História LoveSick - Capítulo 36


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Categorias Yandere Simulator
Personagens Ayano Aishi, Budo Masuta, Hanako Yamada, Info-chan, Megami Saikou, Mina Rai, Oka Ruto, Osana Najimi, Rival-chan, Taro Yamada
Tags Ayano X Budo, Budo Masuta, Budo X Ayano, Tragedia, Yukotsu
Visualizações 324
Palavras 4.209
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ecchi, Ficção Adolescente, Hentai, Luta, Romance e Novela, Terror e Horror, Violência
Avisos: Adultério, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Spoilers, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 36 - Capítulo 34 - Mudanças e o Equilíbrio


O escritório de Gyosei tinha tantos objetos eletrônicos que mais parecia pertencer à um dos funcionários da NASA. A cada minuto era um bip diferente, seja do seu notebook da mais última geração da Saikou, seja do aquário com seus peixes das espécies mais exóticas.

Eram duas da manhã quando ele conferiu em seu relógio e já estava em sua segunda garrafa de vinho. Ele fechou o software com as gravações das câmeras, sentindo-se exausto. Gyosei não costuma dormir muito devido o trabalho na empresa -- no máximo umas quatro horas por dia. Mas, devido a toda essa bagunça na Akademi, aquele seu hábito estava começando a pesar suas costas de quarenta e tantos anos.

Após desligar o notebook, deu uma última conferida em seu email pelo aplicativo do celular. Como de praxe, era a mesma coisa de sempre: relatórios enviados pelos setores de outras matrizes; pedidos de entrevistas em programas de televisão;

um grupo de mafiosos pedindo mais dinheiro;

e um spam enviado por um contato não identificado.

O primeiro é o que se é chamado de “Sokaiya”: um grupo de mafiosos -- sendo, no caso dos Saikou, oriundos da própria Yakuza -- formados especificamente para extorquir dinheiro de grandes empresas, normalmente à partir de chantagem. Nesse caso, estão lhe ameaçando revelar ao mundo todos os segredos mais obscuros da Saikou Corp. Desde uma suposta terceira filha assassinada pelo próprio pai Saisho Saikou, aos registros bancárias que Gyosei deixou ao pagar à polícia para que encerrassem o caso de Osana Najimi.

Já o segundo, nem ele mesmo faz ideia do que realmente se trata. Há semanas ele vem recebido e-mails literalmente vazios, em branco, sem nem ao menos um título. Gyosei imaginava que isso nem ao menos era possível, começando até a temer que o autor disso seja um possível hacker que conseguiu burlar o sistema do email. Ele até mesmo contratou um profissional para que tentasse rastrear o remetente através do IP, mas segundo ele, o software simplesmente crashava ao tentar por alguns minutos. Como se o IP registrado simplesmente não existisse, mesmo isso sendo impossível.

Gyosei desligou o smartphone sentindo-se exausto. Ouviu alguém bater na porta e se levantou para abri-la, era a sua esposa.

Eles não costumavam conversar um com o outro, cada um tinha o seu próprio motivo. Mas por conta dos problemas que não paravam de surgir a todo minuto, ambos tiveram que se reaproximar para juntos tentarem encontrar alguma solução.

-- Eles me ligaram de novo. -- Ela começou a falar sussurrando.

-- Provavelmente querem me atingir afetando você. -- Gyosei se encostou na parede. -- Parece que tudo só está piorando.

O clima estava mais pesado que o usual. Isso porque ambos sabiam muito bem o que acontecia caso alguém se recusasse a dar aos Sokaiyas o que eles bem entendem. O papo de revelar segredos era o de menos, eles nunca avisam que a morte também vem como brinde.

-- Você… Tem certeza de que vai ficar tudo bem com o dinheiro? Digo, são três filhos para cuidar, um monte de empregados e as contas de casa. Além… Deles.

Ele depositou um beijo em sua testa, lhe afagando as madeixas negras.

-- Eu vou dar um jeito nisso tudo. -- Ele tentou dizer num tom reconfortante.

