História Lúcifer - Capítulo 9


Escrita por:

Postado
Categorias EXO, Lu Han, Lucifer
Personagens Baekhyun, Chanyeol, D.O, Kai, Lu Han, Sehun, Suho, Xiumin
Tags Baby!minseok, Baekyeol, Chanbaek, Hunhan, Kaisoo, Kid!minseok, Lucifer, Lucifer!au, Menção Hunhan, Menção Kaisoo, Minseok!kid, Mitologia Cristã, Suho, Yizumi
Visualizações 167
Palavras 8.381
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Fluffy, Lemon, LGBT, Luta, Mistério, Misticismo, Policial, Romance e Novela, Slash, Sobrenatural, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


OI

vamos ao cap fresquinho que acabei de terminar de betar (sim, a essa hr, por isso esperem mts erros) dsdsdhsj postei agora pq eu tava mt ansiosa e já tinha demorado demais pro meu gosto, então ó.

espero que gostem e compreendam mais sobre cada personagem <3

ah, a formatação do ss tá uma bosta e deu bug. odeio essa porra de paragrafo que ele sempre buga, bicho!

Capítulo 9 - Don't Wait Too Long


Fanfic / Fanfiction Lúcifer - Capítulo 9 - Don't Wait Too Long

Minseok havia sido, de fato, sequestrado. Tudo bem que o protocolo dizia que, somente depois de vinte e quatro horas poderia se considerar sequestro, mas naquele caso, havia testemunhas que confirmaram ver o garoto ser levado por um homem estranho. Baekhyun mesmo confirmou que não conhecia nenhum senhor acima de quarenta anos e de cabelos grisalhos.

Não tinha nenhum parente nessa faixa etária, muito menos amigos.

A aparência do culpado era um mistério para os investigadores que estavam responsáveis pelo caso, ou seja, o qual atendeu a ocorrência; um colega de trabalho de Baekhyun, Wu Yifan. Ninguém, muito menos o detetive Byun entendia porque fariam aquilo justo com seu filho, não tinha o porquê, sempre manteve sua vida pessoal bem escondida perante a profissional.

Ninguém conseguia acreditar no que havia acontecido, não tinha nem como. Era revoltante a covardia do canalha, sequestrar justo uma criança indefesa. Não era nenhuma novidade por toda delegacia e todos os conhecidos da família o quanto o garoto sempre foi tão bem cuidado, educado, mal ficava minutos longe de alguém de confiança.
Isso jamais poderia acontecer, mas infelizmente, aconteceu.

Não fora falta de cuidado. Não. Não havia sido culpa de Baekhyun.

Depois que a polícia foi acionada pela mulher, que mais tarde Baekhyun acabou por descobrir se chamar Kim Joon Ah, uma advogada de boa fama na cidade, o Byun reconheceu o policial que ficaria responsável pelo caso, conversou com ele explicando tudo e o agente veterano Wu disse que faria o possível e o impossível para encontrar o garoto e fazer justiça, e Baekhyun até chegou a relaxar um pouco mais, só que a raiva e desespero lhe puxava para baixo novamente.

Foi tudo um caos.

Uma equipe de busca também foi acionada e eles começaram a vasculhar o perímetro, algumas pessoas do parque se comoveram com a situação do policial e se juntaram na procura, mas no fim, nada encontraram.

Nada de novo.

“Ah, ele era baixinho certo? Hm… eu até me lembro desse garoto... ele estava todo sorridente… eu acho que a pessoa é conhecida ou soube muito bem induzir a criança, até mesmo o chamava de vovô”

Era o que foi dito em um dos relatos e se repetia em muitos dos outros.

O pior é que, como as pessoas não suspeitavam de nada, ninguém havia prestado atenção para que direção haviam ido, que rua haviam pegado, se tinham entrado em um veículo ou não. Nem mesmo a segurança do local havia funcionado, visto que não existiam câmeras espalhadas pelo parque, justo por ser uma praça pública de área livre que a prefeitura, vez ou outra, cedia a um parque de diversões ou algum circo.

Eles pensaram mesmo em fazer um retrato falado, todavia nenhuma das testemunhas, que viram o garoto, memorizaram o rosto do homem. Isso estava ficando agoniante demais.

Já eram quase sete horas da noite quando pararam as buscas sendo que iniciaram ás seis e pouco. Estavam todos exaustos e não adiantaria nada ficar ali sendo que já tinham andado pelo local inteiro duas vezes e ido em casas vizinhas. Tinham mesmo que descansar e ainda fazer a parte burocrática, por isso optaram por ir direto a delegacia.

Eram quase oito horas da noite e Baekhyun estava em sua sala. O smartphone na mão o manuseando para lá e para cá, como uma mania de quando ficava nervoso. Seus olhos miravam um ponto fixo na parede do início da sala, mas na realidade, não se atinha ao que estava ali, ele estava mesmo é perdido em seus pensamentos.

O Byun estava deplorável, chegou até a sentir náuseas. Suas pálpebras vacilavam a todo momento como se fosse entregar ao choro, ao desespero que aquela situação estava lhe causando, e então, respirava fundo, se ajeitava na poltrona e voltava a pensar em alguma estratégia.

Tinha que haver uma forma de encontrar seu pequeno Minseok.

— Ai, meu Deus, me ajuda, por favor. Se você existe mesmo, não deixe que nada aconteça com o meu filho. Por favor, por favor. — Sussurrou repetidas vezes, pouco se importando se seu chefe estava na sala consigo.

Era quase palpável o desespero que ele estava, e aquilo se instalava no ambiente, levando qualquer um a ficar semelhante a ele.

A sala exalava a desespero e nervosismo.

— Baekhyun, — O mais velho chamou com muita cautela. — Você deveria ir para casa descansar um pouco, sabe, dar uma acalmada nos nervos. Nunca se chega a alguma solução quando se está de cabeça quente e pior, cheia também. Tem uma equipe enorme se dedicando a esse caso, com muito carinho e vontade, não só por ser mais um caso, mas por se tratar de você, alguém muito importante para todos nós.

O intuito do mais velho era tentar fazer com que o detetive pudesse pensar com mais clareza, largar daquele escritório e ir descansar porque ele, sinceramente, não estava em condições. As bolsas escuras debaixo dos olhos dele eram a maior garantia que naquele momento ele deveria estar em qualquer lugar, menos na delegacia.

— Eu não posso, eu preciso ficar aqui. Se caso aconteça alguma coisa, eu preciso estar preparado. Chefe, eu tenho que estar preparado pra salvar o meu filho, ou ao menos, descobrir onde ele está.

— Tudo bem. — O lançou um olhar compreensivo. — Eu já tinha avisado a Chanyeol que estaríamos aqui, então ele provavelmente está vindo pra cá. Teve uns problemas com a boate e ele teve que ficar esperando junto a Luhan. Kyungsoo estava vindo mas ligaram do consultório pedindo papelada urgentes e ele não pode vir, ele deve estar desesperado… e ainda o enchem de trabalho, fora que está de férias.

