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História Loving is easy - Capítulo 22


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Notas do Autor


Dois em uma semana?
olha só que milagre!
boa leitura, mozis❤️

Capítulo 22 - A dancer


 Emma

Mais um mês se passou e sinto como se estivesse presa à algo que não consigo sequer definir. Graham havia se instalado muito bem em sua nova residência, Candace se mudou para uma casa localizada três quarteirões depois da minha e minha relação com Regina não poderia estar melhor. Não conseguíamos nos ver todos os dias, afinal ela estava muito ocupada com o trabalho e as saídas de Henry com o pai. O garoto já havia visitado a casa do pai umas duas vezes, e desde então é tudo que ele fala. Havia conhecido os avós, a casa grande com piscina e parquinho, o cachorro chamado Bethoven e até uma pizzaria que amou de primeira. Como um desses dias que não conseguimos nos ver, estávamos agora ligadas em uma vídeo chamada. Regina vestia o pijama, enquanto eu lia algo em meu computador.

-...não sinto que foi um erro, só acho que ele ainda não está pronto para uma mudança tão...Emm?

-Ahn? Oi? Eu.

-Você está me ouvindo?

-Ehr, sim. Estávamos falando sobre Henry, continue, por favor. -Minha concentração estava no anúncio em minha frente. Uma das maiores escolas de Balé do país estava lançando um concurso para jovens amadoras no balé. As cinco primeiras fases seriam realizadas na cidade mesmo, já a última, em Miami. Meu coração estava à mil por hora, mas não podia.

-Você está aérea. Quer me contar o que está acontecendo? -Pigarreo, desviando os olhos da tela do computador, e fitando os seus pela tela de meu celular.

-É só um anúncio de um concurso de balé qualquer. Nada demais.

-Nada demais? Como assim? Deixe-me ver. -Viro a tela para ela, que põe o óculos de grau e lê tudo com um sorriso enorme nos lábios -Meu bem, isso é incrível! Você, com certeza vai arrasar!

-Como assim, vou?

-Você vai se inscrever, não vai?

-Não, claro que não. Não treino há anos, Rê, não estou mais na forma. -Regina arquea suas sobrancelhas bem desenhadas, me fazendo rir pelo olhar irônico.

-Acredite em mim, você está bem na forma. -Reviro os olhos, rindo.

-Vou pensar, está bem?

-Já é um começo...

-Enfim, conte-me mais sobre o Henrs e o pai embuste. -Ela me dá língua, para então voltar a falar sobre toda a situação de Henry estar cada vez mais querendo uma reaproximação em sua cidade natal.

Passamos a noite falando sobre bobagens, enquanto ela digitava furiosamente em seu computador, toda concentrada no trabalho, junto de seus óculos que a deixavam ainda mais sexy.

Pego no sono ao ouví-la cantar Your Love baixinho para mim. 

Acordo de supetão, quando sinto cutucões em meus ombros e costelas. Eddie e Dani me olhavam com seus enormes olhos verdes e travessos.

-O que vocês querem?

-Está na hora da corrida, Ma. -Faço uma careta, sem entender nada, afinal, em meu subconsciente, ainda estava super dormindo.

-É, Ma! Vamos logo, antes que fique tarde para você ir trabalhar. -Acho que esse era Daniel, bom, não tenho certeza.

-Ainda está cedo. Vão dormir.

-Por favor, Ma. Quem fazia isso com a gente era o Grahs, mas agora que ele não está mais aqui...

Okay, apelando para o emocional.

Esses pirralhos são espertos!

-Okay, okay. Vou me trocar, saiam daqui.

Eles saem correndo, animados.

Fito a hora no relógio, e praguejo baixinho. Cinco e meia da manhã, e eles já estavam com a corda toda.

Tomo um banho gelado para acordar, visto um conjunto de moletom cinza, prendo meus cabelos em um rabo de cavalo e desço as escadas rapidamente, sorrindo de lado ao sentir o cheiro bom de panquecas.

-Olha só, a bela adormecida não acordou atrasada hoje.

