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História Love me Harder (Kim TaeHyung - BTS) - Capítulo 31


Escrita por:


Notas do Autor


EU SEI QUE EU DEMOREI, E PODEM ME BATER POR ISSO

pqp faz tempo que não atualizo essa fic

mas bem, nem vou enrolar já que apaguei o discursão que eu fiz antes, então só leiam ;-;

Capítulo 31 - Virada do ano.


Fanfic / Fanfiction Love me Harder (Kim TaeHyung - BTS) - Capítulo 31 - Virada do ano.

A festinha não durou muito, afinal era para ser algo simples para o aniversário de TaeHyung não passar em branco. Comemos e bebemos refrigerante, ok preciso admitir que TaeHyung e seu tio possam ter exagerado no álcool, eu reparei que no terceiro copo de soju Kim já estava bêbado, enquanto JongHyun parecia acostumado à beber, Soyeon o levou para a pousada cedo e todos decidiram então ir dormir, amanhã seria a virada do ano e dona Amora disse que dá para vermos os fogos pela varanda, estou animada para ver, eu costumava ver os fogos da varanda de meu apartamento, não será a mesma coisa agora que estou na fazenda, ainda falta muito, mas já sinto a ansiedade me possuindo!

Dona Amora deixou o filho mais velho na cama e pegou a mais nova, colocando em seu aposento também, pedi para a senhora Kim colocar um copo de água e um remédio para ressaca na cômoda de TaeHyung, certeza que acordará com ressaca e não quero que ele fique irritado. Hoje foi um dia tão bom, aniversário de TaeHyung, nunca imaginei que hoje seria tão legal e significativo para mim, ajudar na preparação, e ele adorar tanto a festinha que eu e sua família preparamos... não imaginei que isso o deixasse tão feliz! Ainda mais com o presente que dei para ele... não era grande coisa, mas a maneira que ele falava, era como se fosse a melhor coisa que ele já ganhou, fiquei tão emotiva com isso...

Eu tenho medo que tudo isso que construímos desabe de uma vez, eu sei que não será pra sempre, alguma hora terei que ir embora, sei que moramos na mesma cidade, mas eu pretendo mesmo fazer faculdade fora do país, então não sei se TaeHyung e eu poderíamos manter uma amizade tão longe, tirando o fato que estou sentindo coisas estranhas por ele, não sou tão burra ao ponto de não achar que isso é o famoso amor ou paixão. E eu não sei o que é exatamente, mas não achei que poderia me apaixonar por TaeHyung, estou em dúvidas e não sei como retirá-las, não poderia simplesmente falar para ele que sinto coisas estranhas, somos amigos, mas não tenho coragem para tratar desse assunto com ele, Choi se sentiria convencida de jogar na minha cara um belo "eu sempre soube!", e dona Amora diria o mesmo... então o jeito é descobrir sozinha _____.

Mas é melhor eu não ficar pensando nisso, na verdade esse assunto não está saindo da minha cabeça, tudo relacionado à TaeHyung está consumindo a minha mente, eu não me recordo de momentos aqui na fazenda em que ele não estava presente, nosso começo pode ter sido "bagunçado", mas viramos amigos e enfim confiamos um no outro, eu apenas estou com um leve receio de que essa nossa relação, esteja se tornando algo a mais. Realmente preciso parar de pensar nisso e focar nas festividades do final do ano, nem sei se TaeHyung pensa o mesmo ou se se quer ainda se lembra daquele selinho, então preciso parar de parecer paranoica com esse assunto e tentar esquecer.

E enfim chegamos no último dia do nosso ano, não sei se a família Kim comemora algo no final do ano, mas é bem provável que ao menos eles devem observar a queima de fogos, mesmo que seja da fazenda deve dar para ver algo, acho que quase todos os lugares do mundo soltam fogos de artifício quando se é ano novo, e ainda não pensei na minha resolução, são tantas coisas que quero aprender, talvez a tocar mais um instrumento, ou aprender outro idioma, talvez encontrar um namorado na faculdade, desejar felicidade e saúde para minha família e amigos... são coisas quase normais de resoluções, mas realmente não consigo pensar em nada de especial, ano passado pedi para que minha família conseguisse se estabelecer, e conseguimos!

