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História Mad Love - FloraxHelia - Capítulo 1


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Notas do Autor


Oiê! Como prometido, trago-lhes uma história de romance do casal FloraxHelia! Eu ia postar mais tarde, mas, os primeiros episódios já estão prontos e esperem que gostem, pois, foi feito especialmente para fãs do casal!

Essa história vão ter insinuações dos outros casais, porém, a história é centrada no casal proposto.

Essa fic foi INSPIRADA na série da Netflix Toy Boy! Então, é a mesma história? Não kkkk é baseada, okay?

Espero que gostem ♥️

Capítulo 1 - Presente Surpresa



“Me ame, me ame assim
Me ame como se não fosse nunca deixar ir 
Me ame, me ame assim
Puco, puco, muy, muy lento 
Aproveite o seu tempo e faça-o exatamente como estávamos na Jamaica ou Nova York (woop woop woop)
Me ame, me ame assim
Me ame, me dê um amor louco...”

Mad Love - David Guetta ft Sean Paul and Becky G

Em um centro de pesquisa medicinal, onde realizavam experiências com ervas e plantas para tratamento de diversas doenças, trabalhavam quatro garotas dentro do laboratório. Uma delas era loira e tagarela, Chatta era animada e bondosa (com algumas pessoas) mas, falava mais que a boca e isso era, de vez em quando, uma desvantagem para si, a outra era Amore. Esta, amava um filme romântico ou como dizia Flora, “melodramas”, no qual, um dos protagonistas morre após viver um amor louco com alguém. Outra se chamava Lockette, possuía os cabelos curtos pintados de violeta, namorava com Chatta, era atrapalhada e vivia perdendo a chave de onde ambas moravam. Já a última, era a morena. 

-Meninas, está tudo pronto para o aniversário da Flora, não é? -Perguntou Chatta pela terceira vez naquela semana, enquanto jogava sua mochila farta sobre a mesa de metal da cor branca.

-Você fala tanto nisso, que uma hora, ela vai acabar ouvindo. -Alertou Amore, colocando as luvas de plástico e touca em seus cabelos compridos tingidos de vermelho. 

Mês de março era o aniversário da amiga que faria vinte e quatro anos e faziam dias que elas planejavam a tal festa surpresa em cumplicidade com a  secretária Digit, a moça que revisava os relatórios enviados pelas pesquisadoras, Tune e a recepcionista que se comunicava em libras, Piffy. 

-Mas, eu não consigo! É mais forte que eu! -Argumentou alto, fazendo as outras lhe olharem com um “quê” de ameaça. 

-Tenta fazer um esforço, amor, por favor. -Pediu Lockette, passando a mão nas costas da loira. -Vamos convidar a chefe?

-Lógico que não, dona Krystal não gosta dela, tá? Aquela dali não me engana, é uma pessoa racista. -Reclamou, cruzando os braços e assoprou a franja longa clara que já estava lhe incomodando e torcia para crescer rápido. Abriu o armário, pegando seu fichário, onde escrevia as anotações sobre as pesquisas que faziam. 

Naquela cidade havia sim, valores e morais racistas que segregavam a população negra da branca. O que desencadeavam discriminação implícita, injustiças e infrações na leis trabalhistas, sem qualquer assistência ou amparo.  O Centro de Pesquisa Limphea era um exemplo disso. 

-Eu não sei como a Flora aguenta...-Comentou a ruiva, também pegando seus materiais de trabalho de dentro do armário de metal. 

-É sério, gente, tudo tem que ficar impecável no aniversário da Flora e...

-Vão fazer festa para mim? -Questionou uma voz, pegando as três de surpresa. 

Chatta arregalou os olhos claros e os direcionou lentamente para a porta. Havia ali, uma moça de pele morena, não possuidora de muita altura e cabelos claros na altura do ombro, ondulados e cheios. A moça deu um sorriso e seus olhos verdes brilharam de animação com o que havia descoberto. 

-Eu não acredito! -Exclamou delicadamente, se aproximando das colegas de trabalho. 

-Nem eu. -Reclamou Lockette, lançando um olhar raivoso para a loira que sorriu amarelo e caminhou rápido.

