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História Love Story - Capítulo 3


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Notas do Autor


Oioioi

Capítulo 3 - Capítulo III


Quando voltaram para a casa naquela noite, Chanyeol não conseguia parar de pensar em outra coisa que não fosse os lábios de Kyungsoo Montecchio colado sob os seus. Parado no portão do casarão Capuleto, Chanyeol despediu-se dele com um selar e uma promessa. Irei vê-lo novamente, ele disse, haja o que houver. Era o que Capuleto também estava esperando ansiosamente para que acontecesse, se não fosse tão desafortunado.

Decerto que não se safaria das explicações rasas que deu aos pais sobre o seu súbito desaparecimento na noite anterior. Os  Capuletos se escandalizaram com a postura que o jovem havia tomado, e Chanyeol havia sido condenado a agir corretamente até que ganhasse a confiança de ambos novamente. Era um homem feito, mas não era capaz de tomar as próprias decisões. Se tivesse que explicar que o seu coração não seguia as normas convencionais dos homens, era bem capaz que fosse condenado à Morte. Porém, Chanyeol pensava que talvez viver uma farsa era como um tipo de Morte também.

Suspirava tristezas dentro do próprio quarto, em meio aos livros dos quais tanto gostava. Todas aquelas histórias contavam sobre a vida de heróis corajosos e temíveis, os quais Capuleto tinha muito inveja. Mas nenhum daqueles heróis lhe dariam a resposta pelo que ele mais buscava em seu interior: como poderia ser feliz?

Sentia que aquela questão era maior que a sua paixão por Kyungsoo Montecchio. Na realidade, o rapaz apenas tinha lhe causado a mais infeliz das realizações: de que era um homem livre, mas que sua liberdade tinha um preço. Preço este que Chanyeol nunca pensou que teria de vir a pagar. 

Mas naquele momento estava pagando com todas as moedas.

Chanyeol havia sido proibido de sair de casa sem companhias. Estava proibido de dar festas, proibido de visitar amigos e até mesmo proibido de frequentar a casa do Senhor aos domingos. Até quando seu pai lhe desse a última palavra, o jovem teria de obedecer com vigor as ordens impostas. Tudo isso mexia com o seu coração sonhador, pois sabia que a sua distância da nobre sociedade custaria aquilo que Capuleto mais desejava no mundo: a companhia de Kyungsoo.

Os dias se passavam feito grãos de areias descendo pela ampulheta, enquanto ele se sentia mais e mais solitário. Já havia desistido de qualquer misericórdia que o Destino pudesse lhe conceder, deixando de lado também a esperança de um dia poder se reencontrar com o seu amado. De nada adiantou as promessas sussurradas que fizeram, se Chanyeol não tinha mais como recorrer aos seus afagos quando bem desejasse. Era cruel que novamente sentia-se como se a sua melhor parte estivesse faltando dentro do seu coração. 

Em uma noite de Lua cheia, Chanyeol se prontificou a contemplar pela varanda do próprio quarto, o céu estrelado e pintado de luzes cintilantes. No passado, costumava fazer isso até que pegasse no sono. Mas naquele momento ele apenas desejava para que alguém lá fora escutasse os anseios do seu coração despedaçado. Prontificou-se a esperar na varanda como se o próprio tempo tivesse parado naquele instante. Era apenas Chanyeol e a profunda escuridão da noite conversando naquela altura:  

— Apenas a Lua que és tão distante do céu deve compreender o quanto um coração desconsolado sofre em agonia quando se separa daquele de quem é pertencido, quando sofre em tormento pela invalidez de suas mais profundas ambições. — ele disse, sentindo o coração enfim se desfadigar da angústia que sentia — Apenas um astro tão distante pode padecer de meu sofrimento e da posição a qual me encontro. Se para o julgamento dos homens cometo um crime ao ter a bravura de amar, penso que de nada me resta nesta Terra. Seria de meu deleito que um dia a estrela dele voltasse a brilhar no meu céu, mas nossos caminhos parecem fadados à ruína. Rogo para que tu, astro que cintila para os tolos apaixonados, tenha piedade do meu coração. Pois, sei bem que sem ele não me resta nada além da amargura eterna. 

Capuleto esperou pela resposta que apenas o Tempo poderia lhe dar. 

E ela não veio. 

O jovem esperou por minutos e horas a fio, sem sucesso nenhum. Não sabia exatamente o que, ou a quem estava esperando, mas sabia que aquilo era a única coisa a qual poderia fazer naquele momento tão perverso de sua vida. Já deveria ser a calada da noite quando resolveu se deitar e esquecer de uma vez tudo aquilo que lhe atormentava.

Quando estava prestes a se cobrir com o lençol fino foi que ouviu, lá para baixo de sua varanda, alguém a gritar pelo seu nome. Capuleto se empertigou no mesmo instante, pois reconhecia aquela voz em qualquer lugar. Correu até a barreira de pedra, e pode ver que estava completamente certo. Era ele ali. O seu Kyungsoo havia voltado para lhe reencontrar. 

