História Lucky Ones - Capítulo 16


Escrita por: e dianasprince


Notas do Autor


Olá! Espero que não me matem com o final do capítulo, estou ciente que pode rolar alguns tapas, KKKKKKKKKKK.

Capítulo 16 - .bizarre love triangle; 16


Samantha P.O.V

Sentada no pequeno degrau da varanda, observava o movimento em casas vizinhas, enquanto Duff não aparecia. Apesar do loiro prometer que chegaria no horário que marcamos, ele já estava vinte minutos atrasado. De certa forma, sua atitude não me surpreendia, de maneira alguma. Eu o conhecia o suficiente para saber que ele não acordava cedo. Preferi não me estressar, apenas apoiei as costas na porta de madeira, esquivando-se do sol mediano.

— Samantha? Pensei que já tivesse ido. — Alice apareceu na janela, abrindo a mesma e colocando seus braços no parapeito. — Você está bem?

— Você sabe como o Michael é. — suspirei, encarando-a. — Estou bem sim.

— Atrasado como sempre. - revirou os olhos. — Não me parece bem.

— Foi uma semana difícil, só isso. — a mentira estava estampada na minha cara, não havia sido apenas uma semana complicada. — Mãe... se pudesse mudar algo sobre o seu passado, você faria?

Não obtive a resposta tão rápido quanto imaginei que iria. Alice possuía vários arrependimentos e nenhum deles era capaz de deixá-la em paz por muito tempo.

— Se importa? — apontou para porta e neguei com a cabeça, me afastando para que ela pudesse sair e me fazer companhia no chão. — Sim, eu mudaria algumas coisas. — resmungou, saindo e sentando ao meu lado. — Mas nada que envolvesse o seu nascimento, se quer saber...

— Não estava preocupada com isso até o momento. — brinquei.

— Sei que não sou uma mãe perfeita, Samantha, sua atual situação demonstra isso perfeitamente. — murmurou. — Não pensei nas consequências e agora aqui estamos, gostaria de ter pensado um pouco mais em você, antes de deixar Nova York.

— Mãe... eu não a culpo por suas decisões precipitadas. 

— Pois deveria! Não é a primeira vez que faço algo sem pensar...

Minha relação com Alice nunca teve altos e baixos, em partes por ser uma filha que respeitava suas decisões, mesmo que não concordasse com elas. Sua gravidez repentina aos 15 anos, fez com que deixasse de lado as preocupações de uma adolescente, porém, eu conseguia enxergar perfeitamente aquele seu lado de tentar ser uma irresponsável consigo mesma, apenas para aproveitar o tempo "perdido". 

 — Eu entendo, também não gostaria de dividir a casa com as duas pessoas que criaram aquele que te traiu e abandonou.

Falar sobre Robert Jones não estava incluso em meus planos para o dia, porém, cada ano que passava, ficava mais fácil citar seu nome sem me sentir enjoada. A situação era diferente para a minha mãe, a tristeza em seu olhar era perceptível para qualquer um que soubesse exatamente o que aconteceu.

— Seu pai foi uma decepção, admito. — abaixou a cabeça e fungou, balançando em seguida. — Creio que um amor de verão não foi o suficiente para ele.

Meus pais se conheceram no verão de 1968 em Los Angeles. Robert era um adolescente, viajando com seu pai a negócios, mas sempre arrumava um jeito de escapar das reuniões e perambular nas ruas da Sunset Strip, onde conheceu uma garota. Ao contrário do mesmo, Alice veio de uma família pobre, mudando recentemente de seu país de origem em busca de uma vida melhor na América.

Pelo o que minha mãe diz, não foi amor a primeira vista, ambos se detestavam, já que o interesse dela era sustentar sua família. Os dias foram se passando até uma amizade improvável surgir, então ele foi embora e voltou para sua cidade natal. Um ano após, se reencontraram novamente no mesmo lugar e iniciaram um relacionamento.

— Robert Jones é um mero peso no meu passado agora. — indagou. — Não quero que experiências do meu passado, interfira no seu modo de viver. 

— Você sempre sabe o que dizer, não é mesmo? — ri com a minha própria pergunta. — Obrigada. 

Uma buzina interrompeu nossa conversa e pude ver o carro de Duff estacionado, berrando Sex Pistols e assustando quem passava na calçada naquele exato momento. O loiro saiu do veículo rapidamente, mas o que me surpreendeu, foi sua companhia. 

— Por acaso estamos interrompendo algo? — Axl parou na nossa frente, oferecendo sua mão para minha mãe, que aceitou de bom grado. — Espero que não. 

— Não estão interrompendo nada, só estão atrasados. — afirmei, limpando minha calça com as mãos e encarando o ruivo. 

— Samantha está esperando por vocês há meia hora, Rose. — minha mãe suspirou e passou a olhar McKagan. — Cuide bem da minha filha, Michael. 

— A culpa do atraso foi minha, Alice. — Axl não costumava conversar com as pessoa de modo civilizado, mas o seu tom de voz baixo, praticamente num sussurro, me surpreendeu novamente. — Duff só foi paciente o suficiente para me esperar. 

— Nós podemos ir agora? — perguntei. 

O ruivo afirmou com um balanço de cabeça, me seguindo até o carro, onde Duff se encontrava parado do lado de fora, apoiado na porta. 

— Está tudo bem, Sammy? — o punk abriu a porta e levantou o banco, dando espaço para que eu pudesse entrar. 

— Sim... você? 

