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História Magic Shop - Capítulo 2


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Notas do Autor


Boa noite!

Antes de tudo, quero pedir desculpas por um equívoco no capítulo anterior (o prólogo), no qual eu citei Taeyong como sendo um médico oncologista. O correto é/seria pneumologista. 

O primeiro capítulo oficial de MS. Esse é um dos que não fazia parte da primeira versão, na verdade, um pouco dele estava sim, mas a maior parte não.

Ademais, faça uma boa leitura!

obs.: os capítulos não estarão betados até que a fic esteja concluída.

Capítulo 2 - Transgredido


Fanfic / Fanfiction Magic Shop - Capítulo 2 - Transgredido


CAPÍTULO UM

TRANSGREDIDO

 Hansol odiava dias chuvosos, todo aquele conjunto de céu nublado, gotas pesadas e melancolia caindo sobre a cidade não combinava com ele, ao menos ele pensava que não, entretanto quando conheceu Kim Jinjoo, seu desgosto por dias chuvosos aumentou em grande porcentagem. 

 Era um dia desses, cheio de gotas frias e pesadas, um céu tão escuro quanto se fosse tarde da noite, isso às oito e pouco da manhã. Seu primeiro dia do ano letivo em período integral, não conhecia ninguém além da bibliotecária e alguns secretários que estavam presentes no dia de sua matrícula, mas Hansol não conseguia sentir-se intimidado facilmente. Não sentia todo aquele nervosismo de primeiro dia onde provavelmente todos já tem conhecidos e ele ficaria sozinho, ficar sozinho sem toda uma bagunça de vozes próximas e conversinhas típicas de adolescentes deixava-o de bom humor. Todavia, era um dia chuvoso e tudo costumava dar errado para o Ji, como quando tentou entrar no pátio e uma garota de bicicleta passou correndo e espirrando lama em seu uniforme, deixando úmido e sujo.

 Foi assim que conheceu Kim Jinjo.

 O relacionamento entre Hansol e Jinjoo começou nos primeiros meses daquele ano, especificamente no último ano do fundamental, foi um tanto clichê, mas não tão romântico quanto deveria ser. Começaram como desconhecidos que dividiam a mesma bancada nas aulas em dupla, Hansol preferia ficar com seus colegas e evitar a garota que havia sujado suas roupas no primeiro dia de aula, mas o professor tinha um método diferente de organizar as atividades que exigiam parceria, ele colocava os nomes de todos em pequenos papéis dentro de um pote no primeiro dia de aula e deixava o destino fazer seu trabalho, as duplas eram aquelas sorteadas e permaneciam assim do início ao fim do ano. 

Jinjoo nunca esteve tão feliz nas aulas de química quanto ficava daquela manhã em diante, o oposto era os sentimentos de Hansol.

 Como a vida é traiçoeira e adora pregar peças quando está de mal-humor, a barreira de Ji Hansol apesar de forte o bastante não durou muito tempo. Jinjoo era insistente, persistia na ideia de tentar prolongar qualquer diálogo entre eles desde um 'Bom dia' ao 'Me empresta um lápis', no fim do segundo semestre, podia dizer que eram amigos. Há pouco menos de dois anos depois, já eram melhores amigos, Hansol e Jinjoo andavam juntos o tempo todo, para lá e pra cá, e causavam desconfianças quanto a verdadeira relação entre eles. Seus amigos em comum, pressionavam-nos e corriam em busca de formas para fazê-los confessar qualquer coisa, planejavam brincadeirinhas bobas como fazer com que trocassem selinhos durante o Verdade ou Desafio e até mesmo empurrá-los um para o outro no Pepero Game, apenas para deixá-los próximos e espreitar suas reações. 

 Hansol não se importava com aquele contato, eram melhores amigos e íntimos o suficiente para que aquelas brincadeiras causassem desconforto, isso até Jinjoo começar a cultivar sentimentos mais intensos e fazer de tudo para induzi-lo a retribuir. Para a infelicidade da Kim, não foi tão fácil. 

 Hansol havia se tornado um adolescente focado, seus dias resumiam-se em estudar e estudar pensando sempre em entrar futuramente numa boa Universidade, cursar algo de seu interesse e quando estivesse economicamente estabilizado, planejava sair para conhecer um pouco do mundo. Hansol tinha sonhos ambiciosos e lutava diariamente para alcançá-los, enquanto Jinjoo tinha sonhos mais simples, não queria sair do país e muito menos da pequena cidade em que vivia desde sempre, tinha planos de concluir o colegial, escolher uma faculdade que pudesse garantir uma vida simples e economicamente confortável, e claro, casar-se com um bom homem e ter no mínimo dois filhos. Viviam em pólos completamente opostos, o que definitivamente não soava como empecilho para Kim Jinjoo.

