1. Spirit Fanfics >
  2. Loyalty >
  3. Dying For You

História Loyalty - Capítulo 22


Escrita por:


Notas do Autor


Olá, como vocês estão? Gente, avisando que eu leio TODOS os comentários de vocês, mas muitas vezes não consigo responder por quê o Social não deixa, mas cada comentário me diverti muito e eu amo ler eles. Gratidão por tudo! E boa leitura!

Capítulo 22 - Dying For You


Fanfic / Fanfiction Loyalty - Capítulo 22 - Dying For You

Los Angeles, Califórnia.

Point Of View's Willowdean Lawson, 'Lottus'

— Por quê diabos você está chorando pra cima e pra baixo? – Meu pai perguntou, embolado pelo álcool, carregando uma garrafa de cerveja quando deslizou sentando-se do meu lado.

— Milles e eu brigamos. – Apenas de falar o seu nome outras lágrimas voltaram a cair. — Parece que tudo o que eu faço é errado.

— Então termina com ele.

— Mas eu o amo! – Meu pai riu, na verdade, ele gargalhou me deixando puta da vida.

— Vocês jovens não sabem o que é amor ainda, florzinha.

— E você sabe? – Grunhi.

— Não, mas se um cara te faz chorar o tempo todo, algo de errado não está certo. Ou seria algo de errado está certo? Puta merda! – Se embaralhou nas palavras e começou a balbucinar. — De qualquer forma, beba. Aguentar a vida sóbrio é uma merda!

— E por quê isso me ajudaria?

— Não vai. – Riu e ofereceu a garraga de cerveja para mim. Mesmo relutante, aceitei e ingeri meu primeiro gole.

Desceu como merda.

Aquele foi um dos poucos momentos que meu pai me aconselhou em algo e provando ser irresponsável, ainda aconselhou errado. Claro que eu bebia aos meus 16 anos em festas com Milles, mas nunca de tropeçar nas próprias pernas e dormir na privada.

E eu tive meu primeiro porre naquele dia. Com o meu pai. E acordei como se mil elefantes tivessem feito sapateado na minha cabeça. Foi a pior experiência da minha vida. Eu continuei chorando por Milles, vivendo um relacionamento tóxico e bebendo cada vez mais.

O primeiro tapa não foi o suficiente para me acordar. Eu precisei de muitos outros mais. Até me olhar no espelho, tentando encobrir os hematomas aos 17 anos e perceber que não podia mais ser aquela garota. Não poderia mais viver naquele lugar, daquela maneira.

Eu parti. Jamais bebi novamenfe como meu pai ou usei drogas como meus irmãos. Eu tinha meus vícios, mas me recusei a ser como o meu passado.

Fodida, porém não totalmente.

Bebi outro gole da cerveja, com as pernas cruzadas no sofá do escritório de Bieber, enquanto todos estavam falando sobre Ivanoff e seu sumiço. Eu sentia seu olhar queimando sobre mim e ignorava completamente, perdida nas malditas lembranças.

O som do celular tocando na mesa de Bieber fez todos se calarem e eu finalmente despertar.

— É ele. – Bieber me encarou, novamente indiferente e estendeu o celular em minha direção.

Peguei o mesmo, devolvendo o olhar e atendi a chamada de Ivanoff.

— Dimitri?

— Moya lyubov'! – Sua voz forte carregada pelo sotaque russo soou. — É muito bom escutar sua voz. Eu senti sua falta.

— Onde esteve? Eu fiquei tão preocupada!

— Eu estou bem, querida. Está tudo bem agora!

— Nunca mais me assuste desse jeito! Pensei que... Que... – Embarguei minha voz.

— Shii, querida. Eu estou bem, mas morrendo de saudades. Lottus, preciso de você ao meu lado.

— Também estou com saudades. Onde está? Eu posso ir aí agora!

— Eu vou te enviar um endereço, um dos meus homens irá te buscar na metade do caminho e levar você para mim.

— Certo! Certo! Você tem certeza que está tudo bem? E-Eu tentei te avisar sobre o ataque, mas tudo aconteceu muito rápido.

— Não se culpe, amor. Você não tinha como saber. Mas posso te prometer algo: O fim de Bieber está mais próximo do que você imagina.

— Eu espero que sim, não consigo ficar mais um segundo sequer nesse lugar!

— Iremos conversar quando estiver aqui. Um homem meu de confiança irá te buscar, não se preocupe se ele cobrir seus olhos até chegar no local, é apenas por segurança.

Engoli á seco, encarando Bieber.

— Okay.

— E Lottus?

— Sim?

— Eu tenho um presente para você.

