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História Lover Fighter - Capítulo 2


Escrita por:


Notas do Autor


Oi oi, todos tendo um bom e velho domingo tedioso?

Fiquei feliz que vocês gostaram da ideia da história, hoje tem um pouco mais do filme, mas a partir do próximo capítulo teremos apenas cenas originais, com exceção de uma cena no último capítulo

Pretendo manter todas as atualizações nos domingos, assim vocês tem tempo de ler e captar os mínimos detalhes e comentar comigo o que quiserem

Aproveitem o capítulo e boa leitura

Capítulo 2 - "Supergirl And The Kiddo"


Fanfic / Fanfiction Lover Fighter - Capítulo 2 - "Supergirl And The Kiddo"

10 Anos antes… 

— Srta. Luthor, de onde surgiu a ideia de criar robôs para lutarem no lugar de humanos? — Lena havia lançado seu primeiro robô lutador há pouco tempo e havia sido um completo sucesso, as pessoas estavam loucas por suas criações.

— Uma vez, uma amiga me disse que seria muito melhor se robôs lutassem no lugar de pessoas, porque pessoas são entes queridos de alguém não apenas sacos de pancadas umas das outras, a partir disso, por causa dela, eu comecei a criar robôs lutadores — sorriu levemente, nunca iria revelar o nome da pessoa que havia lhe inspirado, mas sempre lhe citaria como motivo principal de suas criações.

— E o símbolo diferente que esse robô tem nas costas, o que significa? — outro jornalista perguntou curioso enquanto todos viam a morena erguer a manga da camisa social que usava, mostrando a tatuagem em seu antebraço, era a mesma tatuagem que Kara tinha, era o mesmo símbolo que estampava em todas as suas criações.

— É minha marca pessoal, algo com significado para mim e, que, com sorte terá muito significado para aqueles que adquirirem um dos nossos robôs e fizeram o bom uso dele — terminou aquela entrevista pouco depois, colocando os óculos escuros sobre os olhos e caminhou de volta para dentro da L-Corp, encontrando seus pais com sorrisos orgulhosos pelo grande faturamento obtido com a ideia que nem era de Lena, de fato.

— Estamos orgulhosos querida — Lionel pontuou com o mínimo sorriso nos lábios, eles ainda não estavam nos melhores termos e o homem admitia apenas para si mesmo que talvez ele tivesse exigido demais, cobrado demais, sido duro demais, mas não se arrependia de seus lucros exorbitantes.

— Guarde suas palavras para si, eu não acredito no seu orgulho — Lena jogou as palavras ásperas aos dois e voltou a se trancar em seu laboratório, haviam lançado sua primeira geração de robôs havia pouco tempo e ela já se perdia dentro dos laboratórios criando a segunda, tudo o que ela queria, era criar um robô que lhe fizesse lembrar Kara, foi quando Atom surgiu, um robô que tinha suas luzes azuis, com a função de imitar para que a loira pudesse lhe ensinar a lutar, não muito grande como os outros, mas do tamanho certo para golpear qualquer tipo de robô. Meses de trabalho geraram o robô mais especial que Lena já havia feito, mas, como todos os outros, ele nunca chegou a ser visto por Kara, a morena esperava apenas que a loira estivesse feliz.

Enquanto Lena criava seus grandes e incríveis robôs, Kara aprendia a ser mãe, com uma linda garotinha de um ano cheia de energia e saúde, ela dava o seu melhor todos os dias e, mesmo assim, se caia no erro de perguntar a si mesma como seria se a morena não houvesse desistido das duas, se Lena tivesse lutado por elas, pela filha delas. Kara cansou do silêncio de Lena, das cartas nunca respondidas, dos e-mails ignorados, foi quando ela decidiu que se a morena não lhes queria em sua vida, ela também não queria, não precisava porque sua pequena Andrea tinha uma mãe, tios e padrinhos que fariam tudo por ela e, isso teria que ser o suficiente.

{...}

5 anos atrás… 

— Lena, você precisa sair desse laboratório — Sam pediu pela milésima vez naquele dia, era sempre naquele dia do ano que sua melhor amiga sumia, presa no escritório ou em seu laboratório por algum motivo que a mulher ainda não conhecia, mas não deixava de se preocupar com ela por causa disso.

— Vá embora Sam! — gritou pela milésima vez, bebendo mais de seu whisky, direto da garrafa, ela já não se importava com as lágrimas insistentes as quais escorriam pelo seu rosto ou com a bagunça que havia feito, jogando vários objetos no chão, nem mesmo o corte em sua mão importava, o latejar dele parecia ser o único consolo para seu coração partido.

— Eu fui paciente até agora Luthor, mas já chega disso, você precisa de ajuda — Sam gritou de volta, implorando para que sua amiga lhe deixasse entrar uma única vez.

A mais velha ouviu quando a porta foi destrancada e entrou no laboratório encontrando o completo caos, Lena estava sentada no meio de uma bagunça de vidros, fotos antigas, reportagens de jornais e garrafas vazias de bebida alcoólica, além do sangue que ainda escorria de sua mão, o corte que ela não deixava parar de sangrar. Sam se preocupou com a mais nova, pegou o kit de primeiros socorros que havia no laboratório e se sentou ao lado de Lena vendo a morena esticar a garrafa de whisky em sua direção.

— Você vai precisar se quiser ouvir as merdas da minha vida — Murmurou baixinho e Sam apenas negou, não considerava a bebida a melhor forma de descontar as suas dores.

— Você, finalmente, vai me contar o que houve? — resolveu pegar a bebida das mãos de Lena para afastá-la dela e jogou um pouco no corte, ouvindo a morena gritar com ela.

— Porra Samantha, isso dói! — reclamou com ela que apenas deu de ombros e limpou com o algodão, tirando todo o sangue dali e enfaixou a mão da morena com cuidado antes de dizer qualquer coisa.

— Eu sei que doeu Lena, mas você precisava desse choque de realidade — Sam riu baixinho — Mesmo que vá me dizer que sua realidade é uma merda.

— Minha realidade é uma droga Sam — suspirou pegando uma das fotografias espalhadas pelo chão e mostrou a mais velha — Essa é Kara — começou com o básico suspirando baixinho, a loira sorria na foto, vestida com um uniforme especial de luta que Lena havia feito para ela — Foi a única mulher que eu amei na minha vida — murmurou acariciando o rosto da loira na foto.

— O que aconteceu Lena? Ela morreu? — Sam queria que sua amiga se sentisse melhor e colocar para fora, às vezes, era o melhor remédio.

— Não Sam, eu fui covarde demais para tê-la comigo — Lena suspirou pegando outra foto, do dia em que participaram do luau que marcou suas vidas de uma forma que ela não esperava — Eu não morava em Metrópolis Sam, meus pais sim e quando me chamaram para assumir a empresa, não tive coragem de dizer não, não tive coragem de pedir que ela viesse comigo, não consegui pedi-la em casamento como planejava, eu simplesmente terminei com ela — suspirou sentindo suas lágrimas escorrerem pelo seu rosto — disse que não poderíamos mais ficar juntas por causa da empresa.

— E o que ela lhe disse? — Sam perguntou, estava curiosa e não sabia ao certo como reagir diante de tais revelações.