Seus olhos então se voltaram aos cabelos longos e lisos dela, cuja raiz loira já estava aparecendo.

-- Trate de retocar a raiz quando possível, eu vou tomar um banho. -- Gyosei lhe dei um último carinho no rosto antes de se virar e ir para o banheiro.

-x-

Foram poucas as vezes em que Taro se sentiu tão perdido ao acordar.

A princípio, sentiu-se totalmente atordoado ao perceber que o teto que avistou ao abrir os olhos não era o de seu quarto. No entanto, aos poucos suas memórias foram voltando e se encaixando, como num quebra-cabeças. Mas, ainda assim, era como se ele estivesse se esquecendo de algo. Como se faltasse uma única peça para todo o quebra-cabeças se completar.

-- Não se preocupe, nós avisamos aos seus pais. -- Budo o reconfortou, olhando-o com um misto de pena e culpa. Ele parecia acabado em ressaca, tão mal que sequer conseguia se lembrar direito do que havia acontecido.

A sala de estar dos Aishis era grande e fria, gelada o suficiente a ponto de que ele, Budo e Raibaru permanecessem enrolados no cobertor enquanto esperavam o café da manhã ficar pronto para só então se arrumarem.

-- Mesmo assim, você definitivamente não está bem. Foi o último a acordar e parece horrível. Espero que você não beba de novo, Taro-kun. -- Por mais sonolenta que estivesse, as palavras de Raibaru lhe atingiram em cheio. Sentiu como se estivesse sem chão. Ele virou o rosto e a olhou com uma expressão incrédula.

-- … Eu bebi?

-- Mas que merda…? Nem disso você se lembra? -- Aquilo só fez Budo se sentir pior ainda. Praticamente forçou sem amigo a beber tanto a ponto de ter uma amnésia. Por menor e inofensiva que fosse, ainda assim era uma amnésia. Não só isso, mas tudo a troco de nada. Taro não era o assassino, como já se imaginava. Tudo o que conseguiram foram um leve receio do conteúdo de humor suspeito que ele consome na internet, algumas fofocas do conselho e uma confissão que só fez o Masuta se sentir ainda pior por ser um bosta de amigo.

-- Eu só me lembro de chegar aqui e jantar, só percebi que dormi aqui quando acordei. -- Taro respondeu ao se afundar no sofá macio e confortável. -- Ao menos não me esqueci da comida, estava realmente deliciosa.

Budo suspirou, ao menos nisso ele concordava.

Mesmo que, aparentemente, toda a situação estivesse sob controle, Taro ainda sentia uma profunda sensação de apreensão. Não pelo fato de que provavelmente passou vergonha na frente dos outros -- isso ele já estava acostumado a fazer -- mas sim pela alta probabilidade dele ter deixado escapar alguma informação sigilosa sobre o conselho.

Ele respirou fundo e tentou se acalmar. Todos ali são seus amigos, por mais que ainda não conhecesse tanto a Ayano, sentia que poderia confiar nela. Parecia inofensiva demais para fazer mal a alguém.

Taro se virou, avistando-a preparando café e chá na cozinha.

-- Ayano-chan… -- Ela se virou quase que de imediato ao ouvir a sua voz, abrindo-lhe um sorriso imenso e acolhedor. -- Eu posso tomar banho primeiro? Eu estou me sentindo meio… Sujo.

-- Own, não tem problema! Você suou muito durante a noite. Efeito da bebida e tudo mais, sabe? -- Ela interrompeu a fala para deixar escapar uma risadinha. -- Vou pegar uma toalha limpa para você.

Ayano foi com o maior prazer até o seu quarto, onde de lá tirou uma de suas toalhas que havia separado justamente para caso esse momento ocorresse. Aparentemente estava limpa, mas ninguém precisava saber que era só aparentemente mesmo. Assim como ninguém precisaria saber que aquela toalha nunca mais seria lavada. Taro agradeceu com toda a sua gentileza e entrou no banheiro. Ayano achou uma pena que dessa vez não poderia espiá-lo.

