História Love Me Like You Do - Capítulo 9


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Adolescência, Amizade, Colegial, Romance
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Palavras 2.156
Terminada Não
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Comédia, Ficção Adolescente, Romance e Novela, Universo Alternativo

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Desculpem a demora! Estive em semana de prova (uma semana HORROROSA) e não pude postar o capítulo mais cedo. Aproveitem ;)

Capítulo 9 - Orgulho e Preconceito


No dia seguinte, Nathalie acordou com o celular tocando. Olhou para o visor: “Garoto estúpido”. Ela revirou os olhos.

– Alô?

– Te acordei?

– O que você acha? – disse, meio sonolenta.

Ele riu.

– Desculpe.

Nathalie bocejou.

– Por que me ligou tão cedo?

– Ah, era só que... Eu queria saber se você pode ensaiar a peça hoje a tarde.

– Foi só para isso?

– Hum. Sim.

– Tudo bem, eu vou. Tchau.

E desligou o celular. Apenas trinta segundos depois, Nathalie percebeu o que fizera. Tinha concordado em ir ensaiar com Daniel sozinha. So-zi-nha. Depois do que aconteceu na noite anterior, ela não queria ficar sozinha com ele de jeito nenhum. Ele poderia querer beijá-la de novo. E ela tinha medo de deixar. Ou melhor, de querer também. Estava tudo uma bagunça na sua mente. Não sabia mais o que sentia por Daniel. Não queria aceitar que estivesse apaixonada por ele.

– Não, não estou! – disse em voz alta – Estou proibida de me apaixonar por pessoas estúpidas como ele. Preciso pensar numa alternativa. Rápido.

***

Às duas da tarde, Nathalie bateu na porta de Daniel. Já tinha traçado o plano perfeito. Só esperava que tudo desse certo.

Daniel mesmo foi atender a porta.

– Olá, Nathalie! Entre.

Ela sorriu nervosamente e obedeceu.

– Onde vamos ensaiar?

– Lá em cima. Vamos?

Nesse momento, alguém bateu na porta. Daniel foi atender. Nathalie agradeceu mentalmente. Seu plano começava a funcionar.

– Boa tarde, Daniel.

– Olá, Daniel.

Daniel não podia acreditar nas duas figuras que apareceram na sua frente. Ele olhou para Lilly, depois para Philip e por último para Nathalie, que agora estava ao seu lado, um pouco confuso. Antes que pudesse perguntar o que eles estavam fazendo ali, Nathalie se adiantou.

– Eu os convidei. Eu pensei que seria melhor ensaiar com eles, já que eles são os personagens principais também.

Daniel olhou-a incrédulo. Ela sorriu.

Claro. – disse, seco – Entrem, por favor.

Ambos obedeceram e logo os quatro estavam no terraço ensaiando para a peça. No início até que funcionou bem, mas passados uns trinta minutos, a coisa começou a dar errado.

– Não, não, Daniel. Você tem que falar com mais suavidade – disse Philip.

– Você não tem que me dizer o que fazer, Philip. Se preocupe com o seu personagem.

Philip encolheu os ombros.

– Só estava tentando ajudar.

– Fiquem quietos! – interveio Nathalie – Não vamos começar a discutir. E Daniel, Philip tem razão. Seu personagem é o Sr. Bingley. Tente se concentrar.

Daniel bufou.

– Vamos tentar de novo.

E assim se passaram três horas. Por incrível que pareça, eles conseguiram fazer um progresso significativo. Nathalie conseguira decorar quase metade do texto. Ao final do ensaio, Judy, a governanta, trouxe um lanche para eles. Comeram e conversaram descontraidamente, como se fossem bons amigos. O ensaio tinha servido para algo mais, no fim das contas. Depois de mais meia hora, Philip foi levar Lilly em casa, deixando Nathalie e Daniel a sós novamente. Como o dia tinha sido um pouco corrido, Nathalie havia esquecido completamente do incidente da noite anterior. E não se lembraria se não tivesse ficado sozinha com ele.

– Pensei que seria pior com eles aqui. – disse Daniel, alheio aos pensamentos de Nathalie.

– Até que não foi tão ruim – Ela pigarreou e fingiu consultar um relógio de pulso (que, na verdade, nem existia) – Bom, está ficando tarde. Preciso ir, tchau!

E saiu correndo porta afora, antes que Daniel conseguisse argumentar com ela sobre sua casa ficar a trinta segundos de distância.



– Você não se incomoda? – perguntou Lilly ao Philip, quando ele ia deixá-la em casa.

– Com o quê?

– Você acabou de me falar que gosta da Nathalie. Não lhe incomoda o fato de que o Daniel esteja sempre com ela?

Philip respirou fundo.

– Estaria mentindo se dissesse que não.

– Então por que não tenta fazê-la se apaixonar por você? Aposto que não é tão difícil. Assim o Daniel poderia deixar de gostar dela.

– As coisas não funcionam assim, Lilly. – Ele abriu um pequeno sorriso – Você não pode forçar as pessoas a gostarem de você.