Ontem posso ter acordado cedo para tentar preparar um café para a família Kim, mas hoje acordei tarde mesmo, acho que devo ter exagerado no quesito de comemorar o aniversário de TaeHyung, pior foi ele e o tio que decidiram beber, TaeHyung capotou em sua cama, provavelmente vai ter ressaca, mas era aniversário dele, então acho que não tem problema. Levantei de meu sofá cama e o cheiro de pão quentinho invadiu minhas narinas, deve ser dona Amora que parece estar acostumada a acordar cedo para fazer o café da manhã. Consegui tomar um banho quente — agora no banheiro do corredor — e vestir uma roupa quentinha, não sei se iria ficar apenas na casa, mas era provável que sim, botei apenas uma blusa de mangas por debaixo de uma blusa de lã que ganhei de uma tia minha a anos atrás, mas que ainda me servia, e pus minha calça com uma meia por baixo, calcei meus chinelos e fui até a cozinha, onde vi Taegguk e dona Amora.

— Bom dia querida! Está um pouco tarde, não? — Disse marota, como uma bronca de brincadeira, mas claro que senti vergonha, eram dez da manhã, acho que todos já haviam acordado.

— Acho que exagerei ficando acordada até tarde ontem... — Murmuro. — Todos já acordaram?

— O Tae ainda não acordou. — Taegguk fez uma expressão pensativa. — Bebeu muito ontem, deve acordar tarde!

— Na verdade já passou a hora do mocinho acordar, todos já tomaram café e daqui a pouco vou começar a fazer o almoço! — A senhora Kim disse dando um gole em seu café quentinho. — Querida pode ir chamar ele? Aí vocês podem tomar café juntos.

— Tudo bem... — Não podia negar isso, mesmo que eu ainda tinha leve receio em entrar no quarto dele sem permissão, o acontecimento de um tempo atrás realmente parece ter me traumatizado, estou com medo de dar qualquer deslize e acabarmos voltando à estaca zero novamente.

Saí da cozinha as deixando só, e caminhei até o quarto de Kim, parece que os avós dele também saíram já que não os vi, e o tio Caqui deve ter saído também. Chegando em frente a porta de seu quarto, respirei fundo e resolvi bater três vezes antes de entrar, chamei seu nome, mas tudo o que ouvi como resposta foi um leve ronco, prendi o riso e entrei em seu quarto fazendo cuidado para não fazer barulho, e o vi dormindo todo esparramado na cama, com as cobertas apenas em sua cintura e em uma perna, a outra estava pra fora e ele estava de bruços e vi uma leve baba saindo de sua boca entre aberta, e o lençol meio molhado, mas não vou julgar, quando estou em sono profundo ás vezes acontece comigo também. Tata dormia em sua caminha e Yeontan deveria estar do lado de fora brincando, acariciei o pelo do gato e resolvi que deveria logo acordar Kim antes que ele acordasse e me visse em seu quarto. Então levantei e sentei em sua cama, o encarando antes de resolver acordá-lo, não é todo dia que posso observá-lo sem ter medo de ser pega.

Como nunca reparei no quão lindo ele é? Parece cuidar muito bem da pele apensar de ter algumas imperfeições não muito visíveis, os cabelos acastanhados em um corte tigela era um pouco de seu charme, não ficou nem um pouco esquisito nele, ao contrário, combinou perfeitamente consigo. Os olhinhos eram fofos até fechados, se formavam apenas risquinhos por ter olhos pequeninos e puxadinhos de oriental, a boca entre aberta, não tinha lábios tão cheios, mas nem muito pequenos, na medida correta, e eu logo me lembrava do dia em que seus lábios se encostaram nos meus por míseros segundos, foi rápido, mas pude perceber que beijá-lo deve ser a melhor sensação do mundo. Droga essas sensações são tão estranhas, mas mesmo assim... são boas, era bom sentir tal sentimento pelo TaeHyung, mesmo que eu quisesse evitar a todo custo para não gerar problemas, e era mais por causa de minha faculdade, ir embora e deixá-lo não será nada fácil.

Quando percebi, minha mão direita automaticamente pousou até seus cabelos castanhos, fazendo um carinho, um cafuné gostoso, suas madeixas amarronzadas eram sedosas e macias, de quem também cuidava dos cabelos muito bem. TaeHyung soltou um leve ronco e eu prendi novamente o riso, era uma cena fofa até, pode não ser pros outros, mas para mim era. Nem via o tempo passar, apenas fiquei fazendo um carinho em seus cabelos macios, até que percebi que a boca de Tae não estava mais entre aberta, e sim formada em um sorriso lindo. Ele estava sonhando? Melhor eu acordar ele logo antes que dona Amora perceba minha demora e venha aqui, pode pensar malícias, parei com o carinho e resolvi chamá-lo logo, porém senti sua mão segurar a minha e botar de volta em sua cabeça.

