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História Mais que Irmãos - Simbar - Capítulo 5


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Notas do Autor


👉🏻❤💋➖Oi, desculpa a demora, espero que gostem deste capítulo, boa leitura.❤💋➖👈🏻

Capítulo 5 - Cinco


Fanfic / Fanfiction Mais que Irmãos - Simbar - Capítulo 5 - Cinco

As filmagens começaram a exigir todo o tempo do Simon, logo ele e todo o elenco viajaram para fazerem as cenas externas, mantendo-se distantes por cerca de um mês.

 

Enquanto isso, tive tempo suficiente para pensar nos meus sentimentos por ele, naquele plano maluco que havia seguido e nas escolhas que estava prestes a fazer.

 

Eu amava o Simon, profundamente, desesperadamente, totalmente e tolamente.

 

Sim, eu era uma tola por amá-lo tanto, há tanto tempo e sem a menor possibilidade de vê-lo concretizado, bastaria uma palavra dele para que jogasse tudo para o alto, daria qualquer coisa por um simples beijo, por uma simples carícia que demonstrasse claramente que eu significava algo mais para ele, que não fosse apenas à irmãzinha.

 

Mas, como Yam me lembrou tão bem, até quando esperar, até quando deixar de ter minha própria vida, de experimentar algo concreto, real e parar de viver apenas de sonhos e fantasias? Foi com dor no coração e na alma que decidi desistir dele, virar essa página, constantemente sem conclusão na minha vida.

 

 

 

Yam continuava me pressionando a acabar logo com aquilo, mas fui firme com ela ao esclarecer que o amor de uma vida inteira não se deixa assim, como se descarta um sapato velho; era necessário me despedir aos poucos, me despedir de todas as lembranças, de todos os momentos que passamos juntos, das risadas, dos sorrisos, das piadas, das lágrimas, das brigas, do toque, dos cheiros, tudo que o simbolizasse.

 

 

Perguntava-me o que sobraria em mim, depois de todo aquele exorcismo, porque amá-lo era como estar possuída por uma força sobrenatural.

 

Tudo o que sentia agora dentro de mim era um profundo e imenso vazio, se pudesse gritar por dentro só meu próprio eco me responderia.

 

Foi nesse clima sombrio que o recebi. Era com uma frieza cortante que respondia a ele quando falava comigo, e eu podia enxergar, em seu olhar, confusão, mágoa e ressentimento com minha mudança de atitude.

 

O tempo passava e eu fui me afastando, destruindo pontes e desfazendo laços.  Na noite anterior ao lançamento do filme, coloquei em cima da cama o baby-doll comprado com a Yam, olhei-o indecisa, até que decidi não usar. Não senti necessidade nem motivação, e o deixaria reservado para outra ocasião. Finalmente, chegou o dia tão aguardado, toda a família estaria presente no evento, era uma ocasião de gala.

 

Arrumei-me com todo o cuidado, o melhor penteado e a melhor maquiagem, porque decidi que aquele seria o dia definitivo na minha transformação; meu futuro parceiro já estava definido. Logo após a apresentação do filme, haveria um jantar comemorativo e em seguida uma festa fechada num famoso clube noturno, restrita a poucos convidados.

 

Como irmã do Alvarez  e amiga de quase todo o elenco, claro que havia sido incluída nessa comemoração.

 

Decidi, então, que lá se daria o desfecho e eu iniciaria uma nova fase na minha vida.

 

Simon também tinha avisado que, na manhã seguinte à estreia, ele e boa parte do elenco viajariam por duas semanas, percorrendo vários lugares para divulgação do filme.

 

 

 Coloquei meu vestido de tafetá tomara que caia, num tom de verde-oliva, com bordados e detalhes em vinho, um pouco acima do joelho. Ainda bem que o sutiã que eu tinha comprado com Yam tinha alças removíveis, e havia chegado o dia de usar a lingerie, que faria me sentir poderosa. Prendi os cabelos num rabo de cavalo alto, coloquei brincos compridos para combinar, uma sandália de salto agulha, e fiz uma maquiagem leve, porém com os olhos bem realçados, dei uma boa borrifada de perfume e estava pronta.

 

Havia acabado de tirar a carteira de motorista e iria dirigindo o carro da mamãe, porque nossos pais voltariam para casa logo após o jantar e eu seguiria para a festa, infelizmente dando carona para o Simon. Peguei meu casaco e bolsa e desci a escada.

— Uau! Nossa princesa está linda! — papai disse assim que me viu, tirando uma foto e fazendo- me piscar com o flash.

A família estava toda reunida na sala, minhas irmãs também estavam presentes, todos elegantemente vestidos. Meu olhar percorreu o ambiente e, quando encontrei Simon, senti o familiar aperto na boca do estômago: ele estava lindo com aquele cabelo cuidadosamente despenteado, usando calça social, camisa cinza e paletó preto. Desviei rapidamente o olhar, evitaria olhá-lo o máximo possível essa noite, queria me concentrar totalmente no meu objetivo, o que não o incluía. Tiramos várias fotos, todos juntos, evitei aquelas ao lado dele, mas isso foi impossível quando mamãe sugeriu, fazendo um gesto com a mão para nos aproximarmos.

