História Lux: Onyx - BUGHEAD 2 temporada - Capítulo 4


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Categorias Riverdale
Tags Aliens, Bughead, Riverdale
Visualizações 158
Palavras 3.966
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção Adolescente, Ficção Científica, Romance e Novela, Suspense
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Spoilers, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 4 - Lux -Cap.4


A minha mãe tinha ido, já tendo iniciado o seu turno em Winchester mais cedo naquele dia. Eu estava à espera que ela estaria em casa para que eu pudesse conversar com ela por um tempo e esquecer todo o incidente do armário, mas eu tinha esquecido que era quarta-feira, também conhecido como o dia de cuidar de mim mesma.

A dor surda tinha tomado residência atrás dos meus olhos, como se eu tivesse tensionado alguma coisa, mas eu não tinha a certeza se isso era possível. Tinha começado depois de todo o incidente do armário e não mostrava sinais que iria parar.

Eu joguei um monte de roupas na secadora antes de perceber que não havia folhas de secador. Que merda . Indo para o armário de linho, eu vasculhei, na esperança de encontrar alguma coisa. Desistindo, eu decidi que a única coisa que ia deixar o dia bom era o chá doce que eu tinha visto na geladeira naquela manhã.

Algum vidro quebrou.

Eu pulei com o som e depois corri para a cozinha, pensei que alguém havia partido a janela do lado de fora, mas não era como se tivéssemos um grande número de visitares aqui a menos que fosse o Departamento de Defesa a correr na casa. Com esse pensamento, o meu coração disparou um pouco quando o meu olhar foi até o balcão abaixo de um armário aberto. Um dos vidros altos e fosco estava em três grandes pedaços no balcão.

Ping. Ping. Ping.

Franzindo a testa, eu olhei ao redor, incapaz de descobrir a fonte do barulho. Cacos de vidro e a água pingava...

Então eu percebi.

Meu pulso acelerou quando abri a geladeira.

O jarro de chá estava de lado. Destampado. Líquido marrom corria pela prateleira, vazando pelas laterais. Olhei para o balcão. Eu queria chá, o que exigia um copo e, bem, o chá.

— De jeito nenhum. — Eu sussurrei, afastando-me.

Não havia nenhum jeito de o ato de eu querer o chá de alguma forma ter causado isso.

Mas que outra explicação poderia haver? Não era como se houvesse um alien a esconder-se debaixo da mesa, movendo porcarias em volta de mim só para se divertir.

Eu verifiquei apenas para ter a certeza.

Esta foi a segunda vez num dia em que algo havia se mexido sozinho. Duas coincidências? Entorpecida por dentro, peguei numa toalha e limpei a bagunça. O tempo todo eu estava a pensar sobre a porta do armário. Ela abriu antes de eu chegar lá. Mas não poderia ter sido eu. Aliens tinham o poder de fazer esse tipo de coisa. Eu não. Talvez tivesse havido um terremoto ou algo menor, um pequeno terremoto em que só o vidro e o chá fossem o alvo? Duvidoso.

Estranhando ao máximo, peguei num livro da parte de trás do sofá e esparramei-me. Eu precisava de uma distração forte. A minha mãe odiava que havia livros por toda parte. Eles não estavam realmente em todos os lugares. Só onde quer que eu fosse, como o sofá, cadeira, balcões de cozinha, a lavanderia, e até mesmo no banheiro. Não seria assim se ela cedesse e instalasse uma estante que fosse até o teto.

Mas não importa o quanto eu tentei entrar no livro que estava a ler, não estava a funcionar. Metade disso era o livro. Tinha amor instantãneo, a maldição da minha existência. A menina vê o menino e apaixona-se. Imediatamente. Alma gémea, a respiração lenta, o amor depois de uma conversa. O garoto afasta a garota por algum motivo paranormal ou outro. A garota ainda ama o garoto. O garoto finalmente admite o amor. Quem eu estava a enganar? Eu meio que amava tudo o que angústia. Não era o livro. Era eu. Eu não podia limpar a minha cabeça e mergulhar totalmente nos personagens.