Quando voltou para a cozinha, pôde perceber que da sala vinham alguns sussurros. Uns mais evidentes que outros. Ela se aproximou de mansinho por trás para analisar o que estava acontecendo. Budo e Raibaru estavam conversando sobre a noite anterior, mais especificamente pelo sentimento de culpa que Masuta sentia enquanto a Najimi tentava consolá-lo.

-- Eu não sei, Rai-chan. Eu me sinto um monstro. Nós não precisávamos ter feito aquilo, tinham formas melhores e mais seguras…

-- Pense que foi algo necessário, Budo-kun. Eu tenho certeza de que ele iria entender. Apesar de que… Tenhamos extrapolado.

-- Mas ele sabe que a gente desconfiou dele, e se ele juntar os pontos e perceber o porquê de ter bebido?

Raibaru moveu os lábios para responder quando sentiu a mão fria e pesada de Ayano em seu ombro, assim como ela fez com Budo ao mesmo tempo. Seus corpos congelaram. A Aishi se inclinou, sussurrando no ouvido de ambos:

-- Nós o chamamos para jantar justamente para tirar toda e qualquer dúvida de que ele é o assassino. Conversamos pacificamente sobre isso e no fim todos nós nos entendemos, o saquê foi uma forma de festejar a reconciliação. Ele ficou tão feliz e aliviado que bebeu além da conta.

Aquelas palavras não pareciam somente uma desculpa inventada para justificar o que ocorreu caso ele lhes perguntasse, mas sim uma verdade absoluta.

Quando uma mentira é contada por muitas vezes, ela acaba se tornando uma verdade. E era essa a impressão que Budo e Raibaru tiveram ao ouvir aquilo. Não era uma mentira que eles diriam somente ao Taro, mas também à si mesmos.

Ayano não pode deixar de abrir um sorrisinho de lado com a forma como Budo se encolheu, mais parecendo um cachorrinho assustado. Ela voltou para a cozinha, não cochichavam ou sussurravam mais.

Tudo estava sob controle.

-x-

Se tem uma habilidade que Ayano mais domina além de mentir, é seguir outras pessoas. Por ter sido rejeitada por todas na infância por ser considerada esquisita, ela teve que aprender a andar pelas sombras. Sempre discretamente para não chamar a atenção dos outros. Nunca pensou que tal habilidade poderia ajudá-la tanto no futuro.

Tirando Taro, Megami Saikou era a única pessoa na escola que ela sabia a rotina de có. Todos os seus horários são pontualmente programados. No entanto, vez ou outra acontecia algum imprevisto que a obrigava a mudar de rota, como é o caso de hoje.

E, para a sua sorte, ela estava acompanhada.

-- Qual é a dessa cara de fome? -- Ayano estava próxima o suficiente para poder entender a voz rouca da Osoro. Mas não o suficiente para que as duas percebessem que estavam sendo vigiadas.

-- Eu só ‘tô muito puta com tudo que está acontecendo. -- Por segundos, Ayano pensou ter ouvido errado. Nunca imaginou Megami Saikou usando um linguajar tão baixo e humano como aquele. Aquilo só reforçou a tese de que ela e Osoro tinham, de fato, alguma coisa. Ayano percebeu que namorados e amigos próximos costumam agir diferente do que agiriam com outras pessoas. O próprio Budo agia de forma bem mais idiota e descontraída quando estava com ela.

-- Deveria tentar se acalmar. -- Elas andaram até o lado de fora, indo para trás da escola. --Já disse que a função de quebrar a escola toda fica comigo.

-- Eu vou ficar maluca, Osoro. -- Megami estava claramente se alterando conforme ia caminhando, por mais que seu tom de voz ainda estivesse baixo. -- Alunos se matando enquanto a conselheira mal dá ouvidos; Info-chan causando mais problemas e despesas para a escola; o desempenho dos alunos indo de mal a pior; aquele maldito Kusha e o meu pai, isso porque eu nem comentei sobre esse uniforme de merda com essa saia obrigatória ridiculamente curta que só tem aumentado o número de assédios e--

Megami foi interrompida por Osoro, que de repente a empurrou contra a parede e depositou um breve beijo em seus lábios.