 

— Vai, Simon, só ficou faltando uma foto sua com a Âmbar!

 

Olhei para Simon, que, sério, se aproximou de mim, e ficamos parados, de pé, retos, um ao lado do outro.

 

 Não tivemos alternativa. Obedecemos. Abraçamo-nos pela cintura e demos sorrisos forçados. Assim que papai tirou a foto, afastamo-nos rapidamente.

 

— OK, já está bom, não é? Não quero me atrasar! — Simon disse, em direção à porta.

 

 

Entrei no carro e, em seguida, ouvi a outra porta se abrindo. Também vi o Alvarez  entrar, se sentar ao meu lado e colocar o cinto, e eu dei a partida.  Andava devagar pelas ruas, nervosa por ser a primeira vez que dirigia oficialmente e por estar com ele ao meu lado.

 

— Nessa velocidade, vamos chegar amanhã! — comentou, impaciente.

 

— Quem sabe agora, que você ficou famoso, cheio da grana, compra um carro para você e aprende a dirigir — rebati.

 

— Não gosto de dirigir — disse, fazendo uma careta.

 

— Como você pode dizer que não gosta se nunca tentou?

 

— Você não precisa tomar veneno para saber que é perigoso, não é mesmo? Além disso, carros me deixam nervoso. — E encerrou o assunto, mexendo as mãos sem parar.

 

Era de conhecimento público que Alvarez  tinha sérios problemas com ansiedade, motivo pelo qual não confiava em si mesmo atrás de um volante.

 

— Você está nervoso?

 

— Muito! Vai estar cheio de gente lá, olhando, tirando fotos, sabe como me sinto em multidões! — desabafou, rindo nervosamente.

 

— Fica tranquilo, tenho certeza de que o filme vai ser um sucesso — falei, tranquilizando-o. — Respire fundo, sorria e pense: “Sou talentoso, bonitão, fiz um bom trabalho e minha roupa está arrasando!”

 

— Você realmente pensa isso? — perguntou, olhando fixamente meu rosto.

 

— Que você é talentoso? Claro, já te disse isso várias vezes — respondi, distraída.

 

— Não, a outra parte, você realmente me acha bonitão? — Ele sorria cinicamente agora. — Gostou da minha roupa?

 

Tive vontade de morder a língua por ter dito aquilo. Droga! Agora não poderia voltar atrás.

 

 — Olha, você sabe que tem boa aparência, certo? — perguntei, irônica. — E, sim, gostei da sua roupa, ficou muito elegante. — Senti que ele me olhava de alto a baixo.

 

— Também gostei muito da sua, você está muito sensual. — Quase bati o carro quando ele disse isso, freando abruptamente.

 

— Ei, cuidado! Quero chegar vivo! — ele reclamou, nervoso, se segurando na porta.

 

— Então, para de me distrair e me deixa dirigir! — E ficamos em silêncio até chegarmos ao nosso destino.

 

O lugar estava uma loucura: atores, jornalistas, convidados, fãs, curiosos, gente gritando histericamente, seguranças, policiais. Guiei o carro com dificuldade até o estacionamento reservado, e assim que saímos do automóvel comecei a ouvir muitos gritos. Muitas pessoas falavam ao mesmo tempo. Chamavam o Alvarez  com as mãos, diziam que adoravam o seu personagem, pediam autógrafos, gritavam que ele era lindo.

 

— O que eu faço agora? — perguntou, nervoso.

 

— Vai lá, fale meia dúzia de bobagens para os jornalistas, sorria muito, dê autógrafos, tire fotos e aproveite! Este é o seu momento! — respondi, começando a me afastar.

 

— Não! Fica comigo, por favor! — Ele estava realmente apavorado.

 

— Simon, calma! — falei, parando à sua frente. — Vai dar tudo certo, respire fundo, vamos! — Tentei puxá-lo, mas ele não se mexeu.

 

— Espera, antes de ir você faria uma coisa por mim? — perguntou, segurando minha mão.

 

— O quê?

 

— Me dá um abraço de boa sorte.

 

Olhei seu rosto, coisa que estava evitando fazer até então, e vi um par de olhos muito verdes suplicantes, olhos de menino, os mesmos que vi tão curiosos, descendo a escada na primeira vez que cheguei a nossa casa, tantos anos atrás. E eu soube, mais uma vez, não importava que eu já tivesse desistido dele, não importava quantos homens passariam por minha vida no futuro, sempre amaria aqueles olhos, até meu último suspiro.

 

Aproximei-me dele, ergui os braços e o abracei pelo pescoço, ficando na ponta dos pés e sentindo o cheiro maravilhoso de perfume em seu pescoço. Ele retribuiu me abraçando pela cintura, me apertando contra seu peito e respirando profundamente.

 

— Obrigado, você sempre me acalma — sussurrou no meu ouvido.

 

— OK. Agora vamos, já estamos atrasados! — disse, me afastando e tentando conter a emoção.