-Bem...era surpresa. -Confessou Chatta, se escondendo atrás de uma confusa Flora. 

-Então, eu finjo que não sei de nada. -Sugeriu a morena, pondo seus pertences no armário e pegando seus objetos de pesquisa. Passou a mão pelo traje branco e se certificou de que não havia se sujado. Sua patroa detestava roupa suja dentro do laboratório e as vezes, ela pegava em seu pé repentinamente. 

-Agora, não tem mais graça, né. -Reclamou Amore, lançando um olhar repreendedor para a amiga loira. 

-Fiquem com raiva da Chatta não, ela só queria me fazer uma surpresa. -Ponderou a morena, defendendo a amiga geniosa. -Eu estou muito feliz por vocês estarem planejando uma festa para mim. 

Lockette sorriu. Flora se contentava com coisas simples e simbólicas, era uma mulher meiga, tímida e insegura...mas, era bonita e chamava sua atenção. Porém, tinha namorada e a morena era hétero. 

-Vamos dar um jeito nisso. 

-Que isso, não precisam se preocupar! -Riu e entrou no laboratório, após colocar todos os apetrechos de proteção. -Bom trabalho,meninas. -Desejou, assumindo seu posto. 

 

——-

 

Estacionou a moto no estacionamento da boate que se encontrava fechada, pois ainda era de manhã. Estava de folga do restaurante, onde trabalhava de garçom nos dias de semana e seguiu para aquele local, assim que recebeu uma ligação com a notícia finalmente, positiva. 

Entrou no estabelecimento, limpando as botas escuras e surradas em cima do tapete de cor marrom com a palavra “benvenuto” estampado em branco. Passou a mão nos cabelos negros e lisos, mesmo sabendo que estavam amarrados em um coque frouxo, fungou e adentrou no espaço. Passou os olhos pelo bar e sorriu, pois havia uma sensação de nostalgia lhe invadindo no momento. Hà muitos anos não pisava naquele local.

Lançou seu olhar escuro à diante e avistou uma pessoa. 

-Então, é verdade? -Indagou, com o timbre sério em sua voz. Ainda mais agora, com vinte e oito anos de idade nas costas. -Você saiu mesmo da prisão? -Se aproximou para abraçar o homem em sua frente. 

-É bom te ver também, Helia. -Comentou o loiro após abraçar o amigo, também, pondo a mão nos cabelos cumpridos. 

O mestiço passou os olhos no mais novo. Sky havia mudado, seu semblante despreocupado e ingênuo havia sumido e seus cabelos havia crescido também. Estava com um ar mais grave ou concentrado, na realidade, arriscaria dizer, mais desconfiado. 

-Você tem que me falar quem é a “santa milagrosa” que te livrou da cadeia. -Pediu e se sentou em um dos bancos perto do balcão do bar. 

-Minha nova advogada. -Respondeu minimamente. -É uma garota nova e ruiva. -Explicou. -Está me ajudando bastante.

-Ela deve ser boa mesmo. -Comentou Brandon, aparecendo no local. -Porque, te trouxe de volta e vai nos ajudar a reunir os Especialistas, novamente. 

-Acha que podemos voltar? -Perguntou Riven, já sentado no sofá da cor vermelha.

-Agora que estamos reunidos, sim. 

-Escutem, eu fui enganado e quero saber o que aconteceu naquele dia do assassinato. -Declarou Sky e Helia pode ter certeza que o amigo estava mudado. -Se voltar a fazer o que fazíamos, for me ajudar a adquirir essas respostas, eu estou dentro. 

Pois o braço para frente e mostrou a tatuagem do dragão azul no braço. Logo, os outros dois também mostraram suas tatuagens no mesmo local. Riven havia tatuado no pescoço e Helia havia feito no peito, em baixo de sua coruja. 

-Posso colocar vocês no catálogo, então? -Questionou o moreno demonstrando animação e recebeu acenos positivos dos amigos. -À volta dos Especialistas! -Comemorou, pegando uma garrafa de bebida e a abriu para servi-los. -Nesse final de semana, vamos estrear nossa volta. 

