História Lumus - Capítulo 8


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Categorias Harry Potter
Personagens Personagens Originais
Tags Corvinal, Drama, Fantasia, Ficção, Grifinória, Harry Potter, Hogwarts, Lufa-lufa, Magia, Mistério, Original, Romance, Sobrenatural, Sonserina
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Palavras 3.301
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Ficção Adolescente, Magia, Mistério, Romance e Novela, Saga, Shoujo (Romântico), Violência
Avisos: Linguagem Imprópria, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


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Boa leitura!

Capítulo 8 - A carta


 

Durante o jantar, Emery se engajou em uma longa conversa com Demitri, que contava histórias sobre a própria família. Segundo ele, a mãe quase revelou o mundo bruxo para um trouxa que a viu usando magia para fazer as flores do canteiro crescer quando era jovem. A bruxa fora obrigada pelo ministério à obliviar o trouxa e todos os membros de sua família para evitar especulações ou controvérsias. Demitri ficou surpreso em saber que Emery vivia uma vida solitária em um casarão afastado em Londres. Sem irmãos, sem primos, sem vizinhos.

— Antes não era tão solitário. — Explicou Emery. — Meu pai me levava para passear sempre que podia e as vezes a gente treinava feitiços no jardim lá de casa. E quando ele não estava, eu passava o tempo com Laslo, o Elfo Domestico da família. Ele sempre tem ótimas histórias.

— Qual é o nome do seu pai? O que ele faz? — Demitri perguntou, interessado.

— Zacharias Wardwood. Ele era Auror. Faleceu faz algum tempo durante uma caça à bruxos das trevas... — Emery sentiu uma compressão no peito. Depois de um ano, admitir que o pai havia partido ainda doía mais do que deveria.

— Eu sinto muito... eu não sabia. — O rapaz se desculpou, envergonhado.

— Tudo bem, não faz mal, é sério. — Emery sorriu para aliviar a vergonha de Demitri. — Eu ainda tenho a minha mãe, então fica mais fácil de lidar.

— E a sua mãe tem uma família grande ou é filha única como você?

 Emery encarou o próprio prato, sem saber o que dizer. Não esperava que o assunto fosse ir tão longe e também não esperava que tivesse que dizer a qual família sua mãe pertencia. Emery sabia dos feitos passados dos Malfoy, os quais eram repugnados pelos nascidos trouxas e famílias honestas e conservadoras de bruxos. Pelo pouco que ouviu sobre a família de Demitri e pelo pouco que conhecia o próprio, Emery sabia que seria julgada se revelasse sobre sua família. Demitri esperava uma resposta pacientemente. Emery tentava pensar em uma boa desculpa, mas nenhuma parecia boa suficiente para fugir da pergunta. Sua salvação foi o som estridente do talher contra a taça de Minerva, que pedia silencio aos alunos enquanto se posicionava à frente de todos.

— Mais uma vez, sejam muito bem-vindos à nossa escola. — A diretora cumprimentou os convidados novamente. Ela estava vestida de forma formal, por mais que continuasse no mesmo estilo conservador. Um vestido cumprido verde-escuro cobria seu corpo magro e curvado, combinando com o chapéu pontudo da mesma cor. Era quase impossível não notar a alegria e o orgulho da diretora por baixo de sua feição dura e extremamente séria. — O Cálice de Fogo, uma das peças principais do Torneio Tribruxo, será posto nesse salão após às nove e meia da noite. Peço que coloquem o nome no Cálice apenas aqueles que realmente sejam audaciosos, destemidos e tenham a verdadeira vontade de se arriscar e ganhar.

 Emery se encolheu no banco. Quando se tratava do torneio ela não desejava ter audácia, coragem ou vontade de ganhar. Ao contrário do que Lucinda esperava, ela estava disposta a ficar o mais longe possível do Cálice de Fogo. Não iria sequer arriscar escrever seu nome em um papel. Emery tinha a plena consciência dos perigos do Torneio Tribruxo e sabia que, apesar das ameaças da tia, sua mãe nunca concordaria com tal risco. Emery tinha quase certeza de que Lucinda já havia ido ao encontro de Elisabeth e tentado induzi-la a obrigar à filha a colocar o nome no Cálice, Mas Emery confiava o suficiente na mãe para saber que não seria tola em dar ouvidos à Lucinda. Não com algo tão arriscado quanto o Torneio Tribruxo.

