História Made For Me - Capítulo 2


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Categorias Barbara Palvin, Chaz Somers, Harry Styles, Justin Bieber, Lily Collins, Sabrina Carpenter
Personagens Barbara Palvin, Justin Bieber
Tags Amizade, Amor, Barbara Palvin, Harry Styles, Justin Bieber, Lily Collins, Romance, Sabrina Carpenter
Visualizações 17
Palavras 5.489
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Ficção Adolescente, Romance e Novela
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Spoilers
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Espero que gostem.
Boa leitura 💖

Capítulo 2 - Trágico


“Eu cometi alguns erros

Eu mesmo que cometi

Sou o único culpado” — No pressure, Justin Bieber (feat. Big Sean)

7 de janeiro de 2019. Canadá, Toronto, Ontário — segunda-feira, 5:58 pm.

•Tree Valley High School•

Justin Bieber Point Of View

— Você sabe que está ferrado com isso, não sabe? Eu acho que foi muito bem feito.

— Eu sei, Christian, não precisa ficar me lembrando de dez à dez minutos.

Ele riu e olhou para o relógio pendurado na parede atrás da mesa da secretária, que nos lançava olhares maliciosos de segundo a segundo e se inclinava para frente a todo momento para mostrar seu decote.

Eu já tinha provado aquela. Seus gemidos tinham me deixado com dor de cabeça, eu não pretendia repetir.

— Eu te disse que Ashley não era confiável desde o início. Gosto de jogar na sua cara o quanto eu estava certo.

Revirei os olhos e olhei para o teto, suspirando cansado. Foi minha vez de olhar para aquele relógio, o ponteiro parecia andar mais devagar que o normal. Eu já estava a mais de 30 minutos sentado na cadeira dura da sala de espera. Christian insistiu em ficar aqui esperando comigo, deixando até mesmo sua namorada para trás. Às vezes eu brincava com ele dizendo que suas intenções comigo eram outras, da última vez que falei algo do tipo levei um soco. Então parei por ali.

Minutos depois a porta da diretoria foi aberta, e de lá o Horan saiu com um olho roxo e o nariz com um curativo ridículo. Ele olhou para mim tentando fazer uma expressão de raiva, falhando miseravelmente por causa de seu rosto pouco deformado. Ouvi o riso baixo de Beadles ao meu lado.

— Você realmente fez um estrago nele, Bieber.

O diretor Ghen parou na porta e me encarou.

— Vamos lá, Justin.

Me levantei.

— Você quer que eu te espere? — Chris perguntou.

— Vai com a sua namorada, Beadles. Ela deve estar uma fera por você ter deixado ela sozinha. Eu me viro por aqui.

Ele cerrou os olhos e assentiu.

— Boa sorte lá irmão. — Foi a última coisa que ouvi antes de bater a porta.

O senhor de quarenta e poucos anos já estava sentado na sua cadeira me analisando. Pela janela atrás dele eu conseguia ver o campo de futebol americano, onde outros times já jogavam e as líderes de torcida animavam o pessoal da arquibancada. Eu queria estar lá.

Me sentei na frente dele despojadamente. Eu naquele lugar já não era mais novidade. Já tinha até decorado seu discurso.

— Senhor Bieber, eu estou realmente decepcionado com você. — Ele começou. — Pensei que depois da nossa última conversa você iria rever suas atitudes e parar de se envolver numa encrenca toda semana.

Desviei os olhos e os revirei discretamente.

— Olhe para mim quando eu estiver falando com você, Justin. A conversa de hoje é séria. Sente-se direito. — Lhe mandei um olhar com as sobrancelhas arqueadas, mas por fim, resolvi fazer o que ele mandou e me indireitei no estofado. — Eu já te dei várias chances, sempre deixei passar quando você fazia alguma babaquice e as punições eram leves. Mas dessa vez você foi muito longe!

— Foi só uma briguinha à toa, Ghen.

— Justin, você quebrou o nariz dele! — Ele exclamou como se fosse um absurdo.

Sorri de leve me lembrando da sensação do meu punho na cara daquele otário. E eu tinha saído apenas com um machucado no supercílio e um corte no lábio inferior. Eu sentia minhas costas dormentes pela hora que caímos no chão, elas deviam ficar assim por mais alguns dias.

