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História Lux et Tenebrae - Una in Perpetuum - Capítulo 63


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Notas do Autor


Obrigada pelos comentários, favoritos e a todos os seguidores!

E mil desculpas pelo atraso na atualização, mas o meu computador só irá regressar a casa nos próximos dias portanto, estou usando computador alheio para não ficar mais de duas semanas sem atualizar T.T

Capítulo 63 - Marca quase plena


Marca quase plena

 

Algures no Sul

Yuki permanecia mais um dia perto da cama improvisada com alguns cobertores, onde dormia o seu filho. Este que após a emboscada que tinham sofrido, permanecia inconsciente e com o sono cortado por crises febris. Ishida padecia de alguma doença que a mãe temia que não fosse apenas pela forte pancada na cabeça ou pelo tempo que permaneceram ao relento debaixo de uma chuva intensa e gelada.

Quando o seu filho mais velho, Ryota, os encontrou, Yuki estivera prestes a ceder ao desespero de não ver uma saída e não poder ajudar o filho ferido. Porém, Ryota depressa colocou o irmão sobre as costas e guiou também a mãe até um povoado pequeno, cujo número não ultrapassaria as duas dezenas de habitantes.

Ali vivia Giulia, uma Ómega de cabelos grisalhos e uma história difícil presente nas cicatrizes do rosto, na cegueira de um dos seus olhos cinzentos e no coxear constante da sua perna direita. A Ómega era mãe de uma Beta de cabelos loiros soltos, longos e desregrados. Os olhos cinzentos sempre escondidos atrás das longas mechas de cabelo e mesmo com uma voz tão tímida e escondida, era a responsável por aquele encontro. Ela encontrou os dois Alfas a caminho de casa.

Ryota e Oliver procuravam comida e ao ver que ela levava alguma fruta, ofereceram o pouco dinheiro que tinham em troca dos alimentos e por informações sobre onde poderiam encontrar mais bens alimentares. Rika, assim se chamava a Beta, mesmo com todos os seus receios, informou-os que a sua família fabricava pão e poderiam comprar.

Foi dessa forma que chegaram a Giulia que apesar de amedrontada com os desconhecidos, escutando que procuravam somente comida e um lugar onde pernoitar antes de seguir viagem, ela cedeu aos olhares angustiados dos jovens Alfas. Estes que em momento algum mostraram sinais de agressividade ou exigiram o que quer que fosse, ainda que fosse um direito deles. Tudo o que mais repetiam era que precisavam de um local seguro e nem era tanto por eles, mas pela mãe.

Uma preocupação que pôde comprovar quando mais tarde, Yuki chegou com um Beta bastante doente.

– Trouxe um pouco de comida. – Anunciou a voz quase sussurrada da Beta jovem e com uma magreza que indicava uma alimentação limitada. Só que ainda assim, mãe e filha estavam dispostas a partilhar o pouco que tinham com estranhos.

– Obrigada, minha querida. – Disse Yuki com um sorriso triste. – Não tenho muito apetite.

– Mas deve comer. – Falou e logo se encolheu como que esperando alguma represália. – Os seus filhos precisam que também esteja bem.

– A Rika tem razão, mãe. – A voz masculina assustou a Beta que se distanciou rapidamente do Alfa que acabava de se acercar. – Calma, vim só ver como está a minha mãe e o meu irmão.

– Ah… eu vou deixar a comida aqui. – Disse a Beta, colocando com as mãos trémulas a comida perto de Yuki antes de sair, deixando sempre bem patente a necessidade de passar longe dos Alfas.

– Tento que não tenha medo de mim ou do Oliver, mas não parece que tenha muito sucesso. – Disse Ryota, sentando ao lado da mãe. – Como está o Ishida?

– Igual… – Murmurou a mãe do Alfa, notando que a tristeza também parecia ter um lugar constante na expressão do filho. A situação era difícil, mas sabia que isso também se devia a tudo o que ele e Oliver encontraram enquanto procuravam alimento e um local onde ficar.

