História LoveSick - Capítulo 36


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Categorias Yandere Simulator
Personagens Ayano Aishi, Budo Masuta, Hanako Yamada, Info-chan, Megami Saikou, Mina Rai, Oka Ruto, Osana Najimi, Rival-chan, Taro Yamada
Tags Ayano X Budo, Budo Masuta, Budo X Ayano, Tragedia, Yukotsu
Visualizações 239
Palavras 4.463
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ecchi, Ficção Adolescente, Hentai, Luta, Romance e Novela, Terror e Horror, Violência
Avisos: Adultério, Canibalismo, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Spoilers, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


"Mentir É A Maior Diversão Que Uma Garota Pode Ter Sem Tirar Suas Roupas"

Capítulo 36 - Capítulo 35 - Mentir É a Maior Diversão De Uma Garota


Usuário Anônimo enviou uma foto.

Usuário Anônimo escreveu:

Obviamente eu não vou revelar a minha identidade, mas acho que todos vocês deveriam ver essa foto com seus próprios olhos. Eu não sei vocês, mas eu não confiaria em uma mulher que se diz “líder” mas que sequer é capaz de gostar de homens.


Joho Buroka, Raibaru Najimi, Budo Masuta e outras 52 pessoas reagiram a isso.


Uma foto de Megami Saikou beijando Osoro Shidesu foi publicada na rede social durante a madrugada. Ao acordarem, praticamente toda a escola se deparou com a postagem. A grande parte dos alunos estava dividida: uns repudiaram a postagem, outros concordaram. Certo grupo nem ao menos acreditou no que viu, alegando ser montagem. Mas no final, todos concordaram que o fato da Saikou se relacionar com uma delinquente era, no mínimo, algo chocante. Justamente por ela ser a primeira a declarar repulsa por qualquer atitude que vá contra as normas do colégio.

No entanto, a intenção de Ayano estava longe de simplesmente espalhar uma fofoca, ela queria que aquela foto chegasse até uma pessoa em especial. E, ao que tudo indicava, ela conseguiu o que queria.

No dia seguinte, Megami Saikou não foi à escola.

-x-

Flashback - 8 anos antes

As perninhas curtas e grossas de Budo já ardiam, implorando para que ele parasse de correr. Ofegante, ele se viu encurralado em um beco sem saída.

“Droga!”

Uma sombra se fez atrás dele. Ao se virar, deu de cara com o que mais temia: aquele maldito grupo de delinquentes. Já haviam pegado o Taro e, agora, seria a sua vez de apanhar.

-- Vamos te ensinar a não invadir o território dos outros, vira-lata. -- Um dos delinquentes ao centro anunciou, erguendo o pedaço de madeira que tinha em mãos. Budo se encolheu e fechou os olhos, aguardando pelo pior.

Ele ouviu um estrondo, mas não sentiu dor alguma, muito menos a força de algum impacto.

Quando abriu os olhos, se deparou com uma garotinha ruiva que aparentava ter a mesma idade que ele. Ela havia dado um golpe certeiro no delinquente, que caiu no chão atordoado.

Todos os outros se viraram para ela com uma expressão incrédula. Budo queria fazer alguma coisa, mas estava domado pela surpresa e pelo medo. Assistiu estático aquela garota acabar com cada um deles, que no fim de tudo foram embora correndo, atordoados.

Ofegante, ela se virou para Budo, que ainda estava agachado.

-- Você está bem? -- Ela lhe estendeu a mão, ajudando-o a se levantar. Sua voz era doce, quase melódica. -- Você deveria reagir! Não pode deixar que eles façam o que quiserem contigo.

-- A-Ah…. -- Budo estava sem palavras. Não só por talvez ser uma das suas primeiras vezes interagindo com uma garota, uma garota bonita. Mas também por estar admirado com a força e coragem que ela tinha.

-- Qual é o seu nome, garoto? O meu é Raibaru! Mas me chamam de Rai-chan.

-- B-Budo… Budo Masuta.

Raibaru riu.

-- Que nome engraçado! Vai ser… Budo-kun! -- Ele só assentiu, sem jeito.

Naquela época, Budo ainda não sabia. Mas conforme os dias se passaram e eles foram ficando mais próximos, Raibaru Najimi se mostrou ser uma pessoa… Incrível. Uma criança prodígio, por assim dizer. Não foi surpresa alguma, visto que ela acabou com um grupo de crianças muito maiores e mais velhas que ela sozinha.

