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História Love Letter - Capítulo 7


Escrita por:


Notas do Autor


PLAYLIST:

1 - When the party's over - Billie Eilish
2 - Stone Cold - Demi Lovato
3 - Toxic - Britney Spears

Capítulo 7 - VII - When the party's over


Fanfic / Fanfiction Love Letter - Capítulo 7 - VII - When the party's over

 When the party's over 


A chuva caía de forma ritmada e irritante demais para os ouvidos de Jinyoung. Encostado na janela do ônibus, o Park se mantinha o mais isolado possível dos outros passageiros. Os fones bem colocados em ambos os ouvidos enquanto alguma música que ele sequer gostava era reproduzida. O volume abaixo apenas para não ser obrigado a ouvir a voz chata daquele cantor solo que ele nunca ouvira falar, mas que os meninos do time insistiam em dizer que era o melhor de todos.


Ajeitou-se melhor sobre o banco desconfortável e suspirou cansado enquanto esfregava um dos olhos. Sentiu o celular vibrar em seu bolso e apertou o botão solitário do lado direito apenas para verificar o que era pela barra de notificações. Era uma mensagem de Yeeun. 


Sua noona sempre estava ocupada naquele horário. Era bastante cheio e ela, como pediatra, não poderia deixar de atender alguma criança reclamando de dores na barriga causadas pelo simples fato de não ter lavado bem as mãos. 


[19/05 , 18:22 ] Noona : Jin! Comeu alguma coisa ? Já está em casa? 


Ele havia comida pela manhã antes de sair do apartamento que os dois dividiam perto da antiga universidade da Park. Era pequeno e só cabiam eles dois e alguns móveis. 

Depois do ocorrido de alguns anos atrás, a família Park havia se tornado um misto de ausência e negligência. Jinyoung negligenciava a si mesmo e Yeeun era mais ausente do que esperava ser. Infelizmente os planos para o futuro dos dois irmãos não fora bem sucedido. Jin evitava contatar a outra parte da família enquanto a mais velha dizia que precisavam deles.


A verdade era que Jinyoung só queria esquecer do passado, de seu pai, de sua tia e, principalmente, de Park Jimin. Este último era o mais difícil, pois não podia evitá-lo tanto quanto gostaria pelos corredores da DHS. Não estava em condições de mudar de colégio naquele momento, precisava de uma formação numa escola boa e de renome se quisesse ter alguma chance de entrar em uma das SKY*.


A bolsa da DHS cobria 100% de suas despesas, o que já era generosidade demais do destino para ele. 


Abriu a porta do pequeno apartamento, deixando o tênis na entrada e a mochila sobre o sofá velho, porém inteiro da sala. Foi direto para o quarto, tirando a roupa do colégio e jogando-as de qualquer jeito sobre a cadeira giratória da escrivaninha juntamente com o cinto de couro sintético e gasto. 


Deveria comprar outro, pensou. Mas não tinha muito dinheiro sobrando aquele mês. O salário que recebia da loja de conveniência da esquina era pouco e deveria gastar de forma inteligente se quisesse ter alguns poucos wons sobrando para coisas bobas. A maior parte ia para as mãos de Yeeun, para ajudar com as despesas. O que sobrava iam para coisas básicas como passagem de ônibus, lanche e coisas que eram pedidas a cada aula diferente e uma idéia nova que um dos professoras tinham apenas para fazer seus alunos gastarem o dinheiro que, na maioria das vezes não eram seus. 


Entrou no box do banheiro e puxou a cortina de plástico, notando logo em seguida que havia um rasgo vertical. Bufou irritado, virando-se para a parede de azulejos que um dia foram brancos. O mofo e calcário haviam manchado toda a superfície. A água morna - única coisa que realmente achava que tinha de bom ali - caiu lentamente pelo corpo nu. Mesmo que tivesse se banhado no vestiário, nunca se sentia confortável para ficar ali por muito tempo com os outros atletas. Não queria ser visto.


Lavou o cabelo preto e grosso, usando uma quantidade mínima de shampoo, já que Yeeun era quem mais usava. Ele nunca se importou muito, lavaria até mesmo com sabonete líquido se não fosse por insistência da irmã. Terminou o banho minutos depois, saindo do banheiro com uma toalha na cabeça.


Foi em direção a sala, deixando um rastro de gotas pelo caminho. Se lembraria de enxugar depois. Decidiu que comeria alguma coisa que com toda a certeza consistia em um macarrão instantâneo que o Senhor Lee, seu chefe, o dava como uma cortesia. Eram na maioria das vezes embalagens de lotes velhos, com a validade próxima de acabar. Era algo comum, ele sabia. O velho homem também levava alguns para casa porque odiava desperdício. 


Acendeu o fogo, encheu a panela pequena com água e respondeu a mensagem da irmã. Quando viu as bolhas dentro do recipiente de tom meio dourado, abriu a embalagem, tirando o embolado seco em forma de círculo e o jogando com cautela na água quente. Cautela essa que não valeu de nada, acabando por fazer o líquido fumegante se agitar e espirrar em seu braço.  


– Droga! - praguejou e correu até a pia.


Esticou o braço, pondo-o debaixo do jato frio da água. Esticou o corpo para poder desligar o fogo. Já havia causado danos demais. Após alguns minutos, foi até o banheiro outra vez, abrindo o pequeno armário acima da pia. Pegou alguns algodões, pomadas e curativos. Voltou para o quarto e sentou-se sobre a cama bem arrumada. O lábio inferior preso entre os dentes, os olhos marejados.


Doía.


Doía como o inferno e ele só queria que aquela sensação incômoda fosse embora. Pequenos murmúrios escapavam, baixos e embargados. A dor não era apenas no braço. Era algo mais a fundo, antigo. Que estava ali enterrado a mais tempo do que ele se lembrava. Precisava externar de alguma forma, tinha medo de explodir com aquilo preso em seu peito, sempre subindo até a garganta, mas nunca saindo de verdade.