— O Kyungsoo deve ter mesmo preferido ir lá resolver o que tinha que resolver, porque pelo menos aquilo iria lhe ocupar e tentar fazer pensar em outra coisa. Quando contei, o Soo começou a chorar no mesmo momento. Ele queria vir na hora, mas não seria nada útil, não ia ajudar em nada.

— Sim, ele me disse. É bom que ele esteja ocupado então.

Junmyeon finalizou aquele assunto olhando para o agente compadecido com toda aquela situação. Claro que muitas crianças eram sequestradas e todos os dias tinham que lidar com algo parecido, mas nada se comparava a ver alguém tão próximo sofrendo pela mesma causa.

O delegado conhecia Minseok, até mesmo estava na festinha do garoto. Ele era uma criança tão dócil. Veio correndo para a delegacia assim que o detetive Wu o mandou uma mensagem avisando, e ouviu Kyungsoo começar a chorar no meio da sala d estar.

Boss. — A voz de Chanyeol se fez presente. Ele estava vestido de uma roupa social básica, blusa branca de manga comprida, calça social lisa negra até o início da canela e um sapato preto muito bem engraxado.

— Boa noite, senhor Park. — Os dois apertaram as mãos em comprimento, fitando o Byun com certo carinho. — Bem, eu vou pra minha sala. — Deu a deixa para que os dois ficassem sozinhos, fazendo umas mimicas estranhas que tinham como significado convencer o outro a ir para casa.

— Ok, boss. — Chanyeol se despediu e ouviu Baekhyun sussurrar um “boa noite” rouco. — Oi, detetive, como está?

Era incrível a forma como demônio estava tendo sucesso em não surtar de ódio na frente do detetive, porque sua vontade mesmo era procurar pelo desgraçado e esquarteja-lo, mas sabia que não tinha como localizar uma pessoa dentre milhões, completamente de repente.

Depois que Kyungsoo contou a todos o que havia acontecido, o terapeuta tomou postura e conversou com eles, de maneira mais profissional possível. Alguém deveria que ser o pilar naquele momento e Kyungsoo sabia que tinha que ser ele. Deveriam manter a calma e passar toda força e apoio ao Byun, pois nesse quesito, ele era o mais frágil, seu emocional era nocivo a ele mesmo quando se sentia mal, fora desta mesma maneira quando sua mão morreu.

Ninguém aguentava mais tragédias naquela família.

O mais incontrolável foi Luhan, que após escutar tudo o que o Do tinha para dizer, juntou suas adagas e saiu para espairecer, e com isso todos podiam ter a noção de que mais tarde corpos seriam encontrados destroçados, porque era assim que ele descontava sua raiva. Ia em boates ou bares, procurava o traficante ou aliciadores sexuais e matava. Ele sentia a sua alma ganhar alívio quando fazia justiça com as próprias mãos.

Luhan jurou aniquilar, também, o monstro que havia se metido com Minseok. Ninguém mexia com o seu bebê, se ele encostasse um dedo num fio sequer do cabelo do pequeno, ele estaria morto.

Apesar de que seria torturado de uma forma ou de outra. Luhan não teria pena. Ele era um demônio, uma criatura criada para sofrer na prisão que era o inferno. Seu único e exclusivo motivo de existência era a dor, e ele não tinha problemas em descontar em quem ele achava merecer.

Lúcifer que se fodesse junto com a sua justiça, pois possuído pela ira, quem fazia justiça era ele mesmo.

— … — Baekhyun desviou o olhar da parede e olhou para Chanyeol, diretamente nos olhos dele. — Eu estou destruído. Ele estava comigo, Chanyeol, Minseok estava sob a minha responsabilidade. Era pra ser um dia perfeito… a festinha, o passeio no parque, os presentes, tudo. Mas não, eu estraguei tudo quando mandei o meu filho sentar sozinho num banco pra me esperar. — Nessa altura, Chanyeol já via lágrimas escorrerem pelo rosto do mais novo e também os soluços. — E-Eu… Cha-Chanyeol… eu me sinto um li-lixo, eu quero matar, destroçar, fazer justiça com as minhas próprias mãos, eu quero matá-lo da pior maneira possível. Eu não sei quem é esse desgraçado, mas quando eu o encontrar, a vida dele vai ser um inferno.

Baekhyun dizia com ódio. Seus lábios tremiam junto aos olhos que só se fechavam para liberar mais lágrimas.

Chanyeol sabia que ele precisava desabafar e não iria interromper de forma alguma. Por mais que estivesse guardando aquela raiva dentro de si para não afetar ainda mais o Byun, ficou ali parado em frente a mesa grande do escritório, esperando que ele continuasse a falar.

Mas nada veio, então, ele decidiu falar.

— Baekhyun. — Chamou e o detetive não o olhou. — Baekhyun, olha pra mim. — Não soou rude, muito menos autoritário, mas aquilo era uma ordem, que foi atendida. O Park deu a volta pela mesa e parou em frente a cadeira giratória, a virou para si e puxou para perto, se abaixando e mantendo os olhos fixos no do Byun.

— Eu só quero dizer que você é um homem maravilhoso. Um pai maravilhoso. — Suas mãos repousaram no joelho dele fazendo um carinho superficial. — Jamais diga que foi culpa sua, você sempre foi e sempre será um pai excepcional. O Minseok foi sequestrado porque aquele cara é um criminoso e quer algo de você em troca. Se for dinheiro que ele quer, eu mesmo dou.

Chanyeol sentiu seus olhos cintilarem entre o preto e o vermelho sangue e abaixou a cabeça para esconder. Tinha que conter a raiva para não se exceder.

— Mas não vai conseguir, porque eu mesmo vou acabar com ele, Baekhyun. Agora, tudo o que você precisa fazer é ir pra casa e descansar, meu anjo. Não vai ajudar o Minseok ficando aqui, você vai ajuda-lo se for pra casa, descansar, se recompor e amanhã vir trabalhar de cabeça limpa.

O Byun apenas olhava para Chanyeol com os olhos marejados. Se tinha uma coisa que ele não esperava, era que justo o Park, que não tinha tanto controle sob si, estava ali escolhendo as palavras certas para lhe confortar.

Assentiu vagarosamente, fungando ao fazê-lo.

— Vamos pra casa, sim? — Perguntou com uma calma que não era dele. Seu tom era gentil e paciente. — Eu vou levar você.

— C-Certo. — Baekhyun murmurou.

— Quer ir pra minha ou pra sua?

— A m-minha. — Fungou, enxugando as lágrimas que escapavam com os dedos.

— Tudo bem, vamos lá. — O estendeu a mão. 

