História Lucillie - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Originais
Tags Distopia, Drama, Interracial, Original, Paternidade, Racismo, Realeza, Romance
Visualizações 123
Palavras 2.013
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Drama (Tragédia), Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


*Essa é uma história com personagens originais, com ideias inteiramente minhas
*Deixe comentários para que eu possa saber o que você está achando, se possível, recomende esta história para que outras pessoas possam conhecê-la
*Essa história se passa num país que não existe, sua política, geografia e coisas assim serão totalmente fictícias
*Esta história não terá nenhuma cena de sexo explícito
*Esta história também está postada no Nyah Fanfiction: https://fanfiction.com.br/historia/733215/Lucillie/
*Em breve também estará postada no Wattpad

Capítulo 1 - Indiferente


Fanfic / Fanfiction Lucillie - Capítulo 1 - Indiferente

Como sempre, o clima em Creta é agradável, eu senti falta disso. O sol brilha atrás das montanhas mas o calor não é incômodo, graças à brisa que balança a folha das árvores.

A barra do meu vestido longo arrasta entre as folhas caídas no chão. Lamentei não poder aproveitar o dia debaixo do pé de amêndoas lendo um livro ou escrevendo.

Nos últimos quatro anos eu não pude desfrutar da simplicidade prazerosa do quintal de casa, estive fora da cidade estudando Literatura. Quando voltei para casa pretendia fazer tantas coisas, morar sozinha, escrever um livro, viajar mais, mas meus planos foram interrompidos por um casamento. Minhas irmãs se casaram cedo, como todas as outras moças da nossa classe social. Casamento nunca foi opção para mim, sempre me foquei nos estudos e nunca fui uma jovem muito atraente para os garotos, todavia eu sabia que a vontade dos meus pais era me ver estabilizada com um marido para cuidar de mim e filhos para eu cuidar.

Dinah, a mais velha das minhas irmãs, é casada com nosso amigo de infância, Jonathan - filho de sócios do meu pai -. Jasmine custou a largar a vida regada a festas para se render a Daniel, que é apaixonado por ela desde que eu o conheço. Por fim, Clarice, a pessoa mais doce do mundo que é apenas dois anos mais velha que eu, casou-se no último verão com Asafe, um cara meio estranho de quem eu não gosto muito.

- Lucillie! - gritou minha mãe - Saia já daí, vai sujar seu vestido. - avisou da mesma forma que fazia quando eu era criança - Vamos agora ou iremos nos atrasar.

Despedi-me da árvore que sempre foi minha companheira nos meus devaneios literários para atender minha mãe.

Mamãe é jovem mas quase não dá para notar com seu cabelo longo sempre preso num coque e seus vestidos que cobrem a maior parte do seu corpo. Alguns fios brancos começaram a despontar na lateral do seu cabelo na minha adolescência, hoje ostenta uma mecha branca na lateral da cabeça que parece ter sido feita de propósito quando ela resolve arrumar o cabelo como hoje.

- Segure esse vestido, a barra está arrastando no chão! - repreendeu.

Segurei a saia do vestido com a ponta dos dedos suspendendo parte dele para longe do chão, eu não me importaria que o longo rosa claro tivesse um pouco de terra na barra mas garanto que não traria boa impressão no Palácio. Sacudi o tecido para que o pedaço de folha que nele grudou se soltasse, mamãe me olhou com repreensão.

- Vamos, queridas! - chamou meu pai após buzinar.

Papai é mais velho que mamãe embora não pareça, o sorriso sempre no rosto e a descontração o deixa mais jovem. Sorri para o meu velho que saiu do carro só para abrir a porta para minha mãe, papai gosta de estar sempre demonstrando amor para as mulheres de sua vida, ele nos ensinou que não merecemos menos do que ele nos dá.

Mamãe não falou muito sobre como eu deveria me portar no Palácio, papai deve ter pedido a  ela para não me pressionar. Eu não me importaria de qualquer forma, não estou dando muita importância ao que está acontecendo, provavelmente porque a ficha ainda não caiu.

No som do carro tocava jazz. Aprendi com meu pai a admirar Creta pela janela do carro ao som de jazz, fazia a cidade parecer mais bonita.

Embora tentasse não conseguia me concentrar muito no dia de hoje, fiquei pensando que prometi levar minha sobrinha para visitar a Biblioteca Nacional que, por acaso, fica no Palácio.

