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História Lúpus - yoonkook - Capítulo 4


Escrita por: neptunetg

Notas do Autor


alô fml esse capítulo não ficou em nada como eu queria (oq me frustou bastante) mas resolvi só ignorar as vozes na minha cabeça e postar

espero que gostem :( sz

Capítulo 4 - Three - Intrigante.



— Alguns anos atrás — 


Yoongi correu com seus sapatos cheios de lama para dentro de casa, assustando seu pai ao que abriu a porta com tudo e ela bateu na parede. 


O alfa, Min Heejong, fazia o jantar e acabou derrubando a cenoura que cortava no chão. Seu olhar de repreensão caiu sobre o filho, mas não durou muito pois encontrou o rosto dele tão sorridente que simplesmente não conseguia ficar irritado. 


– Pai! Você não sabe o que aconteceu hoje! – A voz animada do ômega de dezessete anos preencheu a cozinha. 


E só então o alfa reparou que além de um sorriso, Yoongi também tinha arranhões nas bochechas e nos braços. Suas roupas estavam sujas de terra, lama e grama. Heejong, por um momento, largou tudo que fazia e correu até o menor, segurando o rosto dele entre suas mãos para analisar as feridas. 


– Deusa Lua! Quem te bateu? Por que você está todo sujo e machucado? Foi algum alfa implicando? 


– Não, pai, relaxa... – Yoongi riu, divertido. Abraçou o homem mais alto e foi imediatamente aconchegado, não existia lugar no mundo que o desse maior sensação de segurança do que os braços dele. 


– Me conta, bebê. Quem fez isso com você, hm? Papai vai resolver, ninguém toca no meu filhote. – Heejong beijou o topo da cabeça do filho, soltando seus feromônios ao redor dele para que ele ficasse rodeado do seu cheiro e se sentisse protegido. 


– O senhor entendeu errado, vai soar estranho, mas não foi contra a minha vontade. 


O alfa franziu a testa, se afastando do abraço para encarar o rosto ainda feliz do menor. – Você... Pediu pra te baterem? 


– Olha, ouvindo agora, soa bem ruim. 


– Com certeza, então trate de me dar explicações. 


– Me levaram a sério, pai. Eles finalmente me levaram a sério, me viram como um oponente de verdade. 


Heejong suspirou, entendendo o que seu filho queria dizer. 


Já tinha um tempo que ele sonhava com aquilo, o dia em que os outros alfas treinariam com ele de verdade, sem levar como brincadeira. E a julgar pelo estado que o menor chegou em casa, tinha finalmente se realizado. 


– É por isso que está tão feliz? 


– Sim! O senhor sabe o quanto eu queria isso. E eu sei que não entende, tudo bem, mesmo. Só... Obrigado por me aceitar. 


O alfa sorriu, apertando seu filhote contra os seus braços, distribuindo beijinhos pelo topo de sua cabeça mesmo que estivesse sujo, ele não se importava. Só precisava demonstrar todo o amor que tinha por aquele garoto e torcer para que ele realizasse cada sonho e meta. Torcer para que ele encontrasse o destino que Selene o reservou. 


– Eu posso não entender os seus motivos pra querer fazer essas coisas, pra ser tão rebelde e até mesmo um tanto arisco. Mas eu te amo, Yoongi. Amo você do jeitinho que você é, e fico orgulhoso de cada conquista sua, hm? 


– Pai... – O menor fungou, choroso pelas palavras dele. 


– Agora me diz, você deu uma surra nesses alfas metidos, né? 


Os minutos a seguir foram preenchidos por Yoongi narrando como tinha sido o treino enquanto seu pai cozinhava e escutava tudo atento, sorrindo orgulhoso e fazendo comentários sempre que necessário. 


— Atualmente —


Todos pareceram surpresos com a ordem clara de Jungkook. Alguns alfas até mesmo se afastaram da roda para não serem chamados para lutar contra Yoongi, muitos seguindo suas próprias crenças sobre nunca levantar a mão para um ômega ou por não concordarem, tendo a ideia fixa de que ômegas não foram feitos para aquilo. 


Um então ergueu o braço, entrando no meio da roda. Yoongi o reconheceu, era o alfa que tinha comentado sobre Kihyun na mesa. 


– Eu o desafio, ômega. 


– Eu aceito. – Yoongi respondeu, voz e postura confiantes. 


Os alfas passaram a se animar e alguns ômegas e betas até mesmo se aproximaram, curiosos quanto ao resultado daquilo. Seokjin observava os dois oponentes se prepararem para começar aflito e preocupado com Yoongi, enquanto Jungkook apenas suspirou e ficou atento caso precisasse intervir, coisa que não pensaria nem duas vezes antes de fazer caso a situação saísse do controle. 


Yoongi encarou o alfa, que lembra vagamente de ver os outros o chamarem de Jaehyun. Ele era alto, devia ter 1,80 de altura, os cabelos de uma cor escura assim como seus olhos. Sorria divertido para os outros alfas que o assistiam, como se debochasse do fato de estar em uma briga com um ômega. 


Jaehyun deu dois passos e avançou na direção do ômega, erguendo o punho para o dar um soco sem muita velocidade ou real vontade de acertar, pois realmente não levava aquilo a sério. Yoongi, já irritado, revirou os olhos e deu um meio-giro apoiado na sua perna esquerda para que a direita ganhasse velocidade e força o suficiente para acertar o abdômen do alfa. 


