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História Love Lost - Capítulo 19


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Notas do Autor


Olá amores! Voltei mais cedo dessa vez :)
Nossa, esse capítulo me esgotou; muitas emoções.
Espero que vocês gostem, tentei detalhar bastante os sentimentos de cada personagem, acho que ficou bom. Tenham uma boa leitura!

Capítulo 19 - O sol também nasce


Fanfic / Fanfiction Love Lost - Capítulo 19 - O sol também nasce

Estava escuro. Minha cabeça doía. Eu conseguia sentir o peso em meu corpo, enquanto a brisa fazia minha pele tremer de frio. A combinação me fazendo desejar voltar a dormir, mas eu não estava em minha cama macia. Onde eu estava? Soltei um gemido involuntário e abri os olhos lentamente, piscando algumas vezes. Percebi que estava sendo carregada. 

Klaus.

Não. Não. Não. 

Jenna. 

“Ah, finalmente você acordou, amor.” Klaus murmurou com um suave sotaque forte. Debati-me contra ele, desesperada para sentir firmeza sob meus pés. Meu corpo tremeu, sentindo que eu não estava segura. Ele me segurou em seus braços até que eu parasse e me colocou no chão, esperando-me recuperar o fôlego. Meu coração estava acelerado. Pisquei os olhos rapidamente. Eu não estava sonhando. 

Ele estava me observando como uma presa esperava sua caça se mover para atacar. Mas tinha algo a mais em seus olhos. Curiosidade, talvez. Nós já havíamos nos encontrado duas vezes, mas isso era diferente. Ele não estava mais no corpo de Alaric e agora eu sabia exatamente quem ele era. Pensei que estaria apavorada ou que não seria capaz de vê-lo em seu próprio corpo, mas, para minha surpresa, eu não estava. Era estranho, um sentimento de familiaridade, não igual como foi com Elijah, mas ainda assim familiar. Tentei manter uma distância mínima entre nós, mas não sentia nenhum perigo eminente. Não como antes.

"Klaus..." Eu sussurrei sem saber mais o que dizer. Ele estava em minha frente. Era real. Ele estava aqui. 

"Elizabeth." Klaus deu um passo à frente e olhou diretamente em meus olhos, levantando a mão para tocar minha bochecha. Essa seria a hora que ele me mataria? O feitiço de ligação aconteceu por um motivo. Que eu o ajudasse com previsões sobre o ritual. Mas isso havia dado errado, porque mesmo que eu tivesse voltado anos atrás, eu continuaria sem poderes para ajudá-lo, o que me tornava inútil. Então por que eu continuava viva? Por que ele estava me olhando assim? Por que eu não estava me mexendo? Ele parecia estar esperando algum tipo de reconhecimento.

"Eu não me lembro." Deixei escapar. E num instante não havia mais qualquer tipo de afeto em seu olhar. O que estava acontecendo? 

Então, seus olhos se iluminaram, dando abertura para um sorriso malicioso. Klaus estendeu os braços, dando uma volta para que eu pudesse ver todo o seu corpo. "Este corpo não é muito melhor do que o professor terrivelmente desagradável?" 

Sério? Apertei meus lábios numa linha fina, resistindo a urgência de soltar um comentário que eu poderia vir a me arrepender. "Onde está Jenna?" Indaguei firmemente, ignorando-o. Ele pareceu achar graça da minha determinação. 

“Ela está esperando por nós.”

Senti meu estômago revirar. “Não.” Consegui dizer. Isso era exatamente o que havia temido em minha conversa com Elijah. Tudo estava claro agora. O porquê dele ter contado à ela sobre vampiros. Ele estava sempre a um passo à frente. Klaus iria usar Jenna no ritual.

“Desculpe, amor. Mas isso não aconteceria se Damon não tivesse roubado a minha vampira. Se serve de consolo, sua amiga loira vai permanecer viva para ganhar mais um concurso do Miss Mystic Falls.” Ele zombou. O quê? Levei uns segundos para assimilar suas palavras. Damon. As ligações perdidas. Não! O que eu havia feito? 

“Você...” Murmurei, sentindo-me levemente sufocada. Tive que engolir as lágrimas para não quebrar em sua frente. Jenna. Ela era apenas mais uma pessoa que não tinha nada a ver com isso tudo. Ela era uma das pessoas mais generosas e amáveis. Como ele podia fazer isso? Como ele podia escolhê-la depois de já tirar tanto de Elena? “Você é um monstro.” Klaus me olhou e por um instante achei ter visto mágoa em seu olhar. Uma parte de mim quase se arrependeu das duras palavras, mas enterrei o sentimento, seguindo-o pela floresta. Ele não merecia a minha compaixão.

