História Loyalty Bonds - Capítulo 10


Escrita por: ~

Postado
Categorias Justin Bieber, Selena Gomez
Personagens Alfredo Flores, Ashley Benson, Chaz Somers, Christian Beadles, Jeremy Bieber, Justin Bieber, Personagens Originais, Ryan Butler, Selena Gomez
Visualizações 300
Palavras 4.525
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Ficção Adolescente, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Boa leitura! 💞

Capítulo 10 - Eu sinto muito.


Fanfic / Fanfiction Loyalty Bonds - Capítulo 10 - Eu sinto muito.

ONTÁRIO, CANADÁ   

SELENA GOMEZ POINT OF VIEW

Comprimo o tecido poliéster entre os meus dedos finos e, trazendo-o até a altura das narinas, inalo o aroma que emana do mesmo. Meses depois, o perfume dele permanece impregnado como se nunca tivesse sido mexido. Acompanhando os meus movimentos através do reflexo do espelho, cubro a regata preta com a camisa dos Wolves. Ergo as mangas compridas até os cotovelos e analiso seu design, listras azuis marcam pontos específicos na barra e nas mangas, destacando-se sobre a cor branca predominante. O lado frontal está estampado com o símbolo da equipe e, no verso, o meu sobrenome e o número da camisa que Noah costumava usar.

A sensação é inusitada. Geralmente, eu estaria empolgada, trocando mensagens positivas sobre o jogo com o meu namorado. No entanto, apesar de tudo, não me sinto tão mal como estivera nas últimas semanas. É como se a falta de Noah estivesse sendo, finalmente, digerida em meu estômago.

Giro o rosto para o lado esquerdo ao que breves toques soam em minha porta.

— Selena? — minha mãe surge entre uma fresta, pondo metade de seu corpo para dentro do quarto. — Podemos conversar? — assinto e então, ela adentra. 

Seu passos são lentos, os braços estão cruzados sobre o peito quando ela senta na ponta da cama, assistindo-me. Dou continuidade ao que fazia anteriormente e começo a desembaraçar os meus cabelos com uma escova. 

— Eu quero me desculpar, sei que fui rude com você. — diz, a voz soa com receio, apesar da entonação serena.

Uma resposta amargurada queima em minha língua, contudo, ao ver sua feição pacífica, desisto de iniciar um novo embate. O clima denso entre nós me incomoda, já que sempre tivemos uma ótima relação. 

— Eu acho que eu precisava ouvir aquilo, mesmo que tenha doído. — pondero, atentando-me ao seu rosto sendo refletido no espelho. Seus ombros relaxam no instante em que suspiro. — Só que não é tão simples como na cabeça de vocês.

Mandy acena positivamente, embora algo em seu rosto lampeje em repreensão. O meu luto a deixa inquieta. 

— Me destrói te ver tão infeliz por todos os cantos. — confessa, correndo o olhar pelo meu corpo como se analisasse a estrutura do mesmo. 

— Eu o amava. — respondo direta, encarando-a de modo cético. — O que você espera que eu faça?

— Talvez seja um pouco de insensibilidade da minha parte dizer isso mas, era um amor adolescente. — ela fala, mantendo a estabilidade em seu tom. — Todos passamos por isso.

Dou uma risada sarcástica, movendo a cabeça antes de retrucar com certo deboche:

— Você não perdeu o seu namorado do colegial, perdeu?

Seus lábios se unem em uma linha reta e, a julgar pelo vazio no interior das íris escuras, deduzo que ela não tenha uma boa argumentação contra isso. 

— Você é uma menina muito forte e vai superar isso. — Mandy fala de maneira terna, exibindo um sorriso encorajador e, algo se aquece em meu peito. Apesar de tudo, sei que poderia contar com seu apoio sob qualquer circunstância. — Hoje tem jogo dos meninos? — pergunta, notando os meus trajes. 

Afirmo, enquanto prendo meus cabelos em um rabo alto. 

— E você?

Ela dá de ombros, demonstrando incerteza. 

— Ah, acho que vou sair para jantar com o seu pai.

— Hm, jantar... — estico os lábios em um sorriso de canto e a mulher lança-me um olhar censurador. — O que? Eu não disse nada! — defendo-me, no entanto, acabo rindo posteriormente.