— Me disse o que eu já sabia, que eu sou uma covarde e não consigo fazer nada para mim — suspirou alto — Eu a perdi Sam, para sempre — murmurou baixinho e juntou outra foto, as duas com seus amigos em um bar que elas sempre iam, era a foto do dia em que se conheceram.

— Se for para ser sua garota, um dia o destino fará com que vocês se encontrem novamente e possam viver esse amor — ela sorriu abertamente enquanto Lena torcia que fosse verdade — Era dela de quem você falava nas entrevistas? A pessoa que inspirou você a criar robôs?

— Sim Sam, ela é lutadora, ou era, eu nunca mais ouvi falar dela no mundo da luta e me pergunto todos os dias se ela desistiu ou se ela tem conseguido entrar nesse novo mundo porque robôs são caros, se ela tiver desistido, me pergunto se a culpa foi minha — suspirou novamente passando a mão pelo rosto.

— Pode ter certeza de que se ela desistiu foi uma escolha dela Lena, ninguém pode fazê-la desistir do que quer se esse é seu sonho — Sam pontuou enquanto a morena agradecia por ter uma amiga tão sábia como ela ao seu lado — Você pretende abrir uma filial onde morava?

— Eu pensei, mas encontrar Kara novamente e vê-la feliz com outra pessoa seria doloroso demais para mim — suspirou alto bebendo mais um gole de seu whisky enquanto Sam apenas assentiu e abraçou a amiga, ficaram algum tempo juntas, refletindo seus próprios demônios e, naquele dia, Lena se prometeu que seria alguém mais corajosa, uma pessoa da qual alguém pudesse ter orgulho, o que ela ainda não tinha por si mesma.

{...}

Aos poucos, Lena foi se reconstruindo, tomando mais liberdade na empresa, tomando suas próprias decisões e, por fim, abrindo uma nova filial da Luthor Corp em National City, ela acreditava que seria mais feliz mesmo que as lembranças com Kara ainda fossem dolorosas em seu coração, mas a terapia havia lhe ajudado a controlá-las, havia lhe deixado melhor, havia lhe transformado em uma pessoa melhor, tudo o que ela queria agora era pedir desculpas para Kara, porém, não sabia se um dia seria capaz de fazer isso.

Samantha se mudou com ela três anos depois do incidente, fundaram a nova Luthor Corp e lhe fizeram prosperar, longe das garras gananciosas de Lionel e Lillian. National City agora tinha a sede base da empresa e todas as decisões importantes teriam que partir de lá, passando por Lena e a cada vez que seu poder subia, mais ela criava, não apenas robôs, como peças de troca, processadores, computadores mais modernos, capacitava seus funcionários para trabalhar nos mais modernos componentes que haviam ali e lucravam com grandes lutas da liga. 

Lena continuava não sendo fã de assistir as lutas, mas suas criações estavam nos ringues, não somente as suas como milhares de outras e, apenas por isso, ela as assistia, não todas, apenas as mais importantes ou chamativas e suas criações continuavam recebendo o mesmo símbolo nas costas, era sua marca registrada em homenagem ao que ela e Kara tiveram e que nunca puderam, de fato, viver até o fim.

{...}

    Andy continuava olhando o teto de seu quarto, chateado por causa das coisas que sua mãe havia dito, ele sabia que seria difícil convencê-la a deixar seu pequeno robô lutar, mas não sabia que acabaria magoado no processo, aquele era para ser o melhor verão de todos e estava sendo o pior.

    — Hey kiddo — Kara murmurou colocando apenas a cabeça para dentro do quarto, não recebendo resposta alguma, ela entrou e se sentou na beirada da cama, suspirou alto e ficou mais algum tempo em silêncio antes de continuar — Me desculpe Andy, chamei você da forma errada e sei como isso lhe magoa.

    — Você fez de propósito? — perguntou baixinho se sentando na cama para encarar a sua mãe — É por causa disso que eu não tenho um pai? Ele nos deixou porque eu sou diferente?

    — O quê? Claro que não Andy, eu nunca faria nada de propósito para lhe magoar — puxou sua criança para um abraço carinhoso e afagou a cabeleira negra completamente bagunçada — Eu sei que não falo do seu pai querido, mas não tem nada a ver com você ser diferente, tudo bem?

    — Você jura? — os olhinhos estavam cheios de lágrimas e Kara se prometeu que faria de tudo para melhorar o ânimo dele.

    — Eu juro meu amor — suspirou e beijou a testa da criança com carinho — Talvez seja a hora de você saber sobre o seu “pai” — Kara puxou um Andy surpreso até o seu quarto enquanto respirava fundo várias e várias vezes tentando tomar coragem para fazer o necessário.

    — Mamãe, se você não quiser, não precisa me contar agora — murmurou um pouco tímido com a situação que havia imaginado diversas vezes.

    — Querer, eu não quero querido, não quero reviver tudo o que aconteceu porque me machucou muito, mas você precisa saber algumas coisas — suspirou novamente e pegou a caixa que estava separada em cima de sua cama, colocou de lado e trouxe Andy para seu colo — Primeiro, você não tem um pai, tem outra mãe — tirou a foto de Lena da caixinha e mostrou ao filho — O nome dela é Lena, ela é uma mulher interssexual.

    — O que é uma mulher interssexual mamãe? — o garotinho perguntou curioso enquanto encarava a foto da mulher tão parecida consigo, agora entendia de onde vinham suas madeixas negras e os olhos verdes que sua mãe dizia amar.

    — Uma mulher interssexual, querido, é uma mulher com uma pequena diferença, na nossa maior intimidade, no lugar de uma vagina como nós temos ela tem um pênis — continuou acariciando as madeixas negras com carinho.

    — Porque ela não está aqui mamãe? — Andy resolveu perguntar.

    — Não é um assunto ao qual você está pronto querido, mas ela me magoou muito quando tudo aconteceu — suspirou baixinho.

    — Então eu não gosto dela — Andy largou a foto sobre o colo e voltou seus olhinhos verdes para encontrar os azuis de sua mãe — Ela magoou você e nos deixou sozinhos mamãe, e eu me pareço tanto com ela, não gosto disso também.

    — Não diga uma bobagem dessas querido, você não pode não gostar de alguém que nem conhece — beijou a testa da criança — E eu, amo esses seus olhinhos verdes tão seus e essa cabeleira negra tão característica, eu amo você com todos os seus pequenos detalhes querido, não precisa se sentir culpado em se parecer com ela — assegurou a criança, mantendo seus olhos conectados para que Andy tivesse a certeza de que sua mãe estava falando a verdade.

    — Foi ela quem criou aquele robô? — resolveu perguntar o que começava a rondar a sua cabeça.

    — Foi querido, ela tem essa mesma tatuagem e é uma das mulheres mais inteligentes que eu já conheci — a loira sentiu seu coração palpitar uma e outra vez, não importa quanto tempo havia passado, Kara ainda era completamente apaixonada por Lena.

    — Uau, ela é incrível mamãe — murmurou baixinho abraçando a foto que tinha em mãos — Eu posso colocar essa foto no meu quarto?

    — Pode querido — Kara levou a criança de volta ao seu quarto e lhe deitou na cama, lhe cobriu e guardou a foto na gaveta da mesinha de cabeceira — Boa noite Andy.

