História Lover of the Light - Capítulo 3


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Categorias Once Upon a Time
Personagens August Wayne Booth (Pinóquio), Cora (Mills), David Nolan (Príncipe Encantado), Emma Swan, Fa Mulan, Henry Mills, Neal Cassidy (Baelfire), Regina Mills (Rainha Malvada), Xerife Graham Humbert (Caçador), Zelena (Bruxa Má do Oeste)
Tags Swanqueen
Visualizações 45
Palavras 4.893
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ficção, Ficção Científica, Magia, Mistério, Policial, Romance e Novela, Sci-Fi, Universo Alternativo, Yuri (Lésbica)
Avisos: Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Boa tarde, gente, voltei. Motivo do sumiço: um vestibular dois sábados atrás e o Enem domingo passado. A boa notícia é que entrei na faculdade que eu queria, então estou mais tranquila para escrever (:

OBS 1: MUITO obrigada a quem leu/favoritou/comentou nesse ínterim em que eu não atualizei e obrigada por quem se interessou por 'Um Clássico pouco estimado', outra fic que postei. Não abandonei nenhuma das duas, só preciso trabalhar os universos das fics de forma melhor pra que valha a pena a leitura.
OBS 2: Eu tenho uma mania de repetir muito a adversativa "mas" (mas fulano, mas depois, mas então, mas, mas...), PORÉM tentei dar uma maneirada no cap.
OBS 3: Nao sei se vcs se incomodam com cenas de diálogos longos, mas procurei usar só as palavras necessárias (o cap está grandinho, porém não foi por enrolação, td que foi escrito é relevante pro enredo).
boa leitura

Capítulo 3 - Nó celta e laços familiares


Fanfic / Fanfiction Lover of the Light - Capítulo 3 - Nó celta e laços familiares

Emma

 

- Espere só até Neal descobrir que estamos xeretando esse assunto. - Ruby resmungou o trajeto inteiro da sua casa até Roxbury, dizendo quão idiota era aquela ideia e que levaríamos uma advertência por isso se descobrissem. O melhor que fiz foi ignorar seus comentários.

Encontrar um simbologista no país mostrou-se uma tarefa mais difícil do que pensei, ainda mais limitando-se a busca só na cidade de Boston. Por sorte, o sistema indicou um professor da Universidade Northeastern e estávamos indo fazer-lhe uma visita sem aviso prévio. Fiquei mais aliviada quando estacionei em frente ao endereço e vi as luzes da casa ainda acesas. Eram quase nove da noite.

Toquei a campainha e um senhor de idade avançada atendeu.

- Pois não?

- Boa noite, senhor. Somos agente Swan e agente Lucas do FBI e gostaríamos de conversar brevemente com Leopold King, ele se encontra? - mostrei minha identidade e amenizei no tom de voz para não assustá-lo.

- Sou eu mesmo, por favor, queiram entrar. - deu-nos passagem e nos levou até sua sala de estar. - Vocês gostariam de um café ou chá?

- Não, mas agradecemos - me adiantei antes que Ruby inventasse de pedir alguma coisa. - e pedimos desculpas pelo horário avançado.

- Tudo bem, podem se sentar. Qual o motivo da visita, senhoritas? Aconteceu alguma coisa?

- Não viemos dar más notícias, só queremos fazer algumas perguntas quanto à sua profissão. Segundo os registros, o senhor é professor de Simbologia, certo?

- Não de Simbologia especificamente, pois o mercado para essa área ficou escasso nos últimos 20 anos mais ou menos. Leciono História da Arte na Universidade Northeastern, mas faço muitas aplicações de Simbologia na matéria.

- Entendo. E desvendar o significado de símbolos é um exercício praticado pelo senhor?

- Passei um período tentando entender o significado de algumas representações e adotei preferências. Confesso que sou um bom estudioso, um leitor ávido e muito curioso, mas tive a quem seguir.

