História Lua nova jjk pjm - Capítulo 7


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Categorias Bangtan Boys (BTS), Blackpink, EXO
Personagens Jennie, Jeon Jungkook (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Jong-in (Kai), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin)
Tags Adolescente, Bangtan Boys (BTS), Blackpink, Crepusculo, Exo, Fantasia, Hoseok, Jennie, Jhope, Jikook, Jimin, Jjk, Jongin, Jungkook, Kai, Kookmin, Lobisomen, Namjin, Namjoon, Pjm, Romance, Seokjin, Sobrenatural, Suga, Taehyung, Vampiro, Vhope, Yoongi
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Palavras 4.008
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Ficção Adolescente, LGBT, Luta, Mistério, Romance e Novela, Saga, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Heterossexualidade, Homossexualidade, Mutilação, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 7 - O fim part 2


Eu olhei, sem compreender, dentro dos olhos dele. Ele encarou de volta sem se arrepender. Seus olhos eram como topázio duros e claros e muito profundos. Eu senti como se pudesse ver por dentro deles por milhas e milhas, e mesmo assim, ainda não conseguia alcançar o lugar onde encontraria a contradição de suas palavras.

- Bem, as coisas mudam. - Eu fiquei surpreso por como a minha voz soava calma e razoável. Devia ser porque eu estava tão entorpecido.

Eu não conseguia me dar conta do que ele estava me dizendo. Ainda não fazia nenhum sentido. Ele olhou para longe para as árvores enquanto falou de novo.

- É claro que eu sempre amarei você... de certa forma. Mas o que aconteceu na noite passada me fez perceber que estava na hora de uma mudança. Porque eu estou... cansado de fingir ser uma pessoa que eu não sou, Jimin. Eu não sou humano.

Ele olhou de volta, e as formas geladas do seu rosto perfeito eram muito não humanas. - Eu deixei isso ir longe demais, eu lamento por isso.

- Não lamente - minha voz era só um sussurro agora a consciência estava começando a correr com ácido pelas minhas veias. - Não faça isso.

Ele só olhou pra mim, e pude ver pelos seus olhos que minhas palavras estavam atrasadas demais. Ele já tinha feito.

- Você não é bom pra mim, Jimin - ele contornou sua palavras anteriores, então eu não tinha como argumentar. Eu sabia muito bem que não era bom pra ele. Eu abri minha boca pra dizer alguma coisa, e então a fechei de novo. Ele esperou pacientemente, seu rosto totalmente limpo de emoção. Eu tentei de novo.

- Se... isso é o que você quer.

Ele acenou com a cabeça uma vez.

Meu corpo inteiro ficou entorpecido. Eu não conseguia sentir nada abaixo do pescoço.

- Eu gostaria de te pedir um favor, porém, se não for pedir demais - ele disse. Eu imagino o que ele viu no meu rosto, porque alguma coisa passou pelo rosto dele em resposta.

Mas antes que eu conseguisse identificar o que era, ele recompôs o rosto na mesma máscara serena de antes.

- Qualquer coisa - eu prometi, minha voz estava levemente mais forte.

Enquanto eu observava, seus olhos congelados se derreteram. O dourado ficou líquido de novo, derretido, queimando os meus com uma intensidade dominante.

- Não faça nada perigoso ou estúpido - ele ordenou, não mais imparcial. - Você entendeu o que eu disse?

Eu balancei a cabeça sem saída. Seus olhos se esfriaram, a distância retornou. - Eu estou pensando em Taeyon, é claro. Ele precisa de você. Tome conta de sí mesmo, por ele.

Eu afirmei com a cabeça de novo. - Eu vou - eu sussurrei. Ele pareceu relaxar só um pouco.

- E eu te farei uma promessa em retorno - ele disse. - Eu prometo que essa será a última vez que você vai me ver. Eu não vou voltar. Eu não vou te envolver em nada assim novamente.

Você pode seguir a sua vida sem mais nenhuma interferência da minha parte. Será como se eu nem existisse.

Meus joelhos devem ter começado a tremer, porque de repente as árvores estavam crescendo. Eu podia ouvir o sangue pulsando mais rápido que o normal atrás das minhas orelhas. A voz dele soou muito distante.