A saikou abriu a boca para voltar a reclamar, mas era como se as palavras simplesmente tivessem evaporado. Ela aos poucos foi “murchando” até voltar ao seu estado normal, dando até mesmo um sorrisinho fraco. Elas estavam do lado de fora da escola, num lugar afastado. Não faria mal algum, ninguém havia visto, de qualquer forma.

-- Você fala pra caralho, eu já não ‘tava mais aguentando.

-- É, eu sei. Obrigada.

“Eu é quem agradeço…” Ayano pensou enquanto, de longe, observava as duas com um sorriso enorme e o celular em mãos. Já teve a sorte ao seu lado várias vezes, mas nunca esteve tão agradecida como agora. Entretanto, por mais que quisesse muito, não iria postar aquela foto agora. Tudo tem a sua hora certa.

-- De qualquer forma… Que tal sairmos mais tarde para tomar alguma coisa? -- Ayano conseguiu escutar vagamente o que Megami havia dito, mas não com muita clareza. O suficiente para reconhecer que foi um pedido de encontro.

Se ela conseguir gravar aquela conversa, poderia usar aquilo como uma arma secreta. Precisava arrumar alguma forma de se aproximar mais um pouco das duas para que o áudio ficasse nítido.

As duas voltaram a andar enquanto planejavam o que iriam fazer e Ayano precisou andar também, com todo o cuidado para que elas não percebessem nada. O gravador de áudio do celular estava ligado, mas desconfiava muito que alguém conseguiria ouvir alguma coisa ali. Não tinha jeito, teria que se aproximar.

-- AYANO-CHAN FINALMENTE TE ENCONTR-- Budo mal conseguiu terminar de falar, porque sua boca foi tampada pelas mãos dela que só conseguiu agradecer aos seus reflexos rápidos.

-- Você é maluco de ficar gritando com a presidente do conselho estudantil por perto? -- Ayano se virou, tinha perdido as duas de vista. Ela voltou a olhar para ele, que se encolheu com aquele olhar frio e seu vida, mas que era acostumado o bastante para saber quando ela o olhava com raiva.

-- A-Ah, eu não vi que ela estava por aqui… -- Ele coçou a nuca ao responder, como se estivesse recebendo bronca de uma mãe. -- É que eu não te encontrava em lugar algum.

Ayano respirou fundo. Ao menos ainda tinha a foto.

-- O que você quer?

-- A-AH, b-bem, o que eu quero… -- Budo simplesmente travou, como se fosse algo que ele estivesse planejando dizer há tempos, mas que ainda não tinha coragem de dizer. -- Eu queria conversar sobre você, na verdade…

-- Sobre mim? -- Ayano não havia entendido a gravidade daquele assunto. Para falar a verdade, ela raramente entende que tipo de assuntos o afetam, muito menos o porquê de aquilo acontecer. Ela só sabe de eventos chaves, como o da Raibaru e cia.

Budo se encostou na parede.

-- Eu estive pensando sobre a sua condição, a sua… É…

-- Alexitimia.

-- Isso. -- Ele se sentia estúpido, incapaz de dizer uma palavra. Era incrível como Ayano conseguia deixá-lo apavorado mesmo sem dizer quase nada. -- Você… Ainda continua o tratamento, certo?

-- Tratamento? Que tratamento?

-- … O tratamento que você me contou que estava fazendo, que marca as consultas onlines e que por isso sempre está recebendo mensagens.

-- Oh… -- Pelo cenho franzido que Budo fez, Ayano enfim percebeu que precisaria se atentar mais na hora de falar. -- Na verdade, não. Eu não preciso mais de tratamento, eu tenho você. Que é tudo o que eu preciso.

Ela já ia abraçá-lo e se erguer para lhe dar um beijo, mas Budo virou o rosto um tanto descontente.

-- Pois não parece que a minha presença esteja ajudando em algo…

“O que diabos deu nele?”

