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História Mais do que palavras - Capítulo 2


Escrita por:


Capítulo 2 - Parte 2


Mais do que palavras

Escrito por Amanur

Parte 2

....

Certa vez, antes mesmo deste ocorrido, eu tinha chegado em casa um pouco mais cedo depois da aula de vôlei (apesar de não mais estar freqüentando as aulas, Sasuke me permitiu que continuasse na escolinha de vôlei, porque era a única coisa que me distraía). Ele não tinha ido trabalhar outra vez, e me deparei com várias latas de cerveja jogadas pelo chão da sala. Mas como estava tudo muito silencioso, achei que ele tivesse saído, de modo que nem o chamei. Juntei as latas, colocando-as no lixo, e me fui para o meu quarto. Mas na medida em que meus passos iam avançando pelo corredor, um som estranho ia ficando cada vez mais sonoro. Ele estava, sim, em casa. Estava em seu quarto, deitado naquela cama em que uma vez dividiu com a minha mãe. Ele estava se masturbando, embora sua expressão fosse de dor.

 

Foi muito estranho vê-lo daquele jeito, apertando seu membro com força, de testa suada, entre arfadas que se confundiam com choro. Com a mão livre, ele ainda se agarrava aos lençóis. Ele estava todo vestido, apenas com a braguilha de sua calça aberta, como se por um impulso repentino tivesse tido aquela necessidade de se tocar. E eu, curiosa, fiquei espiando-o pela pequena fresta da porta. E, então, ele gozou, e eu me assustei.

 

Meu tênis, de sola emborrachada, fez ruído contra o chão encerado do corredor quando me fui correndo para o meu quarto. Ele provavelmente me notou, então. Mas nunca me perguntou nada, e menos ainda comentou sobre o que eu poderia ter visto.

 

E desde então, comecei a fantasiar com ele. Mas sempre que eu tentava me masturbar, não conseguia. Porque pensava na minha mãe tocando ele. Mas, por outro lado, tinha sido exatamente por isso que eu tinha dito aquela coisa horrível para ele, no chuveiro. Por que sabia que ele me confundia com ela, à noite, quando se embriagava em sua tristeza e álcool.

 

Enfim, o tempo foi passando como podia, até que a família dele resolveu aparecer em cena de novo. Uma vez, quando minha mãe ainda estava entre nós, Sasuke havia me falado um pouco sobre sua família, e me lembro de que ele havia se gabado de seu irmão mais velho. Disse que ele era um cara muito engraçado, sempre de bom humor. Contou como todo mundo gostava do cara, e como ele conseguia aproximar as pessoas. Parecia ser um cara genial.

 

Não sei se aquilo tudo tinha sido apenas uma mentira deslavada, ou se o poder da morte da minha mãe foi tão grande que abalou a todos, porque quando o conheci, a impressão que tive era de que aquele cabeludo fosse outra pessoa.

 

Eu estava na sala vendo televisão, enquanto Sasuke cozinhava a janta para nós, quando alguém bateu na porta. Mas não foi uma batida qualquer, parecia que a pessoa estava dando murros contra a madeira descontando sua raiva. Então, alarmado, Sasuke foi atender.

 

Para a nossa surpresa, era o seu irmão que foi entrando sem ser convidado. Ele parecia muito maior e mais ameaçador do que eu pudesse imaginar que fosse.

 

— Até quando você pretende continuar com essa palhaçada de não atender as ligações da mãe, hein, Sasuke? Ela está doente, preocupada com você, e você aí, brincando de casinha sem se importar com nada!

— Vá embora, Itachi.

— Não, Sasuke! Estou cansado de receber ligações do seu chefe me perguntando sobre o seu paradeiro, porque você não tem aparecido para dar aulas, e quando aparece está fedendo a álcool. Ele me disse que alguns alunos já notaram e reclamaram. Sabe o que mais ele me disse? Que está pensando em demitir você!

— Itachi, você cuida dos seus problemas, e eu cuido dos meus.

— De que forma você cuida dos seus problemas? Se afogando na bebida?

— Não é da sua conta! Vá embora.

 

Então, pela primeira vez, o cara me nota ali, encolhida no sofá, apenas os observando. E então, ele avança em cima de mim. Encolhi-me ainda mais, achando que ele fosse me bater ou me agarrar e sair me arrastando pela sala. Mas ele apenas se agachou na minha frente, e ficou me encarando.

