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História Love Thing - Capítulo 51


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Notas do Autor


Olá pessoas! Assim como o capítulo anterior, esse pedacinho estava na minha mente já fazia um bom tempo e é bom finalmente poder postar. Peço desculpa por possíveis pontas soltas, eu me esforcei pra não ter isso. Espero que gostem. Besitos.

Capítulo 51 - Modern Family


Fanfic / Fanfiction Love Thing - Capítulo 51 - Modern Family

A quietude somente era quebrada pelas risadas exaltadas dos demais quartos, tão alegres que escorriam pelas frestas das portas entreabertas ou qualquer vão que pudessem encontrar. Deveria ser o horário de visitas, a mente de Katherine disse baixinho e ela abriu um sorriso leve.

Ela conseguia sentir tudo aquilo, a ponto de ter beijado Dominique, tamanho sentimento de êxtase que estava em seu peito e que precisava ser extravasado de alguma forma. Todavia, sentimentos conflitantes começavam a pesar em seus ombros, bem diferente do toque da dançarina no mesmo local, que procurava amenizar sua ansiedade crescente.

- Vocês têm certeza que querem que eu fique? – Ela questionou outra vez – Eu vou compreender se quiserem privacidade.

- Não tem problema, Dom – Travis pegou um dos cafés que trouxe e se sentou em uma poltrona. Seu corpo estava tenso, era claro. – Você também tem o direito de saber, afinal, vocês estão juntas.

- Nós não estamos juntas – as duas falaram ao mesmo tempo.

- Não? – As sobrancelhas do rapaz se ergueram em surpresa – É que o jeito que vocês chegaram na minha casa, e agora a pouco, eu poderia jurar que-

- Não somos um casal, Travis. – Katherine interrompeu, não querendo ser rude. Não era o momento de falar a respeito disso.

- Certo. Então, o que você quer saber?

Os dois irmãos se encararam e uma avalanche de perguntas invadiu a mente de Katherine. A ruiva respirou fundo, bufou e por alguns segundos, enquanto não conseguia colocar as frases em ordem, observou Travis como nunca tinha feito antes e ali encontrou o que sempre esteve na sua cara, mas que devido sua distração adolescente nunca percebeu: ele era alto como o seu pai, assim como o formato dos olhos e nariz, e a boca, se não estivesse enganada, era do seu avô.

“Como pude ser tão cega? ”

A fotógrafa passou as mãos pelo rosto e sentou-se no sofá de dois lugares em frente ao rapaz. Por sua vez, Dominique pegou os cafés que estavam na mesinha lateral e entregou um deles para Kat, sentando-se ao lado da garota. Ambas tomaram um gole do liquido ao mesmo tempo e quem tomou a palavra foi Dominique.

- Okay, se eu tenho o direito de saber, eu começo – seus lábios crisparam e ela olhou para Katherine, que encarava o chão. Precisava ter cuidado com o que perguntaria. No fundo, nem sabia se tinha o direito de se intrometer em tudo aquilo, mas alguém precisava iniciar aquele diálogo – Eu acho que a pergunta do milhão é: por que esperou tanto tempo, Travis?

Katherine olhou para Dominique e em seguida pra Travis, endireitando-se no sofá e aguardando a resposta do rapaz. Não queria que seu coração estivesse disparado daquela forma, muito menos que suas mãos estivessem inquietas e ela não sabia se segurar o pequeno copo de café estava ou não ajudando a disfarçar seu nervosismo.

- Eu não podia contar – o rapaz iniciou e balançou a cabeça de forma negativa – O meu pai não cometeu suicídio, Katherine. Ele foi assassinado.

As duas garotas arregalaram os olhos de tal forma que parecia que seus globos oculares iam saltar de suas faces, igual acontecia em desenhos animados. Se ajeitaram no sofá ao mesmo tempo, processando aquela informação que não era tão absurda assim, mas que ainda continha muitas pontas soltas.

- Como? – Katherine conseguiu falar, colocando o copo que segurava no chão ao lado do sofá. Seus olhos correram para Dominique, que estava com uma das mãos na boca e parecia mais branca que o normal.

- Eu sinto muito, Travis... – a dançarina falou de modo sentido.

- Está tudo bem... – ele sorriu – Digo, agora está. – E coçando sua nuca, prosseguiu – Joseph fez muitas coisas erradas, mesmo tendo boas intenções.

- Esse era o nome dele? – Kat questionou com cuidado.

- Sim.

- Sinto muito, Travis. – E apesar de tudo, ela realmente sentia. – Mas eu ainda preciso saber.

- Após o falecimento dele e depois que os investigadores da polícia levantaram a hipótese de que poderia se tratar de um crime maior, que tudo começou, ou melhor, que nós descobrimos muita coisa. – O rapaz iniciou o relato e olhou para Dominique – Sua mãe teve um trabalhão, né?

- E como teve – Comentou Dominique, também deixando o copo que segurava de lado e cruzando as mãos em seguida – Ela trabalhou muitas horas extras na época para fazer o levantamento da Família Miller.

- Peço desculpas por isso.

- Ela estava fazendo o trabalho dela, Travis. E querendo ou não, foi paga para isso. – A menina riu de leve.

