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História Mad Hatter (¡psycho!) - Capítulo 1


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Capítulo 1 - Capítulo Um.


   Alice sempre gostara daquele único balanço solitário que ficava no jardim, e ela havia insistido para que seu pai construísse. Ela quase conseguia se lembrar das vezes em que ela acordava os pais no meio da noite, apenas para um deles levarem-na para o balanço, onde ela se balançava cada vez mais alto, sonhando em tocar o céu.


  Agora, ele não passava de uma memória distante de sua infância, que fora esquecida juntamente às bonecas e livros de colorir. Memórias de dias felizes, onde eles moravam em Los Angeles e não em Gotham — provavelmente a cidade mais perigosa do mundo, onde todas aquelas histórias que ela costumava adorar, se tornavam reais. Tudo era real, Alice nunca pensou que ficaria assustada com isso. E não tinha mais o balanço, ele ficara para trás.


  O impacto de algo contra o pequeno e frágil corpo de Alice a fez despertar de seus devaneios, e encarar a porta do cômodo azul e rosa, o qual ela chamava de quarto. Seu irmão mais velho, Aaron, encontrava-se ali, segurando a figura sonolenta de um bebê.


  — Preciso que você vá ao mercado. — Disse ele e atirou alguns dólares em direção à cama da garota loura, que soltou um suspiro.


  — Por que você não manda Madeline ir? — Alice perguntou enquanto sentava-se na cama, a contragosto.


  — Ali, sabe que somos acordados durante a noite por Christopher e mal dormimos. — Aaron explicou e Alice revirou os olhos.


  Claro, e devemos citar o fato de que, aparentemente, Madeline nunca está para acalmar o filho e sim no Motel mais próximo?, Alice pensou mas claro que não disse ao irmão. Ele sabia sobre a esposa e seus companheiros mas não era agradável ser lembrado a cada cinco minutos.


  — Por favor. — Aaron suplicou à irmã mais nova, que assentiu lentamente com a cabeça.


  — Só vou tomar um banho, e já vou. — Disse Alice, recebendo como resposta um sorriso sincero de seu irmão e um pequeno choro de seu sobrinho.


  Alice encarou o espelho grande que estava ao lado da cama, e a garota de olhos azuis cristalinos a encarou de volta. Ela não conseguia aceitar o que via, era como se estivesse olhando para uma desconhecida e essa sensação a incomodava. Ela observou seu corpo, coberto por uma toalha vermelha que destacava ainda mais sua tonalidade doentia, seus olhos pareciam grandes demais para o resto de seu corpo e suas bochechas aparentavam terem sido sugadas, assim como o resto da vitalidade da garota. Até mesmo seus longos cabelos loiros haviam perdido seu brilho.


  A jovem balançou a cabeça e se afastou do espelho, ficar ali não adiantaria nada. Ela caminhou até o pequeno armário que encontrava-se em condição precária e pegou a primeira roupa que conseguiu distinguir no meio da bagunça — que acabou sendo um vestido delicado e azul. Ótimo, seria mais uma coisa para destacar o quão doente Alice parecia. Mas o desânimo era demais, para ela procurar alguma outra coisa.


[…]


  Alice nunca andara por Gotham sem a companhia de alguém, então tudo parecia estranho para ela. O fato de as ruas estarem mais movimentadas do que ela observava da janela de seu quarto era o que menos lhe chamava a atenção. Os policiais conversando em um tom de voz exagerado, sobre um interno — a definição “prisioneiro” soava estranha à Alice — do Arkham, que havia sido liberado, também não lhe chamavam a atenção.


  O que lhe chamava a atenção, era os letreiros dos locais que a ajudariam a chegar ao mercado. Alice sabia o caminho, mas não conseguia se lembrar. Em algum momento durante sua procura, ela sentiu o doce aroma de cafeína e camomila saindo de um dos estabelecimentos que ela passava e se viu obrigada a adentrar o mesmo e comprar algo. O dinheiro que ela carregava consigo certamente seria suficiente.


  — Olá, boa tarde. — Um garoto sorridente a cumprimentou, assim que ela se aproximou do balcão e foi capaz de observar os fios loiros que caíam por sua testa e seus olhos azuis. — O que deseja?


  O que deseja? A pergunta ecoou pela mente de Alice. Ela não sabia o que queria. Ela só havia tomado o café tradicional, não conseguia ler todos aqueles nomes estranhos que estavam estampados por todas as partes. Cappuccino? Ristretto? Lungo? Latte?


  — Eu recomendo você pedir um Latte. É provavelmente um dos melhores. — Um segundo garoto sorridente sugeriu, ao lado de Alice, com sua voz rouca, se apoiando no balcão. Este possuía olhos cinzentos que não possuíam uma cor definida, e fios naturalmente ruivos, que escapavam de um gorro.


  Alice percebeu que, com a chegada do segundo garoto, o primeiro estremeceu e passou a mão por baixo do balcão, como se procurasse algo. Ela franziu o cenho e assentiu levemente com a cabeça para o ruivo, e logo repetiu o pedido para o loiro que instantaneamente voltou a raciocinar as coisas. Mas Alice ainda conseguiu perceber suas mãos tremendo e pequenas gotas de suor escorrendo por sua testa.


  — São sete dólares, senhorita. — O loiro informou, se esforçando ao máximo para não olhar para o outro garoto. Ele parecia estar se esforçando muito.


  Quando Alice se preparou para pegar o dinheiro, o ruivo a interrompeu, segurando sua mão — o que fez um pequeno choque por todo o corpo de Alice, enviando leves estímulos para o coração da garota. Ele sorriu cordialmente, e tirou uma carteira de couro, do bolso interno de sua jaqueta, de onde tirou um cartão de crédito.


  — Eu pago o da senhorita, e também vou querer um Lungo. — O ruivo informou, ainda com aquele sorriso estampado em seus lábios e rosto. Seu sorriso era quase contagiante.


  Alice tentou argumentar mas, de alguma forma, ela sabia que seria inútil. O ruivo iria fazer aquilo que ele queria fazer e não seria uma garota vinte centímetros mais baixa que ele, que iria mudar isso.


  — Senhorita. — Ele sorriu, e Alice percebeu que segurava dois copos, um deles esticado em sua direção.


  — Obrigada. — Alice murmurou, acanhada, e esboçou um sorriso mínimo.


  — Bom, eu vou indo. — O ruivo anunciou e Alice assentiu.


  Quando o mesmo já estava se preparando para abrir a porta do estabelecimento e sair, sendo esquecido para sempre e tornando-se apenas uma memória na mente repleta de coisas de Alice, ela sentiu uma vontade inexplicável de não deixá-lo ir porque sabia que nunca mais se veriam novamente. Mal sabia ela, pobre garota.


  — Espera! — Alice exclamou com urgência, um pouco alto, atraindo olhares em sua direção os quais ela ignorou e correu na direção do garoto ruivo.


  — Huh? — Ele arqueou uma sobrancelha.


  — Eu nem sei seu nome. — Alice olhou para ele, curiosa.


  — Ian. Ian Gallagher. — Ele esboçou um novo sorriso. Esse continha divertimento e algo mais... obscuro?



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