 

— Eu não sei quem você é, não sei pelo que você passou, mas nada disso me interessa.

— Eu sei que você não se importa mesmo. — respondi.

 

Acho que ele se surpreendeu com a minha resposta. Mas logo ele se recompôs com um suspiro.

 

— Não me entenda mal, eu apenas estou preocupado com o único irmão que eu tenho, e não quero que ele se dê mal na vida por alguém que não tem na da a ver com ele.

— Eu nunca pedi a ele para que ficasse. — resmunguei.

— Mas aposto que também nunca pediu para que ele fosse embora, não é mesmo?!

 

Essa sua pergunta, meio afirmativa, me pegou de jeito. Eu nunca tinha pensado naquilo.

Em seguida, Sasuke o agarrou pela gola de sua camisa.

 

— Já chega, Itachi, dê o fora daqui, e não apareça mais!

— Você está cometendo o maior erro da sua vida! Depois, não diga que ninguém te avisou.

— Sem problemas.

 

E bateu a porta na cara do irmão.

Nós não conversamos sobre aquilo durante o jantar, ou em momento algum. Foi como se nada tivesse acontecido.

E na manhã seguinte, bem cedo, Sasuke apareceu batendo na minha porta. Acho que ele também não tinha conseguido dormir.

 

— Junte as suas coisas. Vamos embora daqui.

— Como assim? Embora para onde? — indaguei alarmada.

— Não sei, qualquer lugar para longe daqui! — ele corria de um lado para outro, juntando suas coisas.

 

Mas acontece que a minha mãe tinha batalhado muito para conseguir comprar aquela casa. Aquela casa que tinha sido meu único lar por tanto tempo. Além disso, eu tinha medo de deixar aquele lugar, e seu espírito não poder nos acompanhar para esse novo lugar. Mas eu sabia também que se continuássemos ali, apenas adoeceríamos ainda mais. Por isso, mesmo que relutante, juntei algumas peças de roupas.

 

Ele já estava com o porta-malas do carro quase cheio quando parei na porta de casa, com minha mochila nas costas. De repente, eu não conseguia me mover. Não consegui dizer adeus para aquela casa. Para a minha mãe. Para nossa história. E aquilo era um problema que nós dois estávamos enfrentando em silencio, porque ele também olhava para aquela casa com nostalgia no olhar. Mas suponho que ele fosse mais forte do que eu.

 

— O que está esperando? Venha. — me disse, fechando, de repente, o porta-malas do carro.

— Não vou a lugar nenhum.

— Sakura, não começa...

— Exatamente. Não vou começar nada. Vou continuar onde estou. Quem tem que começar algo novo aqui é você, Sasuke, não eu.

— Do que está falando? Não me diga que você vai querer dar ouvidos ao que o meu irmão disse?

— Talvez eu dê. Por que, talvez, ele tenha razão. Afinal, o que eu sou para você? Eu não sou nada. Minha mãe já se foi. Não há mais nada que o prenda aqui, mas eu tenho!

 

Achei que ele fosse me criticar, ou talvez até mesmo me arrastar para dentro do carro, mas não. Ele ficou ali parado na soleira, de ombros caídos, com os olhos no chão, meio perdido. Parecia estar travando uma batalha entre prós e contras em sua cabeça.

 

Era bem verdade que eu não queria que ele se fosse, que ele me deixasse. Mas eu também sabia que não podia impedi-lo de partir, porque ele nunca me pertenceu. Assim como ele nunca pertenceu a minha mãe. Assim como ninguém pertence a ninguém.

 

Então, para a minha surpresa, ele começou a tirar suas coisas do carro, e carregá-la de volta para dentro da casa. E eu não disse nada.

 

Naquela noite, durante o jantar, tive que perguntar a ele porque tinha resolvido ficar, embora desconfiasse de que não iria gostar do que ele pudesse me dizer.


— Foi alguma promessa que você fez a ela?

— Nunca prometi nada a ela. — resmungou, sem tirar os olhos do seu prato.

— Então?

— Pare de me fazer perguntas que não posso responder. — respondeu, meio rabugento.

— Só não quero ter que carregar a culpa pelos seus erros...

— Não se preocupe com isso.

