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História Madrasta - Capítulo 1


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Capítulo 1 - Jonathan Miller


**Jonathan Miller

14 de Agosto**


Mia costumava cantar a música da lagarta, quando íamos buscá-la na escola. Isso já faz muito tempo, porém até hoje me lembro da letra, da dancinha e da insistência dela que eu cantasse junto.

Nunca fui muito de cantar dentro do carro. Ainda mais a música da lagarta.

Mas, Mia sempre me convencia, com seus grades olhos azuis claros arregalados e seus lábios pequenos franzidos. Então, eu precisava lidar com os outros motoristas ao lado, me encarando de um jeito esquisito, ao me ver fazer a dança da lagarta.


---- Mia, o que acha de passarmos na lanchonete e pedirmos panquecas? Quer comer panquecas com mel? Posso pedir, para Margot fazer a sua em formato de ursinho, do jeito que você gosta.

Ela não respondeu.

Fazendo o mesmo silêncio, que me tirava à paz, mesmo não significando nada, talvez.

O que será que ela está pensando, agora?

----...

Paramos em um semáforo, atrás de um Honda vermelho. Olhei de novo para o espelho retrovisor, refletindo a imagem pálida de Mia, no banco de trás. Ela está aqui, porém ao mesmo tempo, não está. Seus olhos estão voltados para a janela, mas sei que ela não está prestando atenção, no mundo à fora e nem em mim. Os olhos dela estão profundos e escurecidos, como um poço profundo.

---- Olha Mia uma fada. Quer dar tchau pra fadinha? - Apontei, para uma moça fantasiada de fada, que passeava entre os carros, coletando doações para uma instituição de crianças com câncer. Sorrindo alegremente e acenando, para outras meninas pequenas que ficavam agitadas dentro dos carros, ao ver a figura mágica, no meio da rua.

----....

Nada. Ela nem se quer olhou pra mim.

Realmente, para ela é como se eu não estivesse aqui, ou, se o mundo existisse. Talvez, ela esteja em algum outro lugar: Algum lugar escuro e vazio.

Dirigi para a Avenida. Swod, o atalho mais rápido, para a lanchonete, a única dessa cidade pequena e a nossa predileta. Mia não demonstrou qualquer emoção, ao fazer o trajeto já familiar à lanchonete. Ela sempre gritava " Papai, eu quero panqueca de ursinho", quando percebia que estávamos chegando.

Estacionei o carro, em frente ao GinnaDiner, a única e melhor loja de alimentos, deste lugar. Esperando que isso fizesse algum resultado.

--- Ei vamos! - Cutuco o braço dela, para que ela veja onde estamos.

Abri minha porta e desci. Porém, percebi que Mia mal havia se mexido dentro do carro.

--- Vamos, Mia! - Abri a porta de trás, tirei o cinto de segurança e segurei o braço dela. O que praticamente à obrigou a se mexer.

Caminhamos de mãos dadas para dentro, e eu comecei a salivar ao sentir o cheiro do bacon, fritando na chapa quente.

Hoje, é sexta-feira, dia do hambúrguer especial com bacon e uma porção de batata frita. O melhor cardápio da semana, que sempre deixa a casa lotada.

---- Você quer comer panquecas, ein? Hm? - Falo, assim que percebo o olhar dela voltado para mim.

Mia olhou em volta, observando os caminhoneiros sentados ao balcão que comiam sua omeletes prestando atenção no resultado da loteria com seus pedidos em mãos, os adolescentes que faziam guerra de batatas e ketchup em sua mesa, o grupo de senhoras que tomavam café juntas e as garçonetes que corriam para anotar e entregar os pedidos, usando uniformes cor creme e chapéus brancos com uma expressão de interrogativa para mim.

Como se ela estivesse perguntando indiretamente: "Por que você me trouxe, afinal? Você sabe que eu não gosto de estar em lugar nenhum."

--- Vamos, amorzinho. Senta aí! - Aponto com a cabeça, a nossa mesa. E ajudando ela a se sentar na cadeira alta.

Não demorou muito para alguém vir nos atender.

---- Olá Jonathan, faz tempo que eu não te vejo. - Margot, surge sorridente como sempre e segurando uma jarra de café, quase vazia.

---- Olá, Margot. Como está?

---- Bem, obrigada. Oi minha princesa, como você está? - Margot, cumprimenta Mia com uma voz doce e faz um carinho no braço dela, o que a faz abaixar a cabeça. deixando seus cabelos longos e negros caírem em seu rosto.

---- Mia, está muito bem. Ela fez um desenho lindo de uma lagarta. Não é querida?

----....

---- Jura? Cadê?

Mia abriu uma folha dobrada e mostrou uma lagarta, em cima de uma folha feita de papel verde, e decorada com glitter verde.

--- Nossa, você gosta mesmo de lagarta, Mia. O desenho está maravilhoso.

Mia dobrou o desenho e guardou no bolso.