O rei Túlio é jovem, assumiu o trono na adolescência, quando seu pai morreu e, atualmente, tem trinta anos. É um homem bonito, embora nunca tenha o visto pessoalmente, as mulheres de sua geração são apaixonadas por ele desde que começou a aparecer mais na mídia, aos quatorze anos.

O bairro em que se situa o Palácio Real têm poucas residências, é caro morar aqui (eu sei porque ganhei um apartamento de papai que fica há algumas ruas do Palácio), há oficiais armados por todos os lados, coisa que não se repete no resto da cidade. Os portões do Palácio ficam abertos o dia inteiro acompanhados da devida vigilância, estudantes circulam aqui o dia todo pois além da Biblioteca Nacional e um Centro Cultural, o primeiro andar do Palácio é todo disponível para visitação.

Visitei muito o Palácio Real na época da escola, voltar aqui depois da faculdade de Literatura poderia ser animador se eu não estivesse na situação em que estou.

Um manobrista prestou assistência ao meu pai, em seguida uma espécie de mordomo veio nos receber, por último fomos entregue às mãos do amigo do meu pai que, por acaso, era o conselheiro do reino.

- Permita-me apresentar - disse meu pai - Helena, minha senhora, e Lucillie, minha filha mais nova.

Sr. Martin teve a mesma expressão que todos que me conheciam tinham: Espanto. Meus pais raramente contavam que eu era adotada então seus amigos ficavam perplexos com a minha aparência.

- Sou Martin Gorgeau e se você me chamar de senhor eu vou ficar muito bravo - descontraiu.

- Nesse caso, nada de senhorita para mim.

Martin tratou de se recompor o mais rápido que pôde e se mostrou muito simpático, engatou numa conversa animadora com a minha mãe sobre o quanto sou bonita e inteligente. Afastei-me um pouco deles e fiquei mais próxima de meu pai, geralmente é difícil para eu socializar e eu passei pelas portas do Palácio convencida que o almoço de hoje não seria um sucesso.

Por nunca ter subido ao segundo andar do Palácio dei uma boa olhada na decoração e arquitetura, eu que já tive muito fascínio por este lugar agora estou onde sempre quis entrar escondido. Nós estávamos no que parecia ser uma antessala de alguma coisa, um grande lustre pendia no teto mas nenhuma luz estava acesa, toda luz do sol entrava pelas gigantes janelas e pelas três entradas que davam cada uma para um corredor diferente. O teto parecia alto demais e as paredes estavam cheias de quadros de família e fotos oficiais.

- Vamos para a sala de jantar, o rei não se demora a descer - disse Martin.

O seguimos por uma das portas para além do corredor, a arquitetura ainda me impressionava. As paredes tinham um tom de bege e os rodapés tinham acabamento em ouro, fotos de personagens da história seguiam pela parede até a entrada da sala de jantar. Fiquei imaginando como seria assustador passar a noite nesses cômodos gigantes com saídas por todos os lados e quadros de gente morta na parede.

- O Palácio é bonito, não srta. Lucillie? - indagou Martin interrompendo meus pensamentos, provavelmente percebendo meus olhos curiosos analisando todo o lugar.

- Muito. - concordei - Sempre tive curiosidade sobre como era aqui em cima.

- Frequentava muito o andar debaixo? - puxou assunto.

Desenvolvi minha paixão pela leitura na Biblioteca daqui - expliquei.

Afastei-me novamente para continuar avaliando o lugar torcendo para não parecer grosseira, meu pai engatou uma conversa rápida para que eu deixasse de ser o foco. Eu amei as janelas grandes enchendo o ambiente de luz do sol e dando uma vista maravilhosa dos arredores do Palácio.

As paredes daqui ostentavam um único quadro, “A Liberdade”, de Allan Purvzel, um dos maiores nomes da pintura magnoliana que retratou a época da nossa independência. Uma estante de mogno no canto da sala continha porta-retratos mais intimistas com fotos mais recentes da família real, uma delas a foto da falecida esposa do rei, Elara.

- Lucillie, não mexa nisso! - minha mãe repreendeu em voz alta.

Olhei para trás e o olhar reconfortante de Martin contrastava com o reprovador de minha mãe, deixei o porta-retrato de volta ao seu lugar de destaque na estante.

