todos juntos. Algumas das aventuras que viviam ficavam famosas, e até saiam em jornais. Como da vez em que foram presos, acusados de tráfico de drogas, quando na verdade, tudo o que carregavam eram sacos e mais sacos de farinha de trigo para jogar no carro do treinador que havia suspendido Oliver do time. Ou quando ignoraram todas as placas de perigo e pularam da represa desativada em pleno inverno. Havia também o surto de conjuntivite que todos podiam jurar que haviam vindo daqueles cinco, assim como o de piolhos e até o de catapora, apesar de nenhum dos cinco terem pego. Eles eram a confusão, e tudo de errado e ruim que acontecia, automaticamente era culpa deles. E eles adoravam a fama.

No aniversário de dezessete anos de Caitlin, diferente de absolutamente todos os anos anteriores, ela resolveu chamar a escola toda para a sua festa.

Jamais, Barry ou qualquer um havia ido em uma festa como aquela. A típica festa de princesa, só que no estilo livre, fino e ao mesmo tempo despachado que só Caitlin tinha.

 

Depois de muita dança e agitação, enfim começou uma música lenta, Barry de imediato a reconheceu, buscou Caitlin com o olhar até lhe avistar do outro lado do salão, rodeada por pessoas que ele não reconhecia, e só então, percebeu que ela procurava por ele também

Tinham que dançar aquela música.

­-  A nossa música, Barry. ­ Disse animada assim que ele se aproximou

­ - Essa festa não seria nada se não tivesse a nossa música, Cait. ­. Sorriu largo e estendeu o braço lhe convidando para dançar, e ela prontamente aceitou.

Os dois dançaram como se não houvesse mais ninguém ali, como se o mundo não acompanhasse a velocidade dos dois, como se todos, durante aqueles três minutos e meio fossem meros borrões desbotados.

 

Quando a música chegou ao fim , a banda seguiu com Give Me Love, e os dois continuaram a dançar, dessa vez seguindo a coreografia sugerida.

 

­ - Ela está linda essa noite!­ Sussurrou Caitlin em seu ouvido.

­-  Quem? ­ perguntou curioso, olhando para onde ela estava olhando.

­-  Iris

­-  Caitlin você tem que.......-  ­ antes que ele pudesse concluir a sua frase, ela o interrompeu dizendo:

 

­ Eu disse pra ela que você a ama.

 

Barry não soube ao certo o que sentir, simplesmente não acreditava que Caitlin havia feito aquilo. Ela só podia estar brincando com ele.

 

­ - Sabe Bar, a vida é muito curta para você desperdiçar com medo de dizer o que sente para a garota que gosta.­ -Completou.

 

Ele sorriu incrédulo, enfim processando o que Caitlin havia feito.

 

­- E então você fez isso por mim? ­- Perguntou franzindo a sobrancelha e a girando, obedecendo a coreografia que todos seguiam no salão.

­ - Eu quero que você seja feliz!

­-  Legal, mas pra isso eu preciso levar um fora? ­ -Mais um giro­ - E o pior, transmitido pela minha melhor amiga?

­ - Ela disse que acha você um... -­ Se aproximou ainda mais e em seu ouvido, sorrindo, sussurrou - ­ "Gatinho". Claro que eu disse que ela não podia te chamar assim, afinal, esse seu apelido pertence a mim.

­ - O que? ­ - Sorriu incrédulo, não acreditando no que havia acabado de ouvir  -­ Espera ­  parou a dança ­ Então ela gosta de mim?

 

Caitlin franziu a testa, como quem não acreditasse na pergunta que havia lhe sido feita.

­ - Hellooooo - ­ Bateu com a mão em cheio na testa de Barry ­ -Todo mundo gosta de você.

­ - Não, todo mundo gosta de você.

­ - Mesma situação, dois pontos de vista, o meu é o certo. Agora vai, que ela está te esperando lá no mirante.

Barry não sabia se ficava feliz ou em pânico, só sabia que seria para sempre grato a Caitlin por aquilo. A abraçou e seguiu apressado para o seu ponto de encontro com íris. Deixando Caitlin para trás, com um sorriso forçado na face, mas com uma sensação de dever cumprido

 

(...)