Ele deu alguns passos para trás, surpreso e cambaleante. O tempo que ele demorou para assimilar e tentar firmar os pés novamente foi o suficiente para Yoongi deslizar seu pé direito no chão e o dar uma rasteira, levando o alfa para o chão com as costas na terra. 


De repente, o círculo antes tão barulhento com as piadas e risadas, ficou silencioso, todos chocados por não esperarem uma real vitória de Yoongi. Mas não durou muito, pois Seokjin deu um berro e bateu palmas em comemoração e aquilo pareceu despertar o restante, que passou a comemorar também. 


O ômega ainda em pé no círculo de frente ao alfa jogado no chão, virou seu olhar para Jungkook, erguendo uma sobrancelha como quem dizia "Viu só?". O Jeon riu, de certa forma orgulhoso da cena que tinha presenciado e aceitou sua derrota por ter duvidado. 


Yoongi enfrentou mais dois alfas, o primeiro durou mais pois o alfa estava tentando de verdade não cair no chão, mas por também não estar levando a briga tão a sério acabou perdendo. O segundo estava bêbado, o que trouxe mais risadas pelos socos que ele dava no ar enquanto Yoongi desviava com passos simples para trás, também rindo da expressão e dos gestos do alfa. 


O menor estava para sair e deixar os outros se divertirem também, mas outra mão se levantou e mais uma vez todos se chocaram com a cena inédita. 


– Me daria a honra, ômega? 


Era Kim Namjoon, o alfa braço direito de Jungkook que tinha ido no dia em que foi entregue para o Líder. Ele tinha cabelos loiros em um topete, era alto, elegante e carregava um sorriso gentil, deixando Yoongi curioso. 


– Claro, vamos lá. – O menor aceitou, fazendo um gesto para que Namjoon se aproximasse. 


– Você realmente vai fazer isso? – A pergunta veio de Jungkook, que estava realmente estranhando aquilo. – Nunca teve interesse em participar disso... 


– É que não tinha um oponente a altura. – Deu de ombros, sem se importar de ter soado arrogante. 


Namjoon nunca participava daquela brincadeira de luta, o chamavam e o desafiavam, mas ele sempre negava. Nem mesmo quando Jungkook sugeriu que fossem juntos apenas para diversão ele teve interesse, dizia que achava a atividade desnecessária. 


Mas ali estava ele, desafiando Min Yoongi para uma luta. 


Se posicionaram um de frente para o outro com uma distância considerável os separando. O ômega sabia mesmo sem nunca ter visto que Namjoon não era qualquer um, que se era braço direito de Jungkook tinha um motivo e com certeza eram suas habilidades. Mas estava receoso, não tinha ideia se ele iria levar a sério ou não. 


A luta realmente começou quando o alfa avançou para cima do ômega, e Yoongi soube que não era brincadeira pela velocidade dos passos dele e a força que ele utilizou em uma tentativa de o acertar com um golpe. Por sorte, o ômega era ágil e teve tempo de recuar e desviar, mas ao contrário do que pensou, Namjoon não parou por aí, ele continuou avançando e tentando o acertar sem parar. 


Yoongi apenas desviava, recuava e se defendia assim como tinha feito com os outros. Em algum momento, no entanto, se aproximou demais da "parede" de pessoas formada pela sua platéia e não poderia mais recuar. O ômega tentou o acertar um soco no nariz, mas Namjoon desviou e agarrou seu braço o puxando para a frente ao mesmo que a mão grande o empurrou com força nas costas, fazendo Yoongi cair de peito no chão. 


Seu reflexo era rápido, por isso as mãos se afundaram e se arranharam na terra para não bater a cara no chão. Iria tentar se levantar, mas o alfa ficou ajoelhado deixando o corpo menor entre suas pernas. Segurou-o pelos ombros e o virou de frente, fazendo assim, que Yoongi enfim tivesse as costas contra o chão declarando sua derrota. 


Ao contrário do que alguns pensaram, Yoongi não ficou irritado ou se sentiu humilhado, era totalmente ao contrário. Estava tão feliz e satisfeito que quase chorou ali mesmo, os olhos chegando a lacrimejar tamanha sua emoção que ninguém ali conseguiria entender. Namjoon percebeu e sorriu, realmente, não conseguia entender o que o ômega sentia naquele momento, mas sabia os motivos para ele sentir. 


– Você é muito bom, ômega. De verdade mesmo, eu não entraria nisso se não fosse. Só precisa treinar mais seu contra-ataque, se só se defender e recuar vai ficar encurralado, eu percebi que você fazia isso te observando e resolvi vir mostrar. 


Namjoon se levantou e estendeu a mão para o ômega, que retribuiu o sorriso e aceitou a ajuda, ficando de frente para ele. 


– Eu gostei de você. – Concluiu, encarando o alfa com certa admiração e respeito. 


– Oh, isso é realmente uma grande honra pra mim, acredite, ainda mais vindo de um ômega como você. 


– Você... Treinaria comigo um dia desses?


– Claro. 


Yoongi sorriu animado, deu um aceno e saiu da roda sendo recebido por um Seokjin que estava um misto de preocupado e orgulhoso. Namjoon, no entanto, andou calmamente na direção de Jungkook, ficando parado em pé ao lado deste que o encarava com uma expressão indecifrável. 