    — Boa noite mamãe — sorriu ao sentir o beijo da mais velha em sua testa e o aconchego em sua cama e logo adormeceu, com a cabecinha cheia de novos sonhos.

    Kara revirou outras fotos, se odiava por ainda amar Lena, se odiava até mesmo por guardar aquelas fotos de recordação e sempre contava a mesma mentira de que estava fazendo isso por Andy e, não por ela.

{...}

    — Tio Winn, você e a mamãe se conhecem há muito tempo, não é? — Andy se aproximou do tio que começava a fazer o café perto dos ringues como todas as manhãs.

    — Tempo demais kiddo — Winn sorriu servindo uma xícara de café para si — Nós crescemos nessa academia, seu avô treinou a sua mãe. Olha só as fotos — Winn mostrou os pequenos quadros que mostravam diversas fotos de Kara em ringues, com luvas nas mãos e, em uma, aparecia até mesmo Lena, ele se perguntou como nunca havia visto aquilo antes. 

    — Como ela era? — perguntou curioso.

    — Como lutador? Era impressionante Andy, era valente, durona, não desistia, tinha muito talento — Winn pareceu divagar em sua própria mente enquanto o pequeno Andy encarava a foto de sua mãe no ringue com Lena, ficavam muito lindas juntas — Vem, deixa eu te mostrar uma coisa — caminhou na frente até o ringue e puxou uma caixa de arquivos antiga — Eu guardei essa matéria com todo carinho, é de uma das lutas mais difíceis que Kara lutou — abriu a matéria e mostrou à criança — Ela era para ser apenas uma luta de aquecimento, mas ninguém contou isso à Kara, ela lutou como podia, voava naquele ringue, defendeu até o último momento, ela deixou a outra lutadora com medo, parecia um fantasma flutuando no ringue e estava tão linda naquela noite.

    — E aí, o que aconteceu? Ela ganhou da outra lutadora? — Andy perguntou curioso.

    — Não, ela me mandou para o chão duas vezes no décimo segundo round e na segunda eu apaguei para valer — Kara suspirou.

    — Começou o 12º round com a maior pontuação Kara — Winn pontuou a verdade.

    — E a outra lutadora me nocauteou, eu perdi e ela se tornou invicta nos três anos seguintes — Kara deu de ombros.

    — Ela nocauteou você? — Andy arregalou os olhos.

    — Sim kiddo, muitas lutadoras fizeram isso — suspirou com as mãos nos bolsos.

    — Mas você também nocauteou muitas lutadoras Kara, por favor — resmungou irritado por ver sua amiga se depreciando daquela forma.

    — A luta só termina em nocaute, era o que o seu avô dizia — Kara pontuou — Então, todas as vezes que eu perdi, foram por nocaute. Andy, se arrume, saímos em uma hora.

    — Para onde vamos? — O garotinho sorriu curioso começando a trançar o próprio cabelo de forma desajeitada.

    — Você vai saber quando chegarmos — beijou o topo da cabeça da criança e ajudou Andy a trançar seus cabelos antes de deixá-lo subir para pegar suas coisas.

    — Onde vão? — Winn perguntou.

    — Vou atrás de um parceiro, um empréstimo, qualquer coisa que eu conseguir arrumar para continuar — Kara suspirou — E preparei uma surpresa ao Andy, vou levá-lo para uma luta da liga, ele vai ver o Zeus lutar.

    — Ele vai amar — Winn sorriu de lado e beijou a bochecha de Kara — Tomem cuidado, por favor — pediu e deixou a loira sozinha com o filho que voltava com a mochila cheia de coisas, colocou tudo no caminhão, até mesmo Atom, enquanto se perguntava porque estava levando a lata velha com eles.

    Dirigiu até o local da luta e vendo que Andy dormia, estacionou na frente do estádio e chamou a criança.

    — Andy, acorde filho — beijou a bochecha do garoto e mexeu nele uma e outra vez até vê-lo abrir os olhinhos.

    — Onde estamos? — perguntou sonolento enquanto coçava os olhos.

    — Olhe e descubra — pediu com um sorriso e viu o queixo do filho cair e a animação infantil chegar em seu coração. 

— Nós vamos ver uma luta da liga? — quis confirmar enquanto a Kara assentiu rindo baixinho da animação do filho — Uau — sorriu animado e logo desceram juntos, era o começo de uma aventura de mãe e filho.

 

“Zeus, ninguém resistiu a dois rounds com esse monstro. O campeão está colocando seu cinturão em disputa esta noite”

 

As imagens que passavam na frente deles era impressionante, Zeus tem uma garra única e um estilo de luta que muda a cada rodada, a cada oponente, era simplesmente incrível.

 

— Que legal — Andy exclamou animado enquanto caminhavam para dentro pelos bastidores.

— Kiddo! — Kara chamou o filho para si, finalmente, conseguindo sua atenção — Eu preciso falar com alguém importante, quero que fique aqui, certo?

— Certo Supergirl — Andy sorriu e beijou a bochecha da mãe antes de voltar o seu olhar para o resto que lhe encantava, Kara sorriu e suspirou baixinho antes de caminhar até o local onde encontraria quem procurava.

Enquanto sua mãe estava fora, Andy viu o exato momento que o enorme robô começou a passar, os jornalistas disparavam os flashes para ele e logo atrás vinham seus criadores prontos para se vangloriar de Zeus.

— Srta. Bertinelli, dizem que você faz parte do conjunto pai e filha onde seu pai dá o dinheiro e você comanda o grande campeão, Zeus — o primeiro jornalista se arriscou obtendo a atenção da mulher de cabeleira negra e olhos escuros.

— Não querido, a mente que comanda o campeão é do primeiro e único Taki Machido — sorriu abertamente ao lado do homem que não sorria muito.

— E o que levou a senhorita a tirar o grande prodígio da projeção de robôs de sua aposentadoria? — outro jornalista perguntou.

— Porque vocês não perguntam para ele? — usou o tom misterioso que gostava e logo todas as atenções se voltaram ao homem ao seu lado.

— Essa é a maior criação de Taki Machido? — outro jornalista apontou o microfone para o homem.

— Zeus é autônomo e está constantemente evoluindo durante as lutas, com seu sistema operacional adaptável ele reconhece padrões e reescreve seu código de luta constantemente — os olhos frios e sem vida do homem passavam uma calma sem igual, seu criador não duvidava da capacidade do robô que tinha em mãos, um alvoroço se formou ali até ele tomar a palavra novamente — O que eu estou dizendo é que não importa a luta, não importa o oponente. O resultado da luta é sempre o mesmo. O que Zeus vê, ele mata — um sorriso brincou em seus lábios finos.

— Demais — Andy murmurou baixinho vendo o robô passar por ele e agarrou o pequeno brinde que jogaram para si, vendo a estampa de Zeus na toalha de mão preta. 

{...}

— Vamos cara, eu preciso de uma chance — Kara pediu a um dos milhões de amigos que conhecia.

— Qual é Supergirl, você sempre tem alguma coisa naquele caminhão — ele retrucou.

— Tudo o que eu tenho é um modelo Sparren dentro do caminhão, não serve de nada, é muito antigo — deu de ombros — O que eu vou fazer com ele?