Peguei num marcador da mesa de café e empurrei-o no livro. Páginas surradas eram o Anticristo para os amantes de livros em todos os lugares. Ignorar o que estava a acontecer não funcionava. Eu não corria dos meus problemas assim. Além disso, se eu fosse honesta comigo mesma, sabia que estava mais do que um pouco assustada com o que estava a acontecer. E se eu estiver a imaginar que eu estava a mover as coisas? A febre poderia ter matado algumas células do cérebro.

Eu respirei o ar tão rápido que minha cabeça nadou. Podia uma pessoa ficar esquizofrênica de estar doente? Agora isso soava estúpido. Sentando-me, eu pressionei a minha cabeça nos meus joelhos. Eu estava bem. O que estava a acontecer... Tinha que haver uma explicação lógica para isso. Eu não tinha fechado a porta do armário direito e os passos desajeitados de Chuck tinha a aberto. E o vidro estava na borda. E havia uma boa chance de que a minha mãe houvesse deixado a tampa do chá solta. Ela estava sempre a fazer coisas assim. Tomei algumas respirações mais profundas. Eu estava bem. Explicações lógicas faziam o mundo girar. A única falha nesta linha de pensamento foi o facto de que eu vivia ao lado de aliens, o que não era tão lógico.

Empurrando-me para fora do sofá, eu verifiquei a janela para ver se o carro de JB estava na frente. Puxando o meu casaco, dirigi-me para a casa ao lado. JB imediatamente me puxou para a cozinha. Havia um cheiro doce e queimado.

— Estou feliz que tu tenhas veio. Eu estava prestes a ir buscar-te. —Disse ela, soltando o meu braço e correndo para o balcão. Havia vários potes espalhados pela bancada.

— O que tu estás a fazer? — Olhei por cima do ombro. Um dos potes parecia que estava cheio de alcatrão. — Eca!

JB suspirou.

— Eu estava a tentar derreter o chocolate.

— Com as mãos ou com o microondas?

— É uma falha épica. — Ela cutucou o lamaçal com uma espátula. — Eu não consigo acertar na temperatura.

— Então por que tu não usas o fogão?

— Pfft, eu detesto o fogão. — JB puxou a espátula para cima. Metade já tinha derretido. — Opa!

— Bom. — Eu arrastei-me até à mesa.

Com um aceno da sua mão, as panelas voaram para a pia. A torneira abriu-se.

— Estou a ficar melhor com isso. — Ela pegou um pouco de estavam fazendo na hora do

sabão do prato. — O que tu e Jughead estavam a fazer à hora do almoço?

Eu hesitei.

— Eu queria falar sobre a coisa toda do lago. Eu pensei que eu... Sonhei isso.

JB encolheu-se.

— Não, isso era real. Ele pegou-me quando te trouxe de volta. Fui eu quem te coloquei em roupas secas, no caminho.

Eu ri.

— Eu estava à espera que fosses tu.

— Embora ele tenha se voluntariado para o trabalho. — Disse ela, com os olhos rolando. — Jughead é tão útil.

— Isso ele é. Onde... Onde ele está?

Ela encolheu os ombros.

— Nenhum indício. — Os seus olhos estreitaram-se. — Por que tu continuas a coçar o teu braço?

— Huh? — Eu parei, nem mesmo percebi que o estava a fazer. — Oh, eles tiraram o meu sangue no hospital para se certificar de que não tenho raiva ou algo assim.

Rindo, ela puxou a minha manga.

— Eu tenho algumas coisas que tu podes colocar … Santa porcaria, Betty!

— O quê? — Eu olhei para o meu braço e prendi a respiração. — Merda.

Todo o meu cotovelo interior parecia um morango carnudo. Tudo o que estava a faltar era um gorro de folhas verdes. As manchas elevadas de pele vermelha estavam salpicados com pontos escuros. JB correu um dedo sobre ele.

— Dói? — Eu balancei a cabeça. Só coçava muito. Ela largou a minha mão. — Tudo o que tu fizes-te foi colher o teu sangue?

— Sim. — Eu disse, olhando para o meu braço.

