História Love Line - Capítulo 5


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Categorias G-Friend
Personagens Eunha, SinB, Sowon, Umji, Yerin, Yuju
Tags Gfriend, J Unnie, Sinrin, Wonha, Yumji
Visualizações 260
Palavras 4.832
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), LGBT, Orange, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Yuri (Lésbica)

Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Saudades de vocês... Saudades de escrever! ❤
Estou voltando aos poucos!

Capítulo 5 - Capítulo 5


Era estranho o quanto tudo parecia familiar e ao mesmo tempo tão diferente. A estrutura das alas era a mesma, mas os detalhes haviam mudado... Da mesma forma em que rostos novos se mesclava com velhos conhecidos.

Mas entre todos aqueles rostos, eu queria rever especificamente um. Apenas um. E a cada corredor em que encontrava o vislumbre daquele rosto, quando avançava em sua direção, no corredor seguinte já o tinha perdido de vista. Não fazia ideia de qual caminho tinha tomado. De forma que não tive escolha, a não ser cumprir também as minhas obrigações para com o trabalho naquele dia.

Quando alcancei a minha nova e já conhecida sala, levei algum tempo me questionando se as coisas por ali tinham mudado ou a mudança ocorrera em mim mesma. Racionalmente eu sabia que a resposta era positiva para as duas situações, mas enquanto eu tinha controle sobre a segunda, eu não sabia o que esperar de como as coisas se desenrolariam aqui e agora, principalmente conosco.

Mas eu precisava saber. E logo. Por isso não hesitei em usar das minhas vantagens, depois de ter percebido que se continuasse naquela busca cega pelos corredores do hospital, eu estaria em desvantagem. E aquilo não me parecia proveitoso. Já tínhamos perdido tempo demais... Não precisava de um adicional.

Um sorriso nervoso cruzou meus lábios quando batidas firmes soaram na porta da minha sala. Minha voz não foi mais que um murmúrio ao autorizar a entrada, e quando a porta finalmente revelou aquele rosto tão conhecido, eu me permiti ter alguns segundos para observar os traços dos quais eu me recordava perfeitamente.

― Mandou me chamar? ― Ela parou a alguns passos da minha mesa, as mãos nos bolsos do impecável jaleco branco, enquanto a expressão permanecia séria ao me fitar.

― Yeah. ― Murmurei ao limpar a garganta. ― Aparentemente é a maneira mais fácil e rápida de te localizar e finalmente poder falar com você. ― Esbocei um sorriso ao apoiar minhas mãos sobre a mesa e levantar meu corpo.

Minha intenção era encurtar a distância entre nós, no mínimo evitar que tivéssemos a fronteira que a mesa colocava entre nós. Mas eu continuei em pé, parada, a observando, enquanto sentia minha garganta secar ao vê-la encolher os ombros.

― Estou trabalhando. Não tenho muito tempo vago para conversar. ― Murmurou ao estalar os dedos antes de cruzar os braços, enquanto eu me limitei a voltar a ocupar minha cadeira, sustentando meu rosto em minhas mãos ao apoiar os cotovelos sobre a mesa. ― E suponho que você também, visto que é seu primeiro dia de volta.

― Exato, eu estou de volta. ― Murmurei enquanto um discreto sorriso enfeitava meus lábios, mas a expressão dela continuava séria. ― É bom estar de volta e é bom ver voc –

― Então sobre o que quer falar?

Franzi o cenho assim que ela me interrompeu. Não era do feitio dela, mas aparentemente algumas coisas tinham mudado. Suspirei frustrada antes de manear minha mão para a cadeira à minha frente, mas ela apenas recusou a se sentar e apenas usou o encosto para apoiar os braços. Séria, firme, distante... Algo que eu não reconhecia nela.

― Estava verificando a primeira queixa que chegou a mim e identifiquei que ela diz respeito a uma interna que está sob sua supervisão, Sojung. ― Arqueei minha sobrancelha ao vê-la franzir a testa quando a chamei pelo nome. ― Interna essa que, curiosamente, compartilha o mesmo nome comigo.

