História Luzes do Semáforo - Capítulo 1


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Categorias Choque de Cultura
Personagens Simone
Tags Amanda Dos Anjos, Choque De Cultura, Fuscavinheta, Simanda, Simone Dos Prazeres
Visualizações 186
Palavras 1.729
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Fluffy, LGBT, Romance e Novela, Yuri (Lésbica)
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Achou que não ia ter fuscavinheta na tag? Achou errado, otário!

Oi, gente! Já faz um tempão que eu não posto fanfics e, principalmente, é a primeira vez que começo e concluo alguma coisa nesse Quaseuniverso maravilhoso, então, por favor sejam pacientes comigo.

Não vou nem mentir, a fic tá cheia de headcanons meus sobre essas duas lindinhas mas ó, quero deixar o disclaimer de que as menções a outros ships da Quase que foram usadas são só para os personagens, sim? Nada de ficar shippando ator por aí, juventude.

No mais, espero que gostem e é isso aí!

Capítulo 1 - Primeiro


    Encontros não costumavam ser a grande especialidade de Simone. Todas as questões que giravam em torno daquele simples convite pareciam martelar na cabeça da mulher de cabelos cacheados e cheios. Ela olhou o vestido com detalhes em vermelho no reflexo do espelho. Será que era demais? Será que não devia voltar aos jeans e camisetas que estava acostumada e sabia que Amanda também estava, afinal, aquela combinação era como seu uniforme do estúdio e era assim que a morena dos olhos mais expressivos que ela tinha conhecido havia se interessado por ela.

Não que ela entendesse muito bem o motivo daquele interesse – ao menos, não se pensasse no contexto em que o fenômeno Amanda dos Anjos havia chegado no estúdio do programa. Fosse pelo rolo que ela tinha com Julinho há uns meses atrás, antes dos dois terminarem amigavelmente ao chegarem na conclusão que os dois amavam outras pessoas, ou por todas as vezes que ia buscar Maurílio depois das gravações por ter tido algum problema com a kombi branca, aos poucos a presença de Amanda havia se tornado tão comum quanto o cara de regata que   morava no estúdio - tão comum ao ponto de, em vez de separar as seis xícaras de café quente, ela já fazia sete. Com muito açúcar, como fazia questão de se lembrar. Aos poucos, parecia que Amanda fazia parte do programa e sua ausência era sempre notada com um pesar por parte da Tijucana.

Pela terceira vez em um espaço de vinte minutos, Simone arrumou mais uma vez seus cabelos, certificando-se que os cachos que emolduravam seu rosto estivessem na sua melhor forma. Se saísse agora, ela conseguiria passar na floricultura para comprar um girassol para Amanda, tão amarelo quando o Fusca que ela dirigia e tinha praticamente invadido a sala da vida de Simone, em um paralelismo cinematográfico perfeito com a entrada de Rogério em um quartel - porém, ela esperava que naquele caso houvessem menos danos.

E, foi com uma hora inteira para gastar escolhendo o girassol mais amarelo que pudesse encontrar para presentear a morena, que Simone deixou seu apartamento no coração da Tijuca, sem saber exatamente o que esperar daquela noite.

 


 

    Enquanto isso, do outro lado da cidade, Amanda dos Anjos gritava com seu irmão mais novo algo sobre a quantidade de coisa esquisita que ele colocava dentro do fusca amarelo estacionado na pequena garagem da avó deles, dona Luzia. Veja bem, embora o veículo fosse o grande bebê de Amanda, o cotidiano corrido de rodar todo o Rio de Janeiro tornava quase inviável que a morena deixasse o transporte público de lado, de modo que o pequeno fusca havia se tornado um perfeito local de memória dos tempos dos seus pais. Rezava a lenda que o besourinho havia pertencido a sua mãe que, nos tempos de moça, era uma grande estrela das discotecas na zona sul do Rio.

    Amanda não fazia ideia do que havia acontecido com seus pais - o que sabia é que, desde que se entendia por gente, ela e o irmão menor conviviam com os gritos incessantes de Dona Luzia sobre como a mãe deles havia jogado sua vida fora com um marmanjo qualquer. Por mais enfática que a idosa fosse em suas reclamações, algo no fundo do cérebro da morena de cabelos curtos dizia que haviam muitos outros detalhes sobre aquela história que possivelmente só seriam revelados nas temporadas seguintes da vida das crias dos Anjos que haviam sobrado.

    Mas aquela não era sua maior preocupação. O que realmente estava ocupando todos os compartimentos da mente de Amanda naquele momento era se certificar de que o Besourinho Amarelo estivesse impecável, digno da presença de Simone dos Prazeres que, se todo o universo estivesse se alinhando ao seu favor, estaria ali a qualquer momento.

     Quando pensava em retrocesso, Amanda percebia que, desde o início, a cacheada que controlava as vinhetas havia atraído sua atenção. Não sabia ao certo se eram os óculos que escondiam os olhos castanhos ou a atitude que Simone conseguia impor aos outros pilotos. Todos ali pareciam ter um respeito enorme pela operadora de vinhetas e Amanda precisava admitir que aquilo era bonito de se ver. Simone dominava aquele estúdio com seu jeito assertivo, mas doce, e aquela visão era um espetáculo que Amanda poderia assistir por horas a fio, lamentando cada segundo que perdia ao piscar os olhos e perder o foco de Simone.