 

Não dissemos mais nada. Mas não pude deixar de me perguntar se eu pedisse para que ele fosse embora, se eu pedisse com todas as palavras em claro e bom tom, ele iria mesmo embora.

 

Depois daquele incidente, Sasuke tentou se colocar novamente nos eixos. Por um tempo, ele parou de sair para beber e ia todos os dias trabalhar, enquanto eu ficava em casa limpando os cômodos e estudando os exercícios que ele deixava para mim.

 

Um dia, de repente, ele chegou em casa me chamando aos berros.

 

— SAKURA! SAKURAAAA!

— O QUE É? — berrei do meu quarto. Eu estava ouvindo música e lendo um livro, com preguiça de me levantar da cama.

 

Então, ele apareceu na porta do meu quarto. Estava com uma cara séria, e achei que algo tivesse acontecido.

 

— O que foi?

 

De repente, ele atira uma pequena caixa em cima de mim.

 

— Parabéns.

 

Abri o embrulho, estranhando. Era uma corrente dourada com um pingente pequeno e delicado em formado do número oito, deitado. Mas eu sabia que aquilo era o símbolo matemático para representar o infinito. E eu nem me lembrava quando tinha sido a ultima vez que tinha comemorado um aniversário. Mas quando fui lhe agradecer, ele já tinha sumido da minha frente.

 

Eu achei que as coisas estavam começando a ir bem entre nós. Ele brigava com menos frequência comigo. Parecia ter parado de beber. E ele também não acordava no meio da noite chamando pela minha mãe.

 

Então, teve aquela vez em que cheguei em casa, do supermercado que havia na rua de trás. Cheguei cheia de sacolas. Quando eu tinha saído, ele não havia chegado de suas aulas ainda, mas tinha deixado um bilhete com algum dinheiro (antes de sair), me pedindo para comprar alguns mantimentos para repor a dispensa. E quando voltei, dei de cara com ele e uma moça na nossa cozinha, conversando amistosamente. Ele até sorria, como há muito eu não o via fazer.

 

Eu devo ter feito uma careta muito estranha quando os vi, porque ela me olhou meio espantada.

 

— Ah, Sakura, esta é uma colega do cursinho. — me explicou — A convidei para jantar conosco.

 

Ela era muito bonita. Muito bonita mesmo. Esbelta, morena de olhos bem azuis, de seios avantajados. E era nova. Deveria ter a mesma idade que ele.

 

Forcei um sorriso que deve ter saído numa careta. Larguei as coisas sobre a mesa e me tranquei no meu quarto sem cumprimentá-la direito. E ainda coloquei o volume do meu aparelho de som no máximo, tocando um rock bem barulhento, como uma adolescente mimada, apesar de já estar com dezoito anos. Em seguida, ele bateu na minha porta, mas não atendi. Só quando ele começou a esmurrá-la, berrando meu nome, foi que cedi. Abaixei o volume e abri a porta.

 

— Obrigado por ter arruinado meu dia. — ele apenas resmungou, me dando as costas.

 

Ela tinha ido embora, porque sentiu-se como deveria ter se sentido mesmo: um incomodo não bem-vindo dentro daquela casa. Não me senti nem um pouco mal por ela. Mas me senti, sim, mal por ele. Por que, de repente, ele estava lá, arrastando os seus pés pela casa como um zumbi. Provavelmente, se perguntando se era mesmo digno de sentir o que era felicidade novamente. E eu sabia que estava sendo mesquinha com ele. Eu sabia que estava apenas querendo me vinga pela vez que tinha enxotado aquele meu “amigo”. Amigo do qual eu nem me importava mais, porque tinha ficado ligeiramente feliz por ter feito o Sasuke sentir alguma coisa. E eu sonhava que tivesse sido ciúmes, mas sabia que isso era apenas loucura da minha mente doentia.

 

Então, sem motivo algum, resolvi comprar briga com ele, ainda naquela noite.

 

— Por que você trouxe aquela mulher aqui sem me avisar antes?

— Eu não sabia que tinha que pedir permissão a você.

— Bom, considere-nos empatados, então. Pelo menos, não a enxotei aos pontapés e socos, como você.

— Ah, então é esse o problema? Tudo bem, vá, saia com quem quiser, e trepe em quem quiser. Seja a vadia que você deve sonhar em ser. Já tem dezoito anos mesmo. Você já está livre para fazer a merda que quiser!