― Tinha que ser. ― Sojung resmungou ao rolar os olhos. ― O que foi dessa vez?

― Dessa vez? É recorrente a... ― fitei o nome anotado em minha agenda ― doutora Hwang ter queixas contra si? ― Semicerrei meu olhar quando Sojung não hesitou em responder negativamente.

― Na verdade, não. Ela é uma boa médica, apenas um pouco temperamental. ― Sojung encolheu os ombros com um discreto sorriso nos lábios. ― Mas acredito que é um mau de Eunbi’s. ― Murmurou ácida e eu engoli em seco.

― Você sabe que não deve acobertá-la, não sabe? ― Foi a minha vez de parecer ainda mais séria. Eu não conseguia identificar o porquê daquele mínimo sorriso ao citar a outra Eunbi.

― Eu levo meu trabalho e minha formação médica muito a sério, Eunbi. ― Sojung murmurou seca e apenas maneei minha cabeça. ― Qual foi a queixa?

― Melhor que o faça mesmo, principalmente para evitar que sua interna se intrometa, sem permissão, em outras alas médicas, desconsiderando o pessoal responsável.

Rolei meus olhos ao esticar para Sojung uma cópia da queixa produzida pelo residente da ala pediátrica em que dizia se sentir ofendido pelo desrespeito com o qual a interna passou por cima dos comandos dele. Observei divertida Sojung crispar os lábios ao praguejar baixinho. Um antigo hábito quando estava contrariada.

― Desta vez vou deixar que você a advirta, mas espero que algo do tipo não volte a acontecer. Não precisamos de desentendimentos no hospital. Não é uma boa ideia.

― Definitivamente não. ― Sojung suspirou antes de manear a cabeça e me dar as costas, caminhando em direção a porta.

― Sojung! ― Murmurei voltando a me levantar e mordi o canto do meu lábio ao ver as costas dela retesarem, enquanto ela me olhava por cima do ombro.

― O que foi?

― Nós podemos conversar? ― Pela primeira vez minha voz soou incerta durante aquela conversa.

― Algo sobre o trabalho?

― Não exatamente. ― Murmurei e observei os ombros de Sojung contraírem, enquanto ela ajeitava a postura.

― Então não temos sobre o que falar, Eunbi. Não agora.

O tom de Sojung fora comedido, mas ainda firme. Entreabri meus lábios, mas não tive chances de contestar aquela resposta ao meu pedido porque Sojung não demorou a deixar minha sala com passos rápidos. Suspirei frustrada ao voltar a me sentar, enquanto meus olhos permaneciam colados à porta que ela fechara.

Em certo ponto, eu compreendia e até podia imaginar a relutância de Sojung em conversarmos. Mas ela estava enganada. Nós ainda tínhamos muito sobre o que falar. Sojung sabia ser firme, mas eu também não tinha problemas em ser insistente. E uma vez que estávamos perto novamente, e eu não tinha a menor intenção de acatar aquela sentença dela, sabia que mais cedo ou mais tarde Sojung teria que conversar comigo. Nem que para isso eu precisasse continuar abusando das minhas vantagens.

×××

Havia algo estranho acontecendo. Era essa a sensação que tive ao longo de todo o dia, a cada murmúrio que escutava quando aparecia em algum dos corredores ou me apoiava nos balcões. Tinha sido frequente encontrar meus colegas comentando algo entre si, enquanto compartilhavam olhares assustados.

Levei algum tempo até perceber o que julguei ser o motivo de tudo aquilo. A chegada de mais uma Jung. Nós ainda não tínhamos nos encontrado, mas eu tinha a sensação de como já estivéssemos, visto que não se falava de outra coisa a não ser sobre ela. E particularmente eu não estava nenhum pouco ansiosa para vê-la. Principalmente ao perceber que apenas o conhecimento sobre a presença dela no hospital deixava Sojung extremamente inquieta.