Na cidade tanta coisa se escondia e ali naquele meio rural onde podia aparentar uma tranquilidade sem igual, eram perpetradas grandes atrocidades naqueles de quem poucos se lembravam. O trabalho no campo era trabalho escravo e era comum Guardas Reais passaram de tempos a tempos nos vilarejos para a coleta dos impostos e também levar outros bens, mesmo que esses bens acabassem por ser pessoas. O mais comum seria levar as Ómegas que a partir desse momento, a família considerava como alguém que tivesse morrido. Era mais fácil pensar nisso do que aceitar a realidade que as aguardava.

Giulia era tão-somente uma das Ómegas que após ser usada, ainda lhe encontraram alguma utilidade e permitiram que terminasse os seus dias naquele vilarejo isolado, produzindo pão. De toda a vida de abusos restava uma única filha e não falava das outras que lhe teriam sido levadas.

Rika, sendo uma Beta, poderia ser afortunada ao ponto de não levarem na próxima coleta de impostos, embora a mãe sempre repetisse dia após dia o medo de perder a única filha.

– O Oliver está a ajudar a mãe da Rika a fazer pão. – Disse Ryota pensativo. – Sabes mãe… cheguei a pensar que conseguiria fazer como o pai. Tentar não perder-me no meio de tanta coisa errada, mas longe da cidade, vendo tudo isto… – Olhou para a progenitora. – Como podem os nortenhos ser pior do que isto? Como pode alguém ser mais monstruoso?

– Não sei o que vamos encontrar para além da fronteira, meu filho. – Acariciou os cabelos do filho. – Mas quero acreditar que os monstros estão deste lado e não lá. Pode ser uma esperança tonta da minha parte, mas é nisso e a certeza de encontrar o teu pai e a minha Mia que me dá forças para prosseguir.

– Não sei como podemos continuar esta viagem, estando o Ishida tão doente. – Disse apreensivo. – Mas sei que também não podemos continuar aqui. A Giulia e a filha estão a dividir o que pouco que têm connosco e não é justo para elas. – Relembrou Yuki. – Não sei como, mas teremos que encontrar uma forma de seguir caminho.

– Mãe?

A voz de Oliver fez com que mãe e filho virassem a atenção para o Alfa parado na entrada.

– A Sra. Giulia disse que tem uma ideia de como ajudar.

Yuki trocou um olhar apreensivo com o filho mais velho. Nunca fora intenção dela partilhar mais do que deveria com aquela Ómega e a filha. Não por desconfiarem delas, mas por desejarem protegê-las, uma vez que já se estavam a arriscar bastante.

– Será prudente envolver-se nos nossos problemas? Nós já somos imensamente gratos pelo abrigo e alimento que nos estão a proporcionar. – Disse Yuki.

– Sei que como muitos outros que vimos passar nestas estradas próximas, vocês querem chegar ao Norte e muitos falham ao tentar e acabam capturados e executados. Muitos deles não teriam sequer a dificuldade de ter um elemento que não estivesse em condições de viajar. – Falou Giulia. – Mas estes rapazes, estes jovens Alfas, que mal creio que foram criados numa grande cidade do Sul, enfrentarão um terrível destino permanecendo aqui. O coração doce que têm, não pertence a este lugar. Também sei que mais dia menos dia virão recolher os impostos aqui.

– Eu disse que nessa altura, poderíamos sair, isto se o Ishida continuar sem melhorias e não pudermos continuar a viagem. – Disse Oliver. – Mas…

– Mas eu sugeri outra possibilidade. – Interrompeu Giulia, chamando com um gesto a filha que se acercou timidamente. – Se conseguirem colocá-la em prática, tudo o que peço em troca é que levem a minha Rika convosco.

– Huh? O quê? Mãe, eu não posso ir. Jamais a deixaria sozinha. – Falou num tom choroso.

– É tudo o que peço. – Insistiu Giulia, ignorando as lágrimas da filha.

– Só concordaria com essa condição, se a pudéssemos levar também. – Disse Ryota. – Não a deixaríamos sozinha aqui. Aliás, essa é a única forma de concordar. Não a podemos deixar para trás.

– Se conseguirmos colocar em prática, seja qual for a ideia que tem, vem connosco. – Assegurou Oliver.

