História Mais do que Dons — Livro 2 - Capítulo 4


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Categorias Originais
Tags Ação, Aventura, Comedia, Drama, Fantasia, Luta, Magia, Mistério, Romance, Sobrenatural, Suspense
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NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Luta, Magia, Mistério, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Suspense
Avisos: Álcool, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 4 - Brilho Ascendente


Fanfic / Fanfiction Mais do que Dons — Livro 2 - Capítulo 4 - Brilho Ascendente

Já estava amanhecendo e Kelly parecia melhor. Santos olhava para ela que estava sentada ao seu lado com os olhos fechados, sentindo a brisa correr pelo seu rosto.
Ele voltou a olhar para a frente, vendo as crianças brincarem em meio as flores, correndo e, as vezes imitando aviões.

- Ei garota — A chamou, hesitando por um tempo — Obrigado pelo que fez. 

Seus olhos lentamente se abriram, com um sorriso se abrindo contra sua vontade, mostrando a Santos seu sorriso que mostrava todos os dentes, brancos e a maioria de leite; as bochechas ficaram levemente rosadas pelo elogio repentino, e uma mecha rebelde de seu cabelo se desprendeu da orelha. 

- O senhor é doce. 

- Doce?

Escutar aquilo era estranho.

Um velho de 54 anos que era medroso e doce.

- Sim. O senhor deixou o Austin com a Gabriela por ainda estar preocupado com ela.

Os olhos dela correram pelo campo, e ele pensou se tinha sido realmente uma boa idéia. 
Tinha deixado a garota na van, dizendo que não sairiam do lugar até ela consertar o problema que o motor parecia ter. Uma camada de fumaça subiu quando abriram o capô, e ela era culpada por aquilo. Mesmo que relutante, ela não disse nada; apenas bateu o capô, indo ao porta-malas, procurando a caixa de ferramentas, amarrando a blusa de frio na cintura depois de ter achado.
Ele deixou que Austin ficasse ao lado dela, com certo receio de que algo voltasse a acontecer, mesmo que tivesse ele mesmo verificado o pé da garota, vendo que estava realmente inteiro.
Se lembrando do que parecia ter acontecido no dia anterior, uma vontade intensa de perguntar o que tinha acontecido subiu por todos os pelos dos seus corpos, saindo com um tremor pelo vento que soprava. Estava em um campo de flores, cercados por árvores, e sua mente não contabilizava o sol que estava saindo como forma de aquecê-lo. Sua mente há muito tempo havia parado de pensar em calor, o fazendo sempre sentir frio. 
Nessas horas ele odiava ser um velho, porque enquanto ele sentia frio e estava sentado no alto de uma pequeno monte junto a garota, sentia seus pés doerem por ter corrido atrás dos pestinhas que assim que viram o campo saíram em disparada, o deixando para trás.

Porém, perguntar o que havia acontecido era quase proibido. Cada "poder" é impulsionado por uma emoção forte, seja ela qual for, e seu "poder" sempre vai ter ligação a essa emoção.
Nem mesmo a Helsercior sabe explicar o porque de isso acontecer, apenas usando a teoria de que uma emoção forte é a chave para despertar o vírus. 

Isso faz com que perguntar o que o "dom" da pessoa faz o torne ao mesmo tempo em sua fraqueza. Assim que se sabe a origem e de que gancho ela se iniciou, também se conhece o passado; o lado negro, feito de seda, que pode ser rasgado e mexido por quem tiver poder para isso.
Essa é a grande razão pela qual nem todos gostavam de falar sobre. 
Mas, para começo de conversa ele deveria saber, mas não quis. Após ter recebido as planchetas ele apenas as deixou sobre a mesa, com a garota as pegando, se esquecendo que ele não havia lido. 

Nem mesmo sabia aonde cada uma tinha nascido, ou se elas tinham ou não o apoio dos pais para estar alí.

- Por que está indo pra Midiston? —Por fim decidiu perguntar.

Entenderia se ela não respondesse, e fingiria que ela não havia escutado a pergunta quando não escutasse uma resposta. A questão é que a sua aura era diferente da que os outros tinham, chegando a ser pura demais.
Tinha realmente um motivo para que alguém assim estivesse indo? Ela não era uma ameça. Ao menos não parecia ser.

-Para evitar guerras, Sr.santos. — Fez sentido. Na verdade era o único sentido cabível para que alguém como ela estivesse indo. — Cada parte de mim é uma ameça.