Era desconcertante observar Sojung não aparentar objetividade. Certo que a mais velha continuava executando seu trabalho bem, mas não era do feitio dela praticamente fazer uma maratona pelo hospital, apenas por não conseguir ficar por muito tempo em um só lugar. Sojung até mesmo tinha evitado contato comigo ou Umji... Mas tinha a impressão que ela não estava evitando especificamente nós duas... Parecia mais como se Sojung não quisesse ser encontrada.

O que foi uma tentativa falha no fim das contas quando o nome dela soou pela ala onde estávamos. Sojung saiu bufando em direção à diretoria enquanto os cochichos continuavam, dessa vez cogitando o porquê. Ao menos alguns cogitavam o porquê, enquanto outros pareciam amedrontados, e outros ainda esnobavam a situação. E foram nesses comentários que, relutantemente, eu comecei a prestar atenção. E apenas porque começaram a me envolver.

― Ouvi boatos que um dos residentes responsáveis pela ala pediátrica se queixou de você, Hwang. Pronta para levar sua primeira advertência? ― Um dos meus colegas provocou e eu apenas rolei meus olhos para os risinhos que ele provocou nos mais próximos.

― Não precisa se preocupar comigo, Lee, estou ciente dos meus atos e não tenho problema algum em responder por eles. ― Murmurei ao sorrir debochada para meu colega que encolheu os ombros, enquanto Yewon me dava uma cotovelada. Franzi minha testa para minha amiga que apenas maneou a cabeça. Teria retribuído a cotovelada de Yewon, se minha atenção não fosse novamente desviada.

― Até parece que vai responder. ― O comentário debochado de mais um colega alcançou meus ouvidos e eu semicerrei meu olhar sobre ele, que me encarava com um sorriso cínico.

― O que supostamente quer dizer com isso, Jeon?

― Que você é esperta, Hwang. ― Murmurou ao dar de ombros e arqueei minha sobrancelha. ― Suponho que sair ilesa das queixas é uma das vantagens por ser próxima da filha do diretor, não? ― Provocou.

Meu sangue ferveu diante do tom atrevido que ele atribuiu àquela frase. Dando margem ao insinuar que eu estava me aproveitando de uma situação que sequer tinha cabimento. Não gostei do modo depreciativo com o qual ele envolveu não só a mim. E detestei ainda mais ao perceber que muitos dos meus colegas por perto pareciam refletir o mesmo pensamento, mesmo que não tivessem a coragem de verbalizá-lo.

Fechei minhas mãos em punhos e dei um passo para perto do Jeon. Só não encurtei a distância entre minhas mãos e o rosto estúpido dele porque primeiro ainda estávamos no trabalho e segundo porque a mão de Yewon segurando meu ombro me impediu de continuar avançando.

― Ignora Eunbi. Ele só está te provocando. ― Ouvi o sussurro de Yewon e apenas maneei minha cabeça para minha amiga. ― Vamos. ― Mas eu não me movi. Não sem antes apontar meu dedo para o Jeon.

― Eu não sou o tipo de pessoa que se aproveita das outras. ― Murmurei séria enquanto o observava. ― O que faz de mim muito diferente de você, Jeon.

― Com certeza! ― Deu de ombros antes de parar ao meu lado. ― Porque eu certamente não hesitaria em aproveitar se tivesse a oportunidade. ― Murmurou e eu crispei meus lábios ao vê-lo inclinar o rosto de forma que sussurrasse para mim. ― Principalmente se pudesse ainda me aproveitar de um corpo delicioso como aquele.

Apertei com força minhas unhas nas palmas de minhas mãos ao ouvir o riso debochado do Jeon, e dessa vez, agradeci silenciosamente por Yewon não impedir que o empurrasse para longe de mim, retirando-o do nosso caminho.

― Você é nojento. ― Murmurei ao encará-lo com desgosto enquanto Yewon se adiantava a me puxar pelo braço com ela. Mantive meus olhos semicerrados sobre a figura estúpida de meu colega até Yewon empurrar as portas duplas que separavam as alas e em seguida me empurrar para uma das salas de descanso naquele andar. ― Aquele imbecil! ― Resmunguei enquanto caminhava de um lado a outro e observava Yewon suspirar encostada à porta.