- Senhor King, viemos consultá-lo para saber se pode dizer o significado de um símbolo específico. - tirei do bolso do casaco a imagem impressa do sinal da cena do crime. - Não podemos entrar em detalhes quanto às circunstâncias em que ele foi encontrado, mas esperamos que possa nos ajudar com seu conhecimento.

    Ele pegou a folha, esticou sobre a escrivaninha da sala e ficou analisando por algum tempo.

- Algum palpite do que pode ser? - Ruby perguntou.

- É difícil, ao menos pra mim, reconhecer algo de cara com poucas referências. Mas a ideia do símbolo elimina uma série de temas, como milícias, gangues e sinais religiosos. - ele foi até a estante e pegou um calhamaço. - A ideia sobressai sobre a forma.

- Eu.. não entendi, como assim?

- Formas diferentes podem indicar a mesma ideia.

- Pensei que uma ideia só poderia ser representada de uma única forma. - sim, eu estava debatendo com um estudioso.

- É algo complexo de se explicar porque o contrário também é válido: uma representação pode adquirir vários significados e acabar perdendo a ideia inicial. Uma caveira com ossos cruzados remete à morte para muitos, mas é um símbolo de respeito em algumas sociedades. Fazer o sinal de chifres com dois dedos é visto por alguns como símbolo satânico, por outros como um gesto de quem curte heavy metal, e para terceiros é uma forma de demonstrar repulsa por coisas negativas e ruins. Quem está certo? Depende da sociedade.

- E qual seria a ideia desse símbolo? - Rubs mudou de posição no sofá, agora ainda mais atenta à conversa.

- A ideia de eternidade, pois as linhas do símbolo não têm começo ou fim. Eu acho que vi algo sobre isso um tempo atrás… - ele vasculhou as páginas do calhamaço. - Sim! Aqui está. É um nó celta. Não está em sua forma mais tradicional, porém sem dúvidas é um.

Olhei a ilustração do livro, era diferente do símbolo do parque, mas o padrão era o mesmo.

“As representações são muitas, mas a ideia sobressai sobre a forma.”

- Tem algo mais detalhado sobre isso no livro?

- Não, é apenas um guia ilustrativo, muito abrangente e pouco detalhado. E infelizmente a mitologia celta não é minha área, não juntei nada sobre o tema em meu acervo ao longo dos anos.

- Tudo bem, senhor King - dei-lhe um sorriso agradecido. -, o senhor fez muito por nós e agradecemos pelo esforço.

- Foi um prazer, senhoritas.

Ele levou-nos até a porta e Ruby levantou uma questão antes de partirmos.

- O senhor no início comentou que teve a quem seguir. Teria em mente algum nome que é referência no assunto? Mais especificamente em mitologia celta.

- Bom… há um estudioso que me foi referência durante a graduação, tinha ideias fascinantes e chegou a publicar alguns livros, mas depois foi desacreditado e caiu no esquecimento. Já faleceu há algum tempo e é difícil encontrar suas obras facilmente. Henry Mills, um grande simbologista.

- Henry Mills. - repeti para não esquecer. - Obrigada, senhor King, boa noite.

 

    Ruby e eu discutimos no carro enquanto voltávamos de Roxbury. Ela queria parar no Doyle’s Café que estava ali perto para beber e jogar um pouco de sinuca, eu queria voltar para a central e pesquisar Henry Mills no sistema.

- Não estou te entendendo, - parei no acostamento para conversarmos. - Foi graças a você que conseguimos um nome, por que esse desinteresse repentino?

- Porque no fim das contas não vai levar a nada, eu nem sei por que perguntei. O próprio cara disse que esse Henry Mills foi desacreditado. Olha, já fizemos nossa parte, fizemos até mais. Deveríamos estar comemorando!

- Tá, eu vou te deixar no Doyle’s. - sabia que não adiantaria insistir naquilo e ela já tinha feito muito me acompanhando. - Que horas quer que eu passe aqui pra te buscar?

- Meia-noite e meia, por aí. Mas qualquer problema eu te ligo. - ela beijou minha bochecha. - Até depois, patinho. Qualquer novidade me avise.