Baekhyun não relutou em segurá-la e sair da sala junto a ele. Não foi preciso explicar para ninguém que estava indo embora, e muito menos o porquê. Junmyeon, de sua sala, acenou com a cabeça para Chanyeol agradecendo por levar o detetive para que ele descansasse.

Seria melhor daquele jeito.

 
 
 
(...)
 
 
 

Por incrível que pudesse parecer, Baekhyun havia parado de chorar há certo tempo. Já tinha se desesperado o suficiente, e era como o mais velho tinha lhe dito, aquilo não ia melhorar muito menos mudar algo. Claro que chorar fazia bem, pois o ato libertava os sentimentos de mágoa, dor, raiva e tudo que fosse sentimento quando o fazia, mas aquele era momento de parar, mas não para pensar, e sim, para descansar.

Sentia seu corpo pesado, como se tivesse carregado quilos e quilos de chumbo.

Era esse o sentimento que a culpa trazia?

Sendo isso ou não, ele sabia que deveria ser forte pelo filho. Tinha certeza que ia encontrá-lo intacto. Por isso, ficou lembrando de momentos com o seu garotinho enquanto tomava uma ducha quente, esta que estava caindo super bem. A água quente relaxava o corpo, e por consequência, a mente.

— Baekhyun-ah! — Ouviu Chanyeol gritar do outro lado da porta. — Eu fiz uma sopa pra você, tudo bem? Não sei cozinhar como cocê, mas o que eu aprendi, eu fiz.

Enquanto o maior meio que se explicava sobre seus dotes culinários, Baekhyun fechou o registro do chuveiro e passou a mão na toalha, começando a se enxugar precariamente.

— Obrigado, hyung. — Respondeu rente a porta.

— Disponha. — Chanyeol disse, e Baekhyun pode escutar o barulho de seus pés descalços soarem pelo chão com carpete do corredor.

O detetive, depois de se livrar de boas gotas de água anteriormente espalhadas pelo seu corpo, prendeu a toalha na cintura, abriu a porta e foi para seu quarto se vestir.

Escolheu uma roupa bem confortável, assim como a que Chanyeol estava usando. Tinha roupa do maior ali justamente por causa que ele vivia dormindo lá junto a Luhan, Kyungsoo e até mesmo Jongin. Sehun não, pois ele preferia ficar um pouco afastado de lugares onde Luhan estava.

O camiseta verde-claro, a calça cinza e as meias brancas lhe pareceram completamente perfeitas para aquele momento. Ele iria jantar e ir dormir. Simples.

Depois de vestido, foi para a cozinha a passos calmos e se segurando para não chorar ao notar aquele silêncio horrível que a casa tinha quando Minseok não estava. Tentava pôr na sua cabeça outras coisas para que não pensasse no pequeno, mas era impossível.

— Ah, você chegou! Senta aí que tá quase pronto. — Sorriu carinhoso.

Chanyeol estava com um pano de prato em mãos, verificando a panela vez ou outra. Até que poucos minutos se passaram, e a janta já estava pronta. Pegou um prato fundo e colocou um pouco do caldo grosso avermelhado para entregar ao mais novo, e fez o mesmo para si.

— Espero que esteja gostoso. — Falou assim que depositou o prato em frente ao lugar que Baekhyun estava sentado.

O detetive apenas analisava os movimentos do maior sem dizer um pio, ainda imerso em seus pensamentos. Estes que passaram a ser bons também, ao notar que podia definitivamente contar com Chanyeol para ficar consigo.

— Vamos, Baekhyun-ah, coma. — Incentivou.

— Parece gostoso pelo cheiro. — Baekhyun comentou.

— Eu espero que o gosto esteja tão bom quanto o cheiro, então. — Riu baixinho, se sentando no lugar a frente do Byun.

Baekhyun deu uma colherada e levou a boca.

— E então? Como me saí?

— Hmmm, para uma primeira vez tá muito bom. — Baekhyun sorriu verdadeiramente. Chanyeol não merecia um sorriso triste, não merecia vislumbrar sua tristeza exteriorizada. O mais velho estava ali lhe ajudando, seria injusto fazer algo como aquilo. — Muito obrigado, hyung. Por tudo.

Chanyeol mirou suas orbes, e por alguns instantes, sentiu que fosse se entregar ao choro novamente, mas segurou.

— Eu sempre vou estar aqui quando precisar de mim, detetive. — Sua voz soava grave.

— Eu sei, agora eu sei disso. — Murmurou, colocando mais uma colherada na boca. A sopa havia aberto seu apetite. — Por isso estou agradecendo. Esse é um momento extremamente difícil pra mim, nunca achei que passaria por algo tão ruim quanto isso.

— Eu não posso dizer que já senti na pele o que você está sentindo, porque bem, ele é seu filho, mas Baekhyun — Suspirou audível. — Eu também sinto falta dele, eu sinto que o mundo é pequeno demais pra suportar o ódio que eu estou, mas sabe... alguém precisa estar forte. Eu quero me manter forte por você, pelo Minseok, pelo Luhan, até mesmo pelo Kyungsoo. Ele é pai, não posso fingir que a dor dele também não me atingiu.

Baekhyun abaixou o olhar mirando seu prato logo após colocar mais uma colherada na boca.

— Chanyeol. — Dessa vez, o chamou mas levantando o olhar e fitando os semelhantes do mais velho. — Você é um idiota, ás vezes. — Chanyeol franziu o cenho confuso. — Você me irrita, você me provoca, mas eu não tenho dúvidas de que você também é um anjo na minha vida. Eu não sei dizer quando me toquei disso, mas é a verdade. Você melhora tudo com esse seu jeito que fala tudo e de repente é como um gatinho dócil. Eu nunca vou saber agradecer pelo que você está fazendo por mim e pelo meu filho, ficando aqui comigo, me apoiando, pegando para si uma luta que não é sua.

— Você tem razão, eu faço isso por você e por ele. É óbvio. Mas tenha em mente que, a partir do momento que alguém mexeu com vocês, também mexeu comigo. A luta também a minha, e a justiça sou eu quem vai fazer.

— Justiça? Porque você faria justiça? Chanyeol, o que você está pensando? Você é um consultor, não vá fazer nenhuma besteira...

— Você vai entender quando eu encontrar o filho da puta. — Dessa vez, sua raiva estava contida, mas não poupou um palavrão.

— Eu quero prendê-lo, quero que ele tenha uma pena enorme. — Disse Baekhyun.

— E eu quero matá-lo. — Respondeu Chanyeol.

O detetive tinha algumas sensações esquisitas quando Chanyeol falava certas coisas, exatamente como naquele momento. Sentia um clima pesado de repente, ou uma aura negra ao redor dele.

Era algo sobrenatural.

Não acreditava em nada divino ou algo parecido, mas sinceramente, não poderia explicar com a ciência o que aqueles momentos causavam em seu âmago.