— Um presente?

— Sim. Tenho certeza que irá gostar. – Riu e minhas mãos ficaram trêmulas com seu riso medonho. — Venha com cuidado.

— Eu vou.

— Até mais, querida.

Joguei-me no sofá ao lado de Ariel, com meu coração correndo como louco e eu estava segurando o celular em choque. Sem dúvidas ele iria me matar. Era isso.

O meu fim.

Massageei minha garganta, sentindo-a apertada de repente.

— Eu já vejo a luz no fim do túnel. – Murmurei.

— Ele não teria coragem de te matar. – Blake disse, me surpreendendo. — Não agora.

— Ótimo!

— Você sabe o que fazer caso sentir que Ivanoff está desconfiado, quando enviar o código, imediatamente iremos em sua direção.

Ri, pegando minha garrafa de cerveja e bebendo o restante.

— Eu estarei morta quando conseguirem chegar lá. – Bufei e todos continuaram em silêncio.

Por dentro, estava revendo os prós e contras de estar nesse plano, principalmente agora que tudo estava ficando intenso pra caralho. Sempre fugi, em todas as situações da minha vida e eu não fugiria dessa vez.

É isso! Foda-se! Meu subconsciente disse.

— Dane-se! Já enfrentei momentos piores do quê esse e Ivanoff não será o primeiro a querer me matar. – Levantei, com o pingo de coragem que ainda me restava.

— Você não precisa continuar senão quiser, Lottus. – Justin disse, de maneira mansa e eu desejar manda-lo tomar naquele lugar.

— E perder a oportunidade de beijar o Diabo dos olhos azuis? – Debochei. — Nunca. Eu vou até o final agora.

Bieber não havia dito, mas seu olhar estava claro. Cintilando em puro ódio, a voz de Dimitri havia descarregado uma energia em seu corpo e ele não precisou dizer nada para que eu soubesse que deveria continuar. Ele esperou anos por sua revanche, para vingar a morte de Leslie e Emily, e estava tão perto disso que eu sabia que Bieber faria o possível e impossível para destruir Ivanoff. Conheci muitos homens com o mesmo olhar de sede de sangue.

O olhar de quem jogaria sujo se precisasse. De quem sacrificaria a própria rainha para vencer a batalha.

Ainda que o momento de nós dois vivesse em minha mente, a humilhação de horas mais tarde também. Mal conseguia encara-lo. No entanto, faria jus ao meu nome de rua e mentiria brilhantemente como sempre havia feito para sobreviver.

Dei ás costas para a equipe e saí do escritório do chefe, um carro me esperava e não demorou para que eu estivesse novamente na estrada, seguindo o endereço que Ivanoff enviou por mensagem.

Estava preferindo dirigir em direção ao Sete Pele russo do quê estar debaixo do mesmo teto de Bieber. Isso não era a atitude mais madura do mundo, no entanto era a minha forma de respirar novamente. Ainda que não fosse sua culpa ou minha. Naturalmente aconteceu. E naturalmente foi destruído. Contudo, eu estava certa sobre não sermos feitos um para o outro.

O que você esperava? Flores e chocolates? Meu subconsciente debochou.

Eu não esperava nada dele, assim como nunca esperei de ninguém.

— Estou me tornando a rainha do drama. – Grunhi.

Não demorou para que eu estacionasse o carro, no meio da estrada deserta enquanto outra SUV estava estacionada há poucos metros de distância. Eu desci do veículo e o homem de Ivanoff também, vestido de preto e com uma grande tatuagem em seu rosto, ele tinha todas as outras características do restante dos seus seguranças.

Um olhar amaldiçoado, de quem carregava muitas mortes nas costas.

— Lottus? O chefe me pediu para guiá-la.

— Sou eu. É muito longe?

— Não estou autorizado a dar informações, senhorita. E precisarei venda-la. – Falou seriamente.

— Certo. – Cocei a garganta. — E o meu carro?

— Deixaremos aqui.

— Ok, vamos fazer isso. – Virei de costas para ele e o mesmo passou a venda pelos meus olhos, os cobrindo e colocou a mão em minhas costas para me guiar. — Parece um teste de confiança e eu sou péssima nisso.

Disse caminhando como uma tartaruga, e eu estava admirando a paciência do segurança de Ivanoff.

— Desculpe estar te dando trabalho, provavelmente você gostaria de estar em uma missão melhor.

— A senhorita será um dia a esposa do chefe, a Senhora Ivanoff e primeira dama da Bratva. Para mim é uma honra fazer qualquer coisa que o chefe me mande fazer. – Aqueles palavras me causaram um forte arrepio.

