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História Lucky Strike. - Capítulo 3


Escrita por: cakkenutshell

Capítulo 3 - Equal Magnets



Naquela manhã, Sayaka estava extremamente cansada, tão cansada que foi se arrastando até sua mesa. Ela olhou os novos papéis desorganizados e bufou, sentindo uma leve dor de cabeça pela noite de choro, a qual ela não conseguiu parar até às cinco da manhã - a hora que normalmente levanta.

Enquanto organizava os papéis e checava a agenda de Kirari, Sayaka se convenceu de que foi melhor assim. Elas nunca dariam certo mesmo que Kirari sentisse algo - Sayaka achava mais fácil voar do que Kirari sentir algo por ela. Se Kirari queria que as coisas fossem daquele jeito, a iludindo e depois agindo como se nada tivesse acontecido, como Sayaka esperava que aconteceria assim que avistasse a Momobami, então não podia fazer mais nada que não fosse ignorar as brincadeiras e agir como Kirari estava agindo nesses anos de empresa.

Um copo do Starbucks foi posto na sua frente e a dona do ato digitava no celular com uma carranca no rosto. Midari revirou os olhos e guardou o celular no bolso, depois sorriu sem mostrar os dentes.

- Café com uma dose extra de açúcar. - anunciou, sabendo que era o favorito de Sayaka. O sorriso de Midari vacilou. - Você está horrível, por que seus olhos estão inchados? - Sayaka deu de ombros, pouco se importando com sua aparência. Murmurou um "obrigada" e bebeu o café. - Qual foi o drama da vez? O que Kirari aprontou?

Um riso irônico escapou dos lábios de Sayaka.

- Sempre é ela, não é? - perguntou mais para si do que para Midari. - O motivo da minha raiva, tristeza, decepção, alegria, empolgação...

- Você é tão dependente dela... pra ser sincera, isso me assusta um pouco.

Sayaka a olhou, descrente que algo assustava Midari. Mas pensando bem sua dependência emocional também lhe assustava.

Sayaka sentiu um embrulho na barriga ao escutar a voz da presidente se aproximando.

- Quer sair depois? - Midari perguntou, tirando o crachá da mochila e pondo. - Você precisa comer e dar risada.

Se algumas pessoas recorriam seus problemas pessoais ao álcool, Sayaka via sua válvula de escape na glicose e Midari já sabia disso muito bem.

- Eu não vou precisar falar sobre o que aconteceu? - perguntou baixinho.

- Eu até agradeço que não fale. Estou começando a me irritar com vocês duas.

Sayaka se engasgou com o café.

- Comigo?!

- Principalmente com você, que parece não fazer nada pra tirar ela de sua vida. - Midari foi diminuindo o volume de sua voz. Kirari e Ririka tinham passado por elas. - Espero que um dia você só a veja como sua chefe.

- Eu também... - Sayaka murmurou para si, vendo as costas da albina pelo sobretudo marrom.

Retomou seu trabalho com máximo de rapidez possível, hoje, se esforçaria para não ter algum tipo contato a mais do que o necessário com Kirari.

Apesar de saber que não surtiria o efeito desejado, Sayaka pensou que se colocasse essa meta talvez sua mente lhe convencesse que iria dar certo.

E tudo deu certo até o horário do almoço. Boa parte de seu êxito ocorreu porque Kirari não saiu de sua sala, tampouco mandou que Ririka a chamasse. Sayaka ia encontrar Midari para irem juntas no refeitório, como sempre acontecia quando uma das duas não levava o próprio almoço. Sayaka marchou até o elevador e apertou o andar de Midari.

- Vamos, vamos... - Sayaka murmurou pela demora que as portas do elevador estavam levando para fechar. Apertou diversas vezes no número até que as portas começassem a fechar.

- Espera!

Sayaka pôs a mão na porta para segurá-la, mas, se soubesse que era Kirari, teria fingindo que não escutou e deixaria o elevador fazer seu trabalho.