– Como... Como você fez isso? – O Líder perguntou, recebendo uma careta confusa do outro alfa. – Ele é tão arisco, parece querer arrancar o pescoço de cada alfa que cruza o caminho dele. Então, como fez isso? 


– O tratando igualmente. 


[...]


Yoongi estava sentado encostado contra o tronco de uma árvore, algumas garrafas vazias de soju e outras ainda cheias estavam ao seu redor. Observava a lua enquanto virava mais alguns goles da bebida garganta a baixo, já um pouco alto pelo álcool. 


Depois de sair da roda, foi cuidado por Seokjin que ficou preocupado por conta do menor não estar totalmente recuperado da surra que tinha levado na carroça. Verificou cada já antigo machucado e brigou com Yoongi pela irresponsabilidade, que por sua vez apenas riu divertido, feliz demais por ter finalmente alguém o vendo como igual para se irritar com a preocupação – na sua opinião, exagerada – do amigo. 


Ficou um tempo junto do ômega até agarrar diversas garrafas e sair de fininho do meio das pessoas, entrando na floresta e se isolando um pouco para desfrutar da própria companhia. Não estava muito longe, obviamente, ainda podia ouvir as vozes, a música e as risadas, mas estavam abafadas o suficiente para que não o incomodasse naquele momento. 


– Oi... 


O ômega se assustou, dando um leve pulinho e erguendo a cabeça tão rápido que seu pescoço chegou a estalar. Estava bêbado, não do tipo desmaiar, fazer algo que não lembra ou cair pelos cantos. Só bêbado o suficiente para não sentir o cheiro de Jungkook se aproximando ou os passos deste na grama. 


– Você me assustou, seu alfa idiota! – Disse em tom de repreensão, mas Jungkook riu, não conseguindo levar a sério pelo bico involuntário que ele fazia. 


– Me desculpe, foi sem querer, achei que tivesse sentido meu cheiro. 


– Eu estava distraído... 


O silêncio surgiu entre os dois, Jungkook em pé com a mão apoiada na árvore enquanto olhava para o menor, que o encarava de volta abraçado a uma garrafa. 


– Então... – O Jeon murmurou, exitante. 


– Você de novo.


– Eu de novo. 


– O que quer? 


– No que estava pensando? – Ignorou a pergunta, pois não tinha uma resposta. 


Jungkook também não estava lá muito sóbrio, tinha bebido algumas garrafas enquanto ouvia o papo de bêbado dos alfas da sua alcatéia. Percebeu que Yoongi não estava ali e quando deu conta, já estava o procurando. O encontrando ali depois de perguntar para Seokjin que o deu a direção. 


– O que te importa? 


Jungkook suspirou, sentando encostado em uma árvore que ficava a direita de Yoongi. Esticou suas pernas, seus pés encostando nos dele. O contato mesmo que superficial por conta dos sapatos, fez o ômega recuar e dobra-las contra o peito, apoiando seu queixo nos joelhos de modo que o fez parecer ainda menor. 


– Se eu estou perguntando, é porque me importa. 


– A pergunta que eu fiz também. 


– Eu não sei, tudo bem? Eu só... Eu queria me desculpar com você. 


O ômega ergueu uma sobrancelha, desconfiado. – Se desculpar? 


– É, por, você sabe, ser meio... 


– Idiota? 


– Isso. 


– Imbecil? 


– Também. 


– Chato, insensível e insuportável? 


Jungkook riu, o dando um chutinho leve. – Acho que já chega, né? 


– Posso passar a noite toda listando ofensas pra você. – O menor disse, como se fosse um talento seu do qual se orgulhava. 


– Tenho certeza que sim. 


Yoongi suspirou, encarando os olhos de Jungkook que brilhavam em expectativa. – Você sabe, não sou eu quem tem que te perdoar, devia pedir desculpas para aquele homem da alfaiataria. 


– Mas eu também não fui muito educado com você e disse algumas besteiras sem pensar.


– Tudo bem, eu te perdôo se você se desculpar com ele. 


– Fechado? – Jungkook estendeu a mão, tendo Yoongi a apertando em um acordo.


– Fechado. 


Soltaram-se, ficando novamente em silêncio. Ambos viraram mais alguns goles das garrafas em suas mãos, encarando a lua minguante que brilhava sobre suas cabeças. 


– Eu estava pensando na minha casa. – Yoongi disse, de repente. Jungkook soube que era a resposta da sua pergunta e o olhou atentamente, o ômega sabia que era encarado, mas não se deu ao trabalho de retribuir.


– Sente muita falta? 


– A cada minuto do meu dia. Aqui não é horrível, sabe? Mesmo que eu não tenha saído, as pessoas parecem, em sua maioria, muito gentis e amigáveis. Seokjin mesmo é incrível. Mas... Aqui não é a minha casa, não tem meu pai, Hoseok ou Yeonjun e Soobin. Não tem aquele cheiro de pão quente que eu sentia toda vez que acordava porque a padaria era próximo a minha cabana, não tem todas as pessoas com quem eu convivi minha vida toda me cumprimentando e sorrindo, aqui não tem nada que me faça sentir em casa. 