Ele sorriu gentilmente. - Não se preocupe. Você é humano, sua memória é como uma peneira. O tempo curas as feridas para as pessoas da sua espécie.

- E as suas memórias? - eu perguntei. Parecia que havia algo enfiado na minha garganta, como se eu estivesse sufocando.

- Bem - ele hesitou por um breve segundo - Eu não vou esquecer. Mas a minha espécie... nós nos distraímos muito facilmente.

Ele sorriu; o sorriso era tranquilo e não tocou seus olhos. Ele deu um passo se distanciando de mim. - Isso é tudo, eu suponho. Nós não vamos te incomodar de novo.

O plural me chamou a atenção. Isso me surpreendeu; eu pensei que era incapaz de me dar conta de alguma coisa.

- Taehyung não vai voltar - eu me dei conta. Eu não sei como ele me ouvir, as palavras não fizeram nenhum som, mas ele pareceu entender.

Ele balançou a cabeça lentamente, sempre olhando pro meu rosto

- Não. Eles já foram todos embora. Eu fiquei pra trás pra te dizer adeus.

- Taehyung foi embora? - Minha voz estava vazia de descrença.

- Ele queria dizer adeus, mas eu convencí ele de que uma despedida limpa seria o melhor pra você.

Eu estava tonto; era difícil me concentrar. As palavras dele giravam na minha cabeça, e eu podia opuvir o médico que me atendeu em Phoenix, na primavera passada, enquanto ele me mostrava os exames de Raio-X Você pode ver aqui que é uma fratura clara os dedos deles percorriam a figura do meu osso fraturado. Isso é bom. Significa que vai sarar mais facilmente, mais rapidamente. Eu tentei respirar normalmente. Eu tentei me concentrar, pra encontrar uma forma de sair desse pesadelo.

- Adeus, Jimin - ele disse na mesma voz calma, pacífica.

- Espere - eu sufoquei depois das palavras, me inclinando pra ele, esperando que minhas pernas mortas pudessem me levar em frente.

Eu pensei que ele estava se inclinando pra mim também. Mas as mãos geladas dele agarraram minha cintura e se colaram nos meus lados. Ele se abaixou, e colou seus lábios muito rapidamente na minha testa pelo mais breve segundo. Meus olhos se fecharam.

- Cuide-se - ele respirou, frio contra a minha pele.

Houve uma leve brisa sobrenatural. Meus olhos se abriram. As folhas das árvores menores tremiam com o vento gentil da sua passagem. Ele havia ido embora. Com as pernas tremendo, ignorando o fato de que minhas ações eram inúteis, eu o seguí pela floresta. As evidências dos seus passos desapareceram instantaneamente. Não haviam pegadas, as folhas estavam paradas de novo, mas eu seguí em frente sem pensar. Eu não conseguia pensar em mais nada. Se eu parasse de procurar por ele, estaria acabado. Amor, vida, sentido... acabados. Eu caminhei e caminhei. O tempo não fazia sentido enquanto eu me empurrava pelo solo grosso. Eram horas passando, mas também só segundos. Talvez parecesse que o tempo havia parado porque não importava o quanto eu continuasse seguindo em frente a floresta sempre parecia igual. Eu comecei a me preocupar em estar viajando em círculos, um círculo bem pequeno na verdade, mas eu continuava em frente. Eu tropeçava muito, e, enquanto ia ficando mais e mais escuro, eu comecei a cair frequentemente também. Finalmente, eu tropecei em alguma coisa, estava escuro agora, eu não tinha idéia do que segurou meu pé e eu fiquei no chão. Eu rolei de lado, pra poder respirar, e me curvei no solo molhado. Enquanto eu ficava lá, eu tinha a impressão de que havia se passado mais tempo do que eu podia imaginar. Eu nem podia lembrar a quanto tempo a noite havia caído. Era sempre assim tão escuro aqui durante a noite? Certamente, como era a regra, alguns raios de lua atravessavam as nuvens, através das rachaduras nas copas das árvores, e vinha encontrar o chão. Essa noite não. O céu estava completamente escuro. Talvez não houvesse luz da lua hoje, um eclipse lunar, uma lua nova. Uma lua nova. Eu tremí, apesar de não estar frio.

