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História Maddox - Capítulo 1


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Notas do Autor


Como estão?
Estou dando início a este livro que me rendeu horas de esforço, dedicação e concentração. Tudo para que pudesse apresentar essa história intrigante sobre dominação e amor.
Espero que gostem e me acompanhem até o final.
Bjinhos ❤️

Capítulo 1 - Prólogo


Fanfic / Fanfiction Maddox - Capítulo 1 - Prólogo

O barulho parecia estar vindo de longe. Era como um zumbindo, esmagando seus tímpanos e a torturando. Ela só queria que parasse. A dor, o frio, o medo... Estava cansada de se sentir assim, e sempre se perguntava: Quando foi que não teve medo? Durante todos aqueles malditos anos, quando foi que não sentiu dor? Quando foi que soube o que era ser feliz?

Fechou os olhos, rezando para ser ouvida. Sua mãe sempre lhe dizia que existia um Deus, que ele tinha piedade de todos que o amavam. Ela tentou acreditar naquilo. Com o coração apertado, sentindo aquela dor imensurável, ouvindo aquele zumbido, tentando não gritar a cada pedra que rasgava sua pele enquanto ele a arrastava feito um monte de lixo. Ela rezava e implorava por misericórdia.

Por um último ato humanitário.

O vento parecia rir, uivando por entre as árvores. Frio, dor, desespero. Um cansaço que a entorpecia. Ela se desligou por um breve momento, despertando em um salto. Não, não se deixe derrotar. A dor parecia rasgar seu interior. O vento entrava e percorria suas roupas, fazendo seus ossos congelarem. Apertou os olhos com mais força, evitando derramar as lágrimas.

Talvez não demore. Talvez ele... Sua respiração engasgou, então apertou as mãos sobre o abdômen. Estava úmido. Sangue. O seu sangue. Cobrindo suas mãos e manchando sua pele clara, fazendo aquela dor transcorrer por seu corpo gelado. Um gemido baixo lhe escapou e ele parou. Seus calcanhares bateram tão fortes no chão quando foram largados, que o choque aquietou a dor em seu abdômen. Não, não, não, não, não.

O pavor congelou qualquer ação planejada durante o trajeto. Ele estava ali, sorrindo. Parecia contente demais em estar se livrando dela, como se já tivesse a usado o bastante e agora não servisse mais. Era como um demônio. Os olhos castanhos brilhantes. Saboreando sua dor, seu pânico, sua fragilidade. Sugando o pouco da inocência que restara em seu pobre e miserável ser. Ela finalmente sentiu uma lágrima solitária escorrer sobre sua face, transmitindo um comichão enquanto se dirigia ao seu ouvido.

O cansaço parecia estar voltando. Seus olhos piscavam lentos e sua cabeça parecia pesar. Ela não iria conseguir. Esta acabado. Ele... Ele vai vencer. Outra vez. Como sempre. Finalmente se deixou vencer, cansada demais para revidar. Com dor demais. Fechou seus olhos, apenas sentindo o corpo ser empurrado para a esquerda. Não lutava mais. Grunhindo assim que as costas acertaram o fundo de algo, duro, frio, e que aceitou seu corpo de bom grado. A dor ainda percorria seu corpo, mas ela se sentiu anestesiada. Enfim, recebendo um descanso.

Não recordava quanto tempo ficou ali, entre o entorpecimento e um resquício de sanidade. Horas? Minutos? Não importava. Estava escuro, sufocante. Tinha que sair dali. Sim, ela tinha que lutar para se livrar daquele gosto metálico na boca. Precisava estender a mão. Cavar. E, com uma dor crescente, se pôs a fazê-lo. Devagar. Respirando fraco, sem desperdiçar aquele pouquíssimo ar. Tão raso e difícil de sugar para dentro de sí.

Estou chegando lá. Calma. Mais um pouco... Oh, Deus! Eu preciso sair daqui. Seus dedos rasgavam. Doiam. Algumas ervas ou talvez raízes, embrenhadas na terra lhe perfuraram a pele. Ela não parou. A dor era seu estímulo. Ele havia ido embora, tinha certeza disso. Era sua vez de sair. O momento que tanto ansiava. Empurrando mais para cima. Ela sentiu a garganta fechar, a cabeça parecia longe e rodando em um espaço alternativo. Ar. Ela precisava apenas de um pouco de ar. Frio. Não conseguia mover o rosto, mas se pudesse ela iria estar sorrindo. Finalmente sua mão saiu para fora da terra.

Força, apenas um pouco de força. Cansada, pôs um pouco mais de força, então finalmente estava se arrastando sobre a terra úmida. Puxou seu corpo sobre a terra, sentindo a dor pulsante em cada nervo, veia, osso, poro e artéria. Estava muito frio. E molhado. Tremendo dos pés a cabeça, virou o corpo em um baque surdo e sentiu a fina garoa lhe molhar. As lágrimas surgiram e escorreram junto da chuva por sua face. E ela sorriu.

Conseguiu. Não foi difícil, não é? Sorrindo, se concentrou na respiração. Expirar, inspirar. Expirar, inspirar. Expirar... Um gemido. A dor. Aquela maldita dor. Culpa dele, sempre havia sido e iria ser culpa dele. Ela apertou os olhos, deixando de sorrir e focando em si mesma. Você é forte. Não desista. Levante.

O vento cortava as copas das árvores, se dirigindo para ela. Seu corpo tremia. Doia. Parecia estar a beira de um colapso. Mas faltava pouco. Ela sabia disso. Bastava percorrer um curto perímetro. Alguém iria ajudar. Tinha que ajudar. Determinada, apertou os lábios para reprimir um grito, cravou os dedos na terra molhada e impulsionou o corpo. O ar escapou de seus pulmões. Era como um soco no estômago. Certeiro, doloroso, cruel. Apertando os lábios, ao ponto de sangrarem, dobrou as pernas e impulsionou o corpo, outrora sentado, finalmente se erguendo. Estava fraca demais. Levou um braço para trás, antevendo o que lhe ocorreria e, conseguindo ficar de pé com o auxílio de um tronco grosso.

Caminhe. Caminhe. Vá. Vá. Vá, vá!, Obedecendo a seu subconsciente, ela pôs um pé na frente do outro. Suas mãos buscando troncos. Seu abdômen sangrando. O corpo doendo. A mente doendo. Estava frio, muito frio. Ela lutava para não desmoronar. Não podia. Sem chances de ser dele novamente. A dor parecia cortar sua alma. Alma? Eu ainda tenho isso? Se perguntava, com um ódio imenso. Continuando. Um pé, depois o outro. Quase. Ela sabia que estava quase lá.

Finalmente as luzes estavam ali. Pareciam quentes, de braços abertos. Sim, elas queriam lhe ajudar. Só mais um pouco. Ela parou. Seu corpo se apoiou na última árvore. Frio, cansaço, dor, medo. As luzes mais perto. Mais perto. Quase lá. Agora.

Se soltou do tronco, obrigando seu corpo a se mover. Seus pés descalços, sangrando e machucados encontraram o asfalto. Ela seguiu. A luz ficando mais forte. Sabendo o que viria em seguida, olhou diretamente para a luz que vinha em sua direção, ficando mais forte. Intensa. Lhe cegando. E então, finalmente contemplou a escuridão.


Notas Finais


Editado: 21/01/2020

Escrito por: Camila Pereira

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