 

Senti-me extremamente ofendida. Principalmente, porque nada daquilo tinha a ver com o que eu queria. Fiquei tão arrasada por seu descaso, que me tranquei novamente no meu quarto, batendo a porta com força. E sem que ele me visse, saí no meio da noite para me divertir.

 

Eu sabia que havia um clube no centro da cidade onde as pessoas jovens se encontravam para beber e dançar, porque ouvi as meninas do clube de vôlei comentar sobre ele. E apesar de nunca ter ligado muito para isso (porque vivia ocupada demais pensando no Sasuke),  resolvi me arriscar. Coloquei na minha cabeça que estava apenas saindo para me divertir como todas as garotas da minha idade faziam.

 

Dancei, bebi, beijei vários caras, e no final vomitei como se estivesse colocando para fora tudo o que não estava suportando daquela noite, sozinha, sem o Sasuke. E ainda assim, voltei a beber mais, porque eu queria sentir um pouco do que ele sentia quando tomava os seus porres.

 

Cheguei em casa às sete da manhã. Ele estava me esperando na sala. Estava de braços cruzados quando entrei cambaleando, me olhando com aquele cenho franzido. E eu ainda me sentia bastante embriagada, tonta, nauseada. O chão, às vezes, perdia o foco.

 

Não sei por que, talvez por nervosismo, comecei a rir. Ri como uma louca, e ainda me desequilibrei e caí no chão, rindo sem parar. Mas, ao mesmo tempo, eu tinha consciência da minha aparência deplorável. Eu deveria estar toda descabelada, com parte da maquiagem borrada, fedendo a álcool e vômito também. E Sasuke ali, apenas me observando sem se mover um centímetro sequer.

 

Custei um bocado para recuperar o fôlego.

 

— Será que agora você me considera uma adulta? — indaguei, tentando me levantar sem sucesso.

 

Sem dizer nada, finalmente se levantou e me ajudou a ficar de pé. Fui apoiada em seu pescoço, arrastando os pés, até o banheiro. Eu ainda não conseguia me equilibrar sozinha de pé, então, me apoiei numa parede enquanto ele me despia. Devagar, com cuidado, ele tirou minha sapatilha, depois a saia e, por último, a blusa; deixando-me apenas de calcinha e sutiã. Sem pressa alguma, ele dobrava minhas peças de roupas para colocá-las sobre o balcão da pia, enquanto fui tirando meu sutiã, de modo que, quando se virou, me encontrou com os seios expostos.

 

Ele me olhou meio surpreso, mas logo desviou o olhar.

 

— O que pensa que está fazendo?

— Em quem você pensa quando se masturba?

 

Ele me olhou surpreso outra vez, e desviou o olhar outra vez. Na verdade, nem eu sabia bem o que estava fazendo. De repente, minha boca começou a falar sem hesitar.

 

— Eu não tenho que te responder isso. — murmurou.

— Por que não? Qual o problema? Do que você tem medo?

— Você tem alguma noção do que está fazendo, garota? — revirei os olhos.

— Até quando você vai me olhar como se eu fosse uma criança? Como uma criança que você sequer conheceu, porque quando entrou nesta casa pela primeira vez eu já me esfregava me masturbando, pensando em sexo!

 

Ele riu meio nervoso.

 

— Quanto de álcool você bebeu, hein?

— Por quê? A quantidade é que determinará se já sou adulta o suficiente ou não? Então me traga mais bebida!

 

Ele suspirou, como se estivesse exausto.

 

— Sakura, alguém precisa bancar o adulto aqui dentro. Eu estou tentando superar a perda da sua mãe, mas...

— Mas toda vez que você olha para mim, você pensa nela, não é?

— Não!

— NÃO MINTA! Eu já vi nos seus olhos. Toda vez que você me olha...

— O que você quer que eu diga?

— Que me deixará ocupar o lugar dela...

 

Afinal, ele não podia ser tolo o suficiente para não ter reparado em meu interesse por ele.

 

Mas Sasuke balançou a cabeça em negação, com um meio sorriso sarcástico. Seus olhos ainda diziam que eu não passava de uma criança inconseqüente.

 

No entanto, me pegando de surpresa, seus olhos, pela primeira vez, percorreram pelo meu corpo como se estivesse olhando para uma mulher e não para aquela adolescente.