 

Três meses depois daquela noite, Barry começou a notar que Caitlin já não andava a mesma. Era como se seu sorriso sempre largo e radiante tivesse perdido o brilho, seus olhos também já não tinham a mesma vitalidade de antes, ela vivia cansada e a cada dia mais reclusa. Recusava qualquer convite, independente de quem o fizesse, vivia faltando a escola, e quando perguntada sobre o motivo, fingia não ouvir. Por vezes suas brincadeiras beiravam a crueldade, como se aquela não fosse ela realmente.

Aos olhos dos outro ela parecia praticamente a mesma, mas para Barry, aquela ali definitivamente estava longe de ser a sua melhor amiga. sua doce e diferente Caitlin.

Sentia falta das loucuras de suas conversas sobre series, filmes e HQ`s, dos longos passeios de bicicleta, ou simplesmente de assistir com ela, pela milésima vez o filme da pequena sereia.

 

Sentia falta da verdade sobre ela. Sabia que ela não era exatamente uma pessoa fácil, que tinha dias bons e ruins, apesar de ele a entender em todos eles. Mas no fundo sentia que havia algo a mais, algo que ela parecia querer esconder dele.

E foi então que ele resolver tirar tudo a limpo. Precisava entender o que se passava, precisava de respostas.

Esperou que a aula de História acabasse e a surpreendeu a puxando para uma sala vazia.

 

­ - Oi Barry! ­ - Falou ajeitando os óculos de grau falsos

­ - Que droga está acontecendo ?

­ - Acho, que a guerra foi deflagrada pela perda de esperança do povo americano em seu próprio potencial. -­ Disse parecendo convicta de que era sobre aquilo que Barry estava falando. Do assunto que haviam visto ainda a pouco durante a aula.

­ - Caitlin, não brinca comigo. Eu estou falando de você e você sabe disso. Mas, que droga, Caitlin, porque você tem agido estranho nos últimos tempos?

Barry estava preocupado e ao mesmo tempo irritado. Era só mais um dos muitos efeitos que Caitlin tinha sobre ele.

­ - Eu sou louca, se lembra?

­-  Você não é louca!

­-  Sim, eu sou sim.

­ - Não, Caitlin, você só não é igual aos outros. Ninguém é igual, se lembra?

­ - Eu sou louca, está legal? - ­ Se aproximou mais dele, ajeitou o seu cabelo quase por cortar , e então continuou em um tom mais baixo, devido a proximidade recente ­ - E não adianta ficar fingindo, eu não sou ninguém especial, sou só uma garota louca que acaba chamando atenção demais.

­ - Quem te falou isso? ­ - Perguntou  segurando a sua mão -­ Tem alguém te incomodando? Porque se tiver me fala, que a gente resolve, eu resolvo, Cait. Só, por favor, volta a ser a Caitlin de antes.

- Esse é o grande problema! - disse visualizando pela janela, o mar que rodeava a escola.

 

Caitlin lutou para que as lágrimas não surgissem dando mais dramaticidade a aquele momento, mas falhou miseravelmente.

Limpou as lagrimas antes que Barry as visse.

­- Eu pensei que você fosse me esquecer.

­ - O que? Como? Porque eu faria isso?

­-  Porque agora você tem a Iris.

­ - Você tá brincando ne? Como eu poderia esquecer de você?

­ - Mas eu quero - ­ se corrigiu­ - preciso que você me esqueça, tá bem?

­ - Não, não está nada bem. Porque você não está falando coisa com coisa. ­ - Esbravejou soltando a mão fria de Caitlin. Em seguida coçou a nuca, virou de costas e seguiu em direção a porta - ­ Qual o problema em? - ­ deu meia volta e ficou novamente de frente para ela - ­ Eu alguma vez deixei você de lado desde que comecei a namorar com a Iris ? Você por um acaso não gosta mais dela?

­-  Eu adoro ela.­ Disse sendo sincera ­ Só que você fez tudo errado. O plano era você ficar com ela e me esquecer.

­-  Então quer dizer que tudo foi uma estratégia sua para me dizer que não quer mais ser minha amiga?

­ -É, é isso mesmo. ­ - ela Fingiu olhar o relógio de parece­ - E agora me deixa ir que meu motorista já deve estar me esperando. ­ Tchau Barry.

 

No dia seguinte e nas próximas duas semanas Caitlin não apareceu na escola, ou sequer atendeu as inúmeras ligações de Barry, o que só o deixava ainda mais confuso depois da última conversa que haviam tido. Sabia que aquela história de não querer mais ser sua amiga era só mais uma desculpa para esconder o que estava realmente acontecendo.Ele a conhecia bem e não desancaria até descobrir o que era. Estava determinado.