-Como vamos fazer isso? -Perguntou Riven, tomando um gole da bebida alcoólica no bico. Aliás, ele sempre ingeria daquela forma.

-Eu acho que seria bom nos apresentarmos vestidos de bombeiros, como na primeira vez. -Sugeriu o moreno, pegando o notebook. 

-A questão é, vocês ainda aguentam? -Perguntou Sky provando a bebida, não era forte, entretanto, não era sua preferida. -Porque, tem alguns que já estão fora da casa dos vinte. -Lançou um olhar de deboche para Nabu, que riu como resposta. 

-É por isso, que vamos ter que contratar mais um para o grupo. -Anunciou Brandon, também, se sentando no sofá. -Eu já puis o anúncio na internet. 

-Acha que vai vir alguém? -Perguntou o mais velho.

-Tá brincando? Quem não quer ser um Especialista? -Questionou, franzindo o cenho.

-Como você está? -Perguntou o mestiço, ao lançar o olhar para Sky e ver sua expressão indecifrável. 

-Com raiva. -Respondeu simplesmente, pondo o copo em cima do balcão. -Me fizeram perder tudo, eles me enganaram, Helia. -Declarou sério. -Mas, eles vão pagar por cada dor e sofrimento que eu passei. 

-Eu tenho certeza que vai dar certo. -Disse baixo e pois a mão em cima do ombro do loiro que engoliu em seco. 

-E você? Ainda está pagando a dívida?

-Eu consegui quitar, depois de cinco anos. Disse e esboçou uma expressão sarcástica. Também era uma pessoa que possuía dificuldades extremas e que, certas situações lhe fizeram perder tudo o que tinha. -E consegui uma moto. -Deu um meio sorriso, recusando a cerveja oferecida pelo amigo. 

-Mas, eu vou desfazer isso.

-Sky...

-Eu vou achar o culpado, Helia, e vou fazer ele sofrer em dobro. -Disse, demonstrando rancor e o mestiço notou nitidamente a mudança do amigo. Aquele timbre de inocência havia sumido, só esperava que isso não lhe fizesse mal. 

-Eu vou colocar a foto de vocês no catálogo e hoje à noite tem ensaio, viu, Rive! -Direcionou um olhar de cobrança ao homem de cabelos tingidos que ergueu uma sobrancelhas e resmungou algo como resposta. 

Sorriu. Era bom ter eles de volta presentes  naquele bar que sempre lutou para estar aberto até os dias atuais. Observou cada um de seus amigos que interagiam juntos, haviam ficado mais velhos e mudado bastante em suas peculiaridades. 

-Outra coisa, preciso do número de vocês para mandar fazerem as fantasias. -Anunciou, anotando algo em uma espécie de agenda. 

-Nós estaremos vestidos de que? -Quis saber Nabu.

-Bombeiros, é claro. -Sorriu. -Foi a fantasia que usamos na primeira vez que nos apresentamos. 

-Apagar o fogo de quem? -Indagou Riven, fazendo os outros rirem também. 

Ao menos, possuíam motivos para se divertirem de vez em quando. 

 

——-

 

-Eu-já-sei! -Exclamou Chatta pausadamente para as outras amigas. Aproveitou que Flora havia saído atrás do que dona “insuportável”, quer dizer, Krystal pediu em pleno horário de almoço e despejou sua ideia para as outras. 

-Já sabe, o que? -Perguntou Tune com seu típico tom de bronca e impaciência. A platinada era a mais organizada dentre as demais colegas e as vezes, reclamava demais do barulho que suas amigas faziam durante o horário de almoço. -Espero que esteja falando do relatório que você tem que me apresentar até o fim do dia.

-Não é do relatório, caramba! -Apontou para a revista de roupas íntimas da Victoria Secrets que Tune lia. -Vamos chamar um stripper para dançar na festa da Flora! -Anunciou, como se fosse a melhor ideia que já havia tido em sua vida. Se levantou da cadeira e sorriu para as demais. Porém, as reações foram totalmente inversas do que realmente esperava. 

Até mesmo a namorada não havia se animado. Ao contrário, riu ironicamente.

-Um stripper? -Fez expressão de dúvida.