Ela aprendeu a ler e escrever mais cedo que as crianças normais, além de ter uma força absurda para uma garota de dez anos. Era algo surreal, Budo pensava que pessoas assim só existiam em livros e desenhos.

-- Yuan! -- Certo dia Budo chegou em casa chamando pelo seu irmão. -- Me ensina Artes Marciais! Eu quero aprender!

-- O que você ‘tá falando? Semana passada você disse que isso era coisa de--

-- Não importa o que eu falei! Um homem nunca passa pelo mesmo rio duas vezes! -- Yuan franziu o cenho, se perguntando onde raios aquele pirralho aprendeu aquela frase. -- Por favor, gēge… Me ensina! Eu quero aprender a bater nos caras maus!

Um motivo nobre, ao menos. Para Budo, Raibaru era como um modelo a ser seguido. Quase um Bruce Lee no corpo de uma patricinha. Diferente de sua irmã Osana que era, em essência, grossa e ranzinza, Raibaru era o equilíbrio perfeito entre a bravura e a delicadeza. Ninguém que olhasse para aquele rostinho angelical diria que ela possui a força e a habilidade de luta que tem. Na escola, ela era conhecida como “ A Indestrutível”.

Budo se apaixonou facilmente.

Fim do Flashback.

-x-

Taro sente saudades de quando tudo o que fazia no seu tempo livro era sentar na fonte e ler o seu livro em paz. O conselho estudantil não tinha o mínimo de piedade na hora de colocar seus integrantes para trabalhar. Sempre que um deles faltava, o trabalho duplicava para alguém. Sendo mais específico, para o com menos experiência. A justificativa é de que ele precisa ser capaz de lidar com situações de alta pressão e que aquilo lhe serviria como “experiência”. No outro dia, teve que substituir Aoi e apartar uma briga séria entre um delinquente e uma bully. Foi um pesadelo.

Como Megami faltou hoje, dessa vez ele teve que andar de um lado para o outro verificando se todos os documentos e projetos da escola estavam em dia. Seus pés doíam. Suspirou aliviado quando terminou todo o trabalho.

O primeiro lugar que se dirigiu foi a biblioteca, o seu templo sagrado. Silêncio e espaço de sobra para ler um bom livro, um sinônimo de paz. Taro tirou de sua bolsa o seu mais novo livro e se sentou em uma das mesas, começando a sua leitura. Se desligando do mundo real, mal percebeu as outras pessoas entrando e saindo da biblioteca. Mal percebeu a garota que se sentou ao seu lado.

Logo a reconheceu. Afinal, havia jantado e dormido na casa dela alguns dias antes. Não poderia se esquecer daquele rabo de cavalo característico.

Imediatamente se lembrou que acabou bebendo naquele dia, o rubor na face foi inevitável. Mal conseguia imaginar a quantidade de coisas constrangedoras que ele deve ter dito na frente dela, Budo fica zoando com ele até hoje pelo galo de calça. Pensa em um cara azarado com garotas.

Só estava mais relaxado porque Budo lhe certificou de que ele não contou nenhum segredo sujo e que beberam apenas por diversão. Sentia-se idiota por ter imaginado que teriam o embebedado por desconfiarem que ele era o assassino, que ideia.

Se fosse em qualquer outra situação com qualquer outra pessoa, ele já teria arrumado alguma forma de puxar algum assunto. Mas ele estava acanhado demais com Ayano, que por sinal parecia tão acanhada quanto. Não sabia se aquilo era um bom sinal ou não.

Por isso, decidiu tentar voltar a se focar em seu livro. “Talvez ela tenha sentado aqui por pura coincidência, e não por querer falar com você.”  Aquele pensamento o acalmou um pouco.

Isso até ele virar para a próxima página e perceber um tom de exclamação vindo dela, que parecia não esperar por aquilo. Foi só então que ele percebeu que ela, na verdade, estava lendo o livro junto com ele.

E Taro achou aquilo muito. fofo.

Ele nem tentou esconder o sorrisinho que deu, o que fez com que Ayano ficasse mais constrangida ainda e ele aumentar ainda mais o sorriso. Que adorável.