— Bratva? Pensei que Dimitri estivesse banido.

— Ele conversará com a senhorita assim que chegar. – O segurança deu índices que não aprofundaria o assunto e eu aceitei.

— Okay.

Eu entrei em seu carro, sentando no banco de trás e por longos minutos estivemos percorrendo a estrada. Podia não ser uma das pessoas mais inteligentes do mundo, mas eu conhecia as ruas e um carro. Havíamos corrido cerca de dez ou onze quilômetros desde que permiti ser vendada por ele. O caminho sempre reto e sem curvas.

Em seguida, o som da estrada de terra ficou mais clara de se ouvir e paramos. O segurança me retirou do carro delicadamente e me guiou em direção a um lugar. Não demorou para que eu entedesse ser um galpão.

Escutava o som de falatório. O ronco de motores.

O cheiro de gasolina, querosene e álcool. E... comida.

Todos conversando no seu idioma natural entre si.

Subimos uma escada e o homem deu batidas na porta, eu escutei a voz de Ivanoff autorizando sua entrada. A porta foi aberta e mais cedo, fechada.

Eu estava sozinho. Com Ivanoff.

— Bogom! (Por Deus!) – Rosnou, me fazendo pular no lugar de susto e senti seus dedos gélidos tirarem a venda dos meus olhos. — Esse filho da puta não sabe fazer nada direito. Sinto muito pelo tratamento, querida.

Eu abri meus olhos, encarando o Diabo das íris azuis. Seus cabelos estavam cortados, mas não muito. E Ivanoff estava exalando confiança ao meu redor. Havia uma frieza a mais em seus olhos, mas não quando me encarou. Sua expressão dura mudou para feliz e aquela foi a porra mais bizarra que eu já havia presenciado.

Ele era fácil de ler e isso me deixava relutante. Um homem como ele jamais seria fácil, em qualquer sentido.

Não precisei dizer algo para que Ivanoff acariciasse o meu rosto, delicadamente, sem quebrar o contato visual.

— Você está ainda mais linda.

— São os seus olhos, babe. – Dei de ombros e o mesmo riu. 

Avaliei o quarto, percebendo que era enorme. Na verdade, era um quarto escritório. Simples, mas ainda sofisticado.

Dimitri me puxou, para um sofá no canto do quarto e nos sentamos.

— O que aconteceu com você?

— Comigo? Eu quem deveria estar lhe perguntando isso, você desapareceu.

— Eu estou bem. Mais vivo do que nunca.

— Onde esteve? Eu fiquei muito preocupada!

— Me recuperando. – Ficou de pé, caminhando em direção ao pequeno bar no seu quarto e serviu-lhe um uísque. Ivanoff deu um grande gole, antes de deixa-lo sobre a mesa e tirou seu paletó, me deixando em choque. — Me recuperando disso.

— Puta merda.

As palavras voaram dos meus lábios quando vi as marcas que o fogo deixou em sua pele. O braço esquerdo de Ivanoff estava completamente em cicatrizes, pegando parte do seu peito e suas costas. Eu estava tão perplexa e assustada, no entanto vi seu olhar vacilar em insegurança e me levantei, ficando cara a cara com ele.

— Não deveria ter me escondido isso.

— Não queria ver exatamente esse seu olhar.

Balancei a cabeça, sentindo meus olhos marejarem. E aquilo não era mais um teatro meu, realmente estava magoada pelo o que Bieber havia feito com Ivanoff e ainda mais por Dimitri considerar que eu poderia o rejeita-lo. Uma primeira lágrima solitária escorreu, mas não a última. E a única coisa que fiz foi abraça-lo.

Eu era um coração mole.

— Você ainda é maravilhoso para mim. – Dessa vez eu precisei usar todo o meu espírito artístico para que aquelas palavras soassem verdadeiras. Inclinei-me e delicamente, beijei seu peito, coberto pelas queimaduras.

— Lottus, eu preciso te dizer algo. – Segurou minhas mãos contra o seu corpo com cuidado.

— Sabe que pode me dizer o que quiser, babe.

Ivanoff sorriu e as palavras que escorreram de seus lábios me deixaram paralisadas.

— Eu estou apaixonado por você.

Puta que pariu.

Puta que pariu!

PUTA QUE PARIU!

— Jamais, em toda a minha vida, conheci alguém como você. Desde a primeira vez que coloquei meus olhos em você, eu soube que não poderia te deixar escapar. Mas você estava com Bieber, trabalhando para ele, no entanto, vi nos seus olhos que você o odiava assim como eu e quando venho até mim, tive ainda mais certeza.

— Certeza?

