1. Spirit Fanfics >
  2. Love Thing >
  3. A Proposta

História Love Thing - Capítulo 46


Escrita por:


Notas do Autor


"I don't want to be part of a world where we can't be colorful." - Dominique Provost-Chalkley.

Olá amores e amoras, tudo bem com vocês? Espero que bem. Não ia ter postagem hoje, mas como sempre, Laura Dominique tem a incrível capacidade de nos fazer sorrir e inspirar, sendo assim, aqui está mais um pedacinho para vocês. Besitos.

Capítulo 46 - A Proposta


Fanfic / Fanfiction Love Thing - Capítulo 46 - A Proposta

Após ter deixado Dominique na livraria, uma vez que a dançarina ainda precisaria finalizar o seu turno, Katherine chamou por um Uber e retornou para a seu novo apartamento e durante o breve caminho, ficou relembrando da conversa que tivera com a outra.

Antigamente, mais precisamente quando já havia se passado alguns anos que Dominique partira pra Londres, Kat por muitas vezes ficou a imaginar como seria um reencontro de ambas. Em seu íntimo, ela não sabia dizer se ficaria nervosa e ansiosa, ou até mesmo se conseguiria manter ou não uma conversa com a dançarina. Mesmo que o afastamento tenha sido nos melhores termos, nunca saberia ao certo como o tempo e as circunstancias iriam trabalhar na pessoa de Dominique. E a ruiva poderia dizer a mesma coisa para com ela, afinal, dez anos se passaram, e esse período pode transformar qualquer pessoa.

Todavia, estar na presença de Dominique, tanto no jantar da noite anterior, quanto no almoço de última hora, foi uma surpresa deveras agradável para a fotografa. Apesar de não ter crescido muito no tamanho, e aqui Katherine riu sozinha enquanto subia pelo elevador do prédio, era nítido ver o quanto a ex líder de torcida estava madura e isso deixou Kat com uma sensação de conforto dentro do peito.

Sempre soube que a dançarina iria longe, e mesmo que algumas situações não estivessem colaborando no momento com ela, sabia que em breve tudo entraria nos eixos.

- Quem não passa por momentos difíceis, não é? – A ruiva disse para suas caixas de mudança ainda desorganizadas pela casa.

Ela conferiu as horas em seu celular e depois de analisar as possibilidades por alguns segundos, arriscou realizar uma pequena arrumação em pelo menos suas roupas, puxando as malas e algumas caixas com este conteúdo para o quarto. Ela prendeu seu cabelo e colocando em uma playlist aleatória no celular, pôs-se a trabalhar.

Em meio a uma dobra de calças e outra, Katherine recebeu mensagens em seu celular, sendo estas de Nathan, Victor e Bridget. Abriu primeiro a de Bri, que ela sabia ser a continuação da conversa da noite passada. A morena escreveu:

“Apesar de eu ter confirmado minha presença, eu não sei vou conseguir comparecer na reunião de amanhã. ”

A informação desanimou Katherine. Ela estava feliz com a possibilidade de rever a amiga, mesmo ainda sentindo o peso de ter se afastado e não fazer ideia de como estava a vida de Bridget atualmente. Enquanto conversavam via mensagem, ela soube que a garota se formou com louvores em Psicologia pela Universidade de Alberta e que depois de um tempo, retornou para Toronto e agora estava trabalhando em um dos hospitais da cidade, assim como atendia alguns pacientes particulares.

No fundo, Katherine esperava conseguir realizar uma nova aproximação com Bridget, mesmo tendo a ciência de que talvez não conseguissem retomar a amizade de dez anos atrás. Mas tinha esperanças de que sim. Ela respondeu a mensagem da garota da seguinte forma:

“Sério? Poxa, que pena. Eu estava querendo te encontrar” – Kat enviou e numa ideia subida, escreveu outra mensagem – “Eu irei a um barzinho hoje com o Nathan e a Sarah. Dominique também estará presente. Se quiser nos encontrar, está super convidada por mim! ”

Apesar de ser uma noite especial para Nathan, sabia que o amigo não se importaria com a presença de Bri. Após enviar, ela foi até a mensagem de Victor, que dizia:

“Vou chegar em Toronto amanhã de manhã. Não vou conseguir ir hoje, o meu chefe...” – e aqui, o garoto xingou seu superior de nomes que Katherine nunca iria esquecer, o que a fez rir – “Você pode me passar seu endereço? Chegarei bem cedo, aí eu pego um Uber até sua casa. Eu não vou pagar hotel! ”

A ruiva gargalhou com a audácia de Victor, mas entendia o seu lado, se fosse o contrário, ela também procuraria se hospedar com alguém conhecido, principalmente se quisesse colocar os assuntos em dia e matar a saudade dos amigos.

Respondeu a mensagem com seu endereço e seguiu para a mensagem de Nathan, que falava em qual bar iriam se encontrar mais tarde, assim como os detalhes do que planejava fazer. Katherine balançou a cabeça com um sorriso, somente imaginando as reações diversas que aquele pedido poderia causar. Ela confirmou o horário e ao mesmo tempo mandou o endereço do barzinho para Bridget, caso ela se interessasse em ir.

E conferindo se ninguém mais iria lhe mandar mensagens, Katherine voltou a sua arrumação, mesmo sabendo que a tarefa seria interrompida na metade, pois logo ela iria precisar se arrumar e já estava caçando o que poderia vestir.

