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  3. Parte XVI

História Love me like you do - Capítulo 16


Escrita por:


Notas do Autor


Naruto não me pertence e seus personagens também não.
O intuito dessa fanfic é totalmente interativo e sem fins lucrativos.
Por isso, não me processem, por favor. Não tenho como pagar uma fiança e da cadeia não dá pra postar.

Oi, amores!
Eu demorei, eu sei, mas pra tentar me redimir eu tô postando um capitulão aqui kkkkkkkkk (e tmbém pra me desculpar pelo atraso nos comentários)!
Vou responder todos aos poucos.

Boa leitura!

Capítulo 16 - Parte XVI


Gaara se obrigou a diminuir o ritmo marchado, quando puseram os pés na pousada. Imediatamente, ao vê-los, a recepcionista veio encontrá-los. 

- Sejam bem-vindos, Kazekage-sama e doutora Haruno. Há algo que eu possa fazer por vocês? - perguntou, naquela formalidade que sempre usava quando via Gaara.

E ele, se respondesse o que estava com vontade, diria à ela que sumisse de sua frente e parasse de empatar o caminho. Mas não podia fazer isso e, antes mesmo de despachar a maldita de um jeito cortês, Sakura e seu sorriso assumiram a posição.

- Não se preocupe conosco, estamos muito bem. Apenas cansados demais para continuar na festa. - disse, gentil.

Gaara ainda ficava abobalhado com a capacidade de Sakura de ser tão maravilhosamente capaz. Viu, estático, a troca de sorrisos entre ela e a recepcionista chata, e o modo como a pobre coitada parecia bem mais feliz após trocar duas palavras com a rosada. Considerando que, uma delas, tinha sido uma negativa feroz sobre um possível chá que a mulher insistia em preparar. Por isso, só se deu conta que já tinham passagem livre, quando Sakura virou seus incríveis olhos verdes pra ele.

- Agradeço pela companhia, Kazekage-sama. - pra quem visse de fora, pareceria apenas um cumprimento formal, dado pela acompanhante de Gaara. Mas ele sabia que não era só isso.

Há um tempo Gaara tinha notado que Sakura vinha brincando com seu título. O que antes o deixava desconfortável, que era o fato de ela se dirigir ao seu título demonstrando uma certa distância, ultimamente vinha deixando Gaara um tanto aceso. E isso se referia apenas à ela.

Absolutamente todos com quem convivia o chamava assim, de Kazekage. Mas quando Sakura dizia isso, parecia… imoral. Seu título lhe parecia deliciosamente ardente quando ela pronunciava assim, meio sibilado.

Por cima do ombro, Sakura deu uma última olhada pra ele antes de sair, caminhando tão tranquilamente que fazia Gaara quase perder os brios. Ele engoliu em seco quando ela sorriu com o canto da boca, deixando que visse que a brincadeira, de novo, era aquelas que davam uma pontada em sua virilha.

- E o senhor, Kazekage-sama? Posso ajudar em alguma coisa?

Só aí ele se deu conta que estava parado, literalmente secando o andar de Sakura. Olhou pra atendente um tanto assustado, não queria que ela percebesse qual o motivo de sua ânsia. Por mais que ele e Sakura estivessem namorando, não lhe parecia simpático deixar claro qual a sua intenção, ao entrar correndo com ela pousada adentro.

- Não, muito obrigado. Vou me recolher e, caso alguém me procure, informe que só estarei disponível amanhã.

E saiu, antes que ela perguntasse qualquer outra coisa que não tinha a menor intenção de responder.

Quando chegou no corredor dos quartos, Gaara não encontrou Sakura. Possivelmente ela tinha ido pro aposento que estava ocupando mas essa distância de menos de um minuto fez com que ele perdesse um pouco da coragem. Aquele modo visceral que vinha usando foi substituído pela sua insegurança de sempre.

Será que devia ir até ela? Ou será que esperava que ela viesse até ele? No mínimo, Gaara se perguntava onde estava aquele ímpeto todo. Aquele que o levou até o quarto de Sakura ou o que o fez beijar o pescoço dela no meio de um bar. Nas duas ocasiões não teve pudor nenhum, nem brios, modos, decência. Queria muito incorporar aquele Gaara de novo, nem que fosse pelo tempo necessário pra tomar coragem de bater em sua porta. O que não podia, definitivamente, era ficar parado naquele corredor, suando frio e sentindo os músculos do corpo tremerem com violência.

Já não era mais nenhuma criança, nem ele, nem Sakura. Os dois sabiam o que ia acontecer quando saíram, quase em trote, do casamento do amigo em comum. 

Foi pensando nisso que Gaara buscou, lá no fundo de seu ser, o mínimo necessário de coragem. A passos firmes, apesar de temerosos, chegou até a frente do quarto de Sakura e sorriu. Como um convite sutil, a porta estava entreaberta. 

Ele era esperado.