-É! Mas, pode ser uma stripper também. -Respondeu, sem perder o ânimo. 

-Para a Flora? 

-Isso, Digit, para a Flora! -Desmanchou o sorriso. -Por que estão me olhando assim? 

-Chatta, a Flora não faz o tipo de mulher que gostaria de ganhar uma dança erótica, com direito à um homem arrancando a roupa na frente dela em pleno aniversário. -Disse Amore. -Isso seria constrangedor demais, não?

-Ah, qual é gente, imagina a cara que ela irá fazer? 

-A Piffy tem razão, você vai matá-la de vergonha! -Concordou Digit. 

-É e além disso, eu também não gostaria. 

-Quem te conheça que te compre, Tune, você é a mais safada dentre nós! -Acusou a loira, fazendo as outras rirem.

-Me respeita, viu, sua loira azeda. -Apontou para a amiga e suspirou. -Mas, eu concordo, acho que seria uma surpresa legal para ela.

-Viram? Tune concordou. -Sorriu satisfeita. 

-Ta legal, mas, tem que ser alguém com cara de príncipe ou de neném. -Exigiu Amore, também concordando. 

-E não pode ter cara de ator pornô. -Concordou Digit. 

-“Ser bonito e não ser apenas gostoso”. -Decifrou Chatta. -É, Piffy, vai ser meio difícil. -Fez careta. -Mas, a Tune sabe dos sites onde há catálogos de strippers. 

-Por que fica pegando no meu pé? -Indagou inconformada, se fingindo de ofendida e direcionou o tablet para as demais verem também. -Temos que fazer isso rápido, pois logo, a Flora chega. -Entrou em um endereço eletrônico, mostrando uma página que continha fotos de várias agências. -Homem ou mulher? 

-Homem. -Responderam Digit, Amore e Piffy. 

-Mulher. -Responderam Chatta e Lockette, que logo deram risadas. 

-Tá legal, homem. -Clicou em uma agência masculina, abrindo em outra página contendo fotos de cinco homens. 

Todas se aproximaram para analisar melhor todas as fotografias dos moços vestidos apenas com roupas íntimas. Pelo menos, não tinham cara de atores pornôs, ao contrário, pareciam modelos ou...deuses. Eram homens belos. 

Tune engoliu em seco. -Cara de príncipe, né? -Observou e apontou para o primeiro. -Tem esse “Sky” aqui. 

Era um homem loiro, com olhos azuis muito bonito e realmente, tinha cara de príncipe vindo de um conto de fadas. Era perfeito para dançar na festa!

-Liga, anda! -Mandou Digit, sem tirar os olhos das fotos. -A Amore tem a voz boa, ela fala. 

Chatta discou o número com o telefone da empresa e ligou. Queria fazer essa travessura à tempos contra a chefe chata que elas tinham.

-Deixa no volume alto que a gente quer ouvir. -Aconselhou e entregou o telefone à ruiva. 

-“Alô?” -Atendeu uma voz masculina. 

-Alô, é da agência dos Especialistas?-Perguntou. 

-“Isso mesmo.”

-Eu falo com quem? 

-“Brandon.”

Amore arregalou os olhos por um instante, ao observar a foto do tal homem com quem falava. Meu Deus, ele era lindo! Louvada seja a mulher que pois ele no mundo e sortuda era a namorada daquele sujeito. Se bem que, não era apenas a beleza que contava em um parceiro! Porém, e se ele fosse gay? Quase riu com os pensamentos que teve, mas, quando for seu aniversário queria ele dançando. 

-Você é bonito, ein...-Comentou aérea e ouviu uma risada rouca. 

-“Obrigado”. -Sorriu, era sempre assim e de certa forma, já estava acostumado com os flertes. 

-Bom, se trata de uma festa de aniversário no mês de março e estamos querendo um stripper. -Disse. -Decidimos contratar o loiro com cara de príncipe. 

-“Estão se referindo ao príncipe Sky?” -Usou o codinome, se divertindo com as reações das moças que ouviam e opinavam ao fundo. 

-Exatamente. -Sorriu. 

-“Eu sinto muito, moça mas, Sky vai estar indisponível nesse dia.” -Informou. 