― Concordo que é um verdadeiro idiota.

― E não só ele. ― Bufei frustrada. ― Muitos ali pareciam compartilhar da ideia idiota do Jeon... Você também teve essa impressão? ― Murmurei e apenas ouvi Yewon murmurar em acordo. Foi então que encarei minha amiga. ― Você já tinha escutado algo do tipo? ― Franzi minha testa quando Yewon mordeu o lábio antes de acenar concordando. ― Yewon! E por que não me contou? ― Resmunguei ao encarar minha amiga com os braços cruzados.

― Qual seria o propósito de contar, Eunbi? ― Yewon rebateu ao apoiar os braços na cintura e me encarar de volta. ― Nós sabemos muito bem que não passa de algo estúpido deles. ― Yewon suspirou frustrada. ― Terem visto você e a Yerin andando juntas pelos corredores foi o bastante para criarem comentários maldosos, principalmente por ela ser filha do diretor e você uma das melhores internas do programa. Isso tudo não passa de inveja deles.

― Eu sei disso. ― Rolei meus olhos. ― Ainda assim, é incômodo esses tipos de comentários. Imagina se esses boatos chegam aos ouvidos da Yerin... Eu não tenho esse tipo de interesse nela.

― Claro que não. ― Yewon murmurou e eu franzi minha testa ao vê-la sorrir divertida. ― O tipo de interesse que tem nela é outro, certo? ― Minha amiga provocou e eu engoli em seco.

― Eu não disse isso, Yewon. ― Alertei ao apontar minha mão na direção dela.

― Para bom entendedor, basta meia palavra, Eunbi. ― Yewon piscou divertida ao estapear minha mão, enquanto uma careta se formava em minha expressão.

― Você que está dizendo... ― dei de ombros. ― Eu não faço ideia do que quer dizer.

― Claro! ― Foi a vez de Yewon rolar os olhos enquanto eu suspirava. ― Vamos voltar ao trabalho agora antes que surjam mais boatos dessa vez dizendo que você sequer está trabalhando mais.

Bufei uma risada para a tentativa boba de minha amiga para descontrair o clima. Deixei que Yewon voltasse a me puxar pelo braço enquanto voltávamos a alcançar o corredor do hospital. Queria ignorar a sensação inquietante que tomou conta de mim por conta daqueles boatos. Eu tinha me dedicado e esforçado nos estudos para me tornar uma excelente médica, não era justo que boatos mesquinhos depreciassem isso. Assim como não era justo que Yerin fosse vista apenas como a filha do diretor, como se fosse um meio para alcançar um prêmio. Eram boatos desrespeitosos conosco. Estávamos longe de estar em uma situação interesseira como aquela.

E ter esse tipo de rotulação e limitação sem precedentes sobre nós me irritou. Principalmente pelo tom ainda lascivo que o Jeon usou para se referir a ela. Eu detestei. E não queria que ela soubesse de algo tão desgostoso como aquilo. E precisava admitir que também não queria que Yerin imaginasse que poderia ter algum fundo de verdade naquilo. Nós não erámos tão próximas assim... Mas estranhamente eu me importava, muito, sobre o que ela pensava sobre mim. Sobre nós estando próximas. Tanto que me questionei porquê aquilo era tão relevante para mim. Não tinha uma resposta imediata para a questão, e talvez não fosse hora para ter... Por hora bastava me certificar e garantir que não houvesse má interpretação entre nós e sobre nós. Para nosso próprio bem. Assim, ao menos, eu esperava.

×××

Geralmente não levava muito tempo para que me encontrasse com alguma delas pelos corredores, entre um atendimento ou outro, mas naquele dia Eunbi e Sojung pareciam estar desaparecidas das alas médicas aonde costumavam ficar.