— Não para Borboleta, estava tão bom... — Murmurou com uma voz rouca de quem havia acabado de acordar, afinal a quanto tempo está acordado?! Me espantei e parei com o carinho, me levantando da cama também. — Poxa... estava tão bom... — Levantou, sentando-se na cama e coçando os olhos, uma cena fofa. TaeHyung bocejou incrivelmente alto e pôs a mão na cabeça, soltando um som de dor.

— Ressaca? — Assentiu, peguei um remédio e dei para ele. — Pensei que teria e trouxe um remédio. — O mais velho pegou o comprimido e engoliu com a ajuda da água. — Estava... acordado durante muito tempo? — Minha pergunta saiu mais constrangida do que deveria.

— Na verdade não sei, quando acordei senti o carinho e quis dormir de novo. — Sorriu quadrado. — Desculpe se te assustei. — Neguei.

— Tudo bem, eu vim apenas te acordar e acabei ficando mais tempo do que deveria. — Cocei a nuca, devo ter pegado a sua mania de fazer isso quando está com vergonha, olhei para ele e vi suas bochechas levemente coradas, então ele também estava envergonhado.

— Me observando? — Eu senti um leve duplo sentido em sua frase, e se não fosse pelo seu tom maroto e convencido, eu iria ficar mais constrangida ainda, então apenas soltei uma risadinha.

— Talvez. — Respondi brincando, mas era realmente verdade. — Bom melhor irmos comer algo, sua mãe pode pensar besteiras em ver nossa demora. — Ele riu e o deixei só para se ajeitar, tomar banho e arrumar a cama, então caminhei até a cozinha, acho melhor esperar o almoço, se eu comer agora posso não ter estômago para o almoço. Cheguei na cozinha e vi Taegguk brincando com Yeontan na neve do lado de fora, e dona Amora parecia estar preparando alguma coisa. — Já acordei ele, está se ajeitando, logo ele vem. — Expliquei.

— Demoraram um pouco... aconteceu algo lá? — Droga eu sabia que ela ia reparar, apenas desviei o olhar, possivelmente corada. — Está corada, aconteceu?

— N-Não dona Amora, não aconteceu nada, eu disse: somos apenas amigos. — Suspirei derrotada e me sentei em meu lugar na mesa. — Acho que vou esperar o almoço ficar pronto para comer... — Tentei mudar de assunto.

— Nada disso mocinha, o café da manhã é a refeição mais importante do dia, trate de comer! — Eu ri pelo seu jeito preocupado que ela demonstra ser comigo, ela é uma boa pessoa e uma boa mãe, dá pra ver que TaeHyung puxou mais dela do que de seu pai. — Eu vou te empanturrar de comida! E lembre-se que hoje teremos o jantar para a chegada do ano novo!

— Esqueci disso... achei que vocês só vissem os fogos. — Ela negou.

— Farei uma janta caprichada com a Soyeon. — Sorriu convencida, e começou a preparar algo que não pude ver.

— Se quiserem eu posso ajudar. — Não queria parecer preguiçosa, eu era a hóspede ali e precisava fazer alguma coisa, tecnicamente por obrigação!

— Nada disso mocinha, você já fez muito no natal e no ano novo, deve descansar, que tal passar o dia com o Tae? Ele vive reclamando que estou roubando você dele. — Sua frase foi divertida, mas eu senti minhas bochechas esquentarem e um leve sorriso bobo sair, sorte que dona Amora estava de costas ou iria jogar na minha cara que eu gosto de seu filho mais velho.

— Bom dia mãe. — Kim chegou na cozinha coçando os olhos, deu um beijo na mãe e se sentou ao meu lado. — Essa ressaca está horrível... — Praguejou.

— Quem mandou beber mocinho? Agora vai ficar com dor até o remédio fazer efeito! — Ri pela leve bronca que Tae levou, ele então suspirou.