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Damon acordou assustado, disparando de seu lugar no chão. Ele olhou em volta, a única pessoa no apartamento era Katherine. "Argh! O que diabos aconteceu?" Demandou, esfregando as têmporas.

"Klaus quebrou seu pescoço." Katherine explicou, o tédio bastante evidente em suas palavras, mas era nítido que a vampira estava desconfiada de algo.

"Por que...por que ele não me levou?"

"Ele não pôde." Katherine estreitou os olhos. "Damon, ele disse que você era tão bom quanto morto."

"Afinal, o que isso quer dizer?" Damon perguntou com uma careta. Katherine olhou para ele com cautela.

"O que isso significa?" Ela perguntou. Damon considerou e depois olhou para o antebraço esquerdo. Ele levantou a manga para revelar a mordida que havia recebido anteriormente. "O que é isso?"

"É uma mordida de lobisomem." Damon respondeu, olhando para a mordida que Tyler Lockwood havia lhe dado. Katherine olhou para ele com os olhos arregalados, e os dois encararam a mordida que seria o fim de Damon Salvatore.

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Caminhei pela floresta com Klaus, um sentimento de pavor me invadindo. Cada passo que dávamos, significava que estávamos perto do local do ritual. Jenna iria morrer. Elena iria se tornar uma vampira. 

"Não há nada que eu possa lhe dizer para mudar de ideia, existe?" Eu perguntei a ele, meio séria e meio esperançosa. Klaus riu sadicamente, pegando minha mão para me ajudar com uma raiz grande. Por mais que eu quisesse me manter a quilômetros de distância, para desafiá-lo de qualquer maneira possível, eu tinha que manter as aparências e torcer para Elijah e Bonnie chegassem a tempo.

"Passei milhares de anos esperando por esse dia." Klaus disse alegremente, depois suspirou aliviado. "Estou pronto."

"Mas por que quebrar essa maldição é tão importante para você?" Eu perguntei, tentando entender. Poder? Não. Ele já era a pessoa mais poderosa do mundo, a mais temida, até onde sei. Mas então me lembrei do meu passado, das minhas memórias. Talvez ele compartilhasse do mesmo sentimento que eu. "Você quer se sentir completo.” Não queria me sentir mal por ele, eu queria odiá-lo. Por Adeline. Por Bonnie. Por Elena. Todos. Mas havia uma parte de mim que queria entendê-lo, suas razões. Ninguém podia ser completamente ruim. Ou podia? 

"Sim." Klaus confirmou após uns segundos. Era difícil saber o que ele estava sentindo, pensando. Como o irmão, o híbrido era difícil de ler. Mas com Elijah era diferente. Havia algo entre nós que fazia tudo parecer mais fácil. Uma força incomum que nos atraía um para outro. "E assim como eu, você logo estará completa também, querida Elizabeth.” 

Fiz uma pausa, encarando sua nuca por um segundo. Havia me esquecido completamente de que me tornaria uma bruxa assim que a maldição fosse quebrada. Passei tanto tempo me ocupando com as memórias que não tive espaço para pensar sobre os meus poderes. Eu queria ser uma bruxa após descobrir sobre minhas habilidades especiais? O que Klaus faria comigo? Ele deve ter percebido que eu parei, porque se virou para mim com um olhar intrigado.

Respirei fundo. "Você não me chamou de Adeline nem uma vez." Eu mudei o assunto. Já que estávamos aqui, que pelo menos eu recebesse algumas respostas. Klaus sorriu enigmático. 

“Você pode ser a reencarnação dela, mas é outra pessoa agora, amor.” Ele disse e pegou minha mão novamente, puxando-me para frente. Curioso. Elijah não pensava assim. Mas de novo, ele me conhecia melhor que Klaus. Tanto nessa vida quanto na outra. “Isso é uma discussão para depois. Vamos, estamos quase lá.” 

Suspirei derrotada, seguindo a liderança dele quando atravessamos as árvores em uma pequena clareira. Eu vi Elena primeiro, um anel de fogo ao seu redor, impedindo-a de se mover. Jenna estava em sua frente. Elena olhou para cima quando rompemos a linha das árvores e pareceu surpresa ao me ver. Eu tentei dar-lhe um sorriso tranquilizante.

"Olá, meus amores." Klaus disse animadamente, a mão ainda segurando meu braço. "Nós estamos prontos?"

Foi então que olhei para o outro anel de fogo. Jules estava deitada, encolhida, chorando e se contorcendo de dor. Era lua cheia, ela devia estar em transição. Estremeci quando a mesma soltou um grito. Fiquei triste com o pensamento dela morrer, mesmo que ela tivesse me torturado.