– Por que não? Ela nem gosta do Daniel mesmo.

– Como você pode ter certeza?

– Ela mesma me falou. – disse, cruzando os braços.

– O amor funciona de uma forma diferente da que nós achamos, sabia?

– Não acho errado tentar conquistar a pessoa que você gosta.

– E não é. Mas não é sobre buscar apenas a sua felicidade. Ver a outra pessoa feliz é o que realmente importa, mesmo que não seja com você. Isso é altruísmo.

Lilly bufou.

– O que você sabe sobre o amor? Não é como se você tivesse vivido tempo o suficiente para me ensinar alguma coisa.

– Digamos que eu tive algumas experiências não muito boas. – ele suspirou.

Ela olhou-o, confusa.

– O que quis dizer com...

– Chegamos, milady! – Ele a interrompeu.

– Obrigada por me deixar em casa. – disse ela, descendo do carro.

– Foi uma honra, milady. – Ele sorriu.

– Dirija com cuidado. Até amanhã.

***

Uma semana depois, o festival de artes estava todo montado. Várias pessoas entrando e saindo dos stands e apreciando cada detalhe. Nathalie tinha conseguido evitar ficar as sós com Daniel na última semana, sempre dando alguma desculpa esfarrapada e saindo antes que ele tivesse tempo de argumentar. Ficar no mesmo local que ele definitivamente não era bom. Ela se sentia nervosa e seu coração palpitava toda vez que seus olhos se encontravam. Mas hoje não tinha como ela escapar. E ainda por cima tinha que beijá-lo. Agora faltavam exatamente meia hora para a apresentação começar. Nathalie, que já estava devidamente vestida e maquiada, resolveu dar uma olhada na plateia, por trás da cortina. Nunca tinha visto tanta gente assim na sua vida. Conseguiu ver alguns rostos conhecidos, como o de seus pais, seu irmão Will junto com a esposa, sua irmã, Madeline. Viu alguns vizinhos também. Não viu os pais de Daniel, como era de se esperar Ela suspirou. Estava nervosa de verdade.

– Está nervosa, milady? – Disse Philip, como se tivesse lido seus pensamentos.

– Só um pouco. Nunca vi tanta gente na minha vida, Philip. Não sei se vou conseguir.

– Fique tranquila. Nós estaremos lá com você. – Ele colocou a mão no seu ombro e abriu um pequeno sorriso.

Nathalie sorriu de volta.

– Se preparem, vamos começar em cinco minutos! – disse Nicolle.

Nathalie respirou fundo. Era a hora do show. Todos se juntaram atrás da cortina. Lilly se colocou à esquerda de Nathalie, enquanto à sua direita estava Daniel.

– Senhoras e senhores, sejam todos bem-vindos! – Começou Karen – Vamos começar a apresentação. Acomodem-se em seus lugares e aproveitem o show.

A plateia aplaudiu e as cortinas foram abertas.

***

– Seguimos agora para o penúltimo ato.

Ouvir que era o penúltimo ato deveria deixar qualquer pessoa mais tranquila. Mas não Nathalie. Saber que era o penúltimo ato, significava que era a hora. Ela suspirou. Vamos lá. Iriam fazer a cena em que o Mr. Bingley pede Jane em casamento. Nathalie entrou no palco e se colocou em seu lugar antes que as cortinas se abrissem novamente.

– Mama! Ele está aqui! O Sr. Bingley! – disse a personagem de Lydia.

– Essa hora? – disse a mãe – Desça logo, Jane, eu e suas irmãs desceremos em seguida.

Nathalie seguiu para o outro cenário, onde Daniel já estava em pé, de costas para a porta. Como cena do pedido de casamento de Bingley para Jane não é descrita na obra original, Nathalie imaginou como teria sido. E, assim, escreveu.

– Charles – disse fazendo um reverência 

– Jane... – Virou-se e olhou para Nathalie, nesse caso, Jane.

Seu coração deu um salto. Não sabia se era pela roupa de época que ele vestia, ou pelo penteado combinando, ou mesmo por estar interpretando o personagem, mas ela quase se convenceu que ele estava realmente apaixonado por ela. E ela por ele.

– Por que veio tão cedo?

– Não podia esperar mais, Jane. – disse se aproximando – Não quero ficar separado de você por mais tempo.

– O que...

Ele segurou uma de suas mãos e se ajoelhou.

– Você aceita se casar comigo?

Ela abriu um leve sorriso.

– Eu digo mil vezes sim!

Ele se levantou e segurou o rosto dela com as mãos.

– Eu te amo – disse antes de beijá-la.

Uma das melhores sensações da vida de Nathalie tinha sido aquele momento. Não parecia que tinha uma plateia assistindo-os. Ela sentia como se só estivessem eles dois ali, apesar dos aplausos emocionados. Seu coração batia descompassado a medida que a cortina se fechava. Nathalie e Daniel prolongaram o beijo por alguns segundos, mesmo depois que a cortina fechou. Aquilo deveria durar para sempre.