Abriu com tanta delicadeza, que nem o comum rangido leve que a madeira fazia aconteceu. Totalmente em silêncio, Gaara entrou naquele cômodo, encontrando Sakura parada de costas, com a mão repousando sobre a cortina que permitia apenas que a luz da lua entrasse pela sacada.

Talvez tivesse suspirado fundo demais, pois quando colocou o segundo pé no quarto, ela levantou a cabeça, ciente de sua presença. Gaara percebeu que Sakura também estava nervosa, provavelmente ainda mais que ele, já que ela apertou o tecido fino entre os dedos. 

- Eu… Eu posso entrar? - perguntou vacilante. 

Ela deu o consentimento rápido com a cabeça, ainda de costas. Gaara fechou a porta atrás de si. Sentia seus nervos em frangalhos, ainda mais por vê-la naquela posição tão defensiva, mas não a julgava por isso. Ele já tinha suas deduções sobre a experiência de Sakura, mas o jeito dela, naquele misto de pavor com constrangimento acabava com qualquer dúvida que tivesse.

Precisava se conter duplamente. Primeiro, pra que o seu nervoso não a deixava ainda mais insegura e pra, acima de tudo, deixá-la à vontade. Podia ser que Sakura tivesse tomado qualquer decisão no calor do momento, pós pedido de namoro, e que agora já não tivesse tanta certeza disso. 

Era sua função, como o homem que a amava, deixá-la totalmente tranquila para querer o que quisesse e, principalmente, quando quisesse.

Com a leveza do bom ninja que era, Gaara se aproximou de modo tão sutil que Sakura só notou sua presença, quando o calor dos corpos se encontrou. Ela reagiu tão rápido, se estremecendo e voltando à postura firme, que se ele não tivesse tão perto, não teria notado.

Os cabelos dela estavam presos na lateral da cabeça, o que deixava seu ombro desnudo à mercê da vontade que Gaara tinha de beijá-lo. Fez isso. Com cuidado, colocou suas mãos nos braços de Sakura e deixou um beijo longo em seu ombro, mantendo os lábios pressionados ali até que sentiu ela se abrandar na postura.

Por um instante, Sakura cedeu. Seu corpo se amoleceu e ela apoiou suas costas contra o peito de Gaara, que apertou seus braços com um pouco mais de firmeza. Ela estava se entregando, ele sentia isso. 

O perfume de Sakura estava diferente do normal, de um jeito que conseguia deixá-lo ainda mais inebriado. Ele sabia que a própria insegurança estava cedendo, indo embora, dando espaço apenas pro amor que sentia por Sakura. Mas isso era arriscado. Enquanto não tivesse certeza de que ela queria o mesmo, Gaara preferiu agir com cautela.

- Você está linda… - ele sussurrou em seu ouvido, deixando um beijo no lóbulo de sua orelha.

Sakura soltou o ar que vinha segurando sem nem perceber.

- Obrigada. - respondeu de modo automático. Sua mente, nesse momento, por mais que quisesse se entregar completamente ao que estava acontecendo, não conseguia desligar. Ela estava tensa.

Gaara sabia que devia ajudá-la com isso. Girou Sakura em seus braços, até que ela estivesse de frente com ele. Ainda assim, ela refugava o olhar, fugindo de um lado pro outro, ou então os mantendo baixos.

Talvez ele devesse dizer alguma coisa romântica, que a deixasse mais tranquila. Mas como faria isso se ele  mesmo estava em frangalhos? O máximo que poderia fazer, era dividir isso com ela.

- Eu… estou nervoso. - confessou com um risinho constrangido, achando que ia afetá-la de alguma forma.

Até afetou. Mas não como pensava. Sakura levantou os olhos pra ele exalando perplexidade.

- Nervoso? - ele concordou com a cabeça, ainda sorrindo. - Você está nervoso? Poxa, se esse é o seu jeito de me deixar mais tranquila…

Sakura deixou isso escapar sem nem pensar. Ino já tinha a advertido sobre esses rompantes, que ela fazia quando estava nervosa. Sempre que se via acuada, Sakura distribuía patadas à quem fosse e fazia isso agora, com quem menos devia.

Se afastou dos braços de Gaara, se abraçando ao próprio corpo. E ele ficou parado, tentando entender como tinha saído tão errada, uma coisa que pensou que seria o ideal.

O problema é que Gaara é o rei da insegurança. No exato momento em que Sakura se afastou, dando aquela resposta atravessada, ele já vestiu sua armadura de segurança e teve a mais absoluta certeza de que o melhor era sair dali.

- Me desculpe, Sakura. Eu também queria estar mais tranquilo, mas as coisas não são assim. - disse firme, girando nos calcanhares. Na verdade, se convencendo de que deveria ir embora daquele quarto antes que tudo piorasse ainda mais.

Só que a sua fala deixou Sakura curiosa.

- Você… - ela perguntou baixinho, ainda abraçada ao corpo. - Você também é virgem?