 

Entramos juntos no tapete vermelho, mas logo ele foi parado pelos jornalistas e fotógrafos e eu continuei andando até entrar no cinema. Nossa família já estava sentada nos lugares reservados, nos aguardando.

 

— Vocês demoraram! — disse Delfi, quando sentei ao seu lado.

 

— Lá fora está uma loucura, um monte de gente chamando pelo Alvarez!

 

— Imagino!

 

 

Depois de um bom tempo ele chegou, sorrindo e com os olhos brilhando, sentando-se ao meu lado.

 

— Consegui, ufa!

 

 — Vá se acostumando, isso é só o início! — disse Delfi.

 

As luzes finalmente se apagaram e o filme começou. Estávamos todos ansiosos, ele tinha um papel secundário, mas era inegável que, toda vez em que aparecia em cena, éramos imediatamente atraídos pelo magnetismo de sua interpretação.

 

À hora da cena em que ele dançava, não resisti, me virei para ele e perguntei:— Quantas vezes você pisou no pé da sua parceira?

 

— Só duas — respondeu, rindo.

 

Enfim, chegou uma parte muito dramática do filme, em que seu personagem era torturado. Tive vontade de esconder o rosto para não continuar vendo suas expressões de sofrimento e dor, que ele representava de forma espetacular, até que não me contive mais e chorei mesmo.

 

— Fala sério, Âmbar ! — disse Simon, tirando um lenço do bolso.

 

— Ah, cala a boca! — respondi, embaraçada, pegando o lenço que ele estendia, assoando o nariz.

 

O filme terminou, as luzes voltaram a se acender, e começou a hora dos cumprimentos, todo mundo feliz e orgulhoso do resultado. Parabenizei todo o elenco e tirei um monte de fotos. Reparei que Augustín parecia um pouco mais contido essa noite ao falar comigo e entendi o motivo, quando percebi que tinha vindo acompanhado de uma bela morena. Surpreendi-me quando senti uma mão na minha cintura, e uma voz macia com sotaque carregado falando no meu ouvido:

— Alguém já disse que você está linda esta noite?

— Oi, Jorge ! Obrigada, você também está ótimo! — falei, observando suas roupas elegantes. — Parabéns pelo filme. Está maravilhoso!

 

— Obrigado — disse, sorrindo. — Você vai conosco na comemoração, mais tarde?

 

— Claro, não vejo a hora! — respondi, sorrindo.

 

— Ótimo, quero dançar com você a noite toda — disse claramente, demonstrando suas intenções ao apertar ainda mais minha cintura.

 

— Combinado, a gente se vê lá. — Ele me deu um beijo no rosto e saiu, sorrindo e insinuante.

 

— O que o francês queria? — perguntou Simon  carrancudo, surgindo de repente.

 

— Não é da sua conta — respondi friamente, irritada com seu tom de voz, e o encarei, aborrecida.

 

— Então, vamos jantar? — perguntou mamãe, atrás de nós.

 

 Seguimos para o espaço reservado para a ocasião, um salão imenso de um luxuoso hotel, que foi todo decorado com cartazes e imagens do filme, sentamo-nos a uma das várias mesas redondas dispostas no local. O diretor do filme chegou e todos o aplaudiram.

 

Ele ergueu os braços, pedindo silêncio, e fez um breve discurso de agradecimento. No final, entraram vários garçons, servindo taças de champanhe, e brindamos a boa sorte do filme e de todos. Voltamos a nos sentar, não demorou muito a entrada foi servida, logo seguida pelo prato principal, e saboreamos felizes a deliciosa refeição. Durante todo esse tempo, a conversa animada rolou solta, mas continuei bravamente nos meus esforços de não fixar o olhar nele. Também tiramos mais algumas fotos em família e com os amigos.

 

Aos poucos, o salão começou a se esvaziar de convidados, sinal de que estava ficando tarde. Papai estava recostado em sua cadeira, parecendo sonolento, e mamãe, depois de disfarçar um bocejo, colocou a mão no ombro dele, dizendo que também já era hora de voltarem para casa. Infelizmente, nem Luna ou Delfi poderiam nos acompanhar à festa, já que ambas tinham compromissos bem cedo no dia seguinte. Olhei meu relógio de pulso e confirmei que tinha chegado a hora de partirmos.

 

 — Está pronta? — perguntou Alvarez, já se levantando de sua cadeira.

 

— Sim, só vou colocar meu casaco — respondi, ao me erguer.

 

Voltamos calados para o carro e nos dirigimos ao clube noturno, que não era muito longe dali. Deixei o carro no estacionamento, saímos e fomos andando lado a lado em direção à entrada do local da festa, onde um forte esquema de segurança foi montado. Paramos próximos da pista e, ajeitando os ombros, ergui bem as costas e abri um grande sorriso, pronta para começar a colocar meu plano em prática.

 

— Alvarez, agora cada um por si — falei, me virando para ele.

 

— Como assim? — perguntou, desconfiado.