— Isso é realmente estranho, Betty. É como se tu tivesses algum tipo de reação a algo. Deixa-me pegar alguns Aloe. Isso pode ajudar.

— Claro. — Olhei para o meu braço. O que poderia ter feito isso?

JB voltou com um frasco de gosma fria. Ajudou com a coceira, e depois que eu puxei a minha manga para baixo, ela parecia esquecer sobre isso. Eu fiquei com ela pelas próximas duas horas, observando-a destruir um pote atrás do outro. Eu ri tanto que o meu estômago doía quando JB se inclinou muito perto de uma taça que estava a aquecer e acidentalmente colocou a sua camisa em chamas. Ela levantou uma sobrancelha para o meu peito como se quisesse dizer que gostaria de me ter visto evitar o mesmo erro, fazendo-me ter outro ataque de risos.

Quando ela acabou com os chocolates e espátulas de plástico, JB finalmente admitiu a derrota. Já passava das dez, e eu disse adeus enquanto me dirigia para casa para descansar um pouco. Tinha sido um longo primeiro dia de volta na escola, mas eu estava feliz que passei por ele e acabou comigo saindo com JB. Jughead estava a atravessar a rua, logo que eu fechei a porta atrás de mim. Em menos de um segundo, ele estava no degrau mais alto.

— Bitten.

— Ei. — Evitei os seus extraordinários olhos e rosto, porque, bem, eu estava a ter um momento dificil e estava a tentar não me lembrar da sua boca na minha no dia anterior. — Onde estás, hum, então o que tu estavas a fazer?

— A patrulhar. — Ele deu um passo na varanda, e mesmo estando ocupada a olhar para a rachadura no piso de madeira, eu podia sentir o seu olhar no meu rosto, o calor do seu corpo. Ele ficou perto, muito perto. — Tudo está calmo na frente ocidental.

Eu abri um sorriso.

— Boa Referência. — Quando ele falou, a sua respiração provocou uma onda de arrepios.

— É o meu livro favorito, na verdade.

A minha cabeça virou na direção à sua, perdendo uma colisão. Eu escondi a minha surpresa.

— Eu não sabia que tu sabias ler os clássicos.

Um sorriso preguiçoso apareceu, e eu juro que ele conseguiu chegar mais perto. As nossas pernas tocaram-se. O seu ombro roçou no meu braço.

— Bem, eu geralmente prefiro livros com imagens e pequenas frases, mas às vezes eu saio da zona de conforto.

Incapaz de evitar, eu ri.

— Deixa eu adivinhar, o teu tipo favorito de livro de imagem é o que tu podes colorir?

— Eu nunca fico nas linhas. — Jughead piscou.

Só ele poderia fazer aquilo.

— Claro que não. — Eu desviei o olhar, engolindo a saliva que se tinha acumulado .

Às vezes era muito fácil cair na brincadeira com ele, muito fácil imaginar-me a fazer isso com ele todas as noites. A provocamo-nos. A rirmo-nos. A entrarmos na cabeça um do outro.

— Eu tenho que ir...

Ele virou-se.

— Eu vou levo-te a casa.

— Hum, eu moro logo ali.

— Como se ele não soubesse disso. — Duh. Aquele sorriso preguiçoso espalhou-se. — Ei, eu estou a ser um cavalheiro. — Ele ofereceu o braço. — Posso?

Rindo baixinho, eu balancei a cabeça e dei-lhe o meu braço. Logo em seguida, ele pegou-me nos seus braços. O meu coração deu um pulo na minha garganta.

— Jughead...

— Eu disse-te que te levei por todo o caminho de volta para a casa na noite em que estavas doente? Pensas-te que era um sonho, não é? Não. Foi real. — Ele desceu um passo enquanto eu olhava com os olhos arregalados para ele. — Duas vezes numa semana. Nós estamos a fazer disto um hábito.

E, em seguida, ele atirou-se para a varanda, o rugido do vento abafou o meu grito de surpresa. No segundo seguinte, ele estava de pé à frente da minha porta, a sorrir para mim.

— Eu fui mais rápido da ultima vez.