-Rá, muito engraçado, dona Mary. -Deixo um beijo no rosto de minha mãe, que ria de minha cara de poucos amigos -Onde está Lilly?

-Aqui. Aqui. -Lilou entra na cozinha, totalmente uma bagunça. A gravata do uniforme desamarrada, a blusa desabotoada, cabelo assanhado e tentando amarrar os cadarços.

-Uau, bom dia?

-Dia. Acordei atrasada.

Os gêmeos riam, tampando a boca e cochichando entre si.

-Que horas estava no seu relógio, mana? -Questiono, enquanto ela arrumava a gola de sua blusa.

-Sete e dez. -Foi o gatilho para a risada deles aumentar, e o olhar severo de nossa mãe fazê-los se calarem. -Pestinhas! 

-Desculpa, Lilly.

-Estávamos entediados!

-Ah, mas não seja por isso. Tem vários pratos sujos para vocês lavarem aqui, hum? -Minha mãe fala, e eles coram, forjando uma tosse mais falsa que a lente azul de Kilian.

-Não estou te ouvindo, mãe.

-Vamos, Ma! Está na hora da nossa corrida! -Eles me puxam para fora, sem me dar a chance de terminar minha perfeita panqueca com mel.

Corremos devagar até o parque. Eles dão mais algumas voltas, conversando animadamente, enquanto eu esperava no banco, observando-os de longe.

-Bom dia, cunhadinha!

Tomo um pequeno susto ao ouvir a voz estridente da minha ruivinha favorita. Zelena me sorria grande, cabelos presos e bochechas rosadas pelo calor.

-Hey, Zel! Bom dia, como está?

-Estou bem. Não sabia que corria, principalmente nesse horário. -Faço uma careta, fazendo-a rir.

-E não corro. Hoje foi excessão, os pirralhos ali estavam precisando sair da gaiola! -Aponto para os dois que brincavam de pega-pega entre si. Ela ri.

-Ah, claro. Você é ótima. Bom, preciso ir, Regininha não sai para trabalhar sem meu café. -Sorrio.

-Adorável. Tenha um bom dia.

-Você também.

Zelena corre até sua casa, enquanto eu passo mais uns minutinhos com os meninos.

(...)

-Eu aposto cinquentão.

-Eu aposto o dobro!

-O que vocês já estão apostando aí, ein? -Jogo o pano na cabeça de Kilian, que devolve e arruma seu cabelo com o maior cuidado do mundo. Reviro os olhos para evitar de expulsar os dois dali.

-Que aquele cara ali é gay. -Ruby aponta com a cabeça para o homem no canto da floricultura. Ele estava na sessão dos girassóis, olhava com uma admiração crescente.

-Eu acho que é, já Rubs acha que não. -Kilian explica e eu bato na cabeça dos dois.

-E eu acho que você deveria ir trabalhar, e você também, Jones!

-Ai, grossa!

-Vai atender a moça na sessão dos lírios, Lucas. Vou atender o moço dos girassóis. -Eles trocam um sorriso cúmplice como quem dizia que iria descobrir agora qual das teorias estava certa. Me aproximo devagar, pigarreando para não assistá-lo -Girassol é uma ótima escolha!

-Oh, perdão, não sabia que deveria chamar um de vocês para a escolha. -Ele tenta se justificar, mexendo as mãos de forma excessiva. Kilian deveria estar se coçando agora.

-Ah, não tem problema. Só estou aqui para ajudá-lo se estiver indeciso. Qual a ocasião? Presentear namorada?

-Na verdade, sim. -Bingo, Rubs -Ela está chegando na cidade hoje, vai participar de um concurso famoso que terá aqui. -Arqueo a sobrancelha.

-Ah, é?

-Sim, ela é uma ótima bailarina. Sei que sou suspeito a falar, mas ela é realmente muito boa. Faço questão de vê-la ensaiar toda semana, seja por Skype, seja olho por olho. E amanhã teremos nossa primeira noite juntos em um mês separados por um oceano.