— Mãe era meu aniversário, qual é o problema? E eu já sou maior de idade. — Se vangloriou e eu revirei os olhos. — E você Borboleta, porque não bebeu?

— Eu não gosto muito, nunca fui de beber, quem bebe muito é o Jimin. — Dei de ombros, as poucas vezes que bebi eu não lembrava direito das coisas, ou seja, sou bem fraca no álcool.

— Jimin? — Dona Amora pergunta confusa.

— É meu irmão mais velho. — Ela soltou um som afirmativo e logo se virou com dois pratos nas mãos, que continham um sanduíche em cada prato, e logo também pôs na mesa suco de uva.

— Eu sei que TaeHyung odeia café, mas não sei se você gosta querida, então acabei fazendo apenas suco de uva. — Serviu-nos, e me senti lisonjeada por ela ter feito nosso café da manhã mesmo comigo relutando para apenas almoçar.

— Prefiro suco. — Respondi, não gostava tanto de café, na verdade odiava, quem gosta mesmo é meu irmão, é incrível como somos contraditórios, nem parece que somos irmãos. — Muito obrigada dona Amora.

— Imagina querida, eu disse que deve comer ou vou te empanturrar de comida! E vai se lamentar por não ter espaço para a janta de hoje! — Gargalhei e dei uma mordida no sanduíche, estava delicioso.

— Está uma delícia! — Respondi após engolir.

— Está mesmo! — TaeHyung responde de boca cheia.

— Engula antes de falar algo TaeHyung. — O repreendeu séria e ele fechou a cara, ficando emburrado. — Querido não fique assim, ou está envergonhado por eu te dar bronca na frente dela? — Tanto eu quanto Kim nos engasgamos um pouco. — Bom é melhor comerem, estou começando a fazer um belo doce para a noite! Então guardem estômago crianças! — Kim e eu voltamos a comer em silêncio.

Odiava ficar em um ambiente comigo e com ele assim, constrangidos demais para falar algo ou iniciar um assunto, sua mãe nos deixou assim, nem ele e muito menos eu temos a coragem de comentar algo, então apenas comemos em silêncio, quando terminei peguei meu prato e meu copo sujos e fui até a pia lavar, dona Amora me repreendeu e disse que ela poderia lavar, mas neguei e lavei mesmo com ela negando. TaeHyung continuou comendo na cozinha e eu fui colocar mais casacos, luvas e minha bota, para poder dar uma caminhada lá fora.

O inverno era uma bela estação, as árvores e o chão cheios de neve eram uma belíssima paisagem, pena ser tão frio para ficar tempo demais aqui, sem as roupas apropriadas pode ocorrer uma tragédia, não pretendo ficar muito aqui, apenas queria ter um tempo para mim ficar sozinha e pensar em hoje a noite, e também em pensar no dia seguinte.

É claro que amanhã mesmo a família de Kim vão embora da fazenda, o que é uma pena, eu adorei conhecê-los, foi diferente do que imaginei, realmente o tio Caqui e a dona Amora são pessoas gentis, claro que de cara me acharam estranha por estar, tecnicamente, morando com o filho mais velho, mas depois parecem ter se acostumado comigo, dona Amora é uma grande mãe, acredito eu.

— O que faz aqui sozinha, estranha? — Soltei um leve gritinho de susto ao ouvir TaeGguk próxima à mim, quando ela chegou aqui? Devo ter ficado muito perdida nos meus pensamentos.

— Só estava pensando, e eu não sou mais estranha, TaeGguk, eu tenho nome! — Eu não estava brigando com ela, mas ser chamada de estranha não era muito amigável. — Mas se quiser pode me chamar de “Borboleta”, é como o seu irmão me chama.

— Sim, eu percebi. — Ela sentou-se do meu lado, era estranho estar assim com ela, não conversávamos muito, mesmo ela sendo uma criança apenas. — O meu irmão gosta bastante de você, estranha. — Revirei os olhos por causa do apelido, mas me interessei pelo assunto citado.

— Somos grandes amigos, afinal estamos morando juntos por bastante tempo. — Expliquei, mas ela negou.

— Eu acho que não. — Arqueei a sobrancelha, confusa. — O inverno é bonito, não? Eu e o Tae brincávamos na neve quando morávamos aqui, ainda brincamos, mas ele é um adulto, e adultos são chatos, queria um irmão da minha idade pra brincar o tempo todo comigo. — Ri meio nervosa, como ela pode mudar de assunto após ela ter dito aquilo?