- Espero que o bônus tenha sido bom.

- Ele foi sim – garantiu.

- Descobrimos que meu pai esteve envolvido com diversas atividades ilícitas, crime corporativo, sabe? E tudo teve início na época em que minha família estava tentando aumentar, hm, me ter. Minha mãe sofreu os dois abortos e foi quando eles descobriram que não poderiam ter filhos. Demorou um pouco para essa descoberta também, pois foi necessário fazer todos os exames para terem certeza, e isso custou dinheiro para eles, e quase trinta anos atrás, eram procedimentos de valores elevados.

Os três se olharam com atenção e Katherine começou aos poucos encaixar as primeiras peças de todo aquele quebra-cabeça.

- Como eu disse na carta, Katherine, meus pais ainda não estavam dispostos a seguir o caminho da adoção, queriam tentar um filho legitimo, e eu também não os recrimino. Todos aqueles que desejam iniciar uma família pensam dessa forma em um primeiro momento, acredito eu.

- Todos tem o direito de escolha, Travis – Dominique falou suavemente.

- Sim. Pelo que minha mãe me contou, meu pai teve a típica criação convencional e católica, então foi uma surpresa e tanto quando ele chegou com a proposta da fertilização in vitro.

- Ele estava realmente disposto a colocar as crenças de lado – Katherine anuiu com a cabeça ao falar.

- E colocou. – Afirmou Travis – Mas técnicas desse tipo eram caras, ainda mais que se tratava de uma tecnologia relativamente nova. Eu pesquisei, a primeira criança in vitro nasceu no ano de 1978. Apesar de ter uma diferença de dez anos para o tempo em que o procedimento foi feito, ainda não era todo lugar que realizava tal coisa.

- Entendo... – as meninas falaram ao mesmo tempo – E foi aí que seu pai fez besteira? – Katherine arriscou.

- Pode-se dizer que sim. – Respondeu ele – Quando se decidiram pela técnica não natural, resolveram que não queriam correr riscos, então tudo precisava ser bem planejado, claro.

- E onde os meus pais entram nessa? – Katherine queria chegar logo ao ponto.

- Eles eram bons amigos. Bons não, isso é pouco para descrever, eram amigos incríveis para os meus pais. – Travis sorriu para a irmã – Existem fotos que mostram como era uma amizade sólida. Se um dia você quiser ver, eu posso te mostrar. Sua mãe esteve junto a minha quando ela perdeu os bebês, sempre a apoiando.

Katherine não aguentou não sorrir, afinal, aquela era mesmo a sua mãe, sempre solicita e disposta a ajudar aqueles que de algum modo precisavam dela. Ela engoliu um nó em sua garganta antes de falar.

- Você disse na carta que nessa época meus pais também tentavam ter filhos...

Seu coração apertou e imaginou sua mãe decidindo adiar o desejo te ter uma criança dela, para poder dar a chance para outra mulher realizar tal sonho. Era inimaginável, mas não impossível.

Uma lágrima fujona escapou por seus olhos castanhos e ela limpou rapidamente, sentindo as mãos de Dominique apertarem seu braço sem seguida.

- Isso é... Eu acho que nunca vi algo tão altruísta na vida. – A voz da morena possuía um tom admirado e até mesmo respeitoso, pois definitivamente era algo que pouquíssimas pessoas estariam dispostas a fazer.

- Meus pais não chegavam a um consenso a respeito da mulher que carregaria a gravidez – Travis continuou – Atualmente existem leis a respeito disso, mas anos atrás a coisa era mais complicada.

- As possíveis candidatas estavam cobrando valores absurdos? – O jeito como Katherine falou poderia ser considerado irônico – Desculpe...

- Não precisa pedir desculpas, pois minha mãe disse que foi exatamente assim – o rapaz falou com tranquilidade – E antes que vocês possam perguntar se outras pessoas da minha família não poderiam fazer isso pela minha mãe, a resposta é não.

- Você me contou que sua família era pequena... – Dominique se recordou de um dia qualquer, da época em que namorou o rapaz, no qual brincaram que caso fossem se casar um dia, a família do rapaz ocuparia pouquíssimos assentos da igreja.

- Pois é, pequena, com idades já um pouco avançadas e não tão abertas a algumas modernidades.

O relato de Travis era simples e provavelmente ocorria em diversos arranjos familiares mundo afora. Katherine estava sendo capaz de reconhecer e aceitar isso, todavia, ainda estava difícil assimilar que de algum modo ela fazia parte de toda aquela estrutura, mesmo que sua participação não tivesse nada de especial. Mais uma vez a ruiva sentiu a mão de Dominique em seu braço e agradeceu secretamente pôr a garota não ter ido embora.

- Dias depois deles contarem o que estava acontecendo para os seus pais, eles retornaram com essa proposta, da de sua mãe ser barriga solidária.

- Meu Deus, Travis... Isso é... – Katherine apoiou os cotovelos nos joelhos e escondeu o rosto com as mãos.

- Eu sei... Depois de muita conversa, eles chegaram a um acordo e todos os processos foram iniciados. Inclusive a contratação de uma empresa de advogados, para cuidar da parte legal.

- Que coincidentemente, é o mesmo local que minha mãe trabalha. – Dominique riu e foi acompanhada pelo garoto.