— De quê somos perfeitos um para o outro.

— Somos? – Repeti.

Ivanoff riu da minha reação, afastando-se.

— Sei que é precipitado, mas queria lhe dar um presente. Você não precisa me dizer nada agora, sei que não é o momento. – Afastou-se e pegou uma caixa de veludo sobre a mesa.

— Presente?

Cale a porra da boca, Willowdean! Meu subconsciente gritou.

Dimitri abriu a caixa preta, revelando um anel de diamante, cravejado de outros ao redor. Haviam tantos quilates naquela jóia que meu cérebro parou de raciocinar. Era lindo, absurdamente lindo. Nem nos meus sonhos mais quentes poderia imaginar ver um desse, muito menos usar. E todos os alertas da minha mente explodiram ao perceber que se parecia com um anel de noivado.

— Você está me pedindo em quê?

— Apenas quero que aceite.

— Aceitar o quê? – O encarei, abobalhada.

— Ser minha. – Senti minhas pernas vacilarem.

— Você está me propondo um casamento?

Dimitri Ivanoff abriu uma fileira de dentes, sorrindo como eu jamais havia visto e fiquei ainda mais em choque ao ver suas bochechas corando. O seu sorriso era um dos mais bonitos do mundo e eu me sentia a filha da puta mais sortuda por ser a causa dele, contudo, aceitar algo de Ivanoff era como assinar sua sentença de morte.

— Casamento é algo pequeno demais para o que eu sonho para nós dois. – Seu tom de voz diminuiu, como se ele estivesse me contando um segredo.

Reaja! Reaja, Lottus!

Abri um sorriso de rasgar as bochechas, pulando em seus braços e colando nossos lábios. Ivanoff soltou uma risada gostosa antes de me segurar com um braço e aprofundar o beijo.

Eu estava fodida desde que havia pegado aquela mala com 50 mil dólares de um assassino á sangue frio e estava ainda mais fodida por ter aceitado a eternidade com um lunático sanguinário. E incrivelmente ambos beijavam bem pra caralho.

Cresci me envolvendo em encrencas e com o passar dos anos, minhas balbúrdias foram aumentando. Sentia que essa seria como um grande furacão; destruíria tudo e todos, talvez até eu mesma.

No entanto, não existia ninguém que escapava melhor da morte do quê Wllowdean Lawson.

— Fico feliz que tenha gostado. Escolhi especialmente para você. – Se afastou, segurando em minha mão e deslizou o anel por meu dedo.

— É lindo. – Sorri. — Mas não precisava de algo tão caro.

— Sempre darei o melhor para você, querida.

— Acredito nisso.

— Espero que esteja feliz, porque eu percebi que algo te deixou triste. – Balancei a cabeça, negando rapidamente.

— O quê? Eu? Não!

— Lottus. Não esconda nada de mim. - Segurou em meu queixo, obrigando-me a encara-lo. — O que Bieber fez? Ele te machucou?

Não da maneira que você está imaginando. Meu subconsciente respondeu.

— Não. Ele não me feriu.

— Então o que aconteceu? – Questionou, com seu tom ainda mais firme. Ele estava furioso e por mais que Ivanoff estivesse tentando ser carinhoso, seus olhos transbordavam algo diferente de minutos atrás.

— Apenas não aguento mais ficar naquela casa, com aquele homem. E você não me dava qualquer notícia, pensei que teria me deixado para trás com ele. – Encolhi os ombros, parecendo vulnerável.

— Nunca mais pense isso outra vez, entendeu? Eu jamais vou te deixar, Lottus! Jamais! – Olhou-me seriamente.

— Eu sei, sinto muito.

— Está tudo bem, amor. Eu darei um jeito nisso, por você. O mais breve possível. – Beijou de maneira singela o topo da minha cabeça.

"Eu jamais vou te deixar".

"Jamais!".

Aquelas palavras martelaram tantas vezes que me deixou doente, eu quis vomitar toda a cerveja que bebi antes de sair. Não existia pessoa mais encrencada no mundo do quê eu.

Enquanto estava deitada no peito de Ivanoff, entendi o quanto a merda ficou feia. Minha cabeça estava por um fio em ambos os lados. Nenhuma dose de bebida barata, muito menos deixar os pneus carecas de tanto correr pela estrada poderia me salvar.

Nada poderia me salvar.

É isso. Eu estou fodida pra caralho.

— Provavelmente algum outro infiltrado disse aonde era o meu esconderijo para Bieber, jamais vamos saber se Mikhail tinha um aliado, já que eu o matei. – Riu, bebendo um gole do seu uísque.

— Por isso a segurança está redobrada agora?