---- Eu vou querer o especial de sexta-feira, com muito bacon.

---- E bastante ketchup nas fritas..

- Margot, completa.

---- Exatamente. - Sorri, ao ver que ela completou meu pedido.

---- E você, Mia? Vai querer as panquecas? Vai querer em formato de ursinho? - Margot, pergunta. Dando uma risada amorosa.

----...

--- Sim, ela vai querer. Pode pôr bastante mel.

--- Ótimo. Volto em um minuto. - Disse, Margot.

Mia ficou encolhida em sua cadeira. Ela não levantou o olhar para mim nenhuma vez. Margot não demorou muito, ela trouxe nossos pratos e fiquei contente ao ver a quantidade de carne em meu hambúrguer. Não faço uma refeição descente desde às 9 da manhã.

A panqueca em formato de ursinho é colada diante de Mia, que encara o ursinho sorridente e melado de mel, com curiosidade.

--- Bom apetite! - Margot, fala e depois sai.

--- Ei! - Cutuco a mão dela, e ela levanta os olhos para mim. --- Não precisa ficar assim. Eu sei que você ama panqueca com mel.

---....

Mordi meu hambúrguer. Sentindo o sabor fantástico da carne fresca, bem passada e quente em minha boca. Margot, capricha muito no hambúrguer.

Mia me observou comer um pouco, até pegar o garfo e cortar sua panqueca em pedaços pequenos e comer com lentidão. Ela lambeu o garfo, algumas vezes, provavelmente gostando do mel.

--- Tá gostoso?

---....

Ela não respondeu. Só olhou pra mim e enfiou vários pedaços pequenos na boca. Ajudei ela a limpar a boca, quando o mel escorreu de seus lábios. Mia comeu tudo e ainda raspou o prato, tentando insistentemente pegar o mel. Tive que pedir pra ela parar quando percebi que estava fazendo um ruído agudo e incomodando os senhores caminhoneiros, que estavam prestando atenção no resultado do loteria.


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---- Estava delicioso, Margot. Seu hambúrguer é fantástico. - Elogio. pegando minha carteira.

---- Quê isso, não precisa me mimar, Jonathan. Sabe que eu não faço mais que minha obrigação. - Disse, Margot. sorrindo pra mim atrás do balcão do caixa.

Entreguei o dinheiro para ela, observando Mia, que me encarava no canto da lanchonete, ainda sentada na nossa mesa.

---- Ela é uma gracinha de menina... - Disse, Margot.

---- Sim, é mesmo.

---- Uma pena que não demonstra tanta alegria como antes. Sinto saudades de ouvir a risada dela.

--- Eu também... - Confessei. observando Mia mexer nos saquinhos de mostarda, na mesa.

---- Você é um bom pai, Jonathan. Poucos pais fariam isso por um filho.

---- É porque eu a amo, Margot.


----- ----- -----

Acenei para Margot, quando já estávamos dentro do carro. Ela acenou da janela da lanchonete em resposta e nós partirmos para a estrada. Mia já parecia mais atenta ao caminho. Acho que ela estava esperando que fôssemos para casa direto, desta vez.

Nossa casa não ficava muito longe da cidade. Precisávamos passar por uma longa estrada reta e depois virar à esquerda, na trilha de nossa casa.

Mia pareceu ansiosa assim que percebeu o carro parar em frente ao nosso chalé pintando de branco. Ela saiu correndo para dentro assim que tirou o cinto, me deixando com a tarefa de carregar minha maleta e a mochila de unicórnio dela.

Entrei em casa e coloquei o unicórnio ao canto, ouvindo Mia bater os pés no andar de cima. Abri a porta do escritório e coloquei meus papéis em cima de minha mesa. Prestando atenção no volume dos pés de Mia batendo na madeira, indicando que ela passou no meu quarto, no banheiro e agora deve estar correndo para seu quarto.

Subi as escadas segurando o unicórnio em formato de mochila, aproximando-me da porta fechada de cor branca com adesivos de borboletas e largatas.

Bati três vezes, até que Mia abriu só um pouco e encostou a cabeça na fresta, para olhar pra mim.

---- Sua mochila!

----...

Ela passa o unicórnio pelo fresta, provavelmente amassando tudo que tinha dentro da mochila, porém não me deixa ver o que está acontecendo no quarto dela.

---- Você quer ficar sozinha, agora? - pergunto. E vejo que ela faz que sim com a cabeça, e me olhando feio, como quem diz:" Não me interrompe e saí logo daqui".

---- Tá bom, então.

Ela bate a porta de borboletas e me deixa ali sozinho. Achei que esse tipo de comportamento, era exclusivo de adolescentes, quando estão em seus dias difíceis. Esperava que Mia fosse ter uns 15 anos, quando começasse a exigir que eu a deixasse sozinha, mas aqui estou eu: Sendo expulso de um quarto cheio de borboletas, pintado de rosa e com ursinhos espalhados pelo chão, por uma menina de 5 anos.



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