 

 

 

— Quero dizer que vou procurar minha turma e você procure a sua. Até mais! — respondi me afastando dele, rindo ao deixá-lo lá, mudo de espanto.

 

Passou um garçom servindo champanhe e peguei uma taça: essa era a minha noite e iria aproveitar cada momento dela.

 

— Finalmente, encontrei a minha dama — disse Jorge, aparecendo de surpresa. — Pronta para fazer dessa uma noite inesquecível? — girei meu rosto e sorri para ele, acabando de beber o champanhe.

 

— O que estamos esperando? — perguntei.

 

Ele sorriu de volta, pegou meu copo vazio, colocando-o numa mesa próxima, e em seguida pegou minha mão e deu um beijo nela olhando-me fixamente, o que me fez arrepiar de expectativa. Em seguida, conduziu-me à pista de dança, onde tocava uma música bem agitada.

 

— Adoro essa música! — gritei para ele.

 

— Eu também! — respondeu, animado.

 

Começamos a dançar, rindo e brincando, nos requebrando com o ritmo alucinante. As músicas mudavam, e nos soltávamos completamente, cantando junto o que mais gostávamos, de vez em quando bebendo mais taças de champanhe gelado para refrescar. Aos poucos, fui me soltando completamente e comecei a remexer os quadris no ritmo insinuante da música. Jorge logo se animou, me segurando pela cintura e me puxando para perto do seu corpo, e ficamos bem próximos, nos movendo na mesma sintonia.

 

— Com certeza, você sabe como se mexer — disse em meu ouvido, e dei uma risada.

 

Começou a tocar uma música de batida forte, rápida e envolvente, nos obrigando a acelerar ainda mais os movimentos. Ele me olhava nos olhos, parecendo estar gostando daquilo tanto quanto eu, e subitamente me pegou pelo quadril, me virando e grudando minhas costas em seu peito largo, enquanto nossos quadris se chocavam.

 

— Estava louco para dançar essa música com você! — falou, enquanto cheirava meu pescoço.

 

Nesse momento, ergui o rosto e vi o Simon do outro lado do salão, com uma bebida na mão, ao lado de algumas pessoas que conversavam, mas parecia não estar prestando nenhuma atenção, pois olhava disfarçadamente em minha direção; por um momento, nossos olhares se cruzaram, e senti o Jorge beijando levemente meu pescoço. Fiz questão de encarar o Simon fixamente nesse momento, adorando a sensação de vingança ao registrar o resultado da carícia que tinha acabado de receber e ver a expressão de seu rosto endurecer.

 

Mais músicas se sucederam, estava um pouco suada e quis lavar o rosto para retocar a maquiagem, então pedi licença ao meu charmoso acompanhante e fui para o toalete. Como todo o restante da casa, o banheiro era enorme e chique, decorado como se fosse um camarim de teatro, com muitas luzes ao redor do imenso espelho. Mármore negro cobria quase todo o lugar, inclusive a imensa bancada que ia de uma parede a outra. Depois de me refrescar um pouco, me olhei no espelho, refazendo a maquiagem, passei as mãos no cabelo, observei meu rosto afogueado com os olhos brilhando, me sentindo ótima e poderosa. Dessa vez, iria até o fim, um homem lindo e charmoso me aguardava lá fora, e eu não desperdiçaria mais meu tempo. Saí do banheiro praticamente já dançando novamente, cruzei com um garçom e peguei outra taça de champanhe, no entanto alguém a retirou rapidamente das minhas mãos.

 

— Chega. Você já bebeu muito — Simon disse, aparecendo ao meu lado.

 

— Quando você bebe, parece nunca ser demais! — falei, irritada com sua petulância.

 

— Você não está acostumada e isso não é suco! — rebateu.

 

Por que ele tinha que ser tão irritante? Mas eu não iria permitir que ele interferisse em nada.

 

— Vá cuidar da sua vida! — falei furiosa, me afastando dele.

 

Voltei para a beirada da pista de dança, onde Simon me aguardava.

 

— Está tudo bem? — perguntou, tocando meu rosto e observando meus olhos tensos.

 

— Tudo bem, só o Simon com essa mania de tomar conta de mim que me irrita! — desabafei.

 

Ele segurou minha mão e deu um sorriso charmoso.

 

 — Esquece o Simon, ele só está se comportando como o típico irmão mais velho e protetor. Às vezes, não é fácil entender que a irmãzinha cresceu. Bem, chega de falar no seu irmão, que tal voltarmos de onde paramos? — E eu sorri, voltando a relaxar, e me deixei guiar por suas mãos fortes.

 

 

De volta à pista, dançamos várias outras músicas, enquanto rolava mais champanhe. Agora nossos corpos se roçavam sugestivamente, e ao tocar uma sucessão de músicas vibrantes grudamos nossas pernas, enquanto ele me segurava pela cintura.

 

Jorge sussurrou meu nome em meu ouvido, com aquele sotaque maravilhoso, suas mãos descendo e subindo por minhas costas. Seus lábios iam e voltavam perigosamente perto dos meus, e me senti ansiosa por ter essa experiência.