— Sim, sim... Mas gosta bastante do seu irmão, não é? — Ela assente. — Eu também tenho um irmão mais velho, sei como são chatos.

— O Tae não gosta de me ver perto de garotos, mas gosta de saber que tenho muitos amigos. — Porque, de repente isso me pareceu à cara dele? — Você e ele continuarão sendo amigos depois que as férias acabarem? — Sua pergunta me fez refletir.

É claro que muitos pensamentos sobre isso já rondaram a minha mente, mas eu me sentia apreensiva de imaginar o futuro depois que eu fosse embora, eu me apeguei à TaeHyung, e acho que seria difícil, com o tempo, acordar sem ver ele trabalhando, ou vendo-o fazer o que ele faz de melhor, e pior, sem ver exatamente ele. Eu acho que tem algo por trás desse sentimento de eu simplesmente não conseguir aceitar que daqui a alguns meses eu posso não ver mais meu amigo, é claro que deve ter, mas sou ingênua e talvez, insegura demais para saber distinguir o que é, ou simplesmente aceitar esse sentimento, como eu já disse, não quero ter segundas intenções sabendo das conseqüências, eu posso ser aceita na faculdade do Canadá, ele pode estudar em outro país também, ah esses pensamentos pessimistas estão me consumindo! Mas só consigo pensar negativo quando se trata de ainda manter contato com Kim mesmo depois que eu for embora, esse dia chegará num piscar de olhos e eu gostaria de evitá-lo, mesmo que eu não consiga...

— Você ficou calada, é mesmo estranha. — TaeGguk me tirou de meus pensamentos novamente. — Eu acho que eu tenho razão, só pela sua expressão deu pra notar, mas fica tranqüila, eu não conto pra ninguém! — Ela sussurra a última parte, abri a boca para retrucar, mas ela se levantou e continuou a falar: — Vou chamar meus avós pra brincar, tchau, estranha!

— TaeGguk! TaeGguk! — Era tarde demais, a pequena simplesmente saiu correndo na neve como se essa conversa nunca tivesse acontecido.

Era até estranho uma criança me botar pra pensar desse jeito, mas afinal, do que ela estava falando? Porque negou quando eu disse que TaeHyung gostava de mim pois somos bons amigos que moram juntos por um tempo? E porque ela disse que acha que tem razão sobre algo a meu respeito? Ela me deixou intrigada, mas vai ver é apenas algo da minha mente, TaeGguk não deve ter idade para saber sobre essas coisas, eu acho, mesmo que ela não possa ser tão ingênua, eu deveria deixar essa conversa de lado e continuar a pensar sobre hoje a noite, já que haverá a queima de fogos, uma bela visão que só temos no ano novo.

— Borboleta! — Eu dei um pulo de susto com a voz grave de TaeHyung no pé do meu ouvido, e acabei deitada na neve, ouvi suas gargalhadas e bufei, me recompondo e tirando a neve do meu cabelo, quem aparece assim nas sombras? — Desculpa te assustar, mas eu te chamei muitas vezes e você continuou parada com uma cara estranha.

— Desculpa, eu estava pensando. — E por ironia do destino, o meu pensamento veio até mim, literalmente. — O que faz aqui? — Se sentou ao meu lado.

— Terminei de ajudar minha mãe, agora ela, a vovó e a tia vão fazer alguns aperitivos para a noite.

— Oh melhor eu ir ajudar elas! — Tentei me levantar, mas Kim me puxou pela manga do moletom, me puxando para baixo, fazendo eu me sentar ao seu lado novamente. — Ei!

— Minha mãe pediu exclusivamente para você apenas aproveitar, Borboleta, ela quer te agradar e nada mais justo que você aceitar ao agrado, acredite, quando minha mãe quer agradar ela consegue! — Deitou na neve soltando as palavras com a voz meio rouca.

Por que isso de repente?

— Não consigo na verdade, é que... Me sinto meio mal por não ajudar, a hóspede aqui sou eu afinal! — Fiz um bico involuntário e ele riu de minha expressão.

— Você já ajuda demais Borboleta, aceite. — Ajudo sim, na verdade eu sempre acho que o que eu faço nunca vai ser o suficiente para agradecer à TaeHyung por ele me deixar ficar em sua casa durante todo esse tempo.