E aí ele se viu em uma situação complexa. Se dissesse que sim, estaria mentindo e isso era algo que não fazia. Se dissesse que não, talvez a deixasse ainda mais irritada. Realmente não sabia o que fazer. Mas como não era adepto de mentiras, apenas baixou a cabeça e negou, balançando.

- Claro que não… - Sakura sibilou, entre os dentes.

E, de novo, ele se viu numa situação complicada. Tinha razão em achar que isso a deixaria irritada.

- Eu já estive com uma mulher. Por insistência de Kankuro, pouco depois da guerra. Ele… - se perdeu nas palavras. Gaara ainda não se sentia completamente confortável por ter se rendido às loucuras do irmão, que o atormentou até que aceitasse a companhia de uma desconhecida. - Enfim. Eu já fui pra cama com uma mulher mas isso não teve nada a ver com sentimento.

Sakura deu uma risada seca ao ouvir isso.

- Realmente, seus métodos pra me deixar tranquila são ótimos… - ironizou e isso fez Gaara trincar os dentes.

Tudo bem, não era a coisa de que mais se orgulhava na vida, mas também não achava que cabia um julgamento tão cruel da parte de Sakura.

- Eu só estou querendo dizer que é a primeira vez que eu… - iria completar, dizendo que era a primeira vez que ficaria com alguém por quem tinha sentimentos, mas achou que isso a deixaria ainda mais nervosa. - Acho melhor eu sair daqui. Não estou sabendo me colocar e você tá desconfortável perto de mim.

Dessa vez ele sairia mesmo, mas ouviu Sakura soltar o ar, em clara insatisfação. Olhou pra ela, a encontrando com o semblante triste.

- As vezes eu acho que o meu nome é a única coisa delicada que eu tenho… - deixou escapar e Gaara continuou a olhando. - Me desculpe pela minha reação. Eu tendo a ser mais grossa que o normal, quando estou assustada.

Aquele lamento, aquele desabafo, fez com que ele desistisse de tudo. De sair, de deixá-la sozinha, de tentar alguma coisa. As pernas de Gaara tomaram vida própria, cruzando o espaço entre os dois, até que estava cara a cara com Sakura. Levantou o queixo dela com as costas do indicador.

- Você é incrível, hime. Não precisa se desculpar. Eu sei exatamente como está se sentindo.

Ela deu um sorrisinho manhoso.

- Porque está nervoso também.

Ele assentiu, rindo. Sakura colocou os braços em volta de Gaara, entrando em um abraço cheio de carinho.

- Exato, meu amor. Também estou tão nervoso, que estou prestes à cair das minhas pernas. 

O som alto da risada larga de Sakura invadiu o quarto silencioso e Gaara fechou os olhos, saboreando aquele riso e o cheiro inconfundível de seu shampoo de frutas vermelhas.

O clima prévio, que dava à entender que algo entre eles aconteceria, tinha acabado. Estavam apenas dentro do romance que tinha ditado o ritmo daquele relacionamento. Mas, ainda assim, cabia à ele deixar isso claro, pra que Sakura não se sentisse pressionada à nada.

- Não precisamos ter pressa, hime. Estaremos juntos pra sempre, então temos todo o tempo do mundo. 

Ele sentiu o suspiro fundo que Sakura deu em seu peito e o abraço dela se apertando.

- Você é maravilhoso, sabia?

Não, ele não sabia. Na verdade, ele se esforçava todos os dias para ser sua melhor versão. Mas ouvir isso dela, especificamente dela, lhe deu um calor gostoso no coração. Gaara deu um beijo em sua testa e a afastou, dando um segundo beijo em sua mão.

- Você devia descansar. Está às voltas com esse casamento desde a manhã, deve estar cansada.

Sakura concordou com a cabeça e com os lábios, dando um sorriso singelo. Antes que ele se afastasse totalmente, ela colocou as duas mãos em volta de seu rosto e lhe deu um beijo nos lábios. Um beijo sem malícia, mas recheado de amor.

- Eu amo você. - sussurrou baixinho, quando as bocas se desencostaram e antes mesmo dos olhos se abriram.

Aliás, os de Gaara já se abriram sorrindo.

- Eu também amo você. - era difícil sair dali. Passou por sua cabeça pedir pra ficar com ela, mesmo que apenas abraçado, mas achou que, se pedisse, poderia dar à entender que queria algo além. Então se obrigou a se afastar. - Descanse, hime. Nos vemos amanhã.

Sakura viu Gaara sair do quarto e uma sensação estranha se instalou no fundo de sua barriga. Sozinha, ela enfiou a mão entre os cabelos, desmanchando o penteado que Temari tinha feito. Por que tinha sido tão insegura? Gaara era um verdadeiro príncipe e o que ela tinha feito era enche-lo de indagações antipáticas.

Talvez não o merecesse. 

Respirou fundo, pensando no que Gaara tinha dito. Tinham a vida toda pela frente. Sem dúvidas que isso era bom de se ouvir, aliás, já tinha pensado no assunto vez ou outra. Mas agora, uma outra faceta desse pensamento vinha em sua mente: se estariam juntos pela vida toda, por que não começar a se conectar.

