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História Love'n Guns - Capítulo 2


Escrita por: e Nephertharie


Notas do Autor


Olá novamente!
Como vão? Bem, espero.
Cá estamos de novo trazendo um capítulo quentin pra ocês!!

Desfrutem a leitura.

Capítulo 2 - Cena 2


Fanfic / Fanfiction Love'n Guns - Capítulo 2 - Cena 2

O micro-ondas apitou e o aroma de torradas e café invadiu as narinas da jovem deitada na cama. Espreguiçou-se preguiçosamente, saindo do emaranhado de lençóis azul-escuros. As cortinas do quarto ainda estavam fechadas e um laptop brilhava em meio a escuridão do cômodo.

Lentamente, foi ao banheiro fazer suas necessidades matinais, penteou os cabelos e se dirigiu à cozinha, onde um homem muito atraente preparava o café da manhã.

— Bom dia — murmurou sonolenta.

— Bom dia, Ellen, razão da minha vida!

— Ora, por favor... não venha com toda essa “grudência” pra cima de mim!

— Café? — Ele perguntou, com um grande sorriso.

A mulher o olhou com cara emburrada, mas foi tomada por um sorriso logo depois.

— Com leite e sem açúcar — disse, sentando-se na cadeira alta da bancada.

— É pra já, senhorita! — A jovem reparou no contorno de suas costas que sua abençoada camisa social deixava deliciosamente destacada. Não sabia se ficava cativada ou constrangida por ter tais pensamentos já de manhã.

Minutos depois, ele lhe serviu o cheiroso café e um prato com torradas e ovos mexidos.

— Já disse que amo sua comida, Koutaro?

— Hum... já. E obrigado, mas preferiria que você dissesse que me amasse, meu bem — falou ele, de forma galanteadora.

Ela levou uma colherada dos ovos à boca e tomou um gole de café enquanto o encarava por cima da caneca. Ah, como ela amava aquele homem.

— Tem razão, desculpe-me — colocou sua mão sobre a dele, acariciando-a suavemente — Eu amo você.

Ao ouvir aquilo, Koutaro contornou a mesa e a abraçou por trás enquanto roubava uma mordida da torrada. Suas mãos apertaram sua cintura quando ela lhe encarou feio, e os lábios dele logo foram levados contra as bochechas dela.

— Eu também amo você.

— Vai se atrasar se continuar me abraçando desse jeito... — Murmurou ela.

— Será que meu chefe me perdoaria se eu explicasse que tenho um compromisso com a mulher mais linda desse mundo?

— Acho que nem o papa conseguiria fazer o chefe Ukai perdoá-lo. — A mulher indagou, com um toque sério na voz.

Ele soltou um suspiro, passou as mãos pelos cabelos puxados para cima com um pote inteiro de gel e grunhiu.

— Infelizmente, terá que me perdoar, jovem dama — falou, franzindo as sobrancelhas — O dever me chama.

— Vá, senhor herói, algo me diz que hoje será um dia muito interessante, cheio de emoções.

Colocando os sapatos e o casaco típico dos policias, Koutaro saiu – não sem antes roubar um rápido, mas intenso, beijo de sua namorada. Quando chegou no carro, compartilhou da intuição da jovem: aquele dia ia ser muito importante, para os dois.

 

******

 

Ellen Hantoresu, 25 anos, jornalista. Seus colegas dirão que ela é uma mulher ambiciosa, que nunca perde a oportunidade de um furo ou uma notícia que abalaria a sociedade. Seu namorado vai dizer... bem, acho que vocês já sabem. Seus amigos – que não são muitos – dirão que é uma mulher forte, com um humor ácido, que sempre batalha duro e é dona de habilidades incríveis em artes marciais.

Controversa a todas essas qualidades, Ellen teve uma infância complicada: com um pai alcoólatra e uma mãe que sempre trazia homens estranhos para casa, o que lhe causou uma fobia sobre famílias, porém, não a impediu de amar Bokuto Koutaro – com toda a sua falta de seriedade e sorrisos calorosos.