Eu não ligava, os meus problemas eram menores que os do Horan, com certeza.

O diretor respirou fundo e se acalmou um pouco.

— Tudo bem Justin, agora quero ouvir sua parte da história. E pelo amor de Deus, o que a senhorita Benson tem a ver com tudo isto?

Trinquei os dentes e decidi contar. Quanto mais cedo e resumido eu fizesse, mais rápido eu sairia dali.

Comecei a contar a versão curta da história.

— Eu namorava com Ashley a 7 meses, mas no 3° mês fizemos um acordo, nosso relacionamento seria aberto. Estava dando tudo certo, mas de uns tempos pra cá, Ashley começou a sentir ciúmes e a exigir que eu ficasse só com ela. Pensava que era minha dona e fazia um choro falso quando descobria que eu fiquei com outra. Então eu decidi terminar aquilo de uma vez no mês passado, só que antes de terminarmos — Dei uma pausa e cerrei os punhos —, eu havia contato para Ashley a estratégia que nosso time havia montado para ganhar no jogo de hoje. Achei estranho quando uma semana depois Niall disse que iria jogar sair do time, mas deixei pra lá. Fiquei surpreso ao vê-lo no entrando com o time adversário. Hoje eu estava até achando estranho que os jogadores do outro time já sabiam pra quem íamos passar a bola, ou para onde iríamos no campo. No intervalo do jogo, eu estava mais afastado do time bebendo água, quando escutei uma conversa vinda de atrás da arquibancada. Quando cheguei lá, vi Ashley e Niall conversando, ela com o celular na mão. E ambos ouvindo um áudio com a minha voz explicando todo o nosso plano para o jogo. Óbvio que eu não iria bater em mulher, mas falei poucas e boas pra ela. E depois soquei Niall porque além de roubar nosso plano e ter abandonado nosso time, ele já estava me irritando a tempos.

Terminei de contar a história toda e o Ghen continuou com a mesma cara de taxo. Por fim, suspirou.

— Eu não sei se acredito em você.

— Óbvio que acredita, há motivos para ser mentira?

— Niall me contou uma história diferente. Disse que Ashley te deu um fora quando vocês terminaram para ficar com ele já que os dois estavam apaixonados e você ficou furioso. E atrás daquela arquibancada você bateu nele pois viu os dois se beijando.

Revirei os olhos ouvindo a história ridícula de Niall e sorri sarcástico.

— Qual foi o motivo de eu ter vindo parar aqui nas últimas 2 vezes? — Ele não respondeu.

Na primeira fui pego no meu momento íntimo com uma garota — que não é Ashley — no banheiro feminino. Algumas garotas fofoqueiras abriram a boca para a direção. A segunda foi por me verem quase tirando minhas roupas junto com as de uma garota no vestiário masculino.

Essas eram algumas das provas de que eu não estava apaixonado. Eu sabia que se sentisse algo pela Ashley, não conseguiria pensar em nenhuma outra garota, só teria olhos para ela. E com certeza a palavra "trair" não estaria no meu vocabulário.

E eu digo por experiência própria.

— Senhor Bieber, mesmo você me explicando isso, não posso apontar qual lado é o certo e o errado da história. Nós não temos provas concretas e atrás das arquibancadas não tem câmeras. — Bufei. — Portanto as leis do colégio são claras. Qualquer tipo de ato violento dentro da escola leva a expulsão do aluno. E eu tive que fazer isso com você e com o senhor Horan.

Meus olhos quase saltaram do rosto.

— O quê? — Perguntei incrédulo.

— Eu fiz o que pude para tentar colocar você na linha, senhor Bieber. — Ele se levantou e caminhou até um móvel alto cheio de gavetas. De lá tirou dois papeis e caminhou de volta até o seu lugar. — Você é um aluno ótimo, creio que tem um futuro brilhante pela frente, mas sua personalidade "esquentadinha" atrapalha isso. Eu sinto lhe informar, mas essa expulsão pode te atrapalhar na hora de ser aceito em alguma faculdade.

Eu continuava parado, estático. O único pensamento que me vinha na cabeça era em como eu ia ouvir meu pai falar no meu ouvido.