 

Eu achei que aquele seria o momento em que ele finalmente me agarraria. Em que ele finalmente me tomaria em seus braços, e me deixasse ser a mulher que eu tanto ansiava. Mas sem dizer nada, de repente, me empurrou para baixo do chuveiro.

 

— Tome uma ducha gelada enquanto preparo um café forte. — dito isso, ele  me deixou sozinha no banheiro.

 

Caí de joelhos no box, com as pernas bambas, chorando e tremendo. Eu comecei a odiar a minha mãe, mesmo sem querer odiá-la. E só por que eu achava que jamais conseguiria ocupar o coração de alguém como ela ocupava o coração dele. Achei que jamais alguém fosse me amar como ele amava ela. E o pior: achei que ele jamais fosse olhar para mim como ele olhava para ela.

 

Quando voltei para a cozinha, de banho tomado, ele me aguardava sentado, bebendo outra xícara de café. Minha cabeça ainda girava um pouco, mas me sentia melhor, com menos enjôo. Puxei uma cadeira, e me sentei de frente para ele.

 

Ele ficou calado, sem dizer nada. Mas eu estava com a garganta fechada, com algo entalado, com algo me sufocando. Por que, de repente, eu parecia ter compreendido tudo. De repente, tudo estava esclarecido. Mas precisava colocar aquilo para fora o quanto antes. Então, nem mesmo consegui beber um gole do seu café sem antes perguntar aquilo.

 

— Você não consegue ir embora, porque pensa que me deixar sozinha é deixar ela, não é?

— O quê? — indagou indignado — Não! Isso não tem nada a ver, Sakura.

— Você só está aqui em consideração a ela, não é? — insisti.

— Sakura, NÃO!

— ENTÃO PORQUE VOCÊ ESTÁ AQUI?! POR QUE VOCÊ NÃO VAI EMBORA?!

 

Com um tapa, joguei a minha xícara de café ao chão, me levantei, e me fui para o quarto. Fiquei trancada lá por três dias sem comer nem beber. Ele batia na minha porta dizendo que havia deixado algo para eu comer na cozinha, mas eu não respondia. Ele até mesmo se deu ao trabalho de dar a volta pelo lado de fora da casa, mas eu já tinha fechado as janelas por dentro, junto com as cortinas.

 

Quando voltei a sair do quarto, nada foi dito ou discutido. Como se nada tivesse acontecido.

 

Como sempre.

 

Outro dia, no entanto, algo inesperado aconteceu. Eu estava na aula de vôlei, antes do clube tirar férias. O clube tinha acabado de participar de um campeonato do qual perdeu. Eu não gostava de participar de competições, eu jogava apenas por laser, e por isso não participei. Mas eu era uma boa jogadora, e algumas das meninas ficaram com raiva de mim. Então, durante o ultimo treino, uma delas veio para cima de mim, me dando uma cotovelada na cara. Bateu no meu rosto, abrindo um corte abaixo do olho. Ela pediu desculpas, dizendo que não tivera a intenção de me machucar, apesar de que eu desconfiasse daquilo. Mas, de qualquer forma, eu não revidei.

 

No entanto, quando cheguei em casa com o olho inchado, Sasuke não acreditou em mim.

 

— De novo, se metendo em brigas, Sakura? Mas que saco! Até quando isso?

 

Eu estava começando a ficar de saco cheio dele.

 

— Quer saber, Sasuke, vai à merda! Eu não estou te pedindo para que me salve, ou seja lá que merda você pense! Sequer estou te pedindo para me ajudar com os curativos. Não se preocupe que eu faço isso sozinha! — e me fechei no banheiro, morrendo de raiva por seu descaso. Ele sequer havia se prestado a ouvir o que eu poderia ter a dizer sobre o incidente. Ao invés disso, foi tirando conclusões precipitadas sem me ouvir.

 

No dia seguinte, durante o café da manha, ele veio me pedir desculpas, mas não lhe dei ouvidos.

 

Então, o que ele fez? Voltou a beber. Depois da folga de uma semana do clube, quando voltei para casa. O telefone tocava alucinadamente quando entre na sala, e o atendi.

 

— É da casa do professor Sasuke?

— Sim...

— Aqui é do cursinho que ele dá aula. Tivemos uma pequena complicação com ele...