***

Laura Dominique deu graças ao universo por seu turno ter chegado ao fim e pelo fato de ter saído em um horário favorável, a dançarina deu-se ao luxo de ir para casa de táxi, uma vez que a bandeira estava em um valor aceitável.

Durante o caminho, recebeu mensagens de Sarah e Nathan, ambos falando do mesmo assunto, porém sob perspectivas diferentes: enquanto Nathan lhe informava em qual bar iriam se reunir em algumas horas e pequenos detalhes do seu simples plano, no qual Dominique teria um papel a desempenhar, Sarah estava uma pilha de nervos, desconfiando a respeito do motivo que o namorado tinha inventado de ir em um bar naquela noite. E sozinho.

A dançarina deu risadas e sabia que seria bombardeada assim que pisasse na residência, uma vez a loira confirmou que ficou trabalhando a domicilio. Sendo assim, Dominique usou a melhor pose de atriz que pode incorporar no trajeto até a casa de Sarah e quando abriu a porta de entrada, viu a amiga respirar fundo com uma xícara de café nas mãos.

- Ainda bem que chegou! – A loira exclamou.

- Será que fiz mesmo bem em chegar? – Dominique brincou – Esse café está fresco?

- Acabei de fazer.

- Maravilha. – A outra se aproximou do armário e pegou uma xícara para si, servindo-se o liquido fumegante – Como foi o dia?

- Estava indo tudo bem, até o Nathan inventar de sair com os amigos para um pub hoje! – Sarah bufou e rolou os olhos.

- Mas o que tem ele ir em um pub a noite depois dos treinos? – Dominique se fez de desentendida, sabendo que o plano de Nathan já estava em andamento.

- Dom, ele está em início de temporada! – Exclamou Sarah, um pouco alterada dessa vez – Como atleta, ele tem que ter duas, três vezes mais cuidadoso com o que ingere, principalmente quando o assunto é bebidas alcoólicas! Você viu que eu não deixei ele beber ontem! Qualquer exagero pode aparecer nos exames periódicos dele e isso é terrível para o time e pior ainda para mim, que terei que lidar com o comitê e eu não estou nem um pingo afim de aguentar com um monte de homem que se acham os donos do mundo!

Dominique ouviu cada palavra que a amiga falou em silêncio ao mesmo tempo que bebia de seu café, que estava extremamente forte e ela fez uma careta. Entendia o lado de Sarah, realmente não deveria ser muito fácil ter um relacionamento com um atleta, ainda mais se você estava envolvida com aspectos administrativos do local de trabalho do mesmo.

A dançarina percebeu que Nathan tinha simplesmente tocado no ponto que deixava Sarah mais ansiosa, e fez uma nota mental de chutar a bunda do rapaz por isso, contudo, ela sabia que a atitude seria por uma boa causa. Sarah não poderia desconfiar.

- Agora entendi o motivo de você estar assim – Dom apontou para a amiga – Os seus divertidamente estão a ponto de explodir.

- O da raiva já explodiu – Sarah confirmou – Por que eu fui me envolver com o Relações Públicas de um time de basquete Dom? Por quê?

- Porque você queria estar num lugar majoritariamente ocupado por homens – Dom respondeu simples – E você tem feito um ótimo trabalho, Sarah. – Ela sorriu docemente.

- Você acha? – A loira crispou os lábios, indecisa a respeito das suas habilidades.

- Com certeza! Não foi você mesma quem falou que colocou aqueles garotos na linha?!

- Foi difícil, mas coloquei! E aqueles imbecis estão prestes a sair! Argh! – Grunhiu Sarah, colocando sua xícara com tal forma em cima da mesa que Dominique achou que ia quebrar – To vendo meses de trabalho indo por água abaixo!

- Hum... E você não pode ir até lá e dar um jeito neles? – Dominique ficou surpresa com o cinismo em sua voz – Você tem esse direito, não? Ainda mais se usar o argumento da temporada...

- Eles irão me odiar, isso sim...

- E você está com medo disso? – Dominique sorriu de um modo ligeiramente maroto – E outra, você não estaria proibindo eles de entrar em um pub, o acesso é livre, somente de beber coisas alcoólicas. Ou pelo menos ter somente uma rodada.

Sarah maneou a cabeça, analisando aquela ideia e Dominique torcia para que ela mordesse a isca. A loira por fim sorriu e perguntou:

- Você iria comigo até lá?

- Claro! Eu vou adorar ver a cara de decepção deles. Principalmente do Nathan!

- Com certeza! Isso vai ser para ele aprender a não tomar decisões assim por impulso! – Sarah dizia enquanto fechava seu notebook – Eu só não sei o endereço...

- Quer que eu pergunte? – Propôs Dom e para que Sarah não desconfiasse, emendou – Eu direi que vou, sei lá, chamar a Katherine para sair – aqui, ela achou conveniente não dizer a amiga que esteve com a ruiva durante a tarde – Vou pedir opções e capaz que ele acabe falando em qual bar estará.

- Do jeito que ele é, capaz que diga mesmo, ainda mais se estiver com umas na cabeça já.

- E outra, é só a gente observar a movimentação na porta, se vermos uma galera mais alta que eu, saberemos que estamos no lugar certo.