Logo todos os DVDs sem capa de Maurílio estavam jogados pelo chão da garagem, enquanto, aos berros, a morena avisava ao irmão que era melhor que ele arrumasse aquilo antes que a avó deles chegasse do bingo, ainda que ela soubesse que Maurílio tampouco iria ouvir. Faziam horas que ele estava trancado no quarto com a ilustre presença de Julinho da Van e, para o bem da sua própria sanidade, ela preferia não imaginar o que os dois faziam ali dentro. Amanda deu a última ajeitada no banco carona do besourinho amarelo e deu partida no motor - mas não sem antes checar o batom vinho tão característico no espelho retrovisor -, ciente que faltavam vinte minutos para o horário combinado para encontrar Simone na estação de trem. Porém, se tinha alguma coisa que ela havia aprendido com os quatro pilotos, era que sinalização era apenas uma sugestão do DETRAN e ela podia decidir muito bem se iria respeitá-las ou não, dependendo do seu humor - e, naquele momento, a animação que sentia em relação ao encontro das duas lhe dizia que alguns sinais vermelhos seriam ignorados.
    


 

Simone sentiu, pela primeira vez daquela noite, suas mãos suarem frio ao ver o fusquinha amarelo tão característico estacionar próximo dela na calçada. Bem, não havia para onde correr. A tijucana apertou o girassol em suas mãos, enquanto Amanda abria a porta carona por dentro do carro, com um sorriso gigante - aquele maldito sorriso - estampando seu rosto. Em um impulso, a operadora de vinhetas se esticou para próximo de Amanda, deixando os dois beijos nas bochechas - um costume tão carioca que corria pelo sangue das duas moças. A morena deu partida no veículo, enquanto tagarelavam sobre alguma trivialidade e Amanda se esforçava para não tirar os olhos da rua para observar a forma que Simone contava suas histórias - sempre com uma facilidade em juntar tantas outras histórias na mesma, fazendo do som da sua voz algo tão natural e perfeito para aquela cena quanto a trilha sonora que se fazia presente de uma forma tímida, vinda do pequeno rádio FM do fusca.

De todos os lugares possíveis para aquele encontro, Simone jamais teria cogitado a possibilidade de Amanda a levar em um dos restaurantes tradicionais da zona norte do Rio de Janeiro. A própria palavra tradicional a assustava tanto quanto o cardápio com dígitos demais para o gosto dela. Por um segundo, pensou em oferecer que fossem para outro lugar, mas a expressão decidida de Amanda ao entrelaçar seus dedos aos dela, enquanto a guiava entre as mesas, até uma que parecia estar reservada. Ela realmente tinha planejado tudo aquilo. A constatação fez Simone sorrir. “Eu já ia me esquecendo…” proferiu Simone, ao notar que a flor solitária ainda estava em suas mãos, conforme ocupavam a mesa no canto do salão. As pétalas amarelas contrastavam ao fundo vermelho vivo do vestido de Simone, trazendo um sorriso nos lábios da morena. Um sorriso diferente do sorriso característico de Maurílio, que parecia encantar com um sorriso digno de um protagonista bonitão de novela. Amanda, por sua vez, parecia sorrir com a pureza de uma criança ao ver seu desenho favorito. Sorria como se aquele sorriso sempre estivesse ali, preparado, esperando para aparecer na hora mais apropriada.

A verdade é que Amanda havia planejado aquele encontro há algum tempo. Planejado em muitos sentidos. Desde a escolha do lugar até todos os bicos que fizera para Maurílio, limpando a Kombi branca e recebendo por isso, até as economias do seu salário que, por muitas semanas, consistiram em roubar o cartão fidelidade do Bob’s herdado pelo irmão e almoçar Sundae todos os dias - algo extremamente perigoso, aparentemente -, tudo perfeitamente planejado para que tudo desse certo - ainda que o mais importante, que era convidar Simone, estivesse sendo adiado a cada visita de Amanda ao estúdio. Por mais corajosa e prática que fosse em suas relações, a vontade de fazer com que aquilo - o que quer que fosse se tornar -, funcionasse era o suficiente para que a morena se tornasse um pouco mais cautelosa com tudo. Simone, ao passo que fazia com que Amanda quisesse pisar no acelerador sem medo, também a tornava uma motorista cautelosa, que mantinha os pés no freio, receando que tivesse que usá-lo a qualquer momento.
    A conversa fluía com calma, enquanto as duas trocavam confidências e esqueciam das bebidas sobre a mesa que já perdiam sua temperatura, enquanto a sincronia entre as moças só parecia se tornar mais visível. Em um movimento de completo impulso, Simone pousou sua mão sobre a de Amanda na mesa, com um sorriso curto, que aos poucos tornava-se a coisa favorita da morena que, por sua vez, virou sua palma para cima, abrigando a mão de Simone com afeto. Os tons de verde que se tornavam presentes pelas paredes e pela iluminação do restaurante pareciam trazer para aquele pequeno ato um tom de conforto inesperado para elas. Provavelmente, se tivesse prestado atenção nas palestras de Maurílio sobre construção de cenas, organização de cenário e suas linguagens para a criação de um bom roteiro, ela teria percebido que aquela noite parecia ter saído de um filme romântico digno de um roteiro e direção de Richard Linklater, como ela sempre sonhou que seriam seus relacionamentos futuros, idealizados nas muitas noites lendo revistas Capricho ou nas confidências que ela e Maurílio trocavam de madrugada sobre suas paixonites, enquanto Dona Luzia não aparecia para gritar com eles por estarem acordados de madrugada fazendo barulho.

    Talvez, Amanda não precisasse de um mocinho galã, com cabelos cacheados e um bigode bonito, mas sim, daquela que por um roteirista fraco e sem perspectiva, seria encaixada com o papel da melhor amiga. Porém, Simone tinha em si algo que a tornava tão protagonista daquele filme - e, a morena agora sabia, da história que Amanda dos Anjos havia começado a escrever no momento em que convidara, semanas atrás, Simone dos Prazeres para um jantar.

 


Notas Finais


(Na boa, elas são lindas e eu amo minhas filhas, paz)


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