Estava escuro durante muito tempo antes de eu os ouvir me chamando. Alguém estava gritando meu nome. Eu estava muda, afundada no chão molhado ao meu redor, mas era definitivamente o meu nome. Eu não reconhecia a voz. Eu pensei em responder, mas eu estava confuso, e eu levei um longo tempo até chegar a conclusão de que eu devia responder. Até aí, os gritos já haviam parado. Algum tempo depois, a chuva me acordou. Eu não acho que realmente tenha caído no sono; eu só estava perdido num torpor sem pensar, me agarrando com todas as minhas forças na minha torpência que me mantinha sem ver aquilo que eu não queria saber. A chuva me incomodou um pouco. Estava frio. Eu soltei meus braços das minhas pernas e os coloquei na frente do meu rosto.

Foi aí que eu ouví os chamados de novo. Estava mais longe dessa vez, e as vezes parecia que várias vozes estavam me chamando de uma só vez. Eu tentei respirar fundo. Eu me lembrei que tinha que responder, mas eu não achava que eles seriam capazes de me ouvir. Será que eu seria capaz de gritar alto o suficiente? De repente houve outro som, surpreendentemente perto. Um tipo de rosnado, um som animal. Parecia grande. Eu me perguntei se deveria estar com medo. Eu não estava com medo, só entorpecido. Eu não me importava. O rosnado foi embora. A chuva continuou, e eu podia sentir a água se acumulando contra a minha bochecha. Eu estava tentando reunir as minhas forças pra mover a minha cabeça, quando ví a luz. Primeiro era só um brilho fraco se refletindo nos arbustos á distância. Foi ficando mais e mais brilhante, iluminando um grande espaço, diferente de uma lanterna normal ou de um ponto de luz. A luz apareceu pelos arbustos mais próximos, e eu pude ver que era uma lanterna propana, mas isso foi tudo que eu conseguí ver a claridade me cegou por um momento.

- Jimin.- A voz era profunda e não era familiar, mas cheia de reconhecimento.

Ele não estava me perguntando se era eu, ele estava testando o fato de que havia me encontrado. Eu olhei pra cima, me pareceu impossivelmente alto para o rosto escuro que agora eu podia ver em cima de mim. Eu estava vagamente cosciente de que o estranho só parecia ser tão alto porque minha cabeça ainda estava no chão.

- Você está ferido?

Eu sabia que as palavras queriam dizer alguma coisa, mas eu só encarei, desnorteado. Comobé que um significado poderia ter alguma importância agora?

- Jimin, meu nome é Sam Uley.

O nome não me parecia familiar.

- Taeyon me mandou pra procurar por você.

- Taeyon? - Uma corda se partiu, e eu tentei prestar mais atenção ao que ele estava dizendo. Taeyon me importava, já que nada mais importava. Ele me estendeu uma mão. Eu olhei pra ela, sem ter muita certeza do que deveria fazer. Seus olhos pretos me analisaram por um segundo, e então ele levantou os ombros. Num movimento rápido e flexível, ele me levantou do chão e me colocou nos braços. Eu fiquei lá, flácido, enquanto ele se movia rapidamente pela floresta molhada. Alguma parte de mim sabia que isso devia me aborrecer de ser carregado por um estranho. Mas não havia mais um motivo pra eu me aborrecer. Não pareceu que muito tempo havia passado antes das luzes e da profundidade das vozes masculinas me chamando.

Sam Uley foi parando enquanto se aproximava da comoção.

- Eu estou com ele! - ele falou numa voz estrondosa.

Os ruídos pararam, e então recomeçaram com ainda mais intensidade. Um confuso redemoinho de rostos se movia sobre mim. A voz de Sam era a única que fazia sentido no meio do caos, talvez porque meu ouvido estava no peito dele.

- Não, eu não acho que ele esteja machucado - ele disse pra alguém.

- Ele fica repetindo 'Ele foi embora'.

Eu estava dizendo isso alto? Eu mordí meu lábio.

- Jimin, querido, você está bem?

Essa era um voz que eu reconheceria em qualquer lugar, mesmo desnorteado, como eu estava agora, de preocupação.

- Taeyon? - minha voz soou estranha e pequena.

- Eu estou aqui, meu bem.

Houve uma pequena passagem em baixo de mim, seguida pelo cheiro da jaqueta de couro de policial do meu pai. Taeyon cambaleou com meu peso.