 

A dias seu relacionamento com Iris também já não andava o mesmo, a dias não se dedicava nas aulas ou nas atividades extras curriculares que participava. Terminou o namoro, foi suspenso por brigar com Ronnie, o primeiro e único cara com quem Caitlin já havia saído, e por fim, discutiu com os amigos, que tudo o que queriam era lhe ajudar.

 

O mundo parecia perder toda a graça se Caitlin Snow não estava ao seu lado.

 

Nora e Henry percebiam que o filho estava sofrendo, e sofriam também por terem a certeza que assim que Barry soubesse a verdade, sofreria ainda mais.

 

(...)

 

As batidas na porta eram tão constantes que Barry jurou matar o ser desprezível que estivesse por de trás dela. Se levantou e resmungou algo sobre ser sábado, quando na verdade era terça. Abriu a porta e lá estava ela. O motivo de seu mal humor e de sua recente insônia.

 

Vestida com um lindo casaco cor de rosa e galochas amarelas.

 

Caitlin mordeu o lábio inferior e em seguia sorriu como se não tivesse o evitado ou recusado todas as ligações dele nas últimas duas semanas.

­ - O que você ta fazendo aqui? ­ - Barry perguntou  rudemente.

­ - Precisamos, conversar, cabeça de repolho ­ - Cantarolou lhe entregando uma touca que imitava um repolho.

­-  NÃO!

­ - Você não gostou? ­ - Ela fez beicinho - ­ Droga, sabia que deveria ter escolhido a de alface pra você. Talvez o Cisco troque com você se você pedir com jeitinho.

­ - Você falou com o Cisco quando?

­ - Ontem a noite, assim que cheguei de viagem.

­-  Você estava viajando?

­ - SIM. Agora se troca, está fazendo um lindo dia lá fora e eu preciso caminhar.

­ - Okay, ­ - disse incerto -­ mas você ta ligada que é outono né ?

­- SIIIIIM, não é maravilhoso? Logo a neve vai estar cobrindo a cidade toda! Vem, vamos, você não precisa usar sua touca hoje.

 

Os primeiros minutos da caminhada foram silenciosos, nenhum dos dois sabia ao certo por onde começar. Assim que Caitlin abriu a boca para falar, Barry a encarou e sem ouvir se quer uma única palavra de que ela havia começado a dizer, a abraçou.

­ - Nunca mais faz isso ­ - Disse ainda a prendendo em seu abraço, disposto a mante-lá para sempre ali.

­-  Eu adoraria dizer que eu prometo, mas eu não posso, Bar.­ - Disse o fitando e findando o abraço, em seguida chutando algumas folhas secas que já se acumulavam no chão molhado.

­ - Porque ?

­ - Eu "estou morrendo" ­ - disse melodicamente

­ - Para de brincadeira, Caitlin.

­ - Você sempre concordou que dar notícias ruins cantando ameniza o peso das notícias. - ­ Ela fez careta e lhe deu um soco fraco no ombro esquerdo. Barry sorriu e então começou a lhe fazer cócegas, ela fugiu e começou a correr, sendo seguida por ele, é claro. Compraram um café e se sentaram em um banco molhado

­-  Serio Barry. Eu sei que deveria ter te falado antes, mas o que eu tenho aqui - ­ ela apontou para a sua cabeça-  ­ É tipo um bomba relógio exterminadora de Caitlin.

 

Barry a encarou, primeiro com raiva, chateado por ela estar insistindo naquela brincadeira idiota e depois com pesar, por perceber nos olhos dela que era sério o que ela vinha tentando lhe dizer.

 

Caitlin realmente estava morrendo.

 

E não havia nada que ele pudesse fazer para mudar isso. Ela lhe explicou. Não haviam remédios que não fossem paliativos, não haviam métodos ou simplesmente terapias e cirurgias que resolvessem o que estava aos poucos lhe matando, lhe tirando de si mesma. Contou sobre as viagens e todas as pesquisas de sua mãe em busca de alguma cura. Todas sem sucesso.

 

­" Eu simplesmente vou sumir..."

 

­ - A quanto tempo você sabe?­ Foi a primeira pergunta que fez assim que ela parou de falar sobre termos e coisas das quais o estava deixava ainda mais confuso.

­-  Não acho que seja relev...

­ - Quanto tempo, Caitlin?