Kelly desceu da cadeira, colocando os pés em cima de brotos de flores. Elas florescerem de forma rápida, se tornando mais belas que as outras.
Quando voltou a se sentar, esperou que Santos dissesse algo. 

Ele queria dizer. Queria dizer que eles eram iguais.

Queria dizer que entendia o fato de ser uma ameaça porque poderiam os usarem como armas de guerra.
Apesar do tratado mundial nem todos aceitaram encontrar uma cura para aquilo, e à quem os use como arma de guerra. Iniciando uma, ou produzindo.
Não é somente poderes devastadores que formam guerras, mas poderes bons. Poderes que seriam cobiçados, e que se iniciaram guerras pela posse.
O de Santos era assim, mas causaria um estrago muito maior. Muito maior do que se descobrissem o dela.
Por isso, as vezes é melhor se sentar em uma cadeira de balanço, fingindo ser um velho tolo quando se tem algo que pode mudar o mundo. Quando também pode o destruir.

- Vai. — Ele disse, apontando na direção das outras crianças. 

Ela pareceu confusa. 

- Pra mim você é só uma criança, então faça sua parte e vá brincar.

Ela riu, e hesitante começou a correr atrás dos meninos. 

Cada flor que encostava parecia ganhar um brilho, como se agora estivesse realmente viva.
Em pouco tempo o canteiro com normais flores amarelas se tornou um canteiro de flores amarelas resplandecentes.
Se podia ver o nascer do sol em cada uma, ao mesmo tempo que um tímido esbranquiçado, semelhante a única estrela restante da manhã. 

Ele precisava beber. Estava ficando louco.
As flores até pouco tempo atrás eram amarelas normais, e agora pareciam postes ambulantes. 
Com a mão tateou o bolso do jaleco, procurando sua garafa de bebida.

- Talvez ela seja a vida? -— Austin balbuciou — Ou talvez só tenha poder de regeneração.

Apesar de uma leve surpresa pelo garoto estar do seu lado, não foi isso que ele notou, e sim o fato de Austin estar com sua garrafa.

Ele estava bebendo tudo.

Ele estava bebendo tudo...

- Ah! — Austin exclamou — Isso arde.

Suas mãos vacilaram, soltando a garrafa, com o resto do líquido escorrendo, traçando um caminho pelo chão.
O velho estava estático, olhando para o seu alívio que ia cada vez mais embora.
Como um bom pestinha, correu, pressentindo que se daria muito mal se esperasse que ele disesse algo.

Kelly voltou a se sentar, parecendo feliz, mas um pouco cansada. 

- Se o Austin está aqui, aonde está a Gabriela? — Perguntou, e somente nesse momento Santos pôde parar de choramingar pela bebida derramada, pensando na mesma coisa.— Eu vou com você.

Kelly foi a frente, parando alguns centímetros longe de Gabriela. 
A garota tinha o cabelo amarrado em um coque, e arrumava o motor do carro como se entendesse sobre isso.

Santos olhou para Kelly pedindo para que dissese algo.

- Está tudo bem? — Ela iniciou assim.

Gabriela assentiu.

- E o pé?

- Novinho em folha. — Gabriela o balançou. 

- Conseguiu consertar? — Santos perguntou.

- Quase. Se me deixarem sozinha eu faço mais rápido.

Agora se podia saber porque Austin tinha deixado ela sozinha. 

- Tem certeza? — Kelly perguntou para Santos, enquanto iam embora — E se ela não conseguir consertar?

- Ai, temos o plano B.

- Mas e se ela fugir se novo? 

- Depois do que aconteceu acho bem improvável. 

Kelly voltou a ficar ao lado de Santos, observando por mais um tempo, até dormir quando o sol já estava no alto, com o sol batendo sobre seu rosto. 
Santos a trouxe para a sombra, tendo o cuidado de colocar uma pedra na frente da roda.

Ela parecia estar esgotada. 
Com certeza seu poder era demais para que pudesse aguentar, e isso valia para todos. Todos eram crianças com poderes excepcionais, e exatamente por isso eram um perigo. Não sabiam, e ainda não tinham força suficiente para o controlar, e isso é quase o mesmo que entregar o botão de envio de um míssil na mão de um bebê. 
Poderes não usados de forma correta matam, e Kelly poderia morrer apenas por sair da cadeira. Não era usar ou não, porque ela literalmente não parecia saber o controlar. 

Santos não contou a ninguém sobre o "dom" da garota, mas se perguntou muitas vezes porque justo ela tinha o despertado. 
Por que ela? 