Montecchio estava de baixo da sua varanda vestindo a mesma roupa de linho branco, com os cabelos louros soltos sob os ombros como um herói inabalado. Ele tinha nos lábios um sorriso confiante de quem sabia ter causado espanto. Colocou-se a trepar na árvore perto da varanda de Capuleto, e esforçou-se para que conseguisse chegar até ela em um salto perigoso. Se não fosse tão habituado às malandragens, era provável que teria falhado. Mas Chanyeol suspeitava que não era a primeira vez que o cavalheiro fazia algo como aquilo.

Quando prostrou os pés dentro de seu quarto, Capuleto sorriu. Foi de encontro aos seus braços no mesmo momento em que o rapaz, fazendo as almas se encontrarem no mesmo caminho.

— Chanyeol — ele disse primeiro — Pensei que nunca iria conseguir vê-lo novamente.

Capuleto sentiu o coração correr dentro do peito, pegar fogo e saltar para fora de seus lábios. Todo o desespero havia virado ansiedade, e agora apenas gostaria que Kyungsoo jamais partisse de ti. Não gostaria de viver sem aquele que havia lhe mostrado o quanto o seu mundo poderia ser melhor, se ficassem juntos. Não queria viver na angústia de um matrimônio do qual não fazia jus as suas vontades. 

Chanyeol queria viver e tinha fome de aventuras.

— Oh, querido Kyungsoo. Será que compadece também de minha miséria? — o jovem disse, desolado de tristeza — Não há como ter uma vida como a minha, cheia de farsas e fingimentos dos quais renego a representar. 

— Do que falas, jovem? Diga a mim e tomarei conta de sua amargura. 

Capuleto suspirou em seus braços. Estar ali era como abraçar um novo lar. Estranhamente familiar, cheio de histórias não vividas e sussurros de promessas que estavam por vir. Kyungsoo tinha em si uma paz da qual Chanyeol nunca havia conseguido sentir com nenhuma pessoa antes. Era devidamente dele a capacidade de lhe dar o único conforto do qual precisava.

— Tenho a lhe dizer que o Destino veio para nos partir, meu querido. Como Capuleto, não posso fazer de ti, um Montecchio, o meu esposo. E como homem tão pouco tenho esta graça. Assombra-me que o futuro não parece próspero para nenhum de nós. Hoje, me aquiesço com uma despedida sua, que prometo carregar em minhas memórias até o fim de minha jornada nesta Terra.

— Chanyeol… meu doce e jovem Chanyeol… — ele disse, segurando o seu rosto delicadamente entre os dedos — Não deixe que o mundo corrompa a sua fé em nós. Acredite o que eu lhe digo: ainda lhe farei o mais feliz dos homens. Não se pode separar um Destino já prometido, Chanyeol. És meu, e eu sou teu. E será assim até que a Vida nos faça se reencontrar novamente. Pois nem a Morte seria capaz de me separar de ti.

— É nisto que acreditas? — Chanyeol perguntou, fitando seus olhos.

— Com tudo de mim. — Kyungsoo respondeu.

Levou apenas um instante para que o coração do jovem Capuleto se enchesse de ternura. E levou apenas segundos para que Montecchio o puxasse para baixo, e tomasse seus lábios numa súbita respiração. Chanyeol arfou em surpresa enquanto sentia o corpo formigar em êxtase pelas carícias que Kyungsoo lhe proporcionava. Uma sensação familiar desceu como arrepios da sua nuca até o meio das costas, ao passo que os lábios dele desciam pelo seu queixo procurando exatamente pelo ponto certo que sempre fazia o mais jovem suspirar. Chanyeol sentiu o beijo como uma memória. Era exatamente isso. Sabia de tudo o que ele iria fazer em seguida, e não se antecipou por isso. Na verdade, apenas sentia os toques como se estivessem dançando de mãos atadas, mas com os corações abertos. Completamente rendidos em si mesmos. 

— Chan… — Kyungsoo suspirou.  

Foi apenas o seu nome, mas já era o suficiente para que o Capuleto entendesse todas as suas palavras. Afastou-se do rapaz, observando-o enquanto ainda tinha as grandes mãos colocadas sob o seu peito. Kyungsoo era menor que ele, mas de longe era o mais bonito. Era isso que Chanyeol sentia quando olhava para os longos cabelos louros e os lábios marcados de amor; que a sua beleza era estonteante. 

— És lindo, Kyungsoo. — ele murmurou.

Montecchio olhou-o hipnoticamente. As pupilas dilatadas estavam repletas do sentimento que Chanyeol também sentia assombrar a própria carne — Luxúria. Uma luxúria que tomava conta de todos os seus sentidos. Sentia-se tão atraído por ele que poderia notar a pele se aquecer como labaredas, ardendo por toda a extensão do seu corpo. Ambos conseguiam se enxergar naquele momento, sabendo que estavam no mesmo ponto. 

