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História Lua de Sangue - Capítulo 2


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Capítulo 2 - Pertence a mim.


Fanfic / Fanfiction Lua de Sangue - Capítulo 2 - Pertence a mim.

Abri cautelosamente a porta, espiando pela fresta. O corredor estava vazio, mas eu conseguia sentir o movimento vindo do andar de baixo. Andei nas pontas dos pés e abri uma das portas do outro corredor, ninguém, assim como as portas que se seguiram. Todos estavam lá embaixo, então onde estava Becca?

Subi até o corredor grande, era a última porta, ela tinha que estar lá.

— Rebecca?– chamei baixo, colocando a mão na maçaneta, porém uma silhueta surge na minha visão periférica e a segura.

É aquele homem loiro novamente.

— Me solte! Quem é você? O que fez com a Rebecca?– tento me soltar de seu aperto, mas sua mão envolvida em couro parecia concreto.

— Você está na minha casa, eu que devo lhe fazer perguntas!– ele solta a minha mão e seu rosto exprime fúria.— O que estava fazendo no meu quarto?

— Seu quarto? Você a prendeu lá? Rebecca!– corri de volta para a porta, antes que eu tocasse a maçaneta, um par de braços me envolve num abraço bruto. Uma corrente elétrica atravessa meu corpo, amoleço nos braços daquele estranho, estranhamente arrepiada. — Onde está a minha amiga?

— A levamos de volta para a cidade,de onde nunca deveria ter saído.– o sopro de suas palavras bate em minha nuca, é inquietante de certa forma.

— O que vão fazer comigo?– sussurro, ainda estamos contra a parede, com os corpos colados, minha garganta arde, com o choro subindo por ela.

— Você é meu cálice, você me pertence agora. – aquela frase foi o choque que eu precisava, me soltei dele e corri pela casa, conseguia ouvir seus passos rápidos atrás de mim.

O que ele queria comigo? Quem era ele?

Estou sozinha numa casa cheia de estranhos.

Quando cruzo o jardim, minhas pernas parecem falhar e eu caí em meio a grama, resmungei baixinho e olhei meu joelho, levemente ralado.

— Você não entendeu? Você me pertence, não pode deixar essa mansão. Você é minha.– me encolhi em posição fetal, ele estendeu a mão pra mim, me arrastei pra longe dele. — Não vou machucá-la, senhorita.

— Fica longe de mim!– me encolho, sua expressão suaviza, as longas mechas loiras caem sobre os olhos quando ele se abaixa e me puxa para perto.

— Sou Vladimir, o dono da mansão e seu vampiro. – uma gargalhada sobe pela minha garganta e eu fecho os olhos, quando os abro, Vladimir me olha com a sombrancelha arqueada.

— Vampiros não existem.– percebo que ele está me segurando ainda, me desvencilho e fico de pé, meu ferimento tinha sumido. — Mas o que...

— Aceite isso de uma vez, você é meu cálice, e nunca vai deixar essa mansão.

××××××××××××××××××××××××××××××××

Mas quem ele pensa que é?!?

Não pode me manter prisioneira nesse quarto pra sempre!

Estou me sentindo como a Bela de A Bela e a Fera.

E ele com certeza é um bruto!

— Senhorita? Está acordada? – a voz de Raphael surge através da porta, abro um sorriso e abro a porta.

— Olá, Raphael. Boa noite.– ele continua na porta, com um sorriso leve em seus lábios.

— Gostaria de saber como está, Vladimir disse que ficou um tanto assustada com a notícia de...

— Você é um deles também?– Enquanto me arrastava de volta ao quarto, Vladimir disse que haviam outros vampiros na casa.

— Sinto em lhe desapontar, mas, sim. Eu também sou um vampiro. – mordo o lábio em nervosismo, eu estava realmente cercada desses seres sobrenaturais que tanto me admiravam na infância.

Belo presente de aniversário,Gina.

— Você gostaria de me acompanhar até a biblioteca? Receio que não gostaria de passar suas horas em cárcere neste quarto. – ele sorri mais e eu fecho a porta atrás de mim, para acompanhá-lo.

— Eu adoraria.

A biblioteca era realmente linda, com alguns livros em uma língua estranha, mas fora esses, tinha uma variedade avassaladora. Raphael pegou um dos livros escrito em braile e se sentou numa poltrona, corri meus dedos entre as fileiras, admirada, sempre amei livros, e aquilo era o paraíso para mim.