 

— Dessa vez — continuou Minerva. —, seis alunos participarão do Torneio Tribruxo, sendo dois de cada escola.  Se um falhar na tarefa, o outro terá a opção de desistir ou continuar competindo. Vocês têm dois dias para se inscrever antes do Cálice de Fogo escolher os mais aptos para participar. As regras do torneio serão faladas apenas depois de os escolhidos serem revelados, portanto, não fiquem preocupados com elas com antecedência. Estão dispensados.

 Minerva nem terminou de dispensar os alunos e Emery já se levantou do banco às pressas, correndo em direção à mesa dos convidados, que ficava do outro lado do Salão Principal. Se desvencilhando com dificuldade da multidão de alunos cansados e apressados, Emery finalmente alcançou a mesa. A menina olhou em volta por alguns segundos e sorriu assim que achou quem procurava.

— Marie! Louis! — Chamou, fazendo dois dos jovens de BeauxBatons que se retiravam com os demais pararem no meio do caminho. O rapaz, Louis, que se destacava por suas feições francesas marcantes e cabelos claros, veio ao encontro de Emery com os braços abertos e um sorriso largo. Emery o abraçou com força, sentindo a sensação boa de estar em casa novamente.

— Ah, Emery... — O rapaz a soltou. — Olha só para você... continua tão deslumbrante quanto da última vez que te vi.

— Por que não respondeu minha carta? — Emery questionou, observando o rosto de Louis com atenção.

— Queríamos fazer uma surpresa. — A menina alta de cabelos longos e castanhos respondeu por Louis. — Venha cá, me dê um abraço!

Emery abraçou Marie, que tinha os olhos estreitos e azuis lacrimejando graças a um choro que tentava segurar. Assim que afastaram, Marie segurou Emery pelos ombros e deu uma longa olhada em seu rosto, como se procurasse algum indício de infelicidade. Marie continuava tão bonita quanto da última vez que Emery a viu, se preparando para deixar BeauxBatons enquanto reclamava do calor que teria que tolerar na casa dos pais, no sul da França.

— Parece que está se dando bem aqui em Hogwarts. — Comentou Louis, cruzando os braços. — Para qual casa o espelho deles te mandou?

— Eles não têm um espelho aqui, só um chapéu velho que fala e pensa. Eles o colocam na sua cabeça e você é selecionado pela sua personalidade. — Explicou Emery aos amigos, que pareciam ter achado o método de Hogwarts estranho, porém criativo. — Eu fui para a Corvinal. É uma boa casa. É como a Sagesse, cheia de alunos inteligentes, criativos e sagazes.

— E a cor deles é azul. — Marie apontou para as vestes da Emery, que pareciam um menos elegantes e chamativas perto do uniforme azul-areado de seda que os amigos vestiam. — Azul definitivamente é a sua cor.

— É muito bom ver vocês... — Emery suspirou.

— É bom ver você também. — Louis sorriu. — Mas acho melhor Marie e eu irmos para a sala dos convidados. Sabe como Maxime detesta atrasos...

— Certo. Vejo vocês amanhã?

— Estaremos aqui. — Marie acenou.

 Emery deixou o Salão Principal, por mais que quisesse passar a noite toda com os velhos amigos contando tudo o que aconteceu com ela desde que chegou em Hogwarts. A confusão no trem, a aula de feitiços, a Amúdua que deu errado e até, quem sabe, apresentar os novos colegas de casa. Enquanto seguia seu caminho solitário para a torre da Corvinal, Emery pensou brevemente em Stroud, o qual observou discretamente durante o jantar enquanto conversava com Demitri. O sonserino passou o jantar todo enrolando os fios do espaguete no garfo sem falar com ninguém e sem comer, como se estivesse apenas matando o tempo e pensando em alguma coisa importante. Emery pensou que talvez Stroud tivesse sido pego brigando com alguém e tivesse detenção depois do jantar.