A Momobami sorriu de lado e Sayaka umedeceu o lábio, olhando para baixo sem jeito. Kirari clicou no botão do térreo para depois se postar atrás de Sayaka. Passaram pelo sexto e quinto andar com somente o som instrumental saindo da caixa.

Sayaka ignorou totalmente a presença de Kirari, relaxando ao som desconhecido enquanto pensava no que faria quando chegasse em casa.

Sayaka sentiu algo tocar sua cintura suavemente com cautela. Um simples toque que lhe ocasionou um arrepio.

- Bom dia. - Kirari cumprimentou melodicamente.

Sayaka buscou forças para se afastar daquele toque quente e assim fez, dando um passo a frente.

- Bom dia. - Sayaka respondeu seca.

Sayaka sentiu seu rosto queimar; Kirari analisava sua expressão.

- Você está com raiva. - Kirari concluiu.

Sayaka ignorou o comentário. Preferiu focar na seta para baixo no visor.

- Sabia que é feio ignorar as pessoas? - Kirari disse em seu ouvido, a fazendo arfar assustada.

- Eu te respondi. - Sayaka falou, afagando o próprio braço.

Sayaka escutou um risadinha discreta.

- De fato. Mas não disse nada sobre estar com raiva. Sim ou não?

Sayaka mudou o peso do corpo.

- Estou normal. - respondeu calma.

Kirari suspirou. Sayaka entendeu como uma desistência.

- Okay. - Kirari murmurou.

Quando as portas se abriram, Midari já estava à espera dela e o sorrisinho que carregava se tornou uma careta confusa.

- Vamos. - Sayaka puxou Midari pela mão e clicou no "T". - Estou morrendo de fome.

- Eu também, mas não estou desesperada. -Midari brincou, afim de amenizar o clima chato. Ela olhou para trás e acenou com a cabeça. - Presidente.

- Ikishima. - Kirari cumprimentou.

As portas se abriram novamente e dessa vez Kirari foi a primeira a sair. Sayaka soltou o ar que nem sabia que estava segurando.

O almoço foi tão rápido que pareceu passar em segundos e Sayaka retornava para sua mesa. Ficou nervosa ao ver Kirari com as mãos apoiadas nela, olhando o seu diário de compromissos.

- Eu já ia avisá-la sobre suas reuniões de hoje! - Sayaka anunciou, fechando o diário delicadamente, atraindo a atenção dos olhos azuis. - Às duas e meia, o senhor...

- Cancele todas. - Kirari pôs as mãos no bolso, rodeando a mesa até chegar em Sayaka.

- C-cancelar? - Sayaka arregalou os olhos, abrindo o caderno e checando cada uma das reuniões. - Mas elas são importantes! A senhora mesma tinha me dito...

Quando Sayaka se virou para ver a expressão da mais velha, sua respiração falhou novamente, seu corpo lhe traiu. Kirari segurou seu queixo com uma delicadeza natural.

- Vamos conversar, okay? Quando acabar o que estiver fazendo, vá para minha sala. - Kirari disse séria. - Seja uma boa menina e faça o que estou mandando... cancele todas as reuniões.

E sem dizer mais nada, Kirari se dirigiu a própria sala.

Sayaka bateu o pé no chão, cerrando os punhos com raiva e emitindo um gritinho histérico - graças a Deus que só tinha ela ali. Por que Kirari tinha que falar com ela como se estivesse lidando com uma criança? Não importava o quão hipócrita isso soasse, afinal, Sayaka estranhamente se sentia bem quando era definida como uma "boa menina" por Kirari; ainda sim, Sayaka sentia como se fosse uma criança imatura.