— Nossa...– sussurro. Escuto uma gargalhada suave de Raphael.

— Gosta de Livros?

— Amo, sou apaixonada por literatura.– encontro um exemplar de um dos livros favoritos e me estico para agarrá-lo.

— Achou algum de seu agrado?– acaricio a capa do livro.

— Então a humana de Vladimir caiu nos encantos do nosso Raphael?– alguém entra na biblioteca, é aquele homem que apagou Rebecca, a simples menção a Vladimir fez com que eu apertasse o livro sobre meus dedos.

— Apenas queria uma companhia para leitura, e visto que Gina se mostrou uma agradável colega, não vejo o porque de tamanha alarmação, meu caro Beliath. – o moreno bufa e se apoia na porta, a camisa desabotoada revelando um pouco a pele pálida do peito.

— Sempre tão formal,Rapha. Mas tenho que concordar que Gina me parece uma excelente companhia. – seu olhar recai sobre mim, que apenas dou de ombros com as sombrancelhas arqueadas.

— Não se preocupe, senhorita. Eu não vou devorá-la. Ao contrário de nosso amado aristocrata.

— D-devorar?– ficou trêmula, essa possibilidade não tinha passado na minha cabeça.

— Está assustando-a, Beliath. Ele não quis dizer isso. – me volto para Raphael, segurando o livro sobre o peito.

— Acho que vou voltar para meu quarto. – contorno Beliath e subo as escadas, esbarrando em alguém.

Por favor, não seja o Vladimir.

— Me desculpe, eu estava distraído.– um rapaz de cabelos vermelhos me olha, um sorriso fino estampado em seu rosto.

— Eu...hã... Desculpe.– pego o livro que tinha caído, ele se abaixa, me acompanhando.

— Gina, certo? Sou Aaron.– ele estende a mão, a encaro, e pela expressão dele, eu estava transparecendo minhas emoções. — Não fique tão assustada, não vou fazer nada com você. Eu prometo.

Ainda receosa, dou um passo para trás, esquecendo que estou em uma escada. Quase caio, se não fosse pelas mãos de Aaron me agarrarem.

— Realmente, um tanto desastrada. – ele diz numa risada, franzi a testa em descrença. — Gosta de contos vitorianos?

— É a minha época preferida. – ele me acompanha pelos degraus. — Já o leu?

— Não, na verdade, já vi Vladmir o lendo algumas vezes. – olho para o livro em minhas mãos, como alguém tão bruto poderia gostar de romances de época? — Acho que é um dos preferidos dele também.

— Argh. Como alguém tão... violento como ele, pode gostar de romances?

— Não se deixe levar por primeiras impressões, Vladimir é um bom homem, apesar de que acho que o relacionamento de vocês não seja o dos melhores, a condição de vocês exige uma certa proximidade.

— Vocês vivem falando desse negócio de cálice, mas ninguém me explica o que é isso! – bufo e Aaron ri.

— Você fica foda brava, mas acho melhor você falar com Vladimir sobre isso e... olha lá vem ele.

Nem olho pra trás, apenas continuo a subir, batendo meus pés feito uma criança birrenta, quem ele pensa que é? Não vou ser tratada como uma criada.

Bato a porta com força, coisa que se mostrou inútil, pois ele entrou no quarto de qualquer forma, respirando nervosamente.

— O que a senhorita pensa que está fazendo?! Não lhe deram educação?

— Não te deram educação de bater antes de entrar no quarto de uma garota?– grito de volta.

— Primeiramente que a senhorita está aqui somente porque eu permito! Tenha mais respeito com o dono da casa cuja você e a irresponsável da sua amiga invadiram em total desrespeito!

— Não fale comigo como se eu fosse uma criança malcriada e você meu pai, porque você não é,porra!– ele arregala os olhos.

— Não diga palavras de baixão calão em minha casa, sua... Além de ser uma ignorante boca suja, anda feito uma manada de javalis!

— O que?– o que esse louco estava falando?

— O Jardim! Você e sua brutalidade arruinaram o meu jardim! Só lhe digo uma coisa, não torne a ir lá!– ele sai e bate a porta. Uma coisa era ser acusada de fazer algo que você realmente fez, outra era me acusar sem provas de algo que não fiz.

Me sento na cama e fecho os punhos em raiva.

Mas isso não vai ficar assim.

Onde já se viu? Acusar uma pessoa sem provas! Eu vou provar que não fui eu e vou esfregar isso na cara dele, ele vai ver só! Sanguessuga Idiota.