— Assine aqui.

Ele me deu uma caneta e indicou uma parte da folha. Eu assinei e lhe entreguei a caneta, ganhando o papel que eu assinei juntamente com meu boletim em troca.

— Eu sinto muito, Justin. Você pode recolher suas coisas no seu armário e ir para casa. Mas se quiser ficar para ver o resto dos jogos... — Ele deixou a frase no ar.

Me levantei da cadeira sem falar mais nada e caminhei até a porta.

— Hã, você poderia chamar a senhorita Benson?

Eu o olhei por cima do ombro e fechei a porta sem lhe responder.

A secretária indireitou a postura imediatamente, mas nem olhei para ela. Saí daquela sala de espera e cheguei no corredor do terceiro andar.

Desci um lance de escadas e fui até o meu armário, pegando minha mochila e a chave da minha harley e batendo a porta do armário, sentindo uma pontada de dor no local. Quando olhei para elas, percebi que os nos nós dos meus dedos continha sangue seco.

Nem liguei para isso. Desci mais um lance de escadas e caminhei em direção a saída da escola, os corredores vazios pelos alunos estarem no campo.

Quando cheguei ao estacionamento, encontrei 3 caras do time encostados num carro. Todos eles com expressões nada boas.

— Perdemos o jogo, Justin! Eu ainda não acredito que nossa estratégia não deu certo. E depois que substituíram você então, fomos de mal a pior! — Disse um deles — O que aconteceu, cara? — Perguntou outro.

— Eles sabiam da nossa estratégia. A Benson contou para Niall, que deve ter contado para o resto do time. E bom, acabamos de ser expulsos por violência na escola. — Soltei um riso fraco os encarando. Estavam boquiabertos.

— Isso é sério?

— Eu nunca falei tão sério na minha vida. — Ajeitei minha mochila sobre o ombro. — Eu quero que façam uma coisa.

— Pode falar.

— Façam da vida de Ashley um inferno nesse colégio. E dêem uma surra em Niall fora da escola. — Enfatizei a palavra fora. — E pelo amor de Deus, ganhem desses bostas no próximo jogo.

Todos os três assentiram com sorrisos maldosos. Por fim, me despedi deles e caminhei até minha moto, montando nela e saindo dali.

As ruas de Toronto nunca estavam vazias. Passei por carros e atravessei sinais vermelhos indo além do limíte de velocidade permitido. Eu não me importava, naquele momento tudo que eu sentia era raiva.

Eu só não esperava encontrar duas viaturas parando as motos a algumas ruas do meu apartamento. Um dos policiais fez um sinal para que eu parasse, e ali eu soube que estava ferrado.

***

Voltei para casa apé naquele dia.

Joguei minha mochila em cima do sofá e fui em direção a cozinha para pegar um copo d'água. Quando voltei para a sala, encontrei meu celular tocando em cima da mesa de centro. O nome Valu brilhava na tela. Era a namorada de Christian.

— Alô?

— Justin! — Era a voz de Christian berrando do outro lado da linha. Havia muito barulho atrás. — Como assim você foi expulso?

Eu ri.

— Já está sabendo disso?

— Estão todos comentando que você e o Horan foram expulsos aqui nas arquibancadas, acho que eles nem prestam mais atenção no jogo! Esse povo deveria cuidar da própria vida na minha opinião.

— É, eu fui expulso por violência na escola. — Me joguei no sofá enquanto procurava o controle da televisão. — Mas está tudo bem cara, já deixei um recado com os caras do time. Meu pai deve me matricular em outra amanhã mesmo. Semana que vem já vou estar em outro colégio.

— Porra, Justin! Vai me deixar sozinho aqui? Quem vai cuidar da Valu quando eu tiver que ir em algum lugar? Você sabe que essa escola está cheia de idiotas que não respeitam moças compromissadas.

— Mudem de escola também. — Disse como se fosse a coisa mais fácil do mundo e ele riu. — É sério, eu vou ficar bem. Infernize a vida do professor de inglês por mim. Velho chato...

— Credo, você está falando como se nós nunca mais fossemos nos ver. Eu ainda vou na sua casa ou vamos sair com a Valu, não pense que se livrará de mim tão cedo.