Medos despertavam poderes. Qual era o medo dele que fez com que despertasse seu "dom"? Porque em 47 anos não havia conseguido desvendar isso. 
Ele tinha medo e aflições de quase tudo; isso era o suficiente para carregar a responsabilidade que tinha? 

Por breves momentos seus pensamentos foram cortados por um leve puxão em seu jaleco. 

" Obrigado tio."

Goen tinha a placa colada em seu rosto.

- Pelo que garoto?

Ele apagou a lousa rápido, deixando a caneta cair, se agachando, procurando por ela com cuidado. 

" Por não ter usado aquilo". — Ele escreveu quando encontrou. 

- Como sabe sobre isso? — Santos apontava para o braço esquerdo. 

"Todos os guardas tinham um".

Isso era algo que ele ainda não tinha pensado. 

Por um instante voltou a observar o garoto a sua frente, o vendo o olhar por cima da placa, com um olhar travesso, sem nenhuma intenção oculta por trás; depois olhou para os outros meninos, que pareciam estar descansando. 

Vamos garotos! — Gritou. 

Já estava de tarde, e iria começar a escurecer. 
Todos deram passos calmos, como se não quisessem descobrir que a Van ainda estava do mesmo jeito.
Não passava pela mente de nenhum deles que Gabriela conseguiria consertar a van, que parecia quase sem salvação, não tendo aguentado poucos quilômetros. 

Gabriela estava escorada na roda da Van, e limpava o suor no braço. 

Não havia sinal de fumaça, e enquanto comia um pirulito achado no porta-luvas olhava com descrição para Santos, que subiu no banco do motorista, dando a partida. O motor respondeu. 

- Só não posso consertar a lataria. —Ela disse, cansada.

- Não tem problema.— Ele desceu do carro e arregaçou a manga do jaleco, apertando o botão roxo da luva eletrônica.

Em poucos segundos a lataria do carro estava nova. Não só ela como qualquer outra coisa que não estivesse.

Gabriela fez uma cara de fúria.

- Agora podemos ir. Obrigado pelo trabalho. 

- Aonde conseguiu isso!? — Ela perguntou furiosa.

- No porta luva. — Ele entrava no carro — Veio com um manual, mas eu apenas passei o olho. Dizia algo sobre um botão consertar o carro. 

Então não sabe o que ela faz? — Herick parecia curioso.

- Não muito, mas vamos descobrir com o tempo.

Santos buzinou, fazendo com que todos despertassem do choque e entrassem.

- Então poderia tirar isto? — Gabriela apontava para a bola de peso. 

- Não, e aliás eu nem mesmo sei como você consegue arrastar essa coisa por aí.

Ela bufou, e entrou, grudando seu rosto no vidro do carro.

- Então va...— Ele fui cortado por Fred. 

- Espera! — Ele disse — O Herick sumiu.

Todos se entreolharam, olhando pra fora, vendo se ele estava vindo. 

- Estão falando de mim?

Santos olhou para o lado, tomando um susto ao ver o garoto de cabeça para baixo, o olhando com um sorriso de orelha a orelha, com uma janelinha em um dos dentes da frente. 

- Não faça isso! — Santos exclamou — anda garoto, entra logo, se não vai me arrumar problema.

- Valeu tio, mas prefiro ficar aqui em cima. Fred está de prova que eu não gosto muito de ficar parado. Eu sou do tipo que fica correndo por aí, e pulando.

"Crianças assim geralmente são chamadas de pestinhas." Santos pensou. 

- Faça o que quiser, mas se cair vai ter que ir atrás de nós andando.

- Entendido capitão. Podemos zarpar. — Ele olhou para frente — Pela estimativa do vento, e a pressão atmosférica, pode-se prever que chegaremos ao próximo destino em exatas 2 horas!

- Vai logo! — Austin impurou Herick pra cima — Anda vovô, não temos tempo pra ficar escutando os delírios de uma criança de 6 anos!

- Não me chame de vovô! É santos!

Austin deu de ombros.

Santos bufou, pisando no acelerador com força, fazendo as crianças de dentro sofrerem com a pressão. 
Ele tinha se esquecido do menino em cima da van, mas depois de ajustar o vitro o viu sentado calmamente no teto, parecendo estar gostando do vento que soprava sobre seu rosto. 

Ele presumiu que se continuasse naquela velocidade talvez poderia relamente chegar a próxima parada em 2 horas, mas seus planos foram estragados. 

Eles estavam sendo perseguidos pela polícia.


Notas Finais


Espero que tenham gostadoooo!!!😘
Até o próximo!!


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