– Tão bons rapazes. – Disse mais uma vez com um sorriso triste. – Mas quero que a Yuki me dê a palavra, que se não for possível, pelo menos a minha Rika…

– Tem a minha palavra. – Assegurou Yuki perante o olhar discordante dos filhos e das lágrimas de Rika que repetia baixinho que jamais deixaria a mãe para trás. – Qual é a ideia que tem para nos tirar desta situação?

 

Α  Ω  Β

Γ   Σ  Δ

 

Levi ainda perguntou a Eren se queria ir para casa ao que o Ómega pediu que fossem para outro lugar. Portanto, o Alfa transfigurou para a sua forma de lobo e em pouco tempo acabaram numa das imensas grutas que existiam espalhadas pelo Norte. Pelo ar pairava uma fumaça originária das termas de água quente que borbulhavam sempre em cada uma das grutas.

Eren estava deitado sobre a capa de peles que o Alfa costumava ter sobre os ombros. O casal trocava beijos demorados. O moreno cravava as unhas que se iam transformando em garras nos braços do parceiro. Este usava uma das mãos como apoio e a outra segurava o rosto do Ómega.

As feromonas dos dois em sincronia no desejo. Porém, o Alfa não podia deixar de notar alguns momentos em que Eren ainda se reprimia. Isso acontecia quase sempre depois de o moreno ter algum momento em que a Necromancia estivesse estado mais ativa. Tornava-se notório como regressava aquele receio de aquela magia começasse a ditar as regras e fosse possível fugir do controlo.

– Eren…

– Hum? – Tentou alcançar novamente os lábios de Levi que encurtou o beijo.

– No que estás a pensar agora?

– Huh? Como assim? – Sussurrou.

– Essa tua magia sente desejo por mim. Consigo sentir isso pelas tuas feromonas. – Debruçou-se de novo, passando a língua nos lábios do moreno e depois arranhando o rosto dele de leve com as garras, descendo até ao pescoço. – É excitante para mim sentir tudo isso e no entanto… – Procurou os olhos esmeralda para não só admirá-los, como ver de perto as emoções sempre tão expressivas que os pintavam. – No entanto, não a deixas guiar as tuas ações. São raras as vezes em que o fazes.

– Se o fizesse… – Engoliu em seco. – Não é normal sentir-me sedento de sangue numa situação assim.

Levi mostrou um sorriso discreto.

– Quem define normal?

– Não tentes soar compreensivo só para que me sinta melhor. – Pediu notoriamente desconcertado com aquela perspetiva e mostrou-se reticente ao receber um beijo no rosto do Alfa. Este aproveitando a proximidade, desviou os lábios para perto da orelha do moreno antes de sussurrar.

– Quem disse que és o único que sente esse desejo por sangue?

– Não é a mesma coisa. – Contra-argumentou.

– Vejamos. – Disse, retomando o contacto visual com o Ómega. – Aqui no Norte estamos muito mais em contacto com os nossos instintos. Isso faz com que todos sintamos e não escondemos o desejo de por exemplo, morder o nosso parceiro. Quanto mais intenso e carnal o desejo, mais forte o fazemos. – Passou a mão no rosto ruborizado do parceiro. – A isso acresce o fator de magias que usam sangue e são mais perigosas e poderosas por natureza. A tua é um desses exemplos e a minha… digamos que quanto mais Trevas temos em nós, mais desejo de sangue sentimos. – Os orbes dos olhos do Alfa alteraram-se para aquela íris que o Ómega via poucas vezes. Aquele relâmpago que se ia espalhando sobre a escuridão da tempestade e assumindo tonalidades entre o vermelho e o cinzento. – Quando estamos assim juntos, quero bem mais do que provar o teu sangue. Sinto vontade de te devorar por inteiro…

O Alfa pôde observar o arrepio na pele do moreno, bem como as feromonas ficarem ainda mais encobertas pelo desejo. Algo que Levi também correspondia e vendo que dissipara algumas das dúvidas do seu companheiro reaproximou o rosto, lambendo de leve o canto da boca dele.