 

A mulher do outro lado do telefone me disse que ele chegou bêbado na sala de aula, e ainda ficou assediando uma de suas alunas. Ela queria que alguém fosse buscá-lo, ou chamariam a polícia.

 

Então, fui correndo até o lugar, ainda vestida com o uniforme do clube de vôlei, me sentindo ridícula. Ainda mais por ainda estar com o olho inchado, fazendo com que todos me olhassem. Acho até que devem ter pensado que eu apanhava dele.

 

Mas quando Sasuke me viu atravessar o corredor, percebi que ele parecia tranquilo. Estava sentando num banco dentro da sala dos professores, com gente a sua volta conversando com ele. Inclusive aquela moça bonita que ele havia levado para casa, outro dia.

 

No taxi, não falamos nada (o carro teve que ficar na garagem do prédio do cursinho, porque eu ainda não tinha tirado carteira de motorista, e nem ele podia dirigir naquele estado). Mas quando chegamos em casa, eu explodi de raiva.

 

— POR QUE NÃO PODE SER EU? POR QUE VOCÊ TEM QUE DAR EM CIMA DE OUTRA? ELA NÃO TEM A MESMA IDADE QUE EU? QUE DIFRENÇA FAZ? POR QUE VOCÊ FAZ ISSO COMIGO?  — de repente, eu estava furiosa com ele.

 

Era bem verdade que eu não queria que aquilo acontecesse com ele estando alcoolizado, mas eu também eu achava que aquilo era melhor do que nada.

 

De repente, ele se levantou do sofá, me agarrando pelo pescoço, me imprensando contra a parede da sala. Olhou-me no fundo dos olhos, e, sem dizer nada, agarrou minha vagina com força, me pegando de surpresa.

 

— É isso o que você quer? — sussurrou, esbaforindo todo seu hálito de álcool no meu rosto.

— É! — respondi entre os dentes, sem fazer idéia do que ele pudesse fazer.

 

Em seguida, ele grudou seus lábios secos contra os meus, enfiando sua língua na minha garganta, chegando a me sufocar. Com sua mão firme, ele apertou meus seios. Em seguida, foi me arrastando até o seu quarto. Lá, me jogou sobre o colchão, enquanto tirava o cinto da sua calça. Engoli a seco, mas apenas o observei sem protestar. Ele ainda tirou sua camisa, e pulou em cima de mim, arrancando a força a minha camisa. Ele ainda arrancou os meus tênis dos pés, junto com as meias, e tirou meu short.  Dos pés, veio lambendo minhas pernas, até morder minha vagina sob minha calcinha. Eu gemi tanto de dor quanto prazer, mas ainda não disse nada. Então, ele arrancou minha calcinha a força, rasgando-a na força bruta. Em seguida, ele rasgou a minha camisa, e tirou a força meu sutiã, me deixando completamente nua naquela cama.

 

Foi então que percebi que ele estava mais alterado do que imaginava.

 

— Pare, Sasuke. — resmunguei.

— Não era isso o que você queria? Não era por isso que você estava implorando?

— Não!

— Você não queria que eu te fodesse como eu fodia a sua mãe?

 

Aquilo foi a ultima gota d’água. Chutei no meio de suas pernas, o fazendo recuar. Levantei-me às pressas, e tentei correr para o meu quarto, mas ele agarrou meu tornozelo, me fazendo cair no chão, batendo a cabeça na cômoda ao lado da porta. E sem se importar, ele me puxou para cima do seu corpo.

 

De repente, a raiva deu vez ao medo, e eu tremia. Comecei a chorar, mesmo sem querer chorar. Mas isso apenas fez com que ele sentisse ainda mais raiva de mim.

 

— Vai chorar agora, é, sua vadia? — ele tirou seu pênis duro de dentro de sua calça, e empurrou minha cabeça em direção a ele, me fazendo engolir seu membro. Ele me empurrava com força, me fazendo quase vomitar. Então, comecei a soluçar aos prantos até, que de repente, ele me empurrou para longe, se encolhendo, escondendo o rosto.

 

Ainda tremula, me levantei, conseguindo me recompor.

 

 — Eu não quero que você me foda como fodia a minha mãe. Eu quero que você me foda como fosse foder a Sakura... — resmunguei, juntando as minhas roupas.

 

Não consegui olhar para a cara dele durante duas semanas.

 


Notas Finais


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