 

*

Regina

 

    Meu pai ensinou duas coisas importantes: toda Magia tem um preço e toda Magia deixa rastros, por mais simples que seja, por mais que tentemos encobrir. Por isso não uso dons e poderes com muita frequência. Contudo, a situação exigia uma medida mais pontual e eu não arriscaria ir para o Maine dirigindo. Precisava de respostas e estava torcendo para não chamar tanta atenção.

    Preparei um chá para me tranquilizar antes de partir. Vesti um casaco, um cachecol e calcei um par de botas, talvez estivesse mais frio ao norte. Parei em frente à porta de casa e me concentrei nas lembranças que tinha do lugar. Os pinheiros que rodeiam a antiga casa da família à distância, a varanda feita de madeira, o campo que sempre se manteve úmido por causa do clima chuvoso, a floresta a pouca distância da casa. Fechei os olhos e respirei fundo. Uma fumaça densa e morna me envolveu dos pés a cabeça em questão de segundos; pouco tempo depois senti a brisa gélida da planície atingir meu rosto e o som do farfalhar das folhas. A fumaça foi dissipando-se, abri os olhos e vi que já havia chegado.

    A fachada era a mesma desde a última vez em que estive aqui, muitos meses atrás. Encontrei a chave reserva no local de sempre, debaixo de um dos vasos do jardim. Nenhum móvel estava fora do lugar, havia apenas um diferencial que me deixou perplexa quando identifiquei.

“Zelena”.

    Ela estava ou ao menos tinha estado ali a pouco tempo. Eu não via seu rosto há mais de 1 ano, mas sua assinatura mágica era como uma pegada mal apagada cujo formato eu já conhecia. Estava presente em toda a casa, como o aroma de um perfume que se espalha pelos cômodos. Ela quase sempre disfarçou mal seus próprios rastros.

- Zelena? - minha voz ecoou pelos corredores, mas não obtive resposta. Se ela ainda estivesse na região certamente voltaria mais tarde. Subi para o piso superior e entrei no antigo escritório de meu pai, ele sempre se orgulhou de seu vasto acervo literário e conservava cada livro no melhor estado possível.

    Henry Mills foi um renomado estudioso dos Símbolos e professor de Simbologia e História da Arte na Universidade de Chicago por muitos anos. Porém, mais do que isso, foi um homem honrado, um marido amoroso e um pai dedicado; todas essas qualidades constavam em sua lápide. Faltavam poucos meses para o sétimo aniversário de sua morte, às vezes parecia ter bem menos tempo que isso. Espantei as lembranças e voltei ao tempo real, precisava encontrar um livro sobre o símbolo que meu filho tinha encontrado.

 

    Já estava inspecionando o terceiro livro da biblioteca quando ouvi a porta da frente abrindo no andar de baixo.

- Regina? - sua voz me fez parar o que estava fazendo, fiquei tão surpresa que por um instante pensei que estava ouvindo coisas.

- Aqui no escritório. - ouvi os passos apressados de Zelena subindo a escada e me virei para a porta em expectativa. Ela parou na soleira quando me viu, estava tão surpresa quanto eu. Ficamos nos olhando por um momento, como se reconhecendo uma a outra, estávamos um pouco diferentes. Mais velhas e, ao mesmo tempo, ainda jovens. Vi um sorriso brotar em seus lábios e imitei o gesto abertamente. Me apressei para ela e nos abraçamos o mais forte possível; não nos víamos havia mais de 1 ano, mas não interagíamos a muito mais tempo.

    Senti uma imensa áurea de conforto e tranquilidade me envolver, como a sensação de alívio ao encontrar algo que estava perdido ou quando se conclui uma tarefa difícil e é possível descansar, finalmente. O aroma sutil de maçãs verdes expandia-se pelo escritório, essa era a marca dela e eu poderia reconhecer em qualquer lugar. Senti nossas Magias se unindo e nos fazendo planar um pouco acima do chão, rimos por instinto.