Christian tinha sido meu melhor amigo desde que entrei na Valley, logo depois de me mudar de Stratford. Eu sentia que ele era o único que era meu amigo pelo que eu sou, e não pelo dinheiro que meu pai tinha.

E claro, tinha Valentina. Pessoa que eu mesmo havia apresentado para Christian no ano passado. Tinha orgulho de dizer que fui eu que juntei aquele casal.

— Prenderam minha moto. — Soltei de uma vez.

— Oi?

— É. Eu estava pilotando muito rápido e tive o azar de passar na rua em que tinham policiais. Vou juntar um dinheiro e tira-la de lá, tenho certeza que meu pai não vai fazer isso.

— Puta merda, você é realmente um azarado. — Ouvi uma movimentação do outro lado, logo outra voz se fez presente.

— Ei, Justin. — Cumprimentou com uma voz calma.

— Ei, Valentina.

— Eu vou pegar o Christian um pouco, ele prometeu me levar para tomar sorvete e você está atrapalhando nossos planos. Pare de roubar meu namorado!

— Desculpe Valu, não é culpa minha se ele me ama mais do que ama você.

Ela soltou uma risada.

— Você se ilude de mais. — Ela tampou o microfone e ficou em silêncio por alguns segundos, voltando em seguida. — Bom, a gente tá indo. O Chris te mandou um tchau. Beijo!

— Até. — Me despedi

Olhei para o relógio, eram 18:43. Hoje eu tinha que trabalhar, mas o restaurante em que eu era garçom ficava do outro lado da cidade, e sem minha moto eu não chegaria a tempo. Peguei meu celular de novo e disquei o número do meu chefe.

— Ben? Sou eu, Justin.

— Olha se não é o sumido. Decidiu finalmente dar sinal de vida?

— Desculpe. — Pedi contra a minha vontade. — Eu liguei para avisar que não vou poder aparecer aí hoje.

Ele riu alto. Muito alto. Afastei o telefone do ouvido não entendo a graça.

— Ai, como você é hilário.

— Eu não entendi.

— Justin, você achou mesmo que faltando 2 semanas de serviço sem motivo algum você iria continuar trabalhando aqui como se nada tivesse acontecido?

Meu queixo caiu.

— O quê?

— Isso mesmo. Audrey está te ligando a dias para você vir receber seu pagamento final, mas você nunca atende.

Audrey era uma garçonete que vivia dando em cima de mim. Achei que ela estivesse me ligando para encher meu saco, por isso ignorei todas.

— Ben... — A campainha tocou. Me levantei ainda atordoado com o celular na mão e nem pensei em olhar para o olho mágico. Abri a porta encontrando o sindico do prédio parado com uma expressão séria e uma prancheta na mão.

— Justin, você está despedido. — Disse Ben do outro lado da linha.

— Justin Bieber, você está sendo expulso desse prédio pelo volume alto vindos do seu apartamento após às onze da noite. Você tem direito a 48 horas para recolher suas coisas e dar o fora daqui. — Foi curto e grosso. Eu continuei olhando para ele não acreditando. Ao ver que eu não falaria nada, ele deu as costas e entrou no elevador.

Minha vizinha, uma senhora chata de 80 anos, me olhou da sua porta com seu sorriso amarelado e bateu porta. Só então percebi que a chamada já havia sido encerrada.

Não tinha como o dia ficar pior.

***

Eu sempre gostei de ser independente. Quando cheguei a Toronto, imediatamente procurei um emprego. Depois de uns meses trabalhando, comprei meu apartamento. Ao ver meu esforço, meu pai me deu minha harley de presente. A minha vida estava feita, mas agora parecia que tudo estava escapando entre meus dedos.

Quando me deitei na cama naquela noite, meu celular tocou mais uma vez. Cansado, o alcancei na cabeceira da cama e vi o nome do meu pai brilhando na tela. Pensei em ignorar, não estava com cabeça para ouvir sermões. Mas se eu desligasse seria pior.

— Justin Drew Bieber, eu não acredito! — Jeremy berrou

— Oi pai, boa noite para o senhor também.