 Depois de perder preciosos minutos tentando responder o enigma para conseguir ter acesso à torre da Corvinal, Emery finalmente acertou a resposta e conseguiu entrar. Ao contrário do que pensava, a Sala Comunal estava lotada de alunos que se espalhavam pelos sofás, tapetes, e até se sentavam nas janelas para conversar. Era como se a chegada dos concorrentes os tivesse deixado exaltados ao invés de angustiados e tensos. Demitri, que conversava com alguns garotos em um canto perto da estátua de Rowena Ravenclaw, se levantou rapidamente e puxou Emery para uma dança inesperada e sem ritmo, girando-a sem parar.

— Estão vendo? É assim que se dança com uma garota, meus caros. — Brincou o rapaz, se curvando para Emery formalmente assim que a soltou, como se estivesse agradecendo pela dança.

— O que pensa que está fazendo? — Perguntou Emery, se recompondo da leve tontura por ter sido girada.

— Contando ao Matt e ao Liam sobre o baile de inverno que teremos antes do natal. E vai ser assim que vou dançar com a minha acompanhante enquanto conto para ela como venci a primeira tarefa.

— Se quiser continuar com uma boa reputação é melhor não dançar assim no baile. — Brincou Emery. — Vocês já colocaram seu nome do Cálice, pelo menos?

— Ainda não. Nós vamos colocar juntos daqui a pouco. — Disse Matt. — Quer vir?

— Com certeza não. — Emery deu os ombros. — Não sei se quero me arriscar com esse torneio. Mas boa sorte para vocês.

Emery foi para o dormitório, deixando os rapazes confiantes para trás. A menina não conseguia tirar o sorriso do rosto. Ter Louis e Marie em Hogwarts era melhor do que qualquer coisa, mesmo que durante o torneio eles tivessem que se tornar meros rivais. No dormitório, Emery encontrou Lisa sentada na cama com Sara, uma garota tímida que ocupada a cama ao lado da sua. As duas cochichavam baixo e davam risadinhas enquanto comiam doces trazidos do jantar. Lisa, que estava de costas e enrolava os fios longos e loiros no dedo indicador, se virou para Emery, ainda rindo.

— Ei, aí está você! Sua coruja trouxe uma carta há alguns minutos. — Avisou. — Deixou em cima da sua cama. Vem sentar com a gente, estamos fazendo planos para o baile de inverno.

— Ok, eu vou assim que terminar de ler a carta. — Emery avisou gentilmente e foi até sua cama, sem dar muita importância para o falatório de Lisa e Sara sobre o baile. Ela já havia frequentado bailes suficientes em sua vida para saber que eles eram monótonos, entediantes e nunca tocavam uma música decente. Apenas músicas lentas tocadas propositalmente para que algum rapaz tolo com o ego aguçado a convidasse para dançar e falar sobre os bens materiais da família a noite toda. Emery tinha quase certeza que o baile de Hogwarts seria assim, porém com mais adolescentes e vestidos mais bonitos.

   A carta em sua cama, branca como leite e com um brasão desenhado com cera verde no feche a deixou com um pequeno e incomodo nó na garganta. Era de sua mãe. Emery pegou a carta e se sentou na ponta da cama, ignorando as risadas altas de Lisa e Sara. Ela abriu o envelope e, um pouco hesitante, começou a ler.

  

Devo começar essa carta dizendo que te apoio apesar do meu desapontamento. Depois de tanto esforço por parte de suas tias para que tivesse um futuro brilhante em Hogwarts, você foi para a Corvinal, onde a mente fechada, a superioridade intelectual e o fracasso reinam. Espero que não tenha pedido por isso ao Chapéu Seletor apenas para provocar suas tias, querida. Lucinda veio me visitar mais uma vez ontem à noite, e foi por ela que fiquei sabendo sobre não ter ido para a Sonserina. Esperei por uma carta o dia todo, mas agora entendo o motivo de não ter me escrito. Lucinda também mencionou sobre o Torneio Tribruxo e disse que você se negou em colocar o seu nome no Cálice. Quero que saiba que vou te apoiar em todas as suas decisões, mas quero também que pense no que vai te beneficiar no futuro. A glória eterna é tudo o que você precisa para ser grande. A sua coragem em colocar o nome no Cálice já seria o suficiente para me deixar orgulhosa, mesmo que ele não te escolha. Faça isso pelo seu sucesso. Por mim, a pessoa que sempre quis o melhor para você. Me mande uma resposta se decidir o que fazer. Você me deixará imensamente orgulhosa e satisfeita. Já estou com saudades, querida Emery.