Não era medo de Chanyeol, longe disso, só o percebia diferente.

— Agora que terminou de comer, vá descansar, Baekhyunnie

— Sabe, é estranho quando você me chama de Baekhyunnie... eu tô tão acostumado com você me chamando de detetive toda hora. — Sorriu pequeno.

Chanyeol largou os pratos em cima da mesa mesmo, e se levantou ficando em frente a Baekhyun, que já tinha se levantado também.

— E você não gosta quando eu te chamo assim?

— Não é que eu não goste, só é estranhamente engraçado. Não parece que você é mais velho que eu, é meio, sei lá, me chamar de Baekhyunnie. — Baekhyun passou as mãos nos próprios fios de cabelo, que estavam molhados pelo banho recente, os espalhando encabulado com a aproximação repentina.

O maior deu um passo a frente e levou as mãos cuidadosamente para as laterais do rosto do Byun, que ficou meio sem ação. Chanyeol ficou um bom tempo ali, mantendo o rosto dele entre suas mãos, o fitando. Parecia procurar o que dizer.

— Eu só que você saiba, Baekhyun, que se eu mudei certas coisas em mim, foi por tua causa. — Falou. — Você é responsável por um ser tão repugnante como eu, procurar ser melhor. Aproximou os rostos, por fim, selando a têmpora esquerda dele e logo depois a direita. — E que a culpa não é sua. Na verdade, ninguém tem culpa. Nenhum de nós. Então não fique se martirizando, não ceda a essas coisas ruins. Nunca vou cansar de repetir isso, nunca mesmo. Até entrar na sua cabeça. — Seu polegar acariciava vagarosamente a bochecha um pouco corada. — Também, procure não pensar no pior. Eu sei, é difícil. Mas tente não fazer isso com você. Se doe no trabalho, na investigação, mas não ceda novamente, não como quando perdeu sua mãe. Até porque, Minseok está vivo e muito bem, eu tenho certeza.

Seus lábios se aproximaram novamente do rosto do mais novo e ele selou uma bochecha, demorando ali alguns segundos.

— Como você sabe disso? — A voz que costumava ser forte e firme, soou como um murmúrio aos ouvidos de Chanyeol. E foi inevitável sentir seu coração se apertar. A fragilidade do detetive era o calcanhar de Aquiles de Chanyeol, ou seja, o seu lado sensível.

— Eu comecei umas seções de terapia com o Kyungsoo, você soube. — Baekhyun assentiu. — Então nós falamos de tudo. Tudo mesmo. E foi logo na primeira que ele me contou isso. Espero que não se importe que eu saiba.

Daquela vez, foi Baekhyun quem se aproximou. Ele enlaçou a cintura do maior e o apertou contra si. Seu rosto estava deitado no ombro de Chanyeol, os corpos permaneciam colados e os braços dele o envolvia. Aquele abraço era um conforto enorme.

— Eu confio em você. — Falou Baekhyun, seu hálito quente ia de encontro ao casaco moletom preto que o demônio estava usando.

— Obrigado por confiar em mim, detetive.

Baekhyun se afastou lentamente e parou poucos centímetros da face alheia. Hesitou ao pensar em sua próxima ação, mas a fez. Aproximou seus lábios finos aos do maior num toque casto, apenas movendo-os carinhosamente, abraçando e sendo abraçado por aquele que estava ali consigo.

Porque era aquilo que aquele beijo tinha de significado: Carinho. Segurança. Entrega. Gratidão.

Ao se separarem, Chanyeol finalizou aquele momento com um beijo em sua testa e segredou em seu ouvido bem baixinho:

— A única coisa que você poderia temer está ao seu lado, por isso, não tenha medo. Eu vou te proteger e vou proteger o Minseok como deveria ter feito antes.

Depois de dizer aquilo, Chanyeol decidiu que ele mesmo lavaria a louça e que Baekhyun deveria ir deitar, pois já eram quase meia noite. Baekhyun foi e lá ficou deitado. Chanyeol tinha uma coisa para contar a ele, que era sobre o bilhete que o homem havia deixado em sua cama no dia em que todos se reuniram na casa.

Claro que foi uma conversa um pouco complicada, e ele teve que ser cauteloso. Por sorte, Baekhyun era maduro e entendeu a forma que Chanyeol agiu, assim como Luhan. Eles não queriam lhe preocupar e ficaram consigo todo tempo. Agora entendia o porquê de tanto dormirem em sua casa. Apesar dos apesares, estava agradecido por tanto cuidado. Brigas ou discussões, não ia ajudar em nada.
Enquanto conversavam no quarto, a campainha soou estridente.

— Fique aqui, deixa que eu vou ver. — Chanyeol disse.

— Não, eu vou com você. — Baekhyun já estava levantando e colocando as pantufas.

Chanyeol revirou os olhos. Teimoso.

Os dois caminharam rapidamente até a sala e abriram a porta. O detetive não pode evitar a feição completamente assustada ao vislumbrar Luhan.

Ele estava com as roupas ensanguentadas, completamente encharcadas de sangue mesmo. Seus olhos estavam vermelhos como se tivesse chorado muito e era como se ele estivesse sem qualquer expressão. O rosto pálido, desidratado. Ele tinha perdido muita energia ao se transformar, com toda a certeza.

— Meu deus. — Baekhyun tapou a boca chocado. — O que foi que aconteceu com você, Luhan?

— Eu... — Tentou falar mas não conseguiu.

Baekhyun ficou desesperado com a maneira que Luhan estava. Em sua mente, ele tinha sido espancado por alguém ou algo parecido para estar com a roupa daquela maneira.

— Eu vou chamar uma ambulância agora. Ele está todo cheio de sangue, não sei como aguentou vir até aqui. Não sem nem como está de pé e-

— Baekhyun, tenha calma. — Chanyeol o cortou. — O sangue não é dele.

— Não?

— Não, Baekhyun-ah. — Dessa vez, Luhan se pronunciou. — Esse sangue não é meu.

— Baekhyun, vá deitar. Eu me entendo com o Luhan. — Disse e Baekhyun ponderou ao pensar em fazer o que ele estava pedindo. — Pode ir, com certeza é sangue animal. Quando Luhan fica nervoso como quando soube do Minseok, ele vai caçar. É só isso. Pode ir descansar.

— Tudo bem. — Disse meio hesitante. — Lu, vai tomar um banho. Depois vai lá no meu quarto, eu quero ficar com você.

Luhan assentiu, e Baekhyun sumiu pelo corredor.

O demônio retirou as adagas da cintura, que estavam de mesmo estado que ele, e as jogou no chão. Entrou dentro da casa, sendo seguido por Chanyeol, que tinha plena noção do que lhe tinha acontecido.