-- O que quer dizer com isso, Budo?

-- Ayano, eu… -- Ele pausou, escolhendo minuciosamente cada palavra. -- Não me entenda errado, por favor. Antes de você me contar tudo, eu nunca tinha percebido. Mas agora… Parece que a sua condição só está piorando, sei lá…

-- Explique.

-- Eu ainda não entendo muito bem, mas… Empatia é algo importante, e parece que você não sente isso. Não ‘to dizendo que você é uma pessoa ruim, mas… Você deveria se colocar mais no lugar dos outros. Você diz que minha presença “anula” essa sua condição, mas… Não é o que parece.

Ayano começou a andar em círculos, refletindo sobre o que havia acabado de ouvir. Até então, sempre achou que estava fazendo tudo do jeito certo. Mas ver que Budo não era tão cego quanto havia imaginado era preocupante. Chegou a sentir uma certa frustração, por realizar que seu plano perfeito não estava sendo tão perfeito assim.

Em algum lugar, em algum momento, Ayano cometeu algum deslize que Budo percebeu. Mas ela não fazia ideia de onde ou quando.

E era algo que ela precisava saber urgentemente.

-- Por que você está tocando nesse assunto agora?

-- É que… O Taro, você sabe… Eu ainda estou me sentindo péssimo por ter mentido pra ele. Acho que você… Poderia ter se colocado no lugar dele, e no meu também.

Eles ficaram se olhando por alguns segundos, os segundos mais longos da vida de Budo. Nervoso, ele engoliu um seco ao perceber que ela ia começar a falar.

-- Você está questionando o meu plano? -- Sua voz saiu baixa e fria, com o rosto inexpressivo. -- Você está questionando o MEU plano?

Seu tom logo se alterou na última vez, dando lugar a uma Ayano totalmente brava e raivosa.

-- Você por algum acaso teve uma ideia melhor? Acho que não. -- Budo queria se encolher e sair correndo com aquela voz contralto gritando com ele. -- Eu joguei um dia de aula inteiro fora para que tudo desse certo, por ele, por você! Eu fiz toda a parte suja para agora você ousar ME questionar?

-- Ayano, eu realmente admiro você por ter feito tudo aquilo, mas eu ainda tenho o direito de me expressar e acho que aquilo foi muito e--

-- Direito de se expressar é o caralho, eu não deixei você falar. -- Novamente, Budo perdeu a voz. Estava sentindo um misto de medo, culpa, e até mesmo raiva. -- Tudo o que eu fiz foi por você e por ele, você tinha é que abaixar a cabeça e agradecer. Você não tem o menor direito de reclamar de alguma coisa, Budo.

Budo abaixou a cabeça e se calou.

Por um segundo, Ayano pensou que seu plano de desmoralizá-lo até que ele se convencesse de que ela estava certa havia funcionado, mas ele voltou a falar:

-- Mas… Mas ele é o meu melhor amigo.

-- Vai dar pra ele então. Até porque depois dessa você vai estar solteiro. -- Ela se virou e começou a andar. -- Nunca que eu iria ficar num relacionamento onde eu tenho que fazer em tudo para só ouvir reclamações em troca.

Masuta ficou pálido, sentindo-se como se fosse desmaiar a qualquer momento. Ele mesmo ficou surpreso com sua capacidade de não só continuar de pé, como de tentar alcançá-la em passos rápidos, quase que correndo.

-- Não, não, não, não, não. Por favor, Ayano, não. Eu prometo nunca mais fazer isso, eu juro.

O sorriso de canto que Ayano deu saiu quase que de forma inconsciente.

“Funcionou”

-- Eu fui idiota, me perdoa. Eu não estava pensando direito. -- O desespero em sua voz era evidente. -- Nunca mais eu vou te questionar… Só não me deixe, por favor…

O olhar apavorado de Budo se encontrou com o de Ayano, que era indecifrável. Ele não fazia ideia do que esperar.

-- Você sabe que eu não suportaria ficar sem você. -- Ela respondeu com um sorriso largo de satisfação. -- Só não faça mais isso, certo?