— Sim, todo cuidado é pouco. Sinto muito ter te vendado, meu chefe de segurança achou melhor fazer isso.

— Ele desconfia de mim?

— Fizemos isso com todos os novatos, não é nada pessoal.

— Bom. E a Bratva?

— Ah, resolvi mais rápido do que eu esperava.

— O que quer dizer? – Franzi o cenho.

— Aleksei Karev está morto, moya krasota. (minha bela).

— O-O que?

— Aproveitei meu resguardo para atacar. Karev pensou, que com o ataque de Bieber, eu estaria frágil. Entrei pela fronteira graças á alguns antigos aliados e o matei.

— E agora? Quem estará no comando da Bratva?

— O conselho perceberá que eu deixei duas opções para eles: Eu serei o chefe ou eu serei o chefe.

— Sabe que eles podem recusar essas opções, não é?

— Sim, e eu não me importo. Deixei claro que qualquer um que ousar pisar no meu trono, será executado. Não existe outro líder além de mim.

— Isso é muito arriscado, querido.

— Eu estou no jogo outra vez, krasivyy... E o gosto da vingança nunca esteve tão doce. (bonita).

Ivanoff continuou soltando todas as suas informações, enquanto não tirava as mãos de mim. Era como se ele precisasse se manter próximo, independente do que custaria e isso estava roubando todo meu oxigênio. Apenas pude respirar novamente quando seu segurança me deixou no mesmo lugar e eu entrei em meu veículo, dirigindo de volta para a mansão.

Meu pai poderia não ser a melhor pessoa, no entanto era um dos maiores jogadores que eu havia conhecido — depois de mim — e uma das suas primeiras lições foi:

— Quando a informação está fácil demais, não é mais você que está blefando. Seu adversário também está.

No pôquer todos sabem sobre mentir, alguns são incapazes de mascarar suas frustrações, no entanto outros nos fazem acreditar que possam estar incrivelmente na merda quando tem a maior carta nas mãos. Então é tarde demais e você perdeu.

Ivanoff estava me escondendo algo, e me dando informações demais para mascarar o real ataque por trás de tudo. E aquilo estava me matando lentamente. Erámos grandes mentirosos revelando mentiras bonitas e escondendo verdades feias. E sabíamos disso.

Eu apenas não tinha ideia do quanto ele sabia. E isso resultaria na minha revanche ou na minha maior queda. E eu não fui ensinada á perder um bom jogo.

Papai ficaria furioso comigo agora.

Assim que cheguei na mansão e guardei a SUV na garagem, apenas passei por todos e subi ás escadas o mais rápido que poderia. Tranquei a porta do quarto e fui jogando minhas peças de roupa pelo caminho, intoxicada pelo perfume forte de Dimitri e minha cabeça latejando por tantas coisas absorvidas.

Eu estava perdendo o controle na arte que eu mais sabia dominar.

E isso nunca aconteceu.

Para tudo tem uma primeira vez. Meu subconsciente murmurou.

— CALA A BOCA! – Gritei para mim mesma e respirei fundo, apoiando-me no mármore da pia do banheiro, apenas de lingerie. — Ótimo, agora você enlouqueceu.

Tomei um banho morno, deixando toda a tensão e peso sobre meus ombros escorrer pela ralo. Imersa no submundo.

O jogo estava apenas começando.

— Você precisa ter uma, duas, três, quatro cartas na manga, Lottus.

E venceria quem fosse o melhor.

Em alguns minutos, saí do meu banho e me sequei, colocando apenas uma lingerie preta e uma camiseta surrada branca. Assim que terminei de vestir a blusa, Bieber entrou como um tornado, arrombando a porta do quarto e cuspindo tanta fúria que eu recuei cada vez que ele se aproximava, até que estive entre a parede e a fera. Dessa vez sem saber para onde fugir.

— COMO VOCÊ PÔDE ACEITAR A PORRA DO PEDIDO DE CASAMENTO DELE? QUE MERDA TEM NA SUA CABEÇA, LOTTUS! – Gritou furioso, com as mãos fechadas em punho.

— O que você queria que eu fizesse? Dissesse não? Isso o deixaria puto pra caralho!

— EXATAMENTE! DISSESSE NÃO, PORRA! UM DIA VOCÊ FODE COMIGO E NA OUTRA FODE COM IVANOFF? VOCÊ APENAS PRECISAVA ROUBAR INFORMAÇÕES E NÃO SE TORNAR A PRIMEIRA DAMA DA BRATVA! – Bieber cuspia fogo, raiva pura correndo por suas veias. Ele estava com suas esferas escuras, emanando ódio e me encurralando contra a parede sem a chance de uma defesa.