- Amor, existem crianças mais altas que você – Sarah provocou e Dominique abriu a boca inconformada.

- Eu nem vou responder, Sarah! – Ela fingiu indignação – Bem, eu vou tomar um banho e me arrumar, então, e sugiro que faça o mesmo.

- Sim senhorita – a loira bateu continência.

- E vista algo bonito – Dominique sugeriu.

- Garota? E desde quando eu ando mal arrumada?

- Verdade, você fica bem até de moletom – a dançarina reconheceu.

- É um poder – Sarah se gabou e Dominique fez sinal de impaciência, o que arrancou um riso da outra – Vista algo bonito também. Sabe-se lá quem você vai encontrar.

O que Sarah não sabia, era que tecnicamente Dominique iria encontrar alguém aquela noite. Alguém que ela conhecia.

“Mas não podemos chamar isso de encontro, é só a Katherine” – a dançarina pensou consigo ao entrar em seu quarto.

Ela pegou o celular de sua bolsa e enviou uma mensagem para Nathan, dizendo que sua parte no plano estava em andamento, mas que talvez ele e o restante dos garotos do time que comparecessem, deveriam maneirar no consumo de bebida alcoólica.

Em seguida, mandou uma mensagem para Katherine, contando o que precisou fazer e pedindo para que ela, dependendo da situação no qual se encontrassem a noite, fingisse que não passava de uma coincidência as duas estarem no mesmo lugar. Ela riu, sentindo-se outra vez a adolescente que planejava os encontros de suas amigas durante o colégio. Poucos segundos depois a ruiva lhe respondeu.

“Pode deixar que vou usar a minha melhor pose de atriz! ”

A dançarina deixou o celular carregando e foi para seu banho, e após sair e se enrolar na toalha, abriu o armário e ficou encarando suas peças, pensando no que raios iria usar naquela noite. Não que não possuísse vestimentas o suficiente, mas de repente, parecia que não dispunha de nada que ficasse bom o suficiente para o seu gosto. A garota pegou algumas opções e espalhou por sua cama, visualizando combinações, mas definitivamente não conseguia chegar em um consenso.  

- Dom?

A voz de Sarah tirou Dominique de seus devaneios e quando viu a amiga entrar em seu quarto, notou que ela já estava arrumada. Trajava um jeans que modelava suas pernas, uma camisa de tecido leve e os saltos em seus pés a deixavam mais alta que o normal. A loira havia passado uma maquiagem bem leve, mas ela não precisava de muita coisa, a dançarina pensou rapidamente antes de voltar seus olhos para suas roupas.

- Certo, qual o problema? – Sarah cruzou os braços – Você sempre se arruma primeiro.

- Eu não sei o que vestir...

- Está com febre ou alguma coisa? – Brincou – Você nunca teve muitos problemas com isso...

- Eu sei, mas sempre existe uma primeira vez – Dominique torceu a boca – Uma ajudinha seria útil, sabe...

Sarah soltou um leve riso e se aproximou, seus olhos correndo pelas peças da amiga por sobre a cama e logo separando um look completo para Dominique, que consistia em uma calça jeans e uma blusa preta com estampa florida que deixavam os ombros e colo da dançarina a mostra.

- O sapato eu deixo ao seu critério, mas pelo amor de Deus, nada de extravagante. Não queremos bagunçar a parte de cima – Sarah se referia ao que ela tinha escolhido – Cabelos soltos, maquiagem leve... e coloque uma correntinha, a blusa favorece o uso de um colar simples. E voilá. De nada. – A loira piscou antes de sair.

O fato é que quinze minutos depois, Dominique estava pronta. A dançarina não sabia o que Sarah tinha feito, mas aquela combinação não lhe passou pela cabeça e agora que notava o caimento das peças, sentiu-se finalmente satisfeita. Pegou uma bolsa neutra e colocou seus pertences e ao chegar na cozinha, lugar em que a amiga lhe esperava, falou em reconhecimento:

- Eu não sei que magia você usou, mas eu adorei.

- Em algumas ocasiões o menos é mais, e como você estava em duvidas do que vestir, eu só escolhi algo que eu usaria do seu guarda-roupas. – A loira disse de modo simples.

- Eu pensei que você usaria tudo do meu guarda-roupas!

- Nem tudo, querida. Seu círculo de amizades em Londres te fez criar um gosto, hm, peculiar...

- Sarah? – Dominique não sabia se ficava indignada ou se ria. Talvez um pouco de cada.

- Discutiremos moda em outro momento, eu chamei um Uber para nós, e ele já está nos esperando – anunciou Sarah, que também pegava sua bolsa.

As duas logo estavam dentro do automóvel, e enquanto conversavam a respeito do dia, Dominique tentava da melhor maneira possível avisar Nathan que já estavam a caminho. A garota procurava controlar sua respiração, mas no fundo estava inquieta.

Ao desembarcarem, caminharam até a entrada do The Office Pub, um bar aconchegante e que disponibilizava de dois ambientes, com mesas, cadeiras e sofás no térreo, e um espaço para pequenos eventos no andar superior. Os olhos das meninas percorreram o ambiente, que estava com uma movimentação moderada para o horário, contudo, não viram sinais de jogadores fazendo possíveis algazarras.