-Uau, que...intenso. Merece uma flor de significado grande, não acha? -Ele sorri, afirmando- O cravo branco é uma ótima opção. Significa amor puro e latente, a entrega e a liberdade. O que acha?

-Acho ótimo. Realmente.

-Que bom. Então, vai levar quantas?

-Quero um buquê, por favor.

-Okay, o senhor pode esperar ali, por favor. Vou separar, e em um instante lhe trago.

-Está bem, e...hey! 

-Sim?

-Você tem muita cara de bailarina, moça. -Sinto meu rosto arder em vergonha -Estou certo?

-Dançarina de chuveiro, na verdade. -Rimos juntos -Mas valeu a tentativa.

Separo seu buquê de Cravos e ele paga, deixando até gorjeta e um olhar simpático para Ruby e Kilian, que me olhavam com espectativa.

-Hétero.

-AH RÁ!

-Idiota.

O dia passa mais devagar do que imaginei. A floricultura estava cheia, parece que todo mundo combinou um mesmo dia para reabastecer o estoque, por isso, mal pude pegar meu celular. Kilian até nos ajudou em algumas entregas, já que um entregador só não estava dando conta.

Quando o relógio marca 21:40, Ruby diz que realmente precisava ir embora, e peço desculpas por tê-la segurado mais que o devido. Kilian me oferece uma carona, mas digo que vim de bicicleta, e recuso.

Eles vão embora, me deixando sozinha, com pensamentos a mil. Será que aquele homem havia sido um sinal? Bom, eu não acredito nesse tipo de coisa, não é?

De fato, não acreditava. Isso, até se tratar de algo que, talvez em meu subconsciente, eu quisesse demais.

Tiro a poeira de um rádio que descansava há um tempo no canto da floricultura e aperto o play, sorrindo de lado com a musica que tocou.

Tiro meu suéter e meus sapatos, ficando apenas de regata e calça jeans. Prendo meus cabelos em um rabo de cavalo mal feito e suspiro, ouvindo os primeiros acordes e relembrando dos passos que havia feito em meu quarto, anos atrás.

▶️Broken-Isak Danielson

Essa música sempre me fazia chorar. Meus passos eram firmes, bem marcados e um pouco desengonçados, já que não os repetia há tempos. Era como se a música e a dança fosse tudo que eu precisava ali, agora e sempre. Meu corpo fluía como se eu nunca, de fato tivesse esquecido de nada. Minha lágrimas caíam tão rápido quanto meus pés se moviam, e meus braços realizavam os movimentos descritos.

Já no final, dou uma estrelinha sem as mãos, para então a música parar e eu perceber que os soluços que estava ouvindo, eram meus.

Palmas e um par de olhos castanhos me assustam. Regina me olhavam com olhos arregalados e marejados e um sorriso enorme nos lábios.

-Rê? Está aqui há quanto tempo? -Questiono, enxugando minhas lágrimas idiotas. Ela se aproxima de mim, selando nossos lábios em um beijo demorado e doce.

-Meu amor, você é incrível!

-Desculpe?

-Por favor, se inscreva naquele concurso. Nunca tinha visto alguém se doar tanto assim na dança quanto você. Me perdi durante a música inteira. Você se doa totalmente, e é... indescritível a sensação. -Nego algumas vezes.

-Você só está falando isso porque é minha namorada. -Ela ri, mordendo o lóbulo de minha orelha, me fazendo arrepiar toda.

-Também. Você já se viu dançando?

-Já. Há anos atrás.

-Pois então, eis uma nova atualização: você continua impecável. -Ela morde os lábios, me olhando cheia de esperança -Ein? Diz que sim, diz que sim.

-Está bem. Hoje mesmo vou fazer inscrição. -Me dou por vencida, gargalhando quando ela começa uma dancinha da vitória.

-YES! MEU DEUS! Acho que vou mandar fazer umas blusas, oh, e uns bonés! Henry ficaria uma graça com um boné com o seu rosto ne...-A interrompo, puxando-a contra meus lábios.

