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História Lua de Sangue - Capítulo 3


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Notas do Autor


A Gina não é igual a Eloise, mas só tem essas imagens ;-;

Capítulo 3 - Respostas


Fanfic / Fanfiction Lua de Sangue - Capítulo 3 - Respostas

Alguém me diga que isso é um sonho e que não eu não gostei da maneira que ele me mordeu.

Não saio do quarto há algumas horas, apesar de que o ambiente parece cada vez menor ao passar do tempo.

— Senhorita? Precisa de algo?– Beliath bate na porta e eu me arrasto até ela.

— Uma kit de higiene pessoal seria pedir muito? Eu preciso de um banho, e roupas. – suplico e ele gargalha.

— Estava me referindo a minha companhia, mas se esse é o caso, irei lhe garantir um banho decente.– ele pisca um dos olhos verdes e desaparece no corredor.

— Beliath?– chamo, antes que ele possa descer as escadas.

— Sim?

— Obrigada. – sorrio, ele retribuí e faz uma reverência.

— Sempre ao dispor de vossa senhorita.– e desce as escadas, um riso escapa de mim, fecho a porta atrás e saio para a casa, torcendo para não encontrar Vladimir pelos corredores.

Minhas emoções em relação a outra noite me deixaram confusa, como eu poderia gostar de ser lanche de vampiro?

Vou até a cozinha com esses pensamentos na cabeça, não há quase nada na dispensa, mas o suficiente para saciar minha fome momentânea.

Me estiquei sobre a janela como um gato manhoso, adorava dormir depois do almoço, a infelizmente, eu não poderia me dar ao luxo de abaixar a guarda com o aristocrata na casa.

A luz da lua iluminava o jardim, dando um aspecto prateado as flores e folhas dali, o ar noturno entrava pelas frestas da janela, suspirei e fui balancei a cabeça.

Nunca mais eu poderia sair.

Presa.

— Senhorita?– a voz dele corta o ar e num movimento brusco, bato o ombro contra o parapeito da janela.

— Ai. – faço carinho no ferimento, numa careta de dor. Vladimir dá um passo pra frente, seu olhar fixo em mim.

—Se machucou? – faço um bico, ainda em posição de defesa.

— Olha, sei que nosso encontro ontem não foi o mais agradável, e começo a duvidar de que não foi a responsável pela destruição do jardim. Peço perdão pelo meu comportamento inadequado, não deveria ter me comportado daquela maneira. Realmente sinto muito.– o encaro com a boca semi aberta, não estava acostumada com pedidos de desculpa tão cordiais, com desculpas no geral, na verdade.

— Ééé...Eu...lhe desculpo, e também peço desculpas pelo meu temperamento explosivo que tive com você ontem, não estava no momento mais adequado para receber alguém. – ele me analisa, parecendo satisfeito com minha tentativa de perdão.

— Eu entendo como deve ser difícil se adaptar a um lugar cheio de estranhos, mas creio que está se adaptando muito bem com certos moradores.– sua voz transmite possessividade e um certo... ciúme?

— Você está falando do Beliath? Olha, ele falaria assim com qualquer moça, imagino. Não entendo o alvoroço. – cruzo os braços, posso sentir o tom de deboche em minha voz, consigo ver seu aperto na bengala. Oras, eu poderia me divertir com isso, nunca tive alguém com ciúmes de mim.

— Ele é um grosseirão! Não lhe trata como uma dama deve ser tratada!– um sorriso malicioso estampa meu rosto. Dou um passo em sua direção, vejo seu rosto corar levemente.

— E como eu deveria ser tratada, Vladimir?– ele engole a seco, seus olhos correndo por meu rosto, tentando identificar algum sinal de mentira em minha fala. — Vamos, me diga. O que você faria comigo, meu aristocrata?

Coloquei minhas mãos em seus ombros, onde seu olhar seguiu curiosamente, continuei a encarar suas orbes negras, as mechas dançando sobre elas enquanto ele se inclinava em minha direção, ergo os pés para poder alcança-lo, maldita baixa estatura.