— TaeHyung... — O chamei, murmurando quase inaudível, ele soltou um “hm” preguiçoso. — Você comentou algo... com a TaeGguk, digo, sobre a gente?

— Como assim? — Ficou confuso.

— Ah... é que ela veio com um papo de que, você gostava de mim, e quando eu disse que éramos muito amigos ela negou e não disse mais nada, estranho não? — Kim arregalou os olhos meio surpreso. — Aconteceu algo?

— N-Não... acho que TaeGguk interpretou mal, realmente, me desculpe se ela te deixou confusa. — Eu ri nervosa, assentindo. — Enfim, temos o dia livre, vamos nos divertir um pouco, mas se quiser ficar só comigo, melhor correr ou a TaeGguk vai vir atrás de nós. — Ficar só comigo...

Foi aí que eu percebi o quão essa frase me fez ter um embrulho no estômago — no bom sentindo — e o quanto ela me deixou nervosa.

 

 

...

 

 

A noite chegou mais rápido do que eu imaginei, quando eu percebi o céu já estava estrelado até demais, e a lua iluminava a noite escura. TaeHyung e eu não fizemos muita coisa, apenas passeamos pelo campo, demos uma ajeitada no celeiro — mesmo que não era dia de trabalho — e brincamos um pouco na neve como duas crianças. Quando entediamos, entramos na casa e ficamos jogando vídeo-game com TaeGguk, mesmo que ele quisesse jogar comigo, deixei sua irmã o roubar de mim enquanto eu desenhava um pouco, coisa que eu não fazia a um tempo.

A janta estava quase pronta e faltava, em média, uma hora e meia para ser ano novo , então tivemos que nos apressar um pouco, nos arrumamos já que era uma ocasião especial, eu não sabia o que usar, mas Soyeon me aconselhou à usar um vestido mesmo com o frio, então apenas coloquei um vestido branco com uma meia calça preta, e um casaco enorme branco ocupando o frio, já que iríamos jantar em uma varanda do lado de fora da casa, para vermos os fogos e fazermos nossos pedidos para a resolução de ano novo, e eu nem tive tempo de escolher o que pedir.

— Pronta? — TaeHyung perguntou parado na porta de seu quarto, já que eu utilizava seu banheiro, pois todos os outros estavam ocupados e ele me “emprestou”  o seu.

— Agora sim! — Terminei de botar o brinco e saí do banheiro. — Como estou? — Dei uma voltinha pela brincadeira, na verdade eu não queria me arrumar, apenas estar assim me deixava feliz.

— Bom, eu posso estar mais bonito, mas você dá pro gasto. — Dei um soco de brincadeira em seu ombro e ele riu fingindo dor. — Ai! E ainda insiste em me machucar!

— Idiota. — Rimos. — Você está bem. — Julguei seu visual, ele não utilizava muita coisa chique, mas estava bonito e formal para a ocasião.

— Isso não parece um elogio, mas só vou aceitar porque é seu. — Ele entrelaçou seu braço em meus ombros, me pegando de surpresa. — Bem! É hora do jantar! Vamos antes que acabe tudo! — Praticamente TaeHyung me empurrou pro lado de fora, e senti o ar frio da noite em mim, mesmo com o casaco ainda estava frio, mas tinha motivos, fazia muito mais frio a noite.

— Olha só, eles chegaram. — O tio de TaeHyung disse enquanto sentávamos, nos juntando à eles.

— Estão meio atrasados, podemos saber o motivo? — Não pude deixar de corar por causa dos olhares maliciosos, eu sei que não houve nada, mas saber que eles pensam que houve algo... me deixa constrangida.

— Eu estava julgando o visual dela. — Ele olhou pra mim de cima a baixo de novo. — E posso dizer que ela poderia ter melhorado. — Reviro os olhos.

— Olha quem fala, você nem se dispôs a usar algo chique como eu! — Ele me olhou encabulado.

— Crianças, se continuarem assim, eu corto a sobremesa! — TaeHyung e eu abaixamos a cabeça. — Peçam desculpas!

— Mãe, nós somos adultos... — Ela o corta.

— Não me interessa TaeHyung, peçam desculpas. — Ela cruzou os braços, esperando, enquanto todos na mesa riam de leve.

— O pequeno Tae nunca cresce. — Sua avó fez um comentário.