- Parece que alguém está feliz por me ver depois de tanto tempo! - ela brincou. Seu rosto estava mais maduro, mas continuava familiar: os cachos ruivos volumosos e bem abaixo dos ombros, os olhos azuis e o sorriso contagiante. Somos tão contrastantes fisicamente que nunca alguém diria que somos irmãs. Voltamos para o chão e nos soltamos.

- Como soube que era eu? Fui tão discreta… E se bem me lembro você não é boa em identificar assinaturas, inclusive ainda disfarça mal as suas. - alfinetei como fazia nos velhos tempos.

- Discreta você? Querida, já olhou lá fora? Começou a garoar há 20min e a previsão nem era de uma tarde nublada. Além disso, senti o cheiro de maçãs. - ela apertou o meu nariz e deu uma risada. Eu não ouvia aquele som a mais tempo do que conseguia me lembrar, muita coisa havia se passado entre nós e principalmente com ela.

- Você realmente está aqui… - sussurrei fitando seu rosto. Imaginei nosso reencontro definitivo inúmeras vezes, tentei supor qual seria sua reação quando eu a encontrasse, mas nunca pensei como seria se ela me encontrasse primeiro. Instintivamente segurei sua mão, por segurança; por duas vezes Zelena já tinha escapado de mim em sua fumaça esverdeada.

- Tudo bem, Gina, não vou fugir dessa vez. - entrelaçou seus dedos aos meus e sorriu com uma piscadela. Agora vamos comer alguma coisa, estou morrendo de fome! - foi me puxando em direção às escadas.

 

    Nos sentamos à mesa da sala de jantar e fizemos uma longa refeição em silêncio. Vez ou outra trocamos olhares cúmplices e alguns sorrisos, nem por isso eu deixei de me sentir estranha e um pouco desconfortável com a situação.

    Zelena e eu tínhamos uma história longa e complicada. Nossos pais nos criaram juntas nessa casa e por algum motivo que eu nunca soube, Zelena tinha problemas com sua Magia: por vezes era intensa demais, por vezes fugia-lhe do controle ou simplesmente cessava sem motivos. Eu tive meus descontroles até a adolescência, porém os da minha irmã continuaram durante a vida adulta - mesmo esporadicamente.

As crises aumentaram após o nascimento de Henry e então, um dia, ela decidiu ir embora após um incidente que tivemos com seus poderes. Meu dom para rastreamento não estava aperfeiçoado e eu não pude encontrá-la. Mamãe e papai fizeram suas tentativas, mas nunca me contaram se tinham achado ela ou não. O fato é que eles nunca voltavam com Zelena quando saíam para procurá-la e ela não retornou por 13 anos. Portanto, vê-la sentada à minha frente, como antigamente, era tão confortável quanto estranho.

- Vamos lá, eu sei que você tem perguntas pra fazer, tem um ponto de interrogação na sua testa. - sua voz tirou-me dos devaneios e lembranças do passado. Ela bebeu um pouco de suco e sustentou a cabeça com um braço sobre a mesa. - Pode começar.

- Quando você voltou? - Soltei os talheres e repousei as mãos no colo.

- Uns 3 ou 4 meses atrás, mais ou menos.

- Mamãe já sabe? - eu sabia a resposta, mesmo assim perguntei.

- Provavelmente sim. Nada indicou a presença dela na região, mas acho que sabe. E se sabe que eu estou aqui, então também sabe que eu não quero conversar ainda. - Zel fitou o copo e ficou circulando o topo com o dedo indicador.

    Eu sabia a resposta e mesmo assim fiquei irritada. Por que Cora não me avisou? Estava me visitando a meses, nunca mencionou o paradeiro de Zelena (se tinha achado uma pista ou sequer se ainda estava buscando seus rastros). Me deixou imaginando todas as possíveis circunstâncias em que ela estava todo esse tempo! E Zelena, se estava aqui há meses, porque não me procurou? Precisei vir ao Maine para lembrá-la que ainda tinha uma irmã? A diferença entre nós é que ela certamente sabia onde eu estava, enquanto eu havia esgotado minhas suposições e a encontrei por pura sorte. Estava feliz por tê-la achado ao acaso, mas chateada por ela não ter me procurado quando voltou.