Só não tinha perdida a paciência com aqueles desencontros porque estava sendo interessante ouvir e perceber os murmúrios a respeito da chegada de minha irmã. Estava me divertindo com as expressões em um misto de curiosidade e apreensão sobre a Jung baixinha que estava na diretoria do hospital. Estava impressionada e achando engraçado o impacto que a presença de minha irmã causou apenas no primeiro dia... E foi a partir disso que notei que talvez a mera presença de Eunha tenha causado reboliço também na rotina das médicas, na de Sojung principalmente. Eu sabia que ainda era algo sensível e pelo qual minha amiga, certamente, ainda não estava pronta para se adaptar.

Mas não tinha volta. Sojung precisaria lidar com aquilo, já que agora faria parte do cotidiano dela no hospital. Da mesma forma que eu precisei lidar com as minhas questões antes de voltar para aquele hospital. Na verdade, ainda estava lidando. Um suspiro escapou dos meus lábios e me forcei a deixar aqueles pensamentos de lado... Não era algo fácil, mas precisava ser feito.

Felizmente não foi difícil deixá-los de lado... Não quando finalmente consegui colocar meus olhos sobre a figura da doutora Hwang. Um pequeno sorriso repuxou meus lábios e não hesitei em aproximar-me de SinB que consultava algo no computador da recepção.

― Hey! Finalmente achei você. ― Murmurei ao surpreendê-la ao me recostar no balcão, ao lado da doutora Hwang. ― Difícil te encontrar por aqui hoje, SinB. ― Observei o perfil da médica, enquanto ela suspirava antes de me encarar.

― Você precisa de alguma coisa, Jung?

Franzi minha testa diante do tom dela e do modo como SinB evitava me encarar por muito tempo, ao invés disso desviava o olhar discretamente para as pessoas que estavam na recepção ou por perto. E aquilo me incomodou. Da mesma forma que o tom de voz que ela usou também me incomodou. Não havia partido da grosseria, mas me incomodou por ter sido tão... polido. Achei que tínhamos deixado de nos tratar pelos sobrenomes. Parecia muito formal.... Impessoal. Distante.

― Achei que tínhamos passado da fase dos sobrenomes. ― Tentei soar divertida, mas bufei ao ver que SinB permanecia séria. Tudo que fez foi encolher os ombros. O que me pareceu soar como indiferença. E aquilo me fez bufar. ― Bom, preciso sim... ― encolhi meus ombros ao mostrar minha mão para ela. ― Acredito que já podemos retirar os pontos. O corte está cicatrizado.

A médica encarou minha mão por alguns instantes antes de acenar concordando. SinB fez menção de estender a mão para segurar a minha, mas vi quando ela hesitou. Eu esperei por um instante que ela voltasse a segurar meu braço ao indicar o caminho para uma das macas livres para atendimento, mas ao invés disso, ela apenas apontou para a direção antes de caminhar a minha frente. Semicerrei meu olhar sobre ela enquanto a seguia, me questionando sobre o porquê daquele distanciamento. Sabia que não éramos tão próximas assim, sabíamos pouco uma da outra, mas tive a impressão de termos criado certa afinidade... Mas aparentemente não era bem assim. E eu não conseguia entender o porquê daquela mudança de atitude.

E fiquei ainda mais confusa quando vi a expressão de SinB suavizar e os ombros relaxarem quando ela puxou as cortinas, isolando parcialmente a área da maca e nos dando um pouco de privacidade. Pisquei ainda confusa quando dessa vez senti a mão da médica envolvendo a minha com suavidade, me puxando para sentar na maca enquanto ela mesma tomava acento no banco próximo.

Silêncio pairou entre nós por alguns instantes e aproveitei para observar a expressão concentrada e delicada de SinB ao iniciar a retirada dos pontos de minha mão. Com calma, a médica desfez um a um, enquanto os olhos atentos se certificavam que o corte não tinha deixado sulcos salientes em minha pele. Já os meus olhos estavam atentos à expressão dela. E não pude deixar de recordar da primeira noite que nos conhecemos.

― Você não me respondeu, Eunbi.