- Tem certeza que é aqui? – Sarah olhava para os lados, notando que recebia olhares desconfiados tantos dos clientes quanto dos funcionários do lugar.

- Sim... – Dom crispou os lábios, agora ligeiramente temerosa de que algo poderia ter dado errado – Podemos pergu-

- Se tivéssemos combinado, não teria dado certo.

A voz era conhecida pelas duas e ao se virarem em direção a ela, viram Katherine se aproximar. A ruiva estava a mais relaxada possível, com sua calça jeans até as canelas e uma camisa xadrez em flanela de cor azul escura. Dominique reparou que a mulher estava atraindo muitos olhares, femininos inclusive, mas Kat parecia alheia a tal fato ao se aproximar e cumprimentar as recém-chegadas.

- Noite das garotas? – Indagou com um sorriso.

- Não exatamente... – Dom segurou o riso ao ver que Kat procurava fazer o mesmo.

- Estou procurando o Nathan – Sarah contou – Ele simplesmente disse que viria num bar assim, do nada!

- Ele não pode beber muito quando está em temporada, né... – Katherine fez uma expressão impassível.

- O ideal seria que não ingerisse uma gota de álcool – a loira procurava falar de modo calmo – Mas quando ele se anima...

- Er, eu sei... – Katherine olhou de Sarah para Dom – Olha, eu não queria dizer nada, mas o Nathan me convidou, por isso que estou aqui.

- Então estamos no lugar certo – Dominique tentava entrar no jogo que a ruiva fazia.

- Estão. – Ela suspirou – Droga, eu não deveria ter pedido aquela rodada de tequila para os rapazes! – Katherine escondeu o rosto com as mãos – Mas eu sou a fotografa agora, a novata, queria me enturmar! Por isso Nathan me chamou e tudo! Me desculpa, Sarah!

- Realmente você não deveria ter pedido a rodada, Katherine – Sarah bufou – Vou pedir horas extras para o conselho, isso definitivamente não está no meu contrato! – Ela disse exasperada – Onde eles estão?

- Lá em cima – a ruiva apontou para o segundo andar – Eles reservaram...

Sarah não esperou Katherine continuar e a passos firmes, seguiu as placas que indicavam as escadas para o segundo ambiente. As outras duas a seguiram, e de modo que a loira não ouvisse, Dominique falou:

- Você foi muito cínica e dissimulada!

- Eu disse que usaria meus dotes de atriz – Katherine olhou para Dominique com um sorriso e piscou para a dançarina.

As três mulheres subiram as escadas, com Sarah as liderando, e ao chegarem no topo viram que a loira parou de modo abrupto, e nesse instante Dominique pode ver o motivo da reserva do segundo andar: Nathan realmente ia passar uma vergonha básica.

O rapaz estava vestindo a parte de cima de um terno, junto com uma gravata ligeiramente frouxa. Por baixo, uma das suas camisas do Toronto Raptors, shorts e tênis que costumava usar nos treinos. Em suas mãos, um microfone, e atrás dele, mais três companheiros de equipe usavam os mesmos trajes e estavam ao redor de um segundo microfone preso a um pedestal.

- Mas que...

A voz de Sarah falhou ao ouvir o início de uma música conhecida, contudo, ela não teve como argumentar coisa alguma, uma vez que Dominique lhe empurrava delicadamente para o meio do salão e Nathan começou a fazer daquela cena um espetáculo musical de gosto questionável

It's a beautiful night/ É uma noite linda

We're looking for something dumb to do/ Estamos à procura de algo idiota para fazer

Hey baby

I think I wanna marry you/ Acho que quero me casar com você

Is it the look in your eyes/ Será o olhar em seus olhos

Or is it this dancing juice?/ Ou é esta dança empolgante?

Who cares, baby/ Quem se importa, querida

I think I wanna marry you/ Acho que quero me casar com você

Well I know this little chapel on the boulevard we can go/ Conheço uma pequena capela na avenida onde podemos ir

No one will know/ Ninguém vai saber

Oh come on girl/ Venha garota

Who cares if we're trashed/ E daí se estamos bagunçados

Got a pocket full of cash we can blow/ Tenho um bolso cheio de dinheiro que podemos gastar

Shots of patron/ Com doses de tequila

And it's on girl/ E tá valendo, garota

Enquanto o rapaz cantava e fazia pequenas encenações conforme a letra da música avançava, Katherine e Dominique se postaram lado a lado, cada uma filmando a cena com seu celular. Elas estavam rindo, principalmente pelo fato dos olhos de Sarah estarem arregalados e suas mãos na boca, contudo, era possível ver que a loira estava se emocionando e suas orbes brilhantes era a prova disso.

Don't say no, no, no, no-no/ Não diga não, não, não, não, não

Just say yeah, yeah, yeah, yeah-yeah/ Só diga sim, sim, sim, sim, sim

And we'll go, go, go, go-go/ E nós vamos, vamos, vamos, vamos

If you're ready, like I'm ready/ Se você estiver pronta, como eu estou

A última estrofe e a repetição do refrão foram cantadas pelos amigos de Nathan, que não conseguiam segurar os risos e desafinaram maravilhosamente bem, arrancando gargalhadas dos presentes. E nesse instante que Sarah se deu conta que mais pessoas estavam no local, presenciando aquele ato. O autor de tudo aquilo também não conseguir permanecer sério, mas quando a melodia estava prestes a chegar na segunda parte, ele respirou fundo e se aproximou na namorada. Se ajoelhou e tirou uma pequena caixinha de veludo do bolso do paletó.