 

— O que você acha de irmos para um dos reservados lá em cima? — perguntou, enquanto roçava os lábios na minha orelha, provocando-me arrepios.

 

Confirmei, fazendo um gesto com a cabeça, e ele sorriu, animado. De mãos dadas saímos da pista, driblando os outros casais que encontrávamos pelo caminho, subimos a escada que dava acesso a um balcão onde várias pessoas dançavam, admirando a pista lá em baixo, algumas se abraçando ou beijando. Na parede oposta, vi também várias portas, e Jorge foi naquela direção, me levando junto com ele.

 

Checando uma a uma, verificamos que a maioria já estava ocupada, até que encontramos vazia uma das últimas e entramos. A sala pequena estava iluminada por um abajur no canto, e um sofá imenso de couro preto cobria toda a parede, com uma mesa ao centro. Ele se sentou no sofá, comigo ao seu lado, me abraçou com carinho, e com uma das mãos segurou meu rosto.

 

 

— Você é tão linda — declarou, aproximando o rosto do meu.

 

“Ai, caramba, vai ser agora, meu primeiro beijo!”, pensei, ofegante, fechando os olhos e sentindo o calor do seu hálito na minha pele. Inesperadamente, a porta se abriu com violência, fazendo-nos pular, surpresos.

 

— O que você pensa que está fazendo? — gritou um Simon furioso, entrando na sala.

 

 

— Saia já daqui! — gritei igualmente furiosa, pondo-me de pé.

 

 

— Chega desse espetáculo, você já foi longe demais! — gritou de volta.

 

 

— Calma, Simon... — disse Jorge, tentando acalmar a situação.

 

 

— Com você eu me acerto depois! — ameaçou Jorge.

 

 — Cala a boca, Simon! Você não vai se acertar com ninguém, muito menos com o Jorge, você não manda na minha vida!

 

 

— Vem comigo agora, Âmbar !

 

 

— Nem pensar! Você não é nada meu para dizer o que faço ou aonde vou!

 

— Âmbar, esse é o último aviso, vem comigo agora! Ou você vem por bem, ou vem por mal!

 

 

— Nem amarrada! — gritei.

 

 

— Eu te avisei! — subitamente, Simon me agarrou pela cintura, me jogando em seu ombro, e foi para a porta.

 

Momentaneamente, fiquei sem fôlego, pela surpresa de ser arremessada sem aviso algum, e horrorizada por ele ter a audácia de agir como um troglodita, mas me recuperei rápido e comecei a socar suas costas com minhas mãos.

 

 

— Espera, Simon! Vamos conversar... — ouvi Jorge dizer.

Simon se virou para ele e disse, apontando-lhe o dedo:— Você fica fora disso, isso é assunto de família! — Em seguida, saiu porta afora, comigo esperneando jogada em seu ombro, tentando chutá-lo com minhas pernas e xingando-o com todos os palavrões que eu conhecia – até inventei uns novos, enquanto as pessoas nos olhavam, assustadas.

 

Ele desceu a escada comigo em seu ombro e, como eu não parava de lutar, entrou comigo por uma porta e me colocou no chão. Assim que voltei a ficar de pé, percebi que era o banheiro feminino, onde já havia estado. Completamente furiosa, observei-o trancar a porta e se virar pra mim.

 

— Você enlouqueceu? — gritei.

 

 

— Quem parece ter enlouquecido é você! — gritou de volta.

 

 

— Você não tinha esse direito! Você não é meu pai!

 

 

— Duvido que você fosse se comportar desse jeito na frente dele! Rebolando, se agarrando com um quase desconhecido na pista de dança, bebendo sem parar...

 

 

— Pode parar! — cortei. — Eu estava me divertindo, dançando como todo mundo, e o Jorge não é um desconhecido! Já vi você fazer coisa bem pior, nos bares que frequenta com suas “amiguinhas”!

 

 

— Isso é diferente, Âmbar!

 

 

— Não, não é diferente, estamos no século XXI, direitos iguais, lembra? Como ousa me humilhar dessa forma na frente de todos? Nunca vou te perdoar por me fazer passar essa vergonha, agora suma daqui! — disse, virando de costas para ele, tremendo de raiva.

 

 

— Nunca imaginei que um dia pudesse ver você fazendo papel de vadia! — O que ele disse foi à gota d’água, e sem pensar me virei rápido e dei um sonoro tapa em seu rosto.

 

Fiquei olhando para o rosto dele virado, depois do tapa que lhe dei. Seus olhos estavam fechados, vi as marcas vermelhas que os meus dedos fizeram em sua pele, e me dei conta de que tinha ido longe demais. Abrindo os olhos, virou o rosto pra mim, numa máscara de fúria que me fez gelar até os ossos, seu olhar fervendo numa raiva intensa.

 

Já tinha aberto a boca para me desculpar, quando me agarrou pelos braços com força, quase me machucando:— Você não sabe que só existe um castigo para a mulher que bate em um homem? — E, me puxando com violência de encontro a seu corpo, esmagou meus lábios com os dele.