Era insuportável, corroía-o por dentro, sufocava. E era injusto. Tão injusto porque ele parecia o único que se sentia assim. Sentia-se puxado contra sua vontade para um lugar, uma situação, que não tinha nada a ver com ele e não era de todo uma mentira.


Park Jinyoung sentia mais do que qualquer um pudesse pensar. 


[...]


Yoongi puxou o ar com força quando sentiu as costas se chocarem contra o colchão duro do quarto. Estalou a língua de forma discreta, apenas para o brutamontes que se colocava sobre o seu corpo não ouvisse e decidisse que talvez mais agressivamente seria melhor.


O Mono era um bom lugar para espairecer, mas para encontrar uma pessoa que fodesse bem era uma outra história. Já era o segundo naquela semana, e de novo, ele parecia tão apressado que o Min mal tinha tempo de raciocinar. Se amaldiçoou por ter sido impulsivo e não ter analisado melhor quem era o cara que o estava cortejando com uma cantada barata no final de uma noite de terça-feira.


Sabia apenas que ele era universitário, tinha vinte anos e era obcecado por academia. E isso o fez querer socar a própria cara pois era de conhecimento geral que tipos assim eram horríveis entre quatro paredes. 


Sentiu a boca indelicada sugar de forma bruta a pele pálida de seu pescoço. Tentou de alguma forma afastar o outro dali, distraí-lo com um beijo, mas o desgraçado tinha algum fetiche por pescoços porque não saía dali de jeito nenhum. Até Yoongi murmurar algo em  desagrado e o amontoado de músculos entender que estava fazendo tudo errado.


Com um sorriso sem graça ele pediu desculpas, um pouco desajeitado, voltando a mirar os lábios convidativos do Min. Dessa vez, foi com mais calma, fazendo o menor gemer baixo, pela primeira vez gostando de algo de verdade. Puxou a camiseta preta para cima e levou a boca até um dos mamilos, sentindo as mãos grandes do Min quase arrancar seus cabelos.


Se chamava Kang Baekho, lembrou-se. Ele era legal, um pouco desajeitado, mas no fundo era alguém confiável. Eles se encontraram algumas vezes pelo bar, trocavam olhares, mas nunca de fato haviam chegado até onde estavam agora.


Algo despertou a curiosidade de Yoongi, fazendo-o puxar Baekho para cima, montando sobre ele, que já se encontrava quase nu. Fitou o rosto vermelho e o peito que subia e descia de forma ritmada. 


– Você é virgem ? - disparou sem rodeios.


Baekho arregalou os olhos e suas mãos pressionaram as coxas cobertas pelos jeans em um ato nervoso. Estava estampado em seu rosto como a pergunta o havia pegado de surpresa. Olhou para os lados, sem nunca encontrar os olhos felinos que o fitavam e esperavam por uma resposta.


– E-eu… - balbuciou sem saber o que dizer, mas optando pela verdade –  Sim.


Yoongi abaixou a cabeça e riu baixo. Voltou a olhar pro cara abaixo de si. Ele era mais velho, já cursava no ensino superior, tinha um carro e vinha de uma boa família. Conhecia seus pais e sua irmã mais velha, sabia que era um garoto submetido a coisas estressantes que qualquer um na idade dele passa para poder herdar uma empresa. Provavelmente já haviam escolhido uma noiva para si, com boa índole, escola renomada e postura impecável. Era sempre assim. 


O Min saiu de cima de corpo grande e se sentou de costas para o Kang, que se ergueu pelos cotovelos para fitar o mais novo. 


– Você está com raiva? - ele perguntou inseguro. 


Viu a fumaça branca sair pela boca pequena e notou o cigarro entre os dedos longos do menor. Engoliu em seco quando teve os olhos felinos em si outra vez. 


– Só estou pensando em uma forma de te foder gostoso. - sorriu quando o maior abaixou a cabeça envergonhado.


Apagou o cigarro minutos depois, voltando para onde o Kang estava deitado.  Beijou-o de forma desejosa e afobada, como se quisesse acabar com aquilo de uma vez. Não queria dispensar Baekho, mas também não queria ficar. Existia outra presença, um outro cheiro, que faziam Yoongi ter problemas para dormir. Mas este alguém parecia ocupado demais ou era só desatento. 


[...]


Jungkook sorriu largo ao ver a mulher mais baixa que si passar pela porta. Ela usava roupas escuras e justas, um sobretudo bege e óculos escuros. Os cabelos estavam soltos e o batom, sempre vermelho.


Lee Sunmi era uma mulher bonita, modelo veterana e dona de uma agência mediana. Divorciada e mãe de um filho só. Os 37 anos não eram vistos em seu rosto juvenil.


Ela lhe sorriu de volta, abrindo ambos os braços, esperando que seu pequeno Jungoo corresse para abraçá-la.


– Omma! - ele disse entusiasmado.


Ergueu a mãe que gritou para ser colocada de novo no chão e gargalhou  quando a mesma lhe deu um tapa no braço. Pegou as malas grandes e pesadas levando-as  para o quarto de Sunmi.


A casa tradicionalmente coreana se localizava num bairro chique, era a única com essa arquitetura. Sunmi apesar de ser uma pessoa engajada na moda e globalmente atualizada, ainda preferia alguns costumes de seu país. Não dizia não a um kimchi quando tinha oportunidade de comê-lo no exterior. 


Seus hanboks eram feitos sob medida, de seda. Coloridos e com detalhes digno de uma rainha. Era assim que se sentia sempre que os vestia.


– Onde estão seus amigos? Tae e Yoon? - ela perguntou depois de se sentar sobre a almofada, diante da pequena mesa.


– Yoongi-hyung saiu pra beber. - ele disse, despejando o líquido do chá numa xícara – Tae-hyung eu não sei, mas acho que deve tá se arrumando para mais tarde. 