- Eu vim para achar algumas informações nos livros do papai, então… - me levantei da mesa. - se me der licença…

- Regina... - ela alcançou minha mão sobre a mesa e me fez sentar de novo. - Sei que está chateada porque eu não fui te procurar, mas eu não quis arriscar, ainda não tenho pleno controle da minha Magia. Tive 5 oscilações desastrosas enquanto estive fora, em uma delas eu meio que explodi um carro abandonado na estrada. - ela fez uma careta.. Fiquei imaginando como seria “meio que explodir” alguma coisa. - Então não quis arriscar, por segurança. Voltei porque achei o que procurava. Ou melhor, não achei. - seus olhos ficaram distantes e ela respirou profundamente. - Imaginei que você, o pequeno Henry e Cora teriam se mudado depois que… você sabe.

Ela se referia à morte de Henry, ele adoeceu anos depois que ela foi embora. Cora conseguiu controlar os sintomas por muito tempo usando combinações variadas de suas ervas medicinais, mas a morte foi inevitável.

- Nós sentimos você aqui… no dia do velório. - lembro de ter procurado Zelena entre as pessoas que compareceram, mas não havia sinal dela. Ainda assim, senti uma brisa com aroma de maçãs verdes antes de entrar em casa ao fim da tarde: foi o suficiente na época pra me convencer que ela tinha vindo porque ainda se importava conosco, mas não tinha vindo pra ficar. - Eu não entendo por que você foi embora. Tínhamos uma vida boa aqui e poderíamos ter lidado juntas com o seu descontrole.

- Não parti só por causa disso. - ela suspirou pesadamente e contornou a mesa até mim. - Sem mais perguntar por hoje, okay? Sei que não entende meus motivos ainda e eventualmente eu vou acabar falando, mas hoje não. Eu estou de volta, não é o bastante?

    Seus olhos me fitavam de forma cansada, talvez fosse difícil falar sobre o que se passou.

Eu queria ter pedido para que ela ficasse quando a vi 1 ano atrás visitando o túmulo de nosso pai na floresta, mas fiquei tão surpresa naquele dia que deixei ela desaparecer em sua fumaça esverdeada como na última vez, 13 anos atrás. Apesar de ter tanto a dizer, só consegui abraçá-la mais uma vez. Não sabia quanta falta sentia de ter minha irmã mais velha por perto.

- Desculpa, Gina. - ela me acolheu em seu abraço - Sei que ainda deve estar com raiva e tem muitas perguntas, eu só…

- Não! Tudo bem, você está aqui e isso é o mais importante. Não vamos falar disso agora - inspirei o cheiro das suas vestes para familiarizar-me de novo e fitei seu rosto novamente. - Estou feliz que tenha voltado.

- Eu também. - me apertou mais uma vez em seu abraço.


 

*

Emma

 

    As informações sobre Henry Mills eram bem resumidas: serviu no exército durante a Segunda Guerra na parte de decodificação de mensagens secretas, lecionou Simbologia e História da Arte em Chicago por quase 30 anos, deu palestras e escreveu mais de 15 obras sobre assuntos variados. Ganhou uma condecoração por serviços consultivos prestados durante a Guerra Fria, faleceu seis anos atrás de morte natural, no Maine. Foi desacreditado pelos colegas da profissão por misturar fatos históricos com crenças pessoais em suas explanações; os acadêmicos chamaram-no de lunático e sua opinião perdeu peso e importância. Ele foi esquecido, era lamentável.

    Encontrei poucos artigos disponíveis falando sobre mitologia celta, sinceramente parecia uma pesquisa ridícula de se fazer. Estava quase convencida de que deveria ter ficado com Ruby no bar.

“O nó celta data do final do Império romano. Embora normalmente associado aos antigos celtas, o símbolo também pode ser encontrado em artefatos nórdicos e egípcios.

Usualmente o nó não possui começo ou fim definido. Acredita-se que ele representa o eterno ciclo da vida.