— Realmente... — Eu disse lentamente, aturdida. O meu rosto estava dormente. — Tu vais colocar-me para baixo?

— Mmm. — Os nossos olhos encontraram-se. Havia um olhar terno no seu rosto que me aqueceu e me assustou. — Estiveste a pensar sobre a nossa aposta? Queres começar agora?

E ele arruinou totalmente aquele momento.

— Coloca-me no chão, Jughead.

Ele colocou-me em pé, mas os seus braços ainda estavam em torno de mim, e eu não tinha ideia do que dizer.

— Eu estive a pensar.

— Oh, meu Deus... — Murmurei.

Os seus lábios tremeram.

— Esta aposta realmente não é justa contigo. Dia de Ano Novo? Inferno, eu vou fazer-te admitir a tua devoção eterna a mim no Dia da Ação de Graças.

Revirei os olhos.

— Eu tenho a certeza que vou aguentar até ao Dia das Bruxas.

— Isso já passou.

— Exatamente. — Eu murmurei.

Rindo baixinho, ele estendeu a mão, colocando uma mecha de cabelo atrás da minha orelha. A parte de trás dos seus dedos roçou na minha bochecha e eu pressionei os meus lábios para parar um suspiro. Calor floresceu no meu peito, não tendo nada a ver com o simples toque.

Tinha tudo a ver com a dor no seu olhar…

Então ele girou, inclinando a cabeça para trás. Momentos se passaram em silêncio.

— As estrelas... Elas estão lindas esta noite.

Eu segui o seu olhar, um pouco confusa pela súbita mudança de assunto. O céu estava escuro, mas havia uma centena de pontos brilhantes a brilhar contra a noite escura.

— Sim, elas estão. — Mordi o lábio. — Elas lembram-te a tua casa?

Houve uma pausa.

— Eu gostaria que lembrassem. Memórias, mesmo as agridoces, é melhor do que nada, sabes?

Um nó formou-se na minha garganta. Por que eu perguntei isso a ele? Eu sabia que ele não se lembrava de nada sobre o seu planeta. Coloquei meu cabelo para trás novamente e fiquei ao lado dele, a olhar para o céu.

— Os Anciões, eles não se lembram de nada sobre Lux? — Ele acenou com a cabeça. — Alguma vez tu já lhes pediste para te contarem sobre isso?

Ele começou a responder, então riu.

— É tão simples, né? Mas eu tento evitar a colónia, tanto quanto possível.

Compreensível, mas eu não estava inteiramente certa do por quê. Jughead e JB raramente falavam sobre os Luxen que permaneciam na colónia escondidos nas profundezas da floresta circundante das Rochas Seneca.

— E quanto ao Sr. Pendleton?

— FP... — Ele balançou a cabeça. — Ele não vai falar sobre isso. Eu acho que é muito difícil para ele, a guerra e perder a sua família.

Afastando o meu olhar das estrelas, eu olhei para Jughead. O seu perfil era duro e mal-assombrado. Cristo, eles tinham uma vida difícil. Todos os Luxen. A guerra transformou-os em refugiados. A Terra era praticamente um planeta hostil a eles, considerando como eles tinham que viver. Jughead e JB não se conseguiam lembrar dos seus pais e tinham perdido um irmão. O Sr. Pendleton tinha perdido tudo e só Deus sabia quantos deles compartilhavam a mesma tragédia.

O nó foi crescendo na minha garganta.

— Eu sinto muito.

A cabeça de Jughead virou-se na minha direção bruscamente.

— Por que tu sentes muito?

— Eu... Eu apenas sinto muito por tudo... Por tudo o que vocês tiveram que passar. — E eu quis dizer isso.

Ele segurou o meu olhar por um instante e, em seguida, olhou para o lado, rindo baixinho. Não havia humor no som, e perguntei-me se eu tinha dito algo errado. Provavelmente.

— Continua a falar assim, Bitten, e eu...

— Tu o quê?

Jughead recuou na minha varanda, com o seu sorriso secreto.

— Eu decidi facilitar as coisas para ti. Eu vou manter o Dia de Ano Novo como prazo.