– Acho que a cena já acabou, meninos. – disse Nicolle, com um sorriso travesso.

Eles se separaram rapidamente e Nathalie virou de costas e saiu em disparada para o outro lado do palco. Ainda teria que voltar para cumprimentar a plateia quando a peça acabasse, mas por hora preferia ficar longe de Daniel. Achar que talvez pudesse estar mesmo apaixonada por ele a deixava aterrorizada. E feliz ao mesmo tempo.

Lilly observava a cena de longe com os braços cruzados. Philip se colocou ao seu lado.

– A cena já tinha acabado,  por que eles continuaram?

Philip deu de ombros.

– E agora é nossa hora de entrar, milady.

Ela bufou e seguiu pisando duro até o palco. Tentou desfazer a carranca e voltar ao personagem, quando Philip entrou em cena. Tinha que fingir que estava apaixonada por aquele idiota. Não seria tão difícil para outras garotas, visto que ele era o tipo ideal da maioria delas: alto, loiro e bonito. E tinha olhos lindos. Mas não fazia seu estilo e nada do que ele fizesse a faria mudar de ideia. Ainda assim, fez a melhor cara de boba que conseguiu e sorriu o tempo inteiro.

Aí chegou a hora do beijo. Lilly, que não estava nervosa até então, começou a sentir um frio na barriga a medida que ele se aproximava. Tentou não pensar em nada, então fechou os olhos forte quando seus lábios se tocaram. O que aconteceu a seguir não estava nos planos de Lilly. Um choque percorreu todo o seu corpo, e ela não sabia mais se estava atuando ou não. O mundo pareceu girar e só piorou quando sentiu a mão de Philip na sua cintura. A plateia aplaudia, mas Lilly não ouviu nada. Apenas o som do seu próprio coração.

Até que a cortina fechou e eles se separaram, tirando Lilly de seus devaneios.

– Concluímos, milady. – disse com um sorriso.

Lilly fez um esforço, mas não conseguiu falar nada. Apenas assentiu positivamente com a cabeça.

***

Quando a peça acabou, o elenco se juntou para cumprimentar a plateia. Todos deram as mãos e fizeram uma longa reverência, enquanto a plateia aplaudia. Ao que parecia, a peça tinha sido um sucesso.

Após os cumprimentos entre a própria equipe, Nathalie conseguiu sair de fininho para se trocar. Não tinha visto Daniel, o que era estranho, mas achou que não tinha procurado direito.

Do outro lado, Lilly queria saiu para tomar um ar. Não tinha tirado ainda o figurino da peça. Sentou-se numa escada um pouco afastada das vozes que se cumprimentavam. Queria ficar sozinha. Pelo menos até entender o que estava acontecendo consigo mesma. 

 – O que faz aqui sozinha, Srta. Elizabeth? – perguntou o Philip.

Lilly deu um salto de onde estava sentada.

– Que susto! – exclamou ela, pondo a mão direita no coração.

– Desculpe, milady. – Disse, sentando-se ao seu lado – Você não parece muito bem. Aconteceu alguma coisa.

– N-não, só estou cansada. – mentiu.

Philip encarou-a como se não acreditasse.

– Escute, Lilly. Sei que é difícil gostar de alguém. Nem sempre os relacionamentos dão certo.

– O que quer dizer com isso?

– Quero dizer que nem sempre a pessoa que você acha que gosta é a certa para você.

Lilly o encarou. Ele olhava para frente, o olhar desfocado. Seu cabelo loiro estava perfeitamente alinhado e ele ainda vestia as roupas do personagem.

– Porque está me dizendo isso?

– Sei que está triste pelo que viu mais cedo – Ele apoiou os cotovelos nos joelhos – mas não fique. Você vai encontrar alguém que gosta de você de verdade.

– Está me dizendo para desistir?

– Estou dizendo para não se preocupar tanto. Você é uma garota legal. E bonita. Merece alguém que goste de você.

Lilly se sentiu tocada com o elogio. Por incrível que pareça, ninguém nunca havia dito que ela era bonita. Não dessa forma. As pessoas sempre a chamavam de fofinha e engraçadinha mas não de bonita. Lilly era típica garota princesinha fofa que os meninos viam como sua irmãzinha mais nova. Ela sorriu.

– Isso serve para você também, milorde.

Ele esboçou um sorriso e olhou para ela.

– Talvez você tenha razão, milady.

***

Ao sair do vestiário, Nathalie se deparou com uma cena um tanto incomum. Os pais de Daniel estavam em pé no corredor, ambos com rosto sério. Ela pensou em ir cumprimentá-los, mas parou e se escondeu atrás de uma pilastra quando ouviu a voz de Daniel.

– Por quê? O que aconteceu?

– Filho... – começou Sr. Parker – Seu avô...Ele...faleceu.

– E nós vamos ter que ir para a Inglaterra. – Emendou sua mãe – Agora.



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