- Isso realmente foi coincidência.

- E quando é que foi que tudo deu errado? – Katherine voltou a olhar para Travis.

- Defina a sua visão de errado. – Ele pediu soando divertido.

- Hum...

- Você ter nascido não foi nada errado, Kat. – Dominique olhou para Travis e o menino piscou para ela.

A ruiva sentiu o rosto esquentar um pouco e não soube explicar o motivo.

- Eu entendi o seu ponto, Katherine. – Ele prosseguiu – Tudo começou a dar errado a partir do dia em que o banco negou um empréstimo ao meu pai. Ele queria o dinheiro para poder pagar os procedimentos médicos, mas que garantia ele tinha? Eu somente sei que alguém do local onde ele trabalhava ficou sabendo da negativa do banco e do porque meu pai queria a quantia.

- A pessoa emprestou o dinheiro ao seu pai em troca dos serviços dele. – A afirmação de Katherine era clichê, mas fazia sentido.

- Sim. Meu pai era orgulhoso, e como eu disse antes, queria um filho dele. Então aceitou sem pensar duas vezes.

- O que ele disse a sua mãe? – Dominique perguntou.

- Que recebeu uma promoção e que receberia um bônus adiantado. – Ele deu de ombros – Ela acreditou, não imaginando que cobrariam o preço dezessete anos depois.

Os três ficaram silenciosos por alguns segundos, até Katherine tomar a palavra.

- Joseph deve ter ficado furioso quando descobriu que você não era o filho legitimo dele, não?

- Demorou muito para ele aceitar que o universo pode ser bem peculiar no modo como age... – ele riu de lado – Se eu não tivesse ficado doente, nunca ninguém saberia que a inseminação havia dado errado.

- Sua carta disse que todos os exames indicavam que se tratava de duas gestações diferentes – Katherine ainda achava tudo aquilo difícil de acreditar.

- Sim. Eu tive uma crise de riso quando fiquei sabendo de tudo, e quando escrevi a carta eu sabia que pareceria um maluco. – Ele se encostou no sofá e cruzou uma das pernas, apoiando o tornozelo no joelho. – Por isso eu coloquei todas as provas junto.

- Tá, mas por que não me contou? Por que vocês não me contaram?

Katherine olhou de Travis para Dominique, que baixou a cabeça e sentiu um incomodo dentro do peito por ter escondido o que sabia.

- Oportunidades não faltaram – complementou Kat, outra vez sentindo a amargura de ter sido mantida no escuro.

- Não culpe a Dom, Kat. Eu que pedi para ela não contar. – Travis se adiantou.

- Mas por que ela e não eu? – A pergunta parecia típica de uma briga de casal, mas ela pouco se importava. – Eu lembro que te perguntei se estava acontecendo alguma coisa.

- E o que você ia fazer se eu te contasse tudo isso justo na noite do baile? – Os dois se olharam e Katherine ficou surpresa por ele se recordar desse detalhe, coisa que nem ela lembrava – Sim, você me perguntou na noite do baile. Eu não podia falar e você estava tão bonita e tão feliz por estar ali com a Dom – ele suspirou saudoso – Eu não ia estragar sua noite. Não seria nem um pouco justo.

Sem palavras, Katherine baixou o rosto, deixando as novas informações lhe preencherem. Será que ele já estava sendo o irmão que nunca teve naquela noite e deixando com que ela tivesse uma das melhores experiências da sua vida, sem que nada lhe pesasse os ombros? O pensamento passou como uma flecha pela cabeça da ruiva e antes que pudesse falar, a voz de Dominique soou:

- Então você ter me contato e escrito a carta, foi uma forma de desabafo?

- Foi sim. – Respondeu ele com franqueza.

- Suspeitei certo – ela disse baixinho e com um meio sorriso para Katherine.

- Quando os advogados começaram a abrir os processos no nome do meu pai, descobriram mais coisas do que imaginávamos. – Travis ajeitou a postura – Inclusive isso de sermos irmãos. Não havia mais como esconder essa informação de mim, ainda mais que algumas coisas estavam no meu nome.

- Seu pai sujou seu nome? – Dominique disse pasma.

- Um pouco – ele riu sem emoção – Mas deixou nossa casa e algum dinheiro para minha mãe e eu... De qualquer forma, isso abriu uma investigação muito maior, e logo nomes de grandes companhias foram conectados com esse esquema de crime corporativo, e foi onde os investigadores e juízes deixaram o processo sigiloso, pois apareceram nomes de pessoas importantes e para que nada fosse por água abaixo, tínhamos que fingir que nada estava acontecendo.

- Deus... – a ruiva bufou.

- Agora faz sentido – Dominique se manifestou – Eu lembro de como minha mãe ficou tensa... Logo em seguida eu fui para Laines, mas quando conversávamos por telefone, ela não fala muito sobre o trabalho, acho que ela queria desestressar.

- Não a culpo. Minha ida para a Universidade foi adiada por quase quatro anos devido a isso, pois o meu nome estava restrito e eu não conseguia comprovar que eu poderia pagar as despesas do curso. – Travis olhou para Katherine – E eu sabia que você estava bem em Vancouver.