I'll go get a ring let the choir bells sing like/ Eu vou pegar um anel, deixe o coro cantar e o sino tocar

So what you wanna do?/ Então o que quer fazer?

Let's just run girl/ Vamos apenas fugir, garota

If we wake up and you wanna break up that's cool/ Se você acordar e quiser terminar, tudo bem

No, I won't blame you/ Não, eu não vou te culpar

It was fun girl/ Foi divertido, garota

As melhores amigas do casal prenderam a respiração ao ver Nathan abrir a caixinha e exibir o anel que havia comprado para a ocasião em direção a Sarah. Um silêncio cheio de expectativas os abraçou e após alguns segundos, o rapaz respirou fundo e falou com a melhor voz que conseguiu, se for levado em consideração que estava extremamente trêmulo.

- Eu já estava pensando em fazer isso há alguns dias, e ontem, minha melhor amiga me disse que eu poderia fazer o pedido de qualquer forma, desde que fosse de coração. Mas você sempre me falou que eu não posso ver uma vergonha, que eu já quero passar... – um riso coletivo preencheu o ambiente – Então eu pensei, por que não? – Ele sorriu, sem tirar os olhos de Sarah – As pessoas que estão aqui esta noite, de alguma forma nos acompanharam nesse tempo que estamos juntos, sendo assim, elas são testemunhas de que eu passaria todos os momentos constrangedores ou não, do universo, somente para poder fazer você a mulher mais feliz do mundo... Sarah Lucy Martin, você me concederia a honra de ser o seu marido?

A forma que Nathan proferiu a última frase fez todos sorriem e agora as atenções estavam em Sarah, que agora limpava o canto dos olhos. Seu rosto estava corado, mas o sorriso que a mulher abriu deixou todos aliviados, afinal, aqueles que conheciam a loira sabiam que se ela tivesse odiado o que foi feito, teria fechado a cara e retirado do recinto com a mesma prepotência que entrou.

- Você me faz querer dizer sim... – ela riu com uma alegria genuína – Sim e sim!

A algazarra que os amigos dos noivos fizeram em seguida foi indescritível. Confetes e serpentinas foram arremessados em direção aos dois, que agora trocavam um beijo mais adocicado que os filmes de sessão da tarde. Nathan pegou a aliança e a colocou no dedo anelar da mão esquerda da loira, e após a mulher contemplá-la por alguns segundos, trocaram outro beijo.

Os minutos seguintes foram utilizados para cumprimentos aos noivos. Tanto Sarah quanto Nathan, fizeram questão de abraçarem primeiro a Dominique e Katherine, que os observavam com sorrisos carinhosos e o coração aquecido. Os quatro se entreolharam, com sorrisos estampados em seus rostos, e parecia que ninguém queria quebrar aquela conexão.

- Eu vou matar vocês! – Sarah falou com os olhos um pouco vermelhos e um sorriso.

- E temos a nossa Sarah de volta. – Dominique abraçou sua amiga de novo.

- Estava demorando para ela falar isso, na verdade... – Katherine provocou e Nathan assentiu.

- Eu ia fica preocupado se ela não falasse. – Ele brincou, sua mão entrelaçada a de Sarah.

- Você ainda não está livre disso, Nathan – a loira encarou o rapaz e seus olhos estavam faiscantes.

- Você não pode me matar! Eu prometi a sua família que almoçaríamos domingo com eles! – O menino anunciou.

- Você falou com meus pais?

- Mas é claro. Ou você acha que eu ia fazer tudo isso sem a benção dos seus pais?

Sarah ficou sem palavras e Katherine falou por ela:

- Céus, Nathan, para de ser tão cavalheiro, to achando até estranho isso!

- Nathan é um espécime muito raro, não deixa ele escapar, Sarah – Dominique observou e deu uma piscadela travessa para a amiga.

- Deixa comigo! – Ela respondeu – Mas agora, se nos dão licença, temos que falar com os outros.

- Sim – Nathan concordou – Nos mande os vídeos depois? – ele pediu, sabendo que as amigas tinham registrado o momento.

- Já enviamos – Katherine assegurou.

O casal sorriu e seguiu em direção aos outros poucos convidados, que os aguardavam para os saudar. Sozinhas, Katherine e Dominique se entreolharam, com um sentimento de missão cumprida as invadindo.

- As bebidas são por conta do Nathan? – Dom mordeu o lábio, seu corpo começando a pedir pelo liquido que já começava a ser servido.

- Pode ter certeza que sim – Kat disse com animação e olhou ao redor, encontrando uma mesa vazia – Vamos sentar ali? – Ela apontou para um dos cantos do salão.

Concordando com a cabeça, Dominique a seguiu, e logo estavam sentadas de frente uma para a outra. Um dos funcionários do bar, ao ver que ocuparam a mesa, logo trouxe petiscos e as indagou o que gostariam de beber. As duas se olharam outra vez, refletindo sobre o que poderiam pedir.

- Me acompanha na cerveja? – Dom deu um leve sorriso.

- Claro!