— EU NÃO FODI COM ELE! NÃO É O SEU PESCOÇO QUE ESTÁ EM JOGO! EU QUERIA VER VOCÊ DIZENDO NÃO PARA IVANOFF NA PORRA DO TERRITÓRIO DELE, CHEIO DE RUSSO NAQUELA MERDA! – Explodi, cansada dos seus insultos.

— Eu sabia que não deveria ter confiado em você! Puta merda! Puta merda! Como eu fui deixar uma missão nas mãos de um rato?

— Porque você não tinha escolha! E vai se foder você também, eu dúvido que você tenha alguém na sua equipe que conseguiria mais informações do quê eu. Não importa por quantos anos estivessem sendo treinados, eu fiz o que nem alguém como você teria capacidade de fazer! – Joguei para fora, sem pensar nas consequências.

— Como é? – Rosnou

— Você deixou a maior missão da sua merda de vida nas mãos do rato por quê sabia que se tinha alguém que poderia conseguir informações, esse alguém seria eu. E eu consegui, não foi? Não foi? – O encarei, me aproximando e ficando tão próxima que míseros centímetros nos separavam. Ele estava bufando, com sangue nos olhos, olhando-me com tantas emoções que mal pude captar uma. — Nós não temos nada, Bieber. O fato de termos dormido juntos não significou nada. Mas se você não sabe separar as coisas, o problema não está comigo, e sim, com você. Se eu precisar me casar com Ivanoff para vencer essa merda, eu caso. E você?

— O que tem eu? – Recuou como se eu tivesse o ferido.

— Está disposto a sacrificar tudo por essa vingança?

O silêncio dele estava sendo ensurdecedor, Bieber se recusou a responder por longos e incontáveis minutos. Erámos apenas duas pessoas quebradas, cara a cara, escondendo sentimos e dizendo coisas para substituir as verdades que queríamos dizer. E ele não me respondeu. Seus lábios entreabriram diversas vezes, soprando palavras vazias e que eu, talvez, jamais escutasse.

— Talvez eu não esteja disposto a deixar você se sacrificar.

— Então é bom decidir rápido, Justin.

— Por que você teve que aparecer, Lottus? – Franzi o cenho, sem compreender. O mesmo se afastou, dando-me as costas. — Por que você surgiu na minha vida? Tudo seria mais fácil sem você!

— Lottus significa exatamente isso. Lembra? Balbúrdia por onde chega. – Debochei, sentindo meus olhos marejarem por suas palavras. Eu não queria que ele tivesse um poder tão grande sobre mim.

— Não. É calmaria também. – Murmurou, com seu olhar perdido. — Tudo o que eu mais queria era me vingar de Ivanoff, Lottus. E não me importava o que você faria, portanto que eu o matasse. Mas eu não suporto a ideia de você estar perto daquele crápula! Apenas de escutar vocês dois, ele te tocando... Merda!

Engoli á seco, dando ás costas para ele também.

— O trato seria eu trabalhar com você para pagar minha dívida. Em troca, minha liberdade. E em breve eu vou partir, então você não precisará se preocupar mais com isso. – Respondi firme.

Não poderia mais me iludir com a ideia de Bieber e eu termos algo apenas por causa da minha paixão platônica. O seu coração pertencia a outra pessoa e não importava quanto tempo passasse, Emily sempre seria dona de sua alma e do seu amor. Assim também como eu não fui feita para amar ou ser amada. A minha vida ocorria na correria das estradas, sem tempo para desilusões.

Bieber e eu erámos duas pessoas despedaçadas buscando concerto em lugares errados. Você não pode concertar alguém, se ainda está partido em pedaços.

— Você quer ir embora? – Segurou em meus braços, encarando-me profundamente.

— Era o trato.

— Foda-se a porra do trato, Willowdean! Você quer ir embora daqui? – O desespero era profundo em sua voz.

— Por quê a pergunta?

— Eu... – O estrondo de algo nos assustou e Bieber se jogou, me trazendo junto quanto o som de milhares de tiros soaram, arrebento as paredes de concreto.

Bieber apenas teve tempo para nos jogar no chão, seu corpo estava sobre o meu me protegendo das munições e dos estilhaços que voavam. Ainda que eu estivesse cobrindo meus ouvidos, era impossível não escutar.

Os gritos. Tiros.

— FICA AQUI, LOTTUS! – Se levantou e eu segurei seu braço, o puxando de volta.

— Bieber, não! Por favor!

— Olhe para mim, Lottus. Olha! – Ajoelhou-se no chão, segurando meu rosto entre suas mãos.