Resmungo comigo mesma enquanto vou até o jardim, observo com cautela, nada parecia fora do lugar.

— Não acho que Vladimir vai gostar de te ver aqui.– Aaron surge no meio dos arbustos, dou um suspiro aliviado. — Ouvi ele de onde eu estava.

— E onde você estava?– minha voz saiu cheia de malícia, senti meu rosto queimar.

— Por ai. Tomando um ar. – fecho os olhos e respiro o ar noturno, tão aconchegante e fresco.

— Gosto da noite, é ótima para dar uma volta.

— Uma parte boa de viver com vampiros vai ser sair à noite. – dou uma risada fraca, essa palavra ainda me era estranha. — Bem, o que você faz aqui?

— Seu aristocrata me acusou de destruir o jardim, e estou aqui para provar minha inocência.– digo com convicção.

— Bem, não poderia ter sido você de qualquer forma.– conclui, abro os olhos e vejo seu rosto calmo, sem nem um pingo de deboche.

— Acredita em mim?

— Claro, antes de me encontrar, você estava com Raphael. Acho que antes disso você não saiu, certo?

— Correto, além disso, eu jamais machucaria uma flor sequer, nem no meu mais profundo pico de raiva. De onde eu venho, na minha casa, na verdade, minha avó sempre cultivava flores. – acaricio levemente a pétala de uma rosa rosada. — Adoro lugares assim, Rebecca só me trouxe até aqui porque disse que amava lugares de aparência vitoriana com grandes jardim. Presente de aniversário.

— É seu aniversário?

— Ainda não, mas como íamos voltar pra casa na próxima semana, ela gostaria de me mostrar algum lugar assim. Gostamos de ir a locais abandonados...quer dizer... Nesse caso, bem ocupados. – dou uma risada soprada e Aaron ri junto.

— Escuta, Vladimir pode parecer um tanto...radical quanto a seu jardim, mas ele tem seus motivos.

— Entendo...– sussurro.

— Sério? Uh,bem, eu achei algo por aqui, e me parece, bem, um pouco estranho.

××××××××××××××××××××××××××××××××

Me estico sobre a prateleira, pegando um novo livro e colocando o anterior de volta.

Um guia de blá blá blá flores.

Suspiro e me sento sobre a poltrona, procurando a flor na minhas mãos nele. Meus olhos começam a pesar e meu corpo relaxa. Os fecho devagar.

Sinto carícias sobre o meu ombro nu, subindo pelo meu pescoço até a curvatura de meu lábio inferior, o toque era de couro e o arrepio parece percorrer até o fundo de minha alma.

— Huuum...– resmungo e abro os olhos lentamente, a figura esguia e loira curvada sobre mim. Os olhos negros cravados nos meus, eu me senti impotente, como não me sentia há anos, odiava essa sensação, a sensação de ser uma presa.

Mas infelizmente, isso é o que eu era.

Suas mãos foram de encontro aos meus ombros, Vladimir se inclina em direção ao meu pescoço, a cortina dourada quase branca de cabelos caindo sobre seus olhos escuros, que não paravam de me encarar, e como a teimosa que sou, encarava de volta. Ele apertou meu ombros de leve, seu hálito batendo na parte nua entre meu pescoço e ombro, arrepiando aquela região, seus lábios vão de encontro a meu pescoço, são quentes e macios, suspiro involuntariamente e me xingo mentalmente por me deixar ser submissa a essa sedução masoquista do vampiro. Os lábios correm por meus ombros, como se seguissem o fluxo do sangue em minhas veias. Fecho os olhos, o medo da dor me tomando por completo, sua mão desce até meu pulso devagar, acariciando minha pele caramelo. Num movimento rápido, minhas pernas estão em volta de sua cintura e estou completamente embaixo dele, sem ter pra onde fugir.

— Por favor...– suplico.

— Você me pertence,Gina... Você é meu cálice...

Ele puxa meu pulso até a frente de nossos rostos, seu olhar não me deixa por um só instante. Suas presas afundam em meu pulso, um grito baixo escapa de minha boca, arqueio meu corpo para cima, roçando no dele. Sua língua dança sobre a pele enquanto a boca sorve lentamente meu sangue, um líquido parece invadir minhas veias, descer por minhas costas. Ele enlaçou com a mão livre, colando contra ele.

E eu estava gostando de cada segundo.



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