História Maloqueira - Capítulo 3


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Notas do Autor


- Lara Campell
- 17 anos
- Ambiciosa
- Popular

Capítulo 3 - Capitulo 3


Fanfic / Fanfiction Maloqueira - Capítulo 3 - Capitulo 3

Lara não apareceu durante as útimas aulas e eu não parei de pensar na traição dela, não por estar com alguém mas por esse alguém ser um cara. Eu tô puta!

Acho que eu estou com mais raiva de mim, por ter caído nos papos furados dela e nem ter questionado nada. O que eu podia esperar de uma patricinha? E pensar que...

Não falei com ninguém, não estava com saco pra socializar. A útima aula acabou e eu saí rápido sem olhar pra trás ou pros lados. Peguei caminho pra casa a pé, quando vi Lara logo a frente, longe suficiente da escola e dos olhares dos amiguinhos babacas dela. Parei por alguns segundos e encarei seu rosto pálido e preocupado, logo continuei a andar. Seja lá o que eu pudesse falar pra ela não seria o bastante.

— A gente precisa conversar. — disse ela desencostando de uma árvore.

— Na boa, eu não quero saber. — falei.

— Eu quero te explicar. Eu não...

— Eu já falei que não quero saber. Eu não quero papo. — encarei seus olhos enormes e azulados.

— Você não entende amor, eu não posso me assumir ainda.

— Ah, sério? Não pode se assumir mas pode transar com qualquer babaca? — me aproximei dela. — Na real gata, to de boa. A gente nem tinha nada mesmo.

— Qual é Bô? O que tínhamos era...

— Nada! — interrompi. — Não me peça pra ser seu segredinho gata, porque eu já saí da porra do armário e pra lá eu não volto, nem por tu nem por ninguém. Sakô?

— Amor... — Lara se aproximou no intuito de me abraçar.

— Nem vem! — ergui uma de minhas mãos e caí fora.

Não falei nem metade do que eu queria falar, não exigi explicações, não perguntei sobre as mentiras que me contou, nem quis saber se ela na real estava afim de mim.

Quando cheguei no portão de casa ouvi algo.

— Psssiu. Que gatinha hein. — olhei pra trás e sorri ao ver quem era.

— Cara, cê é tão viado. — encarei Duca enquanto ele estacionava na calçada.

— Eu só posso tá perdendo mesmo o repeito. — ele sorriu.

— Tá fazendo o que aqui otário? — me aproximei do carro.

— Que amorzinho. — ironizou. — Tá rolando uns lances na Sultão, vam'bora?

Encarei o carinha branco com o olhar expressivo e com um pote de gel no cabelo. Duca é meu parceiro desde o Rio. Ás vezes ele colava nos mesmos rolês, fazíamos algumas merdas como nos meter em rachas, brigar com motoqueiros de bar, e transar com mulheres de bandidos. Essa útima foi de arrepiar e posso dizer que é um dos motivos pelos quais eu tô em São Paulo morando com o babaca do meu avô.

Apesar de saber que o velhote vai me matar quando eu chegar em casa, decidi sair. Entrei no carro sem nem pensar duas vezes.

[...]

A rua estava lotada, tinha gente de todo tipo. Os errados, os certos que também eram errados, os malas, as piranhas e as mais variadas gatas. Carros nos rodeavam, motos enfileiradas dos dois lados da calçada e a prefeitura uma rua a frente.

— Boára minha gata. — neguim surgiu atrás de Duca e me encarou como um cão encara um filé.

— E aí. — falei sem dar moral.

— Pô gata, não rola nem um abraço? — ele abriu os braços.

— Rola sim... — olhei pra morena linda encostada numa captiva monstra. — Com aquela gata rola abraço e muito mais. — ela percebeu enfim o meu interesse e sorriu sem graça. — O que tem pra hoje?

— Logo mais vai rolar corrida, e quanto as gatas... — me olhou de cima abaixo. — Vai ter que mostrar o seu talento se quiser se dar bem aqui. — indicou o muro da prefeitura com a cabeça.

Eu sabia perfeitamente do que ele estava falando e voltamos a um dos muitos outros motivos pelos quais eu vim parar aqui.

— Cê sabe que eu não faço mais isso cara. — falei séria.

— Qual é morena? Faz isso pra ganhar a gata. — insistiu.

Pensei bem por um momento. Peguei a lata de spray e fui até o muro, optei por não fazer desenhos, apenas escrevi as síglas do meu nome e as "TDS" que quer dizer de nós todos. No fim indiquei a minha zona "ZS" e logo acabei.

— É isso aí, não tá perfeito mas a nossa Bô voltou. — Neguim me cumprimentou com um toque de punho. — Tu mereceu a mina. — ele chamou a morena com o dedo, e a gata se aproximou. Duca já tinha desaparecido, provavelmente tinha arrumado alguma gata. Encarei o corpinho da morena toda cheia de graça enquanto ela parava na minha frente.

— Oi. — sorriu.

— E aí princesa. — peguei em sua mão. Não fiz questão que Neguim a apresentasse pra mim, a conduzi pra um lugar mais reservado e depois de um papo curto, tipo dizer os nossos nomes e algum lance sobre calcinha começamos um beijo intenso e cheio de vontades.

— Você gosta? — perguntou ela mostrando sua calsinha.

