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História Mais um café, por favor - Capítulo 1


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Capítulo 1 - E um pouco mais de açúcar


O cheiro de café no estabelecimento era forte. O líquido flamejante era exibido com maestria do outro lado da bancada de pedidos, sendo servido com a ponta dos dedos e quase saindo de seus recipientes pelos movimentos nervosos de seus vendedores. E Minji, que era acolhida pela fumaça de seu café, puxava o ar à sua volta para sentir, também, todo o seu interior aquecido, assim como o seu exterior — todo aquele cheiro de café a fazia pensar em um rosto específico: o de Bora, tornando toda a saudade que carregava, junto a paixão que sentia pelo outro corpo feminino, palavras bonitas de traços bagunçados.

A quilômetros de distância do líquido quente e de cartas intermináveis a outra Kim encolhia os ombros tentando se esquentar, ao que sentia falta do toque quente de Minji em suas bochechas, abafando o tom avermelhado que sua face tornava-se aos poucos. O frio que cobria o corpo mediano era composto pelas ações da natureza e pela falta de Minji, que também sentia os efeitos de estar andando para cada vez mais longe de quem gostava, para longe do sorriso bonito que a Kim exibia.

— Mais um café, por favor. — murmurou Minji, os olhos correndo entre as pessoas de variados pensamentos e sentimentos, escolhendo entre pouco e muito açúcar em suas xícaras e copos descartáveis, todavia a mulher não observava os passos calmos de quem ela realmente gostaria. Haviam pessoas desconhecidas bebendo o líquido quente, porém Bora não estava entre elas.

— Pouco ou muito açúcar? — E logo havia, entre uma simples pergunta, uma outra questão melancólica. Bora costumava dizer que o açúcar era a única forma física possível da saudade, e a porção que ela botava em seu café preto era mesma de sua saudade. O espaço vazio nos braços de Minji era o local exato que Bora deveria estar.

Suas frases eram escritas de modo rápido, atravessando a pele da coreana com um pouco de pressa, querendo chegar ao outro corpo feminino e acolhê-lo em um abraço apertado, ao que queria matar aquela saudade que cobria sua garganta como um cachecol. Mesmo sob a aura quente da cafeteria, a ponta de seus dedos mantinham-se gélidas como a ponta do nariz de Bora. Nenhum dos dois corpos foram capazes de sentir calor, mesmo abaixo de roupas grossas e aquecedores, e ambas entendiam o porquê de todo aquele ar tortuoso existir.

E a saudade era doce, um toque cálido na bochecha de quem bebia o café quente e de gosto atrativo, ainda que todo o sentimento seja amargo. Em um aceno afirmativo com a cabeça, Minji jorrou saudade em seu café e coração, um ato que fez Bora encolher-se em suas vestimentas para tentar refazer o abraço quente que gostaria de sentir naquele momento. A mulher gostava de café, porém não da saudade que sentia pela outra — o gosto era doce, no entanto desagradável para aquele grande coração melancólico. Era o gosto amargo do café, o gosto amargo da saudade.



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