­ - Eu descobri que estava doente aos doze. Já meus pais e seus pais descobriram quando eu tinha só quatro anos. Foi o seu pai quem ajudou a minha mãe a dar o meu diagnostico. Na época eles duvidavam que eu chegaria aos quinze anos. Então, tecnicamente, eu já tive mais tempo que o imaginado. E, isso é legal!

­ - Porque você não me contou?

­-  Foi quando você decidiu que não queria ser mais meu amigo. E então, vi ali a oportunidade perfeita de libertar você. O amor nunca é egoísta, nunca se esqueça disso, Barry.­ Disse forçando um sorriso que logo se transformou em choro.­ Bem, talvez ele seja um pouco. Me desculpa?

 

Barry então a abraçou, beijou o topo de sua cabeça e desejou poder dizer que tudo melhoraria, que ela ficaria bem, que ele a salvaria de qualquer coisa ou qualquer mal, que a protegeria, que a manteria viva. Mas ele não podia, de modo, que tudo o que conseguiu fazer foi secar as lágrimas de sua melhor amiga, sua pessoa favorita no mundo inteiro e dizer:

 

­ - Eu vou estar com você até depois do fim. Eu prometo que onde quer que você vá, eu sempre estarei ao seu lado.

 

Os dias que se seguiram foram dias difíceis. Barry todas as manhãs ao acordar, se questionava se estava vivendo um pesadelo. Desejava que aquilo tudo não fosse real. Mas infelismente, era.

 

“ É tão real quanto nos dois"

 

Dizia Caitlin sempre que ele comentava sobre estar vivendo um pesadelo. Sobre o como nada daquilo era justo.

 

Barry se sentia pesadamente triste, mas tentava não pensar tanto na futura perda de Caitlin e sim no tempo que os restava. Aos poucos começou a entender o que ela queria dizer com

“o amor não é egoísta.”

Ela o amava e havia literalmente o entregue nos “braços” de outra e apesar de não concorda, ele sabia exatamento o que Caitlin estava pretendendo com aquilo.

 

­ - No que você está pensando? ­ Perguntou Caitlin, lhe entregando um copo de chocolate quente durante a hora do almoço do último dia de aula daquele ano.

­ - No quanto você é convincente por me fazer sair nesse frio. - ­ Disse sorrindo, a vendo se sentar ao seu lado naquela escadaria fria que levava ao jardim da escola, que a essa altura já estava em um lindo tom de branco azulado, devido a forte nevasca que havia pego Central City em cheio naquela quase véspera natal.

­ - De verdade, Barry. O Cisco apostou que você está pensando na Patty, - ­ Caitlin apontou para a janela do corredor ao fundo e em seguida deu tchau a Cisco, Oliver e Eddie. Barry sorriu e repetiu o cumprimento - ­ Já o Oliver acha que você está pensando no presente que vai dar a ele no amigo secreto, e Eddie, bom, o Eddie não quis opinar.

­ - Primeiro, porque diabos o Cisco acha que eu estaria pensando na Patty? Segundo, o Eddie é a melhor pessoa entre vocês todos. E terceiro, você por um acaso contou para o Oliver que eu tirei o nome dele no amigo secreto?

­ - Talvez ­ - disse levantando os braços, fingindo se espreguiçar

­ - Sabia que você não ia aguentar ficar com essa boca fechada. ­ - Comentou sorrindo.

­ - Desculpa, é que você sabe que eu não lido bem sob pressão. ­ Sorriu e então completou ­ E ele me disse que se eu contasse quem você tinha tirado, ele seria uma das renas do presépio de natal que eu criei.

­ - Sabia que existiam outros interesses pelo meio.

­ - Você me conhece. Mas, agora me diz no que estava pensando de verdade.

­ - Em você. - ­ Disse sem ponderar absolutamente nada

­ - Barry, já disse que não quero que você fique pensando na minha doença ou na minh..

­ - Não estava pensando na sua doença. Estava pensando em você, na nossa vida e no quanto eu fui um idiota por não notar que eu também sempre amei você.

­ - Porque você ta me dizendo isso agora?

­ - Por que um dia uma garota esperta me disse que a vida é muito curta para você desperdiçar com medo de dizer o que sente para a garota que gosta. ­ - Disse tocando de leve com o dedo na ponta do nariz vermelho de Caitlin, que parecia mais tensa de que jamais estivera.

­ - Você... ­ - ela até tentou falar algo, mais foi calada pelos lábios quentes de Barry, que a beijava suavemente, como se ela fosse algo precioso, único.