Ela queria. Ele queria. Ela o amava. Ele a amava. Tinham planos de estar juntos. 

Uma boba. Foi isso que Sakura se sentiu. Uma tola, assustada, que não merecia título de nada, a não ser de a tonta do século.

Resignada, ela respirou fundo e foi se trocar, pronta pra passar sua noite insone. Porque é óbvio que não dormiria e rolaria de um lado pelo outro da cama, se martirizando por ter sido uma menina boba. 

Konoha estava com o seu clima mais habitual. O calor abafado, denunciando que a chuva não tardava, entrava pelas cortinas da sacada, fazendo Sakura se remexer ainda mais na cama, que parecia pinicar os lençois contra sua pele. Até mesmo sua camisola de camisola de cetim, que sempre lhe dava a sensação de gelado, agora parecia que estava em chamas.

Ela sabia o notivo disso. A cada vez que o ponteiro do relógio batia, denunciando que um segundo tinha passado, o que Sakura ouvia era:

GAARA

GAARA

GAARA

Seu pensamento viaja. Como ele estaria? Será que estava tão insano quanto ela? Será que tinha conseguido dormir? O que estaria fazendo? E, principalmente, será que ele a mandaria embora, caso fosse até lá, ver com os próprios olhos o que só pensava?

Sakura sabia que se considerasse muito, não iria. Por isso, pulou da cama sem se preocupar nem com os chinelos. Saiu do quarto na ponta do pé e, tal qual na noite anterior, não pensou em nada quando levou a mão até à maçaneta.

E, como um presente do destino, estava aberta.

Gaara, ao ver aquela figura assustada entrando em seu quarto, ficou boquiaberto. Ele também estava acordado, mas apenas a luz do abajur iluminava o cômodo. Na cama, ele tentava ler algum relatório que a sua mente estava dispersa demais pra entender, mas era o máximo que podia fazer. Dada toda a sua frustração, fez o comum: trabalho.

Mas Sakura, ali, mudava seus planos. Ela estava parada, na penumbra da luz, encostada à porta. Antes mesmo que dissesse algo, a voz dela rompeu o silêncio.

- Posso ficar aqui um pouco?

Gaara demorou um segundo pra dar entendimento àquelas palavras. Quando entendeu, juntou todas as folhas, colocando na mesa lateral e deu espaço pra que ela entrasse. Por um segundo ele pensou que só vestia a costumeira calça de pijamas, mas Sakura também estava só de camisola, então não era algo que devia se preocupar.

Mas que estava difícil não reparar naquela peça reluzente, isso estava.

Sakura andou na ponta dos pés e se deitou na cama, sem dizer nada. O máximo que fez foi se virar, pra apagar a luz do abajur que ainda estava acesa. Depois, se deitou de lado, só olhando pra Gaara, que estampava em seu semblante quão confuso estava.

A vontade dele era perguntar o que ela estava fazendo ali, mas não o fez por dois motivos: primeiro, porque não interessava o motivo, ele simplesmente estava adorando. Segundo, porque sabia que, se perguntasse, tinha chances de ela sair. E correndo.

E como se fosse um adorno dos céus, um relâmpago clareou o quarto, sendo seguido imediatamente pela chuva que caiu forte.

- Ficou com medo da chuva? - perguntou risonho, tentando descontrair, mas os olhos de Sakura ainda estavam do mesmo jeito de quando se deitou. Parados. Enormes. Brilhantes.

- Não. Só quis vir. - o modo dela era estático, como se estivesse se deixando levar. Livre de medos, de constrangimentos, de preocupações. Estava ali pelo simples fato de querer. E isso arrancou um sorriso enorme dele.

- Gostei que veio. 

Gaara pegou em sua mão, entrelaçando os dedos devagar. Um a um, eles foram se unindo, até que toda a mão estava junta, abraçada. Ele perdeu um segundo observando isso, era união, esse abraço. E quando levantou os olhos pra Sakura outra vez, viu que ela estava fazendo o mesmo.

Até que os olhos dela se encontraram com os dele.

Parecia tão boba aquela recusa de antes. De repente não tinha mais medo em nenhum dos dois, muito menos nervoso, muito menos pudores. Parecia tão óbvio que já estavam juntos, que o sexo seria apenas uma complementação, como muitas outras que já tinham tido.

Os dois perceberam isso.

Gaara se empurrou mais pra frente e Sakura fez o mesmo. Se entregaram ao beijo que tinham evitado antes, fosse em público, ou quando estavam só os dois. Era um beijo faminto, como se dissessem com as línguas o quanto se queriam e o quanto as coisas estavam no lugar certo.

As mãos dadas se soltaram só pra que os corpos fossem percorridos.

Seriam um só naquela noite. E com a chuva por testemunha.