— Leva ele para o Zoo, lá tem luta direto, vai conseguir ganhar uns trocados — ele pontuou.

— Aquele robô não aguenta nem um round — suspirou — Me arruma um empréstimo? Qualquer valor que você conseguir, por favor?

— Sabe como é Supergirl, eu gosto muito de você, mas não confio, não mais — pontuou deixando a loira sozinha, ela suspirou, comprou alguma coisa para ela e Andy comerem e se desesperou quando viu que o filho não estava no lugar onde deveria, respirou fundo uma e outra vez até ver o garoto vindo do local onde aconteciam as lutas.

— Kiddo! — gritou um pouco mais alto do que queria.

— Você perdeu, foi uma luta incrível, o oponente do Zeus sequer conseguiu dar um soco — Andy começou a tagarelar animado sem perceber que sua mãe estava mesmo irritada com seu comportamento.

— Então você acha que isso é Box? Ele bater num pedaço de aço que colocam para ele brincar? — Kara estava furiosa.

— Ele não era um pedaço de aço e é isso que o Box é agora, você sabe disso, eu me amarrei nisso, eu estou nessa agora — Andy pontuou animado, quase como se tivesse bebido muito refrigerante.

— Ah, você está nessa agora? — Kara sorriu sarcástica — Você e seu robô Sparren de lixo?

— Ele não é só isso supergirl e se você colocasse ele numa luta ia ver que eu tenho razão — Kara se odiou mentalmente por Andy se parecer tanto com Lena naquele momento porque quando seu filho colocava alguma coisa na cabeça era quase impossível fazê-lo desistir.

— Ah é? Amanhã a tarde nós vamos no Zoo e você vai ter a sua luta, mas depois disso acabou! — Kara bufou e entregou o pacote de papel nas mãos do filho.

— Eu já disse que eu odeio hambúrguer Supergirl — Andy pontuou irritado enquanto Kara sentia que explodiria.

— É um maldito burrito Kiddo, não é porque eu estou sempre atrás de pagar as contas que me esqueci que até nisso você se parece com ela — bufou irritada e caminhou para dentro do caminhão sem querer falar mais nada.

Kara se arrumou para dormir ali mesmo, não poderia dirigir a noite inteira e o Zoo não era longe. Andy tirou Atom do caminhão depois de comer o seu burrito e passou a noite inteira ensinando os golpes que conhecia para sincronizar com o controle, ele se preparou porque aquela luta ele não perderia.

Chegaram ao Zoo pouco depois do almoço, o local em si não era tão medonho como o palácio da pancadaria, todos olhavam para os dois como se eles não fossem bem vindos ali.

— Sabe que vai levar ele para casa em pedaços, não sabe? — Kara pontuou arrumando os óculos escuros em seu rosto.

— Veremos — Andy pontuou segurando o controle nas mãos com confiança, mesmo que ele não estivesse exatamente confiante.

— Supergirl and the Kiddo — Kara se apresentou ao rapaz de cabelo esquisito e olhos azuis, ele assentiu rapidamente e riu baixinho ao ver o robô.

— Seguinte, quanto cada round? — Andy se pôs a frente da negociação mesmo que sua mãe tivesse deixado claro que ela faria aquilo.

— Que isso? Passeio escolar? — o homem brincou com um sorriso debochado no rosto — Beleza, ele pode enfrentar meu robô Metro, eu pago 100 pratas para cada round de dois minutos.

— 300 — Andy arqueou a sobrancelha, não daria espaço para rejeição.

— Sem chances guri, eu pago 100 pratas por cada round que seu robô sobreviver ao Metro.

— Fecho 500 por dois rounds — Andy continuava na mesma pose de negócios tão característica de sua outra mãe que Kara suspirou baixinho, isso não ia acabar bem.

— Dois rounds? Guri ele não vai resistir a um round — riu na cara da criança, deixando-a ainda mais furiosa, mas com o mesmo semblante.

— E se resistir? — o deboche presente em simples palavras pareceu deixar o maior maluco — Fala, e se ele resistir? 

— Se ele estiver de pé depois do primeiro round, eu te pago 1000 pratas — aumentou a aposta — Agora garoto, se ele não sobreviver e ele não vai, a carcaça dele será minha — gritou furioso.

— Kiddo aceita os 100 — Kara suspirou baixinho.

— Fechado — esticou a mão para apertar a do homem mais velho.

— Apostado — ele sorriu sarcástico e caminharam para dentro do ringue e se organizaram.

— Quer que eu controle ele? — Kara resolveu perguntar enquanto o filho trocava o modo do robô para obedecer ao controle.

— Não, o robô é meu e eu vou controlá-lo, você disse que ele vai em pedaços mesmo, que diferença faz? — Kara apenas deu de ombros.

— Me dá o gongo, me dá o gongo — o homem de cabelo esquisito gritou até que o barulho fosse ouvido, declarando o início daquela luta. 

Aquela foi a primeira luta que Atom venceu, eles lucraram 2 mil dólares entre muita discussão, muitas brigas entre si durante a luta, mas com um resultado incrível, Andy sabia que sua mãe precisava daquele dinheiro e, a partir daquela luta eles começaram a chamar atenção. 

— Vamos garoto, você merece um jantar de vencedor — Kara sorriu animada passando a mão pelos cabelos negros que estavam soltos depois do banho.

— Mãe eu nem acredito que vencemos — Andy sorria abertamente, com um brilho no olhar que Kara faria de tudo para manter. 

— Eu também não kiddo, essa é uma noite para comemorar — sorriu abertamente e pegou algumas notas do prêmio daquela noite para pagar o jantar, comeram em um restaurante de beira de estrada e Andy não ficou quieto um minuto sequer, animado e contente pelo momento único que aquelas lutas estavam trazendo para si, um momento para conhecer um lado de sua mãe que ele não conhecia.

— Obrigado mãe, por ter me deixado lutar com Atom — sorriu levemente, sabia que seu robô era capaz de ganhar, mas era diferente quando sua mãe resolvia apoiá-lo também.

— Eu que agradeço por você não ter desistido querido — a mais velha sorriu — agora termine o seu sorvete, ainda precisamos achar um lugar para ficar — pontuou o óbvio e chamou o garçom para pagar a conta, saíram dali pouco depois e pararam em um hotel que não ficava distante dali, era simples, mas serviria para eles pernoitarem por algumas noites.

Kara se deitou cedo, estava cansada de dirigir dia e noite e Andy se deitou ao lado da mãe, mas não conseguia parar de pensar nas próximas lutas, em como poderia melhorar o seu pequeno robô para que continuassem ganhando. Assim, quando Kara se levantou, estranhou a ausência de Andy no quarto, suspirou baixinho e passou as mãos no rosto procurando pelo garoto no hotel e acabou rindo ao ver Andy dançando com o Atom, o robô copiava os movimentos e era fofo.

— Belos passos meu pequeno dançarino — Kara riu baixinho enquanto o filho pausava a música com as bochechas vermelhas.

— Mãe, você não vai acreditar no que eu fiz — Andy ignorou suas bochechas vermelhas e pulou para dentro do caminhão enquanto procurava o que havia feito.