 

E ela era, Para ele não havia ser mais precioso que aquele em sua frente.

Sua eterna melhor amiga e porque não, amor ?

 

Caitlin não sabia como dizer não. Sabia que era errado, que deixar aquilo acontecer era ir totalmente contra o que achava certo, mas não conseguia parar, não conseguia forças para se afastar do único garoto que amou, do momento com o qual tanto sonhou e que até naquele momento jurou existir apenas em seus sonhos.

­ - Não.­ - Disse interrompendo o beijo e o afastando.

­ - Porque? Eu te amo, você me ama...No final das contas a minha loucura prefere a sua e eu sei que a sua prefere a minha, voce vem me falando disso a anos. - sorriu se lembrando da primeira vez que Caitlin havia dito. ainda eram tão pequenos e puros que prontamente ele lhe respondeu "eu também".

­ -Seria egoísmo, Barry! E eu posso ser louca, mas eu jamais faria isso com você.

­- Egoísmo maior seria nunca viver o que sentimos. Seria desperdiçar o nosso amor por medo.

­ - Eu não quero machucar você. - disse ela sentindo a primeira lágrima .passear em sua face, logo em seguida sendo acompanhada por outras semelhantes.

­ - Porque você não entende que não se permitir viver isso, é me machucar? ­ - Ele a abraçou e então disse a palavra que nunca dirigia a ela, não desde que tinham oito anos e havia aceitado se casar, ter uma casa cor de rosa e três filhos com ela.      - ­ Você é a pessoa mais importante do mundo pra mim, "é a minha gatinha".­ Cantarolou o final, por sorte, muito mais afinado que Caitlin, que entre as lagrimas sorriu, sentou em seu colo e lhe roubou um beijo. Barry estava a beijando e enfim havia notado o que ela sempre soube, estavam dispostos a enfrentar tudo por mais beijos como aquele. Por fim, ela percebeu que Barry tinha toda razão, egoísmo mesmo, seria não viver o amor ao qual haviam sido destinados.

 

(...)

 

Dentro da escola, Cisco e Oliver entregaram cada um, uma nota de dez dólares para Eddie, que, havia sim opinado, havia apostado que Barry estava pensando em Caitlin, por que obviamente ele a amava.

 

(...)

 

 

 

­ - Você nunca estará só, Barry.­ - Disse entre os bipes dos monitores

­ - Eu sei que há algumas coisas sobre as quais precisamos falar. -­ Barry até tentava falar, mas estava com a voz embargada devido as lágrimas. Sempre soube que nunca conseguiria dar adeus.­  -Você não precisa falar nada agora, Só descansa. Está bem ? -  ­ depositou um beijo em sua testa

­ - Quando sentir a minha falta, feche os olhos. Eu posso estar longe, mas nunca fui embora, porque eu sempre estarei com você.

- Eu te amo.- ELa sabia que em parte, aquela era a ultima vez que falaria aquilo. Suas palavras favoritas direcionada a ele.

- Eu te amo.- Ele sabia que nunca mais essas palavras teriam o mesmo significado. A beijou de leve, com o mesmo amor e ternura que havia feito naquela escadaria molhada a quase um ano atrás.

“Você nunca estará só”.

Cantaram quase que inauddivelmente em uníssono, sendo separados pela certeza mais constante de todas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Alguns meses depois

 

­- Olá estranha.­ - Disse Barry, com um sorriso tímido

­-  Quem é você ?­ Perguntou parecendo incomodada.

­-  Apenas o amigo de uma amiga. ­ - Respondeu com tristeza, de fato constatando que sua Caitlin havia partido.

 

 

Caitlin havia partido, pelo menos a sua consciência original. Não havia mas nada de sua amiga louquinha naquela que estava sobre cama de hospital, a não ser seu corpo, mas, principalmente os olhos e sua intensidade ínfima.

Era uma nova pessoa, totalmente em branco, totalmente diferente do seu primeiro amor.

Barry havia prometido a Caitlin que a protegeria, e assim faria, mesmo sabendo que aquela nunca seria de fato a sua Caitlin. nunca seria seu primeiro e inesquecível amor.


Notas Finais


Mais uma vez participando desse projeto com esses escritores multitalentosos, dos quais sou inteiramente admiradora.
Espero que tenham gostado do conto. Tentei trazer um enredo totalmente diferente ao do clipe.
Me digam o que acharam. me contem vaaaaai. Adoro quando voces interagem.


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