Taro voltou para a página anterior e esperou que ela terminasse de ler. Aishi mal acreditava no que estava acontecendo. A presença dele mexia com o seu cérebro de tantas formas diferentes que ela mal conseguia falar. Não era vergonha, mas sim o resultado de todos aqueles rios de serotonina, dopamina e outros neurotrasmissores sendo produzidos de uma vez só. Ainda não estava acostumada com aquilo. Seu nariz estava quase sangrando.

Ela aproveitou a pouca distância entre eles para admirá-lo. Aquele cabelo bem penteado que estava maior do que quando o viu pela primeira vez, já quase tampando a sua orelha bem desenhada. A mandíbula bem marcada devido a magreza, as mãos pequenas e finas. Tudo nele era tão gracioso. Não podia olhá-lo sem se lembrar do dia em que colocou a droga na bebida dele e o estuprou durante a noite toda. A imagem daqueles olhos vazios e perdidos lhe olhando ainda estava viva em sua mente. Inesquecível.

-- Posso passar? -- Ele perguntou sussurrando, não querendo interromper o silêncio.

-- Pode sim. -- Ela conteu o gemido.

Até que se ouviu a porta da biblioteca abrir, revelando aquela figura de marias-chiquinhas e pernas curtas segurando uma pilha de folhas que tinha o dobro de seu tamanho.

-- Finalmente te achei, Taro-kun! -- Raibaru colocou a pilha de papéis na mesa em frente a ele.

Além de indestrutível, ela também parecia ser onipresente.

-x-

Tinham se passado alguns dias desde que Budo e cia foram jantar na casa de Ayano. Uns quatro ou cinco dias, talvez. Aishi parou de contar os dias da semana havia um tempo, seu objetivo estava cada vez mais perto de ser concluído e sua mente só conseguia pensar naquilo.

Parando para recapitular toda a sua jornada até agora, sentiu uma pontada de orgulho. Teve uns deslizes, alguns imprevistos, quase foi pega, mas conseguiu dar a volta por cima em todas as vezes. Agora era hora de contornar os seus tropeços e usar aquilo ao seu favor.

Começando por sair do clube de Artes Marciais.

Durante todos esses quatro, cinco dias, Ayano não foi ao clube uma vez sequer. Conseguiu desviar das perguntas de Budo durante a semana, mas estava na hora de dar um fim naquilo tudo. Ela parou em frente a porta do clube e respirou fundo, recitando mentalmente cada palavra que iria usar.

Quando abriu a porta, no entanto, deu de cara com Raibaru.

-- A-ya-no-chaaan, oiiii -- Ela acenou.

-- Oi. -- Aishi se perguntou o que raios ela estava fazendo ali, mas forçou um sorriso mesmo assim. Raibaru estava conversando com Budo e os outros. Era notável como a simples (ou quase isso) presença dela fazia o ar ficar mais leve, todos ali pareciam extremamente a vontade.

-- Você finalmente apareceu, Ayano-chan! -- Budo parecia radiante. -- Veio fazer as atividades do clube?

-- Na verdade, não. -- Ele se murchou um pouco. -- Eu queria falar com você.

-- E o que seria?

Ayano parou, analisando a situação. Não seria inteligente falar sobre aquilo ali, agora. Não na frente de todo mundo, não na frente dela. Principalmente sabendo como Budo iria reagir.

-- Hum, não é nada demais… Não se preocupe. -- Era como se Ayano estivesse encurralada. Não poderia falar, mas também seria estranho se ela fosse simplesmente embora. Teria que ficar lá.

-- A Rai-chan estava dando ideias de alguns projetos para o clube! -- Sho Kunin contextualizou. -- Ela é tão inteligente!

Ayano teve que se esforçar para não revirar os olhos, ela não se importava com nada daquilo.

-- Aliás, Ayano-chan, você vai ficar para patrulhar a escola, certo? --  Raibaru perguntou.

-- Uh, sim… -- “Infelizmente’’, ela pensou. -- Por quê quer saber?

Najimi foi até ela em passos rápidos, quase que dando alguns pulinhos e a abraçou forte, segurando a mão de Ayano enquanto entrelaçava os seus dedos nos dela.

-- A Ayano-chan vai comigo!

-- O quê? -- Ela exclamou. -- Calma, espera, da onde surgiu essa animação toda?