Minha mãe fica de pé, nos aproximando com alguns passos. Ela deposita um beijo em minha testa e segue a direção da porta. 

— Vou deixar uma lasanha pronta para você comer, ok?

— Não precisa. — digo e, vendo-a se virar para me encarar, explico: — Devemos sair depois do jogo.

As sobrancelhas se erguem junto as pupilas que ampliam-se, algo em sua face se agita com satisfação apesar da aparente surpresa. Ela sorri ao movimentar a cabeça positivamente e deixa o quarto.

 

*        

Ultrapasso uma quantidade razoável de pessoas que se aglomeram nas portas do ginásio e meus olhos varrem todo o local, a procura de algum rosto conhecido. Retiro o celular do bolso traseiro da calça jeans no intuito de contatar algum dos meninos, no entanto, o chamado de uma voz conhecida interrompe a minha ação.

Giro o corpo para o lado oposto, enxergando a loura próxima ao espaço da arquibancada, acenando em minha direção. Enquanto diminuo a nossa distância, noto que há outra garota em sua companhia, seus traços logo são reconhecidos pela minha memória.

— Oi, Ashley. — sorrio cordialmente, cumprimentando-a com uma rápida troca de beijos no rosto. Em seguida, desvio o olhar até a loura ao lado, franzindo o cenho. — E...?

O movimento de sua mandíbula triturando um chiclete cessa, ela transfere o peso de seu corpo magro para o pé direito enquanto me analisa.

— Hailey. — seu timbre fino e arrastado soa com desânimo. — Eu vou procurar a Kendra. — avisa e, embora tenha permanecido com o olhar preso à mim, é evidente que ela falara com Ashley.

A retirada da loura faz com que eu tome seu lugar, observando-a se afastar com seus passos sincronizados e rebolativos.

— Vocês são amigas?

Pergunto, curiosa sobre os níveis de relação entre ambas. Ashley sempre fora gentil e amigável com todos, ao contrário da outra loura, que desfila com um olhar superior e o nariz empinado onde quer que vá.

— Sim, desde o início do colegial. — ela sorri ao dizer, alheia à careta simbólica que se forma em meu rosto. — Nós somos bem diferentes em muitas coisas mas, ela é uma garota legal.

— É, eu a vi no seu aniversário. — comento, contendo o sarcasmo que ameaça escorrer em minha voz.

— Que você sumiu, absolutamente do nada. — a garota ressalta, embora não soe de modo rancoroso. —  É a terceira vez que eu venho assistir um jogo.

— O que? — minhas pálpebras se repelem em um segundo, acompanhando a minha reação perplexa. — Como assim você não acompanha os Wolves?

Vejo-a mover os ombros, soltando um riso fraco.

— Pra falar a verdade, eu não gosto muito de hóquei... — confessa, seu olhar vagueia ao redor do ginásio como quem tenta reconhecer um território. — Quero dizer, eu não entendo bem como funciona.

— E o que te fez vir hoje?

— Hailey e outras amigas. — suas orbes cerúleas se movimentam na minha direção, focando em meu semblante neutro. — Elas nem são tão fãs também, o interesse maior é nos jogadores.

Me limito a apenas revirar os olhos, habituada com as maria-tacos agitando os jogos com seus gritinhos estridentes. O que, obviamente, jamais os incomodou. 

— Eu acho a amizade de vocês tão fofa, eles parecem seus irmãos mais velhos.

Solto uma risada fraca, negando continuamente. 

— Nem sempre é tão legal quanto parece.

Inclinando o tronco para frente, enxergo por cima dos ombros de Ashley os garotos deslizarem seus patins sobre a pista. Trajando parte de seus uniformes de proteção, eles se aquecem para o jogo que começará em minutos.

— Eu já volto, ok? — ela assente e eu prossigo o caminho até uma das laterais da barreira de segurança que circunda o perímetro coberto por gelo.

Enquanto me aproximo, sou notada pelo louro que exibe um sorriso sacana em seus lábios finos. Ele se adianta, cessando de vez a nossa distância.

— Está bem amiguinha da Benson, huh? — Ryan comenta com a malícia pingando em cada palavra. Reviro os olhos, redirecionando involuntariamente a face até a garota que me espera no primeiro degrau da arquibancada. Seu olhar está perdido, logo a mesma sequer imagina ser a pauta da nossa conversa.