– Mais tarde? Vai sair? - ela perguntou e levou a xícara branca até os lábios, soprando.


– Uhum. Tem uma festa que eles querem ir. 


Sunmi arqueou a sobrancelha. Jungkook normalmente não saía quando ela chegava de viagem. Isso a fez desconfiar.


– Existe algum motivo para você querer ir? - perguntou.


Jungkook abriu a boca e a fechou no mesmo instante quando percebeu que não tinha uma resposta. Pelo menos não uma que poderia dizer à  Sunmi. Pegou a xícara que estava sobre a bandeja, tomando um gole apenas para murmurar um 'aí' logo depois. Estava quente.


Ele se ajeitou mais sobre a almofada. Um pouco agoniado demais e ele sabia que a Lee estava ficando ainda mais desconfiada. Ela não era boba. Era sua mãe afinal. Conhecia-o bem demais para que ele escondesse algo facilmente.


– Eu estou preocupado com algo. Não quero falar sobre isso. - ele mordeu o lábio inferior e Sunmi assentiu.


– Tudo bem. Só lhe peço para não se meter em encrenca. - sorriu.


Jeon lhe retribuiu o sorriso e bebeu mais do chá. Sunmi lhe perguntou porquê Yoongi já estava bebendo a aquela hora e ele simplesmente riu. 


Yoongi era alguém imprevisível.


[...]


A noite era uma criança, Jimin continuava a dizer. A frase completamente velha e clichê que ele havia aprendido com o pai toda a vez que Chanyeol saía na adolescência. Estavam na casa de Yugyeom, algumas ruas acima da casa de Jin. Sua mãe estava fora e o pai nem ele mesmo sabia.


O Park terminava de alisar os fios rosas com a chapinha da mãe de Yug enquanto o Kim mais novo estava no banho. Jin estava jogado na cama vestindo uma calça de couro, uma camisa social branca e um chocker que havia pego emprestado com Momo depois que a loira fora atrás dele para saber como estava. Ela era tão legal que Jin se sentia mal por ter sentido ciúmes dela. 


– Hyung, acha que o Yug vai ficar com Jaebum de novo? - Jimin perguntou, deixando o objeto quente sobre a penteadeira. 


– Eu não sei, mas espero que não. - respondeu e se virou de bruços sobre a cama – Yug ficou muito mal da última vez, tenho medo que fique assim de novo.


Ambos suspiraram e voltaram ao que fazia antes. Yugyeom saiu do banheiro minutos depois, cantarolando alguma música de algum grupo feminino que era fã. Não falariam sobre aquilo na frente dele, era algo que os dois mais velho decidiram fazer. Protegem ele pelas sombras, sem que corressem o risco de magoar o Kim com suposições, sem provas.


Eles conheciam Im Jaebum e todo o problema que o cercava, mas Yug não. 


– Uau, hyung! - ele disse ao olhar para Jin – Você está tão lindo que eu quase tive um troço. - riu e pôs a mão sobre o peito, fazendo o outro rir também.


– E eu? - Jimin perguntou enquanto se levantava e dava uma volta.


Estava vestido quase como Jin, mas a camisa era preta, de seda. Havia uma corrente pequena e grossa em seu pescoço, e os fio penteados para trás. O mais novo enrugou os lábios, analisando ambos. A cabeça era movida num sinal positivo enquanto mantinha os braços cruzados.


– Perfeitos! - disse por fim e correu para se arrumar também.


Os três saíram da casa de Yugyeom às 21:30h, a idéia inicial era de se encontrarem ali, mas acabaram indo todos juntos para a casa de um deles. Seria mais rápido e sem o estresse de desencontros. 


Desceram as escadas do morro onde o mais novo morava, observando as luzes que vinham do centro. 


– Min-hyung, Jin-hyung. - Yug chamou a atenção dos dois.


– Hum? - Park murmurou e se virou para fitá-lo.


Jin estava a alguns degraus mais abaixo e também se virou. Viu a forma como o primo estava encolhido, como sempre acontecia quando ele queria contar algo, mas não tinha coragem.


Jimin foi até ele e pôs a mão em seu ombro, buscando incentivá-lo a falar.


– Eu preciso contar algo para vocês… eu- 


A fala fora interrompida pelo celular de Jimin. A música alta denunciava uma chamada, e ele estalou a língua, irritado. Era uma ligação de Chanyeol e ele não poderia estar menos desinteressado. Era sempre algum pedido de favor. Virou-se e começou a andar, discutindo com o irmão mais velho.


Seokjin não deixou de notar no semblante triste e indeciso de Yugyeom. Ele parecia precisar muito externar seus sentimentos. Cogitou retomar o assunto, mas o próprio acabou por sorrir largo e dizer que já estavam atrasados. 


Pegaram um táxi, porque ir de metrô parecia demorar demais quando algum grupo de idol resolveu passear pelas ruas de Seul enquanto filmavam algo. Os fãs estavam enlouquecidos e queriam chegar lá o quanto antes.


– Eu acho que vou vender o Chanyeol na internet! - Jimin exclamou irritado. 


Jin riu do amigo e deu dois tapinhas em suas costas. Yugyeom estava de pé, havia cedido o lugar a uma senhora. Estavam conversando sobre coisas banais quando algumas pessoas conhecidas também entraram no vagão.


– Jin! - Momo exclamou e foi ao seu encontro – Onde estão indo? - perguntou ao ver os três bem arrumados.


Bambam estava logo atrás dela, com Jackson ao seu lado que mexia no celular. Também estavam bem arrumados e com algumas sacolas nas mãos. Jin notou que o Wang tinha o rosto contorcido numa careta concentrada e algo em suas mãos lhe chamou a atenção, que logo foi retomada pela Hirai.


– Vamos a uma festa em Mapo-gu. E vocês? 


– Reunião de grupo no Rio Han. - respondeu e se sentou ao lado do Kim ao que um moço havia se levantado para sair. 


– Os meninos não te contaram? - Bambam questionou, confuso.