 Tanto que dois anos após iniciarem um relacionamento sério, Jinjoo preparou um momento especial no parque e debaixo das cerejeiras que banhavam a grama com pétalas, contou a Hansol sobre a possibilidade de estar esperando um filho, ou filha. Naquele ano, ainda moravam com seus respectivos pais, estavam na faculdade e não tinham nada; nem emprego, nem casa própria. Eram apenas os dois e aquela criança. Ao mesmo tempo, em que começaram a ficar mais unidos como um casal de verdade, vieram os problemas que causavam brigas piores que todas as anteriores. Todavia, não tinha muito o que fazer, apenas aceitar e arcar com as responsabilidades que viriam.

 Naquela sexta-feira em que foram chamados pelo doutor Lee para conversar sobre a filha,  Hansol se sentiu nostálgico ao saírem de casa perto das oito horas da manhã debaixo de uma chuvinha que banhava as ruas pacificamente, aproveitou para olhar as gotas deslizando ligeiras pelo vidro como fazia quando mais jovem, Jinjoo quem dirigia. No rádio, uma estação aleatória tocava algo animado como premissa da chegada do final de semana, conheciam a cantora – Yozoh – de um programa de entretenimento que passava alternadamente durante a semana, Jinjoo até arriscou seguir as batidas, batucando os dedos no volante de forma descontraída.

    — Solie-ah.    — Cantarolou capturando a atenção do homem, aproveitando o momento pacífico desviou ligeira os olhos da rua para o marido direcionando-lhe um sorriso.    — Não tem com o que se preocupar, Taeyong-ssi parecia feliz durante a ligação.

    — Essa felicidade repentina. É disso que eu tenho medo.

[...]

 Jinjoo tentava conter seu coração que pareceu acelerado demais ao ouvir as palavras “cura” e “Nabi” na mesma frase, Hansol riu. Jinjoo conhecia seu marido o suficiente para saber que aquilo claramente, não era um sorriso de felicidade. Hansol soava mais desacreditado e sarcástico no acabará de ouvir, do que feliz com a boa notícia. 

   — O senhor só pode estar de brincadeira.    — Disse Hansol, ficando de pé imediatamente.    — Esse não é o estagiário daquele velho babão que surtou no meio de uma palestra? 

    — Aquele incidente…    — Taeyong tentou, mas logo foi interrompido.

    — Eu estava lá assistindo aquela porcaria, eu vi como ele ficou!    — esbravejou Hansol 

   — Hansol-ah...    — Jinjoo tentou impedi-lo alcançando seu pulso, mas ele conseguiu se livrar de seus toques facilmente.

   — Senhor Ji, o doutor Jung pode não ter a melhor das melhores condições em questão de saúde, mas eu posso lhe garantir que o tratamento que ele tem feito é eficaz o suficiente então, por favor, mantenha-se calmo.    — Pediu Taeyong. — Nós nunca colocaríamos a vida de um paciente nas mãos de um incapaz.

    — Eu não confio nele.

    — Não o julgue antes de conhecê-lo.

   — Como não?    — Indagou Hansol, sorrindo com escárnio.    — Esse cara é maluco. Um psicopata! Não quero ele perto da minha filha.

 Taeyong fez menção de interrompê-lo com alguma repressão, mas Hansol novamente foi mais rápido.

    — Já pensaram nas merdas que ele pode fazer se chegar a ter outro daqueles surtos enquanto cuida de um paciente? Enquanto cuida da minha filha?!

   — Hansol-ssi…

   — Deixe-o, doutor Lee. Ele… eles têm todo direito de não aceitar a minha ajuda, é uma decisão que cabe unicamente a família.    — Pronunciou-se pela primeira vez, e mesmo sabendo que o momento não era propício, Jinjoo não conseguiu conter sua admiração pelo tom firme e ligeiramente rouquenho.    — Eu tenho sim uma doença, senhor Ji. Chama-se Transtorno de Borderline, não é nada simples. Venho me tratando a um bom tempo e posso garantir que não existe uma única chance de outro surto igual aquele que presenciou a sete anos acontecer uma outra vez. Na verdade, existe um certo risco caso o tratamento seja interrompido abruptamente, o que não é uma possibilidade.