— Eu briguei feio com um traficante. Talvez ele esteja morto agora. — Caim não sabia começar, mas achou que ser objetivo era a melhor forma. — Fui até uma boate, e quando ficaram me enchendo o saco pra comprar uma droga nova, eu surtei. Sei lá, eu estava com raiva, não consegui me segurar. — Sua voz soava amargurada. — Chanyeol, olha pra mim, olha o que eu fiz. — Choramingou.

— Luhan... — Iniciou, mas não sabia como terminar.

— Eu estava tão possesso pelo meu outro lado que não pude me conter. — Seu olhar estava baixo. — No fim, sou tão semelhante quanto o desgraçado que levou o Minseok.

Um soluço sofrido escapou da garganta do mais velho.

— Não diga isso. — Chanyeol brigou, mas sua voz exalava compreenção. — Luhan, você é um demônio. Você foi criado dessa maneira horrível, foi criado pra isso por aquele babaca. Concordo que não deveria ter descontado a raiva dessa maneira, mas... você não tem nada a ver com aquele maldito. Você tenta mudar sua origem, já Argent se afunda cada vez mais nela.

— Eu fiquei com tanta raiva. — Luhan falou. — Quando dei o primeiro soco, me senti tão vivo, tão cheio de energia. E então, quando vi o corpo dele jogado no beco, percebi que era mais uma tragédia. Certo que era um traficante, aliciador sexual com certeza, mas eu não deveria ter matado.

— Luhan, você viu o quão mudado você está? Você vê que matar já não é uma satisfação e sim motivo de arrependimento. Eu sei que se você não estivesse como estava, não faria isso. Você não é um monstro, hyung.

— Eu sei, Chanyeol, eu venho tentando mudar... e...

— Vem cá. — Chanyeol chamou o menor para perto.

Mesmo envolto de sangue humano, Lúcifer o puxou para o meio de seus braços e o confortou como sabia que no momento ele estava precisando. Era claro que as emoções de um demônio puro eram complicadas de lidar, e muitas vezes, em acesso de pura raiva, eles faziam coisas terríveis.

Claro que, Chanyeol, por ter sido o primeiro anjo, para então ir ao inferno, não tinha a mesma complexibilidade de sentimentos que Luhan passava naquele momento. Estar num corpo humano mudava muita coisa. Quando se vivia como um, você acabava se transformando em um. Era simples. Agora Chanyeol não tinha esses problemas pelo fato de, na realidade, ser um anjo, uma criatura celeste de pureza mas que se rebelou. Antes ele era frio; desprovido de sentimentos complexos.

Aqueles cinco anos morando na Terra haviam lhe mudado, mas não tanto quando Baekhyun naqueles meses desde que o conheceu. Luhan era da mesma forma, só se recusava a aceitar a mudança.

— Shhh, shh. — Abraçou-o mais forte ainda. — Vai ficar tudo bem, Lu.

Os dois se assustaram ao ver a porta da casa de Baekhyun e por ela, passar um Kyungsoo de olheiras enormes e um rosto triste. Era o esperado vindo do outro pai de Minseok. Se Luhan estava daquele jeito, que era como um tio, imagina os pais da criança.

— O que vocês estão fazendo aqui? — Fora sua primeira. — O que isso na sua blusa? Meu deus! Tá tudo bem por aqui? O que aconteceu?

Luhan ponderou em pensar contar a verdade ou não, mas decidiu que seria melhor daquela forma.

— Chanyeol, você pode me dar licença? Eu quero falar com o Kyungsoo.

Ele assentiu e foi para o quarto ficar com Baekhyun.

— Bom, seria egoísmo da minha parte pedir que você consiga digerir tudo que eu tenho pra te falar e pra te mostrar, Kyungsoo-ya. — Disse enquanto arrancava a blusa manchada de vermelho e a jogava no chão. — Mas, eu acho, que preciso te contar. Você precisa saber.

— O que? O que eu preciso saber? — Luhan não respondeu. — O que eu preciso saber, Luhan? Anda, me fala, e que sangue todo é esse?
Ele estava ficando nervoso.

— Kyungsoo, eu confio em você e eu preciso que você confie em mim.

— Você sabe que eu confio em você, eu te deixo cuidar da coisa mais preciosa que existe na minha vida que é o Minseok. — Ele falou se sentando no sofá da sala, e esperando que Luhan se sentasse em sua frente. — Só me diga o que está acontecendo.

— Eu sou um demônio. — Falou.

— Luhan... não tô acreditando nisso, você vai mesmo insistir nessa merda igual aquele idiota do Chanyeol? — Kyungsoo deu um tapa no sofá. Estava realmente estressado com aquela baboseira toda.

— É verdade e eu posso provar. — Seu tom era decidido.

— Certo, então prove.

Kyungsoo estava completamente desacreditado. Negou com a cabeça.

Então, ao redor de Luhan algo como uma fumaça negra começou a se mover vagarosamente. Os olhos do mais velho começaram a brilhar, oscilando entre o amarelo claro, cinza e preto. As orbes cintilantes passavam superioridade e aquilo deixava tudo muito assustador. O rosto do moreno, acabou por se tornar desfigurado, como se fosse um cadáver de alguma guerra muito sangrenta e pequenos chifres se fizeram presentes em cima de sua cabeça.

Não demorou nem um minuto de transformação completa, e Luhan já voltou a sua forma humana a qual Kyungsoo estava acostumado. O objetivo não era assustá-lo, mas o fazer acreditar.

— MAS QUE PORRA FOI ESSA? — O psicólogo gritou se pondo em pé.

Luhan tentou se aproximar do amigo, mas ele deu um passo para trás se distanciando de si.

— Kyungsoo, não grita. — O demônio disse.

— Que merda é essa, Luhan? Que tipo de brincadeira totalmente sem graça é essa? Não tô pra brincadeira não, porra. Tá louco?

— Isso não é uma brincadeira, Kyungsoo, é real. — Ele se chegou segurando a mão do terapeuta com delicadeza e o fez se sentar novamente. Seus olhos se tornaram amarelos novamente em um relance e Kyungsoo prestou bem atenção. — Eu realmente sou um demônio.

— Como isso aconteceu? Eu não tô acreditando...

— Eu aposto que Chanyeol deve ter te contado tudo, desde o começo. — Kyungsoo assentiu ainda meio desacreditado.

Mas tinha como não acreditar depois de presenciar aquilo?

Era surreal. Na hora, tudo o que sentiu foi desespero. A pele de Luhan toda em carne viva e desfigurada lhe trazia um embrulho no estomago. E agora, de mãos dadas com ele, bem próximoa si, o terapeuta passou a ligar todos os pontos.

— Então, Chanyeol é um demônio também?

Luhan assentiu.

— E você é um demônio?

Assentiu novamente.

— Daquele que estavam no inferno e agora não estão mais?

— Sim, exatamente.