Vez ou outra, um clarão iluminava o quarto. A cada vez que isso acontecia, os olhos de Gaara se apertavam, só pra poder ver, nem que fosse por uma fração de segundos, Sakura deitada em sua cama.

E cada flash era uma renovação. Não, ele não estava sonhando. Sim, ela realmente estava ali.

Sakura estava entorpecida. De olhos fechados e com a boca entreaberta, ela apenas suspirava a cada vez que a mão de Gaara a apertava mais. Mais sua, mais entregue aos seus comandos. E ele também já não tinha mais reservas em relação à isso.

De um jeito muito natural, bem diferente do constrangimento que lhe era comum, Gaara comandava aquela valsa de dois corpos. Naquele ponto, ele já tinha proclamado mais que apenas os lábios de Sakura pra si. Naquele ponto, todo o pescoço era dele, os ombros, a clavícula, o colo. Mas só isso não o interessava. Ele queria ela toda. 

E ela toda queria ser dele.

Sakura abriu os olhos devagar, ainda os deixando menores que o habitual verde grandioso. Ele sorriu, ao vê-la assim, tão amolecida sob os seus toques. Gaara se colocou sobre ela, de joelhos e, com uma delicadeza ímpar, dedilhou a barra da camisola de cetim que ela usava. Sakura se retesou por um instante, mas não por arrependimento. Era a ansiedade. Estava ansiosa por isso e, agora que tinha tomado a decisão, queria ver logo como era ser dele por completo.

Gaara sorriu mais uma vez e isso reagiu imediatamente em Sakura. Ao vê-lo tão tranquilo, tão calmo, tão ciente do que estava fazendo, ela simplesmente relaxou. Fechou os olhos de novo e sorriu, totalmente satisfeita por estar ali com ele.

Foi como se esse sorriso calmo e brando tivesse dado à Gaara o passe livre pra continuar. Então ele o fez. Mas, agora, ele daria toda a atenção ao que estava fazendo.

Nem se quisesse, Gaara conseguiria desviar a atenção do corpo de Sakura sendo despido. E estava sendo despido por ele. Centímetro à centímetro, ele contemplou a pele dela sendo exposta, reluzindo pela pouca claridade que, vez ou outra, entrava pela janela do quarto.

E como era linda a pele de Sakura.

Tão branca, que era um convite para avermelhá-la completamente. E algumas partes já demonstravam a ansiedade de seus carinhos, através de pequenas marcas vermelhas que seus dedos já tinham feito, a apertando como sua.

Sakura soltou um suspiro fundo ao sentir que os dedos de Gaara percorriam levemente sua pele. Esse início estava sendo sutil, mas tão erótico que ela quase perdia o ar, só pelo calor que a presença dele dava. Já ele estava em transe. Ao mesmo tempo em que se sentia transtornado de vontade de tirar aquela camisola de uma só vez, rasgando-a de cima até embaixo, ele também queria aproveitar cada segundo dessa contemplação sublime.

Mas era contemplação demais pra um casal que está, há tempos, querendo um próximo passo.

Talvez ela se arrependesse por interromper aquele momento tão suave de Gaara, mas Sakura não estava mais suportando. Quando abriu os olhos e o viu, o que lhe pareceu é que Gaara estava perdido como sempre. Não que ele não soubesse o que fazer, isso parecia que ia muito bem. Mas ele estava naquela mesma situação em que dá um passo e recua dois.

Hoje isso não seria assim. Amanhã ela se preocuparia por ter parecido tão urgente.

Sakura se empurrou pela cama e se sentou. Gaara demorou um segundo pra atinar o que estava acontecendo e, quando entendeu, a olhou confuso. E, antes mesmo que ele pudesse perguntar alguma coisa, Sakura se muniu de toda a coragem que tinha e puxou a camisola. Se despiu inteiramente.

Aí, os olhos confusos de Gaara deram lugar pra um mais abobalhado. Com direito a boca aberta e tudo. E parou aí. Por um tempo que Sakura considerou longo demais, ele só ficou assim, a olhando. Um tempo que foi longo o suficiente pra que ela se sentisse constrangida pela nudez. Cobriu os seios com os braços e isso, finalmente, fez com que Gaara piscasse. Quando a olhou, viu um adorável biquinho de insatisfação, que adornava bochechas tão coradas que poderiam estar quentes.

- Por que você… - se cobriu? Se despiu? Está brava? Eram tantas perguntas que ele poderia fazer, que mal sabia escolher a primeira.

- O que foi, Gaara? Não… não me… Não me achou bonita? - a voz dela foi morrendo e ele notou a insegurança de sempre.

Como podia ter sido tão imbecil desse jeito? Como?!

Gaara saiu daquela posição estática imediatamente. Se empurrou pela cama também e tomou Sakura em um abraço, prendendo ela toda entre seus braços, que nunca foram tão grandes ou tão fortes.

- É impossível não te achar bonita, meu amor. Você é mais bonita que o céu de Suna. Mais bonita que os bosques verdes de Konoha. Você é mais bonita que a paz do mundo ninja. - sussurrou, olhando fixamente em seus olhos.