Eu olhei de volta para Jenna que estava me encarando, o medo em seus olhos. Por que ele escolheria logo Jenna? Ela não tinha nada a ver com isso. Eu senti que era apenas o jeito dele de mostrar controle sobre todos. Que devíamos temê-lo. Isso era uma punição. Ele agarrou meu braço com mais força, puxando-me para mais perto.

"Me solta." Eu pedi, tentando sair do seu controle. Ele não me soltou, levando-me até o altar, onde havia uma garota, aparentemente da minha idade. Ela parecia familiar. Então me lembrei. Era ela. A bruxa, filha do Dr. Martin. Ela me olhou com desdém. Essa garota não parecia estar aqui contra sua vontade. Franzi o cenho quando ela começou a murmurar umas palavras em latim. Isso não me parecia nada bem. "O que ela está fazendo?" Eu perguntei à Klaus, que me ignorou. “Me solta!”

“Eu não posso arriscar que você tente interromper meus planos.” Klaus estreitou os olhos para mim antes de me soltar. Ele se afastou com Greta. Eu tentei me mover, mas não consegui. Estava presa por uma força invisível. Provavelmente o mesmo feitiço que Bonnie usou para manter Elena em casa, algumas semanas atrás.

Elena era a mais próxima de mim. Eu olhei para ela, que encarava Jenna. A Sommers estava sentada com os joelhos até o peito. Senti um aperto ao vê-la assim, tão frágil. "Elena.” Eu resmunguei. Ela olhou para mim. "Eu sinto muito."

"Não é sua culpa, Beth." Ela disse tristemente. Você está errada. Meu coração estava doendo. Se não descobríssemos algo logo, Jenna iria morrer. Elena teria que assistir sua tia morrer. E seria minha culpa. 

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Elijah observou o jovem vampiro antes de se aproximar. De uma forma, ele admirava Stefan. Sua coragem, sua compaixão. A vontade de fazer o que era certo. Essas eram qualidades que Elijah cultivava. Ele podia ver que o amor pela duplicata era tão grande que o Salvatore estava disposto a se sacrificar para salvar a vida de uma pessoa que ela amava; foi com esse pensamento que o Original resolveu se fazer presente. “Bonnie fez o feitiço de localização. Elas estão na pedreira de Steven’s Quarry." O Salvatore assentiu e se virou para encará-lo. Os dois parados no quintal da casa antiga das bruxas. Um lugar que Elijah abominava, mas era necessário estar ali.

"Eu vou lá primeiro e você acompanha Bonnie quando chegar a hora."

“Assim que a lua atingir sua fase final. Ela deve ficar escondida até então. Klaus não pode saber que ela está viva.” Elijah lembrou o vampiro mais jovem. Stefan assentiu e começou a se afastar, mas a voz de Elijah o parou. "Você é muito honrado." Stefan se virou e caminhou na direção dele.

"Você é? Porque todo esse plano, hum, depende de sua honra, Elijah.”

"Eu não vou falhar. Fiz uma promessa a vocês, a Elizabeth.” A voz dele endureceu ao tocar no nome dela. Ele havia combinado de a buscar. Era a promessa que havia feito. Ela estaria com ele durante o ritual para garantir que Bonnie continuaria segura. Elijah havia falhado com ela.

“É...mas você não me pareceu muito preocupado quando ele a pegou.” Stefan apontou amargamente. Era demais saber que sua melhor amiga estava nas mãos de um ser tão abominável quanto Klaus. E era pior porque ele havia confiado em Elijah para protegê-la, ao invés de fazer ele mesmo. Mas o Salvatore não conseguia evitar parar de pensar em Elena. Na segurança de sua amada. Ele não era mais nobre que Elijah, afinal, também havia falhado. Mas talvez ainda houvesse um jeito de consertar as coisas. 

“Eu gosto de acreditar que ainda conheço meu irmão. E se ele não a fez mal até agora, então tem um motivo maior. Ela está segura.” Elijah disse calmamente. Mas algo em sua expressão dizia que nem ele confiava mais no que estava dizendo. Como poderia? Ele também achava que Klaus, apesar de tudo, presava a família e mesmo assim, havia a destruído para sempre. “Nada disso importará em alguns momentos.”

“Se você diz...mas Klaus é seu irmão. Eu quis matar o meu mil vezes e nunca consegui.” Stefan apontou seus pensamentos para o Original com certa insegurança.

“Bem, Klaus não era meu único irmão. Eu tive irmãos; pais. Eu tive uma familia. Ao longo dos séculos, Klaus os perseguiu, um a um, e os tirou de mim. Ele os espalhou pelos mares onde seus corpos não foram encontrados.”

"Você quer vingança." Stefan percebeu.