— Vocês são seres imortais.

— Somos.

— Vocês viram o mundo nascer.

— Bom, tecnicamente só o Chanyeol, porque eu passei a existir bem depois dele. Na verdade, depois do último anjo ser criado, o Jongin, Chanyeol liderou a rebelião, então Deus fez demônios para ser soldados no inferno e fazer companhia — Fez aspas com os dedos — para Chanyeol.

— Espera! Espera! O Jongin? O que ele tem a ver com isso?

— Ele é um anjo, Kyungsoo-ya.

Ele arregalou os olhos completamente atordoado.

— Jongin. Um anjo. Certo. — Seu tom não era de deboche, nem nada parecido, na verdade, ele tentava se convencer. E repetir o que Luhan dizia parecia ser uma ótima saída naquele momento.

— Sim, ele é um anjo. O mais novo deles. — Luhan reforçou.

— Daqueles que tem asa?

— Sim.

— Que fica cuidando das pessoas?                                                  

— Não, na verdade... anjos da guarda não existem. É paranoia humana. — Esclareceu Luhan. — Eles só cuidam se quiserem, não são designados nem obrigados a cuidar de humanos.

— Eu acho que vou vomitar de nervosismo. — O terapeuta disse. Era muita informação, muita coisa acontecendo em apenas um dia.

— E agora que você sabe de tudo, eu preciso que me escute, eu-

— Então você tem poderes? — O cortou.

— Não, Kyungsoo, eu tenho dons, mas o que eu queria dizer é que-

— Caralho! — Esbravejou. — Tem um demônio na casa do meu ex-marido. Isso é tão bizarro. O Jongin foi lá no escritório hoje e... — Riu sem humor. — Um anjo esteve no meu escritório, um anjo que me consolou.

— O que aquele garoto foi fazer lá? — Luhan semicerrou os olhos.

— Ele só me ouviu, me ajudou muito, e se eu estou calmo agora, é tudo por causa dele. Ele realmente é um anjo.

Luhan soltou um riso soprado.

— Claro que ele iria lá te ajudar, os novatos são assim, vivem ajudando. Amenadiel não seria diferente.

— Amenadiel?

— É o nome do Jongin.

— Caralho, eu to muito traumatizado.

— Tá bom, mas eu preciso que você me escute agora. — Kyungsoo assentiu. — Então, o que eu queria te dizer, é que, bom, eu acho que matei alguém hoje e-

— Quais são os dons de vocês? — Perguntou de repente. O terapeuta parecia bem atordoado, e perguntar era como ele tentava se convencer.

— Nós demônios nos alimentamos de raiva e do prazer sexual, os anjos também poderiam, mas como cresceram lá com aquele bando de alienado, só tem poder de confortar as pessoas. Chanyeol consegue a resposta que ele quiser em poucos minutos, persuadindo a pessoa, e eu, bem, eu sou um soldado. Eu mato, meus dons são completamente ligados a luta.

— Okay. Me deixa processar uma coisa aqui.

— Quando quiser.

Passaram-se uns cinco minutos e Kyungsoo voltou a falar.

— O que você queria dizer?

— Porra, finalmente! — Reclamou. — Eu matei um cara quando eu soube do Minseok. Eu sei que você não entende de nada sobrenatural, mas você vive dizendo que comportamento humano é tudo igual, eu tenho um corpo humano e eu preciso de ajuda pra me entender.

— Tudo bem, Luhan hyung, pode falar. — Kyungsoo fechou os olhos mantendo a calma. Quando tocavam no nome de Minseok, seus olhos já começavam a encher de lagrimas.

— Eu sei que você está passando por um momento difícil agora, eu te entendo muito, e peço perdão por precisar que você me ajude agora. — Começou. — Bom, eu tive um acesso de raiva extremo. Você sabe, essas coisas tem mexido comigo. É argent, é Sehun, é o Minseok que sumiu. Faz poucas horas e eu tô ficou louco, eu sinto como se tivesse perdido uma parte de mim.

— As emoções de vocês são bem fortes, hm?

— Sim, e isso tá acabando comigo.

— Mas o que tem o Sehun? — Kyungsoo perguntou.

— Ele tá muito distante da gente. — Luhan disse, mascarando a vontade de dizer que, na verdade, Sehun estava distante apenas dele.

Kyungsoo pigarreou nervoso.

— Na verdade, ele ficou aqui o tempo todo depois que você saiu. — Falou.

— Ficou?

— Sim.

— Ele abraçou todo mundo, menos eu, quando todo mundo começou a se desesperar quando você contou do Minseok. Ele não me abraçou.

— Luhan...

— É cedo demais pra dizer que eu sinto falta? Eu sei, eu nem deveria sentir. Ele é um humano, eu sou um demônio. Isso nunca daria certo, é completamente errado. Eu não sou bom pra ele. — Suspirou pesado, passando as mãos com resquícios de sangue na testa, afastando alguns fios de cabelo que caíram em seu olhos. — Sabe, é um sentimento horrível. Eu já estava nervoso antes de tudo acontecer, eu fui um estúpido com ele e ele só fez o que eu pedi. Doeu tanto quando ele fez o que eu disse. Ele sempre estava comigo, entende? Ele sempre estava ali, me ouvindo, me enchendo o saco, e depois quando fui falar com ele... ele só pediu desculpas. “Desculpa pelo incomodo” — repetiu as palavras do Oh. — Eu só queria um abraço dele, Kyungsoo-ya.

— Não posso dizer que não te entendo. Deve ser muito complicado lidar com tudo isso, sendo um... err...

— Demônio.

— Isso, um d-demônio. — Falou indeciso. — Mas, entenda uma coisa, ou você assume o que sente ou guarda pra você. Na minha opinião, como profissional, você deveria assumir logo que sente alguma coisa por ele, ou deveria deixar o Sehun ser feliz sem você, sem ficar aí chorando as rosas querendo ficar perto dele, deixar claro que não quer nada, apesar de já ter feito isso... enfim, mas de uma forma gentil, porque sinceramente, você só machuca ele.

E Luhan sentiu seu mundo ruir ao constatar que era isso que ele fazia com o mais novo. Luhan machucava Sehun com aquela atitude banhada a medo.

— Mas, hyung, vá tomar um banho, vá descansar... tirar esse sangue do corpo...

— Certo. — Luhan se levantou e pegou a blusa que estava jogada por ali. — Só não conte ao Baekhyun o que nós falamos... ele não está pronto pra saber sobre isso ainda. Como você disse, ele é o mais frágil, ele jamais saberia lidar com tudo o que você tá lidando agora, Kyungsoo-ah. Muito obrigado por isso.

Luhan até abraçaria o mais novo se não estivesse sujo.