— Você não dormiu e tomou todos os refrigerantes que haviam dentro do frigobar? — Kara perguntou um pouco preocupada, ela sabia que não deveria dar muito açúcar ao filho, ele ficava elétrico demais.

— Foi, mas foca no que é importante mãe, lembra que o controle do Atom estava ruim? — Não esperou que Kara respondesse antes de continuar — Então, eu destruí ele e comecei do comecinho, peguei algumas peças do Ambush e os circuitos do Noisy Boy e quer ver como ficou? — pegou o controle que consistia em um fone com microfone — Gancho de direita! — gritou e ambos viram o robô obedecer a aquele comando.

— Colocou o reconhecimento de voz do Noisy no Atom? São peças muito avançadas para ele, nem deveria funcionar — Kara pontuou impressionada com o filho.

— Mas funciona, agora só o que falta é você ensiná-lo a lutar — Andy pontuou se aproximando novamente da mãe.

— Querido, é seu robô, você deve fazer isso — Kara sorriu levemente e suspirou baixinho — Mas você deveria dançar com ele antes das lutas, eu ia gostar disso.

— Porque não pode ensiná-lo a lutar mamãe? — Andy apelou e sabia muito bem disso — Você era uma lutadora incrível, é a melhor pessoa para isso.

— Não sou Andy e, no fundo, você sabe disso — sorriu levemente decepcionada consigo mesma, não queria meter seu filho em sua onda autodestrutiva e sabia que era isso que aconteceria caso começasse a ensinar esse robô a lutar — Vamos tomar café que mais tarde temos mais uma luta — logo mudou de assunto, não deixando que Andy retrucasse mais uma vez e lhe convencesse a fazer aquilo.

Lutaram todos os dias da semana seguinte, “Supergirl and the kiddo”, era como eram chamados, o ar misterioso deixava tudo ainda melhor e Andy dançar antes de cada luta trazia o entretenimento que muito havia sido perdido naquelas lutas, haviam trazido a diversão que havia se perdido em meio ao banho de sangue que todos queriam e os transformou em notícia e lhes colocou em sua primeira luta da liga, a WRB havia lhes convidado para lutar em uma preliminar.

— Você precisa ensinar mais golpes para ele mãe, por favor — Andy pediu novamente, era uma luta da liga, ele queria, mais do que tudo ganhar aquela luta, seria muito bom para eles, Kara conseguiria quitar suas últimas dívidas com aquele dinheiro.

— Tudo bem Andy — Kara respirou fundo e arrumou o moletom no corpo, ainda haviam alguns dias antes da luta e, enquanto Andy preparava uma nova sequência coreográfica para essa luta, Kara ficou horas e horas ensinando o pequeno robô parte de seu arsenal de luta, o suficiente para que ele pudesse vencer, o suficiente para que não se sentisse mais do que deveria, porque se isso acontecesse, tudo daria errado novamente.

{...}

— Lena, fomos convidadas para mais uma luta essa semana, da liga — Samantha pontuou enquanto entrava no laboratório da melhor amiga, faziam dias que ela não via Lena direito, sequer sabia se sua amiga conhecia os novos rumores que surgiram.

— Outra luta? — Lena bufou cansada, tinha perdido a conta de quantas lutas havia assistido apenas na última semana por causa de seus patrocinadores, tudo o que ela queria era continuar sua mais nova criação.

— Sim, é de última hora, mas eu acho que você vai querer assistir a essa — Sam sorriu animada e esticou o tablet para Lena ver a foto do robô que ia lutar.

— Olha, essa lata velha ainda funciona? — perguntou surpresa a amiga quando viu o pequeno robô, um dos menores que havia criado, um dos primeiros, completamente diferente do que fazia agora — Mostra quem controla esse robô?

— Não, aqui diz apenas que eles se chamam de “Supergirl and the Kiddo” — Supergirl, a palavra ficou na mente de Lena, seria sua Kara? Era assim que ela se denominava na época do boxe, por sua causa.

— Sam, quando é essa luta? — Lena pareceu interessada demais para Sam, mas ela resolveu ignorar, sabendo bem que Atom era especial para a morena.

— Em dois dias — olhou a chefe que apenas assentiu e pegou um copo de whisky. 

Lena se perguntava se essa luta significava que seu passado estava voltando para si. “Supergirl and the kiddo”. Supergirl seria a Kara? Se sim, ela havia tido um filho? Kara havia se casado? Estaria com outra pessoa? Essas perguntas rondaram a sua mente pelos próximos dias até a hora da luta, sabia que todos os grandes investidores estavam ali e suspirou baixinho sabendo que não seria uma noite fácil.

— Srta. Luthor, como se sente sabendo que um de seus robôs mais antigos está ganhando todas as lutas por aí agora? Mesmo sendo considerado obsoleto — um dos jornalistas perguntou enquanto ela tentava entrar no ringue.

— Eu acredito que obsoleto é um conceito que não se aplica ao pequeno Atom, ele foi um dos primeiros robôs que eu criei e, perceber que alguém o transformou naquilo que ele nasceu para ser é gratificante, eu achava que nunca mais veria esse robô na minha vida — foi como se ela tivesse acendido a fagulha necessária para criar o caos naquele momento, diversas outras perguntas foram feitas, mas Lena não as respondeu, entrou com Samantha e caminhou até o seu camarote vip, tinha uma ótima visão dali e estava completamente curiosa com o que veria.

— Eu nunca vi você tão ansiosa para uma luta — Sam estranhou se sentando ao lado da amiga — E que resposta foi aquela? — A morena mais nova perguntou novamente enquanto lhes servia com vinho.

— Atom foi o robô que eu criei para Kara, Sam, ele nunca ficaria obsoleto porque ele tem o modo sombra, de acordo com a luta ele pode ser moldado — Lena sorriu animada explanando seu ponto de vista — E tem mais uma coisa, você disse que é “Supergirl and the Kiddo”, acontece que quando Kara lutava boxe, seu apelido era Supergirl, eu lhe dei esse apelido.

— Você acha que ela pode estar de volta? — Sam ficou mais animada se lembrando de uma conversa que havia tido há muito tempo com Lena — Acha que talvez venha a sua segunda chance?

— Eu não sei Sam e, sinceramente não quero me iludir achando que sim, mas meu coração me diz que é ela e que ela é feliz com outra pessoa, e que esse kiddo é filho dela — suspirou pesado enquanto Sam assentia, era realmente uma realidade difícil.

{...}

— É uma preliminar, mas também é uma luta da liga, eu quero que você relaxe kiddo — Kara começou a divagar enquanto andava de um lado a outro na frente de Andy que terminava de arrumar Atom para a luta — Não fique ansioso Andy, se ficar nervoso vai dar zebra — Kara parecia repetir mais para si mesma do que para o filho que estava completamente calmo arrumando as alças de seu macacão jeans pela última vez, bem como o gorro da mesma cor da camisa que escondia seus cabelos negros bem trançados — Acima de tudo divirta-se filho, nós entramos aqui para isso, para nos divertirmos juntos. Nós chegamos muito longe para ir lá, amarelar e estragar tudo — Kara continuou divagando enquanto Andy ria baixinho sabendo que quem estava uma pilha de nervos era sua mãe, mas ele acredita nela e sabe que ela fará um bom trabalho essa noite.