- Talvez eu devesse segurar ele - Sam Uley sugeriu.

- Eu aguento ele - Taeyon disse, um pouco sem fôlego.

Ele caminhou devagar, lutando. Eu queria poder dizê-lo pra me colocar no chão e me deixar caminhar, mas eu não conseguia encontrar minha voz. Haviam lanternas em todos os lugares, seguradas pela multidão ao nosso redor. Parecia que eu estava num desfile. Ou uma processão de funeral. Eu fechei meus olhos.

- Já estamos quase em casa agora, querido - Taeyon murmurava de vez em quando. Eu abrí meus olhos de novo quando ouví a porta sendo destrancada. Nós estávamos na

varanda da casa, e o homem alto e escuro chamado Sam estava segurando a porta pra Charlie, um dos braços estendido em nossa direção, como se ele estivesse preparado pra me pegar quando os braços de Taeyon falhassem. Mas Charlie conseguiu me passar pela porta e me colocar no sofá da sala de estar.

- Pai, eu tô todo molhado - eu reclamei febriamente.

- Isso não importa - a voz dele estava áspera. E então ele começou a falar com outra pessoa. - Os lençóis estão no armário no topo das escadas.

- Jimin? - uma nova voz chamou.

Eu olhei para o homem de cabelo cinza, e o reconhecimento só veio depois de algunsbsegundos.

- Dr. Gerandy? - eu murmurei.

- É isso mesmo, querido - ele disse. - Você está machucado, Jimin?

Eu levei algum tempo pra pensar nisso. Eu estava confuso pela memória da pergunta parecida que Sam Uley havia me feito na floresta. Só que Sam Uley perguntou outra coisa: Você foi ferido? ele havia dito. A diferença parecia mais significante agora. O Dr. Gerandy estava esperando. Uma sobrancelha grisalha erguida, e as pregas da testa dele ficaram mais profundas.

- Eu não estou machucado - eu mentí. As palavras eram verdadeiras o suficiente para o que ele havia perguntado.

A mão quentinha dele tocou minha testa, e os dedos dele pressionaram a parte de dentro do meu pulso. Eu observei os lábios dele enquanto ele contava pra sí mesmo, os olhos no relógio.

- O que aconteceu com você? - ele perguntou casualmente.

Eu congelei embaixo da mão dele, sentindo o gosto do pânico no fundo da minha garganta.

- Você se perdeu na floresta? - ele tentou. Eu estava consciente de que várias pessoas estavam ouvindo. Três homens altos com rostos escuros de La Push, da reserva indígena de Quileute que fica na costa, eu imaginei, Sam Uley entre eles, estavam muito próximos uns dos outros e olhando pra mim. O Sr. Newton estava lá com Mike e o Sr. Weber, o pai de Angela; eles estavam todos me olhando com mais suspeitas do que os estranhos. Outras estranhas vozes profundas vinham da cozinha e do lado de fora da porta. A metade da cidade devia estar lá olhando pra mim. Taeyon era o que estava mais próximo. Ele se inclinou pra ouvir minha resposta.

- Sim - eu sussurrei. - Eu me perdí.

O médico afirmou com a cabeça, pensativo, seus dedos apertando gentilmente as glândulas embaixo da minha mandíbula. O rosto de Taeyon endureceu.

- Você se sente cansado? - Dr. Gerandy perguntou.

Eu afirmei com a cabeça e fechei meus olhos obedientemente.

- Eu não acho que haja nada errado com ele - eu ouví o doutor dizer pra Taeyon depois de um momento. - Só exaustão. Deixe ele dormir, e eu vou vir checar ele amanhã. - ele pausou. Ele deve ter olhado para o relógio, porque depois ele acrescentou, Bem, mais tarde, hoje, na verdade. Houve um som de que alguma coisa estava se quebrando enquanto os dois se levantavam do lado do sofá e ficavam de pé.

- É verdade? - Taeyon murmurou. As vozes deles estavam longe agora. Eu me esforcei para ouvir. - Eles foram embora?

- O Dr. Kim nos pediu pra não dizer nada - Dr. Gerandy respondeu. - A oferta foi muito repentina; eles tiveram que escolher imediatamente. Namjoon não queria que sua partida se transformasse numa grande produção.