Fora o trabalho que era cancelar compromissos de última hora e escutar reclamações como se Sayaka fosse a responsável. Claro que boa parte só agia assim por telefone; pessoalmente nunca teriam coragem de falar com Kirari como falam com Sayaka por telefone. Ela respirou fundo e fez, começando pelo pior de todos: senhor Hirai. Aos poucos foi acalmando cada um, inventando algo do tipo "a senhora Momobami remarcará assim que possível" e "não sabe como a senhora Momobami estava empolgada para essa reunião" - pouco se importava se Kirari descobrisse, foi culpa dela querer cancelar mesmo... -, tinha quase cem porcento de certeza que tinha acabado quando checou a lista e viu um nome estrangeiro. Sayaka não soube como noticiar com seu inglês básico, mas fez o possível para pronunciar cada palavra bem; recebeu somente um "okay, amanhã estaremos lá então", o que a fez ficar confusa.

Limpou sua mesa para que os compromissos de Kirari não ficassem a vista e, depois de se olhar pela câmera do celular, querendo checar se estava ao menos apresentável, seguiu até a sala da presidente.

- Entre.

Sayaka fechou a porta cuidadosamente.

- O americano disse que estava tudo bem, mas falou algo sobre "estar lá". - se aproximou da mesa em passos pequenos.

- Sim. Eu disse que, caso houvesse um imprevisto, iríamos tratar dos assuntos em um restaurante pela região. - Kirari explicou, tirando os olhos do tablet.

- Certo.

Kirari se levantou e ficou de frente a mesa, apoiando-se nela.

- O que aconteceu?

Sayaka franziu o cenho confusa.

- Como assim?

- Você está irritada com algo e eu quero saber. - disse simples.

Incrédula, Sayaka revirou os olhos, cruzando os braços.

- Acabou de revirar os olhos para mim? - Kirari questionou, erguendo a sobrancelha.

- Era isso que queria conversar? Se estou irritada com alguma coisa? Por favor, presidente, não finja que se importa com isso.

O surto de coragem de Sayaka a abandonou no segundo seguinte em que havia percebido como falou com a presidente.

Mas Kirari não fez nada.

- Então... - Kirari suspirou, comprimindo os lábios. - O que fiz?

- O que... o que fez? - Sayaka gaguejou. - Nem tudo gira em torno de você!

- Pela sua reação eu sei que tenho algo a ver. - Kirari disse, calma.

- Você não se importa de verdade. - Sayaka acusou. - Se importasse mesmo não teria dito o que disse ontem.

Kirari fez uma expressão confusa.

- Perdão, pelo que me lembro, eu fui sincera com você.

Sayaka riu debochada, chacoalhando os ombros.

- É, só mostra que é verdade. - disse, controlando-se para não parecer mais magoada do que tinha ficado com essa confirmação.

- O que é verdade, Sayaka?

- Você disse que não me queria!

Kirari ergueu a sobrancelha.

- Eu nunca disse isso, Sayaka, não ponha palavras em minha boca. - disse em uma calma assustadora.

- Você disse que as coisas não iriam mudar depois de toda aquela conversa e nosso... nosso beijo. - apesar de ter vacilado um pouco, Sayaka se manteve firme, não iria sair por baixo novamente; Kirari não podia continuar baixando sua defesa para depois machucá-la. - Você disse isso! Você disse, eu escutei! Não venha querer me fazer sentir culpada e errada, eu estou cansada disso, presidente, cansada!

Kirari aproximou-se e pôs o indicador na boca dela.

- Sua voz está começando a me irritar, Sayaka.

Sayaka arregalou os olhos, descrente com a ousadia da maior. Lentamente, Kirari retirou o dedo; mas, sua mão pairou no ar, como se estivesse prestes a tocar Sayaka.

- Se não estivesse se deixando levar pela emoção... - Kirari suspirou, colocando uma mecha sua atrás da orelha. Sayaka fechou os olhos. - Eu também não facilitei para você, não é?! Peço desculpas profundamente, Sayaka. Não foi isso que quis para você.

- Por que você tem que ser assim? - Sayaka questionou, ignorando o que Kirari acabou de falar. - Por que tem que ser tão indiferente? Eu sei que esse é seu jeito, presidente, mas as vezes isso me machuca! Se for para continuar com esse tratamente ridículo que eu sempre aguentei, eu prefiro...