— Lá vem ele... — Alfredo comenta, de forma zombeteira. Ele chega a tempo de escutar a pergunta mal intencionada do amigo.

— Ela não é para o seu bico, garoto. — repreendo, fazendo-o soltar uma risada e, posteriormente, mexer os lábios com um bico.

— Você podia dar uma forcinha para o seu amigo. — insiste.

Expiro o ar com certa impaciência, relutante sobre seu interesse repentino na loura. Geralmente, suas investidas em qualquer garota do colégio não me afetam, no entanto, temo que Ashley acabe se envolvendo demais e se decepcione. É a primeira vez que realmente tento me aproximar de alguém além dos meninos, não gostaria que tudo fosse desfeito por causa dos hormônios descontrolados do Butler.

— Ryan, utilize essa beleza que você tem e jogue todo o seu charme. Se colar, colou. Se não, senta e chora. — falo de modo sério e conciso, em seguida, acrescento. — Eu não quero ser responsável por metê-la em uma furada.

O garoto apoia a mão direita sobre o peito ao que sua boca se escancara com uma expressão teatral.

— Furada? — ele indaga, soando indignado e ofendido. — Mas que tipo de imagem você tem de mim?

Desvio o olhar para o moreno que apenas ri em silêncio, ele da de ombros, indicando que não fará qualquer objeção ou comentário.

— Certo, eu vou dizer alguma coisa e ver se o interesse é recíproco. — ergo as mãos em rendição, vendo o louro comemorar em um gesto com as mãos.

— Essa é a minha garota! — ele estica o corpo e alcança a minha bochecha, onde deposita um beijo rápido e úmido.

— Então, estão ansiosos? — pergunto, vagueando o olhar ao redor do ginásio. Cada vez mais alunos chegam a todo instante, os primeiros jogos do campeonato costumam ser sempre intensos devido a toda expectativa depositada no desempenho dos Wolves.

— Não. — Alfredo abana a mão no ar, de forma despreocupada. — Vai ser moleza.

— E o Mason?

— Ah, deve estar gritando com alguém. — Ryan responde, proferindo um chiado depois. — Como sempre.

Sinto um braço envolver os meus ombros e ergo o olhar, encontrando o par de íris caramelas fitando-me tranquilamente.

— E ai. — Justin cumprimenta, fazendo um breve toque de mãos com os garotos.

— Ei, onde estava? — questiono, chamando sua atenção. — Pensei que iria vir comigo.

Ele torce o nariz com uma careta.

— Acabei chegando mais cedo, esqueci que não vou jogar.

— É isso o que se ganha por agir como um rebelde sem causa. — Ryan provoca, zombando da feição irritada que o louro expõe.

— Só... Ganhem essa merda. — ele diz, um suspiro de frustração escapa de seus lábios logo em seguida. — Aliás, quem está no meu lugar?

— Luke.

— Vamos, gente! — a voz de Chris soa abafada devido a distância, contudo, ainda assim desperta a nossa atenção.

— Boa sorte! — desejo, vendo-os se afastarem para retornar ao vestiário.

Próximo ao início do jogo, me acomodo em um espaço alto na arquibancada ao lado de Ashley, visto que Justin havia optado por assistir ao jogo com alguns garotos que não reconheci.

Logo ambas as equipes se apresentam e são posicionadas no centro da pista para a execução do hino nacional. Ao final deste, noto que há algo nas mãos de Chaz quando o mesmo ergue seus braços, esticando a camisa azul e branca no alto.

É a camisa do Noah.

Em segundos, todos se dão conta de que se trata de uma homenagem e põem-se de pé, aplaudindo. A atmosfera emocionada toma posse de todo o local.

As batidas do meu coração acompanham o som das palmas, acelerando gradativamente. Observo a cena paralisada, enquanto vários flashes de lembranças rodeiam a minha mente. Eu o enxergo ali, de alguma forma. Vibrando e transmitindo confiança aos seus amigos para cumprirem mais um desafio. Estar em uma pista de hóquei era o que mais alegrava Noah e, certamente, ele se sente radiante onde quer que esteja.