— Não desvie do assunto, Justin. Você quebrou o nariz dele? Expulso da escola? Moto presa? O que deu em você hoje, Justin? Sua mãe está uma fera!

Passei a mão do rosto e resolvi contar de uma vez.

— Pai. Eu fui despedido. E também expulso do prédio.

Ele ficou em silêncio percebendo o tom cansado na minha voz.

— Tudo bem. Nós temos que conversar melhor pessoalmente, eu gritar com você não vai adiantar nada. — Assenti mesmo ele não podendo ver. — Eu não te liguei para isso. E sim para te contar que eu fui transferido no meu emprego.

— De novo? — Perguntei, sabendo que teria que me mudar junto com ele para seja lá onde fosse agora que não tinha casa, emprego, moto e nem dinheiro.

— Sim. Eu te liguei para falar que nós estamos voltando para Stratford.

Não. Não, não, não.

— Pai...

— Não é escolha minha, Justin. Você sabe que se eu pudesse eu ficaria aqui com você. Mas quem decide isso é o chefe. — Suspirei. — Vamos fazer assim. Você dorme aí hoje e amanhã de manhã trás suas roupas para cá. Depois nós levamos esses móveis para tentar vendê-los para algum brechó e na quinta-feira nós voltamos. Eu te dou um tempo para se despedir dos seus amigos. Depois nós tiramos sua moto de lá.

— Tudo bem, pai, foi um dia e tanto. Agora eu só quero dormir.

Ele ficou em silêncio por um tempo.

— Eu entendo. Boa noite. — Desliguei.

Coloquei meu celular sobre o criado-mudo. E encarei o teto, até meu olhar cair para um porta retrato de Jazmyn e Jaxon em cima da minha cômoda.

Quando eu saí de Stratford Jazzy tinha 8 e Jax 7. E eu sequer vi eles — e nem ninguém de Stratford — nesses dois anos. Menti para todos ao dizer que os visitaria nas datas comemorativas.

Apaguei a luz e me acomodei na minha cama, fechando os olhos e deixando o sono me consumir.

***

Toronto ficava a 2 horas de Stratford. Nas últimas noites eu não tinha conseguido dormir, sonhos do meu último dia em Stratford me pertubavam toda vez que eu fechava os olhos. Mas naquela madrugada, quando encostei a cabeça no banco do carro, finalmente consegui dormir.

Eu acordei horas depois. E já era dia.

Estava morrendo de fome.

— Você acordou bem na hora.

"Bem vindo a Stratford"

Respirei fundo vendo as ruas conhecidas por mim passando como um borrão no vidro do carro. Cocei os olhos e me indireitei no banco.

O rádio tocava uma música desconhecida por mim, mas que meu pai cantava baixinho. Ele me olhou rapidamente e parou de cantar.

— Você está nervoso? — Perguntou com os olhos na estrada.

Demorei a responder.

— Um pouco.

— Me desculpe por fazer você passar por isso, Justin. Você sabe que eu ficaria em Toronto se eu pudesse, mas temos que admitir que já estava na hora de visitarmos nossa família. Dois anos não é pouco. — Disse com um pequeno sorriso.

— Sim. — Falei simplesmente. Depois disso, ficamos em silêncio.

O caminho até minha casa era de 15 minutos. Abrimos o vidro e ao longo do caminho as pessoas iam cumprimentando meu pai e faziam caras estranhas para mim. Talvez não me reconhecessem. Passamos também em frente a minha antiga escola, onde o estacionamento estava lotado de alunos que chegavam a todo momento. Franzi o cenho e olhei para o meu relógio de pulso, vendo que eram 7:46.

Passei o olhar pelo lugar buscando alguém conhecido, o que era bem fácil sabendo que na época em que eu estudava na Saint Marine eu conhecia basicamente todo mundo.

— Pattie quer te colocar na Saint de novo.

Olhei para o meu pai apreensivo.

— Tem outras escolas em Stratford.

— Eu sei, Justin. São manias da sua mãe. Ela não sabe exatamente porque você resolveu ir comigo, ela insiste até hoje na história de você com a...

— Tudo bem, pai. Eu converso com ela depois.

Vi ele franzir as sobrancelhas.

— Meu Deus filho, se eu pudesse eu mudava tudo.