— Mãe, por favor, eu estou bem — Andy riu divertido abraçando a mais velha, sentindo o coração dela batendo acelerado — Você vai conseguir, eu acredito em você, em nós — fez sua mãe encarar seus olhos verdes e os dois sorriram juntos.

— Nós conseguimos campeão — esticou o mindinho para o filho.

— Conseguimos sim — entrelaçou seu mindinho ao da mãe e sorriu abertamente.

— Com licença, foram convidados para o camarote da Srta. Bertinelli — um rapaz de meia idade pontuou interrompendo o momento dos dois que apenas assentiram e começaram a seguir o homem. Conforme passavam pelos camarotes, eram vistas por diversos patrocinadores e criadores de robôs, até que Kara viu a cabeleira negra tão semelhante a de seu filho, seu coração pulou uma batida e ela sentiu suas mãos suarem como nunca, olhou novamente e já não estava ali, seria apenas coisa de sua cabeça?

— Boa noite, eu sou Helena Bertinelli — a mulher sorriu e deu um aperto de mão em Kara e Andy que estava completamente maravilhado com tudo aquilo.

— Boa noite Srta. Bertinelli, eu sou Supergirl e… 

— E aquele, claro, é Taki Machido — interrompeu a outra como se eles não fossem importante e isso enfureceu Kara como nunca.

— Puxa, é Taki Machido — Andy sorriu admirado, não ligando um pouco para o tratamento da mulher.

— Eu sei que vocês têm uma luta importante hoje, então vamos direto ao assunto — a mulher indicou o sofá para que eles se sentassem — Eu quero comprar o seu robô.

— Como? — Kara estava incrédula, porque a dona do grande e poderoso Zeus queria comprar o seu pequeno robô.

— Ele daria um bom robô sparren ao Zeus ué — deu de ombros — E eu estou disposta a pagar bem. 200 mil dólares — disse o valor pausadamente.

— Ele não está a venda — Kara e Andy disseram ao mesmo tempo, a loira estava enfurecida com a mulher, tratando seu pequeno robô como se ele fosse um pedaço de aço que não vale nada.

— Vocês estão há apenas 15 minutos de entrar no ringue com o Twin Cities, um robô da liga bem violento. Então, eu vou ser clara, a minha oferta vale até o soar do gongo — Sorriu daquela mesma forma presunçosa que Kara odiava.

— Eu também vou ser claro — Andy se levantou enfurecido — Atom não está a venda — disse pausamente — Será que você consegue entender isso? — arqueou a sobrancelha da mesma forma que Lena costumava fazer, o deboche escorrendo de seus lábios — Nem agora, nem nunca.

— Eu sei porque quer o meu robô — Kara complementou com um sorriso nos lábios, estava furiosa — Porque ele é diferente dos outros, é considerado menor e mais fraco. Mas sabe o que acontece? Atom é um boxeador, eu ensinei ele a lutar e vocês tem medo de que ele se torne uma ameaça ao grande e poderoso Zeus — pontuou com um sorriso debochado nos lábios e se retirou dali junto com Andy, caminharam até o ringue juntos e caíram na gargalhada pelo meio do caminho.

— Você viu a cara dela? — Andy gargalhava — Ela ficou furiosa com você.

— Eu não me importo querido — Kara deu de ombros enquanto ainda ria e caminharam então até o ringue.

    — Senhoras e senhores, boa noite, hoje termos o sucesso dos gigantes de aço. Será mais uma etapa aqui em Detroid — O locutor começou enquanto a plateia ia a loucura — Para começar bem a noite, na preliminar, o tirano de duas cabeças, TWIN CITIES — gritou enquanto a plateia ia a loucura e o grande robô entrou na arena, com os braços levantados, chamando a plateia para si, suas duas cabeças olhando cada uma para um lado da plateia — O adversário do Twin Cities, em sua primeira luta profissional, de origem desconhecida, Atom! — disse em um tom normal, recebendo algumas poucas palmas.

{A foto de capa do capítulo é o Twin Cities}

    Lena sentiu seus olhos se atraírem para a entrada dos robôs onde uma criança estava parada na frente de Atom, o macacão jeans claro e surrado, os cabelos negros presos em duas tranças, não deveria ter mais do que 10 anos, mas o que mais lhe atraiu foram os lindos olhos verdes que Lena nem sabia como conseguia enxergar devido à distância, aquela criança lembrava muito a si mesma. A batida da música começou a animar a torcida e a criança logo trouxe aquilo que faltava em todas as lutas, um pouco mais de humanidade, era divertido de se ver a pequena performance e logo que a criança chegou ao seu lado do ringue, Lena sentiu seu coração parar com a cabeleira loira igualmente presa em duas tranças de lutadora, Kara era Supergirl.

    — É ela — Lena murmurou baixinho, mais para si mesma.

    — Lena, é ela? — Sam perguntou no mesmo momento, parecendo completamente chocada.

— É ela Sam — murmurou com um leve sorriso nos lábios, Kara havia mudado muito pouco pelo que ela poderia ver, os cabelos loiros, os músculos bem definidos mesmo com as roupas que ela usava, a pequena ruga que surgia entre suas sobrancelhas quando ela se concentrava, ela quase perdeu o começo da luta enquanto admirava a loira em silêncio.

— Presta atenção Lena — Sam cutucou a morena e as duas riram baixinho começando a prestar atenção na luta, Lena queria saber como Atom se sairia depois de tantos anos, seria ele obsoleto como o jornalista havia lhe perguntado? Ela não sabia.

— Você colocou ele no modo de luta? — Kara perguntou arrumando o controle do Atom na cabeça.

— Mas é claro Supergirl, você não tem com o que se preocupar — Andy estava realmente animado com aquilo.

— Olhe o outro lado kiddo — Kara suspirou baixinho — Esses nerds veem tudo o que o robô vê, não é nada parecido com as lutas clandestinas que participamos, isso aqui é alto nível — arrumou melhor o microfone na altura da boca — Agora, a gente usa a inteligência, a paciência e reza kiddo, é sério, reza — Kara pontuou se preparando para o começo da luta que não seria nada fácil — Levanta as mãos! 

A luta começou como o esperado, Atom começou a apanhar como sempre acontecia, o robô era enorme, tinha duas cabeças e braços compridos e Kara estava tendo muita dificuldade para golpear de volta, Atom estava preso no canto. 

— Supergirl faz alguma coisa, ele está apanhando muito — Andy pediu desesperado.

— Eu estou tentando Kiddo, mas os braços dele são muito grandes, eu não consigo achar um ponto fraco — Kara voltou a repetir uma sequência de golpes de defesa tentando fugir de twin cities. 

— Vamos Kara! — Lena nem percebeu que estava gritando com o vidro que lhes separava da luta que acontecia — Coloca o Atom para lutar — Sam se limitou a apenas observar, ela nunca havia visto a amiga agir dessa forma em nenhuma luta que assistiram juntas.

— Todos têm um ponto fraco Supergirl — Andy gritou enquanto a loira pensava em uma saída, foi quando ela viu o ombro direito do robô e começou uma sequência especial de golpes, parte da sequência Lena conhecia, eram os mesmos golpes que Kara usava nas lutas de boxe.