Era delicioso sentir aquele suspiro trémulo. Chegava a ser tal ponto excitante que quis colocar de lado outras provocações que deixaria para outras ocasiões. Levi juntou os lábios dos dois que se reencontraram até com algum desespero. As línguas tocavam-se e as mãos do Ómega puxavam com impaciência os tecidos que separavam as mãos dele do corpo do Alfa. A cada peça que saía, acariciava aquela pele sempre mais fria que a dele e que libertava aquele aroma intoxicante.

Eren estava habituado a ser relembrado com frequência da força que o seu Destinado tinha através da magia que sentia nele e da mana inacreditável que possuía, mas mentiria se dissesse que não gostava de sentir a força presente em cada músculo que em instantes como aquele podia tocar.

Os olhos esmeralda aproveitaram o momento em que o Alfa deixou de parte os beijos para facilitar a tarefa de retirar as roupas. Porém, notou um pormenor que o fez segurar no braço de Levi.

– Algo errado, cor meum?

– As escamas que vi no teu peito estão a desaparecer.

– Isso é…

– Não escondas de mim. – Pediu. – Já tinha dito antes que assim como gosto de ver a transformação intermédia de lobo, esta… esta é ainda mais diferente e especial.

As escamas pararam de desvanecer e os olhos do Ómega viram como se focavam mais em proteger pontos vitais. Curioso, Eren tocou com a ponta dos dedos sobre as mesmas, sentindo como uma magia poderosa fluía agressiva e protetora.

– Como te disse antes, as feras elementais que tenho em mim, estão seladas por runas igualmente poderosas. – Debruçou-se de novo sobre o moreno. – Assim como a Necromancia, sinto que posso quebrar tudo muito facilmente à minha volta quando permito que as feras assumam mais controlo. – O seu hálito saiu com uma ligeira brisa gelada, causando arrepios no Ómega.

– É a fera da água, mas sinto…

– Todas. – Completou com um meio sorriso. – Sou o Guardião de todas e assim como o meu Ómega pediu, estou a deixar que sintas a presença de todas.

– Quero pedir outra coisa… – Sussurrou.

Nos momentos seguintes, o Alfa estava sentado e de olhos postos no Ómega que acabava de retirar o último tecido que cobria a pele morena. Em situações como aquela deixava inclusive de escutar o uivar furioso do vento fora daquela gruta, que se fazia acompanhar de um forte nevão.

Contudo, assim como acontecera desde que se cruzara com o seu Destinado, o mundo tornava-se tão pequeno e distante quando podia estar com a sua metade. O ligeiro rubor no rosto visível pelos pequenos focos de luz criados por pequenas chamas que o Alfa espalhara pelo local para não perderem totalmente a visibilidade. Gostava da sensação de só sentir o toque e ouvir a respiração e cada movimento, mas ver só tornava a experiência ainda mais única.

Eren acabava sempre por se sentir um pouco exposto e acanhado pela forma intensa como era observado pelo parceiro, que fiel ao seu pedido, aguardava que ele se reaproximasse. Assim que o fez, à medida que se abaixava, sentiu as mãos do Alfa nas suas pernas. Uma carícia de mãos com um toque mais áspero pela textura misteriosa daquelas escamas que não cobriam toda a pele, somente alguns pontos. No entanto, podiam ser tão ásperas como suaves. Como se os elementos nelas influenciassem a textura final.

– Sou tão afortunado, Animae dimidium meae. – Murmurou Levi, vendo o seu companheiro morder o lábio enquanto sentava no seu colo.

– Hum… – Gemeu, acomodando o Alfa dentro dele.

O Ómega encostou a testa contra à do Alfa, procurando controlar a respiração e desistindo de fazer o mesmo com as próprias feromonas que estavam carregadas de desejo.

– Estou a domar as feras por ti, portanto, não te escondas de mim, cor meum. – Segredou, apoiando as mãos nos quadris do moreno que começava a movê-los a um ritmo tortuoso para ambos.

– Ah… – Gemeu, mantendo as mãos nos ombros do Alfa e cravando as unhas neles.

– Quero ver… – Pediu Levi, movendo o rosto perto o suficiente para prender o lábio inferior de Eren entre os dentes. – Mais do que isso, quero sentir… – Acrescentou depois de largar o lábio meio ensanguentado.