Se obtive alguma resposta, não fui capaz de prestar atenção. Ao sentar no banco, percebi que Axl havia voltado para conversar com Alice. Sua aproximação suspeita me fez levantar várias teorias mentalmente, no qual, minha vontade era de abaixar o volume do rádio e ouvir a conversa de ambos, mesmo que não fosse apropriado. Duff, agora no banco do motorista, tocou a buzina duas vezes, o suficiente para irritar Rose, que apareceu xingando-o e mostrando o dedo do meio. 

— Estamos com pressa, lover boy. — o baixista brincou. 

— Vai se foder, McKagan. 

Terminado a troca de xingamentos, aceleramos pelas ruas de Los Angeles. Fui capaz de acenar rapidamente para Alice. 

...

A nova Hell House ficava localizada num lugar privilegiado da cidade, longe do centro e com as ruas desertas. Rodeada por mansões, não precisava ser uma pessoa muito inteligente para perceber que outros famosos moravam por ali,  um ou outro andava na calçada sem medo de encontrar algum fã desesperado. O carro parou em frente a um portão com seguranças a vista, típico dos filmes clichês. Eles reconheceram Duff e Axl, abrindo o portão e deixando o veículo passar. Passamos por um enorme canteiro, cheio de flores e uma fonte de tamanho médio até chegar na garagem.

O local continha diversos carros e duas motos estacionadas, me fazendo questionar se realmente era necessário, aquela quantidade absurda para um simples transporte até o centro. Entramos pela porta dos fundos, dando de cara com uma cozinha luxuosa e duas empregadas trabalhando no que imaginei ser o almoço. Seguimos até a sala mobiliada da cabeça aos pés com três sofás, uma televisão maior que o meu próprio quarto e um rádio ao seu lado. Uma mesa de bilhar ocupava o resto do lugar, onde Slash se encontrava, jogando com Steven e possivelmente perdendo para o mesmo, já que entregou alguns dólares para o loiro. 

 

— Temos uma visita, bundões. — Axl resmungou, chamando atenção do seus companheiros de banda. — Sejam educados. 

— Samantha! — Steven foi o primeiro a me cumprimentar, esquecendo completamente o jogo e vindo me abraçar fortemente. — Finalmente você chegou, Duff não parava de reclamar que o tempo não passava e que sábado não chegava logo. 

— Oi, Stee! — retribui sua empolgação, abraçando-o de volta. — Ah, é?! Conte-me mais sobre! 

— Tá legal, já chega vocês dois. — o punk interrompeu, puxando-me pelo braço. — Venha, quero te mostrar o resto da Hell. 

— Eu ainda nem conversei com o Slash. — indaguei. 

— Pode fazer isso mais tarde! 

Ouvi algo sobre o baixista ser rude, mas foi a última coisa que escutei, já que ele me levou para outro cômodo, a sala de jogos. Duas mesas de pebolim ocupavam o lado esquerdo, rodeados por puffs e algumas mesas de vidro. O resto do espaço era ocupado por máquinas de fliperama, outra televisão e um aparelho de videocassete. 

— É, vocês estão muito bem de vida. — constatei. 

— Pode se dizer que sim. — o loiro confirmou, abrindo uma porta de vidro e passando por um caminho de pedras até o quintal. — O que está achando até agora? 

— Exatamente o que eu acabei de falar. — ironizei. — Que vocês estão bem de vida. 

O quintal rodeado por árvores, vasos de flores e grama, complementava o visual da entrada, mudando o fato que, dessa vez, uma piscina tomava conta do espaço aberto. Mesas e cadeiras de plástico foram postas perto da churrasqueira no pequeno coberto.

— Vai me contar o que está acontecendo? — sentei em uma das cadeiras, observando Duff fazer o mesmo ao meu lado. 

— Não tem nada para contar. — negou.

— Sabe que não sou estúpida. — rebati, já cansada de seus joguinhos. — Se está querendo passar um tempo comigo devido sua consciência pesada, pode parar por aí. Somos amigos e quero que seja sincero comigo. — pedi, ignorando seu olhar torto. — Por acaso isso trata do que Izzy me falou? 

— E eu estou sendo sincero com você, Samantha! — passou a mão por seus cabelos bagunçados. — E o que ele te falou exatamente? 

— Quer saber de uma coisa? Deixa pra lá! Seria uma loucura, não é? — balancei a cabeça, perdida em pensamentos confusos. — Como poderia, retomamos contato faz pouco tempo. 

Levantei irritada comigo mesma, só de imaginar a mínima possibilidade de Duff McKagan sentir qualquer coisa que não fosse uma simples amizade. 

— Vai me dizer que isso nunca passou pela sua cabeça antes? 

— Não, não passou! — esbravejei, andando em direção até a sala de jogos. — Como eu iria? Você é meu amigo, praticamente um irmão mais velho, jamais pensaria em você de outra maneira. 

— Se me desse uma chance... — pediu, indo ao meu encontro. — Sei que posso mudar sua opinião. 

— Michael, você é casado, não quero ser um tapa buraco, devido os problemas que você tem no seu casamento. 

— Não é um tapa buraco, é você! — segurou meu rosto. — É por causa dele, não é? Não pode me dar uma chance por causa dele. 

Suspirei, me afastando do loiro e virando para voltar para dentro da casa, mas fui impedida por alguém parado na porta, mais precisamente Izzy Stradlin. Sua expressão indicava que havia ouvido a conversa e apenas confirmado a teoria absurda que tomou forma poucos segundos atrás. Eu não queria lidar com nenhum deles no momento, queria voltar para casa e me trancar no meu quarto até que toda essa confusão fosse esclarecida. Duff nunca demonstrou qualquer tipo de sentimento, isso só podia ser alguma brincadeira de mau gosto. 

 


Notas Finais


Até o próximo!


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