— Ah eu gosto tanto. — comentei enquanto olhava a marquinha de biquini. A gata mordeu o lábio inferior e me empurrou contra a parede do beco. — Eu sou toda tua gata. — coloquei minhas mãos na nuca como se estivesse sendo revistada, o que na verdade estava.

O papo com a morena valeu a promessa quebrada ao velhote, não foi uma trapada sacana mas me fez esquecer a frustração com a Lara e deixar o começo da noite agradável.

— Diz aí, a mina é responsa? — Neguim ressurgiu de algum lugar e eu já não tinha mais saco pra aguentar o cara.

— Não te interessa. — respondi

Duca também brotou de algum lugar, sorria pra mim como se eu fosse um pônei.

— Qual é a do sorriso? Eu sou dentista agora? — ele apenas ergueu as mãos com graça e se afastou pra falar com uns caras. A música rolava solta e as pessoas continuavam dançando, bebendo, fumando e, com certeza transando por ali.

— Até parece que você ainda não percebeu que o cara tá todo afim. — zoou Neguim.

— Vai se fuder cara! — mandei.

— Calma gatinha. E aí, vai colar no rolê de sábado? — se aproximou e irritada me esquivei.

— Não. Tu sabe que eu não posso nem chegar perto desses lances. — peguei uma latinha de cerveja que estava dentro de uma caixa de isopor com gelo. Abri e dei um bom gole.

— Eu sei que você curte esse tipo de rolê gata... — me olhou daquele jeito escroto de novo.

— É verdade, cê ta certo mas eu não te curto. Tu é chato pra caralho e se não parar de me olhar assim eu vou enfiar essa lata de cerveja no seu... — já etava alterada quando ouvi o barulho da sirene.

— Caralho a polícia! — Duca se desesperou. — Bora, bora. — Um monte de gente começou a correr, alguns estavam de carro outros a pé, eu entrei no carro do Duca e ele cantou pneu, o cara voou com o carro mas havia uma viatura logo atrás da gente, viramos algumas ruas mas não conseguimos despistar os filhos da puta. — Bô, vou girar no próximo beco e tu pula. — Duca falou

— O quê? Ficou louco cara? — olhei pra trás e os caras estavam um pouco afastados de nós.

— Você não pode ir presa tá lembrada? Nem vou deixar. Faz o que eu disse. — ele não estava para discussões

— E tu cara? Não vou deixar um amigo na mão. — Duca sempre foi um amigo fiel, sempre me ajudou.

— Cala a boca e pula caralho! — ele girou o volante como havia dito e com o carro em movimento abri a porta e me joguei pra fora, rolei até uma parte escura do beco e a polícia passou por mim e nem me viu.

No fim eu já estava um pouco machucada, mas nada além de uns arranhões e ferimentos leves, me levantei coloquei a minha touca e segui por uma rua estreita. Me vi em uma rua mais movimentada e quando percebi, uma viatura estava bem atrás de mim. O carro estava me seguindo com lentidão. — Caralho! — sussurrei pra mim mesma enquanto começava a correr sem rumo. Logo entrei numa rua conhecida e quase caí de tanto correr, virei uma, duas, três ruas até perceber que eles não iriam descansar até me pegarem. Acabei por fim pulando um muro de uma casa até então pra mim desconhecida. Fui me esgueirando pelas paredes até chegar perto de uma das janelas da casa. A janela da sala estava fechada percebi que a viatura estava parada bem enfrente a casa e foi então que subi da janela da sala até a janela do segundo andar, dei uma de homem aranha e ao chegar numa área pequena com uma janela enorme e que por sinal estava aberta, entrei num quarto grande e meio retrô. — Me deixa em paz Dudu. — ouvi uma voz e aproximando então olhei pra um lado e pro outro procurando um lugar pra me esconder. — Inferno! — sussurrei. Se meu avô descobre essa, cara eu tô bem fudida. — foi aí que vi a porta do banheiro aberta e rapidamente entrei e a fechei. Tentei não me desesperar, afinal o pior que poderia acontecer é ser presa e o vovô ter que me tirar da cadeia de novo e me mandar pra uma escola na Espanha ou na Suíça, o que talvez não fosse tão ruim porque já tem um tempo que eu ando afim de pegar uma russa.

— Cause he was just a dick and I knew it Got me going mad sitting in this chair Like I don't care... — ouvi uma voz feminina cantar ao entrar no banheiro.

Porra!

— Droga esqueci a toalha. — disse a voz feminina, me posicionei do outro lado do box oposto ao chuveiro.

Agora eu me fudi.

Foi então que ouvi passos se aproximando, a porta do box foi aberta só até a metade e uma mão bem branquinha ligou o chuveiro e logo entrou no box uma garota de cabelos acobreados, nua virada de costas pra mim. foi só uma questão de segundos pra que ela se virasse com os olhos fechados e com o corpo todo de baixo do chuveiro. Não pude deixar de reparar em seu corpo todo molhado. A visão dela tomando banho era interesante, foram os dez segundos mais excitantes da minha vida se passando em camera lenta, mas aí ela abriu os olhos e os arregalou assim que me viu.

Merda!

— AAAAH... — tapei sua boca assim que ela começou a gritar.

— Shhh! — Reconheci seu rosto no mesmo instante em que nossos olhares se cruzaram.

É a ruivinha idiota que me colocou no rolo da escola nova. Seus olhos continuavam arregalados e sua cara de assustada era realmente impagável.


Notas Finais


E ai?


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