Jungkook sentiu um pesar no seu peito, pois Yoongi parecia tão pequeno, quebrado e triste. Ele se encolhia, os olhos marejados e os ombros caídos, não parecendo em nada com o ômega que viu desde que o conheceu que encarava tudo ferozmente e parecia inabalável. Não que o alfa achasse que Yoongi era daquele jeito o tempo todo, pois todos temos um lado sensível, mas era diferente saber de ver acontecer. 


– O que você mais gosta de fazer? – Jungkook perguntou, recebendo a atenção de Yoongi. 


– Que pergunta repentina é essa? 


O alfa deu de ombros, como quem não queria nada. – Curiosidade. 


– Sei... 


– Vai, me diz, o que você gosta de fazer? 


– Não tenho certeza... 


– Você está mentindo. – O Jeon acusou, cerrando os olhos na direção do ômega que fez uma expressa dramática de ofendido. 


– Não estou! 


– Está sim! Aposto que seu passa-tempo é humilhar alfas por aí, chutar eles, quem sabe? Ou talvez seja desrespeitar um Líder incrivelmente bonito. 


– O "Líder incrivelmente bonito" seria você? – Yoongi perguntou, rindo divertido. 


– Quem mais seria? 


– Você é incrivelmente insuportável, isso sim. 


– Ah, por favor, eu sei que no fundo você gosta de mim. 


– Bom, se nós entrarmos no meu coração e caminharmos lá pro fundo, do fundo, do fundo, vamos perceber que eu continuo te odiando. 


Jungkook riu, dando um peteleco na testa de Yoongi. – Isso é por você ser atrevido. 


– Ei! – O ômega protestou, se inclinando e também dando um peteleco no Jeon. – Isso é por você ser idiota. 


– E então?


– Então o que?


Jungkook revirou os olhos, sabendo que ele se fazia de desentendido de propósito. – Ande logo, Min Yoongi.


– Certo, certo! – Se rendeu, fazendo uma expressão pensativa. – Bom, eu gosto de ler.


– Ler?


– Foi o que eu disse, a bebida afeta sua audição?


– A minha não, mas a sua sim. – Se referiu ao momento que chegou e o ômega sequer escutou. – Enfim, o que você gosta de ler?


– Ah, eu não tenho grandes preferências, sabe? Realmente leio de tudo.


– Fala sério, seja mais objetivo! – Jungkook reclamou, fazendo uma careta emburrada que causou um sorrisinho no ômega.


– Eu realmente não tenho preferências, na minha alcatéia não tinha muitas oportunidades de escolha. O comerciante que passava tinha poucos, Hoseok sempre me comprava todos, aquele exibido. 


– Você e o Jung eram muito próximos, não? – Jungkook resolveu matar sua curiosidade logo, pois tinha percebido a forma íntima que Yoongi tratava o outro.


– Éramos, fomos criados juntos, praticamente. – Sorriu triste, apertando os braços ao redor das suas pernas em uma tentativa de se sentir mais seguro, como seu pai fazia consigo. – Eu ainda não chorei pela morte dele, sabe? Não como deveria, estou me sentindo bem culpado por isso.


Yoongi sabia que se arrependeria no dia seguinte de cada coisa que falava para o alfa, a bebida o deixava mais sensível e consequentemente mais boca aberta. As coisas, seus pensamentos e sentimentos saíam antes que pudesse filtrar. E aquilo era realmente perigoso, não podia dar informações a Jungkook pois não confiava nele, acreditava que ele poderia usar contra si uma outra hora.


– Não se sinta. – Jungkook suspirou, desviando o olhar novamente para a lua. – Quando meu pai morreu, eu não consegui derramar uma lágrima durante semanas. Ele se foi de uma maneira muito repentina, em uma noite ele estava comigo rindo e brincando e no outro já estava morto, mataram ele e minha mãe enquanto dormiam.


– Eu... Eu sinto muito. – Yoongi o olhou com compaixão, não sabendo o que dizer pois não tinha o que realmente dizer. Era uma situação delicada, na sua opinião palavras não seriam de grande ajuda.


– Tudo bem, isso já tem tempo. Eu nunca fui próximo da minha mãe, ela não gostava de mim e nem eu dela, mas eu era muito próximo do meu pai, então não entendia o porquê de eu não chorar. Então em uma noite, eu fiquei sozinho pela primeira vez, e só aí eu consegui desabar. Eu acho que eu estava me segurando para parecer forte para os outros que esqueci que não sou de pedra.


Yoongi entendeu o que ele quis dizer e no fundo sabia que era exatamente aquilo. O ômega se sentia constantemente pressionado e ameaçado, estava em uma alcatéia desconhecida, com pessoas desconhecidas e sem ninguém que o passasse aquela sensação de "Tudo bem, você está seguro."


Por mais que adorasse Jeon Seokjin, não o conhecia a tempo o suficiente para ficar completamente confortável na presença dele. A noite, Yoongi se pegava conferindo se as portas e janelas estavam trancadas mais de três vezes, acordava com qualquer mínimo barulho e quando raramente conseguia dormir, tinha pesadelos com os gritos e choros do terror que foi a invasão. Então ele estava se segurando, mesmo que em um fio, ele ainda estava se segurando.


– Obrigado. 


Jungkook se assustou com o agradecimento repentino, não esperando aquilo. – Desculpe, o que você disse?


– Não abuse, alfa. Você ouviu muito bem, sua audição não se afeta pela bebida, lembra?