Ela também desenvolveu claustrofobia e nictofobia, uma herança que sua mãe deixou antes que ela saísse de casa pelas mãos do conselho tutelar. Liberta dos abusos em casa, foi adotada por uma senhora viúva que vivia apenas com seus gatos em uma pequena casa no distrito de Miyagi, onde criou suas melhores amizades. Pouco tempo depois que terminou o ensino médio, a senhora que se tornara sua mãe faleceu em um acidente de carro.

Ellen passou a frequentar a melhor faculdade de Tóquio por conta de seu próprio esforço, inspirada por seu passado difícil e pelo amor que recebeu. Participante de um programa de intercâmbio, a família Bokuto a acolheu da forma mais calorosa possível, concedendo-lhe até mesmo o amor da sua vida.

Mas nesse momento, os olhos julgadores do editor chefe da Tóquio Times a encaravam enquanto sua boca fumava um cachimbo.

— Está me dizendo que a Dashu* vai fazer uma negociação no cais hoje? Como diabos você conseguiu essa informação?

— Meus informantes têm total confiança nisso, todas as transações e encontros entre os integrantes confirmam isso, chefe. — Ellen espalmou as mãos na mesa dele — Vale a pena ir, certo?

— Mesmo se for verdade, não posso mandar minha melhor jornalista sozinha para ir investigar — Ele a encarou com preocupação, era admirável seu entusiasmo no trabalho, mas audácia e descuido eram coisas muito diferentes — Ou você vai com alguém, ou não vai.

— O quê!? — Ela estava começando a perder a compostura — O senhor sabe muito bem que posso me defender sozinha...

— Eu sei. Mas lá vai estar a máfia chinesa, e esses caras são duros na queda, Ellen. Além de estarem em maior número — A moça considerava o Chefe Takeda Ittetsu como um pai, mas aquela parte irritantemente protetora estava começando a irritá-la.

— Está certo. Então com quem acha que devo ir?

— Com talvez o departamento de polícia inteiro, só por motivos de segurança — Ela o encarou de cara feia, mostrando que não tinha gostado da piada — Por que não leva o seu namorado?

— Ele nem pensaria em me deixar ir — Ellen ouviu um “deveria ouvir a voz da razão” murmurado por Takeda, mas ignorou — Preciso de alguém competente e profissional o suficiente para se manter calado, e principalmente alguém com ouvidos afiados.

O chefe editorial suspirou, não iria conseguir fazê-la mudar de ideia, e se amaldiçoou por isso. Nada iria parar aquela mulher de conseguir o que queria. Pedindo aos céus paciência, disse:

— Chame o Aone Takanobu. Ele será bom o suficiente, e pode ajudar caso ocorra alguma emergência.

— Obrigada! Garanto que o senhor não vai se arrepender! — Ellen começou a arrumar sua papelada e saiu da sala em passos rápidos.

Ittetsu-kun soltou uma bufada e jogou o corpo na cadeira giratória do escritório. Ellen não sabia, mas ele já se arrependera.

 

******

 

Aone estava parado na entrada do metrô, esperando sua nova “parceira” de trabalho.

Por uma mensagem rápida, ela explicara que tinha uma grande notícia para cobrir, e que ele era uma peça chave para reporta-la. O que ele sabia era que envolvia discrição e espionagem.

Com sua aparência assustadoramente grande, ele achava improvável ser útil sendo um espião. Todavia, mais tarde recebera uma mensagem do chefe do jornal dizendo que era um caso delicado e que exigiria, talvez, certa habilidade em combate, logo, ele se tornava perfeito para a situação. Sendo um policial aposentado, ele sentiu certo entusiasmo em voltar à ativa.

Então, no segundo trem das 10 horas, desembarcou uma mulher de cabelos curtos, tão escuros quanto ébano, vestindo um casaco cor de vinho e botinhas de cano curto. Ela vinha em sua direção com passos animados e confiantes. Quando seus olhares se cruzaram ele reparou no olhar castanho-escuro que o avaliou de cima a baixo.