— Chanyeol… — Kyungsoo murmurou. — Primeiro devo lhe dizer milhas razões para a súbita visita. Creio que... já tens uma ideia do que vim fazer aqui.

— Kyungsoo...

Chanyeol deixou seu nome escapar dentre os lábios como se estivesse cometendo o mais mortal dos pecados. E sabia que estava. Pois faltava pouco tempo para que ambos se perdessem na própria heresia e fossem enviados para os confins da Terra. Tudo porque o amor entre eles era proibido, porém, maior que todas as regras criadas pela humanidade. Maior que o tempo, maior que todos os medos e maior que as palavras que não precisavam serem ditas. E, ali, era maior até mesmo que aquele exato momento.

— Acredito em você agora. — Capuleto sussurrou — Acredito no que desejava me dizer. Acredito que fora feito para mim, e eu, para ti. Acredito que não poderei viver da mesma maneira quando já conheço a única vida pela qual sonho todos os dias desde que segurei a sua mão, neste mesmo lugar.  

— Então aceite a proposta que vim lhe fazer, Chanyeol Capuleto, e fuja comigo para o desconhecido. Segure a minha mão da segunda vez, e acredite quando digo que farei de tudo para lhe amparar nas piores horas, e te amar como as melhores estimas. Tenho em mim que o nosso amor é puro, e crescerá como os lírios do vento: suave em sua inocência, mas abundante. Segure-se a mim e não solte mais, eu lhe peço. E assim minhas promessas valerão de alguma coisa.

Chanyeol olhou para ele pela que parecia ser a última e primeira vez. Poderia escolher continuar vivendo a mesma história, desenhar nas mesmas páginas brancas aquilo que já tinha conhecimento desde quando se tornou um homem feito: casamento, filhos e herança. Era aquele o destino que a sua família havia traçado para si, desde quando nascera no berço de ouro da Casa Capuleto. Mas sabia que nunca encontraria a felicidade genuína se não seguisse o seu coração. Sabia que aquela era a linha do tempo se cruzando, dando voltas para que o seu Destino pudesse se amarrar com o dele novamente. Porque era Kyungsoo Montecchio que segurava o seu Destino ali, na ponta dos dedos.

Kyungsoo lhe estendeu a mão com um sorriso de puro deleite. O mesmo sorriso que lhe deu quando atiçou na sua alma o fogo da esperança. Chanyeol pensou que seria tolice deixar se enganar com pensamentos, quando tudo estava tão óbvio, bem em frente a si. Estava claro neste tempo todo e só agora havia percebido. 

Com o mesmo sorriso, foi que ele lhe aceitou a mão. Pode sentir a quentura familiar e os arrepios que lhe subiam pelo braço. Olhou bem no fundo dos olhos daquele que refletia a sua alma por completa, e disse:

— Devo ser o mais asno dos tolos, Montecchio. Mas um dia alguém me disse que apenas verdadeiros atos de bravura podem nutrir um nobre coração ardente. — Chanyeol aproximou-se dele, falando mais suavemente desta vez — Porém, és tu que carrega a minha chama. Então não vejo outra opção além de aceitar a sua proposta.

Kyungsoo sorriu para ele. Puxou-lhe mais perto de si próprio, selando sua mão com um beijo casto. Ergueu o olhar para Chanyeol no mais puro sarcasmo, e disse:

— Pois que a selemos com uma promessa, meu amor. Comecemos com o para sempre, e até lá, apenas o Tempo dirá se a tua barganha condescendeu com tuas expectativas.
Capuleto sorriu.

Concordava com ele. E por concordar tanto assim, é que naquela mesma noite, quando todos os outros dormiam no mais pacífico sono, Capuleto e Montecchio abandonaram a rivalidade ancestral de suas Casas para viver uma vida a dois com um mesmo Destino. Abandonaram a cidade, e abandonaram todos aqueles que duvidaram de suas inocências. Eram apenas dois garotos, livres da prisão de Verona e partindo para o desconhecido que almejavam conhecer. Não tinham certeza de nada do que poderia vir a tornar em suas vidas, mas a única coisa que importava, um para o outro, eles tinham. Pois, amavam-se em abundância o suficiente para que um ato de bravura como aquele valesse a pena de se cometer.

E nunca se sentiram tão valentes antes.


Notas Finais


Obrigada a quem acompanhou isso aqui, porque foi um processo muito louco kkkkk
A história foi inspirada na música Love Story da Taylor Swift, então o final também ficou aberto como na música.
Espero que tenham gostado de ler, e que aproveitem pra ver as outras histórias do Desafio também <3
Até a próxima.

P.s.: peço perdão pelo dramalhão shakesperiano KKKK


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