– Acho que eu estava errado, na verdade, devo estar realmente bêbado e tendo alucinações! Nunca que Min Yoongi iria me agradecer por algo. 


O ômega revirou os olhos, rindo e gostando daquele lado mais descontraído de Jungkook. – Acredite no que quiser, eu não vou repetir nem que me paguem.


– Vamos lá, Min Yoongi. Sei que você é capaz de deixar seu orgulho de lado só um pouquinho.


– Tudo bem, mas só se você admitir que é um idiota insensível e muito, muito arrogante.


– Acho que de repente eu consegui ouvir muito bem o que você disse, disponha. – Jungkook roubou uma garrafa do menor, abrindo e bebendo sendo acompanhado pelo olhar indignado dele.


– Não acredito que você roubou minha bebida!


– Elas, tecnicamente, são minhas.


– Não são. – Yoongi cruzou os braços, erguendo o queixo como um filhote que tinha acabado de perder seu brinquedo favorito.


– Por quais motivos essas bebidas foram liberadas a vontade?


– Por causa do festival...


– E onde está acontecendo esse festival?


– Aqui? – Soou mais como uma pergunta do que uma afirmação, já que Yoongi não entendia onde ele queria chegar.


– Exato, e onde nós estamos, Min Yoongi?


– Na sua alcatéia. – Revirou os olhos, irritado. – Então, seguindo sua lógica, tudo que tem na alcatéia é seu?


– Em teoria, sim. – Deu de ombros, bebendo e sendo acompanhado por Yoongi.


– Que egoísta, Jeon Jungkook. Não fica contente em apenas me ter? – Comentou em um humor ácido, pois também em teoria, ele era do alfa, tinha sido dado como presente.


– Não é bem assim...


– Você sabe que é.


Jungkook suspirou, espremendo os lábios. – Eu não te considero como meu. Você é como qualquer outro membro da alcatéia, Yoongi, mesmo que tenha sido dado como presente.


– Se eu sou como qualquer outro membro da alcatéia, eu deveria ter medo de você?


– Sim.


– Oh, estou tremendo de medo! – Fingiu uma expressão assustada, rindo alto do revirar de olhos e bufar de Jungkook.


– Eu realmente não gosto da forma que você age, é desrespeitoso, Yoongi.


– E você não é desrespeitoso? Humilhando os membros de sua própria alcatéia?


– Você não entende...


– Não mesmo, e acredito que nunca vou. Você está tão descontraído agora, eu quase consigo te odiar menos, por que não tenta ser assim com os outros também?


Jungkook calou-se, percebendo que tinha quebrado uma de suas regras. Não entendia o que aquele ômega tinha que o fazia esquecer momentaneamente como deveria agir, talvez fosse a petulância dele e a falta de medo que o deixavam sem reação. Yoongi o intrigava, isso era fato, nunca tinha conhecido alguém como ele.


Estava costumado a ser respeitado, respeito esse que era adquirido através do medo. Tinha uma pose séria e por vezes cruel, não abrindo brechas para abordagens amigáveis. Era um alfa Lúpus líder de uma das maiores alcatéias do país, tinha comandado invasões com maestria e sido perspicaz em reuniões com outros líderes que entendiam apenas de olhar para Jeon Jungkook que ele não era um alfa que se podia brincar de guerrinha. 


Mas ali estava ele, sem reação diante um ômega tão pequeno em relação a si, tinha a sensação que se o pegasse nos braços podia o quebrar ao meio. Talvez fosse sua curiosidade que levasse a rachadura da sua casca, era fina mas o suficiente para que Yoongi o visse através da brecha, como um feixe de luz entrando em uma caverna que a muito não sabia o que era o sol.


[...]


Yoongi acordou no dia seguinte com a cabeça doendo.


Se embolou ainda mais no cobertor enquanto tentava despertar e assimilar as coisas ao seu redor. Após alguns minutos, criou coragem e se sentou, percebendo que estava no seu quarto e já era dia. Entretanto, ao puxar as memórias da noite anterior não conseguia encontrar em que momento se despediu de Jungkook e veio para a cabana.


Teve sua atenção roubada por Seokjin, que entrou no quarto sem sequer bater carregando uma embalagem e uma xícara.


– Bom dia, dorminhoco. Eu trouxe um chá e isto aqui, que estava na porta com o seu nome escrito.


O Jeon se aproximou, entregando ambos ao ômega ainda sentado na cama. Abriu as cortinas do quarto e deixou um beijinho contra a testa do menor, indo até a porta para sair e dar a devida privacidade a Yoongi.


– Ei, você me trouxe pra casa ontem?


– Ah, não, foi o Jungkook. – Deu de ombros, saindo e encostando a porta.


Yoongi suspirou, não acreditando que tinha dormido encostado contra um tronco duro de uma árvore. Eles ficaram conversando por mais algum tempo na noite anterior, e então foram envolvidos por um silêncio que surpreendentemente, não era desconfortável, estavam apenas aproveitando a companhia um do outro mesmo que nunca fossem admitir isso em voz alta.


Em algum momento Yoongi apagou ainda com uma garrafa de soju em mãos, Jungkook esperou alguns minutos, apenas observando enquanto o esperava entrar em um sono profundo alí mesmo. Então, quando já teve a certeza de que o ômega realmente dormia, o pegou no colo e o levou até a cabana, encontrando com Seokjin quando já estava de saída.


