História Maloqueira - Capítulo 2


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Notas do Autor


- Emily Ferraz
- 17 anos
- Inteligente
- Boa moça
- Certinha

Capítulo 2 - Capítulo 2


Fanfic / Fanfiction Maloqueira - Capítulo 2 - Capítulo 2

Porra tô atrasada!

A merda do despertador tocou vinte minutos depois. — Corri por entre as pessoas na rua. —Eu devia ter aceito a carona do motorista do vovô mas não suporto essa onda de rico, nunca fui disso apesar de ter nascido nessa droga de família.

Demorei meia hora pra chegar na merda do colégio e por pouco não consegui entrar. Fui pra direção e me fizeram esperar por um tempão até que uma velhinha pediu pra eu entrar.

— Senhorita Boára Fourman, meu nome é Jaqueline Duarte, prazer. Sente-se por favor. — disse a mulher magra e aparentemente jovem, talvez 30 anos, indicando a cadeira. Me sentei e a encarei

— Senhorita Fourman, eu estava aqui olhando o seu histórico escolar e os registros de ocorrências de todas as instituições em que a senhorita estudou... — ela respirou fundo. — Me parece que a senhorita tem problemas com disciplina.

— Isso não soou como uma pergunta senhora. — falei

— Ok. Vamos reformular então. Qual a dificuldade que a senhorita encontra em se comportar? — seus olhos me encaravam como um urubu encara carne podre.

— Ah, sabe como é... uma coisa leva a outra e quando se dá conta cê já tá envolvida. — sorri

— Huuum. Sei, sei... seu avô me pediu com muita insistência que eu a aceitasse em nosso colégio e eu resolvi lhe dar o beneficio da dúvida. Espero que saiba aproveitar senhorita Fourman. — ela me encarou séria e depois me lançou um sorriso meio assustador. Loucona.

Enfim a doida me dispensou e me disse onde era a minha sala, enquanto andava pelo corredor eu observava os murais, o chão limpo, as paredes intactas. Por mais que minha outra escola também fosse de um status social mais elevado, ainda assim vivia uma zona. Senti o cheiro de alguém se aproximando e logo veio uma mão na minha bunda o que me fez virar rápido e ativar o meu reflexo, quando me dei conta já estava com a mão apertando contra o pênis de um babaca alto, branco, de olhos castanhos bem claros e com cara de imbecil.

— Tá doida garota? — sua expressão de dor me fez apertar ainda mais sua coisa.

— Toca em mim de novo e cê vai ficar sem mão, sem olhos e sem essa coisa murcha que você chama de pinto. — apertei mais ainda e o encostei na parede

— Eu só estava checando se você tem tudo no lugar. — apertei mais forte e ele gemeu de dor. — Calma... calma aí gata, desculpa ta legal, foi mal!

— Tá avisado otário! — o soltei e deixei ir. Voltei pro meu tour pelo corredor enquanto limpava minha mão na minha roupa, pensando em queimá-la quando chegasse em casa, e finalmente cheguei na sala, abri a porta e entrei. Todos já estavam sentados e o professor estava explicando algum lance. Os olhares curiosos se voltaram pra mim.

— E aí. — sorri e levantei a mão como um aceno.

Que babacas!

— Desculpe quem é você? — perguntou um cara velho, magro e com os óculos maior que a cara dele. Parecia uma mosca.

— Pode me chamar de Bô. Me mandaram pra cá. — falei

— Ah sim, deixe-me ver. — disse, de olho no papel em minhas mãos e eu entreguei. — Boára Fourman? Pessoal dêem as boas vindas a sua nova colega.

— Claro professor! Senta aqui gatinha. — um babaca mauricinho abriu as pernas e indicou seu colo.

— Claro, por que não? — sorri e peguei o copo de suco que estava encima da carteira de uma garota e despejei nas calças do imbecil.

— O que é isso? Sua...— falou o babaca se levantando. Eu sorri junto com todos da sala que caíram na gargalhada.

— Opa. Cê tava pegando fogo e eu resolvi ajudar. — sorri

— Senhorita Fourman... — o professor chamou minha atenção. Ele apenas respirou fundo. — Dario, vá se limpar no banheiro e a senhorita pode se sentar ali. — ele indicou a carteira do fundão.

Na boa, eu acho que vou me divertir muito nesse lugar, antes de sair é claro.

LARA 

Droga, estou atrasada!

Duvido que o senhor Laurent me deixe entrar com mais de dez minutos de atraso. Tom estava logo ao meu lado, não tirava sua mão da minha cintura e aquilo me irritava apesar dele ser meu namorado. Ainda assim só estamos juntos porque nossos pais fazem muitos negócios e pra ser mais específica, o meu pai praticamente me obriga a seguir com essa droga de namoro.