-Sério? -Lançou um olhar desesperado às amigas e sussurrou: -E agora? 

-O moreno! -Exclamou Digit, também sussurrando. 

-E você? -Perguntou.

-“Eu também vou estar indisponível, moça”. -Informou, ouvindo reclamações insatisfatórias do outro lado. Ele tinha um compromisso com uma pessoa, não ia dar e Sky marcou um encontro com a nova advogada. Do jeito que estava indo, ele precisava dela.

Chatta pegou delicadamente o telefone da mão da ruiva e então, perguntou de uma vez: -Quem está disponível nesse dia? 

-“Deixa eu ver...o Riven...e o Helia.” 

A loira passou os olhos no primeiro. Possuía o porte físico atlético e cabelos tingidos de vinho, sua expressão...parecia de um lobo mal. Fez careta, era bonito, porém, não combinava com a morena.

-Nossa, olhem esse Riven...gente, ele é muito gato! -Exclamou Tune, admirando a beleza do primeiro candidato. 

-Ele tem cara de perverso. -Comentou Lockette e Piffy concordou com a amiga. 

-Imagina as perversões que ele pode fazer na cama. -Comentou a platinada com malícia e a loira tirou o tablet da mão da mesma.

-Se faz de puritana, mas é uma tarada! -Repreendeu e recebeu uma careta em troca. -O aniversário é da Flora e...

-Só tem o lobo mal e o Karatê Kid. 

-Karatê Kid? -Questionou e observou o homem detalhadamente. Não era chegada no gênero, mas, havia achado o mais bonito dentre os cinco. 

O rapaz possuía forte descendência asiática, seus olhos eram bem puxados e possuíam uma tonalidade escura de azul. Seus cabelos eram cumpridos, lisos e bem negros. Sua pele era alva, meio amarelada e haviam tatuagens sobre a mesma. Bem, na realidade, somente a coruja e o pequeno dragão. Seus músculos não eram muito rígidos, mas era perfeitamente desenhado e definido.

Riven também era tatuado nos braços e pescoço, além de ser bonito. E  se contratasse ambos para tirarem a roupa? Não! Abandonou a ideia rapidamente. Conhecendo Flora, um, já era capaz dela querer sumir, imagina dois...provavelmente, iria passar mal. Não iria ser legal e certamente, a festa acabaria cedo! Porém, dentre o lobo mal e o galã de anime, preferiu o segundo. 

-Helia. -Ecolheu. Senhor, ainda tinha nome de mulher. Girou os olhos, só esperava que Flora gostasse só um pouquinho dele, pois, eles cobravam caro. 

-“Muito bem, Helia, né? -Recebeu a confirmação. -“Hã...alguma preferência para fantasia?”

Franziu o cenho, pensando. Bombeiro? Muito clichê. Policial? Flora não gostava de polícia! Anjo caído? Muito Halloween, se bem que ela gostava de filme de terror. Médico....Definitivamente, não! Será que ela se animaria, se ele viesse de Jason da sexta-feira treze? 

-Uma fantasia medieval. -Sussurrou a namorada. 

-Não. -Franziu o cenho, pois, não fazia sentido.

-E se ele viesse de Karatê Kid? -Perguntou Amore rindo.

Chatta abriu a boca, é claro!

-Ele poderia vir com traje oriental. -Sugeriu ao telefone.

-“Traje oriental...” -Resmungou. -“Poderia ser um Kimono?”

-Isso! Nada muito extravagante e pede para ele não vir com essas cuecas fio-dental ou tanguinhas, tudo bem? 

-“Compreendido.” -Afirmou, anotando os detalhes em sua agenda. -“Estamos confirmado, então?”

-Sim! -Sorriu, se sentindo aliviada. 

-“Só me passa o endereço?”

-Com certeza! -Sorriu.

Flora havia chegado cinco minutos antes do horário de almoço acabar e apressava o passo para comer e terminar de fazer seus preparativos para voltar ao trabalho.

-Eu não acredito que você ficou até essas horas pagando conta para aquela mulher, Flora! -Reclamou Chatta, observando a amiga comer em pé. 