— Vamos Supergirl! — Lena gritou novamente animada ao ver que Atom estava reagindo mesmo sendo tão pequeno.

Kara continuou a sequência de golpes animada porque tudo estava indo bem, respirou fundo vendo que o robô estava completamente confuso e se preparou para finalizá-lo.

— Gancho de direita! — gritou, assim como Lena gritava de dentro do seu camarote, o robô foi ao chão e não parecia que iria se levantar.

— Um, dois, três… — o juiz começou a contar até chegar ao 10, declarando que o robô vermelho havia perdido aquela luta.

Todos começaram a gritar e a invadir o ringue, Andy subiu nas cordas ficando na frente de Atom, que imitava seus braços para cima, a euforia tomando conta de todos os presentes, Lena sorria de ponta a ponta, havia tomado uma decisão excepcional.

— Eu preciso falar com ela Sam — pontuou decidida, já havia passado da hora dela ser mais corajosa e correr atrás do que realmente queria.

— É assim que se fala — Sam sorriu animada — Vai atrás da sua felicidade Lena, acho que já passou da hora — as duas iam continuar aquela conversa mas foram chamadas pela voz da criança que gritava ao microfone.

— Eu quero agradecer a todos que vieram assistir a luta — começou animado depois que o juiz lhes declarou campeão e Kara se alarmou, sabia que Andy faria besteira — O nosso robozinho do ferro velho teve uma chance numa luta da liga, o que vocês acham? — interagiu com a plateia que foi a loucura — E tem mais uma coisa, eu quero dizer a uma garota especial com nome difícil de falar, Ber-ti-ne-lli  — a plateia começou a vaiar após ouvir o nome — Que ao invés de comprar meu robô e usar o seu dinheiro para controlar o esporte… 

— Chega Kiddo — Kara tentou pará-lo antes que ele fizesse algo do qual se arrependeria depois.

— Espera aí Supergirl, eu ainda não terminei — tomou fôlego — Porque não dá uma chance melhor a esse pequenino aqui em? — a platéia começou a gritar — É sério, se ele tiver uma chance, Atom vai te surpreender. Não querem ver o baixinho ter uma chance na competição dos gigantes de aço? — a platéia voltou a gritar — Eu desafio Zeus a lutar — ele estava furioso com a forma que foram tratados mais cedo, como se fossem simples mercadorias — Qualquer hora, qualquer lugar, quando quiser, a gente vai estar lá — gritou junto com a platéia e Kara tirou o microfone das mãos do filho que correu até as cordas e subiu até o fim, esticando os braços pra cima enquanto todos ali gritavam para eles — Atom! Atom! — gritou apenas duas vezes antes de ouvir todos gritarem da mesma forma, a sensação era única.

— Ok, essa criança é sua filha? — Sam perguntou pasma com o que havia visto agora, conhecia Lena bem o suficiente para saber que aquela criança ali agia da mesma forma que sua amiga.

— E-Eu não sei Sam, Kara nunca me disse nada — Lena suspirou igualmente pasma enquanto passava as mãos no rosto e soltava o coque de seu cabelo, deixando o rabo de cavalo alto arrumado. A morena deixou o camarote pouco depois ainda pensativa enquanto tentava encontrar Kara e aquela criança que se parecia tanto consigo.

{...}

— Foi muita coragem sua, desafiar o Zeus daquela forma — O homem que pagava a luta comentou enquanto entregava o dinheiro para Kara.

— Foi loucura mesmo senhor, mas obrigada — Kara sorriu levemente e suspirou baixinho, separou a parte de Andy como faziam em todas as lutas e deu a ele antes de guardar sua parte nos próprios bolsos.

— Eu nem acredito que ganhamos mãe — Andy comentou olhando o pequeno robô, às vezes, ele sentia como se Atom lhe entendesse, entendesse seus olhares, suas perguntas esquisitas. Ele considerava o robô, quase como seu melhor amigo.

— Eu também não Andy, mas desafiar o Zeus, foi demais — suspirou baixinho passando as mãos nos ombros da criança — Vamos para o hotel, precisamos treinar muito se vamos aceitar lutar com o Zeus — Os dois desceram do caminhão juntos e fecharam a porta antes de serem abordados por alguém.

— Supergirl! — Mike sorriu sarcástico se aproximando dos dois.

— Eu ia te ligar Mike, eu juro que ia — Kara pontuou um pouco nervosa, não que ela se importasse consigo, mas se preocupava com Andy.

— Ah, não esquenta com isso, aquela luta foi sensacional — pontuou com um sorriso nos lábios enquanto outras pessoas também se aproximavam com tacos de ferro nas mãos — Eu queria apenas te parabenizar.

— Isso é sério? — Kara suspirou ao ver os outros dois capangas.

— É claro, você achou que era brincadeira quando eu disse que te bateria até acabar com a sua vida? — riu sarcástico — Aí, ela achou que era brincadeira — os três riram.

— Qual é cara, eu to com o garoto aqui — Andy não queria dizer nada errado, mas estava sentindo medo de tudo aquilo — Eu estou com o seu dinheiro Mike, por favor.

— Eu sei que sim querida, mas você sabe que agora já não é uma questão de dinheiro, não sabe? — riu sarcástico.

— Tudo bem, o que você quer? — Kara perguntou tentando preservar o seu garoto — Quanto você quer? 20? 30? — Ela segurou na manga da camiseta de Andy — Corre garoto — sussurrou e começaram a correr dos três homens e conseguiriam, se um dos homens não tivesse conseguido agarrar Andy.

— Supergirl — gritou assustado enquanto se debatia nos braços do homem que lhe apertava e logo conseguiu se derrubar junto dele no chão.

— Não toque nele — Kara gritou e partiu para cima do cara com um gancho de direita, mas os outros dois lhe puxaram e atingiram seu rosto com um soco de surpresa.

— Aqui o dinheiro chefe — um dos capangas sorriu pegando o dinheiro da roupa de Andy.

— Não, por favor, esse dinheiro é dele — voltou a bater nos outros caras que logo conseguiram lhe derrubar novamente com socos e chutes que ela tentava defender.

— Supergirl, não! — Andy estava completamente desesperado, tentando segurar as próprias lágrimas, não choraria na frente deles.

— Essa sua amiga é uma droga garoto — Mike riu na cara da criança — Parece que faltou bem pouquinho para eu acabar com a vida dela — cuspiu no chão contando o dinheiro que tinha tirado das roupas de Kara.

— Ela é minha mãe seu idiota — cuspiu na cara do rapaz, seus olhos verdes cuspindo fogo.

— Criança idiota — Mike levantou a mão para bater no rosto da criança, mas Kara foi mais rápida e se meteu na frente, recebendo o tapa que ardeu em sua bochecha. Mike riu e deu mais um chute em Kara, lhe derrubando no chão novamente e se retirou.

— Mãe! — Andy se aproximou da loira que, agora, não conseguia se mexer, seu corpo inteiro doía, seu pulso latejava e ela sentia o sangue escorrendo pela lateral de seu rosto, bem como o gosto de ferro na boca, a criança sentiu as primeiras lágrimas escorrerem pelo seu rosto, não sabia o que fazer.