Comecei a responder, mas ele foi-se antes que eu pudesse, movendo-se muito rápido para os olhos conseguirem acompanhar.

Colocando a mão contra o meu peito, eu estava lá e tentei entender o que havia acabado de acontecer. Por um momento, um momento louco, havia algo infinitamente maior entre nós do que a louca luxúria animal.

E isso assustou-me. Entrei e, eventualmente, fui capaz de empurrar Jughead para o fundo da minha mente. Agarrando no meu celular, fui de sala em sala até que consegui um sinal e liguei para a minha mãe, deixando uma mensagem. Quando ela ligou de volta, eu contei-lhe sobre o meu braço. Ela disse que eu provavelmente bati em algo, mesmo que não doesse e não estivesse ferido. Ela prometeu trazer-me uma pomada, e eu senti-me melhor só de ouvir a voz dela.

Sentei-me na minha cama, e tentei esquecer todas as coisas estranhas e apenas concentrar-me na minha lição de casa de história. Tinha um exame na segunda-feira. Estudar numa sexta-feira era horrível, mas era isso ou eu falharia. E eu me recusava a falhar. História era um dos meus temas favoritos.

Horas mais tarde, senti o calor estranho que estava a tornar-se cada vez mais familiar fluindo no meu pescoço. Fechando o livro, eu pulei da cama e rastejei na direção da janela. A lua cheia iluminou tudo num brilho pálido prateado. Eu puxei a manga da minha camisa. A pele ainda estava irregular e vermelha. Estar doente tinha algo a ver com o armário, o copo de chá e a conexão com Jughead?

O meu olhar voltou-se para a janela, flutuando sobre o chão.

Eu não vi ninguém.

A ânsia despertou no meu peito. Eu puxei a cortina mais e pressionei a testa contra o vidro frio. Eu não conseguia entender ou explicar como eu sabia, mas eu sabia. Em algum lugar, escondido nas sombras, estava Jughead. E cada parte do meu ser queria - precisava - ir até ele. A dor que estava nos seus olhos... Tinha muita coisa, a passar entre nós. Mais do que eu, sem dúvida, podia entender.

Negar o desejo que sentia era uma das coisas mais difíceis que eu já tinha feito, mas eu deixei a cortina deslizar livremente e voltei para a minha cama. Quando abri o meu caderno de história de novo, concentrei-me no Capitulo.

Dia de Ano Novo? Não iria acontecer.

Eu estava a ter um daqueles dias em que queria começar a atirar coisas, porque só quebrar qualquer porcaria me faria sentir melhor. O meu limite de estranheza aceitável na minha vida diária tinha estourado. No sábado, o chuveiro ligou antes mesmo que eu tocasse nele. Domingo à noite, a porta do quarto abriu-se enquanto eu caminhava em direção a ela, batendo-me na cara. E esta manhã, acima de tudo isso, eu dormi demais e perdi as minhas duas primeiras aulas, além de todo o meu armário ter se esvaziado no chão, quando eu me debatia sobre o que vestir.

Ou eu estava a transformar-me numa alien, ou estava prestes a ter um a rastejar para fora do meu estômago, oque era loucura. A única coisa boa foi que hoje eu acordei sem aquela coceira no meu braço. Todo o caminho para a escola, eu debati o que fazer. Essas coisas não podem ser deixadas de lado como uma coincidência por mais tempo, e eu precisava superar a mim mesma e enfrentá-las. A minha nova perspectiva de não ser uma espectadora da vida significava que eu tinha que encarar o fato de que tinha realmente mudado. E eu precisava fazer algo sobre isso antes de expor a todos. Só de pensar em tal possibilidade deixou um gosto amargo na boca. Não havia nenhuma maneira que eu poderia ir até JB, porque eu tinha prometido a Jughead não contar a ninguém que ele me tinha curado. Eu não tinha outra opção a não ser sobrecarrega-lo com outro dos meus problemas. Pelo menos foi assim que me senti.