― Não recordo de você ter feito alguma pergunta, Jung. ― Rolei meus olhos por ela continuar evitando me encarar. Certo que desta vez por estar concentrada nos movimentos da pinça e da tesoura.

― Justamente sobre isso... Voltou a me tratar pelo sobrenome. ― Suspirei e a senti fazer o mesmo.

― Bom, faz parte do seu nome, não?

― Eu sei e por isso não preciso que fique me recordando dele, Eunbi. ― Bufei e finalmente ela ergueu os olhos para encarar os meus. ― Milhares de outros já fazem isso muito bem. Meu olhar permaneceu preso ao dela, até o instante que SinB suspirou antes de voltar a se concentrar em minha mão.

― Eu sei... Yerin. ― A médica murmurou de cabeça baixa e silenciosamente agradeci por ela não ter visto o pequeno sorriso que se desenhou no canto da minha boca. Gostava de como meu nome soava na voz dela. ― Mas ainda assim, se faz necessário usá-lo aqui.

― Por quê? ― Arqueei minha sobrancelha, mas não obtive resposta de SinB. ― O que há com você? ― Semicerrei meu olhar enquanto a médica permanecia em silêncio. ― Você parece distante, SinB. ― Sussurrei e finalmente a vi vacilar por um instante, ao engolir em seco, paralisando os movimentos.

― Apenas questões do trabalho.

A resposta vaga me deixou ainda mais intrigada. Eu compreendia que ela podia não estar tendo um bom dia, mas ainda assim... SinB parecia incoerente para mim. As palavras, ou falta delas, que vinham dela se colocavam impessoais entre nós... Mas o modo como a palma da mão dela acariciava a minha enquanto concluía de soltar os pontos, parecia o oposto da impessoalidade. Era um toque gentil, natural... Não era forçado.

― Já conheceu minha irmã então? ― Resolvi enveredar por outro assunto e de início achei que teríamos, enfim, uma conversa mais próxima, pelo modo como a médica bufou uma risada.

― Ainda não, mas desconfio que logo irei, já que provavelmente ela me chamará para levar a advertência.

― Advertência? ― Estranhei. Eunbi me parecia ser uma das melhores internas, executava o trabalho bem... Eu não conseguia entender porque Eunha aplicaria imediatamente uma advertência a ela. ― O que houve?

― O residente responsável pela pediatria se queixou por eu ter me intrometido no setor sem autorização para intervir. ― SinB deu de ombros enquanto eu bufava descrente.

― O que? Isso é ridículo. ― Resmunguei. ― Se você não tivesse feito algo, poderia ter maiores complicações para o bebê.

― Eu sei, mas ainda assim há regras a serem seguidas. De propósito ou não, eu agi sem autorização, o que dá fundamento à queixa.

― Besteira. Eu estava lá, algo precisava ser feito e você fez. ― Murmurei o óbvio, e bufei frustrada ao vê-la apenas suspirar. ― Eu vou falar com a Eunha para –

― Claro que não. ― SinB me interrompeu e dessa vez a voz dela soou dura, enquanto ela levantava o olhar para me encarar. ― Eu não preciso que você intervenha. Não me arrependo de ter agido, mesmo sabendo que não estava autorizada a agir no setor. Então está tudo bem. Não preciso que acoberte algo, Jung.

― Acobertar? ― Murmurei incrédula. ― Acha mesmo que é o tipo de coisa que faço?

A troca de olhares entre nós permaneceu firme. Enquanto SinB parecia tentar me ler através dos olhos, eu fazia o mesmo com ela... Me questionando se ela realmente me via daquela forma, se achava que era capaz de ser, de certa forma, desleal. Maneei minha cabeça irritada quando a médica finalmente desviou o olhar, voltando a observar minha mão.

― Definitivamente você não me conhece se considera que eu faria algo do tipo. ― Resmunguei enquanto meus olhos continuavam presos a ela. ― Apenas explicaria a Eunha a versão do que realmente aconteceu na pediatria.

― Eu mesma posso fazer isso. Você não precisa se envolver, Yerin.