- Um pequeno aviso teria sido bom - Taeyon grunhiu.

O Dr. Gerandy pareceu desconfortável quando respondeu. - Sim, bem , nessa situação algum aviso podia ter sido de serventia. Eu não queria mais ouvir. Eu agarrei a borda de uma colcha que alguém havia jogado por cima de mim e a coloquei por cima do meu ouvido.

Eu me joguei na correnteza e saí de alerta. Eu ouví Taeyon sussurrar um obrigado para os volutários enquanto, um por um, eles iam embora. Eu sentí os dedos dele na minha testa, e então, o peso de outro lençol. O telefone tocou algumas vezes, e ele corria pra atendê-lo antes que ele me acordasse. Ele murmurava palavras tranquilizadoras numa voz baixa pra os que ligavam.

- É, nós o encontramos. Ele está bem. Ele se perdeu. Ele está bem agora - ele dizia de novo e de novo.

Eu ouvia o barulho da cadeira quando ele se sentava nela pra passar a noite.

Alguns minutos depois, o telefone tocou de novo. Taeyon gemeu enquanto lutava pra ficar de pé, e então correu, tropeçando, até a cozinha. Eu coloquei minha cabeça ainda mais fundo nas cobertas, sem querer ouvir a mesma conversa de novo.

- Sim - Charlie disse e bocejou. A voz dele mudou, ela estava muito mais alerta quando ele falou de novo. - Onde? - Houve uma pausa. - Você tem certeza que foi fora da reserva? - Outra breve pausa. - Mas o que poderia estar queimando lá? - Ele parecia tanto preocupado quanto confuso. - Olha, eu vou ligar pra lá e vou checar isso. Eu ouví com mais interesse enquanto ele discava o número.

- Ei, Lui, é Taeyon, me desculpe por estar ligando tão cedo... não, ele está bem. Ele está dormindo... obrigado, mas não foi por isso que eu liguei. Eu acabei de receber uma ligação da Sra. Stanley, e ela disse que da janela do segundo andar ela vê fogo perto dos penhascos na praia, mas eu não... Oh - De repente havia uma ponta na sua voz- irritação... ou raiva. - E porque eles estão fazendo isso? Uh huh. Mesmo? - Ele disse sarcasticamente. - Bem, não se desculpe comigo. É, é. Só se certifique de que as chamas não se espalhem... Eu sei, eu sei, eu estou surpreso que eles tenham conseguido acendê-las com esse clima. Taeyon hesitou, e então acrescentou rancoroso - Obrigado por ter mandado Sam e os outros rapazes. Você estava certo, eles conheciam a floresta melhor que nós. Foi Sam que a encontrou, então eu te devo uma... É, eu vou falar com você depois - ele concordou, ainda azedo, antes de desligar.

Taeyon murmurou alguma coisa incompreensível enquanto voltava para a sala.

- O que há de errado? - eu perguntei.

Ele correu pro meu lado.

- Me desculpe se eu te acordei, querido.

- Tem alguma coisa queimando?

- Não é nada - ele me assegurou. - Só algumas fogueiras nos penhascos.

- Fogueiras? - eu perguntei. Minha voz não soou curiosa. Ela parecia morta.

Taeyon fez uma careta. - Algumas crianças da reserva fazendo desordem - ele explicou.

- Porque?

Dava pra notar que ele não queria responder. Ele olhou pra o chão embaixo dos joelhos dele. - Eles estão celebrando as novidades. - O tom dele estava amargo. Só havia uma novidade na qual eu podia pensar, mesmo tentando não o fazer. E as peças se encaixaram.

- Porque os Kim's foram embora - eu sussurrei. - Eles não gostam dos Kim's em La Push - eu tinha esquecido disso.

Os Quileute tinham suas superstições sobre "Os frios", os bebedores de sangue que eram inimigos da tribo deles, assim como eles tinham as lendas do grande dilúvio e a dos homens-lobos. A maioria delas eram só histórias, folclore. E então haviam os poucos que acreditavam. O bom amigo de Taeyon, Lui Black acreditava nelas, apesar de até Jongin, seu único filho, achar que ele era cheio de superstições bobas. Lui havia me avisado pra ficar longe dos Kim's ...