O objetivo não era um beijo, era apenas irritá-lo por ter me colocado numa situação indefesa na noite anterior.

Mas ele estava tão perto.

Suas mãos se ergueram até minha bochecha, onde seu polegar a acaricia com leveza, o simples gesto acaba com minha postura, eu não havia sido tocada tão gentilmente, era bom. Fecho os olhos e mordo o lábio, odiava quebrar minhas barreiras dessa maneira, principalmente para alguém que eu mal conhecia.

— Gina?– me afasto de Vladimir com um pulo, Aaron está na ponta da escada, um sorriso sapeca é visto nele. — Oh, olá, Vladimir.

— Boa noite, Aaron. – Vladimir ajeita a roupa, suas bochechas num rubor fofo.— Vamos?

— Hein?– questiono.

— Quero conversar com a senhorita,seu quarto está disponível?– direto,eu hein!

Aceno com a cabeça e começo a subir as escadas, sentindo Vladimir atrás de mim. Assim que chego no quarto, me esparro na cama.

— Eu quero falar sobre ontem...

Me endireito e fixo os olhos nele, indicando que podia continuar.

— Sobre a mordida?– digo sem rodeios, odiava adiar notícia ruim.

— Exato, queria dizer que fui um tanto...

— Tarado?

— Eu não diria dessa forma, seria mais....

— Como você classificaria alguém cuja te acorda para tomar seu sangue e te prensa contra a poltrona com o próprio corpo? – cruzo os braços, seu olhar parece uma adaga contra mim.

— Você...seu sangue...seu ser...todos me pertencem... sua vida é dedicada a me alimentar...

— E se eu não quiser? Posso me matar a qualquer momento, e você não pode impedir isso.– digo em tom de desafio, sua expressão suaviza, até que ele suspira baixo.

— Isso me mataria, é isso o que você quer?– arregalo os olhos, eu não era cruel de matar alguém por um puro capricho de morrer com minha dignidade.

— E se você morrer?– descruzo os braços, levando as mãos até a barra de minha blusa, como que queria um banho agora.

— Você será libertada, e se morrer de velhice, eu simplesmente seria liberto. Não há como mudar isso, sinto muito.– ele se senta ao meu lado na cama, queria chorar, mas me recuso a demonstrar fraqueza diante de alguém.

— Sobre o seu jardim....– comecei, querendo mudar de assunto. — Eu e Aaron....bem...o Aaron na verdade, achou uma coisa...

— Por favor,me diga.

Sangue. Aaron achou sangue. – consigo ver seu rosto se contorcendo em algumas reações, mas me recuso a encará-lo. — Não acha que poderia ser meu?

— Não, eu saberia de imediato, a ligação me permite reconhecê-lo mesmo sem ver. – me viro em sua direção, até o momento eu encarava o chão, seus olhos escuros estavam me encarando, as pupilas seriam invisíveis para alguém de longe. Mas eu estava bem perto.

— Disse ao Aaron que pode ter sido alguém, ou alguma coisa de fora, visto que...

— De fato, quando nos alimentamos, a última coisa que queremos é uma carnificina, o objetivo sempre é fazê-lo do jeito mais simples possível, nossas vítimas não devem se lembrar do que houve e... estou nauseando a senhorita?– estava tão concentrada em suas palavras, que nem reparei quando ele se dirigiu a mim.

— Oh.. não, de forma alguma. Eu tive experiências o suficiente com sangue para ele não me incomodar... Como você sabe que o sangue não era meu?

— O seu sangue... Tem um aroma... Uma personalidade... Que não sai da minha cabeça...toda vez que você chega perto, eu te sinto... todo o seu ser é como uma droga pra mim...eu nunca experimentei isso antes, estou descobrindo junto com você, ao mesmo tempo que você... E cada vez que eu sinto sua pele próxima da minha, eu...