O símbolo serve para quem quer estar na senda da luz e da sabedoria, ele também é usado como amuleto de proteção pendurado no pescoço, ou sobre a porta de entrada das casas. Em alguns rituais ele é utilizado para invocar a Grande Deusa e…”

- Ah, não. Aí já é demais! - bufei e me recostei na cadeira. O resto do artigo beirava ao misticismo, estava claro que era uma perda de tempo, pois eu não poderia sustentar alguma hipótese baseada em crenças. - Que droga…

    Esfreguei os olhos e senti o acúmulo do cansaço do dia inteiro me atingir, a cafeína já tinha perdido seu efeito e após tantas horas de pesquisa eu só ansiava pela minha cama. Decidi arquivar toda a pesquisa em meu computador e levar os poucos arquivos físicos que tinha para casa; não poderia apresentar um relatório aos meus superiores baseado nas informações supersticiosas que tinha encontrado. Além disso, eu já estava desobedecendo ordens por ter estendido a investigação após o caso ter sido encerrado. Pensei em avisar Ruby, mas mudei de ideia, não estava pronta para ouví-la dizer “eu te avisei” várias vezes.

“O que você pensou que encontraria, Swan? O nome de alguma milícia ou quadrilha organizada por trás do símbolo? Que ideia idiota!”

 

    Cheguei no Doyle’s antes do horário indicado por Ruby, mas ela concordou em ir pra casa mais cedo; o álcool que corria em suas veias, ao invés de deixá-la mais enérgica, estava deixando-a sonolenta demais até para entender os flertes que recebia.

- Eu vou adorar zoar com a sua cara amanhã. - comentei enquanto ria e ajudava ela a ficar de pé para irmos embora. Agradeci o barman, nosso amigo de vista, por vigiá-la.

- Zoar quem? - uma baforada quente de álcool atingiu meu rosto e me fez tossir, ela estava mesmo acabada.

- Nada, Rubs. Vamos, vou te deixar em casa.


 

*

Regina

 

    Zel não quis tocar no assunto nos dias que se sucederam ao nosso reencontro e eu respeitei sua decisão, apesar das dúvidas que dançavam na minha cabeça. Fazíamos as refeições juntas, mas às vezes ela se ausentava pelo restante da tarde ou olhava as plantas no jardim. Eu me ative à casa e optei por não sair. Parte de mim queria dar espaço pra ela ao invés de impôr minha presença, outra parte só se sentia constrangida demais para tentar uma conversa leve (não conversávamos amenidades há 13 anos); e ainda havia algo em mim dizendo que eu encontraria respostas na floresta, junto aos corvos, entretanto eu não estava pronta ainda para ir até lá.

Aproveitei os primeiros dias para focar na criação de meu novo livro e consegui avançar 25 páginas de conteúdo, apesar dos meus bloqueios de criatividade e organização. A editora me dera um prazo confortável para a produção, mas eu se sentiria mais tranquila se terminasse a obra o quanto antes. Na quarta-feira, expliquei a minha irmã os acontecimentos da sexta anterior e a proeza de Henry, e ela se dispôs a me ajudar na busca.

- Meu sobrinho é um gênio! - disse com um sorriso enquanto puxava outro livro da prateleira.

- Não é pra apoiá-lo nisso, Zelena, pode ser perigoso! A última coisa que preciso é de um filho preso por hackear o governo.

- Com a capacidade dele pode ser até que o contratem e ele acabe… - ela interrompeu a fala enquanto lia algo no livro que escolheu. - ei, acho que achei alguma coisa.

    Sentei-me ao seu lado na mesa e acompanhei a leitura..

 

    “O nó celta representa o entrelaçamento entre todos os seres, a interdependência de todas as coisas, atitudes e resultados. As formas de representação são variadas e cada uma pode estar associada a um significado específico.

Dentre os vários significados, os mais comuns do nó são: o infinito; o nó que enlaça todos os seres (humanos ou não); a ligação entre a Magia e a vida; a evolução do ser; a ligação entre os três mundos (mundo dos vivos, dos mortos e dos seres místicos); amuleto de proteção.