O nome causava alguma coisa dentro de mim, alguma coisa que começou a cavar seu caminho de volta para a superfície, alguma coisa que eu sabia que não queria encarar.

- Isso é ridículo - Taeyon falou.

Nós sentamos em silêncio por algum tempo. O céu já não estava mais escuro lá fora. Em algum lugar por trás da chuva, o sol estava começando a nascer.

- Jimin? - Taeyon perguntou.

Eu olhei pra ele intranquilo.

- Ele te deixou sozinho na floresta? - Taeyon adivinhou.

Eu ignorei a pergunta dele. - Como você sabia onde me encontrar? - minha mente criou um escudo contra a inevitável consciência que já estava se aproximando, vindo rápida agora.

- O seu bilhete - Taeyon respondeu, surpreso. Ele procurou no bolso de trás de sua calça e puxou um papel muito amassado. Ele estava sujo e úmido, com múltiplas dobras por ter sido aberto e redobrado muitas vezes. Ele o desdobrou de novo, e o segurou como prova. A escrita bagunçada era incrivelmente parecida com a minha. Saíndo numa caminhada com Jungkook, lá na trilha, ele dizia. Volto logo, B.

- Quando você não voltou, eu liguei para os Kim's, e ninguém atendeu - Taeyon disse numa voz baixa. - Então eu liguei para o hospital, e o Dr. Gerandy me disse que Namjoon havia ido embora.

- Pra onde eles foram? - eu murmurei.

Ele me encarou. - Jungkook não te disse?

Eu balancei minha cabeça, recuando. O som do nome dele libertou a coisa que estava me rasgando por dentro, uma dor que me deixou sem fôlego, me deixando aturdido com a sua força. Taeyon me olhou duvidosamente enquanto respondia.

- Namjoon aceitou um emprego num grande hospital em Los Angeles. Eu acho que eles o ofereceram um monte de dinheiro. A ensolarada Los Angeles. O último lugar pra onde eles realmente iriam. Eu me lembrei do pesadelo com o espelho... o brilho do sol cintilando na pele dele. A agonia se apertou a mim junto ás memórias do rosto dele.

- Eu quero saber se Taeyon te deixou lá sozinho no meio da floresta. - Taeyon insistiu.

O nome dele mandou outra onda de tortura pelo meu corpo. Eu balancei minha cabeça, freneticamente, desesperado pra escapar da dor. - Foi culpa minha. Ele me deixou bem aqui na trilha, na frente de casa... mas eu tentei seguir ele.

Taeyon começou a dizer alguma coisa; infantilmente, eu cobri meus ouvidos.

- Eu não quero mais falar nisso, pai. Eu quero ir pro meu quarto.

Antes que ele pudesse responder, eu me levantei desajeitadamente do sofá e me lancei escada acima. Alguém havia estado em casa pra deixar o bilhete pra Taeyon, um bilhete que o ajudaria a me encontrar. No momento que eu me dei conta disso, uma terrível suspeita começou a crescer na minha cabeça. Eu corrí para o meu quarto, batendo e trancando a porta atrás de mim antes de correr para o Cd Player ao lado da minha cama. Tudo parecia exatamente igual ao que eu havia deixado. Eu pressionei o topo do Cd Player. O trinco se desprendeu, e a tampa foi se abrindo lentamente. Estava vazio.

O album que Renée havia me dado estava no chão ao lado da cama, exatamente onde eu ohavia colocado da última vez. Eu levantei a capa com uma mão tremendo. Eu não tive que ir além da primeira página. O pequeno gancho de metal ja não prendia mais nenhuma foto. A página estava vazia, a não ser pela minha própria escrita rabiscada embaixo: Jeon Jungkook Kim, Cozinha de Taeyon, 13 de Setembro. Eu parei aí. Eu tinha certeza de que ele havia sido bastante competente. Será como se eu nunca tivesse existido. Eu sentí o chão de madeira suave embaixo dos meus joelhos, e então as palmas das minhas mãos, e então ele estava pressionado na pele da minha bochecha. Eu esperava estar desmaiando, mas, pro meu desapontamento, eu não perdí a consciência. As ondas de dor que até agora só haviam tocado em mim agora ficavam mais altas e passavam pela minha cabeça, me afogando. Eu não emergí



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