História Mais Ninguém - Capítulo 6


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Escolar, Lemon, Romance e Novela, Shonen-Ai, Yaoi
Avisos: Álcool, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 6 - Seis


Passava de uma quando voltamos para os nossos quartos. Como de costume, levei Carlos para o meu, ele não conseguiria chegar ao próprio quarto nem com reza brava, mesmo por que as suas pernas nem estava funcionando de jeito no momento. Ao entrarmos, eu o deixei no chão para não impregnar toda a minha cama com cheiro de álcool. Tomei meu banho primeiro e dei um banho em Carlos depois, troquei a sua roupa e o joguei na cama, só depois fui vestir a minha roupa.

Eu sou um ser humano muito iluminado, sério. Me tenha como amigo e nunca passará sufoco.

- Ele não vai dar piti quando acordar, não é? – Pedro perguntou após sair do banheiro e eu olhei confuso para ele.

- Carlos é muito seguro sobre a própria sexualidade para ter esse tipo de medo – falei do meu armário e peguei apenas uma calça moletom, deixei o meu notebook em cima da mesa e sai muito rapidamente para ir ao refeitório para pegar um pouco de café para mim. Quando voltei, Pedro já estava dormido descoberto, joguei o cobertor sobre ele e tomei um susto, por que quando estava ajeitando o lençol, ele segurou meu pulso e eu prendi a respiração imediatamente, o que esse menino pensa que está fazendo? Acabou não sendo na real.

Liguei o computador, pus a minha senha e esperei ele iniciar de vez enquanto pegava o meu headset e um bloco de notas, pluguei ao sentei na minha cadeira e observei Pedro por um décimo, mas a minha atenção foi totalmente roubada pelo meu computador. Eu conhecia quase toda a lista de clientes da Trinity Harmony, não sei o porquê deste nome e não me dei ao trabalho de perguntar a Willbert sobre o assunto – a sigla era ótima, agora esse nome era um pesadelo –, não me interessava de qualquer forma. Eu tinha acesso a quase tudo que estivesse no sistema da Trinity, e este “quase” apenas se mantem por que Willbert ameaçou mandar me prender se eu fosse longe de mais, o que eu tentava vez ou outra pela deep.

Zigman, Zigman, Zigman... Tomei um gole do meu café e fiquei esperando enquanto o sistema procurava pelo nome, não demorei a achar, acho que não é todo mundo que tem esse sobrenomesinho bonito de dar gosto. Observei a foto por um momento, ele estava um pouco diferente, estreitei os olhos e pedi uma atualização imediata, era estranho, pois isto era atualizado pelo menos de dois em dois anos. Li os dados pessoais... Não usa aliança... Inteligente, pelo menos, pensei e cheguei à primeira parte que me interessava, eu li com atenção e anotei sem olhar para o papel, costume, testes, testes... Aquela ficha estava muito desatualizada, mandei que fizesse testes imediatamente, também. Voltei aos dados pessoais e me questionei se aquele número estava atualizado, anotei. Passei para a segunda parte que me interessava... Competente em conquistar os outros... Dei de ombros e abri o hiperlink para a fixa do atual cliente o qual estaria responsável, quase derrubei a minha caneta ao ver o sobrenome. Tomei mais alguns goles de café e abri a pasta do cliente.

Tive vontade de gritar um grande RÁ para o Nosso Senhor E Bom Deus ao começar a ler a ficha. “Queria que você fizesse parte da segurança” engoli em seco ao ouvir a voz de Willbert na minha cabeça, eu me recostei na minha cadeira e fiquei encarando a foto tirada à paisana do pai de Kevin.

Se no primeiro ano eu não sabia o porquê de ter sido enviado para Saint’s August, no segundo logo após o nascimento de Jeff, ficou muito claro. Willbert estava me testando, quando eu disse que para ele, tudo, era uma forma de negociação, a minha vinda para cá foi uma sonda e logo depois virou um investimento, além de ver como eu me viraria no meio de um bando de macho, ele queria ver em quantos problemas eu me enfiaria só sair de quartos alheios ou ser pego com alguém no meu. É mais do que óbvio que eu o decepcionei, eu sou gay – acha que isso ficou muito claro – e às vezes sou escrachado, mas quando preciso, eu sei maquiar muito bem os meus movimentos. Willbert era homofobico e ainda não aceita muito bem a minha sexualidade, mas ele também é um empresário e eu sou, acima de qualquer outra coisa, rentável, pois o que ele cobra de taxa extra para os clientes pelos meus serviços, não está no gibi. Sim, ele é um grande filho da puta, mas é inteligente. Por outro lado, eu também conquistei a sua confiança, mas ele nunca foi capaz de ter a minha, acho que é por isso que eu vivo juntando dinheiro, eu tenho um plano A, B e C para tudo, então na aba dele, eu nunca vou ficar, só não pago a mensalidade dessa escola por que a considero ridícula de cara e também por que se ele quis me isolar aqui, ele que arque com as consequências, não pedi por nada disso mesmo.