“Às vezes há honra na vingança, Stefan. Eu não vou falhar com você." Stefan assentiu relutantemente e começou a se afastar. “Se algo der errado esta noite, cuide dela por mim.” Elijah sabia que não havia ninguém melhor para pedir isso. Ele sabia que o jovem vampiro faria de tudo mantê-la segura. Sua Elizabeth. 

"Por favor, termine isso." Foi tudo o que o Salvatore disse antes de sair.

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"Eu tenho a pedra da lua. Passei 500 anos procurando por isso." Klaus disse, examinando o talismã com certa melancolia. "Eu odeio ter que destruí-la.” Ele entregou a pedra da lua à Greta, que a pegou com cuidado. Ela então olhou para a lua, fazendo-me copiar seu movimento quase que instintivamente. A lua estava grande e brilhante.

"A lua passou do seu ápice." Greta disse. "Lembra-se de tudo que você precisa fazer?"

"Eu lembro." Klaus disse, virando-se para as mulheres três cercadas pelo fogo. Eu assisti Greta colocar a pedra da lua em uma tigela de chamas, deixando-a ser destruída. Klaus se moveu perigosamente em direção a Jules.

"Tudo o que fiz...só estava tentando ajudar Tyler." Jules me encarou suavemente. "Me desculpe."

Eu apenas assenti, sem reação. Ela gritou de dor, sua transição não havia sido concluída por causa do feitiço de Greta. Klaus andou em sua direção, as chamas diminuindo. Quando o anel de fogo caiu, os olhos de Jules ficaram dourados e ela correu em direção a Klaus para atacá-lo, mas ele foi mais rápido e a derrubou, sem suar, mergulhando a mão em seu peito. Ele sorriu maliciosamente antes de arrancar seu coração, matando-a.

"Não..." Eu sussurrei, sentindo um soluço silencioso. Apesar de tudo, eu não queria que ela morresse. Ela havia tentado ajudar Tyler, para ter certeza de que ele não estava sozinho. Agora ela estava morta e eu me perguntava como Tyler se sentiria assim que descobrisse.

Jenna, Elena e eu trocamos um olhar horrorizado quando Klaus jogou o coração de Jules nas chamas, onde Greta havia colocado a pedra da lua. Ele ainda estava sorrindo, o que fez minha pele arrepiar. Como alguém podia ficar tão feliz ao matar um ser? Não tinha outro jeito, ele precisava morrer. Por mais que de alguma forma, esse pensamento me incomodasse.

Desejei que Bonnie chegasse logo com Elijah. Senti meu coração disparar quando pensei nele. Eu não sabia o que Klaus faria comigo depois disso. Não sabia se ele iria me libertar ou me levar com ele, mas eu tinha que ver Elijah. Nem que fosse uma última vez. Ele precisava saber o que eu sentia. 

"Olá Jenna." Klaus disse, chamando minha atenção de volta. Eu o encarei, aquele sorriso maligno em seu rosto quando ele se aproximou de Jenna. Eu senti meu coração partir.

"Deixe ela ir." Elena implorou. "Eu entendo que tenho que morrer, mas ela não!" Ela se aproximou do anel de chamas e eles acenderam, forçando-a a recuar.

"Cuidado." Klaus avisou perigosamente. Não vi nenhuma mudança nele, nem mesmo após os pedidos de Elena. Isso fez meu sangue ferver.

"Elena, não." Jenna disse. Eu podia ver agora que Jenna estava pronta para isso. Ela estava preparada para o inevitável, e o pensamento me quebrou. Alguém tão gentil e feliz como Jenna...ela não merecia isso. Klaus estava fazendo isso apenas por maldade, para machucar Elena.

"Não, Jenna! Não podemos deixar Jeremy sem uma família." Elena disse para Jenna. Ela então se virou para Klaus. "Eu segui suas regras; fiz tudo o que você pediu. Eu não corri. Por favor!"

Klaus pareceu rir dela. Elena não tinha poder sobre ele. Suas lágrimas e seus pedidos apenas alimentariam o desejo de Klaus querer fazer isso ainda mais. Eu tinha que fazer algo. Não podia deixar isso acontecer. 

"Klaus.” Eu sussurrei, tentando manter minha voz calma. "Klaus...por favor." Ele se virou para me olhar, os olhos sem emoção, como pedra. Lambi meus lábios, engolindo a seco. "Use a mim...Jenna não tem nada a ver com isso." Eu apelei. Escutei Elena tentando me parar, mas eu não dei ouvidos. "Apenas deixe ela ir." Ele estreitou os olhos.

"Eu não posso fazer isso, amor." Klaus disse e por um segundo, achei ter visto um pingo de compaixão em seus olhos, mas eles logo se tornaram assustadores, uma ameaça silenciosa. "Não me pergunte de novo." A maneira como ele disse isso, como se estivesse me alertando para não implorar novamente, fez-me calar a boca. Voltei-me para Elena e senti meus olhos marejarem. Ela me lançou um sorriso triste.