Pela primeira vez, não sinto lágrimas acumulando-se entorno dos meus globos oculares. A pressão em meu peito diminui e uma sensação de calor se espalha internamente. 

— Eu sinto muito. — ouço Ashley sussurrar ao meu lado, provavelmente, receosa sobre o meu semblante estagnado.

Balanço a cabeça, desviando o olhar. Ela me encara com suavidade, apesar da preocupação evidente e, sorrindo, reúno toda a confiança que há em meu corpo para afirmar:

— Está tudo bem.

Retornando a atenção para a pista, assisto os garotos compartilharem um abraço terno e, no meio deste, faço uma leitura labial das palavras precisas que Chris emite.

"Me desculpem. Eu sinto muito."

Imediatamente, os demais acenam negativamente e o confortam. É um gesto rápido, eles não proferem qualquer comentário posteriormente. Franzo o cenho, intrigada com tal reação suspeita.

Do que ele precisaria se desculpar, afinal?

[...]        

Percorremos o caminho para fora do ginásio e, deste modo, as pessoas vão se dispersando em direções distintas ao chegarem na rua. Os torcedores visitantes se misturam aos nossos, possibilitando-me escutar alguns comentários insatisfeitos sobre o resultado do jogo.

— Foi injusto, eles ganharam por roubo! — o garoto que caminha à minha frente exclama ao seu grupo de amigos. Minha língua parece pesar uma tonelada quando abro a boca impulsivamente para retrucar no instante seguinte.

— Por que não tentam acertar um passe, da próxima vez? — indago, sob um tom debochado.

Ele repara a minha intromissão e gira a cabeça, produzindo uma expressão de desgosto ao notar a camisa dos Wolves cobrindo o meu tronco. 

— Se os queridinhos de Ontário jogassem de forma limpa, seria mais fácil. — acusa de maneira ríspida, recebendo o apoio de outros dois rapazes ao seu lado.

O espírito competitivo se manifesta em meu corpo, fazendo-me soltar uma risada sarcástica ao revirar os olhos. Avanço, enfrentando-o com uma falsa expressão piedosa. 

— Essa é a desculpa de todo perdedor.

Ao notar o clima tenso instalando-se entre nós, Ashley envolve a mão em meu pulso, puxando-me para trás. Enquanto recuo, sinalizo a letra L com os dedos no centro da testa, firmando o contato visual com o rival. 

— Selena. — a loura ralha, dispondo seu corpo à frente do meu quando paramos de andar. — Deus, vocês ficam muito pilhados com isso.

— Isso ai não foi nada, você já presenciou algum encontro com o Jets? — ela balança a cabeça negativamente, no entanto, acaba me acompanhando nas risadas. Apesar do estresse momentâneo, não é algo que afete o meu humor por mais que dois minutos. — Ei, os garotos do time sempre vão pra algum lugar depois dos jogos, não quer vim?

Ashley se cala, parecendo hesitar com o convite. 

— Não é uma reunião de amigos?

— Não. — garanto. — Nem todos do time são tão próximos. Além disso, é chato ser a única garota na maioria das vezes.

Ela se mantém pensativa por alguns instantes e, por fim, confirma com um sorriso. 

— Tudo bem.

Retiro o celular do bolso traseiro e envio uma mensagem à Justin, que não demora a responder com o nome do local escolhido. 

 

*        

A nova casa de esfiharia recentemente inaugurada no centro possui um ambiente aconchegante, a decoração vibrante e colorida se assemelha a da cultura mexicana, apesar de se tratar de um estabelecimento de comida árabe. As paredes amarelas contrastam com o tom caramelo das mesas e cadeiras de madeira. Optamos por uma grande com oito lugares ao lado da parede direita, já que logo os garotos do time se uniriam à nós, e eu peço um copo grande de coca-cola.

— Eu nunca tinha vindo aqui antes. — Ashley comenta, percorrendo o olhar à nossa volta. — Lugar legal.

— Você não sai com seus amigos? Você parece ter tantos.

Ela apoia os cotovelos sobre a mesa, dando de ombros.

— Não são realmente meus amigos, quero dizer, eu conheço muita gente por ser considerada uma garota popular. — explica. — Mas não é como se eu tivesse uma grande intimidade com eles.