Com amor, mamãe.

 

Mamãe.

Ao ler a palavra escrita em grafia fina e perfeitamente alinhada repetidas vezes, Emery amassou a carta e a jogou na cama, desejando atear fogo na mesma se tivesse a oportunidade. Ela estava com raiva, uma raiva que estava guardada há tanto tempo que agora parecia querer sufoca-la. Ela limpou os olhos com a manga do suéter cinza, evitando que as lágrimas que tanto escondia caíssem pela segunda vez desde que pisara os pés na escola.

Faça isso pelo seu sucesso. Por mim, a pessoa que sempre quis o melhor para você”. A frase se repetia sem parar na cabeça de Emery que, naquele momento, desejava não ser ela mesma. Toda a sua convicção para ficar longe do Cálice de fogo havia ido por agua abaixo. Mais uma vez estava sendo vista como a vergonha da família, agora também pela pessoa que nunca quis envergonhar, e isso a deixava com raiva. Emery sabia que Elisabeth estava envergonhada por ela ter ido pelo caminho contrário do previsto e, discretamente, estava tentando persuadi-la a colocar o nome no Cálice para ter certeza que sua filha também poderia ter coragem. Por mais que quisesse desapontar Lucinda mais do que qualquer coisa, Emery não queria que a mãe se envergonhasse dela. Era a única pessoa que havia lhe restado, e agrada-la era sua prioridade, por mais que as vezes a mãe não merecesse e nem facilitasse. Emery apenas queria não ter ninguém para agradar além de si mesma.  “A sua coragem em colocar o nome no Cálice já seria o suficiente para me deixar orgulhosa, mesmo que ele não te escolha”.

— Emery... está tudo bem? O que houve? — Emery notou que estava encarando o chão há longos minutos. Havia se esquecido de Lisa e Sara.

— Nada. — Emery ficou de pé em um pulo. — Eu estou bem, eu só... eu só preciso ir. — Ela pegou a carta amassada e a enfiou no bolso junto com um pedaço de pergaminho e sua pena, que estavam na mesinha de canto. Apressada, Emery saiu do dormitório sem olhar para trás.

 A menina desceu as escadas com rapidez e atravessou a Sala Comunal agora menos cheia ainda mais rápido, evitando com sucesso que alguém percebesse seu desespero e tentasse para-la. Depois de andar tão depressa a ponto de tropicar nos próprios pés, Emery chegou ao corredor do primeiro andar, que aquela hora, quase dez horas da noite, estava iluminado por candeeiros centenários, que formavam sombras fantasmagóricas enquanto passava. Emery atravessou os corredores rápida como um raio, chegando finalmente no hall de entrada, ofegante. Alunos de todas as casas, em especial os da Grifinória, saíam do Salão Principal em grupos, animados depois de colocar o nome no Cálice de Fogo que já estava ativo lá dentro. Emery se escondeu atrás de uma estátua alta e larga de um bruxo muito velho e se sentou. Retirou o pergaminho que havia pego e, com a pena, escreveu seu nome e sobrenome com uma letra tremida.

 

 

────── ✦ ──────

 

 

 Quando o Salão Principal ficou vazio uma hora depois, Emery finalmente saiu detrás da estátua. Já havia dado o toque de recolher e nenhum aluno e nem mesmo nenhum fantasma passava por ali. Emery empurrou as portas pesadas e majestosas do Salão Principal, que agora estava totalmente diferente do normal. As quatro mesas haviam desaparecido, restando apenas a dos professores que estava encostada em uma parede no canto. As velas que antes iluminavam todo o espaço estavam apagadas, dando lugar para a luz azulada e forte que saía das chamas do grande Cálice prateado, que fez os olhos de Emery brilharem. Ela estava pronta para fazer o que havia prometido evitar algumas horas antes. Apesar de uma parte de si implorar para que fosse embora, a outra parte a avisava que ela não deveria desapontar e envergonhar a única pessoa que restava em sua vida.