Sayaka não conseguiu completar. Talvez pelo olhar frio de Kirari diante a ameaça, ou pelo medo que ela mesma tinha de afirmar que sairia da empresa caso o tratamento que recebia não mudasse.

Não queria que soasse como uma chantagem, até porque tinha noção de era uma pessoa extremamente substituível e se tentasse chantagear Kirari o tiro sairia pela culatra. Mas, tratavasse de uma decisão que tomaria, com muito pesar, se aquela brincadeira permanecesse.

Sayaka não exagerou quando disse que estava cansada.

- Realmente não significou nada para você? - questionou em um fio de voz.

- Eu não disse que não significou; disse que não mudaria nada e é verdade. - Sayaka suspirou, virando o rosto, e Kirari segurou seu queixo, aproximando o rosto. - Sayaka, se você soubesse o quão perigoso é somente o fato de estarmos sempre juntas...

- Perigoso... - Sayaka murmurou.

- Sim, perigoso. Imensamente perigoso. Mas não vou jogar toda a culpa nisso, fui extremamente insensível com você e assumo. - pontou, demonstrando estar satisfeita em ter dito. A Momobami comprimiu os lábios, seu olhar desceu para a barra da camisa social de Sayaka e começou a brincar com o tecido entre seu indicador e médio. - Você merece muito mais, Sayaka.

Sayaka não podia negar que, em termos sentimentais, ela merecia, porém, se fosse considerar que precisava do salário que o emprego proporcionava para viver, ela deixaria questões emocionais de lado.

- Você é uma ótima funcionária, Sayaka. Secretária. Assistente. Qualquer cargo que ocupe. - Kirari aproximou o rosto, deixando sua boca colada na orelha da menor. - Você é uma ótima garota.

- O que está fazendo? - Sayaka perguntou, fechando os olhos.

- Ontem teve um significado para mim. Não pense que não. - Kirari disse e Sayaka forçou os olhos, suspirando.

- Pare de brincar comigo! - Sayaka pediu, distanciando-se dela. Observou os olhos azuis e afastou a mão de Kirari. - Estou cansada dos seus joguinhos.

- Eu não estou brincando, Sayaka. Já pedi desculpa por ter sido insensível, qual o problema?

- O problema é que está falando da boca pra fora! - Sayaka exclamou, exasperada. - A senhora me pede desculpas, brinca comigo e volta a ser indiferente, isso é terrível, eu me sinto suja e-

Sayaka foi impedida de terminar seu desabafo; Kirari puxou a cabeça da mais nova para seu peito. Os olhos dela arregalaram-se, sua boca abriu quando a Momobami passou a mão no seu cabelo carinhosamente.

O coração de Sayaka estava disparado enquanto sua mente parou de trabalhar por uma fração de segundo e de repente não conseguia escutar mais nada que não fosse a voz da Momobami.

- Tudo bem, Sayaka, tudo bem... está tudo bem agora. Vai ficar tudo bem. - a Momobami dizia, atenciosa. - Não se preocupe, eu vou cuidar de você.

Sayaka não entendeu; parecia que Kirari estava falando com uma criança. Contou os exatos segundos que ficaram naquela posição, até o momento que não aguentou e  circulou a cintura de Kirari com seus braços, bem devagar, receosa pela próxima ação da albina.

No fundo, queria realmente que Kirari cuidasse dela.

- Eu não quero que você saia da empresa. Novamente, perdão por ser tão insensível com você.

Era tão estranho para Sayaka escutar talvez as palavras mais sinceras que sairam da boca de Kirari. Sentiu seu nariz coçar e os olhos arderem.

- Eu não posso sair. Esse salário paga todas minhas contas. - Sayaka disse a única coisa que poderia dizer naquela situação. Tirou seus braços da cintura de Kirari e fez menção de se afastar, mas ela forçou sua cabeça contra o peito. - Presidente...