– Contaram o quê? -  Jin estava mais confuso ainda.


Bambam e Momo se entreolharam e a loira prendeu o lábio inferior aos dentes. O tailandês se virou para Jackson, buscando alguma ajuda, mas ele continuava distraído e alheio. Estalou a língua e se virou para o Kim mais velho. 


– Ah… É que-


– Hyung, é a nossa estação! - Jimin se levantou num pulo, puxando Yugyeom.


– Mas, o Bambam-


– Vamos! 


O Park parecia apressado, como se quisesse fugir de algo. Isso não escapou do olhar de Jin, mas ele decidiu não perguntar nada. Jimin sempre o contava tudo


Andaram por alguns minutos, passando por Hongdae e toda aquela gente. Ainda haviam algumas lojas abertas, restaurantes, bares. Mas o destino dos três amigos era a casa de Im Jaebum.


[...]


Hoseok esfregou o rosto ao que a água do chuveiro caía sobre sua cabeça. Estava com enxaqueca e sabia que não passaria tão cedo quanto gostaria. Usou a esponja para despejar o sabão líquido sobre e logo depois se ensaboar. 


Cheirava a chiclete e isso o fazia franzir o cenho em desgosto toda as vezes em que usava. Mas não podia contestar quando sua mãe e Jiwoo gostavam tanto daquilo. Seu pai nunca opinava sobre essas coisas e então ele se via sozinho contra as duas, já  que Hansung certamente ficaria do lado da mãe se pudesse falar.


Segurou o riso quando ouviu os murmúrios do pai sobre Jiwoo estar se tornando desobediente. Sabia que aquela era uma fase difícil e que a pequena havia puxado ao próprio pai. Hansung era calmo. Às vezes até demais, fazia Hoseok se desesperar por não ouvi-lo pela casa. Procurava em todo lugar para no fim achá-lo debaixo da mesa ou perto das escadas. 


Saiu do banho e vestiu algo leve, secou o cabelo e o penteou para trás com os dedos. Desceu as escadas e viu a família reunida para o jantar. Sentou-se a mesa e agradeceu quando a mãe lhe pôs o prato.


Enquanto comia, observava os outros ali presente. Seu pai sempre com alguns papéis. Sua mãe dando comida para Jiwoo, Hansung dormindo. Ele ali, na mesma cadeira.


Parecia tão monótono que o fez suspirar. O garfo preso entre os dentes, mastigando de forma vagarosa. 


Não fazia nada de diferente, não saía. Mas mesmo se quisesse não sabia onde ir. Não era convidado para as festas, também não tinha amigos no colégio. Tinha o clube do livro, aquele de xadrez ou até mesmo o de matemática. Ele fazia parte de todos os três, tinha seus colegas, mas nenhum era próximo.


Afundou um pouco na cadeira, pensando em como vivia a sua vida. No auge dos dezessete anos. Algumas vezes, se pegava pensando em como seria se ele fosse mais sociável. Se conseguisse conversar com alguém sem criticá-la mentalmente ou checar toda sua rede social pensando se seria realmente uma boa ideia tê-la por perto. Hoseok não era um maníaco, estava bem longe disso, mas já havia quase se metido com gente estranha por não procurar saber mais sobre ela. Era uma garota, ela sempre acabava na detenção por alguma razão que ele não sabia, mas que o levaram a procurar saber o motivo e, para sua surpresa, ela traía o namorado com um cara do clube de natação toda quinta na sala de projeção acima do auditório, o que resultava em ser flagrada por um inspetor. 


Bom, ele tinha uma lista mental de pessoas que pareciam legais e interessantes e, com certeza Min Yoongi, Kim Taehyung e Jeon Jungkook não estavam nela. Principalmente Min Yoongi. Este estava com toda certeza em sua lista de Pessoas Irritantes Que Devo Manter Distância.  



— Filho? — Min-Ah chamou sua atenção — Você está no mundo da lua hoje. — disse e riu quando Hoseok fez uma careta.


— Seu primo ligou, perguntou se queria sair com ele hoje. — seu pai tirou os olhos do tablete e dirigiu-se a si.


Jaehyun o chamando para sair ? Woah… Era realmente algo novo. Não que eles se odiassem ou algo assim, só que Jaehyun era de Incheon e quando saía não costumava chamá-lo porque sabia que Hoseok sempre negava. Contudo, desta vez, só dessa vez, Hoseok queria tentar algo diferente.


Sorriu um pouco tímido e contido em direção ao pai que já esperava por uma resposta óbvia e respondeu:



— Sim… 


— Ah, bom, você nunca quer mesmo e-


— Você disse sim?! — Min-Ah disse, alarmada.


Gong-Yoo virou-se para a mulher e depois para o primogênito erguendo as sobrancelhas, surpreso. A mãe de Hoseok estava tão pasma que quase pulou da cadeira, parecia até mesmo que ele havia sido pedido em casamento.


— Oh… Então ligarei para Jae. — Ele sorriu e viu o filho retribuir.


Hoseok jurou ter visto lágrimas brotarem nos olhos do pai.


[...]


A casa era grande. Havia um enorme portão de madeira e os muros eram relativamente altos. Tinha dois andares, um quintal imenso e uma piscina enorme. O interior era de cair o queixo, segundo Seokjin. 


Tudo bem organizado e as cores combinavam. Com certeza havia sido mobiliada por uma design de interiores, ele duvidava que um cara nos seus dezenove anos conseguiria fazer tudo aquilo sem por nem mesmo um pôster de algum clube de futebol ou mulher de biquíni.


Para sua surpresa, o próprio dono da festa era estudante de design. 


Ele, Jimin e Yugyeom estavam sentados em uma Chase Long preta, com uma mesa de vidro a frente cheia de bebidas e alguns petiscos. A música alta fazia o chão tremer e o Kim temia que o andar de cima viesse abaixo bem em cima da sua cabeça. 