- Não tem problema. - disse Martin mais para minha mãe do que para mim - É uma bela foto.

- A rainha era linda - complementei.

Qualquer possibilidade de diálogo foi interrompida (não que eu pretendesse dar continuidade) por um gritinho infantil. Um garotinho loirinho entrou no salão correndo e grudou como um inseto nas pernas do elegante Martin.

- Vovô Martin! - exclamou o menino e Martin prontamente o atendeu pegando-o em seu colo.

Aproximei-me de vossa alteza sabendo que não tardaria para que a família estivesse completa no salão.

O menino tinha os olhos verdes típicos da família e um sorriso cativante cheio de dentes curtinhos. Eu amo crianças.

- Temos visitas, Andrew - avisou Martin.

O príncipe olhou em volta notando a mim e meus pais pela primeira vez, fechou o sorriso e se remexeu no colo de Martin até que ele o pusesse no chão.

- Oi, eu sou o príncipe Andrew, tudo bem? - disse a miniatura de príncipe que parecia ter esse comprimento decorado.

Todos rimos do pequeno cavalheiro vestindo camisa de botão, jeans e sapatênis como um rapazinho agindo como príncipe.

- Você é uma graça - suspirou meu pai bagunçando o cabelo arrumadinho do garoto.

Adoraria ter tido uma oportunidade maior de rir e conversar com o príncipe que parecia ser muito simpático mas todos tivemos que nos virar para porta e nos curvar para as figuras do rei e da rainha que despontaram na porta.

O rei Túlio se aproximou enquanto sua mãe ficou estática na porta e ergueu uma sobrancelha na minha direção me analisando dos pés à cabeça, concentrei-me no rei para não ter que lidar com o olhar de nojo da rainha aposentada.

- Majestade, esta é Lucillie Wittlock e seus pais o sr. Gerard e a sra. Helena Wittlock - apresentou Martin.

Sua Majestade comprimentou primeiramente meus pais para então me comprimentar.

- Ouvi muito falar a seu respeito, srta. Lucillie, estava bastante ansioso - falou com a mesma voz grave e altiva que passava no rádio e na TV.

- Igualmente, Majestade - respondi.

Ora, todos sabem que ele não ouviu muito ao meu respeito tampouco estava ansioso para me ver, ele foi educado e eu fui também.

A rainha se aproximou finalmente e comprimentou meus pais ignorando que eu estava presente.

Tomamos nossos lugares à mesa e começamos o almoço com apenas mamãe, Martin e papai conversando entre si sobre mim, sobre o rei, sobre o príncipe, sobre o Palácio. A rainha não fazia questão nenhuma de entrar na conversa embora fosse convidada várias vezes, ela dava respostas curtas ao que era perguntada e voltava a comer, o rei não parecia muito confortável em seu lugar na cabeceira da mesa e eu só conseguia prestar atenção em Andrew que não comia direito porque não estava sabendo manusear uma colher tão grande.

Olhei em volta e percebendo que não era notada tomei a colher da mão da criança ao meu lado e recebi seu olhar assustado, apenas sorri para ele e fatiei o peixe em seu prato com a colher mesmo em seguida levei a sua boca. Ele mastigou e sorriu para mim em agradecimento.

- Lucillie, o que está fazendo? - perguntou minha mãe.

Ergui meu olhar e percebi que tinha virado o centro das atenções.

- O príncipe precisava de ajuda, mamãe - respondi com a voz suave tentando soar educada.

Essa foi minha resposta mas na verdade queria dizer que era um absurdo dar uma colher tão grande para uma criança de quatro anos comer e sequer ter o trabalho de picar os pedaços grandes, e que absurdo ainda maior era que o salão estava cheio de adultos e ninguém ao menos se importou, nem o pai da criança, nem a avó, nem o homem que o menino chamava de avô. Mas sorri.

Minha mãe estreitou os olhos me avaliando, talvez decidindo se o que eu fazia era certo ou errado, de qualquer forma continuei a auxiliar Andrew para comer.

- Geralmente Andrew come com a babá, não imaginei que fosse dar trabalha se comesse conosco hoje - justificou o rei.

- Não é incômodo nenhum - eu disse.


Notas Finais


Bem vindos ao primeiro capítulo dessa história! Os capítulos não serão muito curtos ou muito longos mas em compensação tentarei fazer posts frequentes.


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...