Nossa distância tinha evaporado, estávamos a centímetros de distância, seu rosto pálido com rubor na bochechas, os olhos pretos fixados nos meus castanhos. Coloquei minha mão sobre a sua, que estava apoiada no colchão, sem saber ao certo se ele se iria se esquivar de mim. Para minha surpresa, ele subiu a mão livre até meu ombro, acariciando a pele nua onde minha regata acabava, Vladimir coloca o dedo embaixo da alça, a puxando lentamente pra baixo, mas seus olhos ainda encaram os meus.

— Sei que minha atitude ontem foi extremamente rude, mas não era pra ser assim, não deveria ser tão bruto, principalmente para um cálice e seu vampiro, deixe-me te mostrar.

Vladimir afasta meu cabelo do pescoço, acariciando a área em seguida, fecho os olhos, ainda temerosa com a mordida, sinto ele se inclinando para mim, a mão que estava embaixo da minha a leva até seu corpo, o tecido é macio nos meus dedos. Ele desenha o contorno de meu braço com a mão, até chegar em meu cabelo, onde o afofa. Seus lábios correm por meu pescoço, depositando beijos e leves mordiscadas, me arrancando suspiros manhosos. Seguro seu cabelo, puxando-o levemente. Vladimir sobe os lábios até minha bochecha, sua mão me puxa mais pra perto, ele afasta o rosto e me encara, abro os olhos e vejo-o olhando pros meus lábios, eu havia os mordido e agora sangravam. Ele o suga com a boca, sua língua massageando a carne rosada, não consigo me conter e gemi, isso o fez largar e voltar a atenção ao meu pescoço, onde suas presas se deliciam com meu sangue. Uma descarga de endorfina escorre por minhas veias, me aninho entre seus braços, acariciando seus cabelos, as ondas loiras fazendo cócegas em minha pele. Vladimir me puxa pela cintura e caímos na cama, nossos corpos tão colados e quentes me deixam em êxtase.

No instante seguinte, eu tomei um choque de realidade, o que eu estava fazendo? Deixando que me escravisassem? Não, eu nunca mais permitiria que tivessem poder sobre mim.

— Me larga!– o empurrei com toda a força, fazendo com que suas presas cortassem minhas veias, um grito estridente saiu por meus pulmões e eu corri, sem saber onde eu estava indo, empurrando a porta principal sem destino.

Eu ouvia sua voz atrás de mim, dizendo que eu não poderia ir embora que eu era...dele.

Não.

Eu não permito que me façam de capacho novamente.

Para meu azar, eu sou desastrada, e tropeçei num galho solto da floresta.

O corte ardia o suficiente para que meu braço não funcionasse direito e eu não conseguisse me apoiar em nada, rolei por alguns segundos, que mais pareceram um século, até que minha cabeça batesse contra uma rocha e eu apagasse. Esse era o meu fim,afinal?

Você tem uma sorte, que chega a ser insolente. Poderia ter quebrado o pescoço, veja só, só um galo. Bem com a garoa que caiu, não me surpreenda que você pegue um resfriado, nada que eu não posso tratar. Não se preocupe, vou cuidar de você. Se não me lembrasse da sua incrível habilidade de ser desatenta ao seu redor e desastre, diria que teria demorado mais pra lhe achar. Imagino que sua amiga fez bem em dizer que você é, em suas palavras ,“dura na queda”, quem diria que isso fosse salvar sua vida. – a voz soava distante pra mim, mesmo que soubesse que ele estava ali, me carregando, como se eu não pesasse nada. Algo fofo e quente me rodeava, sabia que deveria estar suja de sangue e lama, mas ele parecia não se importar. Reuni minhas forças para abrir os olhos, que pareciam pesar uma tonelada.

Vladimir...– minha voz saiu mais em tom de súplica do que qualquer coisa. Ele se inclinou em minha direção e sorriu, era a primeira vez que eu o via fazer isso.

— Não se esforce, pequena, vou cuidar de você. – ele me fez carinho com o dedo indicador dobrado, me inclinei na direção de sua mão.

Desculpa...– sussurrei, começo a ver os arcos de flores da mansão.

— Descanse agora, mais tarde falaremos disso.– e com isso, ele beijou minha testa, dando o assunto como encerrado.

Por hora.



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