— Kara? — os dois ouviram uma voz lhe chamar, é claro que a loira conhecia aquela voz, mas Andy ainda não e isso lhe assustou ainda mais.

— A-Aqui — conseguiu murmurar com dificuldade pela dor que sentia no corpo, não se importava que a pessoa que lhe acudiria era a única que nunca mais queria ver na sua vida.

— Ai meu Deus, o que houve aqui? — Lena se aproximou dos dois e ficou um pouco sem saber como agir — Eu vou chamar uma ambulância.

— N-Não — Kara disse o mais rápido que conseguiu, sentindo a dor tomar conta de si — Andy, você está bem? — reuniu forças para perguntar ao filho.

— Sim mamãe — Andy murmurou baixinho se aproximando da mãe — Podemos deixar a moça nos ajudar? — perguntou confuso, no escuro ele não conseguia ver que ali era Lena.

— P-Pode — murmurou baixinho com dificuldade.

— Ela precisa de um médico — Lena pontuou o óbvio — Posso levá-los no meu carro.

— Acabamos de ser roubados, não temos dinheiro para médico — Andy pontuou o óbvio.

— Não tem problema, eu pago. Você consegue me ajudar a levantá-la? — pediu a criança que assentiu e limpou as lágrimas antes de ir para perto da mãe e ajudar aquela moça estranha a levantá-la — O que fizeram com você? — Lena murmurou tão baixinho que ninguém além dela ouviu, levantaram Kara com um pouco de dificuldade e muitos resmungos de dor dela e caminharam devagar até o carro de Lena, ali, Andy percebeu que aquela mulher tinha muito dinheiro.

— Eu me sinto melhor, não preciso de hospital — Kara tentou convencê-los, mas assim que se soltou de Lena, quase foi ao chão novamente, seu coração batia acelerado, suas mãos voltaram a suar e ela odiava o fato de ainda sentir essas sensações.

— Você mal se aguenta em pé Kara, deixe de ser teimosa e me deixe ajudar vocês — Lena pontuou, sentia as mesmas sensações que a loira, além da preocupação quase palpável.

— Por favor mamãe — Andy pediu, sua voz completamente assustada com o que havia acontecido.

— Tudo bem, vamos Andy — se deu por vencida e entrou no banco de trás junto com Andy, deixando seu filho lhe abraçar com cuidado.

O caminho foi silencioso, Lena e Kara pensavam coisas completamente diferentes e, ao mesmo tempo, muito parecidas e Andy não conseguia parar de pensar no motivo que levou aquela mulher desconhecida a ajudá-los e porque ela parecia tão familiar para sua mãe. Assim que chegaram ao hospital, Kara foi levada para ser atendida e Andy ficou com Lena, o garotinho andava de um lado a outro enquanto a morena não sabia o que fazer ou como agir diante do garoto, não se sentia sequer no direito de perguntar qualquer coisa.

— Tem alguém para quem eu possa ligar para buscar vocês? — Lena resolveu ir por um caminho mais neutro.

— Não, tia Alex e tio Winn não concordam que a mamãe continua tentando um lugar no mundo da luta com robôs, eles dizem que ela vai levá-los à falência, agora, eles provavelmente têm razão — suspirou baixinho enquanto Lena registrava aquela informação, em nenhum momento Andy havia citado um pai ou outra mãe — Qual o seu nome? — o garoto resolveu começar uma conversa amigável com a estranha, mesmo que agora, não lhe parecesse tão estranha assim.

— Lena, você é o Andy, certo? — A morena tentou, mas viu a criança ficar tensa ao seu lado.

— Sim — foi a única coisa que disse e, logo depois, voltou a ficar calado.

— Eu disse ou fiz algo errado? — Lena estranhou o comportamento da criança.

— Eu não gosto de você, mas a mamãe diz que é errado eu não gostar de você — ele disse emburrado enquanto cruzava os braços magros.

— Você não gosta de mim? Oh — Lena estava surpresa, mas a personalidade da criança era idêntica a sua — Posso saber o motivo?

— Não — respondeu de uma única vez enquanto voltava a cruzar os braços.

Nada mais foi dito ali, Lena estava presa em seus pensamentos enquanto tentava entender porque Andy não gostava dela, enquanto a criança não parava de pensar no motivo que havia separado suas duas mães, ela não queria gostar de Lena, não depois do que passou com Kara, sempre os dois sozinhos contra o mundo, é claro que tinha seus padrinhos, mas sempre sentiu falta de seu “pai”, todos os seus colegas tinham um pai, ou duas mães ou dois pais, apenas ele que já era problemático o suficiente não tinha um pai e uma mãe ou qualquer coisa parecida com isso. 

Eles ficaram naquele silêncio constrangedor até que a enfermeira se aproximou dos dois.

— Parentes de Kara Danvers — a mulher de meia idade perguntou e Andy prontamente se levantou, encarando a mulher mais velha.

— Aqui, como está minha mãe? — Lena ficou ao fundo, resolveu que não se pronunciaria ali.

— Você é o único parente dela criança? Como não chamaram o conselho tutelar para cuidar de você? — a mulher estava um pouco confusa.

— Eu estou com ele — Lena se pronunciou para facilitar as coisas.

— Ela nos trouxe aqui, mas não é da família, você pode me dizer como está minha mãe? Eu posso ficar com ela? — perguntou rapidamente.

— Olha garota, você não pode ficar como acompanhante de sua mãe, são as regras do hospital — sorriu levemente.

— Não sou uma garota — Andy pontuou furioso, prendendo as tranças que usava dentro do gorrinho que sempre carregava consigo.

— Perdão garoto, sua mãe está bem, vai precisar apenas ficar algumas horas em observação e poderá ir para casa, apenas torceu o pulso e vai precisar de alguns remédios para dor, mas vai ficar bem.

— Me deixa ficar com ela, por favor — pediu mais uma vez para a mulher que apenas negou novamente.

— Fique com a sua outra mãe garoto, vocês logo irão para casa.

— Eu já disse que ela não é da família — respondeu irritado e voltou a se sentar com os braços cruzados na mesma poltrona de antes.

Enquanto isso, Kara descansava em uma maca, seu pulso imobilizado com uma órtese, seus pensamentos enlouquecidos sem que ela soubesse o que fazer.

O amor de sua vida estava na sala de espera daquele hospital, com o filho delas e ela não sabia mais como agir diante disso.


Notas Finais


Como estamos? Eu realmente amo escrever as partes do Andy porque tem momentos que ele consegue ser tão fofo quanto a Kara e em outros é completamente como a Lena kkk

Vamos lá, e agora? O que vocês acham que a Kara vai fazer? Pq ela claramente não tem ideia kkk

Nos vemos nos comentários ou em Consequences e também no domingo que vem hihi

Quem quiser conversar comigo em privado, pode me chamar no twitter (@BGJunq20) - vão me ver surtando muito por causa de au (Eu leio umas 500 e surto em todas), no wpp (quem tiver meu número), por mensagem aqui, ou no instagram (@bibi_junqueira), estou sempre disponível pra tirar dúvidas, mas já vou avisando que não dou spoiler (mentira kk)
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A quem não conhece ainda, seja muito bem vindo a conhecer minhas outras histórias
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Biia


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