 Apertando o pergaminho na mão, Emery respirou fundo, desejando não ser escolhida. Ela não queria uma aprovação, queria ter a certeza de que não era capaz de competir, que não seria escolhida pois não tinha as qualidades necessárias e, quando isso fosse confirmado, em dois dias, ela poderia se animar por estar livre do Torneio Tribruxo e deixar a mãe orgulhosa por sua coragem em se inscrever. Emery esticou o braço e colocou o papel dentro das chamas azuis, onde o mesmo desapareceu imediatamente.

— Olha só que apareceu para se inscrever escondida... por que resolveu fazer isso depois de todo mundo, WardWood?

 A voz irônica e agora familiar ecoou por todo o salão. Emery se virou, vendo Nicholas Stroud parado na entrada, iluminado pela luz azulada.

— Não é da sua conta o que eu faço e quando faço. — Atirou Emery, se virando para deixar o salão. Ela tentou alcançar a porta, mas o rapaz tapou sua saída com o próprio corpo.  Stroud riu, triunfante.

— Na verdade, é sim. — Ele apontou para o distintivo similar ao de Helena colado no uniforme. — Sou o monitor chefe da Sonserina e, durante a noite, posso punir qualquer um esteja perambulando pelos corredores.

— Então acho melhor procurar outra pessoa. — Emery atirou, impaciente. Stroud parecia furioso por ter sua autoridade rebaixada. — E se eu fosse você eu iria embora. Não estou com humor para tolerar suas regras e se me deixar mais irritada eu vou fazer pior do que fiz no trem.

  Após dizer isso, Stroud pareceu finalmente ter reparado nos olhos vermelhos e descaídos de Emery.  Ele cruzou os braços, nem um pouco comovido, mas Emery estava pouco se importando em tentar comove-lo ou deixa-lo com pena. A única coisa que importava a sair dali e esperar a decisão do Cálice de Fogo.

— É engraçado a forma como você se gaba por ter lançado aquele feitiço no trem. Você foi covarde, me atacou pelas costas. E pessoas covardes não serão escolhidas para competir, WardWood. Não fique tão confiante. — Stroud deu um passo para frente, encarando Emery com dureza, enquanto suas palavras jorravam como veneno pela boca.

— Então espero que nem tenha tentado colocar o seu. — Emery deu um passo para frente também, enfrentando-o. Seus rostos estavam tão próximos que ela conseguia sentir a respiração rápida de Stroud, que continuava tentando manter a postura de Monitor Chefe. — Você não teria chance nenhuma, você é um medroso escondido no corpo de um valentão. Eu conheço pessoas como você.

— Não ouse falar assim de mim. — Stroud ameaçou, falando em um tom mais alto, que ecoou por todo Salão. — Eu coloquei o meu nome no Cálice e sei do meu potencial. Mas parece que você sabe que não tem potencial nenhum. Que é uma vergonha...

  Antes mesmo de deixa-lo terminar as ofensas, os olhos de Emery começaram a lacrimejar, dessa vez de raiva. Sem pensar duas vezes, ergueu a mão já trémula e acertou o rosto pálido do rapaz que, surpreso, deu alguns passos para trás. Mesmo com a pouca luz emitida das chamas do Cálice, Emery conseguia ver a marca que seus dedos haviam deixado momentaneamente no rosto de Stroud, que agora parecia estar prestes a surtar de raiva. Ele veio veloz em sua direção, e Emery se afastou até sentir suas costas tocarem a parede que agora impedia sua fuga. Nicholas Stroud socou a parede, acertando as pedras ao seu lado. Sua respiração estava ofegante assim como a do rapaz, que examinava seu rosto como se estivesse pensando duas vezes no que estava fazendo. Stroud levou uma das mãos frias para a bochecha de Emery e deslizou o polegar por sua pele. Se não estivesse com medo de uma reação violenta, Emery diria que ele estava acariciando-a. Stroud alternava os olhos escuros entre os lábios e os olhos de Emery. Sem saber o que fazer, ela continuou imóvel, sem tentar se soltar dessa vez. Depois de segundos que se pareceram horas, Stroud se afastou de Emery, ainda ofegante.

 

— O que você está fazendo comigo? — Stroud disse antes de deixar o Salão Principal às pressas.



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