-Você poderia usar essa boquinha para fazer outra coisa, hum?

(...)

-Que bom, filha. Fico muito feliz por isso, de verdade. -Estava contando para dona Mary que havia feito minha inscrição ontem à noite, com uma Regina animada no telefone.

-Bom, ainda não é nada demais, sabe? Os testes para a primeira fase começarão daqui duas semanas, então preciso começar a me preparar.

-Você quer retomar às aulas? Posso conseguir alguém para te substituir esse tempo que passará fora. -Sorrio de lado.

-Na verdade, posso falar com Kilian, ele estava precisando de algo para ocupar a mente agora, a faculdade não anda muito bem, sabe?

-Entendi. Bom, se der certo para ele, por mim está tudo bem. Diga também que se ele precisar conversar, estarei à disposição.

-Direi. -Deixo um beijo em sua cabeça, quando ouvimos a porta bater, e o furacão Lilly correr escada acima.- Vou lá falar com ela, pode deixar.

-Obrigada, querida.

Subo as escadas rapidamente, ouvindo algo quebrar no quarto de Lilly. Entro sem bater, arregalando os olhos ao ver seu abajur despedaçado no chão.

-Lil? O que aconteceu?

Seus olhos estavam inchados e vermelhos, e um corte em seu supercílio me fez arregalar ainda mais os olhos.

-Meu Deus, Lilou!

-Os pais da Maggie descobriram tudo.

-Merda.

-Sim, foi uma merda grande. Eles foram buscá-la na escola, e a levaram pela orelha e tudo. Fui ter a pior ideia do mundo, e saí da escola com minha bicicleta. Quando cheguei na casa dela, o pai dela me atendeu com a pior cara do mundo. Eles bateram nela...

-Alguém tocou em você?

-Não! Foi eu. Acabei caindo da bicicleta na volta, estava me tremendo muito. -Aperto-a em meus braços, sentindo seus ombros tremendo pelo choro abrupto. Meu coração quebrou em mil pedacinhos ao vê-la daquela forma.

-Sinto tanto que tenha que passar por isso, meu bem. De verdade.

-Eles...eles nem quiseram ouvir nada de mi-mim. Eles batiam tanto, tanto nela, Emm. Maggie estava tão assustada, e só de pensar que eu fui a culpada...

-Hey, hey! Você não foi a culpada de nada, ouviu? Vocês se apaixonaram, isso não é pecado algum, apesar de alguns ignorantes não reconhecerem isso.

-Se eu não tivesse me aproximado, chamado ela pra sair...

-Você trocaria todos os momentos bons que tiveram, por uma mentira? -Ela suspira, fitando as mãos que estavam em cima de sua saia suja de lama.

-Não. Não mesmo. Eu a amo. Demais.

-Eu vi pelo mosquito que te picou aí no pescoço. -Brinco e ela cora.

-Meu Deus! Você viu?

-Até Regina conseguiria ver lá da casa dela. Isso aí está enorme! -Ela põe as mãos no rosto e eu gargalho alto -Não se preocupe, te ajudo a esconder da mamãe.

-Obrigada.

-Não precisa...

-Não, sério. Muito obrigada por tudo. Você tem me ajudado tanto, não sei o que seria sem você! -Meus olhos marejam quando ela me abraça. Minha bebê estava tão grande.

-Sempre que precisar, pirralha. Hum, agora preciso ir terminar  algumas coisas e ensaiar um pouco. Vai ficar bem?

-Sim, vou. E...ensaiar?

-Entrei em um concurso idiota.

-Oh, Deus! Então quer dizer que a famosa Emma Swan vai voltar para suas sapatilhas? -Reviro os olhos.

-É, ela vai.

-Mal posso esperar.

-Não crie tantas expectativas, pirralha.

-Tarde demais...


Notas Finais


https://youtu.be/QieQqWDSoKE
o vídeo da "Emma" dançando.
obrigada pela leitura, espero que tenham gostado.
até a próxima?❤️❤️


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