"Ora, ora." Klaus disse de repente. "Não me lembro de você estar na lista de convidados." Ele olhou para o topo da colina, os olhos de um azul furioso. Eu segui seu olhar até a beira do penhasco onde estava uma figura. Após uma realização mais próxima, percebi se tratar de Stefan. Senti um pouco de alívio tomar conta de mim quando o vi. Stefan tinha que ter um plano. Ele não viria se não tivesse. Num instante, Klaus acelerou a colina e estava ao lado de Stefan. Podia vê-los conversando, mas estávamos longe demais para eu conseguir ouvi-los.

"O que está acontecendo?" Jenna perguntou, expressando meus pensamentos.

"E-eu não sei." Elena disse, depois se virou para sua tia. "Você pode ouvi-los. Você pode ouvir qualquer coisa. Apenas concentre-se neles."

Jenna pareceu estar confusa com as palavras de Elena, mas ela fechou os olhos. A testa dela enrugou quando ela tentou se concentrar nas vozes na colina. Depois de um minuto, ela abriu os abriu, frustada. "Eu não posso...não consigo entender." Jenna disse derrotada. Elena se agachou e ficou ao nível dos olhos de Jenna.

"Você consegue fazer isso." Elena a encorajou. "Apenas relaxe. Concentre-se."

Jenna assentiu, novamente focando nos dois vampiros que estavam na cordilheira. Eu olhei de volta para eles, incapaz de ver suas expressões. "Meu Deus." Jenna disse de repente. Elena e eu a encaramos ansiosamente, vendo seus olhos horrorizados.

"O que foi?" Elena perguntou impaciente quando Jenna não falou. Jenna olhou para a colina por um segundo antes de encontrar o olhar de Elena. Ela pareceu estar um pouco arrependida. 

"Ele quer tomar o meu lugar." Jenna disse. Eu senti meu estômago cair. Não era isso que eu tinha em mente quando Stefan veio em socorro. Mas eu sabia o que ele estava pensando. Nós éramos parecidos nisso, sempre dispostos a nos sacrificar pelo bem das pessoas que amamos.

"Não." Elena chorou. Meus olhos se voltaram para ela, vendo seus olhos cheios de lágrimas. Ela começou a andar pelo anel, puxando o cabelo e murmurando palavras sem sentido. 

"Elena..."

"Eu tenho de fazer alguma coisa." Elena disse freneticamente. "Isso não pode acontecer. Nada disso."

"Elena, você precisa se acalmar." Eu tentei acalmá-la. Ela olhou para mim com uma raiva repentina. Eu me encolhi um pouco, sentindo meus olhos arderem com o choro que ainda não havia descido.

"Eu não consigo me acalmar!" Elena gritou. "Isso é tudo minha culpa." Ela soltou um soluço e eu não queria nada além de correr e confortá-la.

"Que situação." Klaus disse quando desceu a colina com Stefan. "Sabe, é engraçado, toda essa conversa sobre preservar a família, e aqui está Stefan, atendendo ao seu desejo."

"Stefan..." Elena disse, não tendo mais nada para expressar sua tristeza. Stefan estava lá, forte e resistente como sempre, mas vendo Elena, sua parede de pedra rachou.

"Está tudo bem." Stefan disse. Elena balançou a cabeça, porque não estava tudo bem. O que Klaus estava fazendo não estava bem. Fazer Elena assistir seus entes queridos morrerem era doentio e cruel, e eu mal podia suportar. 

"Bem." Klaus disse com um sorriso presunçoso. "Quem será Elena?" Ela apenas o encarou, boquiaberta. Senti lágrimas de raiva caírem dos meus olhos.

"Como você pode ser tão cruel?" Eu gritei para Klaus, chamando sua atenção.

"Uh, vampiro, amor." Klaus disse, como se a resposta fosse óbvia. Eu balancei a cabeça, lágrimas caindo em minhas bochechas. Não entendia porquê estava tendo uma reação tão emocional. Deveria ter esperado isso de Klaus. Eu tinha ouvido falar do que ele era capaz, tinha visto. Mas isso não me preparou para o verdadeiro mal que residia em seu coração. 

"Não...você escolhe agir assim." Eu disse, olhando para Stefan. Ele era um bom vampiro, mesmo tendo um passado tenebroso. Stefan lutava a cada segundo contra sua sede por sangue. Caroline. Até mesmo Damon tentava. "Ser um vampiro não faz de você um mal." Eu repeti, olhando para Klaus. "É no seu coração onde está o mal." Ele olhou para mim, mas não com raiva. Pareceu que minhas palavras realmente o feriram. Eu deveria ter ficado calada, sabia que estava brincando com a morte, mas isso era ultrajante. Eu queria gritar.