O laço - que não tem começo e nem fim - representa, em suma, a interconectividade da vida, eternidade e os mistérios do nascimentos, morte e reencarnação.”

 

- Isso ajuda em alguma coisa? - Zel virou-se para mim em expectativa.

- Não, quer dizer, eu não sei… São muitas referências. - levantei e fiquei andando de um lado para o outro no escritório, isso me ajudava a pensar. - Um símbolo aparece no gramado de um parque, qual o significado: opção a) o infinito de alguma coisa, opção b) a evolução de alguma coisa, ou opção c) um amuleto de proteção? - ironizei e revirei os olhos.

- Henry não costumava repetir uma lista de regras sobre como identificar um símbolo? - levantou-se e admirou a vista da floresta pela janela.

- Sim, mas não lembro de todos os passos. Faz tanto tempo que… - não queria admitir, mas estava me esquecendo de alguns ensinos. É o que acontece quando ficamos muito tempo sem contato com algo ou alguém, as lembranças se confundem ou ficam muito embaçadas.

- Se eu lembro de alguns, você com certeza lembra também. Tinha algo sobre não focar no formato…

- Identificar a ideia, porque a ideia sobressai sobre a forma.

- Isso! Primeiro a ideia, depois a forma.

- Certo, já fizemos isso e não deu em nada. A ideia de infinito, em si, não é uma grande dica. - bufei e voltei a me sentar.

- Tinha algo sobre comemorações… como é que ele dizia? - tentei lembrar de algo que nosso pai falava sobre “comemorações”, não me remeteu a nada. - Ah! Observar os meses e as festas, isso!

Ela vasculhou outra vez os livros da estante por algum tempo e se frustrou quando não encontrou o que queria.

- Onde estão as outras obras?

- Tenho algumas comigo, mas a maioria é sobre encantos. O que não estiver aqui só pode estar com a…

- Eu não vou falar com ela. - Zel cruzou os braços, mal me deixou falar sobre nossa mãe.

- É você quem sabe os passos de identificação, então precisa ir comigo! - dei-lhe um olhar de súplica e ela retribuiu com uma cara zangada que eu já conhecia. Na verdade eu ainda lembrava poucas palavras de Henry, mas seria ótimo se Zelena e Cora finalmente conversassem. - Zel, eu não sei qual foi o agravante entre vocês, mas preciso que resolvam isso. Céus, já faz treze anos! Estamos todas velhas e cansadas demais, Henry já está na faculdade e nosso pai já faleceu..

- Ele não era me..

- Ele era seu pai sim! NOSSO pai! - meu tom de voz era duro, estava farta dessa velha discussão. - Te criou como criou a mim e ele sofreu muito, muito mesmo quando você foi embora!

    A última coisa que eu queria era que discutíssemos, que se sentisse culpada de alguma forma pela morte de Henry. Porém, ela ainda guardava mágoas que após tanto tempo já nem deveriam existir; isso que eu não entendia.

- Eu vou descer pra fazer o jantar, fique à vontade para me ajudar se quiser. - vire-me e desci as escadas.

 

*

Emma

 

    Como eu bem suspeitava, todos os elementos do caso foram esquecidos rapidamente e ninguém mais comentou qualquer coisa sobre radiação, um símbolo ou o Boston Common, apesar de ainda repercutir um pouco na televisão.

    Encontrei August só no meio da semana e questionei seu sumiço, já que convivíamos muito por hábito.

- Sabe como é, eu ando ocupado com umas coisas pra resolver por aí. - deu a desculpa esfarrapada enquanto coçava a nuca e desviava o olhar, todos os indicativos de uma mentira.

- Você já mentiu melhor pra mim, sinceramente. É ainda por causa do lance com a Ruby? - seu rosto ficou levemente corado.

- Bom… é… nós meio que ainda não conversamos sobre aquilo, foi constrangedor pra ambos. E não queria que ficasse um clima estranho, então tenho me mantido distante pra ela não se sentir mal. E como vocês duas também são muito próximas, eu não quis ficar por perto pra que não ficasse desconfortável a situação.