— Desculpa. — Eu disse sorrindo, eu sabia que era brincadeira, mas melhor não arriscar e ficar sem sobremesa, então esperei ele dizer o mesmo de volta, mas não disse.

— Não vai se desculpar com ela TaeHyung? — Seu avô perguntou, estranhando.

Ele nada respondeu, deixando todos na mesa meio confusos com sua ação, mas então ele abriu os olhos e começou a gargalhar como se tivesse ouvido a melhor piada do mundo, e me abraçou de repente pela cintura.

— Vocês são muito sem graças, deixem eu curtir com a cara dela, e não me deixe sem sobremesa, mãe! — Apontou para sua mãe que estava encabulada.

— Mas que menino... — Foi cortada pelos risos, dona Amora suspirou ficando mais calma. — Enfim, solte a garota meu filho, e vamos começar a comer antes que não dê tempo de aproveitarmos. — Todos assentiram e TaeHyung me soltou.

Droga eu sei que era brincadeira, mas meu coração agradeceria se ele evitasse tanto contato assim, estamos tão íntimos que chegamos nesse ponto? Não acredito que o tempo passou rápido para estarmos assim...

Comemos sempre comentando sobre algo que houve nesse ano, e o principal assunto era sobre TaeGguk na sua escola, mas também comentavam sobre outros anos, e o assunto sempre parava em TaeHyung e no que ele fazia, e sinceramente, parecia de propósito o fato deles comentarem isso tão de repente, deixava TaeHyung constrangido e eu ria sempre dizendo que seria um motivo a mais para tirar uma com ele.

— Tudo bem chega! Vamos falar de você Borboleta, o que fez nesse ano? — Ele me olha malicioso como se soubesse que eu, iria me ferrar com o assunto voltado para mim.

— Ah a minha vida é simples TaeHyung, estudo, cuido da casa com meu irmão, nada demais. — Eu ri com sua expressão insatisfeita, e eu nem precisei mentir. — Conte sobre você, todos estão gostando desse assunto.

— Eu gosto de falar sobre o que o Tae fez nos últimos anos. — TaeGguk soltou enquanto comia um pedaço de frango.

— Mas não iremos falar sobre isso! — Indagou meio irritado, mas eu sei que ele só estava constrangido com o assunto, falar sobre sua vida era constrangido? Afinal, pra quem não era?

— Não temos tempo, falta pouco tempo para dar meia noite. — O tio Caqui disse surpreendendo a todos.

Dona Amora nos serviu sua deliciosa sobremesa, tradicional no nosso país, aos poucos todos iam terminando de comer e todos foram até o final da varanda, que era a melhor visão para assistir aos fogos, quando terminei de comer, vi que restava apenas dona Amora na mesa.

— Vamos, querida? — Assenti e ela se levantou, vindo para o meu lado. — Já sabe o que vai querer para o próximo ano? — Comecei a pensar, e eu realmente não sabia.

— Na verdade não, é tanta coisa que eu quero que... não sei o que pedir... — Fiz um bico chateado, eu queria passar na faculdade, mas também queria que tudo desse certo com meu pai, entre outras coisas que eu queria também. Eu queria aprender outros idiomas, aprender a tocar mais um instrumento, talvez até, quem sabe, encontrar um namorado...

— Tente pensar no que mais quer. — Chegamos ao final da varanda, todos estavam observando o céu, animados com o que viria a seguir, algum assunto aleatório era tratado ali, mas eu não conseguia prestar atenção, estava pensando muito no que dona Amora disse.

O que eu mais queria? Passar na faculdade? Arranjar um namorado? Outras coisas?... Eu não sabia mesmo, tudo passava na minha cabeça como um loop infinito, mas tudo ao mesmo tempo, então eu estava bem confusa.

— Pensando no que vai pedir? — Assenti para TaeHyung, que estava ao meu lado chegando as horas no celular. — Falta pouco tempo, pense rápido! — Soltei uma risadinha.

— Você já sabe o que vai pedir? — Ele pareceu pensativo.

— Talvez sim, estou em dúvida com duas coisas, mas não posso contar! — TaeHyung reparou que eu ia perguntar o que ele ia pedir, mas negou antes, bufei irritada, mas estávamos quites, eu também não queria contar minhas opções, mas estava curiosa para saber o que ele queria pedir...

— Se eu contar o que eu estou pensando em pedir, você conta o que está pensando também? — Pergunto animada, e depois de alguns segundos pensando, ele assentiu.