-Está tudo bem, eu só tenho que terminar o relatório com as informações da pesquisa com hortelã e...

-Eu termino esse relatório, agora senta, por favor! -Pediu e ergueu a cadeira para a amiga sentar. -Pelo menos, para comer.

A morena, após um suspiro, sentou no espaço oferecido e sorriu. 

-Você não existe, sabia? -Disse e riu para a amiga. -Eu trouxe café para vocês. -Apontou para a sacola enfeitada com detalhes rosa e dourado, sorrindo. -Por isso, eu demorei um pouco mais. 

-Obrigada. -Agradeceu risonha. -Mas, não faça mais isso. 

-Vocês estão com cara de que estão aprontando. -Comentou, se levantando para jogar o lixo fora. Depois, pois a touca plástica nos cabelos que havia cortado na altura dos ombros e clareado um pouco mais. 

-A gente...imagina, nunca! -Riu forçadamente. Sua maior dificuldade será manter a língua presa na boca até o dia da festa. Que tentação! Queria contar para Flora que ganharia uma dança erótica do Karatê Kid! 

 

——

 

Brandon apareceu, carregando extintores e entregou para cada um dos integrantes, já vestidos com as fantasias.

-E aí, ansiosos? -Perguntou, recebendo acenos positivos e parou em Helia. -Tem trabalho para você. 

O mestiço levantou uma sobrancelha indagativo. 

Helia’s pov - on

Eu havia ficado surpreso com a rapidez dos contratos particulares. Tudo indicava que realmente, estávamos fazendo sucesso com a nossa volta. Peguei o capacete da cor vermelha e puis em minha cabeça, sem antes, passar a mão novamente em meu cabelo para me certificar que estava bem preso. 

-São estudantes universitárias? -Perguntei ao moreno.

-Acho que são mais velhas. -Fechou o resto do uniforme preto com laranja. -Trata-se de uma festa de aniversário e acho que...é para a patroa. -Respondeu e passou a amarrar o cadarço das botas marrons. -Te passo o endereço mais tarde pela mensagem. 

Havia algo diferente em Brandon. Parecia mais animado e não era por estar prestes a se apresentar para um bando de velhas ricas e taradas ou patricinhas fúteis, havia alguém na plateia e eu já presumia quem fosse. 

-Estão prontos? -Perguntou, se posicionando no meio do grupo e apertou o play da música. 

Eu estava nervoso, haviam quatro anos que eu não fazia aquilo e no momento, parecia ser algo difícil e desesperador. Senti meu coração bater mais rápido dentro do peito, mas, se tornou uma sensação boa ao ver o público feminino e até, masculino gritando para nós. 

Vi o moreno sorrir e seus olhos brilharam ao os por em alguém na plateia. Stella. Não era uma dondoca, muito menos, fútil ou esnobe. Era simplesmente a dona de uma marca de cosméticos italianos e foi a primeira cliente dele. 

Brandon já teve que vender o próprio corpo para a família não passar fome. Porém, ao se encontrar com a suposta pessoa, percebeu que ela não era tão mais velha que si e também, se encontrava assustada diante da situação em que estavam. E, apesar do rapaz sempre impor a regra mais importante, referente à não se envolver com clientes, ele nunca me enganou. Sempre foi caído de amor louco por ela e...é quase provável que eles se gostavam. Porém, havia a ética que deveria ser pautada com precisão e se envolver dessa forma, era algo errado. Algo muito errado para os toy boys. 

Havíamos executado a coreografia impecavelmente como treinamos e ao fim, descemos do palco para elas colocarem o dinheiro em nossa cueca. 

Algumas sempre aproveitavam para passar a mão, ou para oferecerem o quádruplo se passarmos a noite com elas, fazendo programa. Eu não vou negar que a quantia era tentadora demais, mas, eu não precisava e não me arriscaria ir tão longe por dinheiro. 

Stella se posicionou em minha frente, sorriu e mostrou a nota, pondo em minha cueca.

-É bom ver vocês reunidos de novo, Helia. -Disse ela sorridente, eu acenei confirmando que ouvi o que ela disse e sorri minimamente. 