Ele balançou a cabeça, concordando calado. Estava com medo demais para falar. Tudo o que fez foi abraçá-la bem forte, como se ela pudesse simplesmente desaparecer se não fizesse isso.

Budo não fazia ideia de quando foi que havia ficado tão dependente dela.

-x-

Talvez pelo seu design ter sido construído justamente por esse propósito, a Akademi parecia muito mais bonita ao pôr do sol. O tom colorido da escola combinava muito bem com o céu alaranjado.

Os poucos alunos que restaram na escola estavam indo embora, dentre eles estava Raibaru, Taro, Budo e, por fim, Ayano. Era como se ela tivesse conseguido entrar para a “panelinha”, tendo sido ela mesma a responsável por juntá-los novamente. Obviamente não estavam todos reunidos, já que ainda faltava a Osana e a Hanako. Uma não poderia estar ali pela diferença de idade, já a outra só existe em suas memórias agora.

Não que Ayano achasse isso ruim. Pelo contrário, estava ótimo daquele jeito. Se não fosse por Raibaru, poderia até mesmo dizer que estava vivendo um sonho.

-- Budo-kun, aquele ali não é o seu irmão? -- Raibaru chamou a atenção dele ao avistar o carro familiar perto da entrada da escola. Ayano logo reconheceu aquela figura adulta encostada do lado de fora do veículo.

Os quatro logo se apressaram para chegar até ele.

-- Yuan! -- Taro foi o primeiro a chamá-lo, correndo até ele sem esconder o sorriso estampado no rosto. Foi só então que ele notou a presença dos quatro ali.

-- Ei, maninho. -- Yuan respondeu enquanto bagunçava o cabelo do Yamada. -- Como você ‘tá enorme… Você e a Rai-chan!

-- É você quem está muito velho, seu maldito. -- Budo fez uma cara feia pra ele. -- Ah, Taro. A vovó foi lá em casa esses dias, ela perguntou de você.

-- A vovó está bem? Eu preciso visitar vocês mais vezes…

-- O que está fazendo aqui, Yuan-kun? -- Raibaru perguntou.

-- Eu só estava passando por aqui e decidi buscar o dìdi.

Budo franziu o cenho. Conhecia o irmão o suficiente para saber quando ele estava mentindo.

-- Gēge… O que foi que você fez?

-- Perdi as chaves de casa.

-- Sabia, idiota! -- Ele deu um sorriso de vitória enquanto procurava as suas chaves dentro do bolso da calça. -- Só mesmo sendo um cabeça oca pra perder as… chaves.

-- Nee, Budo-kun baka! -- Raibaru deu um soquinho no braço dele. -- Você perdeu as suas chaves também?

-- Eu devo ter confundido com as chaves do clube e entregado para a Megami, tá? Acontece sempre… -- Budo respondeu com um leve rubor em seu rosto. Na verdade, era a primeira vez que aquilo lhe acontecia, já que sempre foi muito responsável e cuidadoso com tudo. O que aconteceu foi que ele ainda estava atordoado demais com a briga que teve com Ayano mais cedo para prestar atenção em qualquer outra coisa.

-- Tem certeza que deixou com a Megami? Pode ser que você tenha esquecido no terraço quando a gente ‘tava almoçando… -- Taro argumentou.

-- Acho melhor nós irmos procurarmos, p’ra tentar achar mais rápido. -- Raibaru respondeu, com os outros dois concordando com a cabeça. -- Você vem com a gente, Ayano-chan?

-- Estou bem aqui.

Ayano e Yuan observaram os três se afastarem. Os dois permaneceram em silêncio. Ayano aproveitou a oportunidade para reparar em alguns detalhes que não havia reparado antes sobre ele, como a grande quantidade de tatuagens que ele tinha. A que mais lhe chamou a atenção foi uma de Yin Yang, o mesmo que o Budo tem estampado na sua faixa de líder. No caso, a tatuagem não estava completa. Yuan tinha somente o lado pintado de branco.