-- Vai ser uma ótima oportunidade de vocês se conhecerem melhor! -- Budo fez um sinal de “joinha”.

Aishi olhou para todos, que pelo olhar incentivavam a atitude. Uma gota rolou pelo seu rosto. Sentiu saudades do tempo em que era ela quem fazia as decisões ali.

Teria que adiar a sua conversa com Budo.

-x-

Ayano não pensou que aquela tarefa seria tão complicada e cansativa, já estava acostumada com Budo lhe seguindo de um lado para o outro pela escola. Mas era como se uma Raibaru valesse por três Budos. Ela a seguia como um patinho atrás de sua mãe, fazia barulhos estranhos e a chamava a cada dois minutos e meio.

Depois de meia hora patrulhando a escola, acharam melhor dar uma pausa. Seus pés já estavam doendo. Queria amaldiçoar toda a família Saikou por Megami ter tido aquela ideia. Elas se sentaram no chão, próximo do labirinto de folhas atrás da escola.

Agora que estava com mais calma, Ayano pode analisar melhor aquela criatura bizarra e vulgar em forma de estudante. Tudo nela era tão fofo e delicadinho que chegava a beirar o ridículo, de tão perfeito e harmonioso que era. Os lábios rosados faziam um formato semelhante a um emoji de gatinho.

-- Eu… Não entendo.-- Ayano começou a falar, chamando a atenção dela. -- Por quê você me trata tão bem?

-- Do que está falando, Ayano-chan? -- Ela se deitou no chão, apoiando o rosto em uma das mãos. -- Eu não tenho motivos para te tratar mal.

-- Você sabe que tem.

-- Oh, está falando daquilo com o Budo-kun? -- Ela deu de ombros, dando aquele sorrisinho meigo característico. -- Eu realmente não ligo. Na verdade, entendo o seu ponto de vista. É normal para uma namorada não gostar das paixonites antigas dele.

“Não é bem esse o motivo de eu não gostar de você…”

-- Eu só acho que você é meio equivocada, Ayano-chan. -- Os olhos amendoados dela tinham um brilho incomum. -- Não é que você não gosta de mim, você só não gosta da pessoa que você acha que eu sou.

Raibaru se ergueu, voltando a ficar sentada ao lado dela. Ela envolveu Ayano em seus braços, apoiando a cabeça em seu ombro.

-- Tenho certeza que Rai-chan e Yan-chan se dariam muito bem se conhecessem uma a outra!

-- Mas então… Quem é você, Raibaru?

Em resposta, ela lhe fez uma expressão sapeca. Mostrando a língua.

-- Por que não tenta descobrir?

Ayano parou de falar, mantendo-se calada por alguns minutos. Aquele diálogo tinha a tirado dos eixos, mesmo que só um pouco. Esse tempo todo havia pensado que sabia tudo sobre todos, perceber que não estava tão certa assim era… Desconfortável. Por mais que Raibaru não fosse exatamente uma ameaça, Ayano afirmou para si mesma que precisava saber tudo sobre qualquer um. Era quase uma obsessão, algo doentio. Pois era assim que ela podia manipular as pessoas à sua volta: usando o que sabia contra eles mesmos. E, perfeccionista do jeito que era, não poderia se deixar falhar.

-- Eu… Tenho muito a te agradecer, Yan-chan.

-- … Pelo o quê?

-- Eu tenho me sentido muito solitária desde que minha irmã morreu. Mas… Passar o tempo com o Budo-kun e o Taro tem preenchido esse vazio. E eu sei que nós não teriamos voltado a nos falar se não fosse por você.

-- Vocês duas pareciam ser bem próximas.

-- Meio que… Só tinhamos uma a outra. Papai e mamãe eram bem rígidos, mais comigo do que com ela. Talvez por ser a mais velha… -- Ela explicou enquanto brincava com uma mexa do cabelo. -- Mas ela me deu todo o carinho e afeto que me faltava. É por isso que sou assim com todos.

“Isso, conte mais…”

-- Não consigo imaginar a Osana sendo carinhosa.

-- Não se deve julgar um livro pela capa! Minha irmãzinha parecia rude por fora, mas era uma pessoa muito boa por dentro… O papai e a mamãe, o Taro-kun… Todos gostavam muito dela. Está fazendo muita falta.