Viu quando o tal Jaebum chegou, descendo as escadas, onde tinha algumas fitas amarelas dizendo que era proibido passar. Um amontoado de pessoas foram até ele para o cumprimentar e o moreno viu de soslaio quando Yugyeom mordeu o lábio inferior claramente desagradèavel. Não queria ver o primo daquela forma, mas sabia que ele não era fácil de convencer. Era um Kim afinal. Coçou a cabeça um pouco perdido e viu que Jimin não parava de mexer a perna num tique nervoso. 


Franziu o cenho e curvou as sobrancelhas olhando fixamente para o amigo que o notou logo em seguida.


— Que foi? – Jimin perguntou, alheio ao que fazia.


— Você tá mexendo essa perna faz meia hora. – ele suspirou e se virou para o Park — O que aconteceu ? 


Jimin ergueu as sobrancelha, como se tivesse sido pego de surpresa. Jin estreitou os olhos e inclinou a cabeça, sugestivo. O rosado sorriu nervoso e desviou o olhar. Ele escondia alguma coisa e Jin tinha certeza.


— Park Jimin-ssi. – Jin disse desconfiado — O que está me escondendo? 


— Escondendo? Eu? Nada, hyung. – riu forçado e isso fez Seokjin desconfiar ainda mais. Jimin pegou uma das bebidas sobre a mesa e bebeu, desviando o olhar para qualquer lugar que não fosse o rosto de Jin.


— Jimin eu sei que vo-


— Ya! Im Jaebum! – o grito alto de Yugyeom fez o mais velho se calar e se virar para olhar o primo.


Yug estava de pé, as mãos fechadas fortemente em punho, os dentes cerrados e as sobrancelhas vincadas. Haviam lágrimas em seus olhos. Jin desviou seu olhar para acompanhar o ponto onde os olhos de Yugyeom encaravam. Viu Jaebum, o dono da festa, abraçado a uma garota. Ela era bonita, seus cabelos eram pretos e ondulados, tinha olhos grandes e redondos, dentes como os de um coelho. 


Sua expressão mudou de confuso a completamente perdido quando viu o primo marchar para longe e rápido com o tal Jaebum indo atrás dele e deixando a garota para trás, também confusa. 


— Oppa! – ela gritou e depois coçou a nuca, sem entender nada.


[...]


Taehyung estava quase morrendo de tanto tédio. Yoongi estava atrasado e Jungkook não parava de se lamentar por ter deixado a mãe sozinha bem no dia em que ela voltou de viagem. Suspirou pesadamente e trocou a perna de posição, já estava começando a doer. A cerveja em sua mão já descongelava e molhava toda a sua palma, o deixando irritado. Apoiou a garrafa sobre a mesa de vidro e se esparramou sobre o chaselong, mexendo no celular. Era novo.


— Hyung, acha que o Yoon-hyung não vem? – Jungkook perguntou, agoniado. 


Tae revirou os olhos, não aguentava mais Jungkook. Se Yoongi não aparecesse logo ele provavelmente iria mandar o Jeon para casa. Certamente ele não era uma boa companhia quando sua mãe estava na cidade. Não porque Taehyung não gostasse, mas ele ficava extremamente agitado e não conseguia se concentrar em muita coisa. 


A área vip da balada estava calma, diferente da pista que fervia. Mono era sempre agitado em qualquer dia da semana, mas naquele em especial parecia mais. O Kim se levantou e foi até a imensa janela de vidro onde poderia ter uma visão melhor. Viu pessoas dançando loucamente, algumas flertando e outras quase fazendo o que deveriam fazer em quatro paredes ali mesmo. Com certeza não era um lugar apropriado para alguém com a idade de Jungkook, mas nada que uma influência e algumas notas não resolvessem. 


Tomou um gole da bebida que, agora, tinha em mãos. Uma taça de champagne, nada de novo. Viu de longe quando Yoongi entrou, passando primeiro pela pista, caminhando até o bar. Ele parecia agitado e Taehyung estreitou os olhos, principalmente quando percebeu os olhares não tão inocentes do barman para o Min. Uma careta surgiu em sua face, Yoongi não era de passar pela pista, ia direto para o camarote, e quando o fazia, era porque tinha algo acontecendo.


Quando virou-se para onde Jungkook estava, percebeu que o menor havia acabado de sair, provavelmente também viu o Min. Terminou todo o líquido de uma vez e deixou a taça em qualquer lugar, já revirando os olhos para a multidão de corpos que teria de enfrentar. 


Estalando a língua a cada segundo e sendo empurrado por corpos suados, Taehyung finalmente alcançou os dois amigos. Sua expressão tornou-se confusa e irritada ao ver que Yoongi já estava alterado. Ele gritava e tirava as mãos de Jungkook de cima de seu ombro com certa brutalidade. Segurou a mão do de fios verdes e este olhou para si com o olhar perdido, distante. Sorriu seco quando finalmente pareceu conseguir focar em algo e retirou o pulso magro do aperto dos dedos longos do Kim, bufando.


— Hyung. – Taehyung disse sério, olhando para o mais velho.


— O que é? – ele respondeu, rude.


O que aconteceu?


[...]


Jin estava completamente horrorizado. A cena que se desenvolvia a sua frente poderia ser facilmente algum roteiro podre de filme pornô. Um garoto estava deitado sobre a ilha da cozinha, apenas de cueca, um outro garoto com uma caixa de leite condensado em mãos deixava que o produto caísse sobre a pele amorenada e uma garota que sorria como o gato Cheshire se inclinava para lamber. 


A careta em seu rosto era engraçada e algumas pessoas riam de si sem que ele notasse. Tudo piorou quando o maldito portador do leite condensado derramou aquilo bem em cima da cueca do garoto. Meu Santo! Jin queria vomitar. 