Claro, Yoongi não lembrava de nada disso, tinha realmente pego no sono.


O ômega bebeu alguns goles do chá quentinho preparado para si, deixando-o numa pequena mesa ao lado da sua cama para que pudesse checar o que era aquela embalagem. Tinha apenas um "Min Yoongi" escrito em um garrancho, era retangular e um tanto grosso, despertando sua curiosidade.


Rasgou o papel e deu de cara com um livro de capa azul junto de um bilhete, sorriu mesmo sem saber de quem era e abriu o pequeno bilhete com cuidado.


"Para o indeciso que diz não ter preferências, espero que goste.

– J.J.K"


[...]


Passaram-se três semanas, nesse meio-tempo não aconteceram muitas coisas interessantes.


Yoongi começou a sair da cabana já que ficou de saco cheio de olhar para aquelas paredes de madeira e fez algumas boas amizades com os outros membros da alcatéia que pareceram gostar dele. Uma de suas distrações era o livro que tinha ganhado de Jungkook, este que o presenteou com mais dois, sendo entregues da mesma forma a cada sete dias. No entanto, aquele fora o único contato que teve com o alfa, pelo visto ele era ocupado e as poucas vezes que se esbarravam trocavam apenas olhares.


O ômega honestamente não tinha ideia dos motivos dele estar o dando livros. Tudo bem que Jungkook tinha perguntado e o dava, obviamente, para que fossem lidos. Mas o "Por quê?" rodeava bastante a cabeça de Yoongi, que ficava dividido entre odiar menos o alfa e desconfiar mais dele, pois para si, ele o odiava tanto quanto era odiado, então aquilo só podia ser algum plano do mal e diabólico.


Naquelas três semanas Yoongi também se aproximou bastante de Seokjin, o outro ômega trabalhava com jóias, seus clientes sendo em maioria alfas que queriam presentear seus parceiros ou cortejarem quem lhes interessava. Então passava uma parte do dia na loja de Jin o ajudando com o que precisasse e quando era expulso – pois o ômega não gostava de ninguém perto dele quando fazia suas coisas – ficava andando pelo vilarejo e puxando papo com qualquer um que quisesse o dar atenção.


Yoongi também pensava bastante na sua família e em como eles estavam, sentia tanta saudades. Nunca passou tanto tempo longe deles e agora que tudo foi bruscamente arrancado de si, a sensação de vazio era constante e o assombrava todas as noites sem falta.


E foi pensando neles, numa forma de os encontrar que o ômega percebeu que precisava de um plano.


Começou a pensar em para onde eles provavelmente teriam ido após a invasão, qual alcatéia os acolheria. E como um estalo na sua mente, lembrou-se de que Hoseok tinha uma forte amizade com Ahn Hyejin, uma alfa de uma alcatéia não tão longe da sua. Apesar de intimidante, Hyejin era doce e nunca negaria abrigo para ninguém.


O seu único problema era não poder fugir por dois motivos básicos e óbvios.


O primeiro: Kim Seokjin, ele provavelmente sentiria sua falta em pouco tempo e ao descobrir que não estava mais ali, iria mandar alguém atrás de si e não seria tão difícil assim o alcançar.


O segundo: Se fosse visto andando sozinho poderia ser levado como um objeto novamente. Além de que se descobrissem que tinha sido dado como presente e agora estava fora da alcatéia sem justificativa do alfa Líder e a informação chegasse até os ouvidos de Kihyun – o que não era difícil, pois o que mais tinha eram comerciantes falantes de orelhas grandes – soaria como uma rejeição do presente, o que causaria uma provável guerra entre as alcatéias.


Após analisar isso, Yoongi concluiu então que primeiro precisava de uma justificativa. Que nada mais era, ser expulso da alcatéia Jeon. E embora fosse irresponsável, deixaria para cuidar da parte do perigo de ser sequestrado novamente para resolver depois.


"Um problema de cada vez" pensou.


Existem muitas maneiras de ser expulso de uma alcatéia, pois todas tinham regras, muitas universais (que eram vistas em sua maioria). Crimes como estupro, assédio, traição ao Líder, agressão contra ômegas, marca não consensual e o que Yoongi achou mais simples, roubo.


Não seria capaz de cometer nenhum grande crime, furtar algo era o máximo que conseguia fazer. Obviamente, não tinha coragem de roubar algum comerciante ou morador, resolvendo que seu alvo seria justamente aquele que o daria a declaração de expulso, Jeon Jungkook.


Juntou suas coisas e tentou agir o mais natural possível quando tomou o seu provável último café da manhã com Seokjin, que pareceu não ter reparado em nada embora tenha estranhado quando recebeu um "Obrigado por tudo" repentino. Em seguida, Yoongi foi até a cabana principal de Jungkook, que era onde ele fazia reuniões e cuidava da administração da alcatéia.


Escondeu-se próximo a ela e esperou que o Líder saísse, após alguns minutos, não demorou para ver o alfa alto e de queixo sempre erguido caminhar para fora da cabana para começar seus afazeres que necessitavam de sua presença.


Assim, sutilmente, Yoongi começou a andar como quem não está fazendo nada além de apreciar as coisas em volta. Quando percebeu que ninguém prestava atenção, entrou na cabana.