-- Ouvi dizer que ela e o Taro-senpai haviam brigado…

-- Besteira, eles viviam brigando. Mais algumas semanas e eles já estariam se falando de novo, eu acho… Iriam perceber que o assassino provavelmente sabotou eles.

Ayano não pode deixar de suspirar aliviada. Matar Osana tinha sido a decisão certa

-- Pensando por esse lado… Tem razão. Eles se conheciam desde que eram crianças… 

Raibaru voltou a se deitar, observando o céu.

-- Waah, eu me lembro até hoje do dia em que eles se conheceram.

-- O Budo me contou por partes, foi você que os apresentou, certo.

Ela confirmou com a cabeça.

-- Foi um dia bem… Estranho, pra falar a verdade. -- Ela pausou, como se estivesse procurando algo em mente. -- Ficamos sabendo que os pais de um dos delinquentes morreram, o que fez com que eles parassem com o bullying… Como estávamos mais a vontade, eu chamei a minha irmã para brincar com a gente. Foi basicamente isso. Coisa de criança.

Ayano não fazia ideia do que era “coisa de criança”.

Um leve deja vu veio em mente, se lembrando do que Yuan contou a ela no outro dia. Era como se estivesse ouvindo a mesma história em outro ponto de vista.

-- Você parece ter tido uma infância feliz, Raibaru...

--  Você não teve?

Ayano dá de ombros.

-- Isso não importa agora.

Raibaru soltou uma risadinha, rolando na grama de um lado para o outro.

-- Nee nee, não foi lá essas coisas... poderia ter sido melhor. -- Foi o que ela respondeu. Ayano pensou um pouco antes de voltar a falar:

-- Está dizendo que não teve uma infância feliz, então?

Najimi se calou.

-- Hihihi, Ayano-chan parece interessada na Rai-chan!!! Isso é um bom sinal! -- Aishi teve que se esforçar para não franzir o cenho ao notar que ela estava tentando mudar o rumo da conversa, queria manter a expressão mais neutra o possível.

-- Bom… Foi você quem disse para eu tentar descobrir quem você era. -- Ela abriu um leve, quase imperceptível sorriso. -- Considere isso como uma chance.

-- Isso não importa agora. -- Raibaru respondeu, tentando imitar a voz contralto de Ayano.

-- Droga -- Ayano fingiu entrar na brincadeira, rindo um pouco. -- Isso é um jogo, agora?

-- A gente ganha uma coisa quando perde outra -- Para uma patricinha alá Mary Sue, ela sabia barganhar muito bem. Bem até demais.

Ayano suspirou.

-- Certo, certo… -- Ela pausou, tentando pensar um pouco. -- Minha infância... eu me lembro bem pouco. Passei boa parte dela em hospitais… Nasci com uma doença rara, então vivia doente. Eu não podia sair muito porque passava sempre passava mal.

Raibaru ouvia atentamente a tudo o que ela tinha a dizer, estando um tanto impressionada com a tranquilidade que ela mantinha durante a fala.

-- Em outras palavras, eu não tinha muitos amigos. -- Ayano não deixava de olhar nos olhos dela nem por um segundo, como se toda a sua concentração estivesse centrada nela e na conversa que estavam tendo. Raibaru gostou daquela característica. Ayano tinha olhos muito bonitos. -- Por sorte, eu consegui fazer uma cirurgia e estou curada. Demorei um pouco pra me acostumar com a vida "normal"

-- Eu... Não sabia disso.-- Ela ergueu o corpo, voltando a ficar sentada. -- Deve ter sido difícil para você, eu não sei o que faria no seu lugar…

-- Sim, sim. Pois é… -- Ayano não sabia se ficava orgulhosa de si mesma por ter inventado uma história não rapidamente ou se achava graça por ela ter acreditado em toda aquela conversa fiada. -- Okay, eu já fiz a minha parte! Sua vez agora.

-- Haaii -- Ela limpou a garganta. -- Bem, papai e mamãe sempre foram bem rígidos comigo... Sempre preferiram a minha irmã, isso meio que me frustava.

-- Por qual motivo? -- Ayano arqueou uma das sobrancelhas, achando aquele detalhe um tanto… Curioso. Apesar de não ter sido surpresa alguma. Pelo temperamento que tinha, Osana claramente havia sido bem mimada pelos pais.