A intenção de Gaara, claro, era ser suave. Mas cada uma das comparações que fez, eram reais. Era tudo aquilo que sentia dentro de seu coração. E ele podia fazer mais mil dessas comparações, só pra mostrar pra Sakura que a achava mais bonita do que qualquer coisa que existisse. Quiçá, ela seria a coisa mais bonita mesmo em comparação com coisas que ainda nem tinham sido inventadas.

A honestidade sempre foi o seu forte. E se ele não conseguia dissimular em condições normais, era pedir muito que fizesse isso tendo a mulher que amava nua entre seus braços. Sakura sabia disso. Sabia que ele não tinha dito essas coisas tão bonitas só pra poder terminar que tinham começado. Era real. Ele era real. Com aquele olhar doce e aquele sorriso calmo.

Sakura puxou os braços que o separavam. Os colocou em volta do pescoço de Gaara e ele soltou um suspiro baixinho, quando sentiu os mamilos dela em contato com a pele de seu peito. Não teve tempo de dizer nada, pensar em nada, sentir mais nada. Apenas as mãos dela se enfiando pela raiz de seus cabelos e os lábios sempre macios de Sakura se colando aos seus.

Já não tinham mais tempo pra amenidades. Não tinham mais tempo pra constrangimentos, nem pra contemplações longas e silenciosas. A urgência se instalava naqueles dois corações.

Gaara a apertou mais entre seus braços e o beijo leve se aprofundou. Sua língua era conhecida de Sakura, mas essa, de agora, era aquela de quando ele se perde no próprio desejo. Ela abriu os olhos por um instante, quando se afastou e o reconheceu ali. Aquele Gaara que invadiu seu quarto. Aquele Gaara que invadiu seu pescoço em um bar. Aquele Gaara que vinha invadindo seus sonhos e suas perversões.

Sakura estava ansiosa para conhecer esse Gaara mais profundamente. E ele também estava.

Sem esperar mais nada, ele a tombou na cama. A falta de roupas deu à Gaara mais liberdade de movimentação e antes que os dois se lembrassem que eram românticos demais pra toques mais devassos, ele agarrou todo o seio de Sakura em uma mão. A boca tomou a dela de novo, apenas pra sentir que, mais uma vez, ela se rendia. E era linda, assim. Mansa, frágil, gemendo.

Era um som que ele poderia ouvir o resto da vida. Mas não era o que estava programado pra essa noite.

Assim que Gaara ousou descer a boca pro seu colo, intencionando chegar ao seio livre, uma batida forte na porta o assustou.

- Gaara! Está acordado?

Ele levantou a cabeça, com os olhos arregalados. Sakura estava do mesmo jeito, apavorada pela interrupção. Só que Gaara ficou assim por apenas um segundo. Quando se deu conta que Kankuro estava interrompendo o momento que mais ansiava na vida, o semblante se transtornou.

Esse Gaara, de agora, Sakura também conhecia. E não tinha boas lembranças dele.

- O que quer? - ele, literalmente, rosnou. Embaixo de seu corpo, Sakura tentou se mexer, quem sabe se soltar pra poder se cobrir, mas ele impediu. 

- Falar com você. Vamos, é rápido. E sério.

Ele fechou os olhos e respirou fundo. Quando os abriu de novo, já não estava mais tão ameaçador. O problema é que Gaara sabia que, se saísse dali naquele momento, tudo o que tinha conquistado sumiria no ar.

- Me perdoe por isso. Eu não tenho nem palavras pra expressar o quanto eu sinto mui… - novas batidas irromperam o ambiente e a docilidade de Gaara deu espaço pra um ódio latente. - Eu já vou! - gritou pra porta. - Por favor, não vai embora. Não sai daqui. Em dois minutos eu volto. Juro.

Foi prometendo enquanto se levantava e cruzou o quarto com os olhos suplicantes em direção à Sakura, que não sabia exatamente o que fazer. 

Já ele sabia. Ia cometer um fratricídio.

Quando abriu a porta, Gaara nem se deu conta de que Kankuro estava praticamente colado à ela. Só empurrou o irmão pelo peito com força o suficiente pra tacá-lo na parede oposta ao corredor.

- É melhor que esteja acontecendo algo de muito grave, Kankuro. Porque, se não tiver, eu vou te matar. - sua lógica era confusa, ele sabia disso. E se recriminaria mais tarde, por preferir que Suna tivesse em risco só pra justificar deixar Sakura na cama sozinha. 

Kankuro percebeu que tinha feito uma besteira sem tamanho ao bater naquela porta. Muito, muito, grande.

- Eu atrapalhei alguma coisa?... - murmurou em choque e quando viu o irmão cerrar os dentes, fechar os olhos e enfiar as mãos no cabelo, ele realmente temeu o risco físico. - Ah, foi mal! Desculpa, Gaara! Eu não sabia que… 

Estava choramingando e essa expressão patética conseguia deixar Gaara ainda mais irritado. Por duas vezes, ele cerrou o punho, tentando conter o próprio instinto assassino. 