"Talvez sim." Klaus disse vagamente, olhando de mim para Elena. Ele então acelerou diante de nossos olhos para Stefan, esfaqueando-o nas costas. Ele gritou de dor. Eu os encarei em choque.

"Não! Stefan! Não!" Elena chorou. Klaus quebrou um pedaço da estaca, deixando uma quantidade considerável de madeira nas costas de Stefan, mas não facilitando sua remoção.

"Eu tenho outros planos para o seu namorado. Eu o quero vivo." Klaus disse, quebrando o pescoço de Stefan e eu observei, com os olhos arregalados, quando meu melhor amigo caiu no chão. Ele então se virou para Greta. "Sempre que estiver pronta, Greta." A Martin começou a cantar um feitiço, fazendo o fogo ao redor de Jenna cair. Ela ficou parada, olhando entre Klaus e Elena. Ele estendeu a mão. "Sua vez." Jenna olhou para a mão dele.

"Não, Jenna!" Elena lamentou. A loira olhou para Elena com um olhar triste.

"Está tudo bem, Elena." Jenna disse com uma voz reconfortante. "Eu sei o que tenho que fazer."

Houve um momento de silêncio antes que Jenna usasse sua velocidade, recém-descoberta, para correr até Greta. Em um instante, seus dentes afundaram no pescoço da bruxa, parando o feitiço. Senti uma onda de alívio tomar conta de mim, mas o sentimento durou pouco quando Klaus usou sua própria velocidade para alcançá-la.

"Jenna!" Elena e eu gritamos, como se gritar o nome dela a salvasse. Ela encontrou o olhar de Elena, olhos cheios de dor e preocupação. Percebi que estava chorando quando senti meu rosto molhado. As lágrimas escorrendo livremente pelas minhas bochechas. Jenna não merecia isso. Ela não deveria estar envolvida. Jenna era inocente.

"Apenas desligue. Jenna. Desligue." Elena disse chorosa. "Você não ficará mais assustada." Jenna assentiu e, embora não fosse óbvio, eu sabia que Jenna havia desligado suas emoções. Quando Klaus levantou a estaca acima do coração, ela pareceu menos assustada e quando ele mergulhou a estaca de madeira em seu coração, ela não chorou.

Mas Elena sim. Ela desabou, como se alguém tivesse acabado de lhe dar um tiro. Eu tive que fechar meus olhos para não a ver chorando no chão. Se o fizesse, tentaria ir até ela e não conseguiria chegar lá. Eu ainda estava inútil, presa numa força invisível.

Um momento depois, Stefan acordou, seus olhos se abriram e ele respirou fundo. Supus que ele pensasse que estava morto, e perceber que estava realmente vivo deve ter sido um choque imenso. O Salvatore olhou para mim, preocupado, e depois para Elena, que estava sentada no chão. Ela não gritava mais. Porém ainda havia resquícios das lágrimas derramadas. A maquiagem escorrendo pelo rosto e um olhar vazio nos olhos. "Eu sinto muito." Stefan disse para Elena. Ela não disse nada, apenas o calou. Ele se acalmou esperando que ela falasse com ele. Elena piscou algumas vezes.

Não consegui mais escutar o que eles estava sussurrando um para o outro, mas vi que Stefan assentiu e Elena pareceu aliviada com isso. Parei de invadir a privacidade deles e olhei para Klaus, que estava de costas para nós, assistindo Greta continuar seu feitiço com o sangue de Jenna e pude sentir minha ansiedade aumentar.

"Está na hora." Klaus se virou para Elena e a morena se levantou. O círculo de fogo desapareceu ao redor de Elena e, por mais que eu quisesse que ela corresse, eu sabia que ela não iria. Não havia escapatória. Elena passou por Klaus, vindo em direção ao altar. Ele pareceu divertido com isso, pois apenas sorriu e a seguiu. 

"Lena..." Sussurrei com a voz embargada. Ela se virou para mim, seus olhos vidrados com lágrimas. 

"Está tudo bem. Eu te amo, Beth." Eu apenas assenti, sem conseguir falar, chorando silenciosamente. 

"Obrigado Elena." Klaus disse enquanto pegou o rosto dela em suas mãos.

"Vá para o inferno." Elena disse e Klaus riu de sua frase.  

Eu assisti, impotente, quando ele afundou suas presas em Elena. As pálpebras dela começaram a tremer e seus olhos rolaram na parte de trás de sua cabeça enquanto eu a observava morrer. Ouvi os gritos de Stefan, mas só conseguia observar Klaus soltar o corpo, sem vida, de Elena no chão.