-- Não sei -- Suas expressões mudavam a cada palavra dita, Ayano achava aquilo impressionante. Era como se ela fosse um emoji ambulante. -- Eu queria deixá-los orgulhosos, então eu sempre me esforcei muito para ser a melhor em tudo… O Taro-kun sempre me deu muito apoio.

-- É por isso que você gostava dele?

-- Sim! -- Ela começa a encostar os indicadores um no outro, desviando o olhar. -- Taro-kun era tudo pra mim.... Eu poderia fazer qualquer coisa por ele e pelos meus pais. Eu me sacrifiquei tanto pelo Taro.... Para descobrir que minha irmã gosta dele, e que ele provavelmente gostava dela também.

-- Bom... Ao menos você parece ter superado ele. -- Ayano sugeriu, ansiando pela resposta.

-- … Érr… -- Raibaru soltou um riso nervoso.

-- Essa resposta não me pareceu muito convincente. -- Raibaru não respondeu mais nada, só continuou rindo um pouco e deixou o silêncio tomar conta das duas. Aquilo havia sido o suficiente para Ayano entender que ela ainda gostava do Taro.

Até que Ayano foi surpreendida com um abraço de Raibaru, que em seguida esfregou a sua bochecha na dela. Aishi não desfez a expressão neutra e sem emoção.

-- Eu não costumo tocar nesse assunto… Mas eu me sinto a vontade quando estou com a Ayano-chan …

-- É… A conversa está boa. Só estou com um pouco de sede.

-- Quer que eu compre alguma coisa?

Ayano virou o rosto, olhando para ela que ainda não tinha desfeito o abraço. Poucos centímetros separavam os seus rostos.

-- Faria isso para mim?

-- Qualquer coisa pela Yan-chan!

-- Hm, certo… -- Ela tirou algumas moedas do bolso. -- Pode escolher o sabor, só quero ter algo para beber.

-- Certo, certo! -- Raibaru se levantou, batendo em sua saia para tirar a poeira. -- Volto rapidinho!

Ayano permaneceu sentada, assistindo-a se afastar. Suspirou aliviada quando a perdeu de vista, satisfeita por finalmente ter algum momento a sós naquela escola.

Colocou a mão no bolso da saia e de lá tirou o curativo que havia sido usado por Taro alguns dias antes. O sangue obviamente havia oxidado, ficando numa tonalidade marrom. O gosto ainda era delicioso, no entanto. Ayano nem se importou quando teve de revirar o lixo da cozinha para encontrá-lo.

Estava tão extasiada enquanto lambia e se esfregava no curativo que mal percebeu a presença de Mina Rai ali. Ayano a notou somente quando ela soltou um grunhido estranho, provavelmente e nojo.

Elas se encararam por alguns segundos antes de Aishi falar.

-- Não sabia que gostava de me vigiar.

-- Eu estava procurando pela Raibaru, me disseram que ela estava por aqui. -- Mina tentou se justificar. -- Não tenho interesse em ficar vigiando bicho.

Ayano semicerrou os olhos, quase que rosnando. A última vez que teve algum diálogo com aquela garota fazia tempos, quando brigaram um pouco antes dela sair do clube de Artes Marciais. Poderia dizer que ela era tão insignificante que Ayano mal se lembrava da existência dela, mas Aishi era, na verdade, grata por ela ter saído do clube. Se não fosse por isso, Osana não teria entrado para lá e muito provavelmente ainda estaria viva.

-- Não é como se eu quisesse a sua presença inútil aqui também. -- Ayano deu de ombros. Mina Rai cerrou o punho. Sempre foi pavio curto, e a simples existência de Ayano já lhe tirava do sério. Não conseguia ficar quieta ao falar com ela.

-- Como eu queria que o Budo estivesse aqui para ouvir isso… -- Mina já estava ficando vermelha de raiva.

Ayano, no entanto, parecia bem tranquila.

-- Não meta o Budo nisso.

-- Pois eu adoraria que ele soubesse o que a namoradinha faz quando fica sozinha.

Aishi olhou no fundo dos olhos dela, a tensão era evidente. Depois de alguns segundos calada, ela deu um sorriso de canto. Sorriso esse que acabou virando uma risada baixa, que foi ficando cada vez mais alta.

-- Como se ele fosse acreditar em você. -- A voz de Ayano era carregava em deboche. Gargalhava com a expressão zangada de Mina, que parecia se segurar para não vomitar.