-- O que esse símbolo significa? -- Ayano chamou a atenção dele, que estava distraído.

-- Essa tatuagem? Bem… Ela… -- Ele suspirou, coçando a nuca enquanto ria um tanto sem jeito. Ayano não pode deixar de perceber o quanto ele se parecia com o Budo ao fazer aquilo. --  É algo meio pessoal e constrangedor, pra falar a verdade. Mas acho que não tem problema eu contar…

Ayano se virou para ele, trocando o peso do corpo de uma perna para a outra.

-- Eu era bem novo e idiota… Eu tinha dois amigos na época de escola, éramos amigos de infância, pra falar a verdade…-- Ele pousou a mão no queixo, tentando se lembrar dos detalhes. -- Um deles era mais velho e se formou primeiro, então só sobrou eu e esse cara. Decidimos fazer nossa primeira tatuagem juntos, escondidos, obviamente. Ele ficou com o Yin, e eu com o Yang. São, tipo… Lados totalmente opostos, mas que juntos formam o equilíbrio.

-- Parece algo muito bonito. -- Ayano comentou. Yuan, em resposta, mexeu a cabeça em forma de negação.

-- Não… Eu me arrependi de ter feito ela. -- Ele pausou, como se estivesse em dúvida se deveria falar ou não. -- O irmão mais novo dele costumava fazer bullying com o Budo, um dia eu fui conversar com ele sobre isso e percebi que ele tava completamente diferente, cheio de tatuagens e tal… Foi quando eu descobri que ele conseguiu entrar p’ra Yakuza.

-- O irmão de um dos delinquentes é da Yakuza? -- Ayano exclamou.

-- Shh, não diga isso muito alto… -- Yuan suspirou. -- Os pais dele morreram do nada e ele teve que se virar p’ra cuidar do irmão mais novo, só não esperava que ele fosse virar um… Criminoso. O mais velho virou um policial foda, eu segui meu sonho de me formar em Artes Marciais, mas ele…

-- É uma pena. -- Foi tudo o que Ayano conseguiu dizer.

-- Sim, nós nunca mais nos falamos. -- Ele respirou fundo. -- Eu ficaria bem mal se isso acontecesse com o Budo também… O Taro é quase da família. Ele mudou muito desde que se conheceram…

Ayano olhou de longe, os três já estavam voltando. Raibaru ria enquanto olhava os dois garotos conversarem, trocando alguns tapas e chutes.

-- Não acho que algo de ruim vá acontecer…

-- Ele mudou muito depois que te conheceu, também. -- Yuan acrescentou. -- Digo, não sei exatamente quando vocês se conheceram. Mas ele parece mais… Feliz. Sei lá, alguma coisa nele mudou.

“Alguma coisa nele mudou”, Ayano manteve aquela frase em mente.

Pois sabia que era verdade.


Notas Finais


Eu sei muito bem que não vou conseguir atualizar antes do dia 10, então já vou logo me adiantando.
Praticamente um ano atrás, eu enviei aqui o prólogo de LoveSick. Tipo... Um ano. Parece que foi ontem. Eu mudei tanto em tantas formas que é impossível dizer que é a mesma pessoa. Eu tenho muitas coisas pra falar, coisas que eu prefiro guardar para dizer quando eu finalmente encerrar a fanfic. Mas por enquanto eu só gostaria de agradecer a todos vocês por estarem comigo durante todos esses meses.
Vocês não tem noção de quantas vezes eu já madruguei lendo os comentários de vocês simplesmente pq sabia que, ao ler, eu me sentiria melhor. O spirit e Yandere Simulator trouxeram pessoas incríveis para a minha vida e, por mais que essa fanfic não seja lá o meu maior orgulho, posso muito bem afirmar que foi começar a escrevê-la foi a melhor escolha que eu já fiz nesses últimos tempos, que tem sido tão difíceis.
Sei que alguns de vocês eu ainda não respondi, mas saibam que sempre leio tudo com muito carinho. Amo os meus leitores.
Obrigada por tudo, até o próximo capítulo. <3


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