Mesmo antes de reabrir os olhos escondidos atrás das pálpebras, Levi sentiu aquele pulsar distinto. Algo que se refletiu e quase apagou todas as pequenas chamas que mantinham uma iluminação ténue. Um ligeiro tremor no solo debaixo deles e em seguida, os olhos repletos de escuridão.

O moreno usou uma das mãos para segurar os cabelos do Alfa antes de levantar ligeiramente o corpo e sentar de novo com pouco ou nenhum cuidado, causando gemidos altos dos dois.

– Assim, Alfa?

– Sim, Ómega. Assim mesmo. – Sussurrou, acompanhando os gemidos do parceiro que repetia aquele movimento mais um par de vezes antes de regressar ao ritmo lento de antes.

Um ondular do corpo que colocava o Alfa perto do limite de esquecer o pedido de antes e reverter as posições. Adorava e ao mesmo tempo odiava aquele movimento mais lento que se ia intercalando com beijos.

Levi sentia a temperatura do seu Destinado bem mais baixa e por baixo das suas mãos, a cada toque, uma magia que aflorava cada vez mais. Como se rompesse de uma prisão, onde várias correntes a mantinham limitada.

Ya amar como és belo…

Eren deslizou a mão dos cabelos negros para o rosto do seu Destinado, murmurando:

– Que sejam testemunha todos os deuses, todos os que viram o rosto à minha passagem, irei contra o imperador se necessário, mas irei proteger-te sempre.

– Shh, já pensaste que pode ser a minha vez de te proteger? – Sussurrou. – Agora que te tenho nos meus braços, moverei os céus, se necessário, mas permaneceremos juntos.

Flectere si nequeo superos, Acheronta movebo “Se não posso mover os céus, moverei o inferno”. – Respondeu o Ómega e o Alfa sorriu, retomando mais um beijo.

Um juntar dos lábios ávido por mais. As línguas reencontraram-se entre gemidos abafados e acompanhados pelos movimentos dos quadris de Eren.

Uma das mãos do Alfa arranhava as costas morenas e a outra mão apertava a coxa, deixando também aí marcas.

– Ah, Alfa! – Eren empurrou-o até deixá-lo deitado, passando a mover os quadris bem mais rápido do que antes.

Ngh, mais Ómega…

Com os caninos salientes, os olhos tomados pela escuridão ainda observaram momentaneamente o pescoço do parceiro que gemia debaixo dele. Porém, desviou o olhar para o ombro esquerdo, onde acabou por prender os caninos com força. De tal forma que escorreram os primeiros fios de sangue à medida que ambos continuavam a gemer.

– Esse sangue…

– Mais Ómega… ah! Bem mais do que isto. – Insistia entre suspiros e o ritmo sobre ele era quase frenético, assim como a respiração dos dois soava cada vez mais ofegante. Mais forte até do que o ruído da tempestade que caía no exterior.

A mão de Levi segurava os cabelos castanhos do seu parceiro com força. Quem sabe até quase retirando alguns fios e juntando os lábios dos dois. Ambos tentavam conjugar os movimentos, a respiração difícil e os gemidos que iam subindo de volume.

Mesmo com o prazer presente nas feromonas e em cada gemido do seu companheiro, Eren pressentia que ele esperava mais. Desejava mais dele por mais que o moreno tentasse que nem tudo fugisse ao seu controlo. Ele não podia dizer que tivesse perfeita noção da força que usava nos seus movimentos e no entanto, isso perdia importância. O seu Alfa excitava-se com aquilo.

Contudo, faltava sempre mais um passo. Algo que inicialmente esteve mais presente na mente do Ómega, mas pouco a pouco se ia dissipando naquele momento. Se fosse para dar tanto prazer como aquele que conseguia com Levi, então sabia que devia quebrar alguns limites.

Não pensar tanto.

Quebrar aqueles limites.

Agir por instinto. Seguir aquele instinto do momento.

Eren desceu uma das mãos pelo peito do Alfa. Sentia que o arranhava de forma dolorosa enquanto fazia, deixando para trás um rastro de sangue. Ao chegar ao baixo-ventre, pouco antes do ponto em que aquele momento os ligava, deteve a mão nesse ponto.