— Eu já superei, pai. — Resmunguei olhando para a janela, vendo que nos aproximávamos do meu bairro. — Não sou mais aquele garotinho bobo.

Depois disso ficamos em silêncio.

Minutos depois meu pai virou na esquina da rua bastante conhecida por mim. Antes mesmo de estacionarmos o carro na frente de casa, a porta se abriu e uma figura com cabelo castanho e baixa saiu de lá correndo. Sorri ao ver minha mãe esperando o carro parar com um sorriso enorme.

Meu pai foi o primeiro a sair, ele mal parou o carro quando abriu a porta e correu lá pra fora tirando minha mãe do chão quando a abraçou. Eu desviei o olhar quando eles começaram a se beijar.

Tirei o cinto e abri a porta, saindo do carro lentamente e caminhando até Pattie com um sorriso de canto.

Eu só não esperava receber um tapa.

— Au!

— Isso é por você não ter mantido contato. — Me bateu no outro braço. — Isso é por ter feito mais tatuagens. — Mais um. — Isso é pela moto, escola, apartamento e emprego.

Abaixei a cabeça e levantei somente os olhos para ela. Vi sua expressão de raiva se derreter num sorriso e ela logo me puxou para um abraço.

— E isso é pela saudade que eu estava de você.

A abracei de volta.

— Desculpe por não ter ligado. Eu também senti saudade.

Ela se afastou minimamente e segurou meu rosto com as mãos.

— Você está tão alto e lindo, Justin! Meu filho é o garoto mais bonito do mundo.

Sorri, sabendo que praticamente todas as mães tinham a mesma opinião sobre seus filhos.

— Você parece ter diminuido 20 centímetros.

Recebi outro tapa.

— Você que cresce de mais. — Ela se virou para o meu pai e sorriu, chegando perto dele. — Jazmyn e Jaxon estão dormindo ainda, eles costumam acordar só às 9 horas. Vamos entrando enquanto isso, eu fiz bolo de cenoura. As malas pegamos depois.

— Eu... Tenho que mandar uma mensagem.

Isso fez o olhar dela se direcionar a mim.

— Está com namorada, Justin? — Perguntou com uma cara não tão feliz quanto estava a alguns segundos. E eu sabia bem o porquê.

— Não, mãe. — Ela suspirou aliviada e seguiu com o meu pai para dentro de casa.

Saquei o celular do bolso mandando uma mensagem para Christian e outra para Valu avisando que tinha chegado. E relutante, encarei a casa com tintura branca e telhado azul do outro lado da rua.

Todas as janelas do segundo andar estavam fechadas, enquanto as do primeiro estavam abertas. Vi as flores tão bem cuidadas no jardim da frente e concluí que Tori continuava tendo a mesma paixão por plantas.

Vendo que alguns vizinhos saíam de suas casas e me encaravam estranho, dei meia volta e entrei em casa.

Nada havia mudado. Todos os móveis estavam no mesmo lugar, exceto por alguns quadros novos.

Continuei andando até a cozinha e encontrei minha mãe e meu pai sentamos na mesa um de frente para o outro enquanto conversavam animadamente.

Concluí que estava sentindo falta disso.

— O que aconteceu enquanto estivemos fora, mãe?

Ela soltou uma risada.

— Justin, vocês estiveram fora por dois anos, muita coisa aconteceu. — Ela apoiou o rosto nas mãos e os cotovelos na mesa enquanto me olhava pegar um pedaço daquele bolo que parecia estar muito bom. Tive a certeza quando mordi um pedaço e fechei os olhos apreciando o sabor. — Vocês se lembram daquela nossa vizinha velha que morava no início da rua com seu marido de 76 anos? Ela acabou morrendo e ele entrou em depressão, agora está em uma casa para idosos pois os dois nunca tiveram filhos e não tinha ninguém para cuidar. — Abri os olhos rapidamente.

— Coitado. — Meu pai disse após ficarmos em silêncio.

— Pois é. — Ela soltou um suspiro. — Mas a casa foi vendida e agora mora um casal e uma criança. Falando em criança, Nicolle completou quatro anos na semana passada. Tori e Adam fizeram uma festinha para ela com o tema de "Aladin". Vocês tinham que vê-la vestida de Jasmine! Ela ficou tão lindinha com a roupa azul.