Saiu da cozinha o mais rápido que podia. Xingava Jimin e Yugyeom a cada segundo por tê-lo deixado ali sozinho, ambos sumiram em um piscar de olhos. Caminhou meio sem rumo pela mansão acabando em uma varanda que dava acesso aos fundos. Notou que haviam poucas pessoas ali, era parcialmente iluminado e era muito bonito. Tinha uma piscina, uma mesa com cadeiras debaixo de uma tela e uma pequena fonte de água com uma torneira que o Kim podia jurar que custava tanto quanto a sua casa. 


Se aproximou da piscina, se deitando sobre a espreguiçadeira e esticando os braços. Olhou ao redor, contemplando o pouco de silêncio que havia ali e sentindo a brisa fresca de primavera acariciar seu rosto. Sacou o celular do bolso e abriu o Kakaotalk, enviando uma mensagem no grupo dele e dos outros dois patetas desaparecidos. 


[20/05 , 00:22 ] Jinie: Onde vcs tão?? Pqp nn vou mais pra nenhuma festa com vcs dois!


Irritado, ainda tentou ligar para um dos dois, mas logo se lamentando porque Jimin sempre deixava o celular no silencioso e Yugyeom certamente estava ocupado demais brigando com Jaebum.


Pensar nisso fez o moreno se sentar sobre a espreguiçadeira com o cenho franzido. Se Jimin odiava tanto assim esse cara ao ponto de ameaçar fazer algo contra, por que ele não fez nada quando Yugyeom gritou mais cedo?


Park Jimin certamente estava lhe escondendo algo.


[...]


 Yoongi cambaleava pelas ruas e às vezes acabava caindo sobre alguém que passava pela rua agitada. Hongdae naquele horário borbulhava de gente de todo canto do mundo. Taehyung já havia alcançado a cota máxima de paciência e já pedia para ir embora enquanto Jungkook desesperado ia atrás do Min apenas para ser empurrado para longe mais uma vez.


Era um cena que se repetia desde que o mais velho havia chegado. Ele mal havia falado com Tae e isso o deixou com uma pulga atrás da orelha. Todas às vezes que ele ficava assim, era porque tinha algo o incomodando ou alguém. E só de pensar na mínima possibilidades daqueles caras terem vindo atrás do Min outra vez o deixava furioso e temeroso ao mesmo tempo.


Ele sabia que seu hyung era maior de idade e sabia se cuidar sozinho, mas conhecia ele bem demais para saber como era frágil e por muitas vezes até indefeso. Contudo, Yoongi era orgulhoso demais e nunca aceitava uma ajuda vinda dele. Quando Tae descobriu, pediu para que não dissesse nada a Jungkook. Eles tinham um pacto silencioso sobre cuidar do Jeon sem que ele soubesse, ou simplesmente sem expor isso a ele.


Ele não precisava se juntar aos dois como parte do clube dos fodidos psicologicamente. 


— Onde está indo?! – Taehyung gritou ao ver Yoongi andar de mal jeito até um portal enorme.


Tocou o interfone e deu seu nome de forma embolada, mas que a pessoa do outro lado havia entendido, logo dando acesso a ele. Jungkook correr para segurá-lo quando viu que o mesmo iria cair por estar encostado no portão. Kim revisou os olhos e massageou as têmporas logo entrando junto aos outros dois. A casa era enorme e haviam carros estacionados perto da entrada principal e da garagem. Tinha tantas pessoas que ele pensou ter entrado em alguma boate diferente.


Logo viu o anfitrião descer as escadas depressa, ignorando o cumprimento do Min que bufou  irritado. Ele se desculpou e entrou em um dos carros dando partida logo em seguida. O som alto que vinha de dentro da casa não surpreendeu nenhum dos três recém chegados, na verdade parecia mais baixo que a música que tocava no Mono. 


Jungkook, com muita dificuldade, conseguiu deixar Yoongi sentado no sofá, mas ainda resmungando sobre não querer a ajuda do Jeon. 


— Sai! – Min empurrava as mãos de Jungkook para longe.


— Hyung, por favor, você tá mal desde que a gente se encontrou, você precisa ir pra casa. — A preocupação na voz de Jungkook fez o Min revirar os olhos. 


— Eu decido sobre o que eu preciso, Jeon. – o seu tom era duro e seco — Vai se divertir com alguém e me deixa em paz! – deu um tapa no braço do outro vendo-o acariciar a região atingida e se virar para pegar um dos petiscos sobre a mesa de vidro.


Taehyung se sentou ao lado do mais velho, pondo sua mão sobre seu ombro. Seu olhar era sério e Yoongi sabia que viria algum sermão então bufou e revirou os olhos com uma expressão entediada. 


— Hyung, ouve o JK. Você tá bêbado desde cedo, eu sei, não tente negar. – Yoongi estalou a língua e isso foi uma confirmação para o Kim — Yoongi, vai pra casa, vou ligar pra tia Yeri e-


— Não! Nem ouse ligar pra minha mãe, Taehyung! – ele parecia atordoado e isso preocupou ainda mais Jungkook. 


Taehyung respirou fundo, abaixando a cabeça por alguns segundos até levantá-la e fitar o amigo de forma séria e cansada. Lidar com Yoongi quando ele brigava com a mãe era algo que pedia muita paciência, principalmente porque o de fios verdes nunca contava os motivos de suas brigas, que vinham acontecendo com mais frequência. Pensava em Jihoon e se ele também estava tão afetado com a separação repentina dos pais ou se ele estava alheio a tudo.  Esperava que sim, mas crianças sabem mais do que imaginamos e ele tinha medo que o pequeno menino já tivesse que suportar toda essa carga negativa como o irmão suportava – tentava – agora. 