A verdade é que quanto mais tempo eu fico longe da minha gata de rua mais vontade eu sinto de ficar com ela e se isso me torna lésbica quanto menos gente souber sobre ela melhor, aliás o mais adequado é que ninguém saiba sobre a Bô. É um saco depender tanto do meu pai, depender tanto do dinheiro dele e dos pensamentos alheios. As vezes me pergunto o que a minha mãe faria se estivesse no meu lugar, se não tivesse me abandonado quando eu ainda era bebê e se não tivesse cortado os pulsos alguns anos depois. A escola também não é muito receptiva com homossexuais, por isso prefiro me manter a margem de certos comentários.

Por fim cheguei na porta da sala e percebi que Emy estava vindo correndo também, aposto que da biblioteca.

— Se você se atrasou, ele não vai poder questionar nós dois. — falei sarcástica e Emy apenas soltou um "haha" o que me fez sorrir.

A típica santa do pau oco. Não bebe, não fuma, não curte mas critica quem bebe, quem fuma e quem curte. Sinceramente não sei o que o Dario vê nela, pior ainda não entendo como os garotos da escola querem ficar com ela. A verdade é que Emily Ferraz não faz o tipo de ninguém. — revirei os olhos ao pensar. Por fim nós três entramos de mansinho.

— Senhoritas, Ferraz, Campel e senhor Monteiro. — Droga, ele nos viu!

— Senhor Laurentt — falamos os três juntos

— Dez minutos de atraso? — ele olhou seu relógio de pulso.

— Perdão professor, eu estava na biblioteca. — Emy deu-lhe o cartão da biblioteca assinado. Nossa que garota puxa saco.

— Sente-se senhorita Ferraz. — Emy foi se sentar.

— E quanto a vocês? — o professor se dirigiu a Tom e a mim.

— Desculpa aí professor é que a Lara tirou toda a minha energia essa noite se é que você me entende. — o comentário de mal gosto de Tom fez com que todos dessem risada.

Que idiota!

— Sentem-se, e da próxima vez não terão tanta sorte.

Tivemos sorte, não posso mais faltar a aula dele, estou a um passo de ser reprovada nessa matéria. Me sentei numa carteira do canto no fundo da sala, foi então que olhei pro outro lado da sala onde havia alguém me encarando... seus olhos transmitiam perplexidade e seu rosto apesar de calmo me dizia muita coisa. Bô estava me olhando fixamente e eu não sabia o que fazer nem o que pensar.

Como ela veio parar aqui? Droga!

ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤBÔ 

A Lara estuda aqui? E, ela namorqwwwwa com um cara? Será que eu entendi direito a tirada daquele mané ou eu tô sakando errado? — o cara se sentou do lado de Lara e passou a mão em sua coxa.

Cachorra mentirosa!

Finalmente ela percebeu que sou eu quem a está observando, seu rosto enrijeceu e rapidamente tirou a mão do cara de sua perna. As três primeiras aulas se passaram rápido nessa troca de olhares entre Lara e eu e logo bateu o sinal do intervalo. Todos se levantaram e Lara foi a primeira a sair quando percebeu que eu ía em sua direção, me apressei pra poder alcançá-la mas quando cheguei no corredor ela já havia desaparecido.

Fui no banheiro dar uma tragada porque o dia já tinha começado louco e sem um cigarro quem fica louca sou eu. Entrei no banheiro e acendi um back, fumei de boa na maior tranquilidade, mas como nada dura pra sempre, a minha tranquilidade acabou assim que entraram duas meninas, uma morena e uma ruiva.

— Nossa que horror esse cheiro de cigarro. — disse a morena olhando pra mim

— Me desculpe, mas não se fuma dentro do colégio. — a ruiva se aproximou

— Pelo o que eu sei a escola também não aceita roupa curta, mas pra minha alegria essa escola não leva tudo tão a sério assim, né não? — eu olhei a morena de cima a baixo, desde o cabelo um pouco acima dos ombros passeei por sua blusa decotada até a saia xadrez rodada. — Nada mal! — sorri

— Como? — perguntou a morena incrédula e eu apenas sorri

— Não. É sério, nada de cigarros. — a ruiva tirou o cigarro da minha boca e o apagou.

— Vem cá, te conheço de algum lugar. — eu a encarei bem

— Acredite em mim, não conhece não. — disse a ruivinha me olhando de cima a baixo

— Tu é a maluca do carro, aquela que saiu gritando quando me viu. — falei e a ruiva ficou pálida na hora.

— Você é a ladra! — disse ela, o que me fez erguer uma sobrancelha.

— Mina, foi tu que me colocou nessa enrascada aqui, e tudo porque não conseguiu ficar com a porra da boca fechada. — apontei o dedo em sua direção

— Como deixaram uma pessoa como você entrar nesse colégio? Vou agora mesmo conversar com a diretora, isso não pode ficar assim. — ela se virou pra sair mas eu segurei seu braço

— Cê não vai fazer merda nenhuma sakô? Eu se fosse você ficaria calada porque meu dia não tá legal e se me tirar do sério o seu também não vai ficar. — a encarei bem e ela tirou seu braço da minha mão. — É só um aviso ruiva! — quando passei por ela nossos ombros se chocaram e eu vi superioridade em sua expressão.

Se der certo, na saída daqui eu ainda acabo com essa expressão no rosto dela!



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