- O. Que. Aconteceu? - perguntou com uma calma assustadora, de fazer gelar os ossos.

- Nada significativo. Eu só queria falar sobre uma garota que…

Foi demais.

Gaara só não usou a areia, porque assustaria Sakura de dentro do quarto. Mas ele tinha força e ódio o bastante pra empurrar Kankuro pra parede e agarrar a gola de sua camisa.

- Eu quero tanto te matar agora, mas tanto… - sibilou, de um jeito maluco. - Sabe porque eu não faço isso? Porque eu vou deixar pra te matar daqui há dez minutos, quando ela mudar de ideia e decidir ir pro próprio quarto. Aí, Kankuro… eu vou esfolar cada pedaço da sua pele e depois eu vou te esquartejar. Vou deixar um rastro com os seus pedaços daqui até Suna.

O soltou e foi andando de costas até encostar na porta. Só quando Gaara sumiu de seus olhos, Kankuro se permitiu respirar. De algum modo, a ameaça com hora marcada conseguia ser ainda mais apavorante que a ameaça em si. A única coisa que fez, quando se viu sozinho, foi torcer pra Sakura não mudar de ideia. Senão, ele teria problemas bem sérios.

Gaara também sabia disso. Ele sabia que o momento tinha se perdido. Tanto, que já esperava encontrar Sakura vestida e pronta pra fugir dali. Se surpreendeu ao vê-la ainda na cama, apesar de estar totalmente embrulhada nos lençóis. Era um bom sinal. Mas não se animou imediatamente, mesmo porque, apesar de estar ali, a cara de Sakura era totalmente diferente de quando a deixou. Soltou um suspiro frustrado. Ela exalava medo de longe.

-Aconteceu alguma coisa com o Kankuro? - Sakura perguntou assustada, com os olhos arregalados.

Gaara negou. Resmungos baixinho, por ter perdido a melhoramelhor oportunidade de sua vida só porque o irmão estava bêbado demais pra se lembrar que não eram confidentes nem quando estava são. Arrastou os pés pelo quarto e se sentou na beirada da cama, estrategicamente de costas pra Sakura. Ela ainda estava nua e, mesmo sendo um cavalheiro, Gaara não confiava que conseguiria manter uma conversa sem escapar os olhos pra sua pele descoberta.

-Me desculpe por ele. Por ter nos… interrompido. - murmurou cabisbaixo, mas sabia que suas chances tinham acabado quando Kankuro bateu na porta. - Se preferir, eu posso ficar no banheiro até que se vista.

Era o mínimo que podia fazer, dar a à Sakura uma certa privacidade e estava disposto a sair assim que ela desse a ordem. Mas não veio. E a falta de palavras fazia Gaara conjecturar mil e uma suposições malucas. Em dez segundos de silêncio, ele pensou em tanta coisa ameaçadora, que lhe pareceu estúpido estar de costas pra alguém que, literalmente, poderia arrancar sua coluna das costas. Virou pra Sakura um tanto apavorado. Não ligou nem pra nudez parcial.

Mas a encontrou do único jeito que não imaginou que ela estaria. Sakura olhava um ponto qualquer na porta, com um nó entre as sobrancelhas, como se pensasse em algo curioso.

Na verdade, como se ainda estivesse assimilando o fato de terem sido interrompidos. Isso podia ser bom. Quem sabe, depois que ela analisasse o contexto, decidisse ficar. 

Os olhos de Gaara, sem piscar, torciam por isso. Mas Sakura não notou esse apelo em seu olhar. Ela ainda estava olhando pra porta.

- Talvez… Talvez seja melhor eu voltar pro meu quarto. - suas palavras sairam automáticas, sem determinação nenhuma. Era como se estivesse agindo por puro reflexo ou, quem sabe, fosse uma interferência do destino Kankuro ter aparecido. Poderia não ser a hora certa pros dois. Ainda não. 

Sakura não acreditava totalmente nisso. Sabia, sim, que os dois estavam prontos. Mas seu lado donzela, boa moça, achou que o romantismo de antes tinha se perdido, então reagiu naturalmente, recuando. Encontrou, finalmente, os olhos com os de Gaara. Ele ainda estava estático e ela pode notar a efusividade naqueles dois olhos tão verdes e trêmulos. Mas foi rápido. Quando ele deu entendimento às suas palavras, voltou a se sentar de costas.

E um sorriso amargo, sofrido e frustrado, escapou de seus lábios. Sem som nenhum, a não ser o que o seu próprio coração fazia, se despedaçando dentro do peito.

- Tudo bem. Eu vou te dar privacidade pra se vestir. - respondeu simplesmente e se levantou. 

Arrastou os pés até o banheiro da suíte e deixou a cabeça se recostar na porta de madeira. Os olhos se fecharam em angustia e os dentes se cerraram, demonstrando a dor que sentia dentro do peito. 