Sua estatura de 1,62m esbanjava confiança. Uma câmera balançava ao redor de seu pescoço.

— Aone Takanobu-senpai? — Ela perguntou.

Ele apenas lhe deu um aceno em positivo.

— Meu nome é Ellen Hantoresu, espero que possamos nos dar bem. — Algo dizia a Aone que ela só dizia aquilo para cumprir as regras de etiqueta, e não porque queria soar amigável realmente.

— Sim — Sabendo disso, ele não se deu o trabalho de ser cortês, se manteria diretamente profissional na frente dela.

— Seguinte, algumas das minhas fontes me informaram que a máfia chinesa Dashu, irá realizar uma negociação de drogas e armas no cais de Yokohama. — Ela informou enquanto andavam por entre as pessoas. — Nosso trabalho é apenas ouvir, gravar e fotografar, por enquanto. Não precisamos da polícia, ainda.

— Não seria bom ter um agente policial junto? — Ele perguntou, desconfiado.

— É, talvez.... Mas primeiramente precisamos de provas das negociações, porque até então, a polícia não pode prendê-los por falta delas, além de não saberem exatamente quais são seus integrantes.

Aone ficou quieto por um instante.

— Você parece saber bastante sobre a situação da polícia — Ele questionou, de forma casual, para não a assustar, ou fazê-la pensar que estava desconfiado dela. Talvez estivesse, um pouquinho.

— Meu namorado é policial. Ele me conta um pouco da situação na qual está. Meio que trabalhamos trocando informações um com o outro.

— Relação admirável.

Ellen soltou uma pequena gargalhada. Não imaginou que seria capaz de rir assim na frente de um estranho, mas ele parecia estranhamente amigável, como um imenso urso de desenho animado. Com o canto do olho, ela o observou por alguns segundos, ele parecia sorrir discretamente enquanto mantinha o olhar na direção que seguiam.

Saíram da estação e Takanobu levantou a mão, chamando um táxi. Ellen estranhou a escolha, em sua mente, pensava que eles seguiriam de metrô até o destino, parecia-lhe uma opção mais rápida e barata.

— Entre — O grandalhão disse abrindo a porta para sua parceira.

— Que cavalheiro — Ellen comentou se aproximando do veículo com um pequeno sorriso, observando o outro revirar os olhos enquanto fechava a porta.

Ele deu a volta no automóvel e logo se sentou ao lado dela, enquanto ditava o destino para o motorista que os encarava pelo espelho retrovisor.

Uma hora se passou após eles terem entrado no veículo, e Ellen suspirava cada vez mais irritada depois que percebeu que estavam atrasados. Desceram do automóvel a um quilometro de distância do cais, desejando não serem vistos e em passos apressados a mulher caminhou até o local, não se importando em deixar o parceiro para trás.

— Hantoresu-san — O maior disse alguns passos atrás dela — Espere. Pode ser perigoso se você for sozinha.

— Se estivesse sozinha, eu já estaria lá — ela respondeu irritada — Provavelmente com todas as informações de que preciso. E não correndo enquanto peço aos céus para que eles já não tenham terminado com a negociação.

Igualmente irritado, Aone aumentou sua velocidade, alcançando a mulher em poucos segundos; a segurou pelo pulso, a fazendo parar.

— Não fale como se a culpa fosse somente minha — exclamou enquanto virava ela de frente para si — Takeda-san disse para pegarmos um táxi. Eu só fiz o que ele me pediu. — A outra o encarava de cara feia, e no fundo Takanobu se arrependia ainda mais por ter aceito aquele trabalho.

Ellen deu uma forte virada de olho e um grande suspiro. Mais uma vez a parte protetora de Takeda estava lhe causando dores de cabeça. Com um movimento forte ela livrou seu pulso da mão gigante do parceiro e deu um passo para trás.

— Ele só quer o melhor para você — o grandalhão falou ainda se referindo ao chefe editorial.

— Tanto faz — falou enquanto recuperava o ar — Eu sei o que é melhor para mim. E no momento, o melhor está naquele cais — indicou o local com uma das mãos.