Logo que o fez, Levi sentiu uma ligeira pressão segundos antes de uma imensa quantidade de energia alastrar a partir daquele ponto. Um abismo imenso em que se viu mergulhado e que tomou de assalto cada um dos seus sentidos. Um desnorte completo e não havia magia que alguma vez o tenha permitido cair em tal estado.

Não escutou sequer o quanto chamaram um pelo nome do outro e só quando vagarosamente começou a reconhecer de novo a realidade, ouviu a respiração arfante perto da sua orelha. Moveu um dos braços que sentia um pouco dormente e tocou nos cabelos castanhos.

Notou mais uma vez um pulsar da Marca. Mais forte, quase completa e plena. Bem mais do que antes e isso fazia com que passasse a sentir com maior clareza aquela magia do seu parceiro nele. A forma como se sentia aprisionada e ao mesmo tempo, tão completa com aquela partilha.

– Aprendes rápido, cor meum. – Sussurrou.

– Foi instintivo… – Murmurou em resposta. – Quis que sentisses a minha magia, da mesma forma que já me fizeste sentir a tua.

– E não poderia ter sido mais perfeito. – Continuou com as carícias nos fios castanhos.

 

Β Hanji β

Seguindo os conselhos de Jean e também os pressentimentos de Marco, aventurei-me pelo Norte, acercando-me mais da área da fronteira. Mais precisamente, regressei ao território agora quase deserto das Montanhas do Tempo.

Nem mesmo a recente Cerimónia fazia com que aumentasse a confiança daqueles que em tempos consideraram aquela parte da região como a sua casa. Território esse que agora enxergavam como perigoso e próximo demais aos perigos e enganos do Sul. Embora também fosse certo que com a revelação de que o Guardião do Norte tinha um príncipe do Sul e Necromante como Destinado, muitos nortenhos se tivessem aventurado para as terras distantes e sem qualquer proteção.

Na minha modesta opinião, eles merecem tudo o que lhes venha a acontecer no futuro.

Afinal de contas, ninguém os obrigou a cuspir no prato onde comeram.

Jamais compreenderia o raciocínio por detrás dessas decisões das quais muitos de arrependeriam e que na esmagadora maioria dos cassos, não teriam a oportunidade de corrigir.

Se bem que o que me trazia para as proximidades da fronteira, era a ausência total de novos rumores. O que era no mínimo inusitado, tendo em conta o ataque durante a Cerimónia, onde pessoas como o Armin escaparam. Mesmo que ele não fosse anunciar imediatamente aos sete ventos o ocorrido com o risco de o considerarem louco, o mais certo seria que encontrasse uma forma engenhosa de o fazer e bem mais credível. Ou não sendo essa a sua intenção, intrigava-me o que pretendia indo para o Sul.

Também não podia esquecer que com ele escaparam alguns mercenários de Rose, que segundo Jean me contara, não estavam exatamente contra ou a favor do Norte. Seriam mais da perspetiva de ficar por cima depois de um possível confronto entre o Norte e Sina, que arrastaria a Cidade de Luz também para a ruína.

O silêncio era intrigante. Ainda mais quando em conversa com o Mini Eren, esse referiu que não era fácil dormir de noite com o aroma a morte que provinha do Sul. Deixou subentendido que seriam mortos recentes e poderia ter sido só mais um comentário fruto do acaso ou do próprio interesse que como Necromante teria nessas coisas. Só que Jean referiu que execuções de nortenhos ou mesmo entre sulistas não eram tão incomuns, mas para que Eren referisse aquelas mortes em específico, significava que algo de relevante teria acontecido. Ele suspeitava até que fosse algo que pudesse ter influência em acontecimentos no futuro. Repetiu que era somente uma suspeita sem fundamentos reais, mas que não acreditava que Eren tivesse mencionado aquilo por mero acaso. E se era esse o caso… precisava saber o que poderia estar a acontecer naquelas terras distantes de onde a resposta não viria de mais uma conversa infrutífera com aquele detestável Governador do Sul.