 Ao primeiro sinal de que seria interrompido pelo homem exasperado, o Jung levantou a destra.

    — Mas,    — continuou.    — saiba que é a última chance da sua filha e eu não tenho todo o tempo do mundo disponível para uma única criança tendo tantas outras precisando de ajuda. 

   — Então vá até essas outras, pois, prefiro ver a minha filha passando uma vida presa na cama do que sendo medicada por esse maluco!

 Inesperadamente, Jung Yoonoh riu. Não tinha humor algum, mas não deixava de ser uma gargalhada.

    — Você melhor do que ninguém sabe que ela não vai passar uma vida esperando, Ji Hansol. 

    — Seu…    — novamente, foi segurado por Jinjoo.

    — Hansol-ah, por favor...

Hansol pegou seu casaco e saiu batendo a porta com força. As lágrimas já desciam pelo rosto de Jinjoo, não consegui acreditar na cena que acabará de presenciar. Sentou-se no sofá, cobrindo parcialmente o rosto com as mãos, sentia-se envergonhada por estar chorando de forma desesperada, ainda mais pela atitude preconceituosa de seu marido.

   — Desculpe-me pelo meu marido doutor.    — Clamou entre soluços. — Hansol-ah não está em seu melhor estado, ele está a noites sem dormir e mal come.

   — Não precisa se desculpar. Entendemos que estão passando por uma fase longa e complicada, não é Jung?    — O Lee olhou para o citado que sorriu exibindo suas covinhas, parecia tão inocente. Foi inevitável para Jinjoo não sorrir junto mesmo com o rosto úmido e os olhos transbordando.

   — É claro, doutor Lee.    — Concordou, apesar de não parecer estar de acordo com as palavras do mais velho, seu sorriso um tanto debochado deixava isso extremamente claro, ao menos para a Kim. 

 O Lee sorriu e voltou-se para a mulher, sua destra tocando o ombro estreito com os dedos longos em um aperto superficial de forma a confortá-la.

   — Pode voltar ao seu trabalho, Jung.    — Disse ao mais novo que balançou a cabeça e deu meia volta, saindo sem hesitar.    — Está se sentindo bem?

   — Sim, sim.

   — Certo. Você sabe que precisa tomar uma decisão.    — Pediu o Lee, e Jinjoo concordou enxugando o rosto com as mangas da camiseta.    — Primeiro, tem que se resolver com Hansol-ssi. É uma decisão que deve ser tomada pelos dois com calma.

    — Vou conversar com ele.

   — Não quero preciona-los ainda mais, mas a situação exige que as decisões sejam instantâneas.    — suspirou. — Nabi já passou por centenas de inalações, já fez o tratamento de alta concentração de soluções salinas, usou diversos antibióticos, segue dietas e faz uma terapia agressiva, e ainda sim há uma piora. Sinto muito em dizer, mas ela não possui tanto tempo quanto queríamos que tivesse. Vocês têm que se decidir rápido, Jinjoo.

   — Obrigado, doutor Lee.    — Agradeceu sincera, Taeyong vinha sendo mais que um exímio profissional, também um grande amigo.    — Irei conversar com ele hoje mesmo, prometo dar uma resposta assim que nos encontrarmos novamente.

[...]

   — Por favor, Hansol!    — Clamou. — Nós não estamos em condições de rejeitar qualquer ajuda médica, principalmente uma de confiança.

    — Jinjoo…

   — Você sabe que ela não vai ter chances com esse tratamento.    — referiu-se a terapia de substituição de enzimas que se resumia em afinar o muco para facilitar a expectoração.    — Isso não vai durar por muito tempo, deixe ele tentar! Caso o pior aconteça, não ficaremos com peso na consciência por ter tentado até o último segundo.

   — Se ela morrer, é isso que você quer dizer?    — Referiu-se “ao pior”. — Não importa Jinjoo, não vou pedir desculpas aquele louco.

   — Ele não é louco!    — Alterou o tom de voz em influência dos sentimentos que afloravam. Jinjoo respirou fundo.    — Ele é humano, Hansol. Ele é não é perfeito, mas é um médico, como qualquer outro. Na verdade, ele não é qualquer um. Ele é a chance da sua filha. É a vida da nossa filha que depende das mãos dele.