- Não pode novamente despejar tudo o que sente e achar que não vai ter alguma influência. - Kirari disse, um tanto irritada. - Mas, se o que deseja é voltarmos a normalidade, então...

Sayaka empurrou Kirari suavemente.

- Isso se trata de trabalho, vai além de sentimentos bobos.

- Defina sentimentos bobos.

- Creio que não precise. - Sayaka rebateu, limpando as lágrimas teimosas. - Estou aqui para trabalhar. Qualquer coisa além disso é insignificante.

Como minha dignidade, pensou.

- Não te trouxe para essa empresa só porque você é ótima em qualquer cargo. Sinceramente, Sayaka, sua competência foi uma desculpa útil e fácil demais.

- Desculpa?

Kirari retirou o blazer e jogou na mesa. Cruzou os braços e sorriu de lado.

- Não sabe o alívio que foi saber que você ainda estava morando na cidade... mesmo sabendo que eu não poderia avançar.

- Avançar? O que... presidente, você está me deixando mais confusa que o normal. - Sayaka gemeu em frustração.

- Eu sei sobre seus sentimentos. Eu sempre soube. - Momobami levou a mão até o queixo alheio e o ergueu na altura ideal para que pudesse olhar nos olhos da menina. - Quando nos formamos, eu pensei tanto em você, Sayaka... - suspirou, vendo a boca entreaberta da mais nova. - Eu não podia ser o que era antes, não podia interagir do mesmo jeito que interagia, só acabaria com minha cabeça.

Sayaka queria ao menos entender uma única vez o que Kirari dizia. Soava proposital, como se Sayaka tivesse o dever de entender cada coisa que saia da boca de Kirari.

- Por que você me quis aqui? - perguntou por fim. Kirari revirou os olhos, ainda sorrindo debochadamente.

A Momobami segurou sua cintura e curvou o próprio corpo; Sayaka sentia a respiração de na sua face direita.

- Ainda não deixei claro para você, Sayaka? - Kirari lambeu a última lágrima que desceu e Sayaka tremeu, agarrando a camisa da Momobami como primeira ação que poderia surgir na sua mente. - Eu preciso de você ao meu lado.

Sayaka não podia acreditar... era mesmo verdade? Sua imaginação não era tão boa para criar algo tão forte.

- P-precisa de mim?

Não, não é como está pensando. Ela está falando sobre trabalho... é, isso mesmo.

Mas não teria lógica! Para que ela teria dito tudo aquilo?

Ela não pode... não existe a menor possibilidade... ela NÃO me quer de verdade.

- Preciso. - Kirari confirmou. - Eu acho interessante a forma como me pego pensando em você, mesmo quando não quero. Você é interessante... é a única que consegue fazer minha cabeça trabalhar mais arduamente. As vezes, você faz ela parar, como uma música interrompida do nada. - forçou uma risada que acabou saindo rouca.

- Você deve estar brincando comigo... - Sayaka murmurou, magoada consigo, magoada com a Momobami. - Não tem a menor possibilidade...

- Me conhecendo como conhece, Sayaka, acha que eu cancelaria todas minhas reuniões só para conversar com você? Só por que me preocupei se estava irritada?

Sayaka não conseguiu falar.

- É estranho e... angustiante pensar que está com raiva de alguma atitude minha.

- Eu estava.

- Eu sei. No fundo eu sabia que tinha alguma coisa minha nessa história.

Sayaka engoliu seco, esfregando suas mãos, forçou sua cabeça a pensar. Kirari se aproximou, segurando o rosto dela com delicadeza.

- Eu quero que seja minha.

Sayaka arfou, sentindo seus olhos marejaram enquanto fitava a imensidão azul.

- Mas é tão perigoso...

- Por quê?

- Eu tenho tantos inimigos, Sayaka, que se soubesse... - Kirari se interrompeu. - Não quero que nada de ruim te aconteça. Por isso, é melhor cuidar de você de longe. Como sempre fiz.