Saiu de perto deles e foi em direção à cozinha, reconhecendo alguns rostos no meio do percurso. Caminhou rapidamente até a ilha, vendo mais bebidas dispostas sobre o tampo de mármore preto com detalhes brancos. O ponche estava quase no final e sobravam apenas os limões e alguns pedaços de maçã que claramente não eram atrativos para ele. Pegou um dos copos vermelhos e procurou entre as garrafas de vidro algo que lhe parecesse bom. Virava cada uma dela, lendo rótulo e analisando tudo o que podia apenas para enrolar e ficar ali mais um pouco. Decidiu por fim beber um espumante que ainda não havia sido aberto, pelo menos evitava alguma supresa desagradável de algum bêbado infeliz que estava ali. 


Encheu o copo e pegou um pouco de gelo, pegou também um punhado de amendoins nas mãos e enfiou tudo na boca logo sentindo o sabor salgado. Caminhando de volta para a sala, procurou por um caminho mais longo ou andar de forma vagarosa, o que o acabou levando até uma das varandas. Tinha um jardim florido e uma estufa. Havia um balanço em uma árvore perto da cerca viva e um pequeno lago que ele juraria ser falso. 


Deu um gole na bebida, sentindo o gosto característico. Sentou-se no degrau e fitou o nada a sua frente. Vagou pelas lembranças da última semana e logo estava estalando a língua e balançando a cabeça negativamente. Riu sozinho, lembrando do tapa que Kim Seokjin lhe havia dado e como aquilo ardia. Não havia se esquecido de retornar o favor, só não havia pensado em como fazê-lo, ainda.


Levantou-se depois de um tempo e caminhou pelos arredores da mansão. Era tão grande que o fazia se questionar se a família Im realmente era tão grande ou se eram apenas exibicionistas demais e queriam mostrar os benefícios que os lucros altos da empresa familiar os dava. 


Parou de andar quando ouviu um espirro vir da parte de trás da casa, onde ficava a piscina. Caminho devagar, sem fazer barulho e se escondeu atrás do vaso enorme de bonsai, espreitando para ver quem era. Seu cenho se franziu quando reconheceu os fios castanhos escuros esvoaçando por causa do vento levemente gélido. Sorriu seco e passou a língua pelos lábios. 


Era Kim Seokjin, tão distraído quanto um pequeno cervo pronto para ser caçado. Moveu-se de forma silenciosa, apertando o copo ainda relativamente cheio nas mãos grandes. Seu sorriso era enorme e seus olhos brilhavam ao fitarem a cabeça do mais novo. 


Com coragem, deu um impulso para frente, mas algo o impediu.


— Hyung! O Yoongi sumiu! – Jungkook apareceu atrás de si, ofegante e com semblante alarmado. 


Taehyung piscou algumas vezes, xingando Jungkook internamente. Olhou para trás e notou que Jin ainda estava distraído com algo, então deu um cascudo no Jeon, sibilando um “otário” para ele. Estalou a língua no céu da boca e encarou os olhos arregalados de Jungkook. 


— Caralho! O que foi dessa vez?! – sua voz era baixa, mas a raiva era perceptível.


— Eu não sei, hyung… uma hora ele tava comigo e do nada ele sumiu! 


— Ele não pode ter sumido do nada, JK. Onde você foi? – seu olhar sério estava ali outra vez, questionando o mais novo.


Jungkook espremeu os lábios e mordeu o inferior, seus olhos vagaram sem se encontrarem com os do Kim. Coçou a cabeça e depois a levantou.


— E-eu fui no banheiro. – disse de forma insegura.


Taehyung bufou e apertou o copo quase derramando o líquido na própria roupa. Saiu andando sem dizer nada e Jungkook correu atrás dele logo o alcançando. 


Já na cozinha, Taehyung procurou entre as pessoas, debaixo da ilha, até mesmo na geladeira enorme, mas não havia nenhum sinal do Min ali. Foram para a sala, mas também não obtiveram sucesso. Yoongi bêbado e sob as vistas de Taehyung já era uma dor de cabeça e tanto, mas bêbado e desaparecido era mil vezes pior.


Perguntou para um grupo de conhecidos se o haviam visto, mas eles também não faziam ideia. Subiu as escadas, ignorando o aviso de área restrita e começou a procurar em cada cômodo, acabando por encontrar a cabeleira verde menta em um dos quarto agarrado a um cara desconhecido e tão chapado quanto ele.


Quase espumando de tanto ódio Taehyung, seguido de Jungkook, tiraram o estranho de cima do Min, puxando-o para fora da cama. O cara não estava entendo nada e só observou a cena deitado no chão com os olhos quase fechados de tão doido que já tava. Yoongi resmungou e se remexeu sobre a cama, evitando os braços de Taehyung e chutando os de Jungkook.


— ME SOLTA! – gritava enquanto tentava bater nos dois de forma desengonçada.


— Para de chilique Yoongi! – Taehyung pedia enquanto se esquivava de alguns golpes.


— QUE INFERNO ME DEIXEM EM PAZ! – ele não dava brechas e Taehyung se obrigou a acertar um tapa certeiro em sua bochecha, mas logo se arrependendo.


Os olhos do Min estavam arregalados, mas logo mudaram para algo sem expressão e brilho. Ele se sentou sobre a cama, de cabeça baixa, saindo de cima da mesma no minuto seguinte, sem dizer nada. Kim não se desculpou, não achava que estava de todo errado, Yoongi estava em níveis elevados de falta de controle e bom senso.


Jungkook, parado de frente para os dois, sentiu um incômodo no peito, vendo como o semblante de Yoongi parecia tão abatido. Não conseguiu dizer nada depois daquilo, o clima estava pesado entre eles e o silêncio pairava sobre suas cabeças. Os únicos sons vinham do desconhecido roncando no chão do quarto engolido pela penumbra. 


Yoongi foi o primeiro a sair do quarto, sendo seguido primeiro por Taehyung e depois por Jungkook que demorou porque achou que seria melhor que o estranho dormisse na cama.  Desceu as escadas de forma preguiçosa se segurando na parede branca enfeitada com quadros e retratos da família Im, inclusive, ali também estava a garota com quem Jaebum estava mais cedo. Im Nayeon.