    August tinha 25 anos, 7 anos a menos que eu e 3 a menos que Ruby. Nossas diferenças de idade nunca foram empecilho para qualquer tipo de conversa, porém era em momentos como este que eu lembrava das diferenças de mentalidade e maturidade.

- Sua atitude é fofa, mas desnecessária. Ruby se sentiu mal, claro, mas agora ela já está conformada, então… acho que só você ainda está se condoendo sem necessidade. Devia conversar com ela, quero meus dois amigos de volta. - dei um tapinha em seu ombro e avistei Neal se aproximando pelo corredor, o rosto denotando apreensão.

- Reúnam os agentes, temos mais um incidente.

- Onde? - levantei-me já de prontidão.

- Uma cafeteria em Tewksbury, rota 38.

 

    A despeito dos anos de preparação profissional, física e psicológica em Quântico, nunca estamos cem por cento prontos para o que podemos encontrar no trabalho de campo. Evidência disso foi que nada me preparou para o que encontramos no Route 38 Holly’s Diner Café, em Tewksbury.

    A perícia e o CCD adiantaram-se a nós e montaram todo o aparato para tentar a retirada dos corpos das vítimas do incidente. Vítimas mortas e sem cabeças. Sem cabeças devido ao nível elevado de radiação a que foram expostas; as cabeças literalmente explodiram. As janelas do estabelecimento estavam cobertas de sangue, como se jatos de tinta vermelha tivessem sido jogados de dentro da loja. Uma cena grotesca. Troquei um olhar breve com August, Ruby e Will Scarlett, que nos acompanhava; nossas feições variavam de “que horror” para “que nojo” e “não acredito que isso aconteceu”.

- Eu prefiro não entrar dessa vez. - era August falando.

- Ninguém vai entrar, nem mesmo a perícia. Estão avaliando o nível de radiação para decidir o equipamento e a roupa mais adequada. - nosso superior se aproximou, estávamos do outro lado da rua, ainda perto dos carros. - Quero que avaliem as câmeras de segurança dos estabelecimentos ao redor e investiguem os moradores que moram nas casas mais próximas.

- Essa segunda parte não é trabalho da polícia local? - Will cruzou os braços. Ele era tão jovem quanto August e um ótimo analista de sistemas, foram poucas as vezes em que o vi em campo, já que seu trabalho era mais interno.

- Não quando a jurisdição é nossa. Ah, alguém também precisa verificar os indivíduos que foram apreendidos ontem à noite pela polícia local, só pra ter certeza de que não possuem ligação com o incidente.

Meus amigos entraram num debate de quem faria o que, então aproveitei para conversar com Neal antes que ele voltasse para auxiliar a perícia.

- Não deveríamos chamar logo isso de crime, ao invés de incidente ou acidente?

- O que está supondo, Swan?

- Que o que aconteceu aqui tem total ligação com o que houve semana passada, no Boston Common.

- Aquilo foi um acidente radioat…

- Acidente radioativo? E coincidentemente, na semana seguinte, voilà! Mais um “acidente radioativo” em Massachusetts. É, não devem ter relação mesmo, que ideia idiota a minha. - ironizei.

- Eu não tenho as respostas, se é o que quer saber. Que tal começar a investigar? - se retirou antes que eu pudesse dizer algo.

 


Notas Finais


OBS 4: essa parte final é parte do prox cap, mas fui uma alma ansiosa e juntei aqui.
A situação da Zel será explicada posteriormente (eu já preparei).
Farei o melhor para que no próximo cap os universos de Regina e Emma se encontrem definitivamente (e quem sabe elas tbm). Só não decidi ainda se vou fazer na ordem linear das coisas, ou se vou trazer uma cena posterior ao encontro delas e depois faço um "FLASHBACK", tipo "36 horas atras" e então conto como as coisas chegaram até aquele ponto. Ainda estou pensando..
prometo não demorar,
espero não ter decepcionado,
boa quarta.


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