— Não! Não vai lá! Não me deixa aqui! – Mal sentia minhas lágrimas escorrendo.

— OLHA PRA MIM! – Gritou. — Você não vai sair daqui, entendeu? Eu preciso que fique aqui, Lottus! Tranque a porta assim que eu sair e em hipótese alguma abre ela! Você ouviu?

Assenti.

— Por favor, não vai. – Implorei.

— Ninguém invade o meu território e saí impune, doçura. – Bieber abriu um sorriso sarcástico. Ele me encarou por poucos segundos antes de se livrar do meu agarre e destravar sua arma, Justin apenas saiu pela porta sem olhar para trás.

Corri para trancar a porta e me afastei rapidamente, escondida do lado de um armário enquanto os tiros apenas pareciam aumentar.

— BIEBER! – A voz de Ivanoff soou como uma tempestade, tudo de repente ficou em silêncio e as armas pararam de disparar. Se eu estivesse de pé agora, provavelmente minhas pernas teriam bambeado ao saber que Dimitri estava na casa.

Ele decidiu fazer um ataque surpresa, poucos minutos depois de eu sair de sua casa.

Escutei seu assobio enquanto andava pela casa, cada vez mais alto e significava que ele estava se aproximando do meu quarto.

Sem mais gritos. Sem mais tiros.

— BIEBER, ONDE VOCÊ ESTÁ? EU APENAS QUERO CONVERSAR! – Gritou novamente, me assustando.

Meu coração corria de maneira desenfreada no peito, a adrenalina sendo ativada no seu nível máximo e deixando minhas mãos trêmulas. Não pensei duas vezes antes de abrir a janela e pular do segundo andar, sem antes verificar se ninguém estava vindo.

Gemi de dor ao bater com as costas na grama, no entanto não tive tempo para lamentos quando escutei a voz de alguns homens se aproximando. Engatinhei, entrando na casa pela porta dos fundos e me escondi debaixo da mesa de mármore, cobrindo minha boca.

— Gde malen'kaya printsessa bossa! (Onde está a princesinha do Chefe).

— Ubey vsekh, kogo naydesh', krome neye. (Mate todos que encontrar, exceto ela).

— Polozhitel'nyy! (Positivo).

Quando eles se afastaram, saí do meu esconderijo e caminhei lentamente na cozinha, procurando por algo que me ajudasse a se defender.

— NÃO! POR FAVOR, NÃO! – Ouço o grito esganiçado de Zero e fui em direção á sala, o encontrando jogado no chão enquanto um homem estava sobre ele.

Senti meu estômago embrulhar ao ver o segurança de Ivanoff enfiar uma faca no abdômen de Zero, e ele gritou de dor e desespero. Corri em direção á eles, pulando nas costas do homem que se levantou comigo agarrada em seu corpo.

— CORRE, ZERO! CORRE! – Gritei e mordi o pescoço do armário de Dimitri com toda força.

— Vadia maluca! – Grunhiu, tentando me tirar suas costas.

— CORRE!

— Sua filha da puta! – Rosnou e enfiei meus dedos nos seus olhos, apertando. — ARGH!

O homem pegou meus braços e jogou-me por cima dos ombros, me derrubando com brutalidade no chão e precisei de dois segundos para recupar o fôlego ao sentir meus pulmões sendo atingidos, rolei pelo carpete quando o russo tentou pisar no meu rosto e levantei, correndo em direção a porta. Tentei abrir a mesma, vendo que estava trancada.

Senti todo o sangue do meu corpo gelar e a risada do russo me fez entender que aquele era o meu fim. Procurei por Zero, que estava inconsciente no chão, mal podia notar-se sua respiração e isso me fez perceber o mar de merda em quem eu estava.

— É o seu fim, vagabunda!

— Por favor... – Choraminguei.

Ele ergueu o revólver em minha direção e fechei meus olhos com força.

Boom!

O som do tiro soou mais alto que o normal e eu conseguia sentir o cheiro da pólvora. Mas não a dor. Toquei em meu corpo, procurando pelo ferimento e não encontrei. Tive coragem para abrir meus olhos e rapidamente foram desviados para Ariel jogada sobre os meus pés, esgagando de dor.

— Não... – Sussurrei, caindo ao seu lado. — A-Ariel... Não...

— Você é... – Cuspiu sangue e olhei para o seu ferimento, vendo que havia pego no abdômen. — Péssima lutando.

— Merda! Merda! – Coloquei minhas mãos sobre seu ferimento, tentando estancar o máximo que conseguia. Jorrava sangue do seu abdômen e eu não conseguia tirar meus olhos de Ariel, enquanto as malditas lágrimas continuavam escorrendo. — Você foi burra! Burra! Por quê fez isso? MERDA!