— Todos te conhecem, mas você não os conhece.— completo, vendo-a assentir. Dou mais alguns goles no líquido escuro e gasoso e, em seguida, o assunto que estive adiando durante todos os minutos do jogo ressurge em meus pensamentos. — Ah, eu tenho que te perguntar sobre uma coisa...

— O que? — interrompe de forma curiosa, contudo, o sino que anuncia a chegada de novos clientes dispersa a minha atenção até a porta. 

Os meninos adentram um a um, entretidos em uma conversa aparentemente engraçada. 

— Esquece, depois eu falo. — disfarço rapidamente ao vê-los se aproximarem da mesa. 

Eles nos rodeiam, fazendo a algazarra habitual ao tomarem seus lugares. 

— E aí, maiores de Ontário? — brinco, saudando-os. — Ótimo jogo!

— Uma pena eles serem tão chorões. — Chaz lamenta com escárnio, sentando-se de frente para mim. — Viu quantas faltas eles imploraram?

— Vocês estavam dando um baile neles. — rindo, faço um high-five com o garoto. Ao meu lado, Justin se esparrama na cadeira anteriormente ocupada por Ashley, jogando o braço por cima dos meus ombros. — Ficou conversando com o Mason?

Ele acena positivamente, roubando o copo de refrigerante das minhas mãos e ingerindo alguns goles. 

— Ele ainda está bravo. — conta, noto a chateação preenchendo seu olhar. — Não tiro a razão dele, eu ganho a camisa de capitão e sou suspenso? Ele disse que isso não pode se repetir sob nenhuma hipótese.

— Seja tão racional em situações assim quanto você é na pista. — aconselho e ele concorda prontamente.

Justin rodeia o olhar pela lanchonete e mira na loura de pé, que participa de um diálogo entusiasmado com Hilary, recém chegada junto aos meninos. À esta altura, qualquer outro cliente se dá conta da nossa presença por conta do falatório criado.

— Ajudando o Ryan? — ele pergunta e torna a me encarar.

— Estou tentando. — por cima dos ombros do louro, continuo acompanhando-a. Ela dá risada por algo dito, jogando seus cabelos quase dourados para trás. — Ele realmente está afim dela?

— Sim. É o que parece. — embora haja uma porcentagem de incerteza em sua entonação vocal, dispenso os pensamentos negativos que possam surgir novamente. 

Eu darei um voto de confiança ao Butler. 

— Vamos pedir logo alguma coisa, quero recuperar as calorias que perdi. — Alfredo reclama, esfregando as mãos por sua barriga.

Devido a empolgação pela primeira vitória no campeonato, os garotos dão continuidade às conversas sobre o jogo, ignorando completamente o propósito principal de estarmos aqui. Após alguns minutos, Ashley se reaproxima, sentando-se à mesa novamente.

— Eu pensei que você não conhecesse ninguém que sai com o time. — comento, referindo-me à sua aparente amizade com a única garota presente, além de nós duas.

— Fazemos artes juntas. — justifica. — Ela namora o... — ela estala os dedos e os encosta sobre a testa, sinalizando uma falha em sua memória.

— Luke. — completo, vendo-a acenar positivamente.

Ryan se aconchega ao lado da garota sorrateiramente, simulando um semblante neutro ao mesmo tempo em que lança-me um olhar furtivo. Dou risada, balançando a cabeça negativamente.

— Ashley, esse é o Ryan. — apresento-os, e só então ela parece se dar conta da presença do louro.

Assisto ambos se encararem, ele exibe um sorriso amigável, totalmente inofensivo. 

— Oi, muito prazer. — Ryan estende a mão direita para que ela aperte. Em seguida, emenda um assunto antes que a garota se vire novamente para o sentido contrário. — Eu acho que já te vi algumas vezes. Você está na equipe de ginástica, certo?

— Sim.

— Você é muito boa, aliás.

Ashley retribui o sorriso, seus ombros relaxam seguido ao elogio.

— Ah, obrigada.

— Ele é muito sonso. — escuto Justin sussurrar ao meu lado, soltando uma risadinha discreta.