A loira repetiu o ato com os outros, porém, se enroscou no moreno e eu quase jurei que eles iriam se beijar ali mesmo. Contudo, não foi o que aconteceu. Mas, era o que ambos mais queriam e dava para ver.

Ao fim, entramos novamente no camarim para contar o dinheiro. 

-E então? -Perguntou Sky, usando tom de curiosidade. 

-Faturamos bastante. -Disse Brandon com satisfação, passou a mão na franja castanha lisa e a loira lhe deu um beijo no rosto, falou algo em seu ouvido. O vi rir e segui-la para algum local qualquer, após distribuir nossas partes. 

E depois, ele vem falar para mim que ela é uma simples cliente. Porra nenhuma, fiz careta sarcástica ao assisti-los sumir da minha vista. Nabu se aproximou de mim e entregou uma cerveja em minha mão, tentei negar, contudo, ele insistiu. 

-Só hoje. -Disse. 

-Riven, tem uma pessoa te procurando ali na porta. -Anunciou Sky, já vestido, apontando para o local, onde havia um homem parado. Franzi o cenho ao reconhecer o uniforme. Terno, óculos escuros em plena noite e traços asiáticos no rosto, só poderia ser da “Yakuza”, ou seja, a máfia japonesa. Só esperava que Riven não tivesse devendo, pois, muitos cobravam em dobro ou até mesmo, cobravam a vida em troca.

O rapaz de cabelos tingidos seguiu onde havia o tal sujeito estranho, à sua espera. 

Nabu entregou uma cerveja à Sky também, que sorriu e agradeceu.

-Eu já vou. -Avisou o mais velho dentre nós, pegando suas roupas e passando a vesti-las.

-Ué, por que? -Indaguei, após vestir minhas calças jeans escuras. 

-Tenho audiência manhã bem cedo. -Fez expressão de desagrado. -Aisha insiste em querer se divorciar de mim. 

-Você vai assinar isso mesmo? -Indaguei e Sky lançou um olhar igualmente curioso para Nabu. 

-Pensei que vocês iriam ficar juntos por bastante tempo. -Comentou o loiro e eu me identifiquei, pois, eu igualmente, pensava dessa forma sobre o casal. 

-Eu acho que ela ainda gosta de você. -Eu lhe disse.

-Não alimentem minhas esperanças. -Pediu, esboçando um sorriso triste e tomou o resto do conteúdo alcoólico da garrafa de uma vez, jogando no lixo. -Por mim, eu nunca me separaria dela, mas, porra...a Aisha é foda! -Reclamou chateado. -Nunca pensei que iríamos chegar nessa situação. 

Eu me senti mal por ele, até porque, fui padrinho do casamento. 

-Eu já vou. -Anunciou cabisbaixo e seguiu para fora da boate. 

-Acho que eu já vou também. -Disse Sky. 

-Quer uma carona? -Perguntei, mostrando as chaves da minha humilde moto. 

-Eu vou para a casa do Brandon. -Informou e sorriu, sentando no banco, depois, fez um gesto indicando que encararia um chá de cadeira por um bom tempo.

Eu concordei e senti meu celular vibrar. Era uma mensagem de Brandon contendo o endereço da festa, a hora e a data, primeiro de março. A aniversariante era pisciana, o oposto de virgem, o meu signo.   

Seria ela totalmente diferente de mim? Me perguntei e quase ri, quando li as exigências simplórias e a preferência pela fantasia. A sorte é que eu ainda guardava o “yukata” do meu pai e ele era da cor azul marinho com o “obi” da cor vermelho. 

Poderia fazer a coreografia que Nabu havia lhe ensinado. Sorri discretamente e desamarrei meu cabelo longo. Pelo menos, iria receber uma ajuda para terminar de pagar a moto e as contas de casa. Santa garota pisciana, estava lhe livrando de um buraco e ela nem mesmo sabia disso.


Notas Finais


Espero que tenham lhes agradado! Se trata de uma fic romântica e fofa, mas, claro que contém cenas adultas!

Feito especialmente para vocês, fãs desse casalsão ♥️

Era para ser um one shot, mas, vocês me conhecem, né! Obrigada e até a próxima!


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