Não demorou muito para dois grandes canecos serem colocados à frente das garotas, e em um pensamento mutuo, elas fizeram um brinde. Enquanto bebiam, a voz do rapaz Ed Sheeran cantava ao fundo que estava apaixonado pelo formato de uma menina, e assim elas ficaram a olhar os convidados de Nathan e Sarah, que eram compostos basicamente dos colegas mais próximos de trabalho de ambos e pessoas que estudaram com eles na época da faculdade. Internamente, Katherine e Dominique sabiam que veriam os mesmos rostos dali a algum tempo, no dia em o casal resolvesse realizar a cerimonia matrimonial.

- Você acha que eles irão mesmo casar? – A ruiva quebrou a falta de palavras.

- Sim. – Dominique disse com firmeza – Sarah é essa mulher independente e cheia de atitudes, mas no fundo ela tem aquela pitada de princesa Disney que sempre desejou encontrar o amor da vida dela.

- Com cavalo branco e tudo?

- Troque o cavalo por uma Harley.

- Então ela achou o cavaleiro dela. –  Katherine sorriu – Nathan também sempre quis encontrar alguém.

- Chega até ser engraçado a gente ver rapazes expressando esse desejo – comentou Dominique – A construção de uma família sempre foi colocada como algo da natureza feminina e quando vemos homens falando no assunto, surpreende.

- Mas é uma surpresa muito boa – emendou Kat – Eu gosto dessa quebra de paradigmas, mostra que o mundo evolui.

- Mesmo que muito devagar.

- Nem tudo é perfeito. – Katherine riu antes de beber mais e provar alguma das batatinhas que foram deixadas na mesa.

- Você faria algo do tipo?

- Como assim? – Kat olhou para a mulher a sua frente, não entendendo a pergunta.

- Um pedido assim para alguém, você faria?

O cenho de Katherine se franziu e ela coçou a cabeça, parecendo um pouco constrangida com o questionamento. Dominique percebeu e logo tratou de se desculpar.

- Acho que eu não deveria ter feito essa pergunta, me desculpa! – Sentiu seu rosto esquentar.

- Não, não tem problema! – Kat falou rapidamente – É que eu realmente nunca parei para pensar nisso...

- Nunca pensou em pedir a mão de alguém?

- Okay, teve uma pessoa... – admitiu.

- Quem? – E por um algum motivo, o coração da dançarina disparou.

- Uma garota da faculdade – Katherine revelou e assim como a dançarina, bebeu um gole generoso da cevada – Nós namoramos, mas não deu certo e... – Ela coçou a cabeça outra vez – E eu reencontrei ela dois anos atrás.

- O que aconteceu?

- Nós duas, mais um outro amigo em comum, resolvemos montar uma pequena empresa, mas acabou que os dois me deram uma rasteira – seu riso foi amargo – Meses pagando uma dívida gigantesca no meu nome e o arrependimento de ter confiado nela de novo.

- Ela te machucou?

- Ela me traiu.

- Quem tem a coragem de te trair? – Dominique ficou inconformada.

- Aparentemente essa garota. Acho que meu destino é ficar sozinha – Kat deu de ombros – Sorte que agora eu posso ter um animal de estimação.

Dominique sorriu suavemente.

- Se o seu destino for ficar sem uma companheira, romanticamente falando, no caso, isso não tem problema. Você se bastar e ser feliz com isso, já é o suficiente.

- Antes sozinha do que mal acompanhada, não é mesmo? – A voz da ruiva estava ligeiramente irônica e ao mesmo tempo ela chamava o garçom é pedia mais uma rodada de cerveja.

- O ditado é real. – Curiosamente, Dominique sentiu que se ficasse calada, a pergunta voltaria para ela, então tratou de continuar – Foi por isso que você não se comprometeu com a Katie? Medo de não dar certo?

O modo como Katherine baixou os olhos, sorriu de lado e umedeceu os lábios, fez com que a dançarina sentisse um arrepio em sua nuca, o que era estranho, afinal, a ruiva não havia feito nada demais, apenas demonstrou um trejeito de anos atrás.

- Ultimamente não quero saber muito dessa coisa chamada amor.

- Isso me fez lembrar de uma música das Spice Girls – Dominique riu – Desculpa.

- Eu sei qual é. A letra e o ritmo são legais!

- Eu cantei muito quando era criança – admitiu Dom.

- Eu sei! Sem mencionar o musical em que você esteve a respeito delas. – Katherine apontou para ela.

- Nossa, sim! – A dançarina sorriu largamente, mas seus olhos continham uma pontada de tristeza – Uma pena ele ter sido encerrado...

- Nem deu tempo de eu ir para Londres e te ver no palco.

- E você iria? – Duvidou Dominique.

- Claro que sim... E você está com essa cara de duvido porquê...?

- Ah, sei lá...

- Eu teria ido te ver ao vivo, Baby Spice – a ruiva respondeu divertida.

- Eu te disse que era a Baby quando pequena, não é? – A dançarina lembrou e sentiu seu rosto esquentar de novo e ela pediu internamente que já fosse efeito da bebida – No seu quarto, quando fizemos o trabalho de História e eu te ajudei com as músicas do baile!

- Foi o melhor trabalho que eu fiz na vida – dessa vez, foi Katherine quem sentiu o rosto ficar rubro, uma vez que se lembrava de cada detalhe daquela tarde.