O fato de ele ter solicitado diretamente a minha presença no casamento tinha tantas variáveis que eu preferi não pirar e ver como as coisas iriam acontecer, por que podia ser um teste, podia ser um investimento, uma manipulação, podia ser qualquer coisa. NOJETO MANIPULADOR DE MERDA...

Voltei ao que estava fazendo e continuei a minha pesquisa.

Eram seis horas quando os dois levantaram, as aulas começaram sete e meia. Sim, estamos ainda no inicio da semana e passamos a noite bebendo, somos verdadeiros exemplares de estudantes modelo. Não estava com sono por causa do café e pretendia tomar um bem forte hoje para não dormir durante a aula, desliguei o meu computador, li o meu bloco de notas. Quando vi Carlos sair do banho, fui tomar o meu.

Ao sair, Carlos e Pedro olhavam para as minhas anotações como se lessem uma criptografia alienígena.

- O que vocês pensam que estão fazendo? – Perguntei enquanto secava o meu cabelo, Carlos e Pedro me olharam rápido, mas Pedro voltou seus olhos para o caderno como se fosse a coisa mais interessante do mundo. Senti uma pontada de ofensa com este ato. Não disse que esse garoto é bipolar.

- Tentando descobrir esse novo alfabeto que você criou – Carlos falou, tinha pegado uma blusa minha que ficava muito grande nele, intimidade é foda. Fui até a mesa, peguei o computador, meu bloco e minha caneta.

- Vai trocar de roupa que essa camisa não te valoriza em nada – falei apontando para Carlos que apenas rolou os olhos.

- Como se eu me importasse.

- Não precisa. Basta a minha pessoa que tem de ficar olhando isso – falei e ele se irritou.

- Essa camisa é sua, sabia? – Peguei as nossas mochilas do chão.

- É, - joguei a mochila para ele – mas em mim, fica maravilhosa – ele me chutou em direção a cama e eu caí sentado e ainda guardei as minhas coisas. – Nunca poderá me tombar, querida – falei lhe dando um sorriso brincalhão e ele ameaçou vim pra cima de mim, mas eu já estava de pé e protegido pelas portas do meu armário. – Vai logo antes que se atrase para a aula – falei e ele pareceu finalmente lembrar que isso existe e saiu correndo para trocar de roupa e vestir o próprio uniforme, ri dele, vesti o meu uniforme e fui catar as roupas do chão.

- Ei – Pedro chamou atrás de mim e eu virei, ele pareceu preocupado e eu tive vontade de pular naquela cara de cachorrinho, logo petrifiquei, eu não sei como agir com esse garoto. – Está tudo bem? – Estranhei a pergunta. – Bebeu pra caralho, passou a noite em claro, ficou escrevendo coisas estranhas – ri com essa última parte – e ainda vai assistir aula.

- Deixa eu te contar um segredo – falei com ar de grande importância e ele pareceu prestar atenção – Eu sou o Batman – ele me olhou com cara de “isso é sério?” e eu ainda confirmei com a cabeça, ele pegou um travesseiro e bateu em mim e continuou, corri para a minha cama, mas antes que eu pudesse devolver, ele sentou em cima de mim e ficou batendo em mim com o travesseiro. – Tá, tá... Chega – e consegui jogar o travesseiro para qualquer lugar e inverti as nossas posições ficando em cima dele. Ele arregalou de leve os olhos e eu senti vontade de sair de cima dele, mas também de ver no que aquilo daria se eu...

- Vinicius, sai de cima de mim – pediu, mas não faz qualquer menção de me empurrar, umedeci os lábios e segurei o seu queixo com a ponta dos dedos.

- O que ouço não é o que quero, o que faço? – Provoquei e ele ficou tenso, mas aí veio à parte que me surpreendeu, ele inverteu as nossas posições me movendo como uma boneca de pano e segurou meus braços acima da cabeça, fiquei sem ar. Ele sorriu e falou em tom de brincadeira, mas com uma faísca de cinismo brilhando em seus olhos:

- Eu pedi para sair. – E ele levantou da cama.

- Só é pequeno – falei ainda deitado e ele me olhou por sobre o ombro.

- O que disse?

- Que você é fortinho – falei sorrindo de canto e ele se voltou para mim, pôs a mão na cintura e me encarou por poucos segundos.

- Tá me zoando, Vinicius? – Perguntou e eu pisquei algumas vezes antes de encara-lo direito.

- Na verdade te elogiando – respondi estranhando aquele comportamento e ele virou para ir pegar a própria mochila.

- Acho bom – e se dirigiu a porta. – Vou tomar café. Te vejo na sala? – Assenti sentando na cama e observando enquanto a porta fechava, moleque estranho, pensei rindo e voltei a recolher as roupas de Carlos, separei, pus na roupa suja e fui terminar de me arrumar.

Quando terminei, fui tomar o meu café.

Ao entrar no refeitório, encontrei sete zumbis e dois sobreviventes, ri alto e os sete me encararam putos da vida. Fui pegar o meu café e voltei para perto deles. Que ótima forma de reiniciar um semestre.



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