Fui pega completamente de surpresa com aquele ataque repentino. Alvarez  me apertava com força, sua boca obrigando a minha a se abrir, bati o quadril na bancada, enquanto ele me pressionava com seu corpo. Estava tonta, sem conseguir pensar com clareza, muito menos conseguir assimilar que o que havia sonhado, imaginado e rezado para acontecer estava de fato se realizando. Senti sua língua invadir a minha boca, me obrigando a uma rendição total, e literalmente me senti devorada por ele.

 

 

Estava em choque com seu ataque, me segurei em seu pescoço para não cair, até que o beijo foi mudando de intensidade, indo da raiva para algo mais lento e sensual.

 

Sentia sua língua se movendo dentro da minha boca, mas ele deve ter percebido minha inexperiência, porque se afastou por um momento e sussurrou:— Relaxa os lábios e mexe sua língua junto com a minha — disse, respirando rápido.

Olhei rapidamente em seus olhos e não vi mais raiva, apenas desejo; eu tremia da cabeça aos pés pela forte emoção que me dominava.

 

Não conseguia acreditar que, dessa vez, tinha o homem dos meus sonhos, não só pedindo meus beijos, como me ensinando a beijar. Como um símbolo de rendição, fechei os olhos e aguardei ansiosa, me entregando ao momento. Primeiro senti seu hálito, seu perfume natural deixando-me inebriada, depois senti o toque suave de seus lábios nos meus, tão delicadamente que pareciam de seda.

 

Senti uma de suas mãos em minha nuca, enquanto a outra me segurava pela cintura, com firmeza e carinho, e seguindo sua orientação movi meus lábios com os dele, saboreando sua maciez e sabor tão masculinos.

 

 

Abrimos nossos lábios um pouco mais e, quando nossas línguas se encontraram pela primeira vez, abracei-o fortemente junto a mim, enquanto nos beijávamos em completa harmonia.

 

 

O estouro de uma manada de búfalos furiosos, a explosão de uma bomba nuclear, o impacto de um meteoro, tudo isso era pouco ao tentar expressar as emoções liberadas naquele momento, sensações fortes e intensas demais que vinham em ondas cada vez maiores, como se estivesse me afogando em fogo líquido, se é que isso era possível. Perdi completamente o domínio sobre minhas ações, sentia como se tivesse me tornado uma marionete em suas mãos, à medida que o beijo prosseguia e ganhava força e calor, assim como seu abraço se tornava possessivo e exigente.

Minha boca não parecia mais suficiente para ele, pois desceu os lábios para meu queixo onde mordiscou levemente, antes de seguir para meu pescoço; arrepios de prazer percorriam meu corpo à medida que ele beijava e sugava bem atrás da minha orelha. Naquele sublime momento, éramos somente Simon e Âmbar, nosso sobrenome em comum havia ficado para trás.

 

Tive a impressão de ouvir batidas na porta, mas não tinha certeza, pois Alvarez nessa hora voltou à atenção novamente para minha boca, me dando mais um beijo arrasador, me fazendo arder em chamas; abracei-o ainda mais forte, porém agora eu ouvia que estavam realmente esmurrando a porta e desgrudei a minha boca da dele.

 

— Alvarez ... — falei, sem fôlego. — Tem gente batendo na porta, querendo entrar.

 

 

— Eles podem esperar — falou, enquanto mordia minha orelha.

 

 

— Abram essa porta, ou vamos arrombar! — ouvi uma voz de homem ameaçando.

 

— Alvarez! Por favor, vamos sair daqui! — implorei, criando coragem e empurrando-o com minhas mãos.

Ele olhou para o meu rosto, e vi tanto sentimento em seus olhos que senti minhas pernas ficarem moles, mas ele pareceu me ouvir dessa vez, pois se afastou um pouco.

 

— Já vamos! — disse, ajeitando suas roupas e seu cabelo.

 

 Fiz o mesmo me olhando rapidamente no espelho, alisando o vestido e passando a mão no cabelo. Simon abriu a porta, e demos de cara com um segurança mal-encarado.

 

 

— Algum problema, senhorita? Esse cavalheiro a está molestando? — perguntou se dirigindo a mim, já se preparando para partir para cima do Simon.

 

 

— Não, está tudo bem, garanto! — respondi rapidamente.

 

— Tem certeza? — tornou a perguntar, e confirmei, afirmando com a cabeça.

 

 

 Depois de lançar mais um olhar ameaçador para o Alvarez , partiu.

 

 

— Vem! — Ele falou, me puxando pela mão.

 

 

— Aonde vamos? — Ainda estava atordoada e tropeçava sem parar.

 

 

— Você ainda não dançou comigo essa noite — respondeu, me conduzindo à pista de dança.

 

Ao chegarmos lá, tocava uma música muito alegre, com uma batida contagiante. Ele se agarrou comigo e começamos a dançar, mexendo os quadris de forma sensual no ritmo da música, se é que aquela ralação toda podia se chamar de dança. Eu não conseguia parar de olhar seu rosto vermelho, excitado, olhos brilhando e aquele meio sorriso, que acabava com as boas intenções de qualquer garota. A música mudou para uma melodia mais tranquila e romântica, o que ajudou a nos acalmar um pouco.