 

Flashback

– Não somos assim tão diferentes, Hanji. – Afirmou depois de agradecer por ter deixado alguns pergaminhos e uma pena com que pudesse escrever. À primeira vista poderia aparentar um gesto de bondade para com um prisioneiro que não merecia qualquer tipo de consideração.

Embora o objetivo final não fosse combater o tédio daquele Alfa e sim, obter qualquer tipo de informação por ínfima que fosse acerca do que pretendia com aquela situação.

– Nós não podíamos ser mais diferentes. – Retrucou até com alguma repulsa no olhar.

– És tão ou mais ávida do que eu por conhecimento.

– Essa não pode ser a tua razão principal para estares aqui neste momento. Aliás, também o estás porque não és tão poderoso ou astuto como julgas, o que te leva a estar como nosso prisioneiro. – Observou o olhar interessado daquele Alfa e prosseguiu. – No entanto, acredito que sejas consciente que conhecimento é poder. – Viu um sorriso no rosto dele.

– Mas tu não o desejas. Queres o conhecimento sem usufruir do poder que podes ter. – Concluiu. – Como não o desejas, talvez esteja errado quando digo que és tão ávida quanto eu pela verdade.

– Não pagaria qualquer preço para a ter. Não sacrificaria os meus como tu o fazes.

– A verdade tem um preço. Só os ingénuos acreditam que a podem ter sem qualquer contrapartida.

Fim do Flashback

 

Α  Levi Γ

– Enviei as corujas como pediste, meu pequeno lobo. – Disse a minha mãe, preparando uma refeição que a avaliar peças porções significaria que a minha irmã teria os amigos de novo em casa.

– Mesmo com a tempestade que há lá fora, penso que a Atesh não demorará em responder, no entanto, não era disso que vinha falar contigo. – Disse, vendo como Eren sentava perto de Luna. Os dois próximas a uma fogueira e conversando sobre algum tema que os deixava num clima confortável.

– Não diria que estejas preocupado. – Deduziu acertadamente.

– Não, de facto não se trata de preocupação. – Confirmei, erguendo a minha mão para criar uma ténue véu entre o local onde estávamos e o salão. – A minha ligação com o meu Destinado têm não só destruído as minhas runas, mas tem também deixado cada vez mais presente a ideia de que num passado distante as nossas almas já se encontraram.

– Acontecimento que para o nosso povo é natural. – Recordou. – Nada mais certo e abençoado pelos deuses do que permitir que duas almas destinadas se reencontrem de novo.

– Eu sei disso, só que… – Olhei para a minha mãe. – O pai contou a história acerca da Eterna Vigília como uma missão dos Deuses da Noite para proteger o Norte.

– Sim, Levi essa é a lenda que vem passando de Guardião para Guardião.

– E se te disser que tenho a sensação de ter presenciado o momento em que essa lenda nasceu? Não com todos os Deuses da Noite presentes, mas… – Pausei pensativo. – Se for ele como creio que fosse naquelas imagens que só podem ser lembranças distantes, é graças a ele que existe esta Eterna Vigília. Um dos pilares da força do Norte.

Notei que me escutava com atenção com aquele olhar que reconheceria sempre, mas sem saber como interpretar o que realmente ia na sua cabeça. Um pressentimento, quem sabe, mas que desconfiava que não fosse partilhar comigo naquele momento.

– É possível. – Respondeu. – Como sabes o Guardião do Norte também é nas histórias antigas chamado de o filho favorito dos Deuses da Noite. Nada mais coerente de que essa tua ideia tenha algum fundo de verdade. Os Deuses da Noite sempre encontram forma de fazer passar as suas mensagens.

– Não me vais dizer o que estás a pensar?

– Vou somente reafirmar a necessidade de reencontrarem o Polaris, pois creio que vivem lendas na memória da família dele e isso poderá ajudar-te a entender muito do que está a acontecer. Quem sabe acabe por ajudar até mais o Eren que vive numa tormenta constante de ser o filho indesejado…

– Naquelas memórias, ele disse algo semelhante a isso do filho indesejado.

– O mais misterioso dos Deuses da Noite, é provavelmente também o mais odiado mesmo que no fim, apenas o seja, porque nem os próprios deuses gostam de recordar o inevitável.


Notas Finais


Até ao próximo capítulo!

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