Compenetrado em seus pensamentos, ele tomou rumo ao banheiro para se lavar. Enquanto a água caía, as lágrimas de Luhan a acompanhava. Suas emoções eram tão fortes que exteriozava de uma forma assustadora em si.

 

 


(...)
 

 

Chanyeol fazia de tudo para que Baekhyun se sentisse melhor, por isso estava sentado na cama com as pernas esticadas, com o menor deitado em suas coxas, todo embolado em meio as cobertas, enquanto o fazia carinho no couro cabeludo.

— Fico feliz que o Soo tenha vindo direto pra cá. — Baekhyun disse assim que o Park contou que o Do tinha chegado.

— Ele precisa ficar por aqui agora, vocês precisam se apoiar.
O mais velho se abaixou e distribuiu vários selares pelo rosto de Baekhyun que sorriu fraquinho pelo carinho e cuidado que estava recebendo, e acariciou a mão de Chanyeol que segurava a sua.

— Eu só estou preocupado com o Luhan... aquele sangue...

— Era de caça de animais. Ele sempre faz isso, Baekhyunnie. — Repetiu os movimentos no cabelo dele.

Nesse exato momento, Luhan entrou no quarto. Ele já vestido com roupas limpas e muito cheiroso. O demônio deu a volta na cama e se deitou ao lado de Baekhyun.

— Eu preciso que você me abrace. — O demônio disse, de repente.

Chanyeol se levantou deixando que Baekhyun ficasse ali com ele conversando. A realidade era que os dois meio que tinham aquela relação pai e filho  esquisita, mas se entendiam da forma deles mesmo. Só era estranho porque Luhan era mais velho, mas ao ver do Byun, ele era só um adolescente incompreendido

 

 

 

(...)

 

 

 

Lúcifer suspirou pesado ao sair do quarto. Era muita coisa acontecendo, muita coisa até para a cabeça dele que vivia sempre tão cheia. Ele quase não tinha forças para aguentar a ira que estava de Argent.

O sofrimento que Baekhyun e Kyungsoo estavam passando era total culpa daquele homem, mas Chanyeol podia deixar se abalar. Ele deveria continuar daquela forma, ajudando Baekhyun a se acalmar e tentando entender todos os envolvidos.

— Eles estão conversando? — Kyungsoo perguntou da cozinha assim que viu Chanyeol passar pela sala.

Yeap. — Caminhou até onde o menor estava.

— O Baekhyun que fala yeap. — Observou.

— A convivência faz isso. — Forçou um sorriso. — O que você e o Luhan conversaram?

Kyungsoo negou com a cabeça um pouco incomodado ao lembrar de tudo que escutou.

— Ele falou sobre o Sehun, sobre o que ele fez e… que é um, é, um… d-demonio. — Falou tudo de uma vez, rápido demais. — Digo, ele me mostrou.

— E você está assustado? — Chanyeol perguntou por perguntar. Sabia que o Do estava, pelo menos, confuso com a situação. Era o esperado.

Os dois estavam distantes. De um lado, Kyungsoo esquentava um pouco da sopa feita pelo Park para, finalmente, jantar. E do outro, Chanyeol sentava na mesa e o observava.

— Assustado? — Disse duvidoso. — Acho que não… eu só me sinto um burro, parece que fui feito de idiota por todos vocês e por mim mesmo que não acreditei, sempre levei na brincadeira, até cogitei que vocês tinham algum parafuso solto. Você teve quantas consultas comigo até hoje? 15? — Chanyeol assentiu. — E em todas elas você dizia que era um demônio. Todas. O que me faz lembrar que é um pouco chata essa sua abordagem.

— Bom, eu te avisei. — Chanyeol falou cínico. — E não reclame como se tivesse esse direito. Eu ajo como eu quiser. — Empinou o nariz, fingindo ignorar o mais novo.

— Você é realmente um demônio?

— Mais precisamente, Lúcifer. Amam me chamar de diabo da carne ou até mesmo destruidor por aqui.

— Eu deveria ter medo de você agora? — Sua voz vacilou, e logo teve que pigarrear para disfarçar o nervosismo.

Nah! Se eu quisesse te matar, eu já teria feito. Não gosto de você, isso é um fato, mas o Baekhyun gosta, o Luhan gosta, o Sehun gosta, o Jongin também, fora que você é o único terapeuta que presta nessa cidade, então é útil pra mim que você continue vivo. — Chanyeol o olhava ironicamente, mas no fundo, até gostava do Do. Tanto que não falou sobre Minseok para que ele não ficasse mal.

Ora, ora… o único terapeuta que presta, hm? Você me paga, eu preciso prestar, meu anjo.

Chanyeol o olhou irritado.

— Corrigindo. Demônio. — Kyungsoo falou rapidamente.

— Exatamente, de-mô-ni-o, não anjo. Bom garoto. — Piscou para ele e tudo que recebeu um revirar de olhos.

Estava satisfeito, pelo menos, o Do parecia estar calmo, o que lhe ajudaria a tomar conta de Baekhyun e Luhan, que eram os mais frágeis.

Os dois continuaram o que estavam fazendo, Kyungsoo até terminou de esquentar a sopa, a colocou num prato e se pôs a comer. Trocaram uma palavra ou outra, mas o que chamou mesmo a atenção de ambos, foi o grito que Baekhyun deu chamando pelo Park. Tinha tanto desespero na voz do detetive.

Chanyeol e Kyungsoo correram para o quarto, onde ele estava junto a Luhan, completamente assustados com a forma que ele havia proferido o nome do mais velho.

Ao chegarem no local, encontraram Baekhyun com o celular em mãos fitando a tela com os olhos marejados, e Luhan transtornado, quase que deixando a aura negra tomar conta de si também, coisa que o detetive não prestou atenção.

— O que aconteceu? — Kyungsoo foi perto de Baekhyun, que ainda estava deitado na cama e aparentemente via um video. — O que é isso?

Baekhyun deu mostrou a tela com um video pausado.

— E-Eu acabei de re-receber um e-mail e aí eu fui abrir, e apareceu isso. — Ele dizia já chorando.

Apertou o play.

“Um homem apareceu na tela sorrindo. Mas diferente de um sorriso feliz, era um sorriso doentio. Quase como se quisesse passar desespero para a pessoa que estivesse assistindo aquilo.

— Olá, Byun Baekhyun. — O homem disse. — Eu sou Kwan Dakho e você provavelmente não me conhece. — Ele riu de gargalhar sem nenhum motivo. — Digo, não conhece o meu rosto mas a minha genética você conhece muito bem, hm? Acho que conhece muito mais o que eu gosto de fazer. Você sabe o que eu gosto de fazer, detetive Byun Baekhyun? — Toda vez que ele pronunciava o nome do policial, soava irônico e ao mesmo tempo enojado. — Eu gosto de dinheiro e, por isso, você só me conhece pelo meu apelido. E também, só conhece porque eu quero. Eu te tenho na minha mão, garoto.