— Ele... E-Ele...

— Vai chegar ajuda, não faça esforços, por favor. Você vai sair dessa!

Ariel balançou a cabeça, lentamente. Negando enquanto ria.

— Cala a porra da boca! Vai dar tudo certo, vai dar!

Gritei ao ouvir o som de disparo e fechei meus olhos, pensando que dessa vez seria o meu fim. Porém quando abri meus olhos, Blake havia dado um tiro certeiro na cabeça do homem que tentou me matar.

— Blake. Me ajuda!

Ele correu em direção á Ariel que sorriu ao vê-lo. Ela estava tremendo violentamente, perdendo a cor do seu rosto e sua respiração sôfrega jamais escaparia da minha mente.

— Chama a ambulância!

— Não podemos, Lottus. Isso vai chamar atenção dos tiras.

— ACABOU DE TER UM TIROTEIO AQUI! ISSO JÁ É O SUFICIENTE PARA A PORRA DA POLÍCIA VIR! – Explodi enquanto milhares de lágrimas não paravam de vir.

— Lottus... – Ariel sussurrou.

— Então chama um médico particular, e-eu não sei... Só, chame alguém! – Implorei para Blake, quebrando mais uma promessa minha: De revelar minha vulnerabilidade. E pela primeira vez, recebi um olhar de pena seu.

— Lottus! – Ariel agarrou minha mão, apertando com toda força que ainda restava no seu corpo.

Era tanto sangue escorrendo que minhas mãos haviam ganhado outro tom. Ariel tossiu, cuspindo o vermelho e engasgando-se com isso. Blake ergueu minimamente seu pescoço, a segurando. Eu não conseguia controlar meus soluços e me recusei a tirar a mão do seu ferimento, tentando diminuir a pressão da hemorragia o melhor que eu podia. E estava falhando como nunca na minha vida.

A última vez que eu havia chorado por estar perdendo alguém foi por minha mãe.

— Está tudo bem. – Sorriu fraco.

Neguei, sem conseguir dizer nada pelo choro arrebatador.

— Está sim.

— Por quê... Por quê você fez isso! V-Você não... Não podia! – Solucei e ela apertou minha mão com ainda mais força, tentando me tranquilizar.

— Por quê ele precisa... De você. – O choro alto escapou dos meus lábios ao sentir a pressão das mãos de Ariel, enquanto agarravam a minha, diminuir. Neguei, milhares de vezes, vendo o brilho de vida sumir dos seus olhos e ela dar seu último suspiro.

— Não... Ariel! Não! – A balancei pelos ombros.

Acorda porra! Acorda!

— Ela se foi, Lottus. – Blake disse.

Balancei a cabeça, furiosa. Porra!

— Ela se foi! – Aumentou o tom de voz, me arrancando de perto de Ariel.

— NÃO! – Tentei me livrar do seu aperto e Blake aumentou a força dos seus braços ao meu redor, me abraçando enquanto Ariel estava jogada no chão. Sem vida. — Não!

— Ela se foi, Lottus!

— Ela não podia ter feito isso! – Blake me abraçou ainda mais forte, prendendo-me contra o seu corpo e virou-me, para encara-lo. Eu vi suas íris claras marejadas, no entanto ele se recusou em uma batalha contra si mesma a deixar alguma lágrima escorrer.

— Ela podia, Lottus. Ela queria. – Travou a mandíbula, eu sentia a sua dor. — Nesse mundo, a morte é inevitável. Fazemos de tudo para salvar nossa pele. E ela fez tudo para salvar a sua vida. Ariel lutou cada segundo da vida dela por sobrevivência e esse último segundo, ela lutou por você. Deveria ser grata.

— O que quer dizer?

— O chefe deu uma ordem: Deveríamos fazer de tudo para proteger você, custe o que custar portanto que estivesse segura. E Ariel jamais descumpriu uma ordem.

E assim ele me soltou, levantando-se e passou a mão pelo rosto de Ariel, fechando seus olhos.

— Essa noite, qualquer um de nós morreria por você. Inclusive Bieber.


Notas Finais


Eu FINALMENTE terminei esse capítulo. Gente, foram mais de cinco mil palavras, acreditem ou não. E eu não tinha ideia de como fazer esse capítulo, juro! Mas deu tudo certo e saiu mais um capítulo quentinho do forno para vocês. A partir daí, MUITA coisa vai acontecer. Espero que tenham gostado e eu amo vocês.

Com amor, Nik.


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...