 

Sentia um clima de encantamento no ar, entrelaçamos nossas mãos, pousei minha cabeça em seu peito, sentindo seus lábios em meu cabelo, enquanto nos movíamos de um lado para o outro. Reparei em vários casais se formando na pista. Ele me abraçou pela cintura, enquanto passava minhas mãos atrás de seu pescoço, e nos deixamos envolver pela melodia.

 

 

— Quero que todos vejam que você é minha — sussurrou no meu ouvido, e eu tremi de alegria ao ouvir aquelas palavras.

 

 

Olhávamos nos olhos um do outro, completamente esquecidos do que rolava ao redor.

 

Senti seu rosto se aproximar cada vez mais do meu e, mais uma vez, fechei meus olhos; ele me beijou com tanta ternura que juro que, se ele não estivesse me segurando, tinha caído ali mesmo.

 

Abracei-o firme, passando minhas mãos por seu cabelo, sentindo a textura de seus lábios quentes, macios e saborosos. Quando o beijo acabou, dei uma olhada rápida ao redor e pude perceber vários pares de olhos surpresos, algumas pessoas rindo discretamente, enquanto outras apontavam abertamente para a gente.

 

Fiquei um pouco sem graça, afinal cheguei à festa como irmã dele, e agora estávamos nos agarrando daquela forma, para quem assistia devia ser, no mínimo, esquisito.

 

— Vamos embora? — sugeriu.

 

— Vamos — respondi prontamente.

 

Naquele momento, iria até o inferno, desde que fosse com ele. Fomos pegar meu casaco e minha bolsa.

 

— Melhor você me dar à chave do carro — ele pediu.

 

— Mas você não sabe dirigir — argumentei.

 

— E você não está em condição de dirigir, depois de tanto champanhe. Vou pedir para alguém da produção levar o carro pra gente, e nós vamos de táxi. — Fui obrigada a concordar com seus argumentos e entreguei a chave a ele.

 

 Saímos de mãos dadas na noite fria.

 

— Aonde você quer ir? — perguntou, e pensei por um momento.

 

— Estou com fome — acabei por responder.

 

— Ótima pedida. Vamos comer alguma coisa — ele concordou sorrindo, parando um táxi.

 

Durante todo o trajeto, eu me perguntava se aquela noite não era um sonho, se o braço que envolvia meus ombros não era uma ilusão, se o brilho de seus olhos ao me olhar não era uma miragem.

Já era muito tarde, quase tudo estava fechado, então resolvemos parar na primeira lanchonete que encontramos aberta. Já passava das três horas da manhã quando nos aproximamos, de mãos dadas, da moça no caixa. Olhando para a parede ao lado, vi um quadro intitulado Funcionário do Mês, onde aparecia justamente uma foto da garota que nos atendia.

 

— Vou querer uma promoção completa e um milk-shake de chocolate — ele falou, logo de cara.

 

— E a sua namorada? — a moça perguntou, sorrindo.

 

Fui pega completamente desprevenida com aquela pergunta. Namorada? Até bem pouco tempo, era sua irmã, agora, ao ouvir ser chamada de “namorada” por uma desconhecida, fiquei sem fala.

 

O que será que eu era para o Simon nesse momento? Não tinha certeza. Como eu continuava muda, a atendente se virou novamente para ele.

 

— Ah, eu já sei, para ela pode pedir a promoção light, com suco de laranja — respondeu por mim.

 

— Legal quando o namorado da gente conhece nossos gostos, não é? — comentou a garota sorridente, e eu quis sumir.

Já Simon não parecia nem um pouco perturbado.

 

— Se você quiser, pode ir se sentar, que eu levo a bandeja — ele sugeriu, e saí dali na mesma hora, antes que pudesse ouvir outro comentário daqueles.

 

Escolhi uma mesa ao lado de um espelho, e pude dar uma boa olhada no meu rosto. Estava com as bochechas muito rosadas e um olhar estranho, parecendo que estava com febre. O cabelo um pouco despenteado, mas ainda no lugar, os lábios completamente sem batom, e sorri comigo mesma ao lembrar o motivo. Acabei por dar uma risadinha, achando graça do meu reflexo.

— O que é tão engraçado? — perguntou Alvarez  ao se aproximar, sentando-se à minha frente.

 

— A vida — respondi, alegre. — Oba! Estou faminta! — falei, avançando no sanduíche.

 

Enquanto comia, continuei me olhando no espelho, analisando meu rosto, minhas expressões, me observando analiticamente, até que ouvi uma risadinha.

 

— Você fica muito engraçada, bêbada — ele disse, rindo.

 

— Bêbada? Estou bêbada? — perguntei, surpresa.