Eles engatam em um assunto que não me atrai tanto, limito-me a apenas analisar suas reações a cada resposta do outro. Seria engraçado vê-los juntos, se não acabasse se tornando trágico. Ashley se expressa diferente das garotas que Ryan está acostumado, fala de maneira calma e complacente, sem qualquer malícia explícita. Ela o arrancaria boas noites de sono para conseguir decifrá-la. 

Decido concentrar-me no cardápio variado que a esfiharia oferece, dando privacidade ao flerte do meu amigo. 

Todos se aquietam entorno da mesa e discutem os pratos que seriam escolhidos para dividirmos enquanto me encolho contra a estrutura da parede, protegendo-me do frio que o vento do ar condicionado provoca.

— Está com frio? — Justin pergunta, notando o meu incômodo. Aceno positivamente e o louro faz menção em se desfazer de seu moletom branco.

— Não precisa. — intervenho, contudo, ele me ignora. Sinto o perfume amadeirado invadir minhas narinas de imediato quando o casaco é depositado em meu colo. Sem resistir, visto-o, erguendo o capuz e afundo as mãos nos bolsos frontais. 

Entretanto, logo a minha consciência pesa por ver Justin desprotegido, apenas com uma camisa de malha cinza, sendo assim, contorno os braços por seu corpo e o abraço com a pretensão de que o tecido grosso possa aquecê-lo também. Ele dá risada e enlaça a minha cintura, aproximando seu pescoço do meu rosto. Estamos encaixados da maneira ideal e, se fosse possível, eu fecharia os meus olhos para dormir exatamente assim.

— Você pode me fazer carinho se quiser, também. — falo com humor, embora a sugestão seja totalmente válida. 

— Você é tão abusada, Gomez. — ele resmunga, porém, retira a mão da minha cintura para levá-la até a altura dos meus cabelos, iniciando movimentos leves na região.

— É por isso que eu te amo. — sussurro em seu ouvido, no entanto, ao contrário do esperava, Justin não responde com alguma piada ou se gaba por minha declaração repentina. Seu corpo enrijece sob os meus braços e ele posiciona as íris cor de mel em mim, fixando-as de um modo estranho, apreensivo, eu diria. 

— O que foi?

Nos encaramos em silêncio e eu me afasto minimamente em expectativa, todavia, Chaz desperta a nossa atenção antes que o louro possa proferir algo e então somos envolvidos por outro assunto. 

Com os pedidos feitos, Alfredo e eu nos encarregamos de buscá-los, há uma pequena fila na bancada para as entregas. Três pessoas ainda estão à nossa frente quando decido cessar a dúvida que esteve martelando em minha cabeça desde o momento da homenagem à Noah.

— Fredo? — diminuo o tom vocal, certificando-me de que mais ninguém nos escute. — Está tudo bem entre vocês e o Chris?

Ele enruga a testa, parecendo confuso com a pergunta. 

— Sim, por que não estaria?

Reflito por alguns instantes pois, apesar de demonstrar sinceridade, sinto que há algo sendo encoberto. De todo modo, se não fui comunicada antes, obviamente não seria agora. 

— Por nada. — dou de ombros, simulando casualidade e desinteresse. O moreno assente. — De quem foi a ideia pra homenagem ao Noah?

— De todos. Não poderíamos deixar passar em branco.

O sorriso se forma em meus lábios involuntariamente, me contenta saber que ele jamais seria esquecido, ainda que anos se passassem. 

— A polícia não disse mais nada sobre... — Alfredo capta a minha expressão sugestiva, recordando-se do bilhete suspeito que encontramos no quarto de Noah.

— Não. — sussurra. — Mas eles disseram que iremos depor em breve.

Encerramos o diálogo quando chega a nossa vez no balcão, pegamos as bandejas e voltamos à mesa.

[...]        

— Você deveria sair com a gente mais vezes, Ashley. — Chris propõe, ela abre um sorriso acanhado, no entanto, parece confortável em estar conosco. Havia se enturmado perfeitamente bem nessas poucas horas que desfrutamos. 

— Hey, e aquele festival que falamos? — Ryan lembra. — É amanhã?

— Sim. — Chaz o responde. — Está de pé?

— Por mim, tudo certo. — ele afirma, nos entreolhamos e posteriormente, fazemos o mesmo.

Após terminarmos de comer, distribuímos a conta para cada um e resolvemos ir embora. 