Quando me mudei para cá, eu tinha sido nada além de problemas para ele. Fazer amizade com a sua irmã, fazer muitas perguntas, quase chegar a matar-me... Duas vezes. Além disso, descobrir o seu grande segredo, e todas as vezes que eu acabei com um rastro.

Eu fiz uma careta enquanto deslizava para fora do meu carro e batia com a porta atrás de mim. Não era à toa que Jughead tinha sido um idiota nestes meses. Eu era um problema. Ele também, mas ainda assim.

Atrasada para a aula de biologia e sem fôlego, corri pelo corredor quase vazio, rezando para que estivesse em segurança no meu lugar antes que o Sr. Pendleton entrasse na sala. Quando alcancei a pesada porta, ela abriu-se com uma onda poderosa e bateu contra a parede. O barulho ecoou pelo corredor, chamando a atenção de um punhado de outros estudantes atrasados.

O sangue foi drenado do meu rosto, centímetro por centímetro, quando eu ouvi o suspiro assustado por trás de mim e sabia que eu estava presa. Um milhão de pensamentos passaram pela minha mente entorpecida e nenhum deles valia a pena. Fechando os olhos, o medo revolveu como leite azedo no meu estõmago. O que havia de errado comigo? Algo estava... muito errado.

— Estas malditas correntes de ar. — Disse Pendleton, limpando a garganta. — Elas vão dar-te um ataque cardíaco.

Os meus olhos abriram-se. Ele ajeitou a gravata enquanto ele apertou a mala marrom firmemente na sua mão direita. Eu abri a minha boca para falar e concordar. Concordar seria uma coisa boa.

Sim, malditas correntes de ar.

Mas nada saiu.

Eu só estava ali como um maldito peixe. Pasma e boquiaberta.

Os olhos azuis do Sr. Pendleton estreitaram-se, e a sua carranca aprofundou-se até que eu pensei que iria deixar uma marca permanente no seu rosto.

— Senhorita Copper, tu não deverias estar na sala de aula?

— Sim, desculpe. — Eu consegui coaxar.

— Então, por favor, não fiques aí parada. — Ele abriu os braços e conduziu-me para dentro. — E estás atrasada. Pela segunda vez.

Incerta de quando eu me atrasei a primeira vez, eu cambaleei até à sala de aula, tentando ignorar os risos dos outros alunos que, aparentemente, tinham ouvido a conversa. As minhas bochechas ficaram vermelhas.

— Suja. — Disse Kimmy por trás da mão dela.

Vários outros risos irromperam de seu lado da classe, mas antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, Verônica disparou um olhar para a loira.

— Isso é engraçado de verdade vindo de ti. — Disse ela. — Tu és a mesma líder de torcida que se esqueceu de vestir a sua roupa de baixo durante o encontro no ano passado, não é?

O rosto de Kimmy ficou vermelho de sangue.

— Classe! — Sr. Pendleton disse, estreitando os olhos. — Isso é o suficiente.

Passando a Verônica um sorriso agradecido, tomei o meu assento ao lado de Blake e arranquei o meu livro enquanto o Sr. Pendleton começou a ler a chamada, fazendo pequenos movimentos com a sua caneta vermelha favorita. Ele pulou o meu nome. Eu tinha certeza que foi de propósito.

Blake cutucou-me com o cotovelo.

— Tu estás bem ?

Eu balancei a cabeça. Eu não ia deixá-lo pensar que Kimmy foi a razão do meu rosto estar branco. E, além disso, Kimmy chamar-me de suja provavelmente tinha algo a ver com Chuck, que não valia nem mesmo a minha raiva agora.

— Sim, estou perfeita.

Ele sorriu, mas parecia forçado. O Sr. Pendleton apagou as luzes e lançou-se numa palestra estimulante sobre a seiva da árvore. Esquecendo-me do menino ao meu lado, eu comecei a repassar o incidente da porta repetidas vezes na minha cabeça.

O Sr. Pendleton tinha realmente acreditado que tinha sido uma corrente de ar?

E se não, o que o impedia de entrar em contacto com o Departamento de Defesa e entregar-me?

Desconforto contorcia-se na minha barriga.


Eu ia acabar como Valorie?



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