No fundo, tentava se convencer do mesmo. De que, talvez, essa interrupção fosse acaso do destino. Alguma colocação divina, pra esperar. Sakura o amava, já tinha dito isso. Talvez fosse Konoha e suas argumentações forçadas e fajutas tentavam criar alguma conexão irreal. Talvez o lugar estivesse errado. Talvez fosse pra acontecer em Suna. A Suna dele. A Suna que era dela também.

Naquele momento, Gaara tentava se agarrar à qualquer coisa que não fosse o simples fato de Sakura estar indo embora de novo. Escapando, mais uma vez, por seus dedos. Tal qual areia em dedos comuns, que não fossem os dele.

Se assustou quando ouviu duas batidas fraquinhas na porta do banheiro.

- Eu… Estou indo. - a voz de Sakura quase não pode ser ouvida. Mas ele ouviu. Ele sentiu.

Espalmou as duas mãos contra a porta, sabendo que ela estava do outro lado. Apertou ainda mais os olhos e os dentes, tendo sucesso em conter o grito angustiado que guardava na garganta. Mas, quanto mais espremia os olhos, mais sentia os cantos se umedecendo.

E se pedisse pra ela não ir?

Um lapso de coragem fez com que abrisse os olhos. Estavam marejados e trêmulos, mas convictos. 

Abriu a porta em um rompante, vendo nada mais que o quarto vazio. Ela já tinha ido.

O sorriso amargo voltou e, dessa vez, veio junto com lágrimas. 

Seu âmago gritava pra que deixasse de lado aquela nova conduta, de alguém sensato e sereno, e que fosse atrás de Kankuro, pra poder lhe fazer sentir um décimo da dor que estava sentindo naquele momento. Sua memória lhe traía, insistindo em relembrar que, talvez só dessa vez, ele pudesse agir como um maluco, como alguém perigosamente irritado. Mas, ao mesmo tempo, a própria atmosfera do quarto frio e úmido o lembrava que não podia nem se dar à esse luxo. Estava em Konoha. Na maldita Konoha, sua aliada no Tratado de Paz. E Konoha não merecia ver, de novo, o estado miserável que ficava quando perdia, de vez, as estribeiras.

Irônico. A aliança de paz com aquele lugar era a maior proteção que Kankuro tinha naquele momento.

Se sentou na beirada da cama. O cheiro de Sakura ainda estava naquele lugar. Os lençois desarrumados sobre a cama denunciavam que ela tinha se contorcido por ali. Mesmo a chuva tinha diminuído, provavelmente tão frustrada quanto ele. Deu um soco na própria perna. A sensação dolorida foi estranhamente confortável. Deu outro. E outro. Em certo ponto, passou a esmurrar a si mesmo, com o choro escapando entre os dentes cerrados. Sentia a loucura se instalar com fúria, o estapeando pra que deixasse de ser tão covarde.

Por que não tinha pedido pra ela ficar? Por que a sua reação inicial foi, justamente, lhe dar um espaço de escapada? Por que ele mesmo tinha dito que a deixaria livre?

As respostas racionais pra isso, Gaara sabia. Sabia que não queria Sakura forçada em sua cama, muito menos desconfortável. Ele a queria como antes e sabia, desgraçadamente sabia, que ela não estaria mais assim. Mas, por que ser tão passivo? Por que não colocar em palavras o medo que sentia de ela ir embora, como realmente fez? Por que não pedir desculpas, simplesmente, e depois dizer que a compensaria pelo lapso do irmão?

Não tinha feito nada disso. A verdade é que o medo que Gaara tinha de afastar Sakura era tão grande, que mal chegava perto, pra não ter que vê-la sumir. O mais irônico, é que isso simplesmente a fazia ir embora. Toda maldita vez. Quanto mais achava que o espaço que dava à ela era benéfico, mais isso alimentava os mal-entendidos e mais ela escapava, tão inocente quanto ele nessa arte de ter um amor. 

Parou de se esmurrar pra lembrar, chorando, de quando disse ao irmão que preferia ver uma flor linda de longe, do que despedaçá-la tentando pegar.

O problema é que, naquela ocasião, Kankuro disse que não a despedaçaria. Mas, infelizmente, continuava só olhando a flor de longe.

Isso tinha que mudar.

Levantou da cama em um pulo. Se pensasse muito, a covardia se instalaria de novo. Rumou os passos decididos pra porta. Ia buscar Sakura. Ou, se ela preferisse, ficaria ele mesmo por lá.

E quando abriu a porta, em um ímpeto agoniado, deu de cara com um espelho. Porque ela estava tão desnorteada quanto ele. Olhando, com os mesmos olhos verdes, trêmulos e arregalados, parada no corredor.

- Eu não quero ir embora. - por fim, Sakura deu voz ao que queria. 

- E eu não quero que vá. - ele a puxou pra dentro de novo.

 



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