Min cambaleou até a chase long e se jogou sobre ela apenas para se sentar de novo quando os outros dois apareceram. O silêncio ainda estava lá e ainda os consumia, mas nenhum dos três se atrevia a dizer algo. A música alta engolia cada um deles em seus respectivos mundos imaginários onde pensavam em como seria se tivessem feito isso ou aquilo de forma diferente. 


Por fim, quando não aguentava mais estar ali, Yoongi se levantou e caminhou até a saída. Taehyung pensou em deixá-lo se virar, mas sabia bem onde ele se meteria se o deixassem sozinho, por isso se levantou chamando Jeon e indo até o outro. 


Quando saíram pela porta da frente o vento gelado bateu contra os rostos desprotegidos, fazendo o corpo dos três se arrepiarem. O mais velho andou de forma dificultosa enquanto abraçava o corpo esguio e pálido, mas acabou por tropeçar em algo e cair. Jungkook correu até ele extremamente preocupado e o segurou pela cintura enquanto passava o braço dele por seu ombro para que ele tivesse algum sustento. Taehyung fez o mesmo. 


Quando começaram a andar, Yoongi mal dava passos inteiros acabando por ser arrastado. Vendo que a situação não era favorável, Jungkook optou levar o mais velho para a parte de trás da mansão onde havia algumas espreguiçadeiras. Caminharam com certa dificuldade até lá, com o Min resmungando e Taehyung xingando-o de volta.


— Por que não me deixam aqui e vão pra casa? – ele indagou, cansado. 


— Porque nos preocupamos com você, Yoongi. – Tae o respondeu.


— Corta essa… – Yoongi riu sem humor — Você sempre me corta…


Taehyung tinha uma expressão confusa no rosto e olhava para o Min com uma careta. Jungkook mordeu o lábio inferior, abaixando a cabeça. 


— Vamos, precisamos te levar pra casa. – ele disse por fim, pegando em um dos braços do Min. 


— Me solta, cara, que inferno! 


— Yoongi para com essa merda!


— Meu Deus que bagunça é essa aqui? – Jin, que estava cochilando na espreguiçadeira mais ao fundo questionou indignado.


Quando notaram sua presença o trio se virou para fitá-lo e Jin se arrependeu no mesmo instante. Puta merda tantos lugares para ir e Taehyung tinha que aparecer logo ali? Estalou a língua e virou-se tentando fingir que não tinha feito nada e não os conhecia.


— Ora ora… – Yoongi disse meio grogue — O estapeador de rostos! – disse e gargalhou, achando graça na própria piada.


— Hyung, para… — Jungkook pediu. 


— Não, não… ele é ótimo! — exclamou e bateu palmas de forma desajeitada — Ele merece um prêmio, não acha, Tae? 


Taehyung revirou os olhos e suspirou.


— Yoongi você tá mal-


— Ai, cala a boca! Do que te importa?! – havia lágrimas nos olhos dele e Taehyung não entendeu nada. 


Deu um passo em direção ao amigo, mas foi empurrado pelo mesmo. Já sem muita paciência, Kim deu as costas e se sentou em uma cadeira próxima da beira da piscina. Yoongi andou até Jin, que ainda estava virado e rezava para que ninguém fosse ele, cutucou o mesmo e sorriu falso. 


— Ei, ei… soube que sua mãe é namorada do pai do Tae. – riu e soluçou — Parabéns, agora vocês são irmãos! 


Jin olhava para ele da mesma forma que Tae o olhava antes: confuso. Yoongi para Seokjin sempre pareceu alguém sarcástico, mas não descontrolado e ver aquela face do Min o deixava de certo modo muito incomodado. 


— Eh… Não sei o que vo-


– Oras! Não precisa agradecer — Min o cortou — Sua nova família é uma benção! 


Jungkook segurou o amigo quando este gargalhou e jogou o corpo para trás caindo sentado sobre o chão. Mas agora ele chorava de uma forma que ninguém entendia e estava deixando todos ali completamente perdidos. Taehyung se recusava a olhar a cena e Jungkook escondia o rosto na nuca do mais velho. Jin se sentou sobre a espreguiçadeira e fez menção de tocá-lo, mas fora impedido por um tapa ardido do outro.


— Não me toca! Eu te odeio! 


— O que-


— Você é um estorvo, eu te odeio! – gritou com mais força — Você tá tirando… tirando…


— Hyung… – Jungkook choramingou.


— Antes de você, ele não dizia não pra mim. Ele sempre atendia minhas ligações e corria até onde eu estava, mas agora… agora…


Taehyung arregalou os olhos ao ouvi-lo, se levantando e fitando a água clara da piscina a sua frente. 


— Depois daquela merd de carta! – tentou avançar no Kim a sua frente, mas foi segurado por Jungkook.


Seokjin ainda o olhava sem entender nada, parecia que Yoongi descontava toda a sua raiva nele e ele nem mesmos sabia o que lhe tinha feita, mas, porque ele estava falando sobre a carta?


— Chega hyung, vamos embora. – Jeon tentou puxá-lo.


— Não! Me deixa! – lutou para se soltar do aperto dos braços fortes do mais novo, sem sucesso.


— Desculpe, mas eu não estou entendendo o que você quer dizer com… — Jin se aproximou cautelosamente.


— Ah é… – Min sorriu parecendo meio sádico — Aquela merda estava lá naquele dia, em cima da escrivaninha e ele não tinha nem coragem de abrir! – olhou para Taehyung ao rosnar aquelas palavras — Cuzão… mas ai, ele se distraiu depois que a gente fodeu e puff! Dormiu! 


Taehyung, assimilando tudo, se aproximou meio incrédulo.


— Sim, fui eu que peguei a carta. – riu e olhou para Jin. Seus olhos estavam nublados e uma aura pesada vinha dele — Eu expus aquela merda! Eu! Eu-


O tapa certeiro o fez se calar.





Notas Finais


Hehe... gostaram?! 🤩


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