O sangue escorreu da boca de Klaus e a chama foi abruptamente extinta. Eu senti uma onda sobre meu corpo, como se estivesse sendo revestida por um cobertor de calor. Tossi, sentindo uma estranha sensação de felicidade tomando conta de mim. Eu estou livre, uma voz familiar ecoou em minha cabeça. Olhei para Klaus, confusa, vendo que ele estava distraído enquanto descia os degraus do altar. 

"Eu posso sentir isso. Está acontecendo.” Ele suspirou, olhando para a lua cheia. De repente, seus ossos começaram a rachar e ele começou a se transformar. No mesmo momento, senti uma onda de dor fluir através de mim. Ofeguei de dor, pois parecia que meus ossos estavam quebrando. "Sim. Sim!" Eu mal registrei o som estridente quando caí de lado, com dor. Olhei para cima e vi que Klaus estava no chão há metros de distância de onde ele estivera um momento antes. 

De repente, Bonnie apareceu descendo a encosta, cantando um feitiço. Eles estavam aqui. Olhando para Greta, vi a bruxa sem vida e Damon atrás do corpo dela. O Salvatore levou Elena, após ajudar o irmão. Stefan correu para meu lado e me agarrou, preocupado. "Beth, o que há de errado?"

"E-eu...eu não sei.” Respondi, com a voz embargada, quando olhei para Klaus. Sentia-me com medo, preocupação e dor ao mesmo tempo. Tinha que ser por causa da ligação, tinha que ser. Imediatamente me lembrei de quando Katherine se ligou a Elena, mas isso parecia diferente. Eu estava me sentindo diferente.

"Não! Você estava morta!” Ele gritou para minha prima quando ela se aproximou. Bonnie não parou de cantar enquanto se aproximou dele e seu corpo se contorceu em formas dolorosas enquanto ele gritava.

Mordi o interior das bochechas, tentando parar de gritar com a dor intensa, mas minha visão estava começando a embaçar.

Klaus gritou de dor enquanto se deitou nas rochas. Pensei que poderia lidar com isso, mas quando o vi deitado ali, tão machucado, algo estalou dentro de mim. "Pare..." Sussurrei. Bonnie não ouviu, ela continuou cantando o feitiço. "Pare!" Exclamei. Bonnie virou-se para mim, preocupada, mas continuou atacando o híbrido. "Bonnie, pare!" Gritei e tentei ir até ela, mas Stefan me segurou. Eu me esforcei para sair de seu aperto, mas ele era muito forte. "Me deixe ir Stefan, me solte!”

Os gritos de Klaus estavam ficando mais altos, o que só fez o meu desespero e dor crescerem. Lágrimas escorreram por meu rosto e continuei gritando e chutando. "Pare! Por favor, pare!” 

Bonnie parou de cantar e abaixou a mão. A dor cessou imediatamente. Klaus parou de gritar e olhou para mim. Chorei mais quando o vi no chão, sabendo que em um momento ele estaria morto. Deus. O que estava acontecendo comigo? Elijah apareceu e se aproximou de seu irmão, pegando-o de surpresa.

"Elijah?"

"Olá irmão." Elijah sorriu para o híbrido e, assim, ele socou o braço no peito de Klaus, agarrando seu coração, mas sem arrancá-lo do peito imediatamente.

"Não!" Gritei, tentando sair do controle de Stefan, mas ele não afrouxou seu aperto contra mim. Elijah se virou em minha direção, atraído pelo meu grito e eu pude ver a preocupação em seus olhos, seguida de culpa. Isso fez meu coração se partir ainda mais.

"Sinto muito, Elizabeth." Ele voltou para o irmão. "Em nome de nossa família, Niklaus..." Ele torceu o coração do híbrido, que ofegou de dor. Senti meu corpo arder e desviei os olhos da cena. 

"Eu não os enterrei no mar!"

"O quê?" A voz de Elijah carregava confusão e esperança. Isso me fez entender o que as palavras de Klaus significavam e imediatamente parei de me debater contra Stefan e olhei para os irmãos.

“Seus corpos estão seguros. Se você me matar, nunca os encontrará.”

“Elijah! Não dê ouvidos a ele." Stefan exclamou, ainda me segurando. 

“Elijah. Eu posso te levar até eles. Dou-lhe minha palavra...irmão.” Eu vi o quanto essas palavras pareceram afetar Elijah e nesse momento, eu pude finalmente respirar. Eu sabia o quanto família significava para Elijah. Isso mudava tudo.

"Faça isso e eu vou matar vocês dois." Bonnie ameaçou e eu a olhei assustada. 