-- Se liga, Aishi. -- Ela deu um passo à frente. -- Você é só um rostinho bonito que deu sorte de ter encontrado alguém tão burro para se apaixonar. -- Mina engoliu seco. Era difícil ter que falar coisas tão duras de Budo, mas sabia que aquilo era verdade. -- Quando toda essa paixão acabar, ele vai perceber o que você é: uma criatura vulgar e asquerosa que nem merecia estar viva.

Mina Rai soltou um sorrisinho ao ver que Ayano tinha se calado.

-- Pessoas amadurecem, Aishi. Não vai demorar muito para ele perceber que você não passa de uma paixonite.

-- Que estranho… -- Ayano falava pausadamente. -- … Não foi isso o que ele me falou ontem; e antes de ontem; e na segunda-feira passada…

Mina franziu o cenho, perdendo a voz por completo.

-- Hum, será que estou esquecendo alguma vez? -- Ayano falou com a mão no queixo. -- A gente faz tanto que eu até me perco nas contas!

Aquela risadinha debochada da Aishi era simplesmente repulsiva.

-- Inclusive, ele mesmo disse que quer se casar e ter filhos! Não é adorável? -- Ela estava forçando a sua voz mais manhosa. -- Quando ele me falou isso, ele me pegou com tanta vontade que eu pensei que ele queria os bebês naquela hora mesmo!

Mina deixou escapar um soluço, fazendo com que Ayano parasse de falar.

-- Oh… O que é esse rostinho triste? -- Ela forçou uma expressão de pena. -- Oh, não… Você gostava dele, não é mesmo? Desculpe, eu não sabia…

Todo o corpo de Mina Rai tremia, seu rosto estava molhado devido às lágrimas que não paravam de cair. Não estava chorando de tristeza, mas sim de raiva. Ódio.

-- Parece que ele prefere a criatura vulgar e asquerosa à melhor amiga. Digo… Ex-melhor amiga. -- O tom de Ayano era baixo e frio, cortante como uma navalha. -- Isso é tão triste… Midori deveria estar aqui para tocar Despacito.

-- Você é uma pessoa horrível, Aishi. -- Ela finalmente conseguiu falar com a voz trêmula em choro.

Mina deu alguns passos, ficando de frente a ela. Pode olhar no fundo de seus olhos e perceber o quão vazios eram. Negros, sem alma.

-- Muita gente quer a sua cabeça à prêmio… E eu espero que consigam.

Ela se virou e foi embora.

-x-

A chuva caía pesada durante a noite, o estrondo do trovão ecoou ao mesmo tempo do último golpe que Megami recebeu com o cinto. A Saikou se encontrava tremendo, caída no chão. O sangue escorria de seu nariz e pingava no piso de verniz.

Por conta da dor que sentia em seu corpo inteiro, até mesmo se levantar estava sendo difícil. Com muito pesar, caminhou até o banheiro e tentou limpar o sangue que escorria. Teria que chamar um médico, não parava de jorrar.

O seu celular tocou, atraindo a sua atenção. Já sabia muito bem quem era, então atendeu quase que de imediato.

-- Megami? Megami! -- A voz de Osoro passava um misto de medo e alívio. -- Tentei falar contigo o dia todo, você está bem? Ele te pegou?

Megami permaneceu quieta por alguns segundos.

-- … Megami? Alô?

-- Osoro… -- Tremendo, ela abriu um leve sorriso. O sangue voltou a escorrer do nariz até seus lábios. Seu corpo ainda tremia, a chuva caía forte do lado de fora. -- Ela acha que conseguiu me parar, Osoro…

-- O quê? -- Foi impossível para Shidesu não se impressionar com a risada que Megami começou a dar. Nunca tinha a visto daquela forma.

-- Ela realmente acha iria conseguir me vencer com uma fotinha? Uns tapinhas? -- Ela pausou a fala para rir mais um pouco, mais parecendo um misto de ira e deboche. -- Isso aqui não é nada, já passei por coisa pior.

Osoro se calou, escutando o riso eufórico do outro lado da linha. Uma das poucas vezes em que se encontrava sem palavras. Apesar de que sabia que ela tinha razão.

Ayano precisaria fazer muito mais para conseguir parar Megami Saikou.



Notas Finais


this is so sad @MadeofMystery play despacito


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