— Parece que todas as mulheres daquela família ficam bem de azul. — Resmunguei ao me lembrar e meu pai pareceu me ouvir, me lançando um sorrisinho.

— Milla começou o ensino médio ano passado enquanto Tony e Zac foram para a faculdade. Estão todos lindos e grandes.

— E Camélia? — Arrisquei perguntar, me arrependendo no segundo seguinte.

Minha mãe olhou para mim como se esperasse aquela pergunta, e não pude deixar de perceber que ela tinha tocado no assunto dos Campbell de propósito.

É estranho que mesmo depois de dois anos ela continuava insistindo naquilo.

— Está namorando há uns meses. — Disse ela, olhando para o nada com os olhos semicerrados. Franzi as sobrancelhas. — Ele nem é tão bonito assim.

— Qual o nome dele? — Meu pai perguntou o que eu não tive coragem.

— Rian, Sian, Ian, sei lá! Não me importa. — Ela olhou para mim rapidamente. — Eu e Tori preferimos ela com outra pessoa...

Revirei os olhos.

Pensar na ideia de Camélia com um namorado por incrível que pareça, não me afetava mais. Eu tinha saído de Stratford exatamente com o objetivo de esquecer tudo que tinha acontecido entre eu e ela nos últimos anos, e bom, minha estadia em Toronto valeu de alguma coisa no final das contas.

Mas eu estava nervoso pela hora que fosse ficar frente a frente com ela. Eu tinha ido embora sem dar explicações e sem me despedir. Agora eu me arrependia disso, mas naquele momento eu não estava pensando direito.

Eu era um garoto bobo com o coração partido pela melhor amiga.

— Tori e eu estamos planejando um jantar na casa deles no domingo. — Levantei o olhar para minha mãe de novo. — Nós vamos comprar materiais novos para você e pegar seu uniforme na Saint para segunda-feira você já começar as aulas.

— Era sobre isso que eu queria falar...

Meu pai ficou de pé rapidamente e foi em direção a porta.

— Eu não quero ouvir briga nenhuma.

Logo depois saiu. Eu olhei para ela mordendo o lábio inferior e a vi arquear as sobrancelhas.

— Mãe. Tem outras escolas em Stratford, sabe...

— O que tem?

— É que eu queria estudar em outra escola.

— Outra escola? Mas por quê?

— Eu acho que seria melhor eu recomeçar aqui em Stratford em outra escola, novas amizades, sabe. Conhecer pessoas novas.

Ela me olhou séria por um tempo, mas logo explodiu en gargalhadas.

— Essa é a desculpa mais esfarrapada que eu já ouvi. — Ela disse parando de rir aos poucos. — Não, você vai continuar na Saint Marine. Seus amigos estão todos lá e eu gosto do ensino.

Bufei, sabendo que Seria inútil discutir com ela.

Quando abri a boca para dizer que ia pegar minhas malas e arrumar minhas coisas no meu quarto, ouvi gritos de crianças e um sorriso apareceu no meu rosto imediatamente.

Logo meu pai apareceu na porta da cozinha com duas crianças no colo, e as duas arregalaram bem os olhos ao me verem.

— Justin! — Jazmyn se remexeu no seu colo e ele soltou minha loirinha no chão. Eu levantei na cadeira e me abaixei para que ela me abraçasse, coisa que ela fez quase me fazendo cair.

— Ei, Jazzy. — Ela escondeu o rostinho no meu pescoço.

— Eu 'tava com tanta saudade de você. — Eu afastei o rosto para olhá-la e ela empurrou o lábio inferior pra fora, fazendo bico.

Mordi sua bochecha e ouvi sua risada.

— Eu também estava. — Olhei por cima do seu ombro e vi Jaxon já de pé meio receoso de se aproximar. — O que você está esperando para me dar um abraço?

Em seguida quase caí de novo.

— Por que você não ligou? — Jazmyn me perguntou brava quando Jaxon se afastou, só então pude perceber que meus pais não estavam mais ali. — Quando papai ligava você nunca aparecia na chamada de vídeo.