A voz de SinB não foi mais que um sussurro. E eu engoli em seco ao identificar a seriedade naquelas palavras, que soaram para mim, como se ela realmente não quisesse minha presença por perto. Foi o que entendi com as palavras dela. Só não soube como responder àquilo... Por isso deixei que o silêncio reinasse entre nós, enquanto a médica terminava o trabalho em minha mão.

Estava me sentindo confusa com aquela dualidade... As palavras de SinB soavam como se quisessem distância, mas os gestos dela, os olhares e a suavidade ao tocar em mim, pareciam confortáveis com aquela proximidade. Mas forcei-me a desviar daquele pensamento e disse para mim mesma que não passava de um ato cordial naquela relação médica-paciente. Era apenas isso.

― Pronto. Nenhuma cicatriza. ― SinB murmurou com um pequeno sorriso nos lábios, enquanto passava o polegar pela palma de minha mão, pelo lugar do corte. ― Você pode sentir a musculatura ainda um pouco tensa e sensível, então ao menos por hoje evita forçar sua mão, para não machucar algum ligamento. ― SinB murmurou preocupada e me encarou quando bufei uma risada sem humor. ― Estou falando sério. ― Ela semicerrou o olhar sobre mim e foi minha vez de dar de ombros, ao me levantar.

― Você não precisa se preocupar. Não sou mais sua paciente agora... Doutora Hwang. ― Murmurei ao fitar os olhos dela e vi a médica fazer uma leve careta ao notar que também voltei a tratá-la pelo sobrenome. ― Bom, obrigada. ― Maneei minha cabeça em direção a minha mão antes de me virar para sair.

Mas não saí do lugar. Porque SinB continuava segurando minha mão. Suspirei ao voltar a encará-la. Confusa e curiosa com o gesto, e percebi que a médica parecia estar no mesmo estado que eu.

― Yerin, eu... ― SinB murmurou enquanto nos fitávamos. Eu acenei para que ela continuasse, mas a médica apenas maneou a cabeça. ― Só tenha cuidado.

SinB suspirou e a senti apertar levemente minha mão antes de finalmente soltá-la. Nós duas continuamos nos encarando por alguns segundos antes de finalmente morder meu lábio ao observá-la envolver as mãos nos bolsos do jaleco branco. Um pequeno aceno de cabeça entre nós e finalmente afastei as cortinas, me afastando da doutora Hwang. Assim que afastei as cortinas notei olhares curiosos mal disfarçados se desviando das nossas figuras, mas decidi ignorá-los enquanto fazia meu caminho para longe da ala médica. Se antes a doutora Hwang parecia querer manter certa distância, agora eu que precisava estar um pouco longe daquele hospital.

×××

O irônico era que a maior distância que consegui impor imediatamente daquele hospital era de apenas alguns metros. Bufei frustrada ao não ter hesitado em seguir meu caminho direto para o pub que ficava próximo. O lugar não era dos nossos favoritos, mas parecia confortável o bastante para nos acolher. Ao menos era a opinião que Yuna e eu compartilhávamos.

― Yah! Já pode beber agora? ― Minha amiga resmungou assim que a surpreendi ao roubar o shot de tequila que ela havia pedido e o virado em minha boca. Como resposta apenas mostrei a palma de minha mão livre de qualquer curativo para ela. ― Ah! Nenhuma cicatriz. ― Yuju murmurou sorridente ao segurar minha mão. ― Doutora Hwang fez um bom trabalho. ― Minha amiga piscou divertida e eu fiz uma careta à menção do nome dela.

― Que seja. ― Resmunguei ao pedir mais um shot de tequila para minha amiga.

Assim que o garçom o depositou sobre o balcão, Yuju bateu palmas animada, mas assim que levou a mão para alcança-lo, voltou a encontrar o vazio, porque mais uma vez tinham o roubado dela. Mas dessa vez não fui eu. Tanto eu quanto Yuju observamos surpresas a figura esquia de Sojung se colocar ao nosso lado, enquanto virava a tequila.