E de repente, Sayaka sentiu seu mundo rodar no que Kirari se afastou, lhe dando as costas. A Momobami segurou o vidro da mesa com força.

- Apesar das nossas diferenças, somos como imãs iguais, Sayaka. Sempre iremos nos repelir de alguma forma. Já aconteceu tantas vezes e contando com o dia seguinte após a festa, você sempre se machuca comigo... e eu me machuco.

- Como eu posso te machucar, presidente? - disse exasperada, dessa vez se aproximando. - Tudo que eu faço é te adorar a cada segundo!

Kirari riu, sem humor.

- Você não me machuca, Sayaka, eu faço isso por conta própria. Enquanto você me adora a cada segundo, eu me torturo a cada segundo, querendo tocar você, beijar você, te manter grudada em mim... eu vou ao inferno a cada segundo que sinto seu cheiro. A cada segundo, Sayaka, a cada maldito segundo... eu não sei mais o que fazer em relação a esses... sentimentos.

Sayaka sentia uma euforia tomar cada espaço do seu peito. Não sabia se as palavras de Kirari haviam sido uma declaração, mas sabia que não podia mais esperar alguma atitude de Kirari Momobami, pois se dependesse dela permaneceriam no mesmo nível.

Se Kirari a queria, mesmo que fosse somente desejo, Sayaka mostraria o dobro, apenas o que realmente sentia, afinal, a própria Momobami disse que sabia de seus sentimentos.

Porém, ela não sabia da intensidade deles.

- E a cada segundo eu imploro para que você me note. - Sayaka a virou pelo ombro e puxou seu rosto para perto de si. Ela viu a surpresa de Kirari por sua coragem de invadir o espaço da mesma. - A cada segundo eu anseio que me olhe além de uma simples secretária. Que entenda que eu nunca senti isso por ninguém e que ninguém causou tantas emoções como você me causa. - Sayaka derramou algumas lágrimas, enfim desabafando o que tinha em seu peito. - Não somos imãs iguais se somos o total oposto uma da outra, presidente, e isso não é ruim.

- Eu não posso me dar o luxo de soltar as rédeas. - Kirari falou, vacilando. Seus dedos longos seguraram a cintura dela firmemente. - Eu sei que vou te machucar, Sayaka, por favor, não insista. Isso também é difícil para mim, por mais estranho que pareça.

- Confie em mim... assim como confio em você. - sussurrou, desejando que o assunto acabasse após sua seguinte ação. A Igarashi migrou sua mão direta até a nuca da albina, deixando a esquerda no rosto, fechou os olhos e ficou na ponta dos pés. Sentindo os lábios de Kirari juntos ao seus, deu o primeiro passo e a beijou.

Sayaka não era uma profissional em beijos, mas sabia que estava indo bem, pois Kirari segurou seu rosto. Não demorou para que a presidente dominasse o beijo, deixando Sayaka nas nuvens com firmeza que Kirari a beijava e a delicadeza com que tocava seu quadril.

Kirari sugou seu lábio, finalizando o beijo com um selinho longo.

- Eu confio em você. - Kirari afirmou, observando Sayaka morder o lábio despretensiosamente enquanto olhava o movimento de sua boca. - Só que... precisamos ir devagar.

Sayaka acenou, entrelaçando os braços no pescoço dela e encostando a cabeça em seu peito. Demorou um pouco, mas Kirari pôs um mão um suas costas e a outra em sua cabeça.

- Eu tenho que trabalhar mais no quesito Sua Segurança, caso você queira isso de verdade.

Sayaka ignorou o jeito como Kirari pôs o relacionamento improvável.

- Contato que eu possa estar com você... - Sayaka esperou tê-la desarmado com sua fala.

- Não vou deixar que nada te aconteça. - garantiu Kirari, beijando sua cabeça rapidamente. - Creio que estarmos juntas vai ajudar mais nesse processo.

- Hm. - Sayaka murmurou, deixando-se embriagar pelo cheiro da Momobami.

Estava tão feliz que nada abalaria isso.




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