— Eu sempre ficava ocupado. — Menti na cara dura. — Mas agora eu estou aqui, não estou?

Eu arranquei um sorriso dos dois.

— Justin, você precisa ver a minha coleção de Barbies! Mamãe me deu várias novas! — Jazzy disse enquanto me puxava pra fora da cozinha.

— Não! Primeiro ele tem que ver meu videogame novo! — Retrucou Jaxon.

Ali eu soube que teria que deixar para dormir depois.

***

Depois do jantar e das várias perguntas sobre o tempo que passamos em Toronto, pude começar a arrumar minhas coisas no meu quarto.

Eu e meu pai pegamos as malas e minha mãe nos ajudou a levá-las para o andar de cima enquanto Jazmyn e Jaxon assistiam algum desenho na televisão.

Peguei uma das minhas malas na mão de Pattie e segui para o último quarto do corredor.

Mas quando girei a maçaneta, me lembrei que quando fui embora tranquei a porta e escondi a chave.

Sorri minimamente me lembrando e deixei as bolsas no chão, caminhando até a sala que ficava final do corredor do segundo andar.

Era uma sala de estar pequena. Tinha algumas poltronas, um sofá de dois lugares, um deck com a televisão e plateleiras com livros e fotos. A tinta ainda era vermelha e almofadas enfeitavam o chão. Para encerrar, hm vaso de flor enfeitava o canto da sala e uma janela grande com a cortina branca quase transparente dava visão para os fundos e a casa da piscina.

Caminhei até a planta e enfiei a mão dentro do vaso para procurar a chave, torcendo para que ela estivesse ali. E assim que senti o pequeno objeto junto com o que parecia ser um pedaço de teia de aranha, a tirei dali.

Limpei-a na minha blusa rapidamente e voltei para a porta do meu quarto, podendo assim destrancar a porta.

Um vapor atingiu meu corpo assim que abri a porta, imediatamente olhei para a janela, vendo que não tinha deixado nenhuma greta dela aberta para pelo menos entrar um ar. Fiz uma careta enquanto observava o quarto.

As cores das paredes eram brancas sendo uma delas cinza escuro. Nessa última havia uma escrivaninha — que pelo visto estava cheio de tralhas e livros da escola espalhados — e atrás do móvel a janela que dava pra rua, com a cortina fechada. Acendi a luz vendo que essa ainda funcionava.

Na parede esquerda tinha a televisão pendurada na parede e uma mesinha com controles de videogame, mas apenas os controles. Logo ao lado tinham duas portas, a do closet e a do banheiro. E foi na segunda que eu entrei.

Tive que franzir as sobrancelhas quando entrei lá. Minha escova de dente, shampoo e uma pasta que provavelmente estava fora de validade estavam lá do mesmo jeito que eu deixei.

Quando saí, levei um susto com minha mãe observando o quarto.

— Isso realmente está uma bagunça! — Ela disse e eu dei de ombros. Pattie olhou para mim e recolheu minha toalha, que estava jogada em cima da cama de casal com os lençóis bagunçados. Encarei a parede atrás da cama com várias fotos.

Me lembro que Camélia me obrigou a colocar essas fotos atrás da cama, já que ela ia colocar no seu quarto E queria que eu colocasse no meu também.

Eu não consegui negar aquilo para ela. E a maior foto dali, bem em cima da cama e no centro de todas as outras, era uma minha com Alice.

Nós parecíamos estar no The Night. Eu estava sentando num sofá com ela no meu colo usando um vestido curto e preto, deixando suas pernas a mostra. Uma das minhas mãos estava sobre sua coxa e um de seus braços estava sobre meus ombros.

Alice exibia seu belo sorriso na foto enquanto eu olhava pra ela quase como se estivesse hipnotizado.

— Você não vai dormir nessa imundisse que está seu quarto, Justin. — Mudei o olhar pra Pattie que estava com uma sacola e agora colocava meus livros do primeiro ano dentro dela. A janela estava aberta agora. Por quanto tempo eu fiquei parado olhando a foto? — Ou você me ajuda a arrumar isso aqui ou você dorme na sala.

Sem escolha, caminhei até a porta do quarto e resmunguei.

— Eu vou buscar a vassoura.



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