- Como?

- Seus pais me falaram certo dia em que nos encontramos – ele disse simples. – Além de algumas postagens em redes sociais

- Travis, se você me disser que eles de algum modo foram prejudicados com todo esse rolo do seu pai, eu juro que... – A ruiva sentiu sua voz se elevar conforme falava e se não fosse o fato de Dominique tê-la puxado para voltar a se sentar, ela provavelmente teria explodido.

Apesar dos sentimentos ruins que ainda estavam em seu peito, ela nunca desejaria mal aos seus pais, mesmo com eles tendo escondido tal coisa dela.

- Não se preocupe quanto a isso, Kat. – A voz do rapaz foi segura – Se teve uma coisa que estava tudo certo, em meio a um oceano de erros, foi o envolvimento dos seus pais. O nome Barrell não apareceu em nenhuma papelada que envolvia esses esquemas corruptos que meu pai se meteu. Eu fiz questão de olhar cada processo que tive acesso. O nome da sua família está somente no contrato que foi feito referente aos processos da inseminação, no qual as quantias de dinheiro que foram usadas, foram somente para pagar despesas referente a própria gestação da sua mãe.

- E que no final, acabou sendo uma gestação de gêmeos legítimos dela – Katherine balançou a cabeça.

- Sim – Travis concordou – Mas pelo fato de sermos diferentes placentas, supôs-se que o in vitro havia funcionado.

- Onde meus pais estavam com a cabeça? – Ela se perguntou.

- Você está falando a respeito de terem feito um ato altruísta ou de terem transado após um procedimento desse porte sem proteção? – Dominique perguntou de modo sério.

- E quem falou que não tinha proteção? – Katherine olhou para a garota.

- Oras, o resultado está bem aqui – Travis apontou para ele e a ruiva. – Algo deu errado na escapada dos seus pais. – Ele riu.

- Ou muito certo. – A dançarina disse distraidamente.

Katherine não aguentou ficar séria e sorriu, recebendo um novo afago de Dominique, dessa vez em sua nuca, a fazendo arrepiar.

- Não que isso seja uma desculpa, mas eu fiquei muito pilhado com tudo o que aconteceu e por saber que você estava bem, vivendo sua vida, eu acabei adiando mais e mais um possível contato com você para lhe contar tudo. E por terem me pedido segredo a respeito, mesmo que você não fosse se prejudicar em nada se soubesse, contribuiu para que eu e minha mãe deixássemos tudo como estava.

Havia um tom de desculpas no modo como Travis falou e o suspiro que deu em seguida foi claramente de alguém que tirava um peso de suas costas.

- Mas dez anos? – Katherine foi irônica.

- Você assiste jornal? – Ele rebateu.

- Como é?

- Assiste ou não?

- Se for algo que me interessa, sim. – Ela ficou confusa e ao olhar para Dominique, viu que a garota tinha os olhos surpresos.

- Espera, isso saiu no jornal! – Ela falou entusiasmada – Foi ano passado, certo? Que saíram as reportagens falando sobre as quebras do sigilo e revelando tudo. Eu ainda estava em Londres, mas eu vi! Deus, Travis, seu pai estava envolvido em um esquema que tinha nomes importantes, não me admira que tenha demorado tanto para tudo ser descoberto...

- Eu realmente não me lembro de ter visto isso... – Katherine disse mais para si.

- Meu pai era pequeno perto dos nomes que surgiram, mas foi quem pagou um dos preços mais altos. O nome dele não foi muito citado nos jornais, no fim ele era um laranja... – comentou sombriamente – Eu sei que ele agiu errado em muitas coisas-

- Mas você não desejaria um destino assim para ele. – Completou a ruiva.

- Nunca.

- A gente poderia ter crescido juntos... – O pensamento saiu pelos lábios dela antes que pudesse controla-los. – Se não houve brigas entre nossos pais, se foi tudo acertado, isso que eu não entendo...

- Eles não sabiam que vocês acabariam sendo irmãos de verdade, podemos dizer. – Dominique disse com cautela, procurando escolher bem as palavras – E os modos de vida dos dois casais provavelmente mudaram após o nascimento de vocês e quando tudo foi descoberto, bem, talvez já fosse tarde demais...

Não havia mais o que ser dito ali e os três ocupantes daquela pequena sala de espera se silenciaram. Travis se levantou do lugar em que estava sentado e recolheu os três copos de café que eles deixaram no chão e os jogou em uma lixeira ali próxima.

Os três sentiam a necessidade de falar algo, mas ao mesmo tempo não sabiam por onde começar, então o fato de estarem quietos, cada um digerindo a seu modo tudo que aconteceu no passado, não era de todo ruim assim.

Nesse pequeno espaço de tempo, Katherine percebeu que um certo ponto ainda não havia sido esclarecido, e ao olhar para Travis, que estava digitando algo em seu celular, perguntou curiosa:

- E quanto a Bridget?

Ao ouvir tal nome, Travis abriu um sorriso radiante e com leves toques de timidez, o que não deixou dúvidas a respeito dos sentimentos dele para com a morena que havia acabado de dar à luz. Ele abriu a boca para começar a falar, mas pensou melhor, dizendo de um jeito suave.