— Sel, eu vou te levar pra casa.

Como de costume, Justin é quem se oferece por conta da proximidade das nossas casas.

— Tá, espera um minuto, eu vou ao banheiro.

Ele assente e eu levanto, seguindo o rumo indicado por pequenas plaquinhas em um corredor. 

O moletom do louro tem praticamente o dobro do tamanho do meu corpo e, para evitar dificuldades ao segurá-lo dentro da cabine, me desfaço do mesmo e o apoio em cima da bancada da pia. 

Quando retorno, há outra garota dentro do banheiro, seus trajes indicam que ela é uma funcionária da lanchonete. Lavo as mãos e as seco com algumas toalhas de papel e, ao fazer menção de ir embora, a voz desconhecia soa em alerta.

 — Ei, você esqueceu o casaco do seu namorado.

Giro os calcanhares, constatando o moletom deixado ali.

— Ah! Nossa, obrigada. — sorrio levemente e, no instante seguinte, me dou conta de algo. — Que namorado?

Ela arqueia a sobrancelha, estranhando a minha pergunta. 

— O garoto loiro que estava com você.

— Ele não é... — minhas cordas vocais falham e, sentindo a boca seca, forço um pouco de saliva em minha garganta.

Sua observação me deixa atordoada, visto que é a primeira vez em que ouço algo do tipo sem estarem  se referindo à Noah. Será que essa é a imagem que passamos? Namorados?

Eu mal consigo me imaginar com qualquer outra pessoa, que dirá com Justin.

Agradeço novamente pelo aviso e dou meia volta, saindo do banheiro rapidamente. Minha pele está gelada, os arrepios se estendem ao longo dos meus braços. 

O espaço amplo da lanchonete adentra novamente em meu campo de visão e eu os observo à distância. Justin, especificamente. Os braços estão cruzados sobre o peito, ressaltando os músculos contraídos. Seu topete alinhado se destaca com tamanho brilho naquele tom louro escuro harmonizado com a cor dos olhos. Analiso cada traço meticuloso em sua face, desde as sobrancelhas grossas, o nariz reto e pontiagudo, até os lábios rosados circulares. Covinhas sutis se formam nas laterais deles quando moldam o sorriso radiante que o garoto exibe. Seus dentes formam uma carreira branca perfeita. 

Divago contemplando sua beleza e, ao ser puxada de volta à realidade, repreendo-me mentalmente. Eu não deveria reparar em detalhes tão precisos, como se fosse um garoto bonito qualquer. É apenas o meu melhor amigo de infância. 

De repente, a lembrança do nosso beijo ressurge. Merda, foi rápido e simples, porém, suficiente para que eu pudesse sentir a maciez de seus lábios.

Isso é estranho.

Respirando fundo, caminho de volta à mesa com as pernas ainda trêmulas, meu coração se desloca contra o meu peito de modo descompassado. Justin fica de pé e sorri ao notar a minha chegada.

— Vamos, princesa? — pergunta. 

Permaneço calada, apenas reagindo com um aceno. O apelido carinhoso me causa uma sensação desconfortável no estômago. Sinto que as esfirras estão se acumulando com a intenção de escalar o canal da minha garganta. 

Seguimos em silêncio para casa, ele não faz qualquer pergunta ou observação sobre a minha mudez repentina. Salto do carro às pressas, murmurando um "boa noite" embolado ao garoto.

Droga, o que está acontecendo com o meu cérebro?


Notas Finais


That's all folks!

Oi gente, tudo bem? Antes de tudo, quero agradecer ao meu amorzinho, autora da fic do meu coração (Closer, cof cof), Becca pela nova capa lindíssima.
Demorei tanto pra postar por falta de criatividade e motivação, mas finalmente consegui terminar esse capítulo. O próximo já está em andamento e vocês podem esperar por jelena sendo real. Me desculpem por erros ou repetição de palavras, é por isso que não gosto mais de escrever capítulos tão grandes, só que por causa dessa demora, vocês mereciam algo a mais né? Pra quem lê Irresistible Deal, eu não a abandonei, devo atualizá-la amanhã ou domingo.
Espero que tenham gostado do capítulo e pego os sinais. Comentem, por favor.

Até o próximo! Um beijo e um queijo! ❤


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