O local era o mesmo onde tinha conversado – lê-se discutido – com Jungkook pela primeira vez. Tinha uma mesa cheia de papéis com algumas cadeiras ao seu redor,uma estante com livros, um tapete cor vinho – essa também sendo o tom das cortinas grossas – no chão próximo a entrada e alguns quadros decorando a parede. Nada que chamasse muito atenção, apenas uma sala normal.


O ômega lúpus caminhou lentamente pelo lugar, seguindo para trás da mesa afim de ver o que tinha nas gavetas. Seu objetivo não era realmente roubar algo, mas sim ser pego no flagra dando a entender que iria. Por isso, podia enrolar um pouco e apenas esperar que Jungkook entrasse e fizesse um escândalo como imaginava que seria.


Pois se ele fazia aquela cena toda de humilhação por encomendas atrasadas, quem dirá com alguém o roubando tão descaradamente. Ainda mais sendo o ômega que já tinha o desrespeitado antes. Yoongi começa a rir baixinho, imaginando as coisas que teria de ouvir. Talvez Jungkook o fizesse ajoelhar no chão para implorar por perdão, o jogasse no meio do pátio principal e mandasse que os outros jogassem frutas podres e lixo em si como punição antes da expulsão ou até mesmo o prendesse amarrado em um tronco por três dias.


Realmente não tinha ideia de quais eram os limites de Jungkook, ainda mais nunca tendo visto ou ouvido falar sobre o que ele fazia diante criminosos em sua alcatéia.


– O que você está fazendo aqui?


O ômega deu um pulo de susto, erguendo o olhar da gaveta para a porta, onde estava Jeon Jungkook o encarando em um misto de curiosidade e confusão. Não esperava que ele aparecesse tão cedo assim, mas não iria reclamar, pelo menos já adiantava todo o processo e o poupava de mais pensamentos torturantes sobre seu futuro incerto.


– Eu... – O ômega fingiu estar em pânico por ter sido visto ali, agarrando um anel que viu jogado por ali e o colocando atrás das costas. – Vim falar com você.


– Entrando na minha cabana sem permissão? – O Jeon ergueu uma sobrancelha, fechando a porta atrás de si.


– Desculpe, eu fiz sem pensar.


O alfa suspirou, tentando conter sua irritação pois realmente não gostava de gente entrando nos seus espaços sem autorização, era algo com seu lobo ser um tanto territorial e ficar extremamente incomodado com aquele tipo de situação.


– Não faça mais isso, na próxima, espere que eu volte. 


– Tudo bem... – Yoongi murmurou, em seus pensamentos rindo pelo fato de que não voltaria a acontecer pois logo não estaria mais naquela alcatéia.


– Do que precisa? – Jungkook se aproximou de onde o menor estava, já que tinha voltado para a cabana quando percebeu que tinha esquecido alguns papéis para entregar a Namjoon.


– Ah, bem, de nada. Eu resolvi sozinho, desculpe por entrar sem autorização. – Ao que o alfa se aproximou de onde estava, Yoongi se afastou, dando a volta na mesa.


– Tem certeza? – Jungkook ergueu o olhar para Yoongi, que viu que era o momento perfeito.


– Tenho.


E assim fingiu tropeçar para trás, caindo de propósito no chão e derrubando o anel que segurava na mão direita para que Jungkook visse claramente. No entanto, não foi o objeto que chamou a atenção do alfa e sim Yoongi, ele correu imediatamente até ele, se abaixando para o amparar.


– Porra, você é imbecil? Como cai assim do nada? – Tinha a testa franzida, passando o olhar a procura de algum machucado.


Yoongi agora sentado no chão e com a bunda doendo, o olhou irritado. – Eu tropeçei, oras! 


– Tropeçou no vento, então? Pois não tem nada aqui que pudesse te fazer cair. 


– Seu cheiro podre me fez ficar tonto.


– Ei? Meu cheiro é ótimo! – Jungkook estava ofendido, já que o aroma era um tema realmente sensível entre os seres lupinos.


– É péssimo, tenho que respirar menos pra não inalar tanto. – Yoongi se levantou, percebendo que tinha perdido o foco do motivo daquilo tudo. – Hm...


– O que foi? Tá se sentindo mal? – Jungkook também de levantou, percebendo que o ômega olhava para todos os lados a procura de algo.


– Merda...


O alfa franziu a testa, passando a olhar o chão também assim como Yoongi queria que ele fizesse. Foi então que viu seu anel caído próximo a eles. Ficou confuso, pois até onde lembrava, tinha o guardado na gaveta. Sua atenção então foi para o ômega, começando a ligar os pontinhos e enteder o que estava acontecendo ali.


– Você pegou meu anel?


– Não... – Yoongi negou, pois na sua cabeça era o que um ladrão diria.


– Ele estava na minha gaveta, ômega. E veja que curioso, você estava mexendo nela quando entrei e ficou todo assustado.


– Jungkook...


– Pegou ou não pegou?


– Peguei, desculpe.


– Por quê? 


O ômega deu de ombros, desviando o olhar. – Pensei que daria algumas boas moedas se vendesse.


– Por que está fazendo isso? – Jungkook apoiou a mão na mesa, encarando Yoongi com curiosidade.


– Isso o que?


– Fingindo que me roubou.