"Você morrerá." O Original respondeu.

"Eu não ligo." Ela retrucou. 

Elijah olhou para o irmão e depois para mim, conflituoso. Eu assenti, mostrando que estava tudo bem e ele se virou para Bonnie e Stefan. "Eu sinto muito." Stefan me soltou, correndo junto com Bonnie em direção aos dois Originais, mas antes que conseguissem alcançá-los, Elijah desapareceu com Klaus.

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Ava Bennett.

Amada filha, esposa e mãe. Sempre em nossos corações. 1972 — 1992

Casa do lago, 2003.

A festa estava animada. A casa do lago dos Gilbert nunca havia recebido tantas pessoas de uma vez só. E diferente das crianças que se encontravam correndo pelo quintal, a menina de cachos rebeldes estava sentada nas escadas, sozinha. 

Elizabeth escutava a voz animada dos amigos brincando do lado de fora. Ela até podia imaginar Caroline trapaceando para ganhar de Elena e Bonnie. Normalmente ela estaria lá, tentando amenizar a briga quando houvesse uma. 

Uma parte dela amava comemorar seu aniversário, pois esse era na mesma data da melhor amiga, Elena Gilbert. E elas sempre comemoravam juntas. Não fora diferente este ano. Mas ao mesmo tempo, a menina sentia-se triste, culpada até. Uma culpa tão grande para alguém tão jovem carregar. 

“Querida, por que você não está lá fora comemorando o seu aniversário?” Uma voz doce surgiu e a figura de Miranda Gilbert apareceu na frente dela. Quando percebeu os olhos marejados de Elizabeth, Miranda decidiu sentar-se do lado da garota. 

As duas ficaram um tempo em silêncio, presas em suas próprias mentes. “Sua mãe foi a melhor pessoa que eu conheci, minha melhor amiga. Não fale isso para Jenna.” Miranda quebrou o gelo, fazendo Beth rir. “Está tudo bem sentir falta dela, querida.” 

“Mas eu nem a conheci. Eu matei a minha mãe.” 

“Não! Nunca mais diga isso, querida.” Miranda segurou a mão de Elizabeth. “Sua mãe te amava demais. Mais do que tudo no mundo. Ela deu a vida à você porque te amava. Você não teve culpa de nada. O que aconteceu foi um acidente, okay? Nunca duvide disso.” 

“Eu queria tanto que ela estivesse aqui comigo.” Beth disse contra os soluços. As lágrimas correndo livremente pelo rosto. 

“Eu sei. Eu também.” Miranda disse suavemente. “E de alguma forma, ela está. Em nossos corações. Agora, por que você não enxuga essas lágrimas e vai comemorar o seu aniversário? Não é todo dia que se faz 11 anos.”

Beth a abraçou fortemente e as duas sorriram, ambas pensando em Ava Bennett. 

"Mãe.” Não aguentei mais ficar em pé e caí de joelhos no gramado. Doía tanto. Um soluço rasgou minha garganta e minha respiração engatou. “Eu tentei mãe, tentei impedi-lo de matar Jenna, mas não consegui. E-eu não consegui.”

Senti braços quentes me envolvendo e levei um momento para perceber que era Bonnie. Coloquei os braços em volta dela e a abracei.

Meu pai sempre dizia que lírios eram as flores favoritas de mamãe. Vovó costumava brincar que toda vez que ele aprontava alguma, Magnus aparecia no dia seguinte com um lírio de presente. Eu olhei para o que estava em minha mão e pus, delicadamente, na frente da lápide, sentindo as lágrimas escorrerem. 

Essa era a segunda vez que eu visitava o túmulo de minha mãe desde voltei a Mystic Falls. A primeira havia sido no enterro de vovó, mas eu mal conseguia encarar o nome dela do lado da mulher que havia me criado, sabendo que a morte das duas eram minha culpa. Uma porque eu nasci, a outra porque fui embora.

Bonnie me ajudou a voltar para onde a cerimônia estava acontecendo. Olhei para Elena, que estava abraçada a Jeremy, no túmulo de seus pais. Ela me deu um sorriso triste de longe e eu retribui, desviando o olhar em seguida. Eu mal havia dormido desde ontem. As imagens do ritual ainda circulando em minha mente. Decidi que era a hora voltar para casa. Não conseguiria ficar aqui por mais tempo, não quando eu mal conseguia encarar meus amigos. “Eu quero ir para casa, Bon-bon.” Ela apenas assentiu e nós saímos sem se despedir.


Notas Finais


Eaí, gostaram??? Intenso demais? Se tiverem alguma dúvida, só me perguntar nos comentários. O que acharam da interação Klaus e Beth? No próximo teremos mais ainda (spoiler de leve) hehe.
Xx💛


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