O homem virou a câmera, que antes estava em seu rosto, e a virou. A imagem agora mostrava Minseok sentado no chão de uma casa de madeira limpa, brincando com um carrinho despreocupadamente.

— Minseokkie. — O homem chamou.

— Oi, vovô. — O garotinho o olhou. — É o papai? Eu to com saudade dele. — Falou calmo, mas com a saudade tomando conta da voz infantil. — O senhor disse que o papai viria me buscar rapidinho. — Fez um beicinho.

— Ah, sim, ele virá, meu neto. — O homem riu novamente. A câmera voltou a mirar seu rosto. — Hmmm, será que você reconhece esse lugar, Byun Baekhyun? — Perguntou desdenhoso. — Será que lembra daqui? Hm, acho que não…

— Vovô, vovô! — O garotinho, que não aparecia no vídeo naquele momento chamou.

— Hm? Diga rápido, estou ocupado.

— Tem outro brinquedo? Eu cansei desse carrinho. — Minseok disse manhosamente.

— Não, não. Porque você não pede ao seu tio Sehun para que compre um pra você? Não é ele que vive te mimando junto aquele bando de esquisitos que seu pai convive? — Falou desdenhoso, mas a criança nem prestava atenção nisso. Minseok era muito inocente para perceber o que estava acontecendo ali. — Repugnantes. — O homem disse, como se estivesse cuspindo aquela palavra.

O ódio na maneira como ele falava era quase palpável.

— Enfim… se quer o seu filho de volta, me encontre aqui. Você deve saber onde eu estou, hm? Se não souber, diria que você é um péssimo filho. — A tela congelou no rosto do homem e então ele voltou a falar. — Argent está sempre um passo a frente.

E então, acabou o video.”

— Ele quer te encontrar. — Kyungsoo exclamou assustado. — Meu Deus, Baekhyun. Ele está com o Minseok. Quem é ele? Você conhece o rosto?

— Não, eu não faço ideia de quem seja… eu…

— Detetive, pense com muita calma. Você conhece esse homem?

— N-Não, eu não me recordo dele, eu-

— E que lugar é esse? Você reconhece? — Chanyeol voltou a perguntar.

— Eu não s-sei, Chanyeol! — Falou um pouco mais alto, começando a deixar as lágrimas caírem pelo rosto, em angústia, sendo aparado por Luhan, que o abraçou fortemente.

— Baekhyunnie, pense, pense bem. O Minseok está lá. — Luhan sussurrou, logo depositando um selar carinhoso na testa do mais novo.

— Eu vou ligar pro Junmyeon e acionar uma equipe agora. — Kyungsoo disse e saiu do quarto, provavelmente indo para a sala e ligar para o Departamento Investigativo.

Chanyeol pegou o celular da mão de Baekhyun, voltando o vídeo e assistindo novamente. Ele queria, de alguma forma, procurar algo que desse alguma pista, algo que ele pudesse localizar o lugar onde estavam.

— Baekhyun. — Chamou. — Na janela, atrás dele, tem muitas árvores. São cerejeiras, reconheço pela cor das pétalas. Você costumava ir a algum lugar que tinha essa espécie de arvores?

— Eu… — Baekhyun pensou, arrancando do fundo de sua mente uma memória.

“— Baekhyunnie. — Sua mãe chamou da varanda da casa de madeira e o pequeno veio correndo, descendo as escadas numa rapidez sem igual, que competia com o tamanho de sua felicidade ao ter esses momentos com sua mãe. — Venha ver! As cerejeiras deixaram a fazenda tão bonita com essas pétalas rosadas espalhadas…”

O Byun esbugalhou os olhos desnorteado. Se estivesse de pé, suas pernas teriam cedido na mesma hora.

— Meu deus, Chanyeol! Meu deus! Ele está na fazenda que eu ia com a minha mãe comemorar feriados quando era pequeno… eu vendi quando ela morreu para alguém desconhecido, nem cheguei a conhecer o comprador. — Baekhyun pulou da cama, limpando os olhos com a manga do pijama, e começou a tirar a roupa ali mesmo, alcançando seu guarda roupa e colocando uma roupa melhor para que fossem junto a equipe.

Luhan saiu do quarto rapidamente para se vestir também e Chanyeol fez o mesmo. Kyungsoo voltou e encontrou apenas Baekhyun ali, pegando as chaves da picape que estava em cima da cômoda, em seguida apanhando o revólver e pistola de choque encontradas na gaveta com cadeado, e então, os colocando na cintura.

— Já ligou para a polícia?

Kyungsoo assentiu.

— O Junmyeon já selecionou a equipe e chamou o detetive responsável pelo caso, estão todos se encontrando na delegacia.

— Ótimo. Eu tenho o local. Eu sei onde aquele filho da puta está e vou trazer o Minseokkie de volta. Eu te prometo, Kyungsoo. Eu vou consertar esse erro.

— Eu sei, Baekhyun, eu confio em você.

Os dois se abraçaram brevemente. Baekhyun saiu do quarto e foi para a sala, encontrando Luhan e Chanyeol ali, completamente arrumandos.

— Onde vocês pensam que vão? — O detetive disse.

— Nós vamos com você. — Foi o demônio mais velho que disse, conferindo se suas adagas estavam no lugar onde deveriam: no bolso falso de sua calça de couro. — E não adianta dizer não, nós vamos e pronto.

— Essa luta também é nossa, Baekhyun, não se esqueça disso. — Chanyeol falou num ultimato.

Por fim, os três saíram usando o veículo de Baekhyun e Kyungsoo ficou lá sozinho. Como não queria ficar solitário num momento tão angustiante, não pensou duas vezes em ligar para Sehun, e também Jongin, que provavelmente estava dormindo na casa de Chanyeol.

Minseok seria resgatado sem um arranhão sequer e a justiça seria feita.

 


Notas Finais


primeiramente queria pedir desculpas as pessoas que ficaram preocupadas com o minseok no cap anterior, mas o que eu queria explicar é que, pra ele não vai ter nenhum trauma, nem emocional nem fisico, porque ele é uma criança e não sabe oq tá havendo, pra ele o cara é o avô e só. minseok é muito inocente e também, muito dado, vocês vêem no decorrer da fic que ele vai com as pessoas facilmente quando se é conhecido, e como o cara diz que é vô dele, ele acha que é verdade e tudo bem, ele vai. e PELO AMOR DE DEUS, ELE NÃO VAI SER ABUSADO SEXUALMENTE NEM NADA, DE ONDE VCS TIRAM ISSO????? eu nem sou doida de escrever uma barbaridade dessas, misericórdia.

enfim migos, muito obg por ler, logo logo eu volto com mais um cap. a fic ta mais ou menos pra terminar, hein, vai durar uns 15 caps, no maximo. xao <3


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...