Aone suspirou irritado, o plano que criara havia dado errado. Naquele momento ele se deu conta que a mulher com quem estava trabalhando não era como as que estava acostumado a lidar. Geralmente, após um atraso e uma palavra do superior, as outras desistiam, mas Ellen estava decidida a continuar, com ou sem o apoio dele.

Soltou um suspiro cansado e passou a mão pelo rosto. Não poderia deixa-la para trás, nem se quisesse.

— Eu vou pagar o taxista — Disse a olhando — Você espera aqui e nós descemos até lá juntos. Conheço alguns atalhos.

Ellen fez um gesto positivo com a cabeça e observou o gigante que voltava para o táxi. Ela poderia esperar e descer em segurança até o cais, ou podia ir sozinha. Também conhecia alguns atalhos, e um brutamontes como Takanobu não estava a convencendo a confiar nele.

Encarou o homem mais uma vez. Ele ainda conversava com o taxista. Era a chance perfeita para ela. Respirou fundo, conferiu rapidamente se estava com todos os seus pertences e correu até a escada que levaria até o cais. Desceu em passos apressados, pulando alguns degraus e tropeçando em alguns vãos.

Quando chegou ao final, ouviu vozes masculinas se aproximando. Eles pareciam falar chinês, e aquilo a fez ter arrepios. Se escondeu atrás de uma caixa de madeira e olhou em volta, desejando que não houvessem homens guardando a área ao redor, e se assustou quando viu um veículo preto parado na rua acima do cais. Desejou que, seja lá quem fosse não a visse, e voltou sua atenção para os cinco homens que agora estavam parados em frente ao cais de número treze.

Ouviu a conversa por um bom tempo, e só então percebeu que havia deixado seu gravador em cima da sua mesa, no escritório. Soltou um grunhido baixo, condenando a si mesma por ter esquecido de algo importante.

Após alguns minutos de raiva, ela tirou sua câmera do pescoço e colocou a mesma no chão ao seu lado. Ficou de joelhos enquanto espiava os homens e mantinha os ouvidos atentos nas palavras trocadas por eles – não tinha muito conhecimento de chinês, mas o assunto parecia estar irritando um dos que estavam presentes.

Distraída no assunto, ela não percebeu o pequeno companheiro que se aproximava por trás dela. Tudo o que ela sentiu, foi um forte beliscão em seu traseiro, gerando automaticamente um de seus grunhidos altos, que não seria ouvido se os homens ainda estivessem conversando. Tapou a própria boca e se amaldiçoou pelo descuido.

A conversa cessou, e cinco cabeças se viraram para seu precário esconderijo, e a jovem se encolheu atrás do caixote onde estava. Passos lentos vieram em sua direção e ela nem tentou fugir, sabia que o resultado poderia ser pior, então, fechou os olhos e pensou em quem podia lhe ajudar, desejando que o mesmo tivesse a sensação que ela queria transmitir.

 

Takanobu deu um soco forte no ar quando percebeu que Ellen não estava mais ali. Sabia que ela podia ser forte, mas ainda assim agia como uma garota mimada que fazia o que queria, como e quando queria.

Estava pensando em descer lá e ajuda-la quando viu um movimento diferente dos “alvos”. Com cuidado, dois dos que pareciam os seguranças, caminharam na direção de onde ela havia se escondido. Percebeu que um dos que permanecera no local estava o olhando e o grandalhão discretamente olhou para o horizonte, desejando que não desconfiassem dele.

Viu sua parceira sendo levada pelos homens e se xingou mentalmente por ter deixado a mulher mais teimosa que conhecera sozinha. Caminhou tranquilamente, contendo a vontade de correr, voltando para o taxista. Antes de entrar no veículo, ligou para Takeda, que logo o atendeu.

— Temos um problema...


Notas Finais


Dashu: no mandarim tradicional, significa "árvore grande".

Desculpe-nos caso algum erro.
Obrigada por ler e nos vemos na próxima!!


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