 

 

— Bem, não muito, só de pilequinho, na verdade. Mas você está muito engraçada, comendo e se olhando nesse espelho, com um olhar de quem está “toda se querendo” — Não tive como não rir do comentário dele. — Espera aí, isso merece ser registrado, seu primeiro pileque... — Ele pegou o celular e mirou na minha direção, e assim que fiz uma pose, segurando o sanduba, ele tirou a foto.

A gente continuou comendo, com aquela naturalidade de quem se conhece a vida toda, rindo, brincando, fazendo comentários bobos sobre alguém que entrava, e caindo na risada.

 

 

— Senti muita falta disso — disse, segurando minha mão por cima da mesa.

 

— Do quê?

 

— De estar assim, com você, conversando sem estresse, falando um monte de bobagem, sem julgamentos, sem brigas. Você tem estado muito diferente de uns tempos para cá. — Baixei os olhos e dei um suspiro. — Por quê? Por que você mudou tanto? — ele perguntou, com um olhar triste.

 

— Você não desconfia? — questionei, olhando para nossas mãos unidas.

 

Ele segurou meu queixo com sua outra mão, me obrigando a encará-lo.

 

— Nós? — ele perguntou, me olhando nos olhos. — É esse o motivo?

 

— Sempre foi — confirmei.

 

Não precisava dizer mais nada por enquanto, sabia que ele tinha entendido. Simon se levantou e se sentou ao meu lado, passando o braço por trás do meu ombro.

 

— Mas agora, esse motivo não existe mais — ele disse, carinhosamente.

 

— Não? — perguntei, insegura.

 

— Não — respondeu, mexendo no meu cabelo. — Você acha que, agora que eu provei o gosto da sua boca, vou te deixar fugir? — Senti várias borboletas voando pelo meu estômago, quando o ouvi dizer aquilo.

 

— Quem disse que quero ir embora?

 

— Não sei. Nunca se sabe quando pode aparecer um gavião na área.

 

Fui até seu ouvido e sussurrei:— Nunca houve outro, só você. — Já ia afastar meu rosto, mas ele me segurou pela nuca, impedindo que me afastasse.

 

— Você não espera dizer uma coisa dessas no meu ouvido e sair ilesa, não é? — falou, com um sorriso na voz, beijando-me apaixonadamente em seguida.

 

Quando paramos o beijo, ele estava tão sem fôlego quanto eu, encostando sua testa na minha.

 

— Deixa eu tirar uma foto da gente junto. — Ele colocou o rosto ao lado do meu, ergueu o celular, e sorrimos. — Vamos, namorada? — perguntou, ao se levantar.  Olhei para ele ainda sem acreditar que tudo aquilo estava acontecendo.

 

— Namorada? Tem certeza? — quis saber, abraçando-o pela cintura.

 

— Longe de mim contrariar a Funcionária do Mês — disse, rindo e me dando um beijo rápido no nariz.

 

Pegamos um táxi e fomos para casa. O carro da mamãe já estava estacionado bem em frente ao local.

 

— Puxa, esse pessoal da produção do filme é realmente eficiente — comentei, já na calçada.

 

— Com certeza. É melhor a gente colocar logo o carro dentro da garagem, não é?

 

— Sim, é melhor. Cadê a chave?

 

— Está aqui, no lugar que eu combinei — disse, pegando-a embaixo do capacho, e me entregando. — Você está bem para guiar o carro lá para dentro?

 

— Tranquilo, pode deixar. — Ele se sentou ao meu lado no carro e o manobrei sem problema, abrindo a garagem com o controle-remoto.

 

Entramos. Parei o carro e ficamos em silêncio, vendo o portão da garagem se fechar atrás de nós, só as luzes do painel nos iluminando.

 

— Já quer subir? — perguntou.

 

— Qual é sua sugestão?

 

— Hum, podia colocar uma música aqui para gente — disse, já mexendo no som, e em seguida comecei a ouvir uma música suave – estava rolando o maior clima.

 

 Olhei para o relógio, passava um pouco das quatro horas da manhã.

 

— Que horas eles vêm buscar você? — perguntei.

 

— Às seis e meia da manhã — respondeu, desanimado.

 

— Você não vai dormir nada! — falei, preocupada.

 

— Não vai ser a primeira vez.

 

— Então... a gente não tem muito tempo, não é?

 

— Não.

 

Primeiro, olhamo-nos assim, meio de lado, quase com timidez, e no segundo seguinte nos atiramos um nos braços do outro, nos beijando com avidez.

 

Eu sentia uma urgência diferente no Simon , talvez por causa do pouco tempo que tínhamos antes dele viajar. Ele parou de me beijar, virando-me e, inesperadamente, me puxou, colocando-me sentada de lado em seu colo, encostando minhas costas na porta ao lado dele. Ele começou a beijar e sugar meu pescoço, provocando-me sensações desconhecidas e intensas. Movi minhas mãos para sua camisa e comecei a passá-las por seu peito, mas estava meio torta e me senti desconfortável naquela posição, o que ele logo percebeu.


Notas Finais


É, gente... parece que Simon ficou com ciúmes do Jorge, mas pelo menos Simon Alvarez... agiu bem rápido, e aconteceu momento "Simbar " Gostaram?


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