- “Nunca provoque um dragão adormecido” – lembrou a outra, bebendo um pouco mais.

- Você lembra...

- Eu lembro de muitas coisas daquelas últimas semanas. Foram especiais.

- Foram, né? – A ruiva concordou com a cabeça.

- Ainda mais que você me ajudou com a mão – os olhos de Dom foram para seu próprio punho. – Eu teria ficado muito perdida se não fosse por você.

- Era o mínimo que eu poderia fazer, visto que estive em uma situação similar. E pelo visto, não ficaram sequelas.

- Não ficaram! Graças a você, ao universo e a minha fisioterapeuta. – Sorriu – Só uma ou outra cicatriz, aqui e aqui... – ela colocou o punho mais para o centro da mesa, apontando – Dos cortes mais profundos.

- Mas quase não dá para ver... – Katherine tomou a liberdade e tocou nos locais assinalados, seus dedos se recordado da textura da pele da outra.

- Não mesmo. – Delicadamente, Dom puxou o braço e Kat fez o mesmo com as mãos.

A quietude ficou entre elas, e ao mesmo tempo em que tocava uma música da banda Haim, chamada Don’t Save Me, que Katherine gostava, cada uma se perdeu em pensamentos, mas uma coisa era certa: ambas estavam se recordando daquele curto período de tempo em que ficaram juntas. Acreditavam que tais lembranças eram praticamente inevitáveis, ainda mais se levassem em conta os amigos e colegas em comum que encontrariam e toda a carga nostálgica que o encontro do colégio carregava.

E outra vez, Dominique se recordou. Ela olhou para Katherine, que desde que se encontraram, não mostrava sinais de que tinha conhecimento do segredo que ela sabia, e tal constatação deixava os ombros da dançarina ligeiramente pesados.

- Algum problema?

Seus olhos se encontraram e Dom ficou confusa.

- Como assim?

- Seu semblante mudou – Katherine a olhava com atenção – Ficou sério...

- Oh, não é nada demais, eu acho... – Dominique respirou fundo e bebeu mais um pouco, perguntando-se se estava na hora de pedir algo mais forte – Eu, hm, lembrei do Travis.

- Ah sim. Você tem contato com ele?

- Falamos um tempo depois que fui para Londres, mas depois, não o vi mais – relatou – E você? – Os olhos de Dom estudaram as reações da outra com a pergunta.

- Anos atrás, ainda na época da faculdade, eu vim passar alguns dias das Férias de Primavera com meus pais, aí eu o vi saindo do supermercado.

- Pelo visto ele não te viu...

- Não. Eu teria falado com ele, mas ele parecia apressado. Acha que ele vai amanhã?

- Não sei... – Dominique fez um gesto negativo com a cabeça, não sabendo mais o que dizer.

Para sua salvação, Sarah apareceu ao lado delas trazendo uma bandeja com várias doses de tequila. As garotas olharam os pequenos copos e em seguiram encararam a loira, que estava risonha.

- Quantas você já bebeu? – Dominique ria.

- Algumas. – A loira respondeu – Essas aqui são para vocês e como Nathan não está bebendo hoje, ele disse que você tem que beber a parte dele, Kat.

- Ele disse o que? – A ruiva gargalhou.

- Isso mesmo que você ouviu.

- Ué, Kat, não foi você quem disse mais cedo que queria bebidas de graça? – Dominique a provocou.

- Eu sabia que vocês tinham se encontrado mais cedo! – Sarah apontou para as duas, feliz por suas suspeitas estarem corretas – Mas não me faça de rogada, Laura Dominique! Eu sei que você gosta de beber quando está inspirada.

Katherine sorriu, separando quantidades de tequila iguais para ambas e sentindo os olhos atentes de Sarah em seus movimentos.

- Nos acompanha? – A ruiva entregou a dose que sobrou para Sarah.

- É a última!! – Ela disse alto e virou o copo de uma vez garganta abaixo – Quero estar sóbria o restante da noite!

E saiu, indo em direção a Nathan, que não estava tão sóbrio assim.

- Por que algo me diz que a gente que vai ter que chamar um táxi para eles? – Dominique os olhava.

- É porque nós vamos. Pronta? – Katherine apontou para as doses. Seis para cada.

- Quem beber tudo primeiro ganha uma dose extra?

- Não vejo prêmio melhor. Vamos?

E com um aceno, Dominique e Katherine começaram a virar as doses de tequila, que descia queimando por suas gargantas. As meninas riram, após a segunda dose, mas estavam determinadas a terminar aquele desafio, e por isso continuaram sem interrupções e quando Dominique terminou as suas, viu que Katherine estava ainda na metade da última.

- Eu ganhei? – A dançarina sentiu os efeitos da bebida em seu corpo pela rápida ingestão.

- Sim. Dose extra para você – o riso de Kat foi debochado.

- Não sei se quero mais. – A voz da dançarina estava vacilante.

- Quer sim! – A ruiva encorajou entre mais risos.

- Tá bem, eu quero sim.

Após buscar mais algumas doses de tequila e mais duas garrafas de cerveja, Katherine retornou para a mesa. As garotas voltaram a beber, só que desta vez, começaram a comer um pouco dos petiscos oferecidos, mas sabiam que eles não fariam muita diferença no momento, pois já estavam começando a se sentirem altas e dando mais risadas que o usual.