   — Não precisaríamos depender de um doutorzinho maluco se você ao menos tivesse me dado uma filha saudável!    — Esbravejou.

 As expressões no rosto corado de Jinjoo divergiam-se entre decepção e medo. Não demorou para os olhos encherem de lágrimas embaçando sua visão. A boca se abriu diversas vezes, porém, não conseguia formular palavras boas o suficiente para enfrentá-lo. Não encontrava algo para dizer, não tinha como contrariar. Em parte – ao menos em sua mente confusa –, Hansol tinha razão. Sentia-se extremamente culpada todos os dias por ter colocado no mundo uma criança doente que estava destinada a sofrer até seu último dia de vida, só não esperava que ouvir aquilo em voz alta doesse mais do que quando sua mente repetia.

 Lentamente, Jinjoo recuou alguns passos arrastando os pés ruidosamente, soluçando entre o choro. 

   — Jinjoo!    — Chamou Hansol, a expressão assustada no rosto cansado. Parecia ter dado conta do peso de suas palavras apenas naquele momento.    — Amor, me desculpe! Por favor, me desculpe!

 Como um animal arisco, Jinjoo afastou-se dele.

    — Me perdoe, por favor meu amor. Eu não queria dizer isso, foi sem querer. Você sabe que isso não é verdade.

   — Não. Você está certo Hansol. 

   — A culpa é minha por colocar uma criança problemática no mundo. Não deveria ter me deitado com você, eu não…    — Disse enxugando a face. — Eu sou a culpada!

   — Não meu amor, você não tem culpa. Ninguém tem…    — Ele parou quando a viu pegar a bolsa que deixara sobre o sofá e as chaves do carro. Os olhos castanhos dobraram de tamanho enquanto calculava as probabilidades.    — Onde você vai Jinjoo?

   — Vou tentar salvar a minha filha. Já que eu sou a única culpada.    — Disse irritada.

    — Jinjoo…    — e ela bateu a porta impedindo-o de concluir a frase.

Saiu de casa correndo e antes mesmo de entrar no carro desabou em lágrimas, jogando-se contra o banco do motorista com a testa contra o volante. Chorou alto, distribuiu alguns socos pelo banco e volante, sentindo os dedos arderem. Jinjoo tentava se convencer de que ele estava estressado, cansado e preocupado, mas algo em si, insistia em lembrá-la que também estava cansada e tão estressada quanto ele. Não era justificativa. Tanto quanto doía nele, doía em si. 

 Depois de alguns minutos, cessado o pranto e os batimentos regulados, ligou o carro manobrando com cuidado para sair do gramado sem bater em algum poste ou nas latas de lixo próximas ao meio fio. Quando saiu na rua não hesitou em pisar no acelerador aumentando a velocidade, seguiu pelo caminho que passava perto de algumas cafeterias e pequenas lojas. Seu corpo implorava por algo, e pensou que seria bom comprar um copão de café e algumas coisas para Nabi antes de ir para o hospital.

Chegou ao prédio e logo ao adentrar o primeiro andar, foi embalada pelo cheiro forte de medicamentos, a recepcionista já reconhecia os pais da garotinha que praticamente tinha o hospital como uma segunda casa.

   — Posso subir pra vê-la?    — Perguntou, após cumprimentá-la.

   — Sim. O doutor Lee Taeyong já deve estar com ela.

Seguindo as recomendações da enfermeira, Jinjoo deixou as coisas que havia comprado com ela para serem higienizadas de acordo com as normas do hospital, e com o crachá de visitante seguiu para a ala pediátrica. 

Algumas crianças, que ainda tinham energia para brincar estavam correndo pelos corredores com os brinquedos doados por voluntários ou pelos próprios familiares. Nabi, infelizmente já não estava em condições de ficar sequer fora da cama e sem os aparelhos, esforços faziam seus pulmões inundarem em menos tempo.

No caminho, Jinjoo encontrou outros conhecidos, uma das enfermeiras que costumava fazer a maior parte dos plantões, ela cumprimentou com um sorriso gentil e a Kim retribuiu da melhor forma possível. Diante da porta do quarto de Nabi, livrou-se do copo descartável na lata de lixo que ficava ao lado e respirou fundo, contando até dez mentalmente antes de empurrar a porta.

Para sua surpresa, Nabi não estava sozinha, mas também não estava com doutor Lee.



Notas Finais


eu amo ji hansol


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