História .mãe. - Capítulo 1


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Categorias Histórias Originais
Tags Desabafo Pessoal, Família, Mãe
Visualizações 3
Palavras 922
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia
Avisos: Linguagem Imprópria, Suicídio
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


um desabafo que eu escrevi no meu diário, há mais ou menos um mês. eu não conseguia parar de pensar nesse texto e resolvi postar de uma vez. ugghhh isso tá muito maior do que eu pensava. e muito confuso também. aaaaaaaaaaaa

Capítulo 1 - .você é sempre o centro de tudo.


Tá tudo muito confuso.

Eu jurava que tinha escrito pelo menos uma vez aqui no ano passado, vi agora que não. Mas não é como se mudasse muita coisa.

Você continua sendo inútil, Gabrielle. Você se formou no ano passado, e tudo que você tinha medo que acontecesse, aconteceu, mas de forma bem pior. Você não fala mais com as suas amigas, mas será que isso é algo ruim mesmo? Elas claramente não te suportam. Ninguém te suporta, na verdade. Só te deixam ficar por educação, porque é a coisa certa a se fazer.

Você não conseguiu entrar em nenhuma faculdade, e como já suspeitava, realmente não é capaz de estudar por conta própria. Mas depois de muito pensar sobre... isso é tudo culpa minha mesmo? É justo eu me culpar por tudo o que eu faço de errado e tudo de certo que eu não faço quando ninguém nunca tentou me ensinar diferente? O vizinho tá com a rádio ligada de novo, e eu acho que eu vou enlouquecer se eles começarem a gritar novamente.

16, 17, 18, tanto faz quantos anos. Todo esse tempo para sair daqui, para mudar para algo melhor, e não. Nada. O exemplo que eu tive desde criança foi a minha mãe que me odiava e só ficava deitada na cama o dia todo. E agora eu só fico deitada na cama o dia todo e me odeio. Quando eu tentei aprender, me magoavam, então eu fugia. Fugi. Passei esse tempo todo fugindo, e nem percebi. Fugindo de tudo e fugindo de mim.

O meu âmago é só angústia, tristeza, raiva, caos, todos os sentimentos ruins e destrutivos em um lugar tão pequeno. Eu olho para esse emaranhado dentro de mim, vejo essa bomba prestes a explodir, tenho medo, e fujo. E funciona.

Sabe, é cruel. Eu passei a minha infância toda sendo calada, interrompida, ridicularizada, negada, apagada. E então eu parei. Riam de mim por tudo que eu fazia. Talvez já devam ter chegado a rir até da forma como eu respirava, e talvez seja por isso que hoje eu não quero mais. E agora é minha culpa que eu não vivo mais, é isso que dizem. Passei a minha vida toda sendo incentivada a calar a boca e ficar parada. Eu entendi o recado. Calei. Parei. Pararam de rir. Agora reclamam comigo por não falar, por não fazer nada, por não conseguir desabrochar. É cruel, demais.

Meu irmão poderia ter me falado que desapontar os pais faz parte de crescer, seria tudo tão mais fácil. Mas todas as vezes que ele abriu a boca na minha direção foi para fazer me sentir horrível e demente.

Como você explica para uma criança que é brincadeira quando todas as pessoas que ela conhece a chamam de feia e gorda? Como você explica para uma criança que é brincadeira quando todos riem de absolutamente tudo que ela faz? Como você faz para trazer a infância dela de volta e desfazer a merda que você fez? Como você faz para voltar no tempo? Como você faz para ela te amar de novo? Como você faz para se arrepender? Você não se arrepende. Você nem percebe o que fez. E agora já é tarde demais.

Tchau infância, tchau adolescência. Oi vida adulta, eu não te conheço, eu quero ir embora, eu quero voltar, eu quero tentar de novo. Mas já era, você tá fodida. Essas pessoas nem sabem o que é diálogo, eu não aguento mais esse rádio. Eu quero sair daqui. Meu pulso ainda dói. Tudo dói, mas é só quando eu penso. Eu tô parada no tempo. Eu não sei como não fugir, não me ensinaram. Tudo o que me ensinaram foi do que eu não precisei.

Eu só queria um pedido de desculpas. Sincero. Eu lembro quando você gritou comigo por eu ter falado alto no seu ouvido, me deu um tapa no braço, eu chorei um pouco, não pelo tapa. Você pediu desculpas. Outro dia. Anos depois. Eu cheguei em casa para pegar umas coisas para o meu pai. Separação. Eu estava nervosa porque seus amigos estavam em casa. Não entendi direito o que ele me pediu para pegar. Não lembro o que aconteceu direito, foi uma confusão. Você gritou comigo, na frente deles, você riu, me fez chorar um pouco, “nossa, tá vendo como eu sou bipolar?”, ainda rindo. Você não pediu desculpas.

Você é horrível, eu te odeio. Eu queria me matar e colocar a culpa em você, só para você sofrer o que você merece. Foda-se que você sente a minha falta, é melhor você longe. Mais longe, melhor para mim. Você fodeu a minha vida. Você me criou para nada, me criou por dinheiro, me criou pela merda do seu outro filho que sempre te tratou como merda e que também sempre te odiou, porque você é um lixo.

Mil desculpas não são o suficiente, mil desculpas não vão te fazer voltar no tempo e me tratar direito. Vagabunda, vaca, pedaço de merda, te odeio, te odeio, te odeio pra caralho. Não sei se te odeio tanto quanto odeio o meu pai por continuar contigo, por ter me submetido a essa merda mesmo sabendo que não era certo, mas eu te odeio. Você tá certa, eu te odeio.

Não por você ter ido embora, deveria ter ido muito antes, te odeio por ainda ficar nessa merda de fingir que me ama. Vai se foder, eu não sou nada pra você. Mentiu pra mim? Vou mentir pra você também: te amo, vagabunda.


Notas Finais




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