Não tocaram mais em assuntos do passado, e muito menos em relação as duas, preferindo palpitar a respeito das pessoas presentes no salão, tentando adivinhar coisas idiotas ou nem tanto, como por exemplo, o que tais pessoas gostavam de fazer quando ninguém as estava olhando. E as respostas somadas ao nível de álcool foram absurdas demais para serem descritas aqui.

O divertimento em meio a músicas cantadas no Karaokê fez as horas correrem e o grupo foi o último a deixar o bar, cujo horário de funcionamento era até a uma hora da manhã. Era nítido que ninguém conseguiria dirigir, então táxis e motoristas por aplicativo começaram a chegar na porta do estabelecimento e levar os passageiros para suas casas.

Katherine chamou um carro para Nathan e Sarah e após se despedirem e o veículo partir, Dominique parou de sorrir por um instante, mas deu uma gargalhada em seguida.

- O que foi? – A ruiva a olhou, rindo também.

- Eu estou... – ela deu um leve soluço – Sem teto hoje!

- Como? – Elas riram, o fundo de suas mentes tentando mantê-las concentradas.

- Sarah e Nathan. Noivos. Casa. Só deles. Essa... noite... – a dançarina falou pausadamente. – Eu to muito bêbada.

- Eles vão transar pela casa toda.

Elas gargalharam de novo e Dominique pegou seu celular, procurando debilmente algo no Google.

- O que está fazendo? – Katherine indagou, tentando chamar por um Uber.

- Estou procurando um hotel mais próximo? – Ela coçou a cabeça – Eu sabia que... qualquer dia não ia poder ficar no apartamento com eles...

- Para, você vai lá para minha casa.

- Que?

- Que?

- Tá falando sério? – Ela riu de novo, como se a proposta fosse absurda.

- Eu não tenho móveis mais tenho espaço. – Katherine fez cara de obviedade, e sua pose de quem estava claramente alcoolizada deixava tudo mais hilário para os passantes noturnos que as observavam.  

- Não quero – Dominique sentiu o corpo cambalear – Nossa, está tudo rodando?

- Está. – Katherine balançou a cabeça – Merda, eu não deveria ter feito isso...

- Não quero atrapalhar... – a dançarina sentiu que sua língua tinha enrolado, mas não poderia afirmar.

- Não atrapalha...

Nesse instante, o motorista por aplicativo chegou. Era uma mulher ao volante, e a ruiva, com seu pouquíssimo resquício de sobriedade, agradeceu internamente por isso, uma vez que não se lembrou de mais nada assim que fechou a porta do transporte.

***

O despertador foi duplo: o sol que entrava pela janela ainda sem cortinas e o interfone que tocava sem parar. A contragosto, Katherine abriu os olhos e encontrou os de Dominique, que estavam mais confusos que os dela.

As duas pularam do colchão que ainda estava no chão e tal movimento as fez resmungarem, levando as mãos as têmporas achando que assim poderiam fazer a dor de cabeça passar como num passe de mágica.

- O que...

- Não sei...

Elas olharam ao redor, tentando montar o quebra-cabeça que o cenário apresentava: roupas jogadas de qualquer jeito no chão, os lençóis amarrotados, as duas apenas de calcinha. Qualquer pessoa com o mínimo de malicia saberia o que tinha acontecido durante a madrugada, mas tanto Katherine quanto Dominique não estavam compreendendo nada.

- Como eu cheguei aqui? – A dançarina puxou o lençol, cobrindo desesperadamente sua nudez. Seus olhos encaravam a ruiva com temor.

- Eu te trouxe aqui, eu acho... – e o jeito que Dom a olhava, deixou Katherine desconcertada.

Katherine se levantou com tudo e foi uma péssima ideia, pois ela viu seu quarto rodar. A ruiva então se abaixou, e após voltar ao normal, foi devagar até uma pilha de roupas que estava arrumando e pegou uma camiseta, a vestindo rapidamente.

- A gente transou?

A pergunta de Dominique era a mesma que Katherine iria fazer, contudo, respostas eram o que menos ela tinha.

- A gente bebeu tanto assim? – Devolveu a pergunta para a outra.

- Eu não sei? – Dom escondeu o rosto nas mãos – Eu acho que perdi a conta depois do terceiro copinho que a Sarah trouxe...

E quando o telefone da ruiva tocou, ao mesmo tempo que seu interfone, esta sentiu o rosto contorcer de novo.

- Merda.

- Eu também acho que seu interfone está alto demais – Dom falou com voz de ressaca – Preciso de uma aspirina.

- O Victor...

- O que tem ele?

- Está lá embaixo. Ele disse que vinha.

- Merda.

 


Notas Finais


A menina Nina @TheMrsJaureguifez uma playlist no Spotify de Love Thing. Sempre que eu incluir músicas aqui, ela adiciona na lista <3 https://open.spotify.com/playlist/41M1dpbQlZyGiZ9CzRtuZF?si=L4TZJc1CSLCn-b3sn42VDQ

Bruno Mars - Marry You - https://www.youtube.com/watch?v=Zlv1rdcpS9M
Ed Sheeran - Shape of You - https://www.youtube.com/watch?v=JGwWNGJdvx8
Haim - Don't Save Me - https://www.youtube.com/watch?v=kiqIush2nTA


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...