— Tudo bem, mas sejamos sinceros. — Afirmei animada. — Você primeiro.

Justo.

— Bem... eu estou indecisa sobre várias coisas, eu quero entrar em uma faculdade, mas também quero pedir para que meu pai fique bem, porém no meio de tudo isso, eu adoraria querer aprender outro idioma, a tocar outro instrumento, até pensei em querer arranjar um namorado e... — Ele me corta

— Uou, espera um pouco! Uma coisa de cada vez! — Eu ri. — Por que não faz isso tudo de uma vez?

— Acho complicado... — Murmuro apreensiva, mas realmente, se eu me esforçasse, poderia conseguir aprender outro idioma, fazer a mesma faculdade, aprender outro instrumento, ajudar meu pai e até mesmo arranjar alguém pra mim! — Mas acho que consigo! Se eu despachar algumas coisas...

— Pode escolher entre o instrumento ou o idioma por exemplo. — Assinto. — E acho que o lance do namorado também pode ser despachado. — Eu ia assentir, mas percebi o que ele disse.

— Ei! Por quê?

— Não acho que seja essencial. — Arqueei a sobrancelha. — Você entendeu! Bem, eu estou indeciso entre, passar em alguma faculdade, ou vir morar na fazenda para ajudar mais os meus pais. — Ele pensou rápido, mas seu assunto não foi o suficiente para me fazer pensar no porque dele ter dito aquilo, mesmo assim decidi tentar desviar também.

— Você pensa em ficar morando aqui? — Ele assente.

— Sim, eu gosto daqui e sempre gostei de ajudar os meus pais na fazenda, eu cresci na fazenda! — Exclamou animado. — Mas meus pais não querem isso, querem que eu consiga passar em uma faculdade em Seul para ter algum emprego melhor do que ser fazendeiro, mesmo que eu ame isso...

— Eu não consigo opinar sobre isso... — Ele riu e olhou o seu celular. — Mas... sabe, porque você... — Ele me corta.

— Falta um minuto pra dar meia noite, hora de pensar rápido e apenas admirar o céu. — Ele disse e eu fiquei animada, mas quando olhei em volta percebi que só tinha eu e ele aqui.

— Cadê todo mundo?

— Oh eles foram para uma área melhor pra assistir, você anda bem distraída Borboleta, está tudo bem mesmo? — Seu tom preocupado tirou minhas dúvidas disso ser uma possível brincadeira, então apenas assenti. — Bem, vamos pensar juntos para, seja lá o que escolhermos, der certo no próximo ano! — Ele estava tão determinado, que eu senti que deveria ao menos tentar também escolher logo.

Admirei o lindo céu estrelado, não estava nevando, e mal tinha nuvens, então dava pra ver direitinho as estrelas, e logo, o céu ficaria colorido por causa dos fogos. Fechei os olhos e juntei minhas mãos, decidida a escolher a minha resolução, para passar na faculdade e conseguir me formar para ser o que quero ser, e quando abri os olhos, tive a visão dos fogos sendo lançados, e também a chegada de um novo ano.

— Feliz ano novo! — Ouvi a família de TaeHyung gritar, abraçando-se carinhosamente enquanto desejavam um feliz ano novo, eu ri querendo ir até eles, mas então percebi a minha situação.

TaeHyung estava me abraçando como antes, pela cintura, e perceber que eu estava nessa situação com ele, fez com que eu corasse violentamente, e sentisse o meu coração  o mais acelerado possível, e com certeza ele estava sentindo já que estava colado à mim, nesse instante eu nem sentia mais o frio, apenas os braços dele em volta de minha cintura e barriga, me abraçando por trás.

— Feliz ano novo. — Murmurou, parecia envergonhado também, mas não pude distinguir então foi apenas intuição, mas ele pegou pesado, se eu já estava envergonhada antes, agora não sei como estou.

E foi nesse instante, que eu decidi mudar minha resolução de ano novo, para talvez, algo melhor, porém arriscado.


Notas Finais


vou ser sincera que fiquei meio "insegura" com o cap, acho que é pq faz tempo que não atualizo kkk

Espero que tenham gostado tanto do cap quanto da nova capicha!! Por que eu simplesmente AMEI essa obra prima! Feita pela maravilinda @harmonix

Tudo de bom pra essa linda <3


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