O menor arregalou os olhos e ergueu o rosto, incrédulo pois não tinha sequer cogitado a possibilidade de Jungkook perceber que era um roubo com flagra intencional. 


– Como você descobriu? – Deixou escapar antes que pudesse raciocinar e tentar mentir.


– Yoongi, sabe o que eu mais tenho ouvido nas últimas três semanas? 


Jungkook deu a volta na mesa, se sentando na sua confortável poltrona  pois a conversa ali não acabaria tão cedo. O ômega se acomodou na cadeira de frente para ele, nervoso pois não tinha se preparado para aquele rumo do seu plano.


– Não.


– Embora eu não converse com os membros da minha alcatéia assuntos assim por motivos óbvios, eu ouço muitas coisas, sabe? E o seu nome tem sido rodado bastante por aí.


– Estão falando sobre mim?


– Estão, em sua grande maioria, sobre você ser simpático, encantador, engraçado, cativante, prestativo, honesto e mais alguns vários outros elogios. Eles realmente gostam de você, Seokjin também, todo dia ele tem alguma coisa diferente pra me falar sobre você. Até mesmo Namjoon vai com a sua cara, e ele não vai com a cara de ninguém!


O menor sorriu por alguns segundos, mas logo chacoalhou a cabeça para não se deixar levar por aquele sentimento bom que era se sentir aceito e querido. 


– O que isso tem a ver? Ser simpático não me impede de ser ladrão, muito pelo contrário! É até uma vantagem!


– Yoongi, está querendo enganar a quem? Sei que não te conheço tanto, mas posso garantir que é o suficiente para saber que você nunca seria capaz de roubar ou cometer qualquer outro crime. Você não é assim.


– Não vai me expulsar, então?


– Era isso que você queria?


O ômega se calou, revirando os olhos. Seu plano que julgava ser perfeito tinha dado tão errado que chegava a ser humilhante. Naquele momento, queria abrir um buraco no chão, se enfiar nele e nunca mais sair pois parecia que nem a Deusa Lua estava afim de o ajudar.


– Já que meu furto deu errado, eu vou embora. – Se levantou, mas teve seu pulso agarrado por Jungkook.


– Por que você quer ser expulso?


– Não é da sua conta! Me deixa ir!


– Se não responder, eu conto para Seokjin tudo o que aconteceu aqui e pode acreditar quando digo que ele é mais persistente do que eu.


– Você não faria isso... – Yoongi encarou Jungkook e ele ergueu uma sobrancelha como quem diz "Tem certeza?" – Tá, tudo bem, mas tira essa sua pata de mim.


O alfa o soltou, voltando a se sentar. 

– Estou ouvindo.


– Só para deixar claro, estou dizendo isso contra minha vontade! – Yoongi também voltou a se sentar, os braços cruzados em pura birra.


– Eu não ligo. – Deu de ombros, realmente pouco se importando.


– Eu quero encontrar minha família, os sobreviventes da minha alcatéia. Eu acredito que eles possam ter pedido abrigo para Ahn Hyejin e planejava ir até lá, mas pra isso eu precisava de uma justificativa.


Jungkook suspirou, acenando com a cabeça em concordância pois não precisava de explicações mais detalhadas, podia compreender facilmente o raciocínio do menor. 


– Agora que eu contei, vou ir para minha cabana planejar um roubo. – Yoongi se levantou.


– Espera!


– O que é agora? Você não cansa de me irritar? – O ômega virou bruscamente, se controlando ao máximo para não socar a cara do líder.


– Daqui um mês e meio, mais ou menos, eu tenho uma reunião marcada com Ahn Hyejin, vou visitar a alcatéia dela.


– É sério?


– É, eu posso te levar comigo, se conseguir ser um pouco paciente. É a maneira mais segura pois você não tem certeza de se eles estão lá ou não, assim, qualquer coisa pode voltar pra cá e pensar em outro lugar onde podem estar.


– Me levaria com você? – Yoongi tinha os olhos brilhando em algo que Jungkook reconheceu como esperança.


– Sim, eu levaria.


– Jungkook, se você estiver brincando comigo, saiba que é de muito mal gosto e eu realmente nunca vou te perdoar.


– Não estou, ômega. Fique aqui e aguente mais um pouco, e então vamos juntos procurar sua família.


Yoongi sorriu. Mas não aquele sorriso apagado que vinha dando desde que chegou, e sim um que mostrava suas gengivas e chegava até os seus olhos, quase os fechando de tão grande e feliz. Aquela era, realmente, a cena mais adorável que Jungkook tinha visto em toda sua vida.


– Obrigado, alfa. De verdade, não sei como te agradecer, só... Obrigado.


– Tudo bem, só não tente roubar mais ninguém.


– Vou fazer o possível. – O ômega riu, deu um último aceno antes de fechar a porta e sair da cabana.


Agora sozinho, Jungkook apoiou o queixo na mão e se pegou encarando a porta, murmurando apenas para si mesmo. 


– Você é realmente intrigante, Min Yoongi. 




Notas Finais


espero que tenham gostado sz

esse capítulo foi meio parado (?) mas é pq o objetivo é ser um tipo de transição, já que agora sim os yoonkook vão começar a se aproximar mais

obrigado por lerem e por todos os comentários viu :( sz sz adoro vcs

ps: se tiverem qualquer dúvida podem perguntar viu?


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