― Yah! Será que vocês podem pedir as próprias bebidas e deixarem a minha em paz? ― Yuna resmungou e Sojung e eu apenas demos de ombros, enquanto Yuna pedia por mais três shots dessa vez. ― O que há com vocês afinal que parecem de mau humor?

A mais nova revezou o olhar entre nós, enquanto Sojung e eu nos entreolhávamos, antes de suspirar e resmungar ao mesmo tempo o nome Eunbi. Yuna riu enquanto a mais alta e eu fazíamos caretas.

― Sua irmã é uma estúpida, Yerin. ― Sojung acusou enquanto tamborilava os dedos sobre o balcão.

― Sua interna é uma estúpida, Sojung. ― Dei de ombros enquanto ela me encarava com o olhar semicerrado.

― Oh! As Eunbi estão tirando vocês do sério? ― Yuna provocou ao envolver os braços ao redor dos meus ombros e dos de Sojung. ― Que divertido! ― A mais nova se encolheu quando cutucamos a cintura dela. ― Ok ok... Nós vamos falar sobre isso?

Minha amiga acariciou nossos ombros e apenas suspirou quando tanto eu quanto Sojung negamos, nos interessando mais em observar o líquido âmbar que logo viraríamos.

― Bom, vamos deixar esse assunto sensível e estúpido para outro momento e vamos falar então de algo que me interessa? ― Yuna esbarrou os braços entre nós e apenas suspirei ao concordar, Sojung apenas resmungou confirmando. ― Ótimo! Vamos falar sobre a Yewon! ― Minha amiga sorriu largamente e vi quando Sojung se virou para encará-la, apontando um dedo no nariz de Yuna.

― Você fique longe da Yewon!

Sojung resmungou e notei Yuju revirando os olhos ao estapear a mão da mais velha. Bufei uma risada ao perceber que as duas tinham iniciado uma discussão sobre Yewon. Um pequeno sorriso enfeitou meus lábios ao perceber que minha amiga parecia realmente inconformada porque Sojung queria a manter longe da interna mais nova dela.

Decidi não me meter na discussão das duas, apenas iria interferir se os ânimos de minhas amigas se exaltassem muito... Fora isso, seria bom ter algo com que ocupar nossos pensamentos. Mesmo que fosse uma discussão boba. Ao menos assim, Yuna poderia se concentrar em saber mais a respeito de Yewon. Sojung poderia esquecer momentaneamente que Eunha estava de volta. E eu... Eu poderia fingir que não me sentia abalada por SinB aparentemente não me querer por perto.


Notas Finais


Saudades enormes de vocês, my Babies!
Primeiro quero pedir perdão pela demora em atualizar todas as minhas histórias. Eu ainda estou me adaptando à rotina adulta de trabalho e compromissos, mas agora voltei a escrever um pouquinho todas as minhas histórias. Então, espero que ainda tenha alguém por aqui comigo. Prometo que não desistirei de nenhuma. Sério.
Para quem lê "Love in Color", eu estou trabalhando nos próximos capítulos... São um pouco mais delicados, por isso exige mais de mim, não quero escrever qualquer coisa. "On My Way" ainda vai sair o último capítulo também, claro! E "Falling Crazy in Love" também irei continuar. Assim como a nova, "Arcadiae". Agradeço a compreensão que muitos de vocês tem comigo e ainda mais pelo carinho e apoio!
No mais, quero dizer que estou com muitas saudades de falar com todos e cada um de vocês. Saudades de ficar horas no twitter falando sobre tudo e nada ao mesmo tempo. Espero que estejam todas e todos bem. E espero também que possamos voltar a nos encontrar muito em breve, tá? ❤
Agora focando em "Love Line"... O que acharam do capítulo? Sexy diva finalmente apareceu! Ainda vamos ver muito o desenrolar de todos esses encontros e desencontros... Espero que gostem. Senão, estou aqui para ouvir suas opiniões e sensações, positivas ou negativas.
Se cuidem, tá? Beijão da unnie, Babies! ❤


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