- Eu acho que quem tem que lhe contar essa parte é a própria Bri.

- É? – E sem saber explicar o motivo, Kat sentiu seu corpo ficar tenso. Uma parte de sua mente dizia que não era preciso tal coisa, afinal, Bridget era sua melhor amiga, certo? – É, hm, eu não quero atrapalhar... Digo, ela deve estar cansada.

- Isso sim – ele concordou – Mas algo me diz que ela também quer falar com você.

Katherine fez um sinal positivo com a cabeça, se levantou e inconscientemente buscou os olhos de Dominique, que lhe encorajou sem palavras.

- Eu cuido dela para você. – Travis brincou e Katherine sentiu as bochechas corarem.

- Calado, Travis – Dominique disse com um sorriso.

Os dois observaram Katherine rolar os olhos e seguir pelo corredor. O rapaz observou a ruiva desaparecer por uma das portas antes de olhar para Dom, que estava de braços cruzados e tinha um riso malicioso.

- Vai me contar como você teve dois filhos de uma vez com a melhor amiga da Katherine?

- É sério mesmo que você me perguntou isso? – Foi irônico e Dominique balançou a cabeça em negativo, entendendo o que ele quis dizer.

- Travis! Não! Que nojo! – Ambos riram e o rapaz voltou a se sentar – Você me entendeu!

- Entendi sim. Então...

****

Bridget estava sozinha. Ou melhor dizendo, sem outra pessoa adulta lhe fazendo companhia. Katherine notou que a morena estava de olhos fechados e sem saber se ela estava ou não dormindo, deu passos cautelosos até os dois bercinhos que estavam perto da cama.

Sorriu ao olhar os recém-nascidos num sono tranquilo, bem diferente do berreiro que abriram algumas horas atrás. Mas quem os julgaria? Eles nunca se lembrariam da sensação, mas deve ser horrível sair de um lugar quentinho e seguro para serem colocados num mundo esquisito e cheio de pessoas que podem ser mais estranhas ainda. A ruiva riu, sabendo que aquela analogia se encaixaria muito bem quase todos os dias quando precisava sair da cama.

- Achei que não iria passar por aqui de novo.

Ao virar o rosto, viu que Bridget lhe olhava com atenção. Sua expressão era de cansaço e Katherine sabia que ela estava lutando contra o sono.

- Eu não ia vir – admitiu.

- É mesmo? – A morena falou debochada.

- Eu voltaria em outra hora, quando você estivesse descansada – se apressou em corrigir – Você está um caco. – Brincou.

- Não precisa exagerar, okay? – Bri passou as mãos pelos fios escuros, procurando ajeitar eles de novo – Não é um spa, mas pelo menos o horário de visita é estendido.

- Ah, por isso não tem ninguém expulsando a gente!

- Exato. Senta.

Katherine obedeceu a amiga, sentando-se na ponta da cama, perto dos seus pés. Não fazia ideia se poderia sentar ali, algumas pessoas diziam que não, devido ao fato das roupas das pessoas que vinham de fora não estarem totalmente limpas, mas naquele instante, não queria pensar muito naquilo.

- Como você está?

A pergunta simples pegou Katherine de surpresa e o motivo ela não saberia explicar, mas precisaria falar algo, isso estava claro e sua mente. Após alguns segundos tentando encaixar as frases igual um jogo de tetris em sua mente, ela falou algo totalmente fora dos seus planos.

- Travis? Sério?

Bridget soltou uma leve gargalhada e rapidamente olhou para os berços, para verificar se não tinha incomodado os filhos. Maneando a cabeça, olhou para a mulher ruiva na ponta da cama.

- Acho que existem músicas que devem falar sobre garotas que se apaixonam pelo irmão da melhor amiga.

- Irmão que eu não sabia que era irmão até algumas horas atrás. – Rebateu, mas não estava mais tão nervosa com isso.

- Ele te contou tudo? – Bri perguntou com cuidado.

- Quase tudo.

- O que ele deixou de fora?

- A história de vocês.

- Isso parece nome de filme...

- Que com certeza deve existir. – Katherine se acomodou um pouco mais na cama, agora olhando para Bridget em expectativa – Já ouvi um relato tenso, eu agora acho que mereço algo leve, não?

Ouvir o tom de voz tranquilo com o qual Katherine falou deixou Bridget igualmente calma, como se um peso também tivesse sido tirado dos seus ombros. Kat supôs que saber de todo aquele segredo deixou a outra incomodada, mas aos poucos estava começando a compreender que nada era tão simples.

- Okay... Por onde começar... – a morena suspirou, buscando em sua memória os fatos que os levaram até aquele momento – Eu acho que Travis comentou com você sobre todas as situações que passou, inclusive a da Universidade...

- Sim. Ele disse que demorou uns quatro anos para conseguir iniciar.

- Isso. Estudamos na mesma Universidade, mas eu já era veterana, e nossos horários nunca que iria nos permitir de nos encontrar direito. Sem mencionar os cursos que fazíamos. – Bri explicava – Na época eu já estava fazendo estágio clinico no Departamento de Psicologia e eu acompanhava os profissionais nos atendimentos aos alunos e demais colaboradores do campus que precisassem de atendimento...

- Oh... Travis precisou de uma consulta? – Arriscou Katherine, tendo ciência de que aquilo poderia mesmo ter acontecido.

- Sim. Certo dia ele foi até lá. Eu não fazia ideia de que ele estava frequentando as aulas, eu só sei que estava na sala de atendimento quando ele entrou.

- Eu imagino a surpresa. O psicólogo percebeu?

- Ela não estava presente, tinha ido falar com alguém da administração, e eu faria a primeira ficha de atendimento enquanto esperava o retorno dela, para a sessão começar. Eu não podia atender sozinha... Na verdade, eu nem poderia atender ele. – Crispou os lábios.

- Entrou naquela coisa de você conhecer o paciente, né?

- Sim. Um conhecer bem entre aspas, mas não deixava de ser. Alguns profissionais atendem sem problemas, isso vai da conduta de cada pessoa, mas eu particularmente prefiro manter essa distância, sabe?

Katherine compreendeu e Bridget continuou.

- Foi uma surpresa muito boa vê-lo e eu falei que como não sabia que era ele o paciente, pois somente tinha o primeiro nome dele na agenda, eu não poderia participar da sessão, e pediria para os responsáveis trocar o estagiário. Mas ele me impediu.

- É mesmo? – Katherine ergue as sobrancelhas com a informação.

- Ele me pediu para ficar, disse que estava relutante em procurar ajuda antes, mas que ver um rosto conhecido estava deixando ele mais calmo. Eu disse que não era muito certo tudo aquilo, mas ele insistiu e eu acabei ficando. Mas não antes de deixar claro que eu poderia sair a qualquer momento das sessões, ainda mais que de tempos em tempos, novos estudantes chegariam para o estágio clinico, e como era a primeira vez dele ali, não tinha como sabermos se ele seria encaminhado para mais sessões ou não.

- Eu acho que estou entendendo... – Kat deu um riso de lado – Você se apaixonou pelo paciente, dona Bridget?

As bochechas da morena ficaram rosadas e Katherine soube que acertou no palpite.

- Aconteceu, tá? – Disse na defensiva.

- Assim como aconteceu de você ter se apaixonado por ele na época do colégio? – Não ia perder a oportunidade de provocar a outra.

- Que? Ah não! Você leu a minha carta??

- Mas é claro. Não só eu, inclusive...

- Katherine!

- Não me venha com Katherine! – Ela tentou se manter séria – Eu te chamei para sair e você não foi. Cheguei no colégio e você não estava lá também, como eu ia adivinhar? Peguei sua carta no baú e li com o pessoal....

- Que pessoal?

- Só a Dominique e o Victor, junto com a Sarah e o Nathan...

- Sarah estava com você?

- Sarah e Nathan estão juntos, você não sabia?

- Claro que eu sabia, Travis não perde uma notícia do Raptors – a morena revirou os olhos.

- Não fale mal do meu local de trabalho!

- Que?

- Sou a nova fotografa do time. – Contou Katherine.

- Deus, a gente tem muito o que conversar.

O olhar que trocaram era curioso, um misto de descontentamento, talvez, por terem ficado longos anos sem trocarem palavras, com um sentimento de aconchego, pois apesar de tudo, elas não haviam se desentendido em momento algum, foi somente a vida que as levou por caminhos inesperados e as trouxe de volta sem muitos avisos prévios.

- Aquele trabalho de história despertou muitas paixões.

- Até demais – bufou Bridget – Jogadores nunca foram minha praia.

- Eu era jogadora...

- Não era mais quando a gente se beijou aquela única vez.

- A curiosa foi você. – Katherine se defendeu – E eu só concordei pois ainda estávamos nos conhecendo, caso contrário, nunca que ia rolar. A falta de química foi evidente.

- Você era a Barrell errada para mim MINHA NOSSA! – A morena arregalou os olhos –Eu beijei os dois irmãos Barrell!

O riso de Katherine foi contagiante e para tentar tranquilizar a amiga, disse:

- Se serve de consolo, Dominique beijou nós dois também. – E pensando no que disse, continuou – Não só beijou...

- Sem detalhes.

- Agora você não quer detalhes, né!

Bridget negou, mas ainda ria. Era uma situação no mínimo engraçada e ambas sabiam disso.

- E aí você se apaixonou por ele de novo... – a afirmação de Katherine as fez voltar ao assunto anterior.

- Sim. Ele continuou com as sessões e era sempre eu que estava lá. – Ela sorriu de um jeito bobo – Ele não admite, mas tenho quase certeza de que ele pediu para que sempre fosse eu que o acompanhasse.

- E ele poderia fazer isso?

- Ele poderia pedir para ser a mesma psicóloga, o que basicamente me incluiria.

- Seria algo que eu faria. – A ruiva ponderou e encaixou mais algumas peças – Vocês também ficaram em confidencialidade, né? Médico paciente.

- Sim. – Bridget admitiu – Depois de algumas sessões, ele começou a contar tudo, inclusive sobre o parentesco de vocês. Foi onde eu pedi para sair do caso dele, mas nós já estávamos com um grau de envolvimento, então foi quando ele me contou que tudo ainda estava em processo de investigações e-

- E ele pediu para não me contar.

- Na verdade ele me disse que não iria me impedir, caso eu sentisse que deveria falar com você sobre – Bridget corrigiu – Ele sempre soube da nossa amizade e que se acontecesse, procuraria resolver tudo da melhor maneira.

- Mas você não me contatou...

- Não. Eu, hm, eu fiquei muito em dúvida se deveria ou não fazer isso, Kat. – Ela baixou os olhos – Foram tantos fatores, não somente o fato de ser segredo de justiça ainda, mas eu e você perdemos o contato com o tempo e até onde eu sabia, você estava bem em Vancouver, quase se formando e com tudo para ter uma carreira na sua área. E apesar de eu ter saído dos atendimentos dele, eu já carregava comigo todos os preceitos da profissão, fiz o juramento e me formaria em breve também...

- Eu sei, Bri, eu sei... – Katherine respirou fundo – Mas minha vida em Vancouver não foi sempre um mar de rosas...

- Acho que esse vai ser mais um assunto para um próximo encontro.

- Você quer me ver novamente?

- Não seja ridícula, Katherine. – As duas sorriram. – Era para termos nos encontrado antes, só que mais coisas aconteceram.

- Tipo aqueles dois? – Apontou para os bebês.

- Tipo eles mesmo. Eu fiquei um tempo em Alberta, trabalhando por lá, até o Travis se formar. Ao retornarmos para cá, fomos para a antiga casa dele e realmente estava nos planos te contatar, havia passado da hora. Ele conseguiu o emprego no colégio e eu em algumas clinicas, e quase que simultaneamente, o caso dele foi resolvido e eu engravidei.

- Foi quando vocês viram que estava chegando a época do encontro da escola e deixaram que eu descobrisse sozinha. – As palavras saíram mais rápido do que Katherine pôde controlar. – Desculpe...

- Quem deve desculpa sou eu. Nós. Por ter te mantido no escuro por tanto tempo. Às vezes nós fazemos coisas pelas pessoas que amamos apenas para deixá-las bem de alguma forma, e não pensamos nas consequências do depois...

- Mas o depois sempre chega. – E apesar de ter dito isso, Katherine sentiu o coração aquecer, pois soube que era amada. – E se eu não lesse a carta do Travis? Você sabia que ele tinha escrito tudo?

- Sabia. Mas nós iriamos atrás de você.

- Com duas surpresas a tira colo. – Ela olhou para os bercinhos.

- Eles seriam nossos escudos – brincou Bridget.

- Mas eles foram. – Admitiu a outra – Eu... Eu fiquei com... Acho que era uma mistura de raiva e decepção, eu não sei explicar, mas eu vim pronta para falar tantas coisas ruins para o Travis.

- Eu posso imaginar. – E esticando um pouco seu corpo para tocar os dedos de Katherine por sobre o colchão, continuou – Eu espero que você possa nos perdoar, e que aos poucos você seja capaz de deixar tudo isso de lado e ficar bem. Principalmente com os seus pais.

Seus pais. O coração de Katherine apertou outra vez. Havia esquecido deles, mas agora a menção fez a decepção voltar como um acidente de trem. Bridget deve ter notado a aura da amiga mudar, pois disse devagar.

- Algo me diz que você ainda não falou com eles, né?

- Não consegui contatar eles antes de encontrar vocês. Eles... Eles sabiam que você estava grávida?

- Sabiam.

Não foi Bridget quem deu a resposta, mas sim Odette, que havia acabou de entrar no quarto e fechava a porta.

- Não se preocupem, eu não ouvi a conversa de vocês – a Sra. Miller garantiu e ao olhar para Katherine, continuou – Nós retomamos um pouco o contato depois do falecimento de Joseph, afinal, muito foi descoberto. Eu informei a eles a respeito da gravidez de Bri e os avisei sobre o nascimento. Eles devem estar vindo para cá. E eu também peço perdão, Katherine.

Katherine fez um movimento quase imperceptível com a cabeça e sentiu o coração pular em seu peito de novo. Respirou fundo, não sabendo se queria encontrar seus pais ali no hospital, uma vez que ainda não estava segura dos seus sentimentos a respeito deles. Ela se levantou da cama e olhou para a amiga.

- Eu acho que vou para casa...

- Certeza? – Bridget lhe encarou.

- Sim... Vai ser melhor eu falar com eles lá.

- Certo. Nos falamos depois?

Katherine confirmou com a cabeça se aproximou da morena e lhe deu um beijo em sua testa. Em seguida, olhou para os dois bebês que começavam a despertar, provavelmente com fome outra vez. Sorriu para eles e desejou internamente que crescessem bem e cercados de amor. E antes de sair, a Sra. Miller tocou-lhe o braço e as duas se olharam.

- Seus pais me deram o maior dos presentes, Katherine. Eu serei eternamente grata.

Ela não soube o que responder e apenas abaixou a cabeça. Ao abrir a porta para sair, se deparou com Travis. Os dois trocaram um sorriso tímido, e o rapaz a deixou passar, não fazendo perguntas a respeito de onde iria. Katherine ficou grata por isso e agora seguia até o elevador, sabendo que somente o tempo iria lhe acalmar seus pensamentos. Ela esperava.

- Hey, onde pensa que vai?!

A ruiva se virou e viu que Dominique se aproximava. Tinha saído do quarto de Bridget tão cheia de pensamentos que acabou não reparando que a outra estava lhe esperando no corredor.

- Desculpe, Dom, eu não vi que você ainda estava aqui...

- E aonde mais eu poderia estar? – Respondeu suavemente. – Como foi? – Ela apontou para o quarto com a cabeça.

- Foi tranquilo. Meus pais estão vindo.

- Oh...

- Pois é...

- E pelo jeito você não quer mais vê-los... Pelo menos não aqui.

- Não. – Concordou e seus ombros caíram – Melhor falar com eles em casa.

- Certo. Eu levo você. – A dançarina se ofereceu e Katherine fez uma cara engraçada – Eu ainda estou com as chaves do seu carro, esqueceu?

- Na verdade sim. Eu não estou conseguindo raciocinar muito bem...

- Compreensível. Vamos... – Dominique lhe tocou a mão com cuidado, não querendo ultrapassar limites, principalmente com tudo que Katherine estava passando – Podemos parar em algum lugar para você comer algo, se quiser.

- Somente eu? Você não está com fome? – Katherine a olhou enquanto entravam no elevador e este fechava suas portas.

- Estou, mas você está com mais cara de quem precisa comer algo do que eu.

- Não sei ao certo se quero comer.

- Mas precisa.

- Okay.

Katherine não estava com ânimo para retrucar e agora o peso das últimas horas a atingiam, a deixando com uma sensação cansada, como se tivesse corrido a maior das maratonas. Não contestou o fato de Dominique ter se oferecido para lhe levar até em casa, o aceitou de bom grado e ao sentar no banco do passageiro do automóvel, comentou baixinho.

- Obrigada. Por tudo.

- Não precisa agradecer, Kat. – Disse Dom enquanto arrumava o banco e colocava o cinto.

- Preciso sim. Não era sua obrigação estar aqui, ainda mais que está ficando tarde...

- Não se preocupe. – Ela deu a partida – Podemos pegar algo para comer no caminho e eu te deixo em casa. Lá você pode tomar um banho e descansar até seus pais retornarem, e caso ache que deva falar com eles ainda hoje, vocês falam, caso contrário, eles quem tem que respeitar suas decisões agora.

Katherine a encarou e anuiu com a cabeça. Dominique realmente havia mudado, assim como ela, durante os últimos tempos, e era em momentos como aquele que era perceptível tal coisa. A dançarina deu a partida e em silêncio, elas pegaram o caminho de volta.

Compraram tacos, que foi o primeiro drive thru que encontraram, e comeram durante o trajeto. Katherine ajudou Dominique com os seus, uma vez que a garota dirigia, e não é preciso comentar que riram com o modo desajeitado que estavam fazendo tudo aquilo. Não saberia dizer que Dom fizera aquilo de proposito, para que sua tensão fosse embora e ficasse mais leve, mas gostara de qualquer forma, e quando notou, estavam estacionando em sua residência.

Recolheram as embalagens e seguiram para a casa, jogando-as na lixeira que ficava na cozinha. Elas olharam o lugar, sabendo que se recordavam que horas atrás, aquele lugar estava banhado a risadas. Não comentaram a respeito e Dominique pegou seu celular, checando a hora e falando consigo baixinho, mas o suficiente para ser ouvida.

- Se eu chamar agora, vou chegar em Toronto as nove e...

- O que está fazendo? – Katherine a olhou e franziu o cenho.

- Chamando um Uber.

- Para? – Ela sabia que era uma pergunta ridícula – Está tarde, Dom.

- Eu sei, é por isso que preciso ir para casa.

- Não vou deixar você ir pra Toronto de Uber a essa hora – disse com firmeza. – Você pode passar a noite aqui.

- O que? Não, Kat. Não mesmo. – Respondeu rapidamente.

- E porque não? – Realmente queria saber qual a desculpa que a outra usaria.

- Não quero atrapalhar! – E Dominique não queria mesmo – E eu não trouxe roupa!

- Duas besteiras na mesma frase.

As duas riram e Dominique sentiu o rosto corar.

- Eu realmente não quero atrapalhar, Kat. – Falou com franqueza – Você ainda tem muito o que pensar e logo seus pais chegam.

- Eu sei disso, Dom. Mas eu não vou me sentir bem sabendo que depois de tudo o que você fez por mim, eu deixei você entrar em um Uber e encarar quase uma hora de viagem sozinha.

- Eu já fiz isso antes, Katherine. – Ela cruzou os braços, rindo de lado.

- Para de ser teimosa e fica, Laura Dominique.

- Okay, okay... Como negar um pedido jeitoso desses?

Se olharam outra vez e depois desviaram, e enquanto Katherine seguia para o caminho que dava para o segundo andar, soube que a outra estava lhe seguindo, e sentiu-se grata por Dominique ter concordado em ficar.

 


Notas Finais


Para quem não se lembra (eu mesma precisei relembrar kkkkk) no capítulo sete, eu escrevi um pedacinho no qual dei a entender que a Kat e a Bri tiveram um pequeno